REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DAS FINANÇAS

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1 REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE MINISTÉRIO DAS FINANÇAS Assunto: Integração das Transferências Sociais directas e indirectas no Orçamento do Estado: O Caso de Moçambique 1. A economia moçambicana registou nos últimos anos um abrandamento do seu ritmo de crescimento, que decorre do alastramento da crise financeira internacional, cujo impacto se começa a fazer sentir nas economias em desenvolvimento. 2. Em 2009, os níveis de crescimento real da economia situam-se em 6,7%, a taxa de inflação média anual em 8%. Estas projecções tomam em conta o impacto da recente evolução da conjuntura macroeconómica internacional. Por sua vez, o índice de incidência na pobreza passou dos 54,1% em 2004 para uma meta de 45% em Quadro 1. Evolução dos Indicadores Macroeconómicos CGE CGE OE Cresc. Real do PIB (%) Inflação Média Anual (%) Indice de Incidência da Pobreza

2 3. No âmbito da luta contra a pobreza absoluta no país, o Governo implementa acções destinadas a aliviar a pobreza das populações mais desfavorecidas, de forma a permitir um padrão de consumo mínimo, permitindo assim um desenvolvimento económico sustentável. 4. O combate à pobreza e o apoio às pessoas mais desfavorecidas está no centro das prioridades do Governo da República de Moçambique, para o qual a redução sustentável dessa pobreza requer uma protecção social adequada aos cidadãos. A assistência às camadas sociais mais desfavorecidas está definida no Plano Quinquenal do Governo (PQG) num dos seus objectivos: prosseguir com as acções de assistência social a pessoas vulneráveis vivendo em estado de extrema pobreza. Os objectivos mais relevantes para os grupos alvo específicos dos programas da assistência social consistem em integrar sócio e familiarmente crianças órfãs e desamparadas e vivendo com HIV e SIDA e melhorar o sistema de previdência e segurança social para os idosos, bem como criar mecanismos de assistência social directa e outras formas de apoio a indivíduos e/ou grupos de idosos. 5. No PARPA II, a componente de acção social tem como objectivo proteger e atender os grupos populacionais em situação de vulnerabilidade (crianças, mulheres, pessoas portadoras de deficiência e pessoas idosas (parágrafos 463, 465, 467 e 469). 6. Estas acções tornam-se efectivas no Orçamento do Estado, na sua componente de transferências. Transferências podem ser definidas como sendo transacções através das quais o Governo fornece bens, serviços ou activos, podendo ser em espécie ou em numerário, sem que receba qualquer contrapartida directa. E podem ser classificadas como Correntes e de Capital. As primeiras são transacções através das quais o Governo fornece bens, serviços. Estas incluem: 2

3 I. Transferências às Administrações Públicas: as que são efectuadas do Governo para outras instituições ou organismos públicos que prestam serviços à comunidade. Constituem um complemento para o financiamento das despesas para o cumprimento da missão da instituição ou organismo (ex: transferências para as Autarquias). II. III. IV. Às Administrações Privadas: as que são efectuadas do Governo para instituições sem fins lucrativos que fornecem serviços não comercializáveis a particulares. (ex: transferências para os partidos políticos, Organizações Não Governamentais, associações recreativas, profissionais, etc). Às Famílias (Sociais): as que são efectuadas a particulares como consumidores e fornecedores de mão-de-obra, a produtores individuais. Ex: benefícios pagos a funcionários/militares aposentados ou a dependentes de funcionários/militares falecidos (assumindo diferentes categorias de pensões); auxílio prestado a pessoas carentes e com necessidades especiais (crianças, velhos, incapacitados, etc; associadas a riscos ou necessidades ligadas a desastres naturais; subsídio de alimentos atribuído a grupos específicos da população; subsídio de funeral, abonado ao funcionário ou a familiares em caso de falecimento; bolsas de estudo pagas em numerário, no país ou no estrangeiro a estudantes bolseiros. Ao Exterior: Contribuições ou quotas aos organismos internacionais: gerais (ONU; UA; SADC; etc), ou sectoriais. V. De Capital: Inclui as mesmas classificações que as correntes, mas referem-se à transferência de activos do Governo para os diferentes destinatários (Administrações Públicas; Administrações Privadas; Famílias; e Exterior). 7. No grupo de transferências encontramos as directas e as indirectas. As transferências sociais directas (TSI) são transferências de rendimento às famílias. A título de exemplo, podemos destacar as pensões civis e militares, bolsas de estudo, deslocação de doentes, subsídio de funeral, despesas sociais, 3

4 onde se enquadram o subsídio de alimentos e outras despesas de apoio social directo. 8. Relativamente as Despesas sociais, existem 5 programas de assistência aos grupos alvo e estão sob a tutela do MMAS implementados pelo INAS. 9. Programa de Subsídio de Alimentos (PSA) - teve o seu início em 1990 a título experimental e em 1993 tornou-se com base legal com a sua aprovação pelo Conselho de Ministros. É um programa nacional destinado a atenuar as dificuldades de subsistência de grupos ou indivíduos indigentes e impedidos temporariamente ou permanentemente de trabalhar e conseguir a satisfação das suas necessidades básicas, através de transferências de valores monetários aos beneficiários do programa, apresentando como grupos alvo os pessoas idosas as pessoas portadoras de deficiência e os doentes crónicos. 10. Programa de Apoio Social Directo (PASD) - fornece apoio material às pessoas indigentes precisando de apoio pontual, geralmente sob a forma de alimentação básica, material escolar para crianças vulneráveis, ou em bens domésticos. Os beneficiários são seleccionados baseando-se numa avaliação caso a caso. Este apoio pode ser concedido a indivíduos, agregados familiares ou instituições (ex. Infantários, Centros de Apoio a Velhice, Doentes de HIV/SIDA, entre outras). Este programa já existe desde a independência do país, mas foi reestruturado em 2001 com a redefinição de novos beneficiários, incluindo os doentes de HIV/SIDA carenciados. 11. Programa Benefício Social pelo Trabalho (PBST) iniciou em 1998 e oferece oportunidades de acesso ao emprego durante um período definido (18 meses) em troca da disponibilização de um subsídio mensal. 4

5 12. Programa de Geração de Rendimentos (PGR) data desde 2000 e possibilita o acesso a valores monetários ou créditos para o desenvolvimento de actividades económicas para indivíduos ou agregados familiares. 13. Programa de Desenvolvimento Comunitário (PDC) iniciou em 2000 e consiste em fundos doados à comunidade para a construção de infra-estruturas de pequena escala tais como postos de saúde ou moageiras etc. 14. Os primeiros 2 programas, PSA E PASD são programas de assistência social directa focalizando pessoas extremamente pobres e sem capacidade física para trabalhar, enquanto os três últimos são programas de Desenvolvimento, que focalizam pessoas em situação de pobreza extrema mas com capacidade física para trabalhar. 15. O quadro abaixo mostra o peso das transferências directas às famílias no total do Orçamento do Estado. Para o exercício económico de 2009, estas representam cerca de 14% do montante alocado as despesas de funcionamento e cerca de 79% da rubrica de transferências correntes. Esta tendência mostra o esforço do Governo na garantia de um padrão de consumo às populações carenciadas. Quadro 2. Posição das Transferências Directas às Famílias Transferência às Famílias em % de: Despesas de Funcionamento 13.8% 14.1% 13.7% Transferências Correntes 75.0% 75.1% 78.6% 16. Por outro lado, o montante alocado aos programas de apoio social aos desfavorecidos vem sofrendo aumentos significativos, como forma de privilegiar a assistência e impulsionar o processo de empoderamento das populações mais vulneráveis, garantindo a sua inclusão no processo de desenvolvimento. 5

6 Quadro 1. Programas de Apoio Social em % das transferências às famílias PSA 4.01% 3.85% 4.95% PASD 0.87% 1.25% 1.11% PBST 0.60% 0.64% 0.60% PGR 0.93% 0.86% 0.77% PDC 1.25% 0.46% 0.41% total 7.67% 7.06% 7.85% 17. Transferências Sociais Indirectas (TSI) são esquemas de subvenção feitas com o objectivo de influenciar os preços dos bens e serviços finais. Servem de exemplo: Subsídios aos preços (trigo, combustível para minimizar o impacto da crise nos grupos vulneráveis. Em 2009 foram prescindidos pelo Estado mais de 1.500,0 milhões de Mt); Subsídios de exploração com o objectivo de minimizar o agravamento dos custos de exploração. Gasta-se cerca de 400 milhões de Mt e vários programas de desenvolvimento direccionados às famílias (serviços de saúde, educação, serviços agrícolas, estradas, etc). 18. O apoio social aos segmentos populacionais vulneráveis é prioridade do Governo no quadro da estratégia de combate á pobreza absoluta. Este manifesta-se do seguinte modo: Amortecimento do impacto dos choques externos sobre a população vulnerável; Adopção de medidas de política macroeconómica que contribuem para a estabilização dos preços (em particular dos bens e serviços básicos); Mitigação dos níveis de indigência através de programas de assistência social directa e indirecta. 6

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