Protecção Social para um Crescimento Inclusivo. Nuno Cunha Nações Unidas

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1 Protecção Social para um Crescimento Inclusivo Nuno Cunha Nações Unidas

2 Contexto moçambicano O País tem experienciado um crescimento económico impressionante nos últimos 15 anos Importantes progressos na redução da pobreza entre 1997 e 2003 Dados recentes mostram: Importantes desenvolvimentos no acesso a serviços básicos Estagnação nos níveis de pobreza nos últimos 5 anos 54% dos Moçambicanos vivem abaixo da linha de pobreza 44% das crianças em situação de desnutrição crónica O aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis pode contribuir para aumentar ainda mais os níveis de vulnerabilidade

3 O que é novo na discussão global? As Nações Unidas (CEB) adoptaram a Iniciativa do Piso de Protecção Social" (SPFI) como uma das suas nove prioridades principais para enfrentar a actual crise global A abordagem do Piso de Protecção Social combina serviços sociais e programas de transferência de rendimento As Nações Unidas argumentam que: As protecção social são um direito humano e uma ferramenta poderosa no combate à pobreza A introdução antecipada da protecção social é um investimento importante no desenvolvimento social e económico Um Piso básico de transferência sociais é acessível financeiramente para todos os países, praticamente em qualquer fase do desenvolvimento económico

4 O que é novo na discussão global? Para o FMI, os Sistemas de Protecção Social são importantes porque: Actuam como estabilizadores automáticos para atenuar os choques externos: suavizando as flutuações económicas Promovem desenvolvimento no capital humano que conduzem a um crescimento mais inclusivo Consolidam a estabilidade social e a paz que são essenciais para atrair o investimento privado e alcançar um crescimento económico sustentável O Relatório do Banco, Subida dos preços dos alimentos: Opções políticas e a resposta do Banco Mundial realça que: As melhores opções para enfrentar a insegurança alimentar incluem as transferências de dinheiro dirigidas ao grupos vulneráveis Estas apoiam o poder de compra dos pobres sem alterar os incentivos nacionais para se produzir mais comida, e sem reduzir os rendimentos dos vendedores de alimentos pobres

5 E o que está acontecer ao nível do país? Rede de Segurança Produtiva na Etiópia Mais de 7 milhões de pessoas em 2008 Implementado nas zonas rurais para enfrentar a insegurança alimentar crónica Transferências sociais por 5 meses durante 3 anos associadas à participação em obras públicas Investimento equivalente a 2% do PIB (incluindo o financiamento dos doadores) Pensão Social e Subsídios de Apoio à Criança na África do Sul Em conjunto, representam 12% do orçamento nacional ou 3,5% do PIB 2,3 milhões de pessoas (85% da população com 63 ou mais anos) 8,5 milhões de crianças com menos de 15 anos (55% do total) Bolsa Família do Brasil Subsídios condicionais em dinheiro para agregados familiares com crianças 11,6 milhões de agregados familiares (50 milhões de pessoas que representam 26% da população) 0,4% do PIB Esquema Nacional de Emprego Garantido no Brasil Governo garante anualmente a disponibilidade de 100 dias de trabalho 49 milhões de beneficiários 0,66% do PIB 2009

6 Qual foi o impacto? Use of Cash Transfer by Program 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Food Education Health Other Savings & Investment South Africa OAP Kenya Cash Transfer for OVC Namibia Old-Age Pension (urban) Malawi FACT Zambia SCTS Mozambique INAS (urban) Malawi DECT

7 Qual foi o impacto? O Programa da Rede de Segurança Produtiva na Etiópia melhorou o consumo diário de calorias em 10%, aumentou a utilização do crédito agrícola em 12%, o uso de fertilizantes em 11% e de sementes melhoradas em 5% Um indivíduo com idade entre anos vivendo num AF recebendo uma pensão na RAS tem uma percentagem de encontrar emprego superior em 3,2% aos que não têm a pensão Está previsto que as crianças com mães beneficiárias do Subsídio de Apoio à Criança na África do Sul serão 3,5 cm mais altas quando forem adultas No âmbito do Sistema de Transferência de Dinheiro na Zâmbia, a incidência de agregados familiares que vivem com uma refeição por dia diminuiu de 19,3% para 13,3% No sistema de transferência de dinheiro do Malawi, as novas matrículas escolares foram duas vezes superiores em termos de participação dos agregados familiares (8,3% vs 3,4%) no período de um ano

8 Sistema de Protecção Social Actual Um sistema que ainda tem importantes desafios mas que tem dado passos importantes recentemente O enquadramento institucional que pode ser visto como um exemplo na região Programa de Subsídio de Alimentos (PSA) Cobertura nacional através de uma transferência monetária financiada e implementada pelo governo por mais de 20 anos Aumento do número de AF abrangidos (aumento de 125% em 4 anos) - em 2011 serão abrangidos de agregados familiares cerca de 23% dos agregados familiares com idosos Montante transferido permanece baixo: entre Mt (4 13 USD) em 2011 Assistência técnica de parceiros internacionais na área da definição de políticas, desenho de programas, capacitação de fortalecimento de sistemas (UN, BM, FMI, entre outros)

9 Cobertura da Protecção Social é Limitada Percentagem de Agregados Familiares Pobres que Beneficiam dos Programas do INAS 8,3% 91,7% Beneficiary households Non-beneficiary households

10 Cobertura da Protecção Social é Limitada 4,00% 3,50% 3,00% 2,50% 2,00% 1,50% 1,00% 0,50% 0,00% 2,00% Ethiopia PSNP Custoemtermosde PIB 3,50% South Africa Pensions & CG 1,43% 0,20% Lesotho Social Pension Mozambique INAS Programs A questão da fragmentação é crítica i.e., muitos pequenos programas, com diferentes instituições implementadoras(agências do governo, ONGs) e diferentes fontes de financiamento (incluindo doadores)

11 O Espaço Fiscal A confirmar-se o pressuposto da retirada total do subsídio aos combustíveis e o aumento contínuo de receitas esperado, o FMI prevê que 1 a 1,5% do PIB pode ser atribuído aos programas de protecção social Existe a continuidade do apoio financeiro de doadores: DFID, Holanda, Suécia

12 A Cesta Básica A eliminação de subsídios regressivos e insustentáveis é um passo importante. Contudo, a versão actual da Cesta Básica apresenta alguns riscos: Riscos da Cesta Básica Escolhas dos alimentos e do sistema de implementação risco de distorções do mercado orientação para produtos importados pode levar ao aumento da vulnerabilidade a choques externos Pode gerar problemas de equidade e de eficácia Desempregados e pessoas inaptas para trabalhar não estão incluídas Orientado para as zonas urbanas Cronograma de implementação muito curto Seis meses de duração para o programa é demasiado curto Medida de difícil retrocesso depois de iniciar a implementação r

13 Medidas alternativas e complementares Para reduzir esses riscos algumas medidas podem ser tomadas, incluindo: Atrasar a redução de alguns dos actuais subsídios a produtos alimentares Aumentar a escala dos programas de transferências monetárias Expandir os Programas de Trabalhos Públicos no quadro do Programa Nacional de Acção Social Produtiva, tanto nas zonas urbanas como rurais, para os agregados familiares pobres com capacidade para trabalhar: O Programa Estratégico para a Redução da Pobreza Urbana (PERPU) de pode ser um complemento importante para as Obras Públicas, através do apoio ao desenvolvimento de PME

14 Obrigado.

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