A CONSTRUÇÃO DE UM MAPA CULTURAL PARA O ENSINO DO TEMA BIOMAS E BIODIVERSIDADE NO BRASIL : UMA A PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA

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1 A CONSTRUÇÃO DE UM MAPA CULTURAL PARA O ENSINO DO TEMA BIOMAS E BIODIVERSIDADE NO BRASIL : UMA A PROPOSTA DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA JOÃO AUGUSTO DOS REIS NETO 1, JOÃO HENRIQUE OLIVEIRA PEREIRA 2, ANTONIO FERNANDES NASCIMENTO JUNIOR 3 RESUMO: O ensino de biologia deve estar articulado com a realidade do aluno para que assim, esse conhecimento seja contextualizado e auxilie o educando na resolução em todas as esferas da sua vida cotidiana. Nesse sentido, a cultura é um importante elemento nesse processo de construção do conhecimento dos(as) alunos(as). Com base nessa reflexão, foi elaborada uma sequência didática para trabalhar com a temática Biomas e Biodiversidade no Brasil tendo a cultura como elemento estruturante para essa prática. A mesma foi elaborada no âmbito da disciplina de Metodologia do Ensino em Zoologia a fim de ser uma alternativa para o ensino da temática. A atividade foi registrada, em áudio e vídeo, e posteriormente analisada com base no referencial teórico adotado. A partir da análise realizada pôde-se concluir que a sequência didática proposta pode ser uma estratégia eficaz para o ensino da temática Biomas e Biodiversidade no Brasil, além de auxiliar na prática pedagógica dos professores e professoras de Biologia. Palavras-chave: Ensino de biologia; Cultura e biodiversidade do Brasil; Biomas. INTRODUÇÃO A escola é um espaço de construção de cidadãos e pode ser um agente de integração social ao se posicionar como um elemento de transformação da realidade que está posta. Nesse sentido, o ensino de ciências deve ser um caminho para formar um sujeito crítico que seja capaz de compreender e criticar a realidade em que vive, e também transformá-la (CHASSOT, 2003). Na tentativa de construir um novo olhar sobre a educação nós, futuros professores, devemos observar a realidade da educação no Brasil e tentar, sob uma perspectiva transformadora, contribuir para uma revolução estrutural na mesma. Para isso, devemos criar algumas ações que possam contribuir para a nossa formação docente e consequentemente a melhoria da educação pública no Brasil. Assim, ações que visem contribuir com esse movimento de melhoria da educação devem ser investigadas a fim de auxiliar os professores e professoras em sua prática pedagógica. Nessa perspectiva, foi realizado o presente trabalho, proposto dentro da disciplina Metodologia do Ensino em Zoologia do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Lavras MG, como estratégia para o ensino de biomas e biodiversidade no Brasil, direcionado para disciplina de biologia oferecida ao 2º ano do Ensino Médio (MINAS GERAIS, 2007). Entendemos que o ensino de biologia deve estar articulado com a realidade do aluno para que assim, esse conhecimento seja contextualizado e auxilie o educando, na resolução de problemas, na construção de tarefas diárias, e em todas as esferas da sua vida cotidiana (LIBÂNEO, 1990). Nessa perspectiva, ensina-se biodiversidade e os biomas do Brasil, para que o educando consiga compreender a riqueza natural e cultural do nosso país, e o que isso significa para uma nação, e provocar no mesmo um despertar para os problemas socioambientais que os nossos diferentes ecossistemas enfrentam e assim propor possíveis soluções. Além disso, a temática oferece uma possibilidade de leitura da natureza e do mundo, principalmente no contexto onde ele está inserido, numa perspectiva ampla de respeito à natureza e a pluralidade cultural do nosso país. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo apresentar uma proposta de sequência didática para trabalhar a temática biomas e biodiversidade no Brasil numa perspectiva contextualizada, além de discutir a valorização da cultura das comunidades locais e criar uma 1 Graduação-bolsista PIBID,Universidade Federal de Lavras /Departamento de 2 Graduação-bolsista PIBID,Universidade Federal de Lavras /Departamento de Biologia, jh ³ Professor Adjunto, Universidade Federal de Lavras/Departamento de

2 identidade cultural com o nosso povo. Além disso, relacionar o conceito de biodiversidade com a produção cultural regional dos biomas. DESENVOLVIMENTO DO TRABALHO O recurso didático A estratégia escolhida é o somatório de vários recursos escolhidos para o desenvolvimento do tema, em sala de aula. Foram escolhidas a pesquisa, a discussão e a construção de um mapa do Brasil, com os domínios dos biomas. Segundo o PCN (1997, p. 07) o aluno deve saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos, o que justifica o uso da pesquisa nessa metodologia. A estratégia trabalha numa dimensão dinâmica com imagens, gravuras, e por meio desses recursos o educando consegue construir de modo efetivo conceitos teóricos, como o de biomas e ecossistema. A sequência didática A sequência didática foi planejada para ser realizada em, no mínimo cinco aulas (MINAS GERAIS, 2007), e as atividades serão realizadas em sala de aula, exceto a pesquisa que deverá ser feita em casa, e levada pelo estudante. Os materiais a serem utilizados na sequência são de fácil acesso para que o professor tenha a possiblidade de desenvolver a metodologia de modo eficaz. Esses materiais são: um banner, ou uma gravura de tamanho semelhante, com a imagem do mapa dos biomas do Brasil; cola e tesoura; material da pesquisa (imagens, gravuras da flora e fauna, etc.); lápis de cor ou tinta guache para a construção do mapa. A SEQUÊNCIA DIDÁTICA PROPOSTA 1º aula Introdução ao tema A pesquisa deverá ser feita visando um aprofundamento no tema, e após esse processo o professor será o mediador na construção do livro dos biomas abordando os conteúdos a serem trabalhados durante a construção do trabalho. E por haver dois enfoques diferentes no trabalho, a perspectiva biológica e a cultural, é necessário que o aluno compreenda que não há que supor uma melhor que a outra, a diversidade biológica nos biomas não é superior à cultural, nem vice-versa. 2º e 3º aula Apresentação dos trabalhos Na segunda aula (cerca de uma semana após a solicitação da pesquisa), será a apresentação da pesquisa à classe. Os grupos apresentarão à classe o seu trabalho em duas aulas, três em cada aula. Desse modo, a terceira aula também estará reservada para os outros três grupos. Esperamos que a apresentação da pesquisa, que conterá os elementos pedidos, auxilie os demais alunos na apropriação dos conhecimentos relativos aos outros biomas que não fora estudado pelo seu grupo. 4º e 5 º aula Discussão de início da construção do Biomapa Depois dos grupos terem se apresentado, haverá uma discussão para juntar todos os biomas, e relacionando-os com a biodiversidade e seu conceito, a discussão será, de certo modo, uma conclusão da temática, onde o professor deverá esclarecer possíveis dúvidas, tecer comentários, ouvir os alunos, etc. Uma vez encerrada essa etapa o professor iniciará a construção do chamado BIOMAPA, que é a representação dos domínios de cada bioma no mapa do Brasil. O BIOMAPA deverá ser em tamanho ampliado (provavelmente em tamanho de pôster) e todos os alunos e alunas deverão construí-lo com o auxílio do professor(a), como mediadores. Na quinta aula daremos sequência na montagem do BIOMAPA e na discussão, e espera-se que assim encerre-se a montagem do mesmo. É importante ressaltar que o mapa não será simplesmente para ilustrar os domínios, mas sim para que os alunos conheçam a localização

3 geográfica de cada bioma, suas características e por que são diferentes uns dos outros, para isso haverá a mediação do professor durante todo o processo. Como avaliar os alunos e a prática? A avaliação acontecerá ao longo da atividade, onde o professor estará mediando todos os processos e avaliará os alunos de acordo com o desempenho dos mesmos. E ela será baseada na participação durante a construção do trabalho em grupo; na apresentação da pesquisa à classe e interação entre os grupos, e os grupos com a classe. Além da avaliação que será feita pelo professor ao longo da realização das atividades em sala de aula, deverá ser pedido aos alunos uma auto avaliação. Nela eles falarão sobre o que aprenderam na atividade, suas percepções sobre a metodologia, sobre o trabalho em grupo e outros aspectos que eles julgarem importantes relatar. É importante ressaltar que durante todo o processo, nós como professores, estaremos observando os desdobramentos da metodologia e após a realização da atividade concordamos que é necessário refletir sobre a nossa prática. RESULTADOS: A APLICAÇÃO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA RELATO DA MICROAULA Uma condensação das atividades propostas foi apresentada com duração de 30 minutos em um das aulas da disciplina Metodologia do Ensino em Zoologia destinadas a essa apresentação. No primeiro momento a turma foi divida em dois grupos, e a atividade proposta foi apresentada brevemente, devido ao curto tempo. Em seguida fizemos uma rápida contextualização sobre os biomas, as características dos mesmos, além de trazer na discussão os conceitos de cultura e biodiversidade, e como eles se relacionam com os biomas. Foi discutido também o conceito de pertencimento do ser humano à natureza, incluindo-o no bioma como parte integrante do mesmo. Isso enriqueceu a discussão e possibilitou a construção de uma nova leitura de natureza, conforme relatado pelos alunos que participaram da atividade. Logo depois foram entregues os materiais aos grupos, que trabalharam com apenas dois dos biomas devido ao tempo escasso, sendo eles, Cerrado e Caatinga. Para facilitar o desenvolvimento da aula, levamos o mapa dos biomas pronto e as fotos dos animais que seriam utilizados na prática desenvolvida. Foram oferecidos ainda livros, computadores e algumas cópias de materiais retirados de revistas/sites e também algumas revistas, para que os grupos realizassem a pesquisa que foi solicitada. Na pesquisa, eles pesquisaram características físicas, climáticas e geográficas sobre os biomas, além de fazerem uma rápida abordagem cultural do bioma. Nessa abordagem eles podiam escolher uma poesia, livro, história de autoria de um poeta nascido no bioma, ou um conto popular, além de outros elementos, por exemplo, o conhecimento e medicina popular. Entre os elementos pesquisados por um dos grupos (Caatinga) surgiu poesias de João Cabral de Melo Neto, autor nordestino, e uma abordagem sobre a medicina popular com o livro Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa, pelo segundo grupo (Cerrado). Terminando a pesquisa os grupos começaram a confeccionar o BIOMAPA, localizando e identificando o seu bioma no mapa do Brasil e colocando nele os animais do respectivo bioma. Durante todo esse momento, orientamos os alunos, fazendo uma discussão sobre as características da fauna, suas adaptações, ocorrência, etc. Além disso, nessa discussão foi ainda falado sobre a inserção do homem, através da cultura, na natureza, e a noção de impactos ambientais causados pelo uso dos biomas. Nessa discussão pode-se observar a familiaridade dos alunos com os biomas brasileiros e com a nossa cultura, evidenciando uma necessidade de (re)construir ideias mais sólidas acerca da nossa biodiversidade e da nossa cultura. Ao encerrar a construção do biomapa, os alunos socializaram o seu trabalho com o resto da turma para que todos pudessem construir os conhecimentos relativos à temática, além de conhecer a cultura de cada um dos biomas. Ainda foi discutido com toda a turma a perspectiva cultural e o uso dos biomas, de modo sustentável. A prática mostrou-se bastante eficiente cumprindo os objetivos propostos. Desse modo, a aula foi encerrada com uma discussão coletiva com todo o grupo.

4 DISCUSSÃO DA SEQUÊNCIA E DO RECURSO DIDÁTICO A sequência didática foi apresentada aos alunos da disciplina Metodologia de Ensino em Zoologia, e aos do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência PIBID de Biologia e foi avaliada pelos participantes da atividade. Depois de avaliada, a metodologia foi aprimorada e conforme já relatado, foi aplicada na microaula. Vale ressaltar que toda a atividade foi gravada para a posterior análise. A partir dos vídeos e gravações de áudio, as falas dos participantes foram analisadas, e os estes foram nomeados pela expressão Pn, de acordo com a ordem em que aparecem na filmagem e no registro de áudio. As observações foram analisadas e discutidas com base no referencial teórico adotado e algumas falas, por serem convergentes, foram agrupadas em categorias. Analisando as falas de P1, P2, P6, P9 e P12 percebemos que a metodologia demostra ser uma importante estratégia pedagógica por utilizar a pesquisa escolar no processo de aprendizagem. De acordo com Bezerra (2008), a pesquisa escolar é um importante elemento na construção do conhecimento dos alunos. Tal necessidade é também salientada no PCN (1997), uma vez que é importante que o aluno reconheça formas diferentes de buscar o conhecimento. A fala de P2 questiona a participação da cultura como parte da metodologia, e de acordo com Agostinho (2010), é importante compreender a diversidade cultural de modo semelhante à diversidade biológica, uma vez que as duas estão estritamente relacionadas. Compreender essa diversidade num contexto educacional quer dizer ofertar ao aluno oportunidade de reconhecer a diversidade cultural como elemento de ampliação da leitura de mundo do mesmo, e que as visões de natureza e meio ambiente são diferentes em cada cultura. Desse modo, justifica-se o fato de utilizar a cultura como elemento estruturante para o ensino de biologia, e dos ecossistemas brasileiros. Em P3 é importante ressaltar que os alunos serão orientados a apresentar o conteúdo pesquisado de modo não expositivo, fomentando neles assim, a crítica e o exercício do pensamento criativo. Encontramos em Lobato (2005), na LDB (1996) e nos PCN (1998) a justificativa para um ensino de biologia que seja contextualizado, e que crie pontes entre teoria e prática, ou seja, um conhecimento que possua significado fora da sala de aula. Os conhecimentos apresentados na sala de aula deve ter relação com a vida cotidiana do educando. Em P11, a fala aponta para um questionamento acerca do método de avaliação sugerido na sequência didática, a auto avaliação. Entendemos que o uso dessa metodologia de avalição é muito benéfico uma vez que trabalha numa perspectiva formadora da autonomia do educando além de trabalhar valores como honestidade, ética e respeito, importantes para a construção da cidadania dos estudantes. E por fim, vale ressaltar que todos os participantes da atividade, tanto da avaliação quanto da microaula, destacaram a perspectiva de incluir o ser humano dentro do bioma, o que se mostrou muito eficaz. Essa leitura do bioma com o homem incluído nele como parte desse ecossistema mostra aos alunos a relação do ser humano com a natureza, rompendo com a visão dicotomizada entre homem e natureza (Loureiro, 2009). E assim, segundo Loureiro (2009), com base em Marx pensar o ser humano em sua peculiaridade (atividade transformadora da natureza na história, gerando cultura). CONSIDERAÇÕES FINAIS O texto aqui apresentado e a análise do material registrado demonstram que a metodologia poderá ser uma estratégia pedagógica bastante eficiente ao trabalhar a temática biomas e biodiversidade, uma vez que ela consegue abarcar vários elementos importantes na constituição do conhecimento dos alunos, como a cultura que é um elemento de sustentação do conhecimento e da sociedade. Além disso, o trabalho aqui proposto aponta um novo caminho aos professores e professoras de Biologia ao trabalhar com os biomas do Brasil. Entendemos que o papel do professor é essencial durante a realização da atividade uma vez que ele será o mediador da prática, e facilitador do aprendizado do aluno e assim auxiliará os mesmos na construção do seu conhecimento. Vale ressaltar que o papel do professor vai além da ministração de conteúdos, e, nesse sentido, a sequência didática aqui apresentada busca auxiliar o(a) professor(a) em sua prática pedagógica, se prestando à construção

5 de um novo olhar sobre a forma de se ensinar e contribuindo assim para uma revolução estrutural na educação. REFERÊNCIAS AGOSTINHO, C. A. As possíveis formas de ensino na biologia relacionando biodiversidade e diversidade de culturas. IV Fórum de Educação e Diversidade - Diferentes, (des) iguais e desconectados ; Caderno de resumos, UNEMAT Tangará da Serra, BEZERRA, M. A. C., A Pesquisa Escolar nas LDBs e nos PCNs; CRB-8 Digital,v. 1, n. 3, p. 1-18, São Paulo, dez BRASIL. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais: ciências naturais (1ª a 4ª série). Brasília: MEC: SEF, v. 4.. SECRETARIA DA EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, CHASSOT, A. I.. Alfabetização científica: uma possibilidade para a inclusão social. Revista Brasileira de Educação, São Paulo, v. 23, n.22, p , MINAS GERIAS. Currículo Básico Comum Proposta Curricular Ciências e Biologia; Belo Horizonte: SEE, Minas Gerias, FERNANDES, C. C. M. e OSÓRIO, A. M. N. do a pesquisa escolar como instrumento pedagógico: um dos caminhos para a aprendizagem do aluno dos anos finais do ensino fundamental, XVI ENDIPE - Encontro Nacional de Didática e Práticas de Ensino - UNICAMP - Campinas LIBÂNEO, J. C. Didática. Coleção Magistério: 2º Grau. São Paulo: Cortez, LOBATO, A. C. Contextualização e Transversalidade: conceitos em debate Monografia de especialização. Universidade Federal de Minas Gerais UFMG; Belo Horizonte, LOUREIRO, C. F. B.. Karl Marx: História, crítica e transformação social na unidade dialética da natureza. In: Carvalho, I. C. de M.; Grünn, M; Trajber, R. (Org.). Pensar o ambiente: bases filosóficas para a educação ambiental.. 1ed.Brasília: MEC e UNESCO, 2009, v. 1, p

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