A MATEMÁTICA NO CARTÃO DE CRÉDITO

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1 A MATEMÁTICA NO CARTÃO DE CRÉDITO VIANA, Waldiléria Silva ENDLICH, Rafaela Saloméa de Oliveira Araki Resuno: Trata-se de um relato de experiência com uma atividade sugerida por alunas do programa PIBID/Ifes/Vitória/matemática. Que na busca por uma matemática contextualizada e com aplicação concreta, realizou uma atividade elaborada tomando como base uma fatura de cartão de crédito, com o objetivo de contextualizar e demonstrar a matemática e seu uso no cotidiano. Foi aplicada a cinquenta e três alunos presentes no dia 06/06/2014 em duas turmas do 3º ano do ensino médio na rede estadual de ensino público no município da Serra. E essa atividade foi proposta ao professor colaborador do programa no planejamento escolar no dia em que iniciou o ensino de juros simples em sala de aula. Antes de iniciar a atividade o professor Josias Bravim, escreveu no quadro as fórmulas de juros composto, já apresentadas anteriormente no desenvolvimento do conteúdo matemático ministrado por ele nas duas turmas do 3º ano do ensino médio. Logo após foi distribuída a atividade aos alunos e foram informados de que as alunas, Waldiléria e Rafaela, do programa PIBID junto com o próprio professor estavam disponíveis para ajudar a sanar dúvidas. Assim ao propor a atividade com uma fatura de cartão de crédito, estaríamos promovendo uma consciência reflexiva usando a matemática e mostrando aos alunos suas aplicabilidades no cotidiano e com uma abordagem voltada para a realidade, Humanização e desumanização, dentro da história, num contexto real, concreto, objetivo, são possibilidades dos homens como seres inconclusos e conscientes de sua inclusão (FREIRE, 2005, p.32). Após a aplicação da atividade, apresento resultados reflexivos, descrito pelos próprios alunos participantes e suas conclusões. Palavras-chave: contextualização, matemática, cotidiano INTRODUÇÃO Não é difícil de encontrar um aluno que relate a matemática como uma disciplina difícil, ainda que culturalmente. Também não é difícil de encontrar professores da disciplina que relatem a dificuldade de ensinar a matemática. Em grande maioria os professores são alunos de um ensino sistematizado e mecânico e é desse modo que repassam o conhecimento adquirido na faculdade. Mas há aqueles que querem aprimorar a docência de modo a desmistificar a dificuldade da matemática e apresentar uma disciplina efetiva no cotidiano de quaisquer cidadãos. Embora não haja uma fórmula pronta de lecionar, mesmo porque estamos lidando com indivíduos que são singulares no seu processo de aprendizagem, assim, é da tentativa e erro que se encontra um ponto de equilíbrio na linha tênue para um ensino efetivo, formador de sujeitos prontos para a sociedade. Arriscar, tentar o novo sem desprezar o velho é que defende Paulo Freire em Pedagogia da Autonomia (2011). Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer descriminação ¹

2 É na busca por um método de apresentar a matemática no cotidiano e pela dificuldade de assimilação dos alunos que foi decidido por uma atividade complementar para o assunto Juros Compostos. A escolha por uma fatura de cartão de crédito se deu pelo propósito de alguns dos alunos, ainda que trabalhem, e ou os pais possuírem cartão de crédito. A atividade tem como objetivo mostrar a matemática contida no cartão de crédito, mostrando que ela vai além das paredes da escola, fixar o conteúdo já apresentado em sala de aula anteriormente e relacioná-la num contexto concreto de vida. Além disso, a atividade tem o cunho social de informar sobre o real funcionamento das de taxas de juros cobradas pelas administradoras de cartão de crédito e orientar/alertar para a vida financeira. Destaca-se o fato de que vários estudantes obtêm poucos conhecimentos relacionados à matemática financeira e quando os possuem, esses conhecimentos desconsidera a valoração exagerada dos juros embutidos sobre produtos e/ou serviços, que os tornam superfaturados e abusivos. A fim de contextualizar a problemática social, O Método de Paulo Freire é de cultura popular: Conscientiza e politiza. Não absorve o político no pedagógico, mas também não põe inimizade entre educação e política (FREIRE, 2005, p.22). Assim ao propor a atividade com uma fatura de cartão de crédito, estaríamos promovendo uma consciência reflexiva usando a matemática e mostrando aos alunos suas aplicabilidades no cotidiano e com uma abordagem voltada para a realidade, Humanização e desumanização, dentro da história, num contexto real, concreto, objetivo, são possibilidades dos homens como seres inconclusos e conscientes de sua inclusão (FREIRE, 2005, p.32). Nessa preparação do aluno no contexto e perspectiva sobre juros compostos que vão desde ensinar matemática, sobretudo envolvendo matemática financeira, essas aulas possuem significados além das paredes da escola. Pois são fundamentais para o uso consciente do cartão de crédito. A resposta aos desafios da realidade problematizadora é já a ação dos sujeitos dialógicos sobre ela, para transformá-la (FREIRE, 2005, p.193). A ATIVIDADE Na busca por uma matemática contextualizada e com aplicação concreta, a atividade foi elaborada tomando como base uma fatura de cartão de crédito. Foi aplicada a cinquenta e três alunos presentes no dia 06/06/2014 em duas turmas do 3º ano do ensino médio na rede estadual de ensino público no município da Serra/ES. Essa atividade foi sugerida pela aluna Waldiléria, aluna de licenciatura em matemática Ifes/Vitória, do programa PIBID, ao professor regente e foi proposta no dia em que iniciou o ensino de juros simples em sala de aula. Antes de iniciar a atividade o professor regente Josias Bravim, escreveu no quadro as fórmulas de juros composto, já apresentadas anteriormente no desenvolvimento do conteúdo matemático ministrado por ele na turma do 3º ano do ensino médio. Logo após, foi distribuída a atividade aos alunos e foram informados de que as alunas, Waldiléria e Rafaela, do programa PIBID junto com o próprio professor estavam disponíveis para ajudar a sanar dúvidas. Sendo entregue a atividade aos alunos individualmente, porém uma das alunas perguntou si a atividade poderia ser desenvolvida em grupo, então Josias disse que poderia ser em dupla no máximo trio desde de que, todos fizessem a atividade no próprio caderno, além disso não era permitido o uso da calculadora, após as orientações do professor, os alunos começaram a atividade. Segue a fatura e a atividade relacionada:

3

4 Percebemos o interesse dos alunos na atividade, principalmente depois de dizer que a fatura usada na elaboração da atividade era real, mas o interesse foi de encontro com as dificuldades. A primeira dificuldade identificada nos alunos foi na interpretação das questões e da fatura, eles não entendiam o que era pagamento mínimo, por exemplo. A segunda dificuldade foi de relacionar a fórmula apresenta pelo professor durante a apresentação do conteúdo com as questões da atividade, eles não conseguiam relacionar o capital da fórmula com o valor da fatura, ou a taxa da fórmula com os juros. A terceira dificuldade estava em multiplicar com números decimais. Percebemos então que as dificuldades eram maiores do que imaginamos e a atividade requereria mais tempo que as duas aulas de 50 minutos, como havia sido planejado. Nas explicações desprendidas aos alunos foi estimulado que eles relatassem o que estavam entendendo da pergunta e a partir do entendimento do aluno desdobrávamos a questão. Foi observado que mesmo depois de esclarecidas as dúvidas e usado exemplos de algoritmo da multiplicação com decimais, muitos dos alunos não se sentiram seguros para desenvolver a atividade e a cada manipulação com os números perguntavam se estava certo. Foi observado também dificuldade com as operações básicas. Sanada grande parte das dúvidas a atividade ficou como tarefa de casa e seria corrigida na próxima aula, pois o tempo não foi suficiente para terminar a atividade. Porém, na aula seguinte, constatou-se que poucos alunos completaram a tarefa com o argumento de não conseguir desenvolver sozinhos, então continuamos a atividade em sala de aula. À medida que os alunos avançavam na atividade era possível ver os espantos dos alunos depois de analisarem os resultados obtidos. E durante a atividade ouvimos alguns relatos interessantes como: vou falar pra minha mãe nunca mais pagar o mínimo do cartão, sempre fui pagar as faturas pra minha mãe mas nunca fiz as contas, então pedimos que eles relatassem por escrito suas próprias conclusões numa folha e entregasse. Estão a seguir alguns dos relatos. Este aluno conseguiu compreender os juros compostos contido no cartão de crédito, e ter conciência sobre o endividamento através das parcelas.

5 Este aluno percebeu como uma armadilha o parcelamento oferecido pela empresa do cartão e a matemática ficou muito simples para ele. Este aluno também compreendeu o endividamento e um dos motivos em que uma pessoa pode ficar com o nome sujo na praça.

6 Este aluno relacionou a matemática com seu trabalho, admite a importância dela no cotidiano.

7 Este aluno consegue relacionar a matemática com a vida financeira futura. Outro aluno que consegui detectar o endividamento.

8 CONSIDERAÇOES FINAIS De acordo com os relatos dos alunos, o objetivo de ensinar a matemática contextualizada com a realizadade foi alcançada. Pois os alunos chegaram a conclusões significativas como: compreensão do sistema bancário, como ocorre a inclusão do nome ao SPC, a relação do uso da matemática no trabalho, como evitar endividamento, e outros. O resultado foi bem satisfatório, mais do que o ganho com a matemática houve o ganho social. Muitos não sabiam como funcionavam as regras do cartão de crédito e nem imaginavam como são as taxas de juros mascaradas pela prestação baixa do parcelamento. A atividade trouxe ainda o inesperado, pois permitiu maior proximidade entre integrantes do PIBID e os alunos ganhado assim a confiança deles. Se antes eram acanhados para pedir ajuda, agora sem mesmo o professor dizer que estamos disponíveis para ajudar eles nos procuram a cada aluna, para tirar dúvidas ou apenas confirmar o que já produziram. A liberdade nos permite interagir de tal forma que ultrapassa a fronteiras dos assuntos acadêmicos. Arriscar foi a atitude mais acertada. Encorajou-nos a inovar. E agora, mesmo que a atividade não seja tão proveitosa quanto esta, sabemos que há maneiras diferentes e validas de apresentar a matemática. Bibliografia FREIRE, P.Pedagogia da Autonomia, Saberes Necessários à Pratica Educativa, 43ª ed Paz e Terra. FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2005.

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