NARRATIVAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES 1

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1 NARRATIVAS NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES 1 Helker Silva Paixão 2 Universidade Federal de Lavras Patrícia Nádia Nascimento Gomes 3 Universidade Federal de Lavras Maria da Gloria Bastos de Freitas Mesquita 4 Universidade Federal de Lavras Resumo: Habitualmente ouvimos falar sobre a necessidade de uma formação continuada e a necessidade de sempre estar revigorando técnicas e praticas para o ensino de matemática. Este trabalho constitui um mini-curso sobre a prática de construção de narrativas como meio de formação e desenvolvimento profissional. Objetiva-se com esta pesquisa mostrar a necessidade de uma busca pela identidade profissional e apresentar a redação de histórias como método eficaz na reflexão de atitudes, crenças e costumes referentes à pedagogia matemática. Para isso, serão trabalhadas formas de se analisar narrativas, seja ela autobiográfica ou relatos feitos pelos alunos, formas de exploração e modelos de avaliação. Palavras-chave: Histórias; Desenvolvimento profissional; Crenças; Reflexão; Prática pedagógica; Introdução Bem sabemos que a profissão de professor é uma tarefa bem mais complexa do que pensamos, contrariando uma crença pertinente que exprime a identidade profissional do educador que requer o saber 5 matemático como quesito básico e necessário para lecionar. Entretanto esta afirmação foi se constituindo historicamente através das exposições da 1 Este trabalho resulta do projeto de pesquisa: Crenças e concepções no processo ensino-aprendizagem: uma pesquisa-ação estabelecendo a Educação Matemática na sociedade como campo profissional e científico, que está sendo desenvolvido no DED/UFLA com o apoio financeiro da FAPEMIG. 2 Bolsista iniciação científica do Programa PIBIC-FAPEMIG-UFLA. 3 Bolsista iniciação científica do Programa PIBIC-FAPEMIG-UFLA. 4 Profa. Departamento de Educação (DED) da Universidade Federal de Lavras (UFLA). Orientadora 5 Consideramos o termo saber como sinônimo de conhecimento; A expressão saber matemático é uma distinção dos tipos de saberes que Ponte (2002) retrata em seu artigo Concepções dos Professores de Matemática e Processos de Formação como sendo um corpo de conhecimento, constituído por um conjunto de teorias bem determinadas (perspectiva da Matemática como produto ) ou como uma atividade (constituída por um conjunto de processos característicos. 1

2 pedagogia de ensino de antigos professores e que influenciaram as práticas educativas dos futuros. A reprodução de atos, práticas e pedagogias de ensino da matemática sem reflexão ocasionaram na má qualidade de ensino da matemática, fazendo esta ganhar status na escola como uma disciplina difícil, complexa, abstrata e uma normalidade de exclusão e reprovação. (PONTE, 2004). As pesquisas em Educação Matemática vêm com o propósito de que dentre o saber constituído na formação profissional do professor de matemática o saber do conteúdo matemático é extremamente importante e necessário, porém não é o suficiente. Conforme a literatura, além deste conhecimento, o saber pedagógico que problematiza os processos de ensino-aprendizagem é importante para a preparação e formação de um professor. Deve haver uma relação conjunta entre o saber do conteúdo matemático do professor com o saber pedagógico nas suas atuações. PONTE (2002) argumenta que o professor é o responsável pela aprendizagem do aluno. Com este pensamento, para PRADO E SOLIGO (2005) os profissionais da educação são protagonistas das mudanças das quais depende a construção de um novo tempo para o Magistério. Para estes pesquisadores, a tendência da comunidade educacional é a formação de profissionais reflexivos que refletem esse reconhecimento social e contribui para consolidá-lo. É nesse contexto que a valorização da escrita dos educadores ganhou lugar. Afinal, se é necessária a reflexão sobre a prática profissional e se escrever favorece o pensamento reflexivo, a conclusão acaba por ser inevitável: a produção de textos escritos é uma ferramenta valiosa na formação de todos (PRADO e SOLIGO, 2005, p.1). O ato de escrever, criar narrativas autobiográficas, descrever passagens, acontecimentos e histórias em sala de aula pode auxiliar a reflexão do professor. A construção e leitura de narrativas têm como função desenvolver a análise e discussão, seja em contextos de formação inicial ou no decorrer do desenvolvimento profissional. Os professores gostam de conversar e debater acontecimentos de suas aulas. Quando estão no compromisso de relatar suas histórias sobre algum ocorrido do seu percurso profissional, seja na forma escrita ou oral, estes vão além do que contar casos; 2

3 pois, para relatar requer definir qual é o centro da problematização, formas de exposição, pensar e agir. Narrar interfere na emoção do professor, faz sentir-se motivado para uma suposta necessidade de mudança nas suas práticas educativas e desenvolve sua autonomia critica e reflexiva, fazendo com que o professor reconheça ser o principal responsável por sua formação, e principalmente, fazer com que reconheça sua independência na busca de sua identidade profissional. (PRADO e SOLIGO, 2005) A redação de narrativas desempenha um papel fundamental na mudança de concepções de professores. Em síntese, são suas crenças e teorias implícitas que definem a maneira de planejar a sua conduta docente e pessoal. Toda ação do professor e conseqüente tomada de decisões baseia-se no seu próprio mundo subjetivo, isto é, nas intenções, propósitos, crenças e constructos pessoais (SAVELI, 2006, p96). Reconstituir suas próprias experiências de ensino e aprendizagem e os seus percursos de formação explicitam os conhecimentos pedagógicos construídos, permitindo a sua análise, discussão e eventual reformulação. ESCREVER PENSAMENTO REFLEXIVO PENSAMENTO REFLEXIVO FORMAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ESCREVER FORMAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL (Silogismo hipotético de Prado e Soligo, 2005) O objetivo de construção de narrativas sobre as suas experiências pedagógicas é fazer com que o professor conheça suas responsabilidades, questione suas competências e ações, atualize seus conhecimentos e a expor a necessidade de estar sempre adquirindo novos saberes, despertar o desejo de mudança, o estabelecimento de compromissos e a definição de metas a atingir. Além da importância da construção de narrativas para a formação profissional do professor, como forma de refletir e conceber novas concepções referentes à pratica de ensino da matemática, a leitura e escrita ganha funções importantes para a estruturação e organização do conhecimento para o aluno. As narrativas sejam elas escritas ou orais, por diversas culturas têm sido usada como um artefato para o ensino (NACARATO e LOPES, 3

4 2009). As pesquisadoras ainda contemplam a necessidade e a importância descrita no PCN sobre a leitura e escrita no ensino da matemática. No ensino da Matemática destacam-se dois aspectos básicos: um consiste em relacionar observações do mundo real com representações (esquemas, tabelas, figuras, escritas numéricas); outro consiste em relacionar essas representações com princípios e conceitos matemáticos. Nesse processo, a comunicação tem grande importância e deve ser estimulada, levando-se o aluno a falar e a escrever sobre Matemática, a trabalhar com representações gráficas, desenhos, construções, a aprender como organizar e tratar dados (BRASIL, 1998, p.56-57). A leitura, análise e discussão de narrativas elaboradas por alunos constituem na construção da autonomia de pensamento, liberdade e reflexões, ascensão participativa no contexto das aulas. Os alunos têm um papel central na harmonia do desenvolvimento da aula de matemática. A participação colaborativa na interação entre os alunos através da escrita faz com que o professor conheça-os melhor através de sua visão quanto ao conteúdo, à disciplina, a escola; além de conhecer a forma de pensar, de lidar com as situações, suas dificuldades e outros fatores que interferem na construção do conhecimento (PASSOS e OLIVEIRA, 2005) Através das análises das narrativas construídas pelos alunos, o professor consegue orientar suas mudanças práticas e conceituais do ensino devido à reflexão apurada por intermédio dos relatos. A tentativa de conhecer as particularidades dos alunos faz com que haja um melhoramento significativo na relação aluno-professor assim desenvolvendo a capacidade em ouvir e compreender ambas as partes. O mini-curso O mini-curso foi elaborado a partir de reflexões e questionamentos que a literatura aborda quanto às formas e maneiras de se desenvolver profissionalmente no ensino da matemática. Em meio a pratica de ensino dos professores e dos graduandos em Matemática denunciam dificuldades no aprendizado de matemática, a desmotivação dos alunos e a falta de contextualização da matemática abstrata à do cotidiano. 4

5 O mini-curso é indicado para professores do ensino fundamental I e II e para estudantes de graduação a fim de que conheçam este modelo facilitador de reflexões e criticas sobre o processo de ensino e aprendizagem da matemática. Isto é uma das formas de se obter formação contínua a partir de sua prática pedagógica. Objetivos O mini-curso tem como objetivo apresentar a narrativa autobiográfica como ferramenta compositora de reflexão sobre crenças, percepções e atitudes do professor frente ao ensino da matemática buscando sua identidade e o desenvolvimento profissional. É objetivo também destacar, através da redação de narrativas, suas potencialidades, seus saberes constituídos e as funções na pratica de ensino da matemática. Para isso serão desenvolvidos os seguintes tópicos: - Definição de narrativas; - Importância; - Explicitação dos aspectos essenciais das narrativas; - Estruturas que compõe uma narrativa; - Destacar a importância e vantagens das narrativas autobiográficas; - Formas de exploração das narrativas autobiográficas; - Destaque das narrativas como ferramenta auxiliar na construção, desenvolvimento e consolidação dos conteúdos matemáticos na sala de aula; - Destacar a importância das narrativas dos alunos como critica e reflexão do processo de ensino, a fim de auxiliar nas mudanças conceituais das concepções que influenciam na pedagogia do ensino; - Destacar as narrativas como uma ferramenta avaliativa no ensino; Os tópicos serão desenvolvidos em constante interação com os participantes. Metodologia 5

6 Para a realização do trabalho, dividimos nossa tarefa em quatro partes. A primeira consiste na apresentação do nosso referencial teórico a fim de mostrar a importância do estudo, avanços nas pesquisas e as práticas ao tema proposto. Como referenciais, abordaremos estudos de Adair Mendes Nacarato, Celi Espasandin Lopes e outros colaboradores, Carmem Lucia Brancaglion Passos, Guilherme do Val Toledo Prado, Ubiratan D Ambrosio, João Pedro da Ponte, Dario Fiorentini e outros trabalhos realizados em seu grupo de estudo Grupo de Sábado, e os conhecimentos e estudos feitos pelo GEEMA- α no Curso de Formação Continuada. As referencias foram encontradas em diferentes mídias. O estudo teórico será apresentado a fim de construir recursos conceituais e conhecimento. A segunda parte é constituída pelas seguintes etapas: a) apresentação de um modelo de narrativa autobiográfica; b) Analisar através da leitura e discussão do texto a fim de explicitar elementos essenciais de uma narrativa; c) Argumentação das estruturas presentes na narrativa; d) Será utilizado a problematização presente no contexto para destacar a identidade profissional do professor, suas crenças e concepções; e) Será feito criticas à postura do professor; f) Após as etapas anteriores, será possível abrir discussão para qualificar as vantagens de uma narrativa autobiográfica para o desenvolvimento profissional. Nesta etapa será aberto um debate para concluir a importância de compor histórias. A terceira parte do mini-curso será o momento para apresentar as diferentes formas de explorar a criatividade de escrever no ensino da matemática. Como já conhecida, além da narrativa autobiográfica, será discutido a importância e diferentes maneiras dos alunos comporem textos reflexivos, para isso será apresentado diferentes modelos de avaliação: a) O Relatório-Avaliação e o Resumo Analítico, ambos inspirados na proposta de um modelo avaliativo criado por Ubiratan D Ambrosio; b) Será argumentado também a pratica de narrativas orais em sala de aula. A quarta parte será um espaço aberto para discussão, a fim de repensar e destacar a importância das narrativas dos alunos como uma forma do professor fazer sua autocrítica e reflexão sobre o processo de ensino-aprendizagem e auxiliar nas mudanças conceituais das concepções que influenciam na pedagogia do ensino. 6

7 Resultados esperados Primeiramente esperamos que o mini-curso seja de agrado e contribua pedagogicamente para a capacitação dos licenciandos e que qualifique os professores atuantes. Esperamos que os participantes vejam a possibilidade de possuir um desenvolvimento profissional através de suas práticas pedagógicas, fazer das narrativas no ensino da Matemática uma ferramenta de ajuda na auto-crítica de suas atitudes. Esperamos também que todos consigam atingir os objetivos apresentados para narrativa autobiográfica como ferramenta compositora de reflexão sobre crenças, percepções e atitudes do professor frente ao ensino da matemática buscando sua identidade e o desenvolvimento profissional. Referências BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: Matemática. Brasília, MEC/SEF,1998. LOPES, C. E. (org); NACARATO, A.M (org). Educação matemática, leitura e escrita: armadilhas, utopias e realidade. Campinas, São Paulo: Mercado de Letras, PASSOS, C. L. e OLIVEIRA, Rosa Maria M.A. de. Investigando a construção e aplicação de narrativas para o ensino de Matemática na formação de professores Disponível em: < >.Acesso em 02/2010. PONTE, J. P. Concepções dos professores de Matemática e processos de formação, Educação Matemática: Temas de Investigação (pp ) Lisboa: IIE. SAVELI, Esméria de Lourdes. Narrativas autobiográficas de professores: um caminho para a compreensão do processo de formação Disponível em: < Acesso em fevereiro de SOLIGO, Rosaura e PRADO, Guilhermo do Val Toledo. Memorial de formação quando as memórias narram a história de formação..., Disponível em: < Acesso em fevereiro de de

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