RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL

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1 CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS MATERIAL DIDÁTICO RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL DIREITO COMERCIAL E LEGISLAÇÃO SOCIETÁRIA 3º SEMESTRE PROFESSORA PAOLA JULIEN OLIVEIRA DOS SANTOS ESPECIALISTA EM PROCESSO.. MACAPÁ 2011

2 RECUPERAÇÃO JUDICIAL E EXTRAJUDICIAL O NOVO DIPLOMA LEGAL Objeto: Recuperação judicial - Recuperação extrajudicial - Falência A quem se aplica: Empresário - Sociedade empresária A quem não se aplica: Empresa pública e sociedade de economia mista; instituição financeira pública ou privada, cooperativa de crédito, consórcio, entidade de previdência complementar, sociedade operadora de plano de assistência à saúde, sociedade seguradora, sociedade de capitalização e outras entidades legalmente equiparadas às anteriores. RECUPERAÇÃO JUDICIAL Devedor em dificuldades financeiras pode pedir recuperação judicial e ganha proteção contra execuções judiciais por 180 dias; Devedor permanece no controle da empresa enquanto negocia suas dívidas; devedor só perde o controle em casos excepcionais; Administrador judicial é nomeado pelo juiz apenas para fiscalizar as atividades do devedor; Apenas o devedor pode apresentar um plano de recuperação, que é submetido à aprovação pela maioria dos credores, que votam divididos em 3 classes; qualquer modificação do plano tem que ser aprovada pelo devedor, Plano aprovado é homologado pelo juiz e se torna obrigatório para todos os credores; Recuperação judicial não abrange créditos fiscais, adiantamentos sobre contratos de câmbio, credores titulares de propriedade fiduciária e créditos constituídos após o pedido; Possibilidade de venda de unidade produtiva isolada sem sucessão do adquirente nas obrigações do devedor. CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E DA FALÊNCIA - PRINCIPAIS AVANÇOS Prestigia o interesse geral e a satisfação dos credores; Possibilita o afastamento, eliminação e punição de dirigentes inaptos. Valoriza a participação dos credores nos procedimentos falimentares e de recuperação judicial; Altera a hierarquia de créditos na falência; Resgata a finalidade do procedimento falimentar, antes tratado como instrumento de cobrança; Viabiliza a rápida alienação de ativos evitando sua depreciação; Elimina a sucessão do arrematante nas obrigações do devedor (tributárias, trabalhistas e acidentes do trabalho). CONSIDERAÇÕES GERAIS ACERCA DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL E DA FALÊNCIA O Administrador Judicial O administrador judicial será preferencialmente: Advogado, economista, administrador de empresas, contador, ou, pessoa jurídica especializada. O administrador judicial será fiscalizado pelo juiz e pelo Comitê de Credores. O Comitê de Credores 2

3 O Comitê de Credores será constituído por deliberação de qualquer das classes de credores na assembléia-geral e terá a seguinte composição: 1 (um) representante da classe de credores trabalhistas, com 2 (dois) suplentes; 1 (um) representante da classe de credores com direitos reais de garantia ou privilégios especiais, com 2 (dois) suplentes; 1 (um) representante da classe de credores quirografários e com privilégios gerais, com 2 (dois) suplentes. O Comitê de Credores - Principais atribuições Função Fiscalizatória: Fiscalizar as atividades do devedor e examinar as contas do administrador judicial; Comunicar ao juiz os casos de violação dos direitos ou prejuízo aos interesses dos credores; Requerer ao juiz a convocação da assembléia-geral de credores; Apresentar relatório da situação do devedor; Fiscalizar a execução do plano de recuperação judicial; Submeter à autorização do juiz, a alienação de bens do ativo permanente, a constituição de ônus reais e outras garantias, bem como os atos de endividamento. A Assembléia Geral de Credores Composta pelas seguintes classes: Titulares de créditos derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidentes de trabalho; Titulares de créditos com garantia real; Titulares de créditos quirografários, com privilégio especial, com privilégio geral ou subordinados. A Assembléia Geral de Credores - Principais atribuições Função Deliberativa Aprovação, rejeição ou modificação do plano de recuperação judicial; Constituição do Comitê de Credores e escolha de seus membros; Aprovação do pedido de desistência do requerimento de recuperação judicial; Aprovação do nome do gestor judicial, quando do afastamento do devedor; Adoção de outras modalidades de realização do ativo; DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - OBJETIVOS Viabilizar a superação da situação de crise econômico-financeira do devedor; Permitir a manutenção da fonte produtora, do emprego dos trabalhadores e dos interesses dos credores; Preservar a empresa, sua função social e o estímulo à atividade econômica. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - CRÉDITOS SUJEITOS Estão sujeitos à recuperação judicial todos os créditos existentes na data do pedido, ainda que não vencidos. Não se sujeitará aos efeitos da recuperação judicial: Proprietário fiduciário Arrendador mercantil Adiantamento a contrato de câmbio para exportação. 3

4 DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL - MEIOS DE RECUPERAÇÃO Constituem meios de recuperação judicial, dentre outros: Concessão de prazos e condições especiais para pagamento das obrigações vencidas ou vincendas; Cisão, incorporação, fusão ou transformação de sociedade, constituição de subsidiária integral, ou cessão de cotas ou ações; Alteração do controle societário; Substituição total ou parcial dos administradores do devedor ou modificação de seus órgãos administrativos; Aumento de capital social; Redução salarial, compensação de horários e redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva; Constituição de sociedade de credores; Venda parcial dos bens; Equalização de encargos financeiros; Usufruto da empresa. DO PLANO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL - PROCEDIMENTO Se o plano de recuperação judicial aprovado envolver alienação judicial de filiais ou de unidades produtivas isoladas do devedor não haverá sucessão do arrematante nas obrigações tributárias, trabalhistas e decorrentes de acidentes do trabalho. DA CONVOLAÇÃO DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL EM FALÊNCIA O juiz decretará a falência durante o processo de recuperação judicial: Por deliberação da assembléia-geral de credores; Pela não apresentação, pelo devedor, do plano de recuperação no prazo de 60 (sessenta dias), contado da concessão do pedido da recuperação judicial; Quando houver sido rejeitado o plano de recuperação; Por descumprimento de qualquer obrigação assumida no plano de recuperação. A FALÊNCIA Pode ser requerida pelo devedor ou pelos credores, ou decretada no curso de um processo de recuperação judicial Não há nenhuma penalidade e nenhum incentivo para o devedor que não requer a sua auto-falência. Devedor pode se defender de um pedido de falência pedindo sua recuperação judicial Administrador judicial assume o controle da atividade e arrecada os bens para vendê-los e pagar os credores de acordo com a ordem de prioridade dos créditos. Venda da empresa toda ou de unidade produtiva pode ser feita sem que o adquirente seja responsável pelas dívidas do devedor. Credores podem deliberar sobre formas alternativas de realização do ativo. DA FALÊNCIA - DISPOSIÇÕES GERAIS A falência promove o afastamento do devedor de suas atividades. Visa a preservar e a aperfeiçoar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis. O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia processual. 4

5 Ocorre o vencimento antecipado das dívidas do devedor e dos sócios ilimitada e solidariamente responsáveis, com o abatimento proporcional dos juros. A decisão que decreta a falência da sociedade também acarreta a falência dos sócios ilimitadamente responsáveis. Firma individual Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Os efeitos acima indicados aplicam-se também ao sócio que tenha se retirado voluntariamente ou que tenha sido excluído da sociedade, há menos de 2 (dois) anos, quanto às dívidas existentes na data do arquivamento da alteração do contrato. A responsabilidade pessoal dos sócios de responsabilidade limitada, dos controladores e dos administradores da sociedade falida será apurada no próprio juízo da falência. Sociedade limitada Sociedade anônima Sociedade em comandita por ações (acionista administrador) Prescreverá em 2 (dois) anos, contados do trânsito em julgado da sentença de encerramento da falência, a ação de responsabilização dos sócios de responsabilidade limitada. DA FALÊNCIA - CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS A classificação dos créditos na falência obedece à seguinte ordem: Os créditos derivados da legislação do trabalho, limitados a 150 (cento e cinqüenta) salários-mínimos por credor, e os decorrentes de acidentes de trabalho; Créditos com garantia real até o limite do valor do bem gravado; Créditos tributários, independentemente da sua natureza e tempo de constituição, excetuadas as multas tributárias; Créditos com privilégio especial; Créditos com privilégio geral; Créditos quirografários; As multas contratuais e as penas pecuniárias por infração das leis penais ou administrativas, inclusive as multas tributárias; Créditos subordinados DA FALÊNCIA - PROCEDIMENTO A sentença que decretar a falência do devedor, dentre outras providências: Determinará, quando entender conveniente, a convocação da assembléia-geral de credores para a constituição de Comitê de Credores, podendo ainda autorizar a manutenção do Comitê eventualmente em funcionamento na recuperação judicial quando da decretação da falência; Ordenará a intimação do Ministério Público e a comunicação por carta às Fazendas Públicas Federal, Estaduais e Municipais das localidades em que o devedor tiver estabelecimento, para que tomem conhecimento da falência. O juiz ordenará a publicação de edital contendo a íntegra da decisão que decreta a falência e a relação de credores. DA FALÊNCIA - REALIZAÇÃO DO ATIVO 5

6 A alienação dos bens será realizada de uma das seguintes formas e ordem de preferência: Alienação da empresa, com a venda de seus estabelecimentos em bloco; Alienação da empresa, com a venda de suas filiais ou unidades produtivas isoladamente; Alienação em bloco dos bens que integram cada um dos estabelecimentos do devedor; Alienação dos bens individualmente considerados. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho; Os empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o arrematante não responde por obrigações decorrentes do contrato anterior. DA FALÊNCIA - REALIZAÇÃO DO ATIVO A alienação dos ativos observará uma das seguintes modalidades: Leilão, por lances orais; Propostas fechadas; Pregão. Publicação de editais: 15 (quinze) dias de antecedência, em se tratando de bens móveis; 30 (trinta) dias na alienação da empresa ou de bens imóveis. O juiz poderá autorizar modalidades diversas de alienação judicial; Em qualquer modalidade de realização do ativo adotada, fica a massa falida dispensada da apresentação de certidões negativas. DA FALÊNCIA - PAGAMENTO AOS CREDORES 1º - Realização das restituições. 2º - Pagamento dos créditos extra concursais. 3º - Pagamento dos credores, atendendo à classificação dos créditos segundo o quadro geral de credores. Os créditos trabalhistas de natureza estritamente salarial vencidos nos 3 (três) meses anteriores à decretação da falência, até o limite de 5 (cinco) salários mínimos por trabalhador, serão pagos tão logo haja disponibilidade em caixa. Pagos todos os credores, o saldo, se houver, será entregue ao falido. DA FALÊNCIA - ENCERRAMENTO DA FALÊNCIA E EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DO FALIDO Extingue as obrigações do falido: 1. O pagamento de todos os créditos; 2. O pagamento, depois de realizado todo o ativo, de mais de 50% (cinqüenta por cento) dos créditos quirografários; 3. O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado do encerramento da falência, se o falido não tiver sido condenado por prática de crime falimentar; 4. O decurso do prazo de 10 (dez) anos, contado do encerramento da falência, se o falido tiver sido condenado por prática de crime falimentar. 5. Configurada a extinção das obrigações do falido ele poderá requerer ao juízo da falência que suas obrigações sejam declaradas extintas por sentença. 6

7 A RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL Abrange somente créditos quirografários e com garantia real (trabalhistas estão excluídos). A negociação entre devedor e credores ocorre entre particulares, sem a participação do judiciário, de administrador judicial ou de qualquer órgão administrativo. Plano é vinculativo para todos os credores de uma mesma classe ou grupo de credores sujeitos às mesmas condições de pagamento caso seja aprovado por 60% dos créditos e levado à homologação judicial pelo devedor. Caso todos os credores concordem, o plano extrajudicial é um contrato e não precisa ser levado à homologação para ser obrigatório Não se sujeitam à recuperação extrajudicial os créditos: De natureza tributária; Derivados da legislação do trabalho ou decorrentes de acidente de trabalho; Que tratem de proprietário fiduciário de bens móveis ou imóveis; De arrendador mercantil; De proprietário ou promitente vendedor de imóvel cujos respectivos contratos contenham cláusula de irrevogabilidade ou irretratabilidade; De proprietário em contrato de venda e compra com reserva de domínio; Decorrentes de importâncias entregues ao devedor, em moeda nacional, de adiantamento de contrato de câmbio para exportação (ACC). O devedor poderá requerer a homologação em juízo do plano de recuperação extrajudicial, com as assinaturas dos credores que a ele aderiram. O plano poderá obrigar a todos os credores por ele abrangidos, desde que assinado por credores que representem mais de 3/5 (três quintos) de todos os créditos de cada espécie. O plano poderá abranger a totalidade de uma ou mais espécies de créditos: Com garantia real até o limite do valor do bem gravado; Créditos com privilégio especial; Créditos com privilégio geral; Créditos quirografários; Créditos subordinados; Referências: COELHO, Fábio Ulhoa. Manual de Direito Comercial. 21ª edição. Saraiva. São Paulo

8 8 CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ

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