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Transcrição:

Prof. Murillo Sapia Gutier

Conceito: Completo bem-estar físico, mental e espiritual; Constitucionalização do Direito à Saúde; Higidez como direito fundamental; Valor vida humana: acarreta no direito subjetivo público à saúde;

a) a conformação do conceito constitucional de saúde à concepção internacional estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo a saúde compreendida como o estado de completo bem-estar físico, mental e social; b) o alargamento do âmbito de proteção constitucional outorgado ao direito à saúde, ultrapassando a noção meramente curativa, para abranger os aspectos protetivo e promocional da tutela devida;

c) a institucionalização de um sistema único, simultaneamente marcado pela descentralização e regionalização das ações e dos serviços de saúde; d) a garantia de universalidade das ações e dos serviços de saúde, alargando o acesso até então assegurado somente aos trabalhadores com vínculo formal e respectivos beneficiários; e) a explicitação da relevância pública das ações e dos serviços de saúde

Natureza jurídica: Qualifica-se como direito fundamental representa conseqüência constitucional indissociável: Do direito à vida; Da dignidade humana; Titulares: Todas as pessoas; Representa prerrogativa jurídica indisponível assegurada à generalidade das pessoas pela própria Constituição da República (art. 196). STF

Declaração Universal de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (DUDH/ONU), de 1948, arts. 22 e 25: Direitos à segurança social e a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e o bem-estar da pessoa; Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC), de 1966, art. 12 Direito ao mais alto nível possível de saúde;

Convenção Americana de Direitos Humanos, ( Pacto de São José da Costa Rica): Arts. 4º e 5º: direitos à vida e à integridade física e pessoal; Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, o denominado Protocolo de São Salvador : Art. 10 (direito à saúde);

Declaração de Alma-Ata, de 1978 a efetivação do direito à saúde não incumbe de modo exclusivo ao setor da saúde, mas, diversamente, na medida em que compreendido como garantia de qualidade mínima de vida, depende da consecução de políticas públicas mais amplas, direcionadas à superação das desigualdades sociais e ao pleno desenvolvimento da personalidade, inclusive pelo compromisso com as futuras gerações

Previsão na Constituição: Seção II Do art. 196 a 200 Regulamentação: Lei 8.080/90 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Dever do Estado em sentido amplo Todos os entes federados são solidariamente responsáveis; Não exclui a responsabilidade da família e da sociedade; O estado deve adotar políticas públicas de caráter: Preventivo Reparativo

Princípios Acesso Universal Igualitário Direitos: STF, RE nº 271.286 Serviços de Saúde Assistência Farmacêutica Médico Hospitalar

Omissões inconstitucionais: Segundo o STF O Poder Público, qualquer que seja a esfera institucional de sua atuação no plano da organização federativa brasileira, não pode mostrar-se indiferente ao problema da saúde da população, sob pena de incidir, ainda que por censurável omissão, em grave comportamento inconstitucional.

A interpretação da norma programática não pode transformá-la em promessa constitucional inconsequente. O caráter programático da regra inscrita no art. 196 da Carta Política que tem por destinatários todos os entes políticos que compõem, no plano institucional, a organização federativa do Estado brasileiro não pode converter-se em promessa constitucional inconsequente, sob pena de o Poder Público, fraudando justas expectativas nele depositadas pela coletividade, substituir, de maneira ilegítima, o cumprimento de seu impostergável dever, por um gesto irresponsável de infidelidade governamental ao que determina a própria Lei Fundamental do Estado. (...)

O reconhecimento judicial da validade jurídica de programas de distribuição gratuita de medicamentos a pessoas carentes, inclusive àquelas portadoras do vírus HIV/Aids, dá efetividade a preceitos fundamentais da Constituição da República (arts. 5º, caput, e 196) e representa, na concreção do seu alcance, um gesto reverente e solidário de apreço à vida e à saúde das pessoas, especialmente daquelas que nada têm e nada possuem, a não ser a consciência de sua própria humanidade e de sua essencial dignidade.

Precedentes do STF. RE 271.286-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 12-9- 2000, Segunda Turma, DJ de 24-11-2000.) No mesmo sentido: STA 175-AgR, Rel. Min. Presidente Gilmar Mendes, julgamento em 17-3-2010, Plenário, DJE de 30-4-2010; RE 393.175-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 12-12- 2006, Segunda Turma, DJ de 2-2-2007.

1. Prestação de Saúde incluída na política pública: se denegado o direito à saúde, é possível valer-se do judiciário; 2. Prestação de saúde não incluída na política pública: 2.1. Se houver omissão legislativa ou administrativa; Pode ser determinado pelo judiciário

2. Prestação de saúde não incluída na política pública: 2.2. Decisão administrativa que não fornece o serviço de saúde; Se inexistir evidências científicas de cura, a negativa é, em tese, razoável. Deve verificar se há medidas alternativas.

2.3. Se o SUS não tem nenhum tratamento específico para a patologia; Deve ponderar se o tratamento é puramente experimental ou se ainda não foi testado; Se experimental, o Estado não pode ser obrigado a arcar com o tratamento;

2.4. Se há vedação em lei: Lei 6.360/76 vigilância sanitária e seu poder de fiscalização sobre: Medicamentos Drogas Insumos farmacêuticos Correlatos.