1. Estudo do pêndulo

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Transcrição:

Objectivos odelizar um pêndulo invertido rígido de comprimento e massa, supondo uma entrada de binário. Simular em computador. entar estabilizar o pêndulo em ciclo aberto por manipulação directa do binário. Estudar o controlo do pêndulo em servocomando. Estudar o controlo do pêndulo em inversão por regulação com um modelo linear. Determinar um modelo de estado. Calcular um controlador com realimentação proporcional derivativa (realimentação de posição e velocidade angulares) capaz de estabilizar o pêndulo na região de validade do modelo linear e com resposta temporal adequada. Simular. Estudar a situação decorrente de o actuador não ser estático. 1. Estudo do pêndulo Consideremos um pêndulo rígido de massa e comprimento. O pêndulo é suposto ideal: inexistência de atrito e haste de massa 0. A origem da medida do deslocamento angular θ é a posição de equilíbrio. A velocidade angular é ω e a aceleração angular é α. Considerar-se-á =0.1 kg e =0.1 m. θ 1

1.1 ostrar que nas condições anteriores o pêndulo é descrito pela equação diferencial: 2 J θ = gsenθ com J =. (1.1) 1.2 Realizar um modelo de simulação e obter registos de simulação do comportamento do pêndulo para velocidade angular inicial nula e deslocamentos angulares iniciais de π /40, π /2, π 0.1, π, em intervalo de tempo apropriado. 1.3 Comparar os desvios de predição do comportamento entre o modelo (1.1) e o modelo linearizado J θ = gθ (1.2) sobre um intervalo de tempo de 50s. Determinar por simulação o intervalo de valores de deslocamento inicial em que a linearização é válida. Em particular: comparar o valor da frequência de oscilação do modelo linearizado (qual a sua expressão?) com o modelo nãolinear. 1.3.1 Determinar um modelo de estado para (1.2). 1.4 Para o modelo (1.1), determinar analiticamente o valor de ω(0) que para θ (0) = 0 coloca o pêndulo em inversão θ ( ) = π. Para tal, raciocinar com base na igualdade das energias potencial e cinética. Observar o resultado da simulação com o valor determinado. O comportamento simulado é ideal? Se não é, indicar possíveis razões para tal. 1.5 odificar o modelo (1.1) de forma a reflectir a existência de atrito proporcional à velocidade angular com constante de proporcionalidade B ω. Estimar um valor de B ω tal que oscilações com θ (0) = π / 40 se reduzam a menos de 2% do valor inicial em 2m30s. Este valor pode ser estimado por tentativas em simulação ou pode ser determinado a partir do modelo linear. Neste último caso como? 2. Controlo do pêndulo ciclo aberto Consideramos agora o problema de controlar a posição angular do pêndulo. Para tal vamos supor que se dispõe da possibilidade de aplicar ao eixo do pêndulo um binário externo conforme a figura. 2.1 Supondo o pêndulo ideal (não-existência de atrito). odificar o modelo (1.1) de forma a reflectir esta possibilidade. 2.2 Qual o valor mínimo de binário exterior de que se deve dispor para que α > 0 no percurso θ (0) = 0 a θ = π (com ω (0) = 0 )? 2.3 Verificar em simulação qual o comportamento do pêndulo se aplicarmos um binário constante e de valor igual ao determinado em 2.2? 2.4 Estimar por simulação o valor mínimo de binário constante capaz de provocar um comportamento do pêndulo semelhante ao de θ

2.3 (rotação continuada). Este valor é inferior ao determinado em 2.2. Porquê? 2.5 Vamos definir o seguinte problema de controlo de servocomando para o pêndulo (ideal): a partir de θ (0) = 0 e ω (0) = 0 colocar o pêndulo numa posição angular desejada θ R no intervalo [0, π ]. Indicar razões que tornam a solução matemática deste problema difícil de implementar numa aproximação de controlo em ciclo aberto (manipulação do binário exterior sem realimentação). Em particular para o caso θ R = π mostrar que a solução não funciona na prática. 3. Controlo do pêndulo ciclo fechado Considerar agora a aplicação de realimentação negativa para solucionar o problema enunciado em 2.5 (pêndulo sem atrito), segundo o diagrama: K In1Out1 Referência de posição Pêndulo 3.1 Realizar simulações com diferentes valores de ganho K θ, para θ R = π e θr = π /2. Que se conclui? 3.2 A realimentação de posição origina um comportamento estável, mas penas marginalmente o pêndulo oscila em torno da posição desejada. Podemos suspeitar que tal se deve à inexistência de atrito. Portanto: modificar o modelo do pêndulo de forma a incluir atrito nas condições de 1.5 e simular de novo. Que se observa? 3.3 A diminuição de oscilações observada em 3.2 sugere que uma realimentação negativa de velocidade angular poderá melhorar substancialmente o comportamento (o efeito do atrito aparece como uma realimentação negativa de velocidade inerente ao pêndulo). Adicionar realimentação de velocidade (para o modelo do pêndulo sem atrito), segundo o diagrama: K Out1 In1 Out2 Referência de posição Pêndulo Kw

3.3.1 Simular para θr = π /2 com diferentes valores de K θ e K ω. Quais as características da resposta. Existe erro em regime permanente? 3.3.2 Repetir 3.3.1 para θr = π. 4. Controlo do pêndulo em inversão Os esquemas de controlo anteriores são insatisfatórios no seguinte sentido: o ajuste dos valores dos ganhos de realimentação não foram realizados com base em teoria que permita fazer o referido ajuste de uma forma sistemática e prever quantitativamente o efeito no comportamento do sistema realimentado de variações nesses ajustes. A teoria dos sistemas lineares permite fazê-lo, embora num domínio de aplicação mais restrito. Para aclarar esta questão, vamos considerar um problema mais restrito a resolver com um modelo linear: o controlo do pêndulo em inversão por regulação. udamos a origem da medida do deslocamento angular θ para a forma indicada na figura. Nesta situação θ = 0 corresponde à posição desejada e o objectivo do sistema de controlo será fazer com que θ θ convirja para 0, se θ (0) 0, dentro dos limites de validade do modelo linear. 4.1 odificar o modelo (1.1) de forma a representar a nova situação. 4.2 Idem para o modelo (1.2), que se utilizará seguidamente. 4.3 O esquema de controlo que se utiliza agora representa-se pelo seguinte diagrama: K Out1 In1 Out2 Pêndulo linear Kw omega Simular o comportamento do pêndulo para θ (0) = π / 40 e diferentes valores de K θ e K ω. entar obter uma resposta em que o pêndulo regresse rapidamente à posição de inversão com pouca ou nenhuma oscilação. Observar o esforço de controlo, isto é a evolução (e valor máximo) de.

4.4 Proceder ao estudo teórico do sistema de controlo com base no facto de o seu modelo ser linear. Isto pode ser feito de duas formas: a) Obter a equação diferencial linear que representa o sistema (não apenas o pêndulo) e estabelecer o seu operador de condições iniciais. As raízes do denominador deste operador são os pólos do sistema. O valor dos pólos depende dos parâmetros do pêndulo e dos ganhos de realimentação. udando os valores destes últimos pode mudar-se a posição dos pólos e logo impor um determinado coeficiente de amortecimento ζ e frequência natural de oscilação ω n. Estes dois últimos valores determinam a velocidade de resposta e taxa de extinção das oscilações. b) Uma forma alternativa, e porventura mais fácil e compreensível, é através da modelização em espaço de estados. A partir do modelo determinado para o pêndulo em 1.3.1, pode escrever-se um modelo para o pêndulo com binário externo aplicado. A partir deste modelo, e visto que o binário se exprime como uma combinação linear das variáveis de estado θ e ω pesadas pelos ganhos K θ e K ω, podemos estabelecer um modelo de estado para o sistema de controlo (não apenas para o pêndulo) da forma: x = Ax y = Cx Este modelo representa o comportamento do sistema para condições iniciais não nulas x(0) 0, ou seja, o comportamento de regulação da posição do pêndulo, se para um determinado instante de tempo t = 0, o estado está perturbado: x(0) 0. Os valores próprios da matriz A (cujo valor numérico é determinável em atlab pelo comando eig) são os pólos do sistema e o raciocínio da alínea anterior quanto à frequência natural de oscilação e coeficiente de amortecimento aplica-se. (A expressão simbólica dos valores próprios determina-se a partir da equação característica de A ou por det( si A) = 0.) 4.5 Estabelecer especificações temporais da resposta em termos de (primeiro) tempo de regresso a zero e tempo de estabelecimento (tempo apara a amplitude das oscilações diminuir abaixo de um certo valor). raduzir estas especificações em termos de frequência natural de oscilação e coeficiente de amortecimento. Determinar valores de K θ e K ω que satisfaçam as especificações. Verificar a validade do projecto por simulação. 4.6 O problema pode agora ser modelizado de uma forma mais realista se se considerar que o transdutor que aplica o binário externo ao pêndulo é modelizado como um sistema de primeira ordem. O sistema de controlo será agora de terceira ordem. Realizar um estudo sumário desta situação.