Profa Me Larissa Castro Elementos das constituições Elementos orgânicos : estão nas normas que regulam a estrutura do Estado e do poder Na atual Constituição, estão dispostos no: Título III (Da Organização do Estado) Título IV (Da Organização dos Poderes) Capítulos II (Das Forças Armadas) e III (Da Segurança Pública) do Título VI ( Da Tributação e do Orçamento) que constituem aspectos da organização e funcionamento do Estado Elementos limitativos: são assim chamados porque limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do Estado de Direito Se manifestam nas normas que consubstanciam o elenco dos direitos e garantias fundamentais : direitos individuais e suas garantias, direitos de nacionalidade e direitos políticos e democráticos Estão no : Título II (Dos Direitos e Garantias Fundamentais) menos o Capítulo II (Direitos Sociais) 1
Elementos sócio-ideológicos : Estão nas normas sócioideológicos, que revelam o caráter de compromisso das constituições modernas entre o Estado individualista e o Estado Social intervencionista Estão no : Capítulo II do Título II (Direitos Sociais) Título VII (Da Ordem Econômica e Financeira) Título VIII (Da Ordem Social) Elementos de Estabilização Constitucional : estão nas normas destinadas a assegurar a solução de conflitos constitucionais, a defesa da constituição, do Estado e das instituições democráticas, prevendo meios e técnicas contra sua alteração e infringência art 102,I, a (ação de inconstitucionalidade) art 34 a 36 (Da Intervenção nos Estados e Municípios) art 59 e 60 (Processo de emendas à Constituição) art 102 e 103 (jurisdição constitucional) Título V ( Da defesa do Estado e das instituições democráticas), menos os Capítulos II e III Elementos formais de aplicabilidade : estão nas normas que estatuem regras de aplicação das constituições, tais como : Preâmbulo o dispositivo que contém as cláusulas de promulgação e as disposições constitucionais transitórias 1º do art 5º (as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais tem aplicação imediata) Supremacia do Ordenamento Constitucional Rigidez e Supremacia Constitucional : A rigidez decorre da grande dificuldade de modificação da constituição, do que para alterar as demais normas jurídicas do ordenamento estatal Dessa rigidez emana o princípio da supremacia da constituição, pois ela se coloca no topo do sistema jurídico do país, onde todos os poderes estatais são legítimos na medida em que ela os reconheça e na proporção por ela distribuídos É a lei suprema do Estado, com nítida superioridade em relação às demais normas jurídicas 2
Supremacia material e supremacia formal Material: decisões e direitos fundamentais - a doutrina reconhece nas constituições costumeiras e nas flexíveis por apresentar rigidez do ponto de vista sociológico e sóciopolítico Formal: do ponto de vista jurídico esta é reconhecida, pois se apoia na regra da rigidez constitucional (Para Constituições rígidas, escritas em documento solene) A CF/88 é rígida e é a lei fundamental e suprema do Estado Nem o governo federal, nem os governos dos Estados, nem os dos municípios e nem o do Distrito Federal são soberanos, porque todos são limitados, expressa ou implicitamente, pelas suas normas positivas Assim se estabelece a Supremacia da Constituição, pois todas as normas que integram o ordenamento jurídico nacional só serão válidas se conformarem com as normas da Constituição Federal PODER CONSTITUINTE Surgiu a partir do final do século XVII, como reflexo da filosofia iluminista, especialmente com a obra do Abade de Sieyès (Emmanuel Sieyès) Que é o Terceiro Estado?, de 1880 Esta obra tem como idéia a existência de um poder distinto do estabelecidos pela própria Constituição (Clero, Nobreza e o terceiro Estado: a nação) Conceito: É a manifestação soberana da vontade política de um povo, social e juridicamente organizado (Alexandre de Moraes) É o poder de "constituir", ou seja, de fazer ou modificar aquilo que está escrito como "Constituição Titularidade e exercício: Até a Idade Média, atribuía-se sua titularidade a Deus Com a Revolução Burguesa, creditou-se ao povo Espécies: Poder constituinte originário, primário ou de primeiro grau: expressa a vontade inicial do Povo, dá origem a toda a ordenação estatal, constituindo o Estado e, dessa forma, fazendo surgir a Constituição Poder constituinte derivado, secundário, constituído ou de segundo grau: é criado pelo poder originário, que lhe dá o poder de modificar as normas que foram anteriormente estabelecidas ou estabelecendo normas que não foram inicialmente previstas 3
Titular do Poder X Exercente do Poder: O titular do poder é o povo, pois ele é o titular do Poder Político, poder para organizar o Estado A Assembléia Nacional Constituinte é apenas o exercente deste poder do povo, que é permanente, não se esgotando com a feitura da Constituição Já que se o povo perceber que aquela ordem constitucional não é mais válida para seus anseios, poderá dissolvê-la e instituir uma nova Poder Constituinte Supranacional: aquele que transcenderia às fronteiras de um Estado Ele ocorreria na medida em que se criaria uma Constituição única para ordenar politicamente e juridicamente diversos Estados - União Européia Poder Constituinte Originário (PCO) É o poder inicial do ordenamento jurídico, um poder político (organizador) Todos os outros são poderes jurídicos constituídos, pois foram instituídos pelo originário, ou seja, já estão na ordem jurídica, enquanto o originário é "pré-jurídico Há no surgimento de uma Constituição superior ao restante do ordenamento jurídico PCO não é poder jurídico, mas sim um poder político, ele é inicial, tem seu fundamento de validade anterior à ordem jurídica - organiza o Estado, criando a ordem jurídica, instituindo os demais poderes constituídos (revisor, reformador, decorrente e difuso) poderes jurídicos, instituídos pelo 4
11/09/15 Modos de manifestação do Poder Constituinte Originário: Histórico (quando sua manifestação ocorre para dar origem a um novo Estado) Revolucionário (quando sua manifestação tem como objetivo instituir uma nova ordem política e jurídica em um Estado já existente) Manifestado das seguintes formas: Convenção ou Assembléia Nacional Constituinte Reunião de legitimados pelo povo para que se elabore um texto constitucional (No Brasil: CF de 1891, 1934, 1946 e 1988) Revolução - Depõe-se através de uma revolução o poder até então vigente, para que se institua uma nova ordem constitucional (legalidade X legitimidade) Outorga - O governante, unilateralmente impõe uma nova Constituição (No Brasil: CF de 1824, 1937 e 1967) Bonapartista ou Cesarista outorga e posterior referendo Características do PCO: Poder político - organiza o Estado e institui demais poderes; Inicial É ele que dá início ao novo ordenamento jurídico; Ilimitado, irrestrito, ou soberano - Não reconhece nenhuma limitação material ao seu exercício (corrente positivista adotada pelo Brasil) Doutrina "jusnaturalista - o PCO deve ser limitado pelos direitos humanos - existe historicamente nas Constituições (de países democráticos) um respeito dos princípios básicos como o da dignidade da pessoa humana e da justiça Para os jusnaturalistas esse respeito seria uma obrigação instransponível, enquanto para os positivistas seria apenas um bom senso, um respeito aos direitos conquistados, e decorrência lógica do regimes que se pretendem instituir Autônomo - Ele não se submete a nenhum outro poder Incondicionado Não existe nenhum procedimento formal pré-estabelecido para que ele se manifeste Permanente Porque não se esgota no momento de seu exercício 5
Poder Constituinte Derivado Está inserido na própria Constituição Federal, pois decorre de uma regra jurídica, conhecendo limitações constitucionais expressas e implícitas, sendo passível de Controle de Constitucionalidade Este é o Poder que o povo tem de reformar a constituição existente e de criar as constituições dos Estados-membros, respeitando as determinações inseridas na própria Constituição Federal em vigor Características dos Poderes Derivados (em especial o reformador) Poder Jurídico - Pois foi instituído pelo PCO dentro da ordem jurídica Derivado Pois não é o inicial, e sim deriva do PCO Condicionado - Pois sua manifestação se condiciona ao rito estabelecido pelo art 60 Limitado/subordinado - Deve respeitar os limites impostos pela Constituição Espécies de Poder Constituinte Derivado ou Constituído Derivado Revisor - É a readaptação da Carta frente aos fatos sociais, simplificando os mecanismos de reforma constitucional Foi instituído para se manifestar 5 anos após a promulgação da Constituição de 1988 e depois se extinguir Seu objetivo era restabelecer a estabilidade política Foram elaboradas as 6 emendas de revisão, e após isso acabou, não podendo ser novamente criado, segundo a doutrina CF, art 3º ADCT - A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral 6
Espécies de Poder Constituinte Derivado ou Constituído Derivado Decorrente - É o poder que os Estados possuem para elaborarem as suas Constituições Estaduais É a faceta da autonomia estatal chamada de "auto-organização" Deve observar o Princípio da Simetria OBS A criação pelos Municípios de suas "leis orgânicas municipais" não é considerada como fruto do poder constituinte decorrente, pois não possui aspecto formal de constituição e sim de uma lei ordinária, embora materialmente seja equiparada a uma Constituição- alguns doutrinadores costumam dizer que se trata de um "poder constituinte de terceiro grau Derivado Difuso Embora não esteja expresso na CF, decorre implicitamente dela, reconhecido pela doutrina e jurisprudência, através do poder que os órgãos políticos possuem de direcionar o Estado, interpretando a Constituição Espécies de Poder Constituinte Derivado ou Constituído Derivado Reformador - É o poder de fazer emendas constitucionais Trata-se da reforma da Constituição, ou seja, a alteração formal de seu texto (CF, art 60) Limitações ao Poder de Reforma Expressas: Limitações Temporais No Brasil, somente a Constituição de 1824, em seu art 174 previu reforma apenas após 4 anos A CF/88 ainda pode ser reformada por Emendas, sem limitações temporais à reforma Limitações Circunstanciais O Poder Constituinte Originário prevê, em dadas situações, impedimentos ao exercício do poder de reforma, para evitar modificações casuístas e apressadas A CF/88 proíbe emendas durante a vigência do Estado de Sítio, do Estado de Defesa e de Intervenção Federal (art 60, 1º) 7
Limitações Materiais: A CF/88, em seu art 60, 4º, impede a deliberação de emenda tendente a abolir: a forma federativa do Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e direitos e garantias individuais cláusulas pétreas Limitações Formais: São as referentes às disposições especiais, em relação ao processo legislativo para a elaboração de uma emenda à Constituição: Fase introdutória - Iniciativa : Presidente da República; um terço, no mínimo e separadamente, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal e, a mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando-se cada uma delas pela maioria relativa de seus membros Fase constitutiva - Deliberação Parlamentar: A proposta será discutida e votada em cada casa, em dois turnos( dupla votação em cada casa), sendo aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros O Presidente não participa da fase constitutiva Seguirá diretamente à fase complementar para promulgação e publicação Fase Complementar Promulgação conjunta, pelas mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados Sobre a publicação, há um silêncio, então essa competência é do Congresso Nacional O 5º do art 60 da CF, que veda expressamente a possibilidade de matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por prejudicada, ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa Limitações Implícitas Supressão das expressas: retirar da Constituição Federal as limitações circunstanciais, materiais e formais Alteração do titular do poder constituinte derivado reformador O povo, por intermédio de seus representantes 8