Exercício 4 Desempenho Diagnóstico

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Transcrição:

XIII Curso de Revisão de Tópicos de Epidemiologia, Bioestatística e Bioética Exercício 4 Desempenho Diagnóstico Regente Dr. Mário B. Wagner, MD PhD DLSHTM Prof. FAMED/UFRGS e PUCRS 2013 Porto Alegre, RS

1) Qual a prevalência de infecção de garganta? Prevalência(infecção) = (a+c)/n = 40/150 = 0,267 ou 26,7%. Para o cálculo da prevalência quem determina a ocorrência do desfecho é o teste padrão-ouro.

2) Qual a sensibilidade do teste de sinais e sintomas? Sensibilidade = a/(a+c) = 28/40 = 0,700 ou 70,0%

3) Qual o nome que se dá à probabilidade de uma criança com infecção de garganta por estreptococo β- hemolítico ser diagnosticada como livre de infecção pelo teste de sinais e sintomas? Determine o valor desta probabilidade. Probabilidade de falsos negativos, proporção de falsos negativos ou simplesmente falsos negativos (FN). FN = c/(a+c) = 12/40 = 0,300 ou 30,0%. Também pode-se obter a proporção de FN via a expressão FN = 1 sensibilidade.

4) Suponha que uma criança seja diagnosticada como tendo infecção de garganta por estreptococo β- hemolítico através do teste de sinais e sintomas. Qual é a probabilidade desta criança realmente ter infecção de garganta por estreptococo β-hemolítico? A probabilidade de doença com teste (+) é chamada de valor preditivo positivo ou VP(+) e MUITO depende da probabilidade pré-teste ou prevalência da doença no grupo ao qual a criança pertence. Supondo os dados apresentados na tabela inicial do teste SS temos que VP(+) = a/(a+b) = 28/58 = 0,483 ou 48,3%.

Um teste experimental de rastreamento para a doença Y possui uma sensibilidade de 82% e uma especificidade de 93%. A prevalência da doença Y na população a ser rastreada é estimada em 3%. 5) Qual a probabilidade de um indivíduo com teste positivo não ter a doença Y? Para resolver esta questão pode ser usado o teorema de Bayes, likelihood ratios e nomograma ou uma simulação em tabela 2x2. Por sua fácil execução utilizaremos a simulação em tabela 2x2.

Tabela de contingência 2 x 2 em teste diagnóstico Doença Y (P.O.) Teste exper. Presente Ausente Total Positivo 24,6 67,9 92,5 Negativo 5,4 902,1 907,5 Total 30,0 970,0 1000,0 A probabilidade de um indivíduo com teste(+) não ter a doença é 1 VP(+), assim 1 VP(+) = b/(a+b) = 67,9/92,5 = 0,734 ou 73,4%

6) Qual a probabilidade de um indivíduo com teste positivo ter a doença Y? VP(+) = a/(a+b) = 24,6/92,5 = 0,266 ou 26,6%

7) Quando o critério de positividade de um teste diagnóstico é modificado para um valor mais extremo, todos as afirmações abaixo estão corretas EXCETO: (C) aumenta-se o nº de verdadeiros positivos. (A) está correta. Ao deslocarmos o ponto de corte de um teste para um valor mais extremo perdemos casos e portanto a sensibilidade diminui. (B) está correta. Ao diminuir-se a sensibilidade quase que invariavelmente aumenta-se a especificidade. (C) está errada. Verdadeiros positivos é um sinônimo de sensibilidade e portanto na situação mencionada deve diminuir e não aumentar. (D) está correta. Sempre que diminui a sensibilidade aumentam os falsos negativos, pois FN = 1-S. (E) está correta. Sempre que sumenta a especificidade diminuem os falsos positivos, pois FP = 1-E.

8) Um teste diagnóstico de screening para deficiência de adenosina desaminase, uma rara imunodeficiência genética, é considerado altamente sensível e específico. Assim, todas as expressões abaixo estão corretas, EXCETO (B) o valor preditivo positivo é alto. (A) está correta. Sempre que a especificidade é alta a taxa de falsos positivos é baixa. (B) está errada. Quando a condição é rara, ou seja baixa prevalência, o valor preditivo positivo é baixo. (C) está correta. Verdadeiros negativos é um sinônimo de especificidade e, como dito no enunciado, é alta. (D) está correta. Sempre que a sensibilidade é alta os falsos negativos são baixos, pois FN = 1-S. (E) está correta. Verdadeiros positivos é um sinônimo de sensibilidade e, como dito no enunciado, é alta.

E1) Um estudo estimou para a elevação da enzima CK-MB no diagnóstico do infarto: taxa de falsos negativos = 6,52% e especificidade = 87,7%. Com base nestes dados determine: a) Valor preditivo positivo supondo probabilidade préteste de 6%. b) Valor preditivo positivo supondo probabilidade préteste de 60%.

E1A Tabela de contingência 2 x 2 em teste diagnóstico Doença Y (P.O.) Teste exper. Presente Ausente Total Positivo 56,1 115,6 171,7 Negativo 3,9 824,4 828,3 Total 60,0 940,0 1000,0 P = 6% S = 93,48%; FN = 6,52 E = 87,7; FP = 12,3 VP(+) = b/(a+b) = 56,1/171,7 = 0,327 ou 32,7%

E1B Tabela de contingência 2 x 2 em teste diagnóstico Doença Y (P.O.) Teste exper. Presente Ausente Total Positivo 560,9 49,2 610,1 Negativo 39,1 350,8 389,9 Total 600,0 400,0 1000,0 P = 60% S = 93,48%; FN = 6,52 E = 87,7; FP = 12,3 VP(+) = b/(a+b) = 560,9/610,1 = 0,919 ou 91,9%

E2) Um indivíduo apresentou valor preditivo positivo de 82%. Qual a probabilidade pré-teste supondo taxa de falsos negativos de 3,2% e falsos positivos de 4,5%? LR (+) = VP FP LR ( ) = FN VN odds(pós) = odds(pré) LR p odds = odds +1 odds p = 1 p

E2) Um indivíduo apresentou valor preditivo positivo de 82%. Qual a probabilidade pré-teste supondo taxa de falsos negativos de 3,2% e falsos positivos de 4,5%? Valor preditivo pos = ppos = 0,82; opos = ppos / (1-ppos) = 0,82/0,18=4,56 LR+ = VP/FP = 96,8/4,5 = 21,51 opos = opre x LR; opre = opos/lr opre = 4,56/21,51 = 0,212 ppre = opre/ (opre + 1) = 0,212/1,212 = 0,175 ppre = 0,175 ou 17,5%

E3) Qual a probabilidade de doença em um indivíduo com o teste positivo, prevalência de 2,3% e razão de verossimilhança de 17,3. E se a prevalência for de 50%? LR (+) = VP FP LR ( ) = FN VN odds(pós) = odds(pré) LR p odds = odds +1 odds p = 1 p

E3) Qual a probabilidade de doença em um indivíduo com o teste positivo, prevalência de 2,3% e razão de verossimilhança de 17,3. E se a prevalência for de 50%? ppre = 0,023 opre = ppre / (1-ppre) = 0,023/0,977 = 0,0235 opos = opre x LR = 0,0235 x 17,3 = 0,407 ppos = opos / (opos + 1) = 0,407/1,407 = 0,289 ou 28,9%

E3) Qual a probabilidade de doença em um indivíduo com o teste positivo, prevalência de 2,3% e razão de verossimilhança de 17,3. E se a prevalência for de 50%? ppre = 0,50 opre = ppre / (1-ppre) = 0,50/0,50 = 1 opos = opre x LR = 1 x 17,3 = 17,3 ppos = opos / (opos + 1) = 17,3/18,3 = 0,945 ou 94,5%

E4) Quando a razão de verossimilhança é de 15,0 e a taxa de falsos negativos é 2%, qual é a estimativa de especificidade? RV = VP / FP ; VP = S = 1 FN 15 = 98 / FP; FP = 98/15 = 6,533 E = 1 FP; E = 1 0,06533 = 0,935 ou 93,5%

E5) Paciente com teste negativo, RV = 0,15, probabilidade prévia de 10%. Qual a probabilidade de doença? ppre = 0,10 opre = ppre / (1-ppre) = 0,10/0,90 = 0,111 opos = opre x LR = 0,111 x 0,15 = 0,0167 ppos = opos / (opos + 1) = 0,0167/1,0167 = 0,0164 ou 1,6%