O movimento Browniano

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Transcrição:

O movimento Browniano R. Vilela Mendes http://label2.ist.utl.pt/vilela/ March 2010 () March 2010 1 / 35

Sumário O movimento Browniano Propriedade Markoviana Probabilidade de transição. Medida de Wiener Média e covariância Ruído branco e movimento Browniano Não-diferenciabilidade, variação total e variação quadrática Movimento Browniano e a equação do calor (*) Equações inversas e formula de Feynman-Kac (*) Integrais no tempo, de Ito e Stratonovich Lema de Ito Equações diferenciais estocásticas Movimento Browniano geométrico () March 2010 2 / 35

Movimento Browniano O movimento Browniano é o processo estocástico mais simples entre os "processos de difusão". No século XIX um botânico chamado Brown observou ao microscópio grãos de polen em água. Veri cou que se moviam aleatóriamente como se fossem seres vivos. O mesmo acontecia com grãos de poeira. O movimento resulta das colisões das moléculas de água e do facto que, dadas as pequenas dimensões do objecto, não há compensação perfeita do efeito das diversas colisões. () March 2010 3 / 35

Movimento Browniano () March 2010 4 / 35

Movimento Browniano: Descrição matemática B (t):b (0) = 0. O incremento entre t 1 > 0 e t 2 > t 1, B = B(t 2 ) B(t 1 ), é a soma dum grande número de variávies i.i.d. de média zero. É natural supor que o número de colisões é proporcional a t 2 t 1. Pelo teorema do limite central isto implica que B é Gaussiano com variância proporcional a t 2 t 1. Normaliza-se de modo a que a variância seja exactamente t 2 t 1. Se t 3 > t 2 e B 2 = B(t 3 ) B(t 2 ), B 1 = B(t 2 ) B (t 1 ), então B 2 e B 1 são independentes com variâncias t 3 t 2 e t 2 t 1. () March 2010 5 / 35

Movimento Browniano: Descrição matemática B (t):b (0) = 0. O incremento entre t 1 > 0 e t 2 > t 1, B = B(t 2 ) B(t 1 ), é a soma dum grande número de variávies i.i.d. de média zero. É natural supor que o número de colisões é proporcional a t 2 t 1. Pelo teorema do limite central isto implica que B é Gaussiano com variância proporcional a t 2 t 1. Normaliza-se de modo a que a variância seja exactamente t 2 t 1. Se t 3 > t 2 e B 2 = B(t 3 ) B(t 2 ), B 1 = B(t 2 ) B (t 1 ), então B 2 e B 1 são independentes com variâncias t 3 t 2 e t 2 t 1. Medida de Wiener: As trajectórias do movimento Browniano existem em C 0 ([0, T ], R) = espaço das funções contínuas B(t), para 0 t T. C 0 signi ca B(0) = 0. A algebra σ é a algebra de Borel (gerada pelos conjuntos abertos: max x (t) x (t) < ε). Nem todas as trajectórias em C 0 ([0, T ], R) são trajectórias do movimento Browniano. O movimento Browniano corresponde a uma medida em C 0 ([0, T ], R), medida de Wiener. () March 2010 5 / 35

Probabilidade de transição G (y, x, s) = Densidade de probabilidade de estar em x no tempo t + s sabendo que no tempo t se estava em y. O incremento B(t + s) B(t) é Gaussiano com variância s G (y, x, s) = 1 p 2πs e (x y )2 /2s. O coe ciente 1 p 2πs é obtido por normalização R G 0 (y, x, s) dx = 1 () March 2010 6 / 35

Probabilidade de transição G (y, x, s) = Densidade de probabilidade de estar em x no tempo t + s sabendo que no tempo t se estava em y. O incremento B(t + s) B(t) é Gaussiano com variância s G (y, x, s) = 1 p 2πs e (x y )2 /2s. O coe ciente 1 p 2πs é obtido por normalização R G 0 (y, x, s) dx = 1 Funcionais: A um elemento de Ω = C 0 ([0, T ], R) vamos chamar B. A uma função dos elementos de Ω (uma função em Ω) chama-se um funcional do movimento Browniano. Exemplos de funcionais: Integrais: F 1 (B) = R T 0 V (B(t))dt, Pontos extremos: F 2 (B) = max tt B(t), Tempos de paragem: F 3 (B) = min (t j B t = a). () March 2010 6 / 35

Probabilidade de transição G (y, x, s) = Densidade de probabilidade de estar em x no tempo t + s sabendo que no tempo t se estava em y. O incremento B(t + s) B(t) é Gaussiano com variância s G (y, x, s) = 1 p 2πs e (x y )2 /2s. O coe ciente 1 p 2πs é obtido por normalização R G 0 (y, x, s) dx = 1 Funcionais: A um elemento de Ω = C 0 ([0, T ], R) vamos chamar B. A uma função dos elementos de Ω (uma função em Ω) chama-se um funcional do movimento Browniano. Exemplos de funcionais: Integrais: F 1 (B) = R T 0 V (B(t))dt, Pontos extremos: F 2 (B) = max tt B(t), Tempos de paragem: F 3 (B) = min (t j B t = a). A análise estocástica é o conjunto de técnicas que permite estudar os funcionais dos processos Brownianos (e de outros processos). Permite também relacionar os funcionais dos processos estocásticos com soluções de equações diferenciais. () March 2010 6 / 35

Propriedade Markoviana F t = algebra σ gerada pela trajectória até ao tempo t. É a menor algebra σ tal que todas as varaiáveis aleatórias B(s) para s t são mensuráveis. G t = algebra σ gerada pelo presente. G t é gerada por B(t). A menor algebra σ para a qual B(t) é mensurável. H t = algebra σ que só depende dos valores futuros de B(s) para s t. () March 2010 7 / 35

Propriedade Markoviana F t = algebra σ gerada pela trajectória até ao tempo t. É a menor algebra σ tal que todas as varaiáveis aleatórias B(s) para s t são mensuráveis. G t = algebra σ gerada pelo presente. G t é gerada por B(t). A menor algebra σ para a qual B(t) é mensurável. H t = algebra σ que só depende dos valores futuros de B(s) para s t. Um processo B diz-se ter a propriedade de Markov se para um funcional F (B) E [F j F t ] = E [F j G t ] Por ter incrementos independentes o movimento Browniano é um processo de Markov. () March 2010 7 / 35

Propriedade Markoviana F t = algebra σ gerada pela trajectória até ao tempo t. É a menor algebra σ tal que todas as varaiáveis aleatórias B(s) para s t são mensuráveis. G t = algebra σ gerada pelo presente. G t é gerada por B(t). A menor algebra σ para a qual B(t) é mensurável. H t = algebra σ que só depende dos valores futuros de B(s) para s t. Um processo B diz-se ter a propriedade de Markov se para um funcional F (B) E [F j F t ] = E [F j G t ] Por ter incrementos independentes o movimento Browniano é um processo de Markov. Probabilidade duma trajectória: t 0 = 0 < t 1 < < t n T, ~t = (t 1,..., t n ) ~ X = (B(t1 ),..., B(t n )) () March 2010 7 / 35

Probabilidade das trajectórias. Medida de Wiener U (n) (~x,~t) = densidade de probabilidade da observação conjunta dos n valores! B = (B(t 1 ),..., B(t n )) U (n) (~x,~t) = = n 1 G (x k, x k+1, t k+1 t k ) k=0 n 1 1 1 (2π) p n/2 tk+1 k=0 t k exp 1 2 n 1 k=0! (x k+1 x k ) 2 t k+1 t k. () March 2010 8 / 35

Probabilidade das trajectórias. Medida de Wiener U (n) (~x,~t) = densidade de probabilidade da observação conjunta dos n valores! B = (B(t 1 ),..., B(t n )) U (n) (~x,~t) = = n 1 G (x k, x k+1, t k+1 t k ) k=0 n 1 1 1 (2π) p n/2 tk+1 k=0 t k exp 1 2 n 1 k=0! (x k+1 x k ) 2 t k+1 t k. Este densidade de probabilidade de ne a medida de Wiener. Seja A o evento correspondente à passagem nas janelas I 1, I 2 I n nos tempos t 1, t 2 t n. Então a probabilidade do evento A é: Z Z P(A) = U (n) (x 1,..., x n,~t)dx 1 dx n. x 1 2I 1 x n 2I n () March 2010 8 / 35

Média e covariância do movimento Browniano B(t). = B t B 0 E [B(t)] = 0 () March 2010 9 / 35

Média e covariância do movimento Browniano B(t). = B t B 0 E [B(t)] = 0 Cálculo de E [B(t)B(s)]. Se for s > t escreve-se B(s) = B(t) + B sendo B independente de B(t) E [B(t)B(s)] = E [B(t)(B(t) + B)] = E [B(t)B(t)] = t Se s < t obtém-se E [B t B s ] = s. Portanto E [B (t) B (s)] = min(t, s) () March 2010 9 / 35

Imagem de trajectórias típicas () March 2010 10 / 35

Ruido branco e movimento Browniano O ruído branco (W t ) é um processo Gaussiano centrado, com W t1 independente de W t2 se t 1 6= t 2. E [W t ] = 0 E [W t W s ] = δ (t s) Se t 0 < t 1 < t 2 então Y 1 = R t 1 t 0 W τ dτ e Y 2 = R t 2 t 1 W τ dτ são independentes. Isto é os incrementos deste integral são independentes e têm média zero. Calculemos a covariância Z t Z s Z t Z s E W τ dτ, W τ 0dτ 0 = δ τ τ 0 dτdτ 0 = min (t, s) 0 0 Portanto o integral do ruído branco é um movimento Browniano 0 B (t) = 0 Z t 0 W τ dτ ou o ruído branco é uma "derivada" generalizada do movimento Browniano. W τ não é uma função; toma valores no espaço das distribuições. () March 2010 11 / 35

As trajectórias do processo Browniano não são diferenciáveis O valor médio do quadrado de B (a variância de B) é proporcional a t. E [j Bj] v p t Donde E [j B j] t v 1 p t () March 2010 12 / 35

As trajectórias do processo Browniano não são diferenciáveis O valor médio do quadrado de B (a variância de B) é proporcional a t. E [j Bj] v p t E [j B j] t v 1 p t Donde O processo Browniano tem variação total in nita n 1 TV (B) = sup k=0 jb(t k+1 ) B(t k )j, Dividindo o intervalo em T t intervalos obtém-se a estimativa p t T t que diverge quando t! 0. A trajectória tem comprimento in nito. () March 2010 12 / 35

As trajectórias do processo Browniano não são diferenciáveis O valor médio do quadrado de B (a variância de B) é proporcional a t. E [j Bj] v p t E [j B j] t v 1 p t Donde O processo Browniano tem variação total in nita n 1 TV (B) = sup k=0 jb(t k+1 ) B(t k )j, Dividindo o intervalo em T t intervalos obtém-se a estimativa p t T t que diverge quando t! 0. A trajectória tem comprimento in nito. A variação quadrática é nita: Q(B) = lim t!0 Q n (B) = lim t!0 n 1 k=0 (B(t k+1 B(t k )) 2 Q(B (T )) = T (com probabilidade um) () March 2010 12 / 35

Martingales Um processo estocástico é uma martingale se E [F s j F t ] = F t for s > t. O movimento Browniano é uma martingale. F 2 (t) = Bt 2 t também. Assim como F 3 (t) = Bt 3 3 R t B 0 (s) ds. () March 2010 13 / 35

Movimento Browniano e a equação do calor A densidade de probabilidade do movimento Browniano u(x, t) = G (0, x, t) = 1 p 2πt e x 2 /2t. para transições a partir da coordenada zero no tempo t, satisfaz t G = 1 2 2 x G. G é solução da equação do calor com valor δ (x) para t = 0. Quer isto dizer que a solução da equação do calor t u = 1 2 2 x u com condição inicial u 0 (y) é u(x, t) = Z y = Z G (y, x, t)u 0 (y)dy = y = G (0, x y, t)u 0 (y)dy. Isto é, a densidade de probabilidade do movimento Browniano é a função de Green da equação do calor. Esta soluçaõ pode também escrever-se u (x, t) = E x [u 0 (X t )] Esta é a solução do problema com condições iniciais u 0. () March 2010 14 / 35

Movimento Browniano e a equação do calor Esperança condicional e a equação inversa: f (x, t) = E [V (X T ) j X t = x] = Z G (x, y, T t)v (y)dy. donde, t f + 1 2 2 x f = 0. Notar que o sinal de t é o oposto do da equação do calor (Equação inversa) O problema do valor nal: Sabido f (x, T ) = V (x) pretende-se obter f (, t) for t < T. É um problema bem posto resolvido pela equação inversa. () March 2010 15 / 35

Integrais Dois tipos de integrais: 1 - Integral no tempo: integral de Riemann de função contínua aleatória. 2 - Integral em relação ao movimento Browniano. Ito e Stratonovich. () March 2010 16 / 35

Integrais Dois tipos de integrais: 1 - Integral no tempo: integral de Riemann de função contínua aleatória. 2 - Integral em relação ao movimento Browniano. Ito e Stratonovich. Primeiro tipo Y = R T 0 B(t)dt () March 2010 16 / 35

Integrais Dois tipos de integrais: 1 - Integral no tempo: integral de Riemann de função contínua aleatória. 2 - Integral em relação ao movimento Browniano. Ito e Stratonovich. Primeiro tipo Y = R T 0 B(t)dt Y é Gaussiano, sendo uma soma de variáveis Gaussianas, Y = lim t!0 Y n = t n k=0 1 B(t k ) () March 2010 16 / 35

Integrais Dois tipos de integrais: 1 - Integral no tempo: integral de Riemann de função contínua aleatória. 2 - Integral em relação ao movimento Browniano. Ito e Stratonovich. Primeiro tipo Y = R T 0 B(t)dt Y é Gaussiano, sendo uma soma de variáveis Gaussianas, Y = lim t!0 Y n = t n k=0 1 B(t k ) Média e variância de Y : E [Y n ] = 0 E [Y 2 n ] = E [Y n Y n ] = E " t n 1 B(t k ) k=0 = t 2 E [B(t k )B(t j )]. jk Quando t! 0, E [Y 2 ] = R T R T s=0 t=0 E [B tb s ]dsdt = = R T R T s=0 t=0 min(s, t)dsdt = 1 3 T 3! t!# n 1 B(t j ) j=0 () March 2010 16 / 35

Integrais Aplicação: Veri car que Z t F (t) = B(t) 3 3 B(s)ds 0 é uma martingale. Escolhe-se t 2 > t 1 e, para t > t 1, escreve-se B(t) = B(t 1 ) + B(t). Então h R i h t2 E 0 B(t)ds j F R t1 t 1 = E 0 B(t)dt + R i t 2 h t 1 B(t)dt j F t1 R i h t1 = E 0 B(t)dt j F R i t2 t 1 + E t 1 (B(t 1 ) + B(t)) dt j F t1 = R t 1 0 B(t)dt + (t 2 t 1 )B(t 1 ) Usou-se B(t) 2 F t1 quando t < t 1, B t1 2 F t1, e E [ B(t) j F t1 ] = 0 quando t > t 1, () March 2010 17 / 35

Integrais Para B(t) 3, i E h(b(t 1 ) + B(t 2 )) 3 j F t1 = E B(t 1 ) 3 + 3B(t 1 ) 2 B(t 2 ) + 3B(t 1 ) B(t 2 ) 2 + B(t 2 ) 3 j F t1 = B(t 1 ) 3 + 3B(t 1 ) 2 0 + 3B(t 1 )E [ B(t 2 ) 2 j F t1 ] + 0 = B(t 1 ) 3 + 3(t 2 t 1 )B(t 1 ). Portanto E [F (t 2 ) j F t1 ] = F (t 1 ) () March 2010 18 / 35

Integrais e equações inversas Total acumulado ao longo duma trajectória Browniana Z T f (x, t) = E x,t V (B(s))ds. A equação que f (x, t) satisfaz é t f + 1 2 2 x f + V (x, t) = 0, com condições nais f (x, T ) = 0. Prova: t Z T Z t+ t Z T V (B(s))ds = V (B(s))ds + V (B(s))ds, t t t+ t Z t+ t Z T f (x, t) = E x,t V (B(s))ds j F t + E x,t V (B(s))ds j F t t t+ t. () March 2010 19 / 35

Integrais e equações inversas O primeiro termo é V (x) t + o( t). Para o segundo E x,t Z T t+ t V (B(s))ds j F t+ t = F (B t+ t ) = f (B(t + t), t + t). Escrevendo B(t + t) = B(t) + B, e usando F t F t+ t Z T E V (B(s))ds j F t = E [f (B t + B, t + t) j F t ]. t+ t f (x + B, t + t) = f (x, t) + t t f (x, t) + B x f (x, t) + 1 2 B2 2 x f (x, t) + E x,t [f (x + B, t + t] = f (x, t) + t t f (x, t) + 1 2 t 2 x f (x, t) + o( t). f (x, t) = tv (x) + f (x, t) + t t f (x, t) + 1 2 t 2 x f (x, t) + o( t). Eliminando f (x, t) e com t! 0 obtém-se a equação. A equação pode ser usada para calcular o valor de expectação ou inversamente. () March 2010 20 / 35

A formula de Feynman Kac satisfaz a equação R T f (x, t) = E x,t he i t V (B s )ds (1) t f + 1 2 2 x f + V (x)f = 0. Prova: Cálculo semelhante ao anterior Z t+ t Z T exp V (B(s))ds + t Z t+ t = exp V (B(s))ds t t+ t V (B(s))ds Z T exp = (1 + tv (B(t)) + o( t)) exp t+ t Z T A expectação do lado direito em relação a F t+ t é t+ t V (B(s))ds V (B(s))ds (1 + tv (X t ) + o( t)) f (X (t + X, t + t). Expectação em F t e expansão de Taylor prova a equação () March 2010 21 / 35

Integrais estocásticos. Ito e Stratonovich Integrais em relação ao movimento Browniano B(t) (B(0) = 0, E [( B) 2 ] = t). O incremento de B (t) no tempo dt representa-se por db(t), embora não seja um diferencial no sentido habitual. Não se pode escrever db(t) = db dt dt porque B não é diferenciável. A propriedade de incrementos independentes implica que db(t) é independente de db(t 0 ) se t 6= t 0. O que é Y (T ) = Z T 0 F (t)db(t)? () March 2010 22 / 35

Integrais estocásticos. Ito e Stratonovich Integral de Ito: Soma de Riemann: Com F (t), F t com t k = k t e B k = B(t k+1 ) Ito é adaptado Y t (t) = F (t k ) B k, t k <t B(t k ). Se o limite existir o integral de Y (t) = lim Y t(t) = lim F (t k ) (B(t k + t) B(t k )) t!0 t!0 t k <t Usa-se B k = B(t k+1 ) B(t k ) e não B k = B(t k ) B(t k 1 )! Portanto E [F (t k ) B k j F tk ] = 0 Y t é uma martingale. Para tempos discretos E [Y t (t n+1 ) j F tn ] = Y t (t n ). No limte t! 0 conclui-se que Y (t) também é uma martingale mensurável em F t. () March 2010 23 / 35

Integral de Ito: Um exemplo Y (T ) = Z T 0 B(t)dB(t). Se B(t) fosse diferenciável, usando db(t) = B(t)dt teriamos o resultado Y (T ) = 1 2 (B(T ))2. Porém com B(t k ) = 1 2 (B(t k+1) + B(t k )) Y t (t n ) = B(t k ) (B(t k+1 ) B(t k )) k<n = k<n = 1 2 (B(t k+1) B(t k )), 1 2 (B(t k+1) + B(t k )) (B(t k+1 ) B(t k )) k<n 1 2 (B(t k+1) B(t k )) (B(t k+1 ) B(t k )) 1 2 B(t k+1) 2 B(t k ) 2 1 2 (B(t k+1) B(t k )) 2. k<n k<n () March 2010 24 / 35

Integral de Ito: Um exemplo Porque B(0) = 0, o primeiro termo do lado direito é 1 2 B(t n) 2 O segundo termo é uma soma de n variáveis independentes com valor médio t/2 e variância t 2 /2. A soma será uma variável aleatória com valor médio n t/2 = t n /2 e variância n t 2 /2 = t n t/2. Portanto 1 2 (B(t k+1 ) B(t k )) 2! T /2 quando t! 0. t k <T Em conclusão: Z T 0 B(t)dB(t) = 1 2 B(t)2 T. O termo T 2 resulta da não diferenciabilidade de B (t). Se B (t) fosse diferenciável Z T db 2 t dt! 0 quando t! 0 dt 0 () March 2010 25 / 35

Integral de Stratonovich Se em vez de B k = B(t k+1 ) B(t k ) se tivesse feito B k = B(t k ) B(t k 1 ), obtinha-se 1 2 (B(T )2 + T ). A de nição de Stratonovich usa B k = 1 2 (B(t k+1) B(t k 1 )). Nesse caso tem-se 1 2 B(T )2. Porém o integral de Stratonovich não é uma martingale. () March 2010 26 / 35

Diferencial de Ito. (Formula de Ito) O diferencial de Ito é obtido a partir do integral. Seja F (t) um processo estocástico. Diz-se que df = a(t)db(t) + b(t)dt se Diferencial de Ito porque Lema de Ito: F (T ) F (0) = Z T 0 a(t)db(t) + Z T d B(t) 2 = 2B(t)dB(t) + dt B(T ) 2 = 2 R T 0 B(t)dB(t) + R T 0 dt. 0 b(t)dt. df (B(t), t) = 1 f (B(t), t)db(t) + 1 2 2 1f (B(t), t)dt + 2 f (B(t), t)dt. isto é, f (B(T ), T ) f (B(0), 0) = Z T 0 1 f (B(t), t)db(t) + Z T 0 1 2 2 1f (B(t), t) + 2 f (B(t), t) dt () March 2010 27 / 35

Lema de Ito Prova do lema de Ito: De ne-se t = T /n, t k = k t, B k = B(t k ), B k = B(t k+1 ) f k = f (B k, t k ), f n n 1 f 0 = (f k+1 f k ) k=0 E [( B) 2 ] = t B(t k ) e f k+1 f k = w f k B k + 1 2 2 w f k ( B k ) 2 + t f k t + R k, jr k j C t 2 + t j B k j + B 3 k. Separando ( B k ) 2 do seu valor médio 1 2 2 w f k ( B k ) 2 = 1 2 2 w f k t + 1 2 2 w f k (( B k ) 2 t). () March 2010 28 / 35

Lema de Ito f n f 0 = n 1 k=0 + 1 2 n 1 w f k B k + t f k t + 1 2 k=0 n 1 2 w f k ( B k ) 2 t k=0 n 1 2 w f k t k=0 n 1 + k=0 R k. Os últimos dois termos são de ordem maior que t. Portanto ao dividir por t e fazer t! 0, estes termos tendem para zero. O lema de Ito é muito útil para calcular integrais estocásticos. Exemplo: 1 d = B 2 (t)db(t) + B(t)dt 3 B(t)3 Z 1 T 1 3 B(t)3 = d 0 3 B(t)3 = Z T 0 Z T B(t) 2 db(t) + B(t)dt 0 Y (T ) = R T 0 B(t)2 db(t) = 1 3 B(t)3 R T 0 B(t)dt () March 2010 29 / 35

Lema de Ito Martingales: Seja F (t) um processo adaptado com df (t) = a(t)db(t) + b(t)dt. F é uma martingale se e só se b(t) = 0. We call a(t)db(t) é a parte martingale e b(t)dt o termo de deriva. Porque E [ R a(s)db(s) j F t ] = 0 se b(t) for contínuo, pode ser identi cado através de Z t+ t E [F (t + t) F (t) j F t ] = E b(s)ds j F t t = b(t) t + o( t) Derivação duma equação inversa pelo lema de Ito Z T f (w, t) = E w,t V (B(s), s)ds Z T F (t) = E V (B(s), s)ds j F t, t t () March 2010 30 / 35

Lema de Ito Z t+ t E [F (t + t) F (t) j F t ] = E V (B(s), s)ds j F t = V (B(t), t) t + o( t). Isto signi ca que df (t) = a(t)db(t) + b(t)dt com b(t) = V (B(t), t). Mas também, b(t) = t f + 1 2 2 w f. Portanto, t t f + 1 2 2 w f + V (w, t) = 0. () March 2010 31 / 35

Isometria de Ito Isometria de Ito: " Z T2 E T 1 Aproximando por uma soma # 2 Z T2 a(t)db(t) = E [a(t) 2 ]dt. T 1 T 1 t k <T 2 a(t k ) B k. Uma vez que os diferentes B k são independentes T 1 t k <T 2 a(t k ) 2 t. () March 2010 32 / 35

Equações diferenciais estocásticas dx (t) = a(x (t), t)dt + σ(x (t), t)db(t). (2) A solução é um processo adaptado que satisfaz (2), ist é X (T ) X (0) = Z T 0 a(x (t), t)dt + Z T 0 σ(x (t), t)db(t), O primeiro é um integral de Riemann e o segundo um integral de Ito. Condições iniciais X (0) u 0 (x), em que u 0 (x) é uma densidade de probabilidade para X (0). Dizer X (0) = x 0 é o mesmo que dizer u 0 (x) = δ(x x 0 ). Movimento Browniano geométrico dx (t) = µx (t)dt + σx (t)db(t) (3) X (0) = 1, com deriva a(x, t) = µx e volatilidade σ(x, t) = σx Solução X (t) = e µt σ2 t/2+σb (t) Veri cação: Aplicação da formula de Ito () March 2010 33 / 35 (4)

Propriedades do movimento Browniano geométrico Consideremos o caso mais simples µ = 0 σ = 1, A solução com X (0) = 1 é dx (t) = X (t)db(t) X (t) = exp(b(t) t/2) (5) X (t) é agora uma martingale porque não há termo de deriva, E [X (t + t 0 ) j F t ] = X (t). Porém, B(t) tem ordem de grandeza p t. Para t grande, o expoente em (5) é aproximadamente igual a t/2, donde X (t) = exp(b(t) t/2) e t/2! 0 quando t! a.s. Portanto o valor médio E [X (t)] = 1, para t grande, não corresponde a trajectórias típicas, mas sim a trajectórias excepcionais. De facto P(X (t) 1) < e t/4 para t grande () March 2010 34 / 35

Exercícios 7 - Veri car que é uma martingale 8 - Veri car que é a solução de F 2 (t) = B 2 t X t = X 0 e σb t + t µ σ2 2 t dx t = µx t dt + σx t db t () March 2010 35 / 35