Comunicação Colaborativa e Interação: Perspectivas que se Entrelaçam

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Transcrição:

Resumo Comunicação Colaborativa e Interação: Perspectivas que se Entrelaçam O presente artigo busca apresentar um estudo teórico sobre as interações nos ambientes organizacionais, sua relação com o desenvolvimento organizacional e com a construção e reconstrução de significados apoiados na teoria da comunicação colaborativa de Stanley Deetz, que vai além do simples consenso entre os sujeitos, uma vez que tem a diversidade como elemento essencial. Tendo em vista disso, relacionar comunicação colaborativa aos processos interacionais faz-se essencial para a compreensão de que forma a comunicação pode ser potencializadora de mudanças e de processos criativos. Além disso, objetiva-se através desse trabalho fomentar os estudos na área, pois em nossa busca conceitual evidenciou-se que Stanley Deetz é um dos poucos autores que abordam esse tema. Palavras-chave Comunicação colaborativa; interação; cultura organizacional. Introdução Através de uma busca conceitual sobre a teoria da comunicação colaborativa de Stanley Deetz percebemos a necessidade de discussão sobre sua dependência aos processos interacionais que ocorrem nas organizações. As organizações abrigam a diversidade, pois são formadas por diferentes indivíduos, portanto é importante buscar novas formas de lidar com os processos interacionais que surgem a partir dessa diversidade. Oliveira e Paula (2010) afirmam que a diversidade de opiniões e compreensões dos sujeitos pertencentes às organizações tem capacidade de beneficiar os processos de tomadas de decisões, bem como gerar processos inovadores para as partes que estão em relação durante a interação. A partir da diversidade, Stanley Deetz apresenta a comunicação colaborativa, comunicação essa que dependente das interações ocorre de maneira a trazer resultados benéficos para as partes envolvidas. Para além do consenso, a comunicação colaborativa utiliza a diversidade a favor dos relacionamentos, em que em um processo de interação

constrói novas ideias e transforma as diferenças em produtividade (DEETZ; IRVIN, 2008). Sendo assim, a comunicação colaborativa se mostra como um tema inovador nas pesquisas sobre interação e necessário para a adaptação das organizações aos ambientes de extremas pluralidades em que estão inseridas. Como tema de estudo do Grupo de Estudos Faces da Cultura e da Comunicação Organizacional (GEFACESCOM), esse trabalho tem como objetivo desenvolver um estudo teórico sobre a teoria da comunicação colaborativa e interação, bem como fomentar a pesquisa em torno desses temas. Interação Organizações são formadas por pessoas, o que implica ser um ambiente permeado por interações, que de acordo com, Mead (2006 apud FRANÇA, 2007) são atos sociais que abrangem as ações compartilhadas e as relações entre diferentes sujeitos. Essas interações ocorrem de maneira espontânea e natural nos contextos organizacionais, manifestadas por meio das falas, do diálogo, dos gestos, das ações, e até mesmo do silêncio. Essas manifestações fazem emergir novas perspectivas, e, portanto a construção de novos sentidos e significados. Ribeiro e Marchiori (2008) afirmam que o relacionamento entre os indivíduos é interação a partir do momento em que se dá por meio do diálogo. Durante o diálogo, isto é, quando receptores e emissores se relacionam, ocorre a construção de significações e sentido (CHARADEAU, 1993 apud OLIVEIRA; PAULA, 2010). Comunicação e interação, portanto, estão fortemente imbricadas, não há como pensar em comunicação sem que a interação seja juntamente pensada, pois França (2007) afirma que a comunicação e o ato social formam um conjunto permeado por fases em que dois ou mais sujeitos encontram-se envolvidos. Por conta disso, considerar a comunicação implica em considerar não apenas um sujeito envolvido no processo interativo, mas sim todos os participantes do ato social.

A partir do momento em que os sujeitos estão inseridos em uma organização, deixam de agir como indivíduos isolados, passam a agir em conjunto e coletivamente, por meio do relacionamento estabelecido uns com os outros (MOTTA, 1998),. Dessa forma, observar os sujeitos a partir de seu comportamento ativo e de suas influências no ambiente organizacional apresenta-se como um dos principais desafios das organizações (BALDISSERA, 2008 apud OLIVEIRA; PAULA, 2010), pelo fato de lidarem com sujeitos coletivos, que sofrem modificações, repensam suas opiniões e são influenciados pelo contexto que os envolvem. No entanto, apesar de ser um desafio, reconhecer as interações é de suma importância no ambiente organizacional, pois nada é a organização sem a presença dos sujeitos. O ser humano é o principal canal dos acontecimentos nas organizações, nas quais a interação humana é questão primordial (MARCHIORI, 2010). Portanto, se as organizações são construídas através de sistemas sociais, elas se apoiam em diferentes atitudes, compreensões, certezas, motivações, comportamentos e esperanças provindas dos sujeitos e formam sistemas que abrigam o compartilhamento de significados (ZANELLI, 2000). A comunicação é essencial para construção das significações, pois os indivíduos em interação constroem e reconstroem sentidos para internalizarem seus significados (BALDISSERA, 2009). É através da construção de significados que a cultura organizacional emerge, pois tem como um de seus objetivos a representação dos significados que os sujeitos constroem para si em interação (MARCHIORI, 2006). Sujeitos em interação constroem e reconstroem as organizações, pois podem mudar sua maneira de pensar, os seus valores e seus hábitos. Quando em interação, um indivíduo compartilha de seus conhecimentos prévios com outros sujeitos que estão inseridos em diferentes contextos. Como fruto dessa interação pode haver o desenvolvimento de novas ideias e até de novas percepções do mundo que consequentemente geram impactos na cultura organizacional. Entendemos cultura organizacional como o reflexo da essência de uma organização (...) o que é tido como válido para o grupo no momento vivenciado por ele

(MARCHIORI, 2009 p.304). Para Joanne Martin (1992 apud Curvello, 2012) uma organização possui múltiplas culturas que sofrem mudanças, onde dependendo dos autores que estudam o tema e suas perspectivas, essa mudança pode partir ou dos líderes da organização, ou de uma ação coletiva, ou de um ambiente turbulento. Podemos compreender a mudança como um projeto atomizado e muitas vezes individual, porém ela só poderá ser formada através das interações entre os conjuntos de indivíduos pertencentes à organização, pois essas interações promovem a reinterpretação de significados (MOTTA, 1998). Oliveira e Paula (2010), sustentam que a (re)significação pode mudar a cada relação, envolver a construção de novos sentidos, eliminar outros, ou ainda colocá-la em suspensão, dessa forma compreender novos processos interativos que consequentemente fazem emergir novos significados faz-nos perceber que cada indivíduo em relação leva consigo uma bagagem cultural inserida em diferentes contextos, isto é, percepções diferentes sobre um mesmo tema a ser dialogado. Portanto, a interação é de grande valia para o desenvolvimento organizacional, pois é a partir dela que os sujeitos passam a ser autores de suas decisões e interferem na cultura organizacional. Quando pensamos em interação não devemos associar ao consenso e ao simples entendimento de uma opinião, mas sim pensarmos de que forma pensamentos divergentes podem encontrar um ponto de encontro e fomentar diferentes tomadas de decisões. Comunicação Colaborativa As diferenças de opiniões e de compreensões sobre diversos assuntos podem gerar conflitos de interesses e expectativas, porém pautar essas interações através da comunicação colaborativa gera a possibilidade de construção de relacionamentos produtivos (DEETZ; IRVIN 2008), pois como afirma Zanelli (2000), uma cultura organizacional que prima pela diversidade legitima a criatividade e traz flexibilidade aos processos organizacionais.

A interação vai além do simples consenso sobre um assunto, pois no momento em que ocorre, os sujeitos são apresentados a novos desafios que, provindos das diferenças existentes, ambicionam reformulações de conceitos que são dados como verdades universais (DEETZ, 2009). No momento da interação é necessária uma forma de comunicação mais democrática para que resulte na convergência de diferentes experiências e opiniões (DEETZ, 2010). Tendo em vista disso, a comunicação colaborativa se mostra eficiente para a construção coletiva de novos significados entre os membros das organizações, pois é baseada na colaboração e exige diversidade de opiniões em busca de resultados inovadores (DEETZ, 2008 apud CAJAZEIRA; CARDOSO, 2010). As esperanças de reciprocidade são divididas através do diálogo durante a comunicação colaborativa, porém vão além do simples entendimento entre os sujeitos da interação, pois visam decisões criativas através da mutualidade (DEETZ; IRVIN, 2008). A comunicação colaborativa tem como cerne a colaboração diferentemente dos outros processos comunicativos que possuem o diálogo como elemento essencial. Apesar de utilizar o diálogo como um meio de obter a interação necessária para o compartilhamento de significados e expectativas, a colaboração como apresentado por Gray (1989 apud PORRAS, 2003) é um recurso em que os diferentes sujeitos notam diversos aspectos de um dilema. Dessa forma, ao observarem as diferentes dimensões de um tema, podem sondar de maneira construtiva as diferenças e buscar decisões que ultrapassam suas próprias interpretações, muitas vezes limitadas, do que é cabível realizar (GRAY, 1989 apud PORRAS, 2003). Deetz e Irvin (2008) ressaltam que ao defender as diferenças pode-se criar um distanciamento entre os sujeitos participantes do processo interativo, porém apenas a comunicação colaborativa tem capacidade de trazer resultados benéficos para ambas as partes.

Como principais características Deetz e Irvin (2008) apresentam que durante a comunicação colaborativa: os membros solucionam problemas juntos; a interação contínua aumenta as alternativas disponíveis; a busca pela compreensão de desejos complexos acontece por meio das interações; a procura em grupo tem como objetivo a descoberta de novas circunstâncias; a determinação de um problema se dá por uma ação coletiva; os discursos vão em direção à finalidade da interação; ocorre a procura de alternativas que são possíveis de serem praticadas e os sujeitos participantes da ação são responsáveis pelas tomadas de decisões. Através da exposição de inúmeras características da comunicação colaborativa, Deetz e Irvin deixam claros os benefícios da utilização de uma comunicação livre e aberta nas organizações. Não há como imaginar a comunicação colaborativa dissociada dos processos interacionais, pois é preciso de sujeitos em relação para a construção de novas ideias e novos significados. Porém, o diálogo por si só não poderia trazer todas as melhorias geradas pela comunicação colaborativa, por isso esclarece-se a necessidade de um processo que possui a colaboração como elemento essencial, tendo em vista que a colaboração gera interdependência entre os sujeitos participantes da ação e cria uma espécie de responsabilidade coletiva para os processos de decisão (GRAY, 1989 apud PORRAS, 2003). Considerações Finais As organizações vivem desafios ocasionados pela sua inserção em um contexto de constantes mudanças e que muitas vezes aumenta o número de pressões provindas de seus diversos públicos. Para lidar com esse contexto plural, as organizações devem valorizar as diferenças encontradas no ambiente organizacional, que quando somadas e repensadas, podem contribuir para uma maior eficiência em seus processos (DEETZ, 2010). A valorização dessas diferenças não é um processo simples e exige mudanças nos hábitos organizacionais e consequentemente em sua cultura. Como uma alternativa foi

apresentada nesse trabalho, a teoria da comunicação colaborativa que tem como elemento norteador as interações permeadas por processos de colaboração entre os indivíduos. Como comunicação colaborativa, entendemos o processo que ultrapassa o consenso através do diálogo e da defesa das diferenças, ou seja, quando indivíduos que são provenientes de diferentes contextos interagem e podem criar significados genuínos e inovadores. Quando falamos em interação devemos observar não só o momento em que ela ocorre, mas sim darmos importância a um processo que ocorre espontaneamente e que envolve influências externas. Isto é, cada indivíduo que constrói as organizações traz consigo suas expectativas e seus conhecimentos sobre os mais variados temas. Portanto, as organizações e a cultura organizacional emergem e estão apoiadas nestes diferentes aspectos que certamente as diferenciarão entre si. Podemos concluir através desse estudo teórico que comunicação colaborativa e interação são temas que se entrelaçam e que possuem influência um sobre o outro. A interação possibilita o compartilhamento de conhecimentos e opiniões, porém quando apoiada na colaboração tem capacidade de pontencializar os relacionamentos, bem como gerar inovações. Relacionamentos produtivos são necessários atualmente, pois cada organização recebe interferência de seus públicos, que cada vez mais críticos exigem mudanças. Portanto as organizações necessitam de novas formas de pensar e gerenciar suas relações, para que através disso possam lidar com possíveis conflitos por meio da construção de novos pensamentos pautados na diversidade. Através desse trabalho pretende-se contribuir para os estudos na área da comunicação organizacional pautados ao tema da comunicação colaborativa, já que essa tem a capacidade de criar ambientes mais criativos que são necessários para a sobrevivência das organizações nos ambientes e contextos plurais em que estão inseridas.

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