da Junção Esofagogástrica

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Transcrição:

HM Cardoso Fontes Serviço o de Cirurgia Geral Sessão Clínica 15/04/04 Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica Diego Teixeira Alves Rangel

Casos do Serviço (2001 2004) Nome Idade Diagnóstico Acesso Cirurgia AAF 67 anos Câncer epidermóide terço inferior esôfago Cérvicolaparotomia Esofagectomia subtotal, reconstrução com tubo gástrico ML 75 anos Adenocarcinoma de cárdia Cérvicolaparotomia Gastrectomia + esofagectomia subtotal GGSD 61 anos Adenocarcinoma de cárdia Laparotomia Gastrectomia total + pancreatectomia corpo-caudal + esplenectomia Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Definição Adenocarcinoma que se estende entre 5 cm acima e 5cm abaixo da junção esofagogástrica. Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Classificação de Siewert (1987) Tipo I adenocarcinoma do esôfago distal Tipo II carcinoma verdadeiro do cárdia Tipo III carcinoma subcárdico Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Esôfago de Barrett Conseqüência de RDGE crônico ( suco gástrico + bile + conteúdo duodenal) 50 vezes risco de evolução para adenocarcinoma Clínica: melhora da queimação e regurgitação Definição atual Aparência macroscópica Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Evolução Escamoso mucosa do cárdiac metaplasia intestinal displasia câncer Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Prevenção do adenocarcinoma Inibidores da bomba de prótons Cirurgia anti-refluxo Impede a progressão para displasia e câncer Regride o esôfago de Barrett? DeMeester SR, DeMeester TR, Peters JH, et al. Esôfago de Barrett pode e regride após cirurgia anti-refluxo. J Am Coll Surg 2003; 196:706-12 Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Diagnóstico Clínica Disfagia: 74 87% Perda ponderal: 42 57% Odinofagia: 20 46% Regurgitação: 29 45% Tosse ou rouquidão: 7 26% Dispnéia: 5% Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Diagnóstico Esofagograma Inicial Constrição e/ou ulceração Localização do tumor Suspeita Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Diagnóstico Endoscopia Digestiva Alta Diagnóstico de certeza Visualização direta da lesão Localiza lesão Biópsia + escovado: 97% acurácia Tipo histológico Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Diagnóstico Marcadores tumorais CEA, CA 19-9, CA 125 Marcadores biológicos p53 Gen C-erbB 2 Receptor do fator de crescimento epidermal Glutatione S-transferas Gen p16 Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Estadiamento do Carcinoma de Cárdia C Exame T (%) N (%) M (%) TC 49-60 39-74 85-90 ECO 76-92 50-80 66-88 RM 75-90 56-74 ----- PET ----- 48-76 71 91 Minimamente invasivo ----- 90-94 ----- Imunohistoquímica ----- > 95 ----- Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Estadiamento do carcinoma de esôfago T: Tumor primário T0: sem evidência de tumor Tis: displasia alto-grau T1: invade até submucosa T2: invade até a muscular própria T3: invade tecidos periesofageanos T4: invade estruturas adjacentes Estágio I: T1 N0 M0 EstágioII: IIA T2, T3 N0 M0 IIB T1, T2 N1 M0 Estágio III: T3 N1 M0 T4 qqn M0 Estágio IV: qqt qqn M1 N: Linfonodos Regionais N0: sem metástases para linfonodos regionais N1: com metástases para linfonodos regionais M: Metástases à distância M0: sem metástases à distância M1: com metástases à distância Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Freqüência de acordo com estadiamento Estágios gios: I: 13 20% IIA: 14 27% IIB: 7 16% III e IV: 40 54% Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Sobrevida em 5 anos Estágios gios: I: 50 80% IIA: 30 40% IIB: 10 30% III: 10 15% IV: < 5% Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Fatores de mau prognóstico Ausência de serosa Drenagem linfática rica Localização extraperitoneal de parte da junção esofagogástrica Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Tratamento Paliativo Curativo: esofagectomia + gastrectomia com linfadenectomia Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Histórico 1 AD: chineses descrevem disfagia devido a carcinoma de esôfago 1877: Czerny 1 ressecção e reanastomose de esôfago cervical em humanos com sucesso. 1913: Torek 1 ressecção carcinoma esofágico com sucesso via transtorácica. 1946: Ivor Lewis 1 esofagectomia via tóracolaparotomia. 1974: Pinotti 1 esofagectomia subtotal via cérvicoabdominal com transecção do diafragma. 1976: Pinotti publicação acesso extrapleural do esôfago por frenolaparotomia. 1977: Pinotti publicação esofagectomia subtotal por túnel transmediastinal sem toracotomia. 1978 Orringer e Sloan publicação esofagectomia sem toracotomia.

Ressecção do tumor

Técnicas Cirúrgicas rgicas Ivor Lewis. Mckeown ( três fases). Esofagectomia transhiatal. Tóraco abdominal esquerda (Sweet). Esofagogastrectomia radical em bloc. Linfadenectomia em três-campos. Cirurgia minimamente invasiva. Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Esofagectomia sem toracotomia por frenolaparotomia. Acesso à Pinotti

Manobra de Orville Grimes

Quimio-radioterapia Como terapia primária. Como terapia neoadjuvante. Apenas radioterapia. Apenas quimioterapia. Quimio e radioterapias. Carcinoma da Junção Esofagogástrica strica

Prevalência do carcinoma de esôfago > 50% carcinomas de esôfago são adenocarcinomas. 10% ao ano na prevalência. 300 500% em 30 40 anos (1970 2000) Atualmente adenocarcinoma forma mais comum nos EUA e Europa Ocidental. Motivos n de endoscopias? n de obesos? DRGE? Uso indiscriminado de drogas que mascaram DRGE? Sinergismo de fatores?