Resumo Aula-tema 04: Dinâmica Funcional O tamanho que a micro ou pequena empresa assumirá, dentro, é claro, dos limites legais de faturamento estipulados pela legislação para um ME ou EPP, dependerá do tipo de negócio que pretende operar e do segmento de mercado no qual a empresa estará inserida. Porém, o tamanho do negócio dependerá também da disponibilidade de capital que o fundador ou os sócios terão a oferecer, assim como a disponibilidade de capital de terceiros provindos de fontes de financiamento. Dentro desse prisma, cabe ressaltar que quanto maior o investimento, maiores serão os riscos assumidos pelos envolvidos. Muitas vezes, uma estrutura mais enxuta é a melhor opção para iniciar o negócio sem comprometer demasiadamente a saúde financeira da empresa e, dependendo da opção de escolha feita no momento da decisão sobre a natureza jurídica da firma, o patrimônio pessoal de seus fundadores. Outro fator que ditará as regras para o sucesso e definirá o tamanho da estrutura empresarial será o nível de tecnologia aplicado ao negócio. Quanto maior o investimento em tecnologias necessárias à sobrevivência empresarial, maior será a estrutura da empresa. Independente do tamanho assumido, a necessidade da aplicação de ferramentas gerenciais na micro ou pequena empresa é fator primordial para: 1) garantir sua sobrevivência no mercado e 2) contribuir para o aumento de seu desempenho e produtividade. Cabe ainda enfatizar que, quanto maior for a sua estrutura, maior será o tempo de dedicação de seus fundadores na compreensão sobre as melhores práticas gerenciais aplicadas ao negócio, pois uma estrutura maior envolve mais investimentos e, consequentemente, maiores riscos. Uma das grandes fragilidades das empresas está na falta de informações gerenciais, o que limita seu crescimento e desenvolvimento. Barros, citado por Lacerda no artigo denominado A Contabilidade como Ferramenta Gerencial na Gestão Financeira das Micro, Pequenas e Médias Empresas: Necessidade e Aplicabilidade, destaca algumas das práticas mais comuns, que acabam influenciando negativamente a performance das pequenas empresas, como: a) uso da contabilidade com objetivo precípuo de atender apenas a uma exigência fiscal;
b) pouca aplicação da finalidade básica da contabilidade, que é orientar o administrador em suas decisões; c) decisões de importância para a empresa tomadas com base na intuição do empresário; d) decisões tomadas sem a segurança de estudos técnico-administrativos fundamentados em informações ou dados estatísticos pertencentes ao acervo de experiência da própria empresa; e) falta de controle, no caso de pequenas indústrias, de matérias-primas, produtos em elaboração, produtos acabados, resíduos etc. f) controle ocasional das horas trabalhadas pelos operários e do rendimento de máquinas, equipamentos e matérias-primas empregadas. Assim, a aplicação dos conhecimentos contábeis e financeiros é indispensável ao êxito da pequena empresa. Além disso, o Código Comercial, em seu artigo 10, traz que todos os comerciantes são obrigados a seguir uma ordem uniforme de escrituração e a ter os livros necessários para esse fim, além de encerrar anualmente um balanço patrimonial. Sendo assim, fazer uma boa gestão contábil e financeira não é somente uma questão de estratégia empresarial, mas sim uma obrigação legal da empresa. Definiremos então, nessa aula-tema, dois demonstrativos contábeis fundamentais ao conhecimento do gestor: o Balanço Patrimonial e as Demonstrações de Resultado do Exercício. Conceitualmente, o Balanço Patrimonial demonstra o patrimônio de uma empresa, destacando todos os seus bens, seus direitos e obrigações, além do capital pertencente aos seus proprietários. O Balanço Patrimonial divide-se em dois lados: o lado direito nos mostra a origem dos recursos captados pela empresa; o lado esquerdo nos mostra onde esses recursos estão aplicados. As origens de recurso apresentam as contas de passivo, que mostram o capital obtido através de terceiros, credores da empresa - ou seja, mostram as obrigações que a empresa deve cumprir/pagar aos seus credores (fornecimentos, financiamentos, empréstimos, impostos, salários e encargos). O passivo mostra também o Patrimônio Líquido, que representa o capital próprio da empresa e os recursos dos proprietários aplicados no empreendimento.
Já nas aplicações de recursos (lado esquerdo do balanço), temos a conta do Ativo, que demonstra todos os bens e direitos da empresa, sendo os bens itens tangíveis (com exceção de marcas e patentes, que são intangíveis), e os direitos, os valores que a empresa tem a receber - como duplicatas, dinheiro em conta bancária ou em aplicação, entre outros. Balanço Patrimonial Empresa X Período: 01.12.20XX Ativo Passivo Bens Direitos Obrigações Patrimônio Líquido Capital social Tabela 1: Representação simplificada de um Balanço Patrimonial À Esquerda do balanço, temos ainda a seguinte divisão do ativo: Ativo Circulante - contas a receber em menos de um ano, como disponível (dinheiro em caixa ou em bancos), aplicação financeira a curto prazo, clientes ou duplicatas a receber, estoques e outras contas de bens e direitos. Ativo Realizável a Longo Prazo - contas e títulos a receber em um período acima de um ano. Ativo Permanente - bens e direitos que a empresa utiliza ou que são considerados como investimento, e consequentemente não há interesse em converter em moeda corrente, como investimentos de longa duração e imobilizado (bens utilizados nas operações das empresas, como máquinas, equipamentos, imóveis, entre outros). Já o lado direito do balanço possui a seguinte divisão: Passivo Circulante - obrigações a curto prazo ou com vencimento em menos de um ano, como despesas mensais, fornecedores, financiamentos de até um ano, tributos a recolher, salários e encargos e outras obrigações com vencimento em menos de um ano. Passivo Exigível a Longo Prazo - obrigações a longo prazo assumidas pela empresa, como empréstimos e financiamentos.
Patrimônio Líquido - a situação líquida da empresa. Normalmente é constituída pelo Capital Social, pelos Lucros ou Prejuízos Acumulados e pelas Reservas de Capital e de Lucros. Balanço Patrimonial Empresa X Período: 01.12.20XX Ativo Passivo Ativo Circulante Ativo Realizável a Longo Prazo Ativo Permanente Passivo Circulante Passivo Exigível a Longo Prazo Patrimônio Líquido Capital social Lucro ou prejuízo acumulado Tabela 2: Representação de um Balanço Patrimonial Outra ferramenta contábil que deve ser de conhecimento do gestor são as Demonstrações do Resultado do Exercício (D.R.E.), pois as contas ali apuradas interferem diretamente no Patrimônio Líquido da empresa. A Demonstração do Resultado do Exercício fornece um resumo dos resultados das operações financeiras da empresa durante um período específico, geralmente um ano. Nesse resumo, as receitas são as entradas de recursos na empresa e as despesas representam as saídas. Ao final do período contábil, deve-ser fazer um confronto entre essas duas contas e apurar o saldo da empresa, verificando se obteve lucro ou prejuízo. Este lucro/prejuízo é inserido no Balanço Patrimonial, no grupo do Patrimônio Líquido. diz: A D.R.E. é regulamentada pela Lei nº 6.404 de 15 de Dezembro de 1976, que Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV - o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;
V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI - as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se caracterizem como despesa (cf. Lei nº 11.941, de 2009); VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. Sua representação é feita conforme o gráfico abaixo: Receita Bruta de Vendas (-) Deduções da Receita Bruta (Impostos sobre venda, devoluções) = Receita Líquida de Vendas (-) Custos dos produtos vendidos = Lucro Bruto (-) Despesas Operacionais (-) Despesas Administrativas (-) Despesas Financeiras = Resultado operacional antes do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro (-) Provisão para o Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro = Resultado líquido antes das participações (-) Participações de Administradores, Empregados, Debêntures = Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício Tabela 3: Representação de uma Demonstração de Resultado do Exercício Compete ao gestor definir o tamanho da estrutura empresarial, que por sua vez dependerá da disponibilidade de capital aplicada ao negócio e do nível tecnológico da empresa. Compete a ele também o conhecimento de ferramentas contábeis que, além de ser uma exigência legal, o auxiliará no tomada de decisões e nas estratégias empresariais. Conceitos Fundamentais Código Comercial - tem por função regular os direitos e obrigações das empresas e suas relações.
Escrituração - no meio contábil, é o nome escolhido pela legislação para expressar o ato de se efetuarem os lançamentos em contas. Tecnologia conjunto de conhecimentos mínimos para operar o negócio e gerir uma atividade privada. Referências FAHL, Alessandra Cristina; MARION, José Carlos. Contabilidade Financeira. Valinhos: Anhanguera Publicações Ltda, 2011. FERRONATO, Airto João. Gestão Contábil-financeira de micro e pequenas empresas: sobrevivência e sustentabilidade. São Paulo: Atlas, 2011. LACERDA, Joabe Barbosa. A Contabilidade como Ferramenta Gerencial na Gestão Financeira das Micro, Pequenas e Médias Empresas: Necessidade e Aplicabilidade. Disponível em: <http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/01ec2c11116446b503256d1e006 6f0b5/4d0b9c74bd56c03803257053005d83a8/$FILE/NT000AA6DE.pdf> e, também, em: <https://docs.google.com/open?id=0b1lfotr2uh-erfvxdg9dber5ztq>. Acessos em: 05 nov. 2012.