2 A Logística História da Logística

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Transcrição:

2 A Logística 2.1. História da Logística Segundo Neves (2005), a origem da palavra logística vem do grego LOGISTIKOS, do qual o latim LOGISTICUS é derivado, ambos significando cálculo e raciocínio no sentido matemático. No Brasil, a história da Logística é ainda muito recente, e também em Neves (2005) destacam-se os seguintes fatos históricos: ANOS 70 Desconhecimento do termo e da abrangência da logística; Informática ainda era um mistério e de domínio restrito; Iniciativas no setor automobilístico, principalmente nos setores de movimentação e armazenagem de peças e componentes em função da complexidade de um automóvel que envolvia mais de 20.000 diferentes SKUs (stock keep unit menor unidade de estoque); Fora do segmento automobilístico, o setor de energia elétrica definia normas para embalagem, armazenagem e transporte de materiais; Em 1977 são criadas a ABAM - Associação Brasileira de Administração de Materiais e a ABMM - Associação Brasileira de Movimentação de Materiais, que não se relacionavam e nada tinham de sinérgico; Em 1979 é criado o IMAM - Instituto de Movimentação e Armazenagem de Materiais;

22 ANOS 80 Em 1980 surge o primeiro grupo de Estudos de Logística, criando as primeiras definições e diretrizes para diferenciar Transportes de Distribuição da Logística; Em 1982 é trazido do Japão um sistema logístico que integrava as técnicas de Just in Time (JIT) e o KANBAN, desenvolvidos pela Toyota; Em 1984 é criado o primeiro Grupo de Benchmarking em Logística no Brasil; Em 1984 a ABRAS - Associação Brasileira de Supermercados cria um departamento de logística para discutir e analisar as relações entre Fornecedores e Supermercados; É criado o Palete Padrão Brasileiro, conhecido como PBR e o projeto do Veículo Urbano de Carga; Em 1988 é criada a ASLOG - Associação Brasileira de Logística; Instalação do primeiro Operador Logístico no Brasil (Brasildock s) ANOS 90 Estabilização da economia a partir de 1994 com o Plano Real e foco na administração dos custos; Evolução da microinformática e da Tecnologia de Informação, com o desenvolvimento de software para o gerenciamento de armazéns como o WMS - Warehouse Management System, códigos de barras e sistemas para Roteirização de Entregas; Entrada de 06 novos operadores logísticos internacionais (Ryder, Danzas, Penske, TNT, McLane, Exel) e desenvolvimento de mais de 50 empresas nacionais; Novas metodologias e técnicas são introduzidas: Enterprise Resource Planning (ERP), Eficient Consumer Response (ECR), Eletronic Data Interchange (EDI ); Privatização de rodovias, portos, telecomunicações, ferrovias e terminais de Contêineres; Investimentos em monitoramento de cargas Ascensão do e-commerce

23 2.2. O que é Logística / Supply Chain Management Ainda é muito aceita no meio empresarial a definição do Council of Logistics Management, CLM (1986): É o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semi-acabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos Clientes. A definição criada em 1.986 pelo CLM foi recentemente alterada, incluindo o conceito de Supply Chain Management: É a parte do processo de Supply Chain que planeja, implementa e controla, eficientemente, o fluxo e armazenagem de bens, serviços e informações do ponto de origem ao ponto de consumo de forma a atender às necessidades dos Clientes Segundo o CLM: Supply Chain Management é a integração de processos-chave a partir do usuário final até os fornecedores primários com o objetivo de prover produtos, serviços e informações que adicionem valor para os clientes e acionistas da empresa. 2.3. Logística e Competitividade Empresarial De acordo com Ph.Kotler e G. Amstrong (1998), a logística desempenha parte do esforço de marketing, quando exerce um papel-chave na satisfação dos clientes da empresa e na lucratividade da empresa como um todo. A figura1 representa o conceito de marketing sob a perspectiva da administração da logística.

24 O Conceito de Administração de Marketing /Logística Satisfação do Cliente Fornecedores Clientes intermediários Consumidores finais Esforço Integrado Produto Preço Promoção Local (distribuição) Lucratividade da Empresa Maximizar lucratividade de longo prazo Custo total mais baixo devido a um nível aceitável de serviço a cliente Fonte: Kotler Ph. E amstrong G. (1998) Figura 1- O Conceito de Administração de Marketing / Logística A satisfação do cliente envolve a maximização da utilidade de lugar e momento para fornecedores, intermediários e consumidores finais. A capacidade da logística em proporcionar serviço a cliente, junto à capacidade de marketing em gerar e complementar o ciclo de vendas, cria um nível aceitável de satisfação do cliente que leve a empresa a uma vantagem diferencial no mercado. Um esforço integrado exige que a empresa coordene suas atividades de marketing (produto, preço, promoção e distribuição) com o objetivo de atingir resultados sinérgicos onde o total se torna maior que a soma das partes. A chave da verdadeira integração é o conceito de custo total, que examina as compensações de custos que ocorrem entre e dentro das atividades de marketing e logística. Sob a perspectiva financeira, o meio ótimo para maximizar a lucratividade pode ser minimizar os custos totais da logística, no limite que permita proporcionar o nível de atendimento ao cliente especificado pela estratégia de marketing e pelas expectativas dos clientes.

25 2.3.1. A Logística Agregando a Utilidade de Momento, Lugar e Posse Segundo Lambert, Stock e Vantine (1998), os produtos manufaturados possuem valor e utilidade porque um produto montado tem valor maior do que seus componentes ou matérias-primas isoladamente. O valor, ou utilidade, da disponibilidade de materiais em estado completo de montagem é chamado de utilidade de forma. Para o consumidor, entretanto, o produto não deve ter simplesmente a utilidade de forma, mas também deve estar no lugar certo e disponível para compra. Assim, além do valor agregado pela fabricação (utilidade de forma), o produto também deve agregar o valor chamado utilidade de lugar, momento e posse. A atividade de logística proporciona utilidade de lugar e momento, enquanto o marketing proporciona a utilidade da posse. 2.3.2. A Logística como Ativo da Empresa Assim, podemos concluir que um sistema de logística eficiente e econômico é semelhante a um ativo tangível nos livros contábeis de uma empresa. Não pode ser prontamente copiado pela concorrência. Se uma empresa proporciona produtos a seus clientes rapidamente e a custo baixo, pode ganhar mercado em relação a seus concorrentes. A empresa pode conquistar a capacidade de vender seus produtos a um custo menor como resultado de eficiência em logística, ou proporcionar um nível mais alto de atendimento ao cliente, portanto aumentando seu market share. Embora as empresas não especifiquem esse ativo em seus balancetes, poderemos até idealizar que no futuro a eficiência logística poderá ser itemizada como um ativo intangível, categoria que engloba patentes, copyright e marcas registradas.