A TEORIA EM PRÁTICA. EXEMPLO DE ATIVIDADE Terrário miniatura do Planeta Terra 1 A montagem de um terrário é uma tarefa simples e um rico instrumento pedagógico. Sua confecção permite trabalhar o reaproveitamento dos materiais além de estimular o exercício da cidadania e a defesa ambiental. Durante o seu acompanhamento durante um ano letivo pode-se trabalhar conteúdos como nascimento, florescimento, morte (ciclo vital) além do estudo do solo (formação, erosão etc) e o ciclo da água. A vida útil do terrário pode chegar a um ano ou mais. Objetivos: identificar a presença de solo, ar, água, luz, plantas e animais em interação. Conteúdos: reconhecer o terrário como Planeta Terra em miniatura Habilidades: identificar o ciclo da água, a importância das plantas para o meio ambiente, as camadas do solo e sua importância e as condições atmosféricas. Sugestões: montar terrários na sala de aula e relacionar com o ciclo da água, a formação do solo; papel das plantas e dos animais e o ar. Materiais utilizados: uma garrafa pet de dois litros, tesoura, fita crepe, plástico filme, brita, terra vegetal, mudas de plantas, minhoca e água. 1 Adaptado de: TAVARES, Carla. Terrário: miniatura do Planeta Terra [notas de aula], 2011.
Primeiro passo: cortar a garrafa pet na parte superior antes dela afunilar e fazer alguns furos na parte inferior para escoar a água quando for regada. Segundo passo: colocar a brita (três dedos de altura) e em seguida a terra vegetal. Terceiro passo: colocar a minhoca e as mudas e regar. Quarto passo: fechar o recipiente com plástico filme e fita crepe. O próximo passo é observar diariamente o crescimento das plantas, estimular os alunos a perceber o formato das folhas e os animais que possam aparecer. Essas podem ficar expostas em local protegido do sol mas bem iluminado. O terrário possibilita o desdobramento de muitas informações: Relação plantas e a água: elas têm uma relação de dependência uma da outra. As plantas têm papel fundamental na manutenção dos corpos de água pois protegem o solo das gotas de chuva contra a erosão e permitem que essas gotas infiltrem lentamente no solo alimentando os lençóis de água ou freáticos; além disso tem papel no fornecimento de frutos, no acolhimento dos pássaros, na liberação do oxigênio, consumo de gás carbônico e na proteção contra sol quente contribuindo para a diminuição da temperatura. Quanto à água, essa é vital para as plantas. Ciclo completo da água: quando a temperatura sobe pelo calor do sol, a água dos corpos hídricos (rios, lagos, lagoas e oceanos) evapora e se junta à transpiração das plantas e dos animais, formando uma concentração de vapor d água. Na atmosfera, a água evaporada se condensa formando as nuvens que após acumularem muito vapor d água caem em forma de chuva infiltrando no solo e alimentando os corpos hídricos pronta para reiniciar o ciclo. È importante saber que a água não vai acabar, o que poderá acabar é a água potável. No caso do terrário, como o recipiente está fechado, o vapor se condensa e forma pequenas gotas que ficam nas paredes e no lacre. É aí que ela retorna para irrigar o solo novamente. Vale ressaltar que nosso planeta é dominado pelas águas (75%) mas que desses, 97,3% é de água
salgada e 2,7% é água doce. A água doce encontra-se em sua maior parte gelada (77%) ou no subsolo (22%) restando 0,3% de fácil acesso sendo que desse montante somente 0,002% é potável portanto devemos cuidar para não desperdiçar. Formação do solo: O solo surge da quebra das rochas em pedaços cada vez menores pela ação do vento, chuva e sol fenômeno conhecido de erosão. Dessa quebra podem surgir diferentes tipos de solo sendo os mais comuns: areia (grãos maiores e com bastante espaço entre entre eles), argila (grãos muito pequenos e pouco espaço entre eles) e terra preta (grãos médios) ou humífero com húmus e adubo (resultado da decomposição de restos de folhas e animais). O solo ideal é o de terra preta pois seus grãos deixam passar pouca água e possibilitam a circulação do ar além da presença de nutrientes fruto da decomposição. Essa decomposição é feita por bactérias e fungos. Se observarmos o perfil geral dos solos notaremos a distribuição de quatro camadas diferentes: subsolo (rocha inteira), rocha quebrada em pedaços, as rochas em pequenos pedaços e o solo propriamente dito. terrário pode ser construído representando as diferentes camadas. Chama-se atenção para a importância das minhocas pois ajudam na circulação do ar e água tornando os nutrientes disponíveis para as plantas. Permite ainda observar as relações entre os seres vivos: os seres vivos precisam de alimento para sobreviver e obter energia e em função disso estabelecem relações de alimentação chamada de cadeia alimentar (a ser vista em um dos temas do seminário). Evolução da vida na Terra: tanto animais quanto vegetais surgiram da água e para a sobrevivência no ambiente terrestre foram necessárias muitas modificações em suas estruturas através de milhões de anos. Os primeiros vegetais aquáticos foram as algas e os primeiros a conseguirem sobreviver no ambiente terrestre foram os musgos mas dependiam de ambientes bem úmidos pois não apresentam vasos condutores de alimentos. Em seguida surgiram as samambaias e afins
que por apresentarem vasos condutores são consideradas as primeiras plantas a conquistarem o ambiente terrestre. Depois delas vieram as gimnospermas (pinheiros) que não apresentam frutos mas sementes e não dependiam tanto da água e por fim as angiospermas (grande maioria) que apresentam sementes e frutos além de flores vistosas e que dominam hoje os ambientes terrestres e aquáticos. Quanto aos animais: são vários animais invertebrados aquáticos e os primeiros vertebrados foram os peixes (respiração branquial, fecundação externa e que colocam ovos na água), depois os anfíbios (duas fases de vida: uma na água e outra na terra; respiração branquial (fase de larva), respiração pulmonar e cutânea (fase adulta), fecundação externa e que colocam ovos em ambientes úmidos), em seguida os repteis (conquistam o ambiente terrestre: respiração pulmonar, fecundação interna e ovos próximos de corpos hídricos), depois as aves (respiração pulmonar, fecundação interna e ovos) e por fim os mamíferos (respiração pulmonar, fecundação interna e embrião dentro do corpo). REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Temas Transversais, meio mabiente. Brasília: SEF/MEC, 1998a. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/meioambiente.pdf BRASIL, Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Ciências Naturais. Brasília: SEF/MEC, 1998b. http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ciencias.pdf MATOS, E. C. T.; MASSUNAGA, M. S. O. Ensino de ciências naturais no ensino fundamental: os conteúdos de física nesta etapa. São Paulo: Sociedade Brasileira de Física, 2010. Disponível em: http://www.sbf1.sbfisica.org.br/eventos/snef/xvi/sys/resumos/t0150-1.pdf
REVISTA NOVA ESCOLA: ciências naturais (edição especial). Disponível em: revistaescola.abril.com.br/edicoes/pdf/esp_001/cie_naturais1_4.pdf TAVARES, Carla. Terrário: miniatura do Planeta Terra [notas de aula], 2011.