Correção Endovascular do Aneurisma de Aorta

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Transcrição:

Orientações para pacientes submetidos à Correção Endovascular do Aneurisma de Aorta Serviço de Enfermagem Cardiovascular, Nefrologia e Imagem (SENCI) Serviço de Cirurgia Cardiovascular Serviço de Cardiologia

Este manual contou com a colaboração de: Eduardo Keller Saadi, Eneida Rejane Rabelo da Silva, Graziella Badin Aliti, Isabel Echer; Leticia Orlandin e Vanessa Mantovani.

Sumário APRESENTAÇÃO 7 O que é o aneurisma? 7 Tratamento 9 Orientação para a cirurgia de endoprótese 11 vascular Cuidados e recomendações para a saúde 13

Apresentação Este manual foi elaborado por uma equipe multidisciplinar, com o objetivo de auxiliar os pacientes que irão submeter-se à correção endovascular do aneurisma da aorta. O manual traz informações para esclarecer dúvidas sobre o aneurisma de aorta, o tratamento e os cuidados necessários durante a internação e após a alta hospitalar. 5

O que é o aneurisma? Para explicar o que é o aneurisma, é necessário, inicialmente, falar sobre a artéria aorta. A aorta nasce no coração e atravessa o tórax e o abdômen, dando origem a todas as artérias (ramos) que levam o sangue às diversas partes do corpo. A porção da aorta que fica dentro do tórax é chamada de aorta torácica. Depois de atravessar o diafragma, que é um músculo, ela passa a ser chamada de aorta abdominal. O diâmetro normal da aorta varia de 1,9 a 2,5 cm. A palavra aneurisma significa dilatação. O aneurisma é definido como uma dilatação maior que 50% do diâmetro adequado para um vaso sanguíneo. Em alguns casos, a dilatação pode ser tão intensa que o vaso pode romper, causando sangramento interno. Localização Os aneurismas podem se formar em qualquer artéria do corpo (cerebrais, aorta, viscerais, ilíacas, femorais e poplíteas). No entanto, mais comumente se desenvolvem na artéria aorta. O local mais comum de dilatação da aorta é na sua porção abdominal. A seguir você pode observar a posição da aorta, sua forma normal e com presença do aneurisma. 7

Artéria aorta e aneurisma Causas São muitos os fatores envolvidos no desenvolvimento dos aneurismas arteriais, e eles variam conforme o segmento da artéria comprometido. Os aneurismas tóraco-abdominais são causados geralmente por doenças degenerativas das artérias, dissecção, aterosclerose, aortites, infecção e trauma. Os aneurismas da aorta abdominal, em 90% dos casos, estão relacionados à aterosclerose. Sintomas Em geral os aneurismas de aorta não são acompanhados de sintomas. Alguns começam pequenos e podem permanecer assim por anos, enquanto outros crescem rapidamente e devem ser acompanhados com exames periódicos. Os aneurismas maiores tendem a crescer mais e, quanto maior o tamanho do aneurisma, maior o risco de ruptura. 8

Os sintomas que podem acompanhar um aneurisma maior são: sensação de pulsação no abdômen; dor no tórax ou no abdômen (dependendo da localização do aneurisma); dor nas costas; sensação de compressão nas costas, tórax e abdômen. Ruptura do vaso Um aneurisma pode se romper, e os principais sinais e sintomas de ruptura são: dor abdominal intensa e súbita que vai em direção às costas; tonturas associadas à pressão arterial baixa; palidez; suor; desmaio. A pessoa que apresentar estes sinais e sintomas deve procurar um hospital imediatamente. Tratamento O objetivo do tratamento do aneurisma é prevenir a ruptura do vaso. A escolha do tratamento depende do tamanho, da localização, da taxa de crescimento do aneurisma e das condições de saúde do paciente. 9

Nem todos os casos têm indicação cirúrgica. Quando não houver indicação de intervenção, o paciente deve tomar algumas medidas para evitar o aumento do aneurisma, como tratar a pressão alta, não fazer grande esforço físico e não fumar. Aneurismas de aorta torácica ou abdominal maiores, que estão crescendo ou desencadeando sintomas, devem ser tratados cirurgicamente. Cirurgia convencional É realizada com a abertura do tórax ou do abdômen e interrupção temporária do fluxo de sangue na região do aneurisma, para que a parte dilatada possa ser substituída por uma prótese. É um procedimento que ocorre com anestesia geral. O paciente precisa ficar internado, em média, por sete dias. Correção cirúrgica endovascular de aneurisma com inserção de endoprótese Atualmente é uma das formas de tratamento cirúrgico mais utilizada. Neste procedimento, o cirurgião tem acesso ao aneurisma a partir de dois pequenos cortes feitos na região da virilha. Um cateter é inserido pela artéria femoral e conduzido até o local do aneurisma, onde é colocada uma endoprótese. Depois que a endoprótese é instalada, o fluxo de sangue é redirecionado, excluindo o aneurisma da circulação sanguínea. Este tipo de prótese é confeccionado com um material que possui alta resistência e malea-bilidade, recoberta por um tecido. A endoprótese é fixada no interior da aorta, reforçando sua parte enfraquecida para prevenir a 10

ruptura do aneurisma. Geralmente, este procedimento é realizado com anestesia geral e é considerado pouco invasivo. Por isso, apresenta risco menor e recuperação mais rápida que a cirurgia convencional. Dilatação do aneurisma Orientação para a cirurgia de endoprótese vascular Admissão do paciente Após colocação da endoprótese No momento da internação, a equipe irá conversar com o paciente e perguntar sobre as doenças prévias e atuais, os remédios que estão sendo utilizados, as alergias e cirurgias já realizadas. Você deverá trazer suas receitas ou o nome dos medicamentos que usa e os exames solicitados pela equipe médica. 11

Para realização da cirurgia, é necessário jejum de 12 horas. O tempo médio de duração do procedimento é de 2 a 3 horas. A cirurgia As cirurgias de correção de aneurisma de aorta são realizadas no Bloco Cirúrgico ou na Unidade de Hemodinâmica. Nestes setores, o paciente é recebido pelas equipes médica e de enfermagem, que vão preparálo para o procedimento, instalando cateteres e aparelhos necessários para a cirurgia. Recuperação pós-procedimento Após o procedimento, o paciente é encaminhado para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) ou para a Unidade de Cuidados Coronarianos (UCC), onde fica em observação até ser transferido para o quarto, o que geralmente ocorre em um período de 12 a 36 horas depois da cirurgia, de acordo com a situação de cada paciente. Alta para o quarto Quando estiver no quarto, o paciente será orientado a caminhar pequenas distâncias e a sentar na cama ou na poltrona, evitando dobrar-se sobre a região da virilha, onde foi feita a incisão cirúrgica. Se o local da incisão estiver limpo, sem drenagem de secreção, poderá ficar sem curativo. Se houver pontos cirúrgicos, eles deverão ser retirados de 7 a 10 dias após a data da cirurgia, no posto de saúde mais próximo ou no consultório médico. 12

Cuidados e recomendações para a saúde Após o implante de endoprótese para a correção do aneurisma de aorta, o paciente deve permanecer em acompanhamento médico. É necessária a realização de tomografias periódicas para avaliar o correto posicionamento da endoprótese e se não há vazamento de sangue entre a endoprótese e o aneurisma. Alguns cuidados devem ser seguidos para ajudar na recuperação: tomar os remédios conforme a prescrição médica, respeitando as doses e horários; evitar dobrar o abdômen sobre as pernas ou ficar agachado por muito tempo, até que haja cicatrização no local da incisão cirúrgica; não expor o local da incisão ao sol por quatro semanas; fazer revisões periódicas para avaliação da endoprótese de três em três meses no primeiro ano e, após, uma vez ao ano. Depois da alta hospitalar, é importante estar atento a sinais que podem indicar infecção na ferida operatória, como inchaço, vermelhidão, dor, calor ao redor da ferida, presença de pus, calafrios e febre. Caso o paciente apresente algum desses sinais e sintomas, deve entrar em contato com a equipe de saúde. É importante também que hábitos saudáveis de vida façam parte do dia a dia do paciente. Além do acompanhamento médico, nas consultas e exames, há outras dicas que devem ser seguidas: Parar de fumar: o risco de um fumante desenvolver aterosclerose, e como consequência, o aneurisma, é até quatro vezes 13

maior do que não fumantes. A interrupção do fumo reduz esse risco para cerca de 50%. Portanto, deixar de fumar é um dos meios mais poderosos para diminuir o risco cardiovascular. Há serviços de saúde que auxiliam a deixar o cigarro. Mesmo se houver recaídas, o paciente não deve desistir, mas recomeçar e tentar novamente. Evitar bebidas alcoólicas: elas não são recomendadas mas, ainda assim, se houver uso indevido de álcool, as medicações não devem ser deixadas de lado. Manter uma alimentação saudável: todas as pessoas devem fazer de quatro a seis refeições ao dia (café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde, janta e ceia). O consumo de doces, açúcares, gorduras, frituras e alimentos ricos em carboidratos (pães, cereais e massas) deve ser reduzido, para controlar o colesterol. O leite integral e o queijo amarelo podem ser substituídos por leite e iogurte desnatados e por queijos brancos, ricota ou queijo de soja (tofu). Creme vegetal (margarina) pode ser uma alternativa à manteiga. As carnes vermelhas devem ser evitadas, e as brancas, consumidas de três a quatro vezes por semana. Óleos devem ser utilizados com moderação, com preferência para os de girassol, milho, oliva e soja. Frituras podem ser substituídas por alimentos assados, grelhados ou cozidos no vapor. Produtos como patês, creme de leite, chantilly, manteiga, maionese, gema de ovo e massas folhadas devem ser evitados, assim 14

como os alimentos embutidos, a exemplo de linguiça, salsicha, enlatados e salame. Alimentos com alta quantidade de sal também não devem fazer parte do cardápio. A preferência deve ser por temperos naturais. Praticar atividade física regularmente, com orientação médica: além de proporcionar sensação de bem-estar, a atividade física ajuda na manutenção do peso e na regulação dos níveis de colesterol, triglicerídeos e glicose. Para o bom funcionamento do coração, o peso deve estar sempre próximo do ideal, conforme a altura do paciente. Seguir as orientações da equipe de saúde, principalmente as relacionadas aos remédios utilizados, obedecendo rigorosamente as doses e horários das medicações prescritas. O tratamento não deve ser interrompido sem o conhecimento da equipe. Se houver efeitos colaterais ou reações inesperadas aos medicamentos, a equipe deve ser contatada. 15