Continuidade de uma função

Documentos relacionados
Limites e continuidade

A. Funções trigonométricas directas

Capítulo 1 Funções reais de uma variável 1.2 Funções trigonométricas inversas

3 Funções reais de variável real (Soluções)

A derivada da função inversa, o Teorema do Valor Médio e Máximos e Mínimos - Aula 18

3 Limites e Continuidade(Soluções)

Complementos de Cálculo Diferencial

Jaime Carvalho e Silva. Princípios de Análise Matemática Aplicada. Suplemento

1. FUNÇÕES REAIS DE VARIÁVEL REAL

Cálculo diferencial. Motivação - exemplos de aplicações à física

4 Cálculo Diferencial

Apresente todos os cálculos e justificações relevantes. a) Escreva A e B como intervalos ou união de intervalos e mostre que C = { 1} [1, 3].

CÁLCULO DIFERENCIAL E INTEGRAL I LMAC, MEBIOM, MEFT 1 o SEM. 2010/11 2 a FICHA DE EXERCÍCIOS - PARTE 2

T. Rolle, Lagrange e Cauchy

4 Cálculo Diferencial

Preparação para o Cálculo

Complementos de Cálculo Diferencial

Matemática I - 2 a Parte: Cálculo Diferencial e Integral real

Limite - Propriedades Adicionais

Trigonometria e funções trigonométricas. Funções trigonométricas O essencial

MatemáticaI Gestão ESTG/IPB Departamento de Matemática 28

Ana Carolina Boero. Página: Sala Bloco A - Campus Santo André

2. Tipos de funções. Funções pares e ímpares Uma função f é par se é simétrica em relação ao eixo y, isto é, f( x) = f(x).

MAT146 - Cálculo I - Derivada das Inversas Trigonométricas

Cálculo Diferencial e Integral I

Cálculo Diferencial e Integral I 1 o Sem. 2016/17 - LEAN, MEMat, MEQ FICHA 11 - SOLUÇÕES

Matemática Computacional I

Ficha de Problemas n o 6: Cálculo Diferencial (soluções) 2.Teoremas de Rolle, Lagrange e Cauchy

1. Polinómios e funções racionais

Exercícios - Propriedades Adicionais do Limite Aula 10

A derivada da função inversa

Derivada da função composta, derivada da função inversa, derivada da função implícita e derivada de funções definidas parametricamente.

Apresente todos os cálculos e justificações relevantes

0.1 Função Inversa. Notas de Aula de Cálculo I do dia 07/06/ Matemática Profa. Dra. Thaís Fernanda Mendes Monis.

Derivadas. Slides de apoio sobre Derivadas. Prof. Ronaldo Carlotto Batista. 21 de outubro de 2013

Funções reais de variável real.

Instituto Politécnico de Bragança Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Análise Matemática I 2003/04

FICHA 11 - SOLUÇÕES. b a f(x)g(x)dx b a g(x)dx M,

FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS E FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS INVERSAS

Trigonometria no Círculo - Funções Trigonométricas

1. Arcos de mais de uma volta. Vamos generalizar o conceito de arco, admitindo que este possa dar mais de uma volta completa na circunferência.

Exercícios de Cálculo Diferencial e Integral I, Amélia Bastos, António Bravo, Paulo Lopes 2011

1.1. Expressão geral de arcos com uma mesma extremidade Expressão geral de arcos com uma mesma extremidade

Módulo 3 FUNÇÕES (1ª Parte)

Estudo de funções. Universidade Portucalense Departamento de Inovação, Ciência e Tecnologia Curso Satélite - Módulo I - Matemática.

LISTA DE EXERCÍCIOS. Trigonometria no Triângulo Retângulo e Funções Trigonométricas

MATEMÁTICA MÓDULO 10 EQUAÇÕES E INEQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS 1. EQUAÇÕES TRIGONOMÉTRICAS BÁSICAS 1.1. EQUAÇÃO EM SENO. sen a arcsena 2k, k arcsena 2k, k

ATIVIDADES EM SALA DE AULA Cálculo I -A- Humberto José Bortolossi

Cálculo Diferencial e Integral I

Universidade Federal de Viçosa

Resolução dos Exercícios Propostos no Livro

Seno e cosseno de arcos em todos os. quadrantes

Elementos de Matemática I. Manuel Delgado e Elisa Mirra

Limites de Funções. Bases Matemáticas. 2 o quadrimestre de o quadrimestre de / 57

TECNÓLOGO EM CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS

CÁLCULO I. Figura 1: Círculo unitário x2 + y 2 = 1

ENSINO SECUNDÁRIO 11.º ANO. 1. Pela lei dos Senos, tem-se que: = 5. De onde se tem = Logo, a opção correta é a opção (C).

Capítulo II. Funções reais de variável real. 2.1 Conceitos Básicos sobre Funções. ( x)

cotg ( α ) corresponde ao valor da abcissa do

Propriedades das Funções Contínuas

CÁLCULO I. Figura 1: Círculo unitário x2 + y 2 = 1

MAT001 Cálculo Diferencial e Integral I

Exercícios de Cálculo p. Informática, Ex 1-1 Nas alíneas seguintes use os termos inteiro, racional, irracional, para classificar

MAT Aula 12/ 23/04/2014. Sylvain Bonnot (IME-USP)

Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Ciências Físicas e Matemáticas Departamento de Matemática. MTM Pré-cálculo

Cálculo Diferencial e Integral I

Trigonometria no Círculo - Funções Trigonométricas

( a) ( ) ( ) ( ) 1. A função m : x x x 2 tem por representação gráfica. A C 1 B D Seja f uma função definida em R.

Bases Matemáticas Continuidade. Propriedades do Limite de Funções. Daniel Miranda

MATEMÁTICA 3. Professor Renato Madeira. MÓDULO 4 Função injetora, sobrejetora, bijetora, par, ímpar, crescente, decrescente, limitada e periódica

Proposta de correcção

Maria do Carmo Martins. Novembro de /85

10. OUTRAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Capítulo II. Funções reais de variável real. 2.1 Conceitos Básicos sobre Funções. ( x)

Funções - Quarta Lista de Exercícios

Funções Trigonométricas. A função Seno. Função Seno. Função Seno: Propriedades. f : R R. = medida algébrica do. CD(f ) = R, Im(f ) = [ 1, 1].

Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Biomatemática/ Matemática I FOLHAS PRÁTICAS

Funções - Terceira Lista de Exercícios

Capítulo 5 - Funções Reais de Variável Real


Primitivação. A primitivação é a operação inversa da derivação.

Transcrição:

Continuidade de uma função Consideremos f : D f uma função real de variável real (f.r.v.r.) e a um ponto de acumulação de D f que pertence a D f. Diz-se que a função f é contínua em a se lim f x f a. x a Diz-se que a função f é contínua se f é contínua em qualquer ponto do seu domínio. Diz-se que f é contínua à direita em a se diz-se que f é contínua à esquerda em a se lim f x f a ; x a Da definição de limite segundo Cauchy, resulta que lim f x f a. x a f é contínua em a sse x : x D f x a f x f a Da definição de limite segundo Heine, resulta que f é contínua em a sse para qualquer sucessão x n, de elementos de D f, se x n a então f x n f a. Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 1

Prolongamento por continuidade Sendo f e g duas funções com domínios D f e D g, diz-se que g é um prolongamento de f (ou que f é uma restrição de g) se D f D g e x D f, f x g x. Diz-se que f é prolongável por continuidade a a, sendo a um ponto de acumulação de D f que não pertence a D f, se existe um prolongamento de f, com domínio D f a, contínuo em a. Proposição: Seja f : D f e a um ponto de acumulação de D f, com a D f. f é prolongável por continuidade a a sse existe (e é finito) lim f x. x a Neste caso, o prolongamento por continuidade de f a a é a função definida por g : D f a g x f x, se x D f lim f x, se x a x a Exemplo: O prolongamento por continuidade de g : definida por g x sinx x sinx x, se x 1, se x. é a função Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 2

Teoremas fundamentais das funções contínuas Se a, b D f, então diz-se que f é contínua no intervalo a, b se f é contínua em a, b, é contínua à direita em a e é contínua à esquerda em b. Teorema de Bolzano (ou do Valor Intermédio): Seja f : D f uma função contínua em a, b, com a b. Então, para qualquer k estritamente compreendido entre f a e f b, existe pelo menos um c a, b tal que f c k. Intuitivamente, uma função contínua num intervalo não passa de um valor a outro sem assumir todos os valores intermédios. Corolário 1: Se f é contínua no intervalo a, b e não se anula em algum ponto de a, b, então em todos os pontos de a,b a função f tem o mesmo sinal. Corolário 2: Se f é contínua no intervalo a, b e f a f b então f tem pelo menos um zero em a,b. Teorema de Weirstrass: Qualquer função contínua num intervalo a,b (fechado e limitado) tem máximo e mínimo nesse intervalo. Observação: Em qualquer um destes resultados, as condições são apenas condições suficientes; não são condições necessárias. Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 3

Propriedades das funções contínuas (relativamente às operações) Proposição: Se f,g são funções contínuas em a e k, então: as funções kf, f g, f g, f g e f são contínuas em a; se g a, as funções 1 g e f g são contínuas em a. Proposição: Se f é uma função contínua em a e g é contínua em f a, então g fécontínua em a. Teorema (continuidade da função inversa): Se f : I é uma função contínua e estritamente monótona em I, então: f é invertível em I; f 1 é estritamente monótona; f 1 é contínua. Observação: O facto de f ser estritamente monótona em I garante que f é injectiva em I. Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 4

Aplicação às funções trigonométricas inversas A função seno tem domínio econtradomínio 1, 1, é periódica (com período 2, é ímpar, anula-se em x k, com k ; não é injectiva nem sobrejectiva. Restringindo-a a,, temos a restrição principal do seno: 2 2 sen : 2, 1, 1, 2 que é contínua e estritamente crescente em,, logo 2 2 invertível e com inversa contínua e estritamente crescente em 1,1 : 1 - -1 1-1 - sen x arcsen x arcsen : 1, 1 2, 2 e y arcsen x sen y x y 2, 2 Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 5

A função coseno tem domínio econtradomínio 1, 1, é periódica (com período 2, é par e anula-se para x k 2, com k ; não é injectiva nem sobrejectiva. Restringindo-a a,, temos a restrição principal do coseno: cos :, 1, 1, que é contínua e estritamente decrescente em,, logo é invertível e a sua inversa é contínua e estritamente decrescente em 1,1 : π 1 π -1-1 1 cosx arccos x arccos : 1, 1, e y arccosx cosy x y, Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 6

A função tangente, definida por tgx cosx senx, tem domínio \ k : k e contradomínio, é periódica (com 2 período, é ímpar e anula-se em x k, com k ; não é injectiva mas é sobrejectiva: Restringindo-a a, 2 2 tangente, temos a restrição principal da tg : 2,, 2 que é contínua e estritamente crescente em,, logo é 2 2 invertível e a sua inversa é contínua e estritamente crescente em : - - tg x arctg x arctg : 2, 2 e y arctg x tg y x y 2, 2 Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 7

A função cotangente, definida por cotg x cosx senx, tem domínio \ k : k e contradomínio, é periódica (com período, é ímpar anula-se em x k, com k ; não é injectiva 2 mas é sobrejectiva: Restringindo-a a,, obtemos a restrição principal da cotangente: cotg :,, que é contínua e estritamente decrescente em,, logo é invertível e a sua inversa é contínua e estritamente decrescente em : π π cotg x arccotg x arccotg :, e y arccotg x cotg y x y, Ana Matos - AMI 7/8 (versão de 26 de Março 8) Acet. Continuidade 8