12/10/2015 NT 45/2015 Cisplatina mais docetaxel em carcinoma epidermóide pouco diferenciado, altamente agressivo (carcinoma de seio etmoidal estadio III T3 N1 M0) SOLICITANTE: Juiz Carlos José Cordeiro Juíz da 2ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia NÚMERO DO PROCESSO: 0702.13.081165-7 Ré: Unimed Uberlândia Cooperativa Regional de Trabalho Médico LTDA AUTOR: Mariza Zorzenoni Piconi SOLICITAÇÃO/ CASO CLÍNICO Dados extraídos do processo Paciente, com 45 anos, portadora de carcinoma epidermóide pouco diferenciado altamente agressivo, CID10 C 31.1 doença tecnicamente nomeada como carcinoma de seio etmoidal estadio III. Foi submetida à cirurgia Descrição das Tecnologias Cisplatina: é um agente antineoplásico, citotóxico, relacionado com os alquilantes e desempenha um papel importante no tratamento de diversos tipos de câncer, sendo utilizado na maioria dos protocolos de tratamento de diversas neoplasias, como por exemplo: testículos, ovários, garganta, bexiga, esôfago, entre outros. A cisplatina é um composto inorgânico, de coordenação planar, 1
que contém um átomo central de platina rodeado por dois átomos de cloro e dois grupos amônia. Docetaxel (taxotere): é uma substância semi-sintética derivada das agulhas das árvores do teixo (Taxus baccata). Por essa razão, pertence à família dos taxanos e ao grupo de medicamentos antineoplásicos chamado taxóides, no qual também, se inclui o paclitaxel (também denominado de taxol). SOBRE A DOENÇA E SEU TRATAMENTO Pergunta Clínica estruturada P- Paciente portadora de carcinoma epidermóide pouco diferenciado altamente agressivo, doença tecnicamente nomeada como Carcinoma de seio etmoidal estadio III. I Cisplatina + docetaxel C Outros esquemas de quimioterapia. O Sobrevida global, qualidade de vida. Dados clínicos e epidemiológicos Os tumores malignos nasossinusais são raros, correspondendo a menos de 3% dos cânceres de cabeça e pescoço e a 0,8% de todos os cânceres humanos. Aproximadamente 55% originam-se dos seios maxilares, 35% da cavidade nasal, 9% dos seios etmoidais e 1% dos seios frontais e esfenoidais. Nos EUA, a incidência de tumores de cavidade nasal é de menos de um caso em 100 mil pessoas por ano. Com exceção de tumores não-epiteliais, o câncer nasossinusal é uma patologia de adultos, sendo mais freqüente em homens após a 5a década de vida. 1 Os tumores dessa região apresentam-se geralmente com sintomas inespecíficos e comuns, inclusive, a patologias inflamatórias. Obstrução nasal (61,2%), epistaxe (40,8%), algia facial (39,2%) e infecção local (23,9%) são as queixas iniciais mais relatadas. Esse fato, aliado à baixa incidência dessas 2
lesões e, muitas vezes, à dificuldade do diagnóstico histopatológico, contribuem para o retardo do diagnóstico e do tratamento na maioria dos casos. 1 Grande quantidade de malignidades podem se desenvolver nos seios paranasais (maxilar, etmoidal, esfenoidal, frontal). 2 Ver Figura 1 abaixo. Figura 1 - anatomia dos seios paranasais Patologia: aproximadamente metade das malignidades dos seios paranasais são carcinomas de células escamosas, e a maioria dos restantes são carcinomas císticos adenoidianos, adenocarcinomas, angiosarcomas, ou carcinomas mucoepidermóides. Uma grande variedade de outros tumores pode ser originária dessa região, incluindo carcinoma indiferenciado, angiosarcomas, rabdomiosarcomas, linfomas, neuroblastomas olfatório, melanomas e meningeomas. 2 AVALIAÇÃO DA LITERATURA CIENTÍFICA Tratamento: Os cânceres dos seios paranasais apresentam alta tendência à recorrência na falta de radioterapia (RT) pós-operatória, mesmo que a ressecção seja completa. O uso da RT como terapia primária sem cirurgia é geralmente limitada a pacientes com doença irressecável, assim como para pessoas portadoras de comorbidades que as impeçam de ser submetidas a procedimentos cirúrgicos. No caso de tumores do seio etmoidal, a técnica cirúrgica depende da localização e tamanho da lesão. 2 3
A quimioterapia tem sido incorporada como componente de terapia multimodal com RT e/ou cirurgia de uma forma variada. 2 Entretanto, quimioradioterapia concomitantes são preferenciais, uma vez que a quimioterapia de indução antes da RT pode estar associada com um aumento de toxicidade, o que pode limitar a adesão do paciente e retardar ou impedir a realização de terapia local definitiva. Além disso, a utilização de quimioterapia de indução quer isoladamente ou seguida de radioterapia concomitante pode induzir resistência cruzada a subsequente RT ou radioquimioterapia. 3 Múltiplos ensaios clínicos têm demonstrado que três combinações de fármacos de cisplatina, 5-fluorouracil (PF), além de um taxano é o método preferido para a quimioterapia de indução. 3 Ensaios clínicos randomizados subsequentes mostraram que a adição de um taxano (docetaxel, paclitaxel) ao esquema PF de indução aumentou a eficácia da quimioterapia de indução utilizada com a terapia de radiação (RT) sozinha ou com quimiorradioterapia concomitante. 4 8 CONCLUSÃO A paciente é portadora de doença rara, com prognóstico reservado, já foi submetida à ressecção cirúrgica e necessita de quimioterapia de indução com cisplatina mais docetaxel na continuidade de seu tratamento. A literatura recomenda quimioradioterapia de indução com cisplatina e um taxano, baseado em ensaios clínicos fase III. Perguntas: a) É indicado tratamento de quimioterapia com o medicamento cisplatina mais docetaxel? Sim b) Referido tratamento é experimental?não c) Referido tratamento traz risco para aquele que é submetido? Todo tratamento quimioterápico tem um grau de toxicidade d) Existe comprovação de eficácia do aludido tratamento? Sim 4
e) Existem outros medicamentos regulados pela ANS com a mesma ou maior eficácia do que a cisplatina e o docetaxel? Não REFERÊNCIAS 1. Araújo R de P, Gomes ÉF, Menezes DB de, Ferreira LM de BM, Rios AS do N. Tumores nasossinusais raros: série de casos e revisão de literatura. Rev Bras Otorrinolaringol. 2008;74(2):307-314. 2. Stenson KM, Haraf DJ. Paranasal sinus cancer. uptodate All Top are Updat as new Evid becomes available our peer Rev Process is Complet Lit Rev Curr through Sep 2015 This Top last Updat Nov 04, 2014. 2015. 3. Brockstein BE, Vokes EE EA. Locally advanced squamous cell carcinoma of the head and neck: Approaches combining chemotherapy and radiation therapy. uptodate All Top are Updat as new Evid becomes available our peer Rev Process is Complet Lit Rev Curr through Sep 2015 This Top last. 2015. 4. Hitt R, López-Pousa A, Martínez-Trufero J, et al. Phase III study comparing cisplatin plus fluorouracil to paclitaxel, cisplatin, and fluorouracil induction chemotherapy followed by chemoradiotherapy in locally advanced head and neck cancer. J Clin Oncol. 2005;23(34):8636-8645. doi:10.1200/jco.2004.00.1990. 5. Posner MR, Hershock DM, Blajman CR, et al. Cisplatin and fluorouracil alone or with docetaxel in head and neck cancer. N Engl J Med. 2007;357(17):1705-1715. doi:10.1056/nejmoa070956. 6. Lorch JH, Goloubeva O, Haddad RI, et al. Induction chemotherapy with cisplatin and fluorouracil alone or in combination with docetaxel in locally advanced squamous-cell cancer of the head and neck: long-term results of the TAX 324 randomised phase 3 trial. Lancet Oncol. 2011;12(2):153-159. doi:10.1016/s1470-2045(10)70279-5. 7. Pointreau Y, Garaud P, Chapet S, et al. Randomized trial of induction chemotherapy with cisplatin and 5-fluorouracil with or without docetaxel for larynx preservation. J Natl Cancer Inst. 2009;101(7):498-506. 5
doi:10.1093/jnci/djp007. 8. Vermorken JB, Remenar E, van Herpen C, et al. Cisplatin, fluorouracil, and docetaxel in unresectable head and neck cancer. N Engl J Med. 2007;357(17):1695-1704. doi:10.1056/nejmoa071028. 6