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Transcrição:

Red Econolatin www.econolatin.com Expertos Económicos de Universidades Latinoamericanas BRASIL Janeiro 2014 Profa. Anita Kon PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO - PROGRAMA DE ESTUDOS PÓS- GRADUADOS EM ECONOMIA POLÍTICA. 1. SITUACIÓN ECONÓMICA ACTIVIDAD ECONÓMICA A economia brasileira no último trimestre do ano mostrou desempenho fraco, apesar das festas do fim de ano. No Natal, as vendas do comércio tiveram baixo crescimento, como resultado da queda no poder de compra, encarecimento do crédito, endividamento em alta e confiança do consumidor em baixa. Os analistas consideram que a capacidade de estimular a economia por meio do consumo, com a redução de impostos, chegou ao limite. Apenas o comércio eletrônico teve crescimento considerável. A confiança do empresariado também foi reduzida, pois ainda no trimestre anterior, de julho a setembro os investimentos haviam decrescido, tendo em vista que o juro mais alto, o crédito mais escasso e a imprevisibilidade quanto à economia. A indústria perdeu participação no Produto Interno Bruto Nacional desde o terceiro trimestre do ano, e por esse motivo o polo industrial brasileiro situado na cidade de São Paulo, também perdeu espaço no PIB do país diante da perda de participação da indústria na produção nacional. As perspectivas de crescimento da economia em 2013 feita pelos empresários industriais decresceram para 2,3%. SECTOR EXTERIOR O saldo comercial brasileiro no mês de dezembro registrou superávit baixo e a corrente de comércio em comparação come igual período do ano anterior apresentou queda de 0,2%, pela média diária. Em virtude da

desvalorização da moeda nacional no último trimestre, as exportações registraram crescimento não significativo de 0,5% em relação ao mesmo período de 2012 e as importações se retraíram em 1%. Na busca de proteção contra essa desvalorização do real o saldo das aplicações de brasileiros em ações e renda fixa no exterior cresceu e até outubro o volume era 14% superior ao do mesmo período de 2012 e o maior em dez anos. O governo editou uma medida para dificultar os gastos de turistas brasileiros no exterior, elevando a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras sobre as compras em outros países com cartões de débito e cheques de viagem, além dos saques de moeda estrangeira. Os gastos dos brasileiros no exterior estão em expansão contínua o que está entre as causas do déficit do país nas transações de bens e serviços com o resto do mundo, uma das principais fragilidades da economia nacional. Esse déficit nas transações de bens e serviços, em alta contínua nos últimos anos, torna o país dependente de capital externo e mais vulnerável aos esperados efeitos da tendência de alta do dólar, já iniciada neste ano. SECTOR PÚBLICO Y POLÍTICA FISCAL Tendo em vista a baixa taxa de crescimento da economia, o governo aumentou seus gastos para estimular consumo e investimento, aumentando sua participação na economia. Estes gastos se dirigiram a pagamento de pessoal, programas sociais, custeio e investimentos, não incluindo os encargos da dívida pública, também como medida para o ano eleitoral de 2014. É esperado que o ano de 2013 tenha terminado com gastos de 19,2% do PIB. Dessa forma, o governo tem empregado em sua administração parcelas crescentes dos recursos disponíveis no país, elevando em taxa recorde a participação do governo federal na economia. Por outro lado, uma série de receitas extraordinárias de tributos atrasados levou a arrecadação recorde em novembro, porém a tendência é de que se descontadas as receitas extraordinárias, que não se repetirão daqui para a frente, o crescimento da receita cai para 4%. Dessa forma, para reforçar o caixa, governo eleva IPI de veículos, de móveis e de outros produtos, que durante muitos meses estiveram rebaixados. A expectativa do governo é que, apesar da elevação do imposto, a medida não traga impactos para os preços dos carros, pois os estoques estão muito elevados. A carga tributária brasileira está muito elevada, em 35,85% da renda, incluindo os tributos federais, estaduais e municipais, apesar de que o governo não tem elevado as alíquotas dos principais tributos nos últimos anos e, ao contrário, alguns impostos e contribuições têm sido reduzidos na tentativa de estimular a produção industrial e o consumo. No entanto, a arrecadação tem crescido mais que o Produto Interno Bruto, devido principalmente à tributação sobre a renda do trabalho, entre outros fatores.

EMPLEO No mês de novembro, último dado publicado a criação de vagas formais no mercado de trabalho brasileiro caiu e o saldo já é o menor desde 2003. No acumulado do ano de 2013 a geração de vagas se situou em 1,547 milhão de postos de trabalhos, o menor saldo para o período desde 2003. Em dezembro, tradicionalmente há uma retração das vagas por causa das demissões de trabalhadores temporários no comércio. Para 2014, o ministro do Trabalho espera um aumento na criação de empregos por causa do incremento dos investimentos em infraestrutura no país. O resultado de novembro foi puxado pela criação de vagas no comércio e nos serviços, desde que a indústria de transformação perdeu 34 mil postos de trabalho, e a agricultura, 33 mil postos em novembro. A taxa de desocupação chegou a 4,6%, o menor patamar da série, em novembro, por causa da redução no número de pessoas dispostas a trabalhar. Esta taxa é calculada para seis regiões metropolitanas investigadas, Apesar de ser o menor valor da série histórica da pesquisa que foi iniciada em março de 2002, esta taxa não deve ser confundida com a taxa de desemprego do país, tendo em vista que se refere a todas as formas de ocupados, sejam do mercado formal ou informal, sejam empregados ou por conta própria, e reflete apenas as regiões metropolitanas pesquisadas, sem abranger a zona rural. Por outro lado, a saída de pessoas do mercado de trabalho derrubou a taxa. Os especialistas consideram que a migração de mais pessoas para a inatividade pode ter várias razões, entre as quais o fato de que empregados temporários já acertaram suas contratações, mas não começaram efetivamente a trabalhar. O desalento é outro motivo, ou seja, o desestímulo para procurar emprego diante de um cenário econômico difícil, ou ainda a saída temporária do mercado de trabalho em razão do final de ano. POLÍTICA MONETARIA E INFLACIÓN O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial da taxa de inflação brasileira, encerrou 2013 com alta de 5,91%. Os preços dos alimentos foram os que mais pressionaram o índice. Mas como a meta anual do governo é de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado anual ainda se situou dentro da margem acima da meta, embora os resultados tenham ficado bem acima da expectativa. De acordo com o IBGE, em 2013 a principal pressão veio do aumento do setor de Alimentação e Bebidas, com alta acumulada de 8,48%. Este resultado foi muito considerável apesar de que o governo havia promovido forte redução no valor das tarifas de energia elétrica e, em meados do ano, o aumento dos preços do transporte público foi revogado

em várias capitais após intensas manifestações populares. Por sua vez, alguns preços administrados ficaram sem aumento, e os preços de energia elétrica residencial fecharam o ano com queda de 15,7%. Mas os preços de Transportes, apesar da revogação da alta das tarifas, ainda subiu 3,3% no ano e este setor mostrou a maior variação mensal no ano e também em dezembro de 2013, com alta de 1,85%. Em novembro, o Banco Central decidiu aumentar a taxa de juros oficial Selic de 9,5% para 10% ao ano --a maior desde março de 2012, visando segurar a inflação que está em tendência ascendente e dessa forma o banco acena com a continuação de elevação da taxa de juros. MERCADOS FINANCIEROS No mercado financeiro brasileiro a inadimplência do consumidor subiu 1,7% em novembro, o segundo aumento após quatro quedas mensais seguidas. A orientação dos investimentos financeiros no Brasil está mudando, pois a poupança passou a ser uma modalidade pouco atrativa e os investidores estão dirigindo seus investimentos para fundos atrelados à inflação e a fundos imobiliários. Além disso, os investimentos em ações, moedas e títulos no exterior, particularmente nos Estados Unidos, tem aumentado consideravelmente e em 2013, o saldo destas aplicações atingiu 14% acima em comparação com 2012. Grandes investidores, empresas e pessoas físicas, estão buscando proteção contra a desvalorização do real comprando ativos em dólar. Isto se dá tendo em vista a recuperação dos países desenvolvidos e a perspectiva de que, passada a crise, o crescimento de suas economias poderá ser mais vigoroso do que o brasileiro. Na Bolsa de Valores, houve queda de 15,5% dos investimentos em 2013, embora os fundos de ações livres, alternativa para o pequeno investidor que aplica em Bolsa, tenham terminado o ano com ganho de 1,1%. Os fundos cambiais, por sua vez, foram a aplicação mais rentável de 2013, favorecidos pela alta de 15,46% do dólar à vista no período. De um modo geral, na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), houve uma desvalorização acumulada de 18% neste ano, porém houve um grupo de papéis que subiu mais de 40%, que se referem aos recibos brasileiros de ações de empresas americanas, como Apple e Google, chamados de BDR (Brazilian Depositary Receipts). Esses papéis correspondem a comprovantes registrados no Brasil de ações de empresas negociadas nos EUA e cotados em reais e equivalem às ações das companhias americanas.

TIPO DE CAMBIO O Banco Central tem feito intervenções no mercado de câmbio brasileira para interferir na alta do dólar e o governo anunciou que estas intervenções no mercado de câmbio vão ser prorrogadas para 2014, o que foi bem recebido pelos investidores e o dólar caiu depois de sete dias seguidos em alta. O programa de leilões do BC no mercado foi iniciado em agosto e tem sido fundamental para evitar a oscilação brusca do dólar, embora fatores externos pressionem a moeda americana para cima, como por exemplo as dúvidas dos investidores sobre quando terá início a redução dos estímulos econômicos nos Estados Unidos, pois com o fim dos incentivos, menos recursos estariam disponíveis para as aplicações e menor entrada de dólares no mercado brasileiro, fazendo o preço da moeda americana subir. O BC anunciou que vai reduzir oferta diária de dólares para segurar a cotação da moeda, e a oferta passará de US$ 3 bi para US$ 1 bi por semana em 2014. Por outro lado, uma desvalorização do real tem o efeito de encarecer os importados e elevar a inflação, o que pode se dar em pleno ano eleitoral de 2014. As empresas importadoras ou com dívida externa assim podem se proteger de uma eventual desvalorização do real, reduzindo as tensões no mercado ("hedge cambial"). O governo aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras em compras feitas com cartões pré-pagos no exterior, de 0,38% para 6,38%, mas acredita que isso não deve interferir na cotação do dólar. Como os preços no Brasil estão mais altos para bens que podem ser comprados lá fora, consumidores devem buscar outras formas de gastar no exterior, como o dinheiro em espécie. A expectativa é que o efeito dessa alta do IOF interfira na conta de viagens do país, ou seja, nos saldo de gastos de brasileiros no exterior menos gastos de estrangeiros no Brasil, que teve aumento de 20% só em 2013, desde que o saldo na conta turismo representa quase um quarto do deficit em transações correntes do país 2. PERSPECTIVAS ECONÓMICAS Tendo em vista que a economia brasileira estagnou no terceiro e quarto trimestres do ano, tendo em vista a do dólar, as manifestações nas ruas, e o descrédito com as contas do governo, as perspectivas para o crescimento do PIB em 2014 foram revistas para baixo, situando-se em 2,3% no ano. As previsões sugerem que no ano de 2014 se repetirá a frustração dos últimos dois anos de baixo crescimento. As perspectivas são também de que haja riscos adicionais como a aceleração da inflação com a progressiva alta do dólar. Outro fator que pode reduzir o crescimento é o possível rebaixamento

da nota do Brasil pelas agências de risco em decorrência da perda de credibilidade fiscal. Além do mais, espera-se que a receita do governo se reduza com as desonerações efetuadas no final de 2013 para reativar a economia, mas os resultados ainda não apareceram. O mercado elevou a expectativa para a inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo, de 5,72% ao ano em 2013 para 5,97% em 2014. 3. SITUACIÓN POLÍTICA O governo brasileiro está preocupado em fechar um acordo comercial entre o MERCOSUL e a União Europeia, visando maior abertura do mercado europeu para compras vindas destes países sul americanos. Para o Brasil o acordo com a UE é visto como tábua de salvação para a economia, tendo em vista o elevado déficit de manufaturados, a forte concorrência da China e barreiras impostas por outros países sócios do MERCOSUL. Em outubro de 2014 haverá eleições para presidentes e governadores estaduais e a situação política se articula em torno da preparação de candidaturas e programas eleitorais. No governo federal, dez Ministros de governo deixarão o governo em janeiro para participarem das eleições e os partidos parceiros do governo estão discutindo a continuidade de seu apoio ao partido governamental e também a candidatura à substituição destes Ministros. A Reforma Ministerial e os preparativos para a eleição estão assumindo o foco da política brasileira na conjuntura.