Página 1 de 5 1 de Setembro, 2011 Impresso por ANDERSON JACKSON TOASSI DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS COMPRADAS NAS OPERAÇÕES COMERCIAIS 1 - Introdução Nas relações comerciais as operações de devolução e retorno de mercadorias são bastante comuns. Podem existir várias razões para que uma empresa receba em devolução mercadorias anteriormente vendidas: a) problemas de qualidade; b) especificações técnicas; c) demora na entrega entre outros. Neste trabalho, vamos abordar os aspectos contábeis da devolução das mercadorias compradas. 2 - Apuração do custo das mercadorias De acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 16, toda empresa, seja ela tributada pelo Lucro Real, Presumido ou optante pelo Simples Nacional deve efetuar o levantamento e à avaliação dos estoques. Os estoques existentes na data do encerramento do período de apuração poderão ser avaliados pelo custo médio ponderado de aquisição, produção ou pelo custo dos bens adquiridos ou produzidos mais recentemente (FIFO OU PEPS). Admite-se, ainda, a avaliação com base no preço de venda, subtraída a margem de lucro. No Brasil o método mais utilizado é a avaliação do estoque pelo custo médio de aquisição, apurado em cada entrada de material, ponderado pelas quantidades adicionadas e pelas anteriormente existentes. A empresa que avaliar seus estoques pelo custo médio, em relação as devoluções de compra de materiais, a baixa do estoque será efetuada mediante a identificação do preço unitário da entrada correspondente e dos respectivos gastos complementares agregados ao estoque, tais como fretes e seguros. Desta forma, todos os gastos necessários para a colocação da mercadoria no estabelecimento, devem ser registrados contabilmente em conta transitória e acrescidos ao estoque ao final do mês, mediante critério de rateio. Portanto, quando da devolução os gastos que foram agregados ao estoque, como fretes e seguros, deverão ser retirados dos estoques na proporção das respectivas unidades devolvidas e contabilizados como despesa operacional. Pode acontecer em alguns casos em que os gastos complementares são arcados pelo fornecedor, neste caso o registro contábil será contra o fornecedor, no Passivo Circulante, se o saldo dessa conta suportar o valor do débito, ou em conta própria, no grupo de Contas a Receber no Ativo Circulante. Base Legal: arts. 292 a 298 do RIR/99; Resolução CFC nº 1.170/2009 (CPC16). 3 - Frete Cabe ressaltar que em algumas situações na devolução da mercadoria ou produtos comprados, o frete é suportado pelo fornecedor, e outras em que o comprador arca com os gastos do frete para a devolução das mercadorias adquiridas. Esses gastos deverão ser registrados no resultado do período em que ocorreu a devolução. Quando o comprador arcar com gastos de fretes para o envio das mercadorias devolvidas ao
Página 2 de 5 fornecedor, o valor desse frete será tratado como despesa operacional. Na operação de devolução, o valor é retirado do estoque, assim, os gastos complementares necessários a essa operação não têm relação com a sua formação e devem figurar no resultado do período. Base legal: Resolução do CFC nº 750/1993, alterada e consolidada pela Resolução CFC nº 1282, DE 28.05.2010 (DOU DE 02.06.2010), que trata dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. 4 - Contabilização dos Tributos sobre o Frete Temos tributos incidentes sobre o frete referente às compras de produtos e mercadorias, desta forma devemos contabilizar corretamente tais tributos. 4.1 - ICMS sobre o Frete De acordo com algumas normas referentes ao ICMS, existem Estados que o ICMS incidente sobre o frete de mercadorias compradas está sujeito ao regime de substituição tributária e em outros o valor do ICMS está incluso na nota de conhecimento ou da fatura. Desta forma, quando o ICMS estiver sujeito ao regime de substituição tributária, o tomador do serviço é responsável pelo pagamento do imposto estadual, e o valor do imposto não faz parte do conhecimento de carga ou da fatura do transportador. Para efeito de contabilização do ICMS no regime de substituição tributária sobre o frete, sugerimos o seguinte lançamento: C - ICMS a Recolher - Passivo Circulante 4.2 - PIS e Cofins sobre o Frete Em relação ao PIS/PASEP e COFINS, podem existir situações em que o frete compõe o custo de mercadorias e produtos na aquisição. Desta forma, as empresas tributadas pelo lucro real sujeitas ao PIS/PASEP e COFINS não cumulativo poderão descontar créditos das referidas contribuições sobre os bens adquiridos para revenda e sobre os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto no caso de contratação de frete quando o transportador seja pessoa física, que neste caso a empresa não terá direito ao crédito das referidas contribuições. Portanto, o valor do frete deve ser contabilizado em conta de estoque já líquido do PIS/PASEP e da COFINS. Desta forma, o valor a ser transferido do estoque, por ocasião da devolução, estará pelo valor líquido de PIS e Cofins. Para efeito de contabilização do PIS e Cofins sobre o frete, sugerimos o seguinte lançamento, para empresas sujeitas ao PIS e Cofins não cumulativos: C - Fretes a Pagar - Passivo Circulante 4.3 - Operação sem Regime de Substituição Tributária de ICMS sobre o Frete Quando não existir o regime de substituição tributária, a obrigação de recolher o ICMS sobre o frete é do prestador do serviço (o valor do imposto está embutido no valor do conhecimento ou da fatura). Desta forma o valor no estoque é registrado pelo valor líquido do frete deduzido do ICMS destacado no documento fiscal e das contribuições do PIS/PASEP e COFINS. Para este caso sugerimos a seguinte contabilização:
Página 3 de 5 C - Fretes a Pagar (valor total da fatura ou conhecimento) - Passivo Circulante Cabe salientar que nas duas situações, o valor do frete é agregado ao estoque líquido do ICMS e, por ocasião da devolução, o valor a ser transferido do estoque também não conterá esse imposto. Base legal: art. 289, 1º do RIR/99; art. 3º, I e II da Lei nº 10.637/2002; art. 3º, I e II da Lei nº 10.833/2003; Resolução do CFC nº 750/1993, alterada e consolidada pela Resolução CFC nº 1282, DE 28.05.2010 (DOU DE 02.06.2010), que trata dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. 4 - Contabilização da Devolução das Mercadorias Compradas Quando da aquisição de mercadorias para revenda pela pessoa jurídica que apura o PIS/PASEP e COFINS pelo regime não-cumulativo e adota o custo médio como critério de avaliação dos estoques, considerando que o frete foi contratado pelo adquirente, a contabilização deve ser feita como segue: a) pela aquisição da mercadoria para revenda: C - Fornecedores - Passivo Circulante b) nos gastos efetuados com o frete pago a pessoa jurídica considerando que a pessoa jurídica compradora está sujeita ao regime não cumulativo de PIS e Cofins o crédito das referidas contribuições sobre o valor do frete que compõe o custo da mercadoria adquirida deve ser contabilizado como segue: C - Fretes a pagar- Passivo Circulante c) quando da devolução das compras com base no preço de aquisição das mercadorias, conforme nota fiscal de devolução, e que neste caso a legislação do Pis e Cofins determina que seja feito estorno dos créditos das referidas contribuições descontados no momento da aquisição, a contabilização deve ser efetuada como segue: D - Fornecedores -Passivo Circulante C - Estoque de Mercadorias -Ativo Circulante C - ICMS a Recolher -Passivo Circulante C - PIS/PASEP a Recuperar - Ativo Circulante O frete incorrido por ocasião da compra não ressarcido pelo fornecedor, deve ser transferido para uma conta de despesa, e os créditos de PIS/PASEP e COFINS, devem ser estornados, assim, sugerimos o seguinte lançamento: D - Despesa com Frete -Conta de Resultado C - Estoque de Mercadorias -Ativo Circulante C - PIS/PASEP a Recuperar - Ativo Circulante O frete para entrega da mercadoria em devolução ao fornecedor D - Despesa com Frete - Conta de Resultado D - ICMS a recuperar - Ativo Circulante C - Fornecedor - Passivo Circulante Base Legal: art. 289, 1º do RIR/99; art. 3º, I e II da Lei nº 10.637/2002; art. 3º, I e II da Lei nº 10.833/2003; Resolução do CFC nº 750/1993, alterada e consolidada pela Resolução CFC nº 1282, DE 28.05.2010 (DOU DE 02.06.2010), que trata dos Princípios Fundamentais de Contabilidade.
Página 4 de 5 5 - Registro de Estoques O registro de estoques pode ser feito em livros, fichas ou formulários contínuos emitidos por sistema de processamento de dados, cujos modelos são de livre escolha da empresa. Na ficha de estoque, por exemplo, existem para fins de controle as colunas referentes a data, histórico, entradas de mercadorias, saídas, e saldos. Desta forma, nessa ficha, a devolução das mercadorias adquiridas, em vez de estar computada nas saídas, deve ser registrada negativamente na coluna das entradas. Assim, a soma das entradas corresponde às compras líquidas, e a soma das saídas equivale ao valor do custo das mercadorias vendidas, na contabilidade. Base Legal: Parecer Normativo do CST nº 06/1979; Resolução do CFC nº 1.170/2009. 6 - Empresa que não Possua Controle Permanente de Estoques Para empresas que não possuem um controle permanente de seus estoques devem utilizar o inventário final e avaliar o estoque pelo preço das últimas compras, já deduzido dos impostos recuperáveis (ICMS, PIS, COFINS), acrescido dos gastos complementares incorridos para a colocação das mercadorias no estabelecimento, as quais serão registradas em conta do grupo transitório de compras, que pode ser aberto em subcontas específicas para mercadorias, fretes, seguros entre outras. Quando da devolução das mercadorias adquiridas deverá haver o estorno de eventuais créditos de PIS/PASEP e COFINS descontados no momento da aquisição conforme Lei nº 10.637/2002, art. 3º, I e II, e pela Lei nº 10.833/2003, art. 3º, I e II (com as alterações promovidas pela Lei nº 10.865/2004). Estas normas legais prevêem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda e sobre os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto nos casos em que o transportador seja pessoa física que neste caso o contribuinte não tem o direito de crédito da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP. Para esta situação sugerimos os seguintes lançamentos contábeis de devolução de compra: Conforme a nota fiscal de devolução, onde deverão estar contido as informações referentes ao preço unitário pelo qual a mercadoria deu entrada no estabelecimento e que compreende a baixa dos estoques, de fornecedores e dos impostos indiretos, o registro na conta de fornecedores seria pelo valor total da nota fiscal, e no estoque pelo valor líquido dos impostos indiretos destacados na nota fiscal, assim como do PIS/PASEP e da COFINS, que foram recuperados por ocasião da entrada da mercadoria no estabelecimento: D - Fornecedores -Passivo Circulante C - Impostos a Recolher - Passivo Circulante C - Estoque - Ativo Circulante Base legal: art. 3º, I e II da Lei nº 10.637/2002; art. 3º, I e II da Lei nº 10.833/2003; Parecer Normativo do CST nº 6/1979; Resolução do CFC nº 1.170/2009; Resolução do CFC nº 750/1993, alterada e consolidada pela Resolução CFC nº 1282, DE 28.05.2010 (DOU DE 02.06.2010), que trata dos Princípios Fundamentais de Contabilidade.. 7 - Devolução de Mercadoria Comprada em Exercício Anterior Para empresas não fazem o controle permanente de estoques, as contas transitórias utilizadas para o registro das compras e de outros gastos inerentes aos estoques, por ocasião do encerramento do exercício, serão zeradas, transferindo-se uma parcela do saldo para o resultado como Custo das Mercadorias Vendidas (CMV) e outra para o estoque, com base no estoque final apurado no inventário. Desta forma, o custo das mercadorias bem como outros gastos inerentes as compras efetuadas no exercício anterior ficam registrados no estoque, e o custo das mercadorias e outros gastos de compras feitas no exercício em curso ficam registrados em conta transitória. Este procedimento deve ser realizado por ocasião da devolução de compra para
:: ITC - Consultoria :: que a contabilização da baixa foque correta. Página 5 de 5 Na devolução de mercadorias compradas em exercício anterior, a baixa de outros gastos inerentes aos estoques são contabilizados como despesa operacional, consequentemente, a baixa do estoque terá como contrapartida débito ao resultado do exercício em curso, uma vez que, apesar de as compras se referirem ao exercício anterior, a devolução é um fato novo e não caracteriza ajuste do exercício anterior. Base legal: Resolução do CFC nº 750/1993, alterada e consolidada pela Resolução CFC nº 1282, DE 28.05.2010 (DOU DE 02.06.2010), que trata dos Princípios Fundamentais de Contabilidade. Fim do documento