Connections with Leading Thinkers



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Transcrição:

Instituto de Alta Performance Connections with Leading Thinkers O empreendedor Gustavo Caetano discute oportunidades e desafios para start-ups inovadoras no Brasil.

Gustavo Caetano é presidente da Samba Tech, start-up que se tornou a maior plataforma de vídeos online na América Latina. Ele também é fundador e ex-presidente da Associação Brasileira de Start-ups. Armen Ovanessoff e Eduardo Plastino, do Instituto de Alta Performance da Accenture, o entrevistaram como parte de uma pesquisa sobre inovação na economia brasileira. 2 Instituto de Alta Performance da Accenture Copyright 2015 Accenture. Todos os direitos reservados.

IAPA: Você fala a diferentes públicos, tanto nacionais quanto internacionais, sobre o cenário da inovação no Brasil. Quais são os pontos que merecem destaque? CAETANO: A mensagem-chave é que as maiores inovações no Brasil virão de start-ups. As grandes empresas têm muita dificuldade para inovar. Algumas delas já me convidam para conversar, porque querem entender como podem inovar como uma start-up. Minha resposta é a seguinte: Se você realmente quer fazer isso, precisa encontrar uma maneira de trabalhar como uma start-up. IAPA: A colaboração entre grandes empresas e start-ups também é uma possibilidade? CAETANO: Certamente. A colaboração é fundamental para grandes empresas que buscam inovar. Nós, da Associação Brasileira de Start-ups, organizamos um evento chamado Pitch.Corporate, patrocinado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), um órgão do governo. Convidamos vinte start-ups para fazer pitches de cinco a dez minutos para grandes corporações. As grandes empresas adoram esse evento. A ideia não é promover a aquisição de start-ups ou atrair investimentos para elas. É criar um ambiente onde start-ups e grandes empresas conversem sobre como podem inovar juntas. A colaboração entre grandes empresas e start-ups com frequência é difícil, mas, lentamente, as coisas estão melhorando IAPA: Parece que este tipo de colaboração precisa de muito apoio para acontecer. CAETANO: No Brasil, as grandes empresas, de modo geral, não confiam nas pequenas para fazer uma série de trabalhos. Em parte, isso reflete uma questão cultural; muitas pessoas pressupõem que as grandes empresas sempre farão as coisas melhor do que as pequenas. É claro que nem sempre isso é verdade. Mas as coisas estão começando a melhorar. IAPA: O que acontece com outros tipos de colaboração entre empresa e universidade, por exemplo? CAETANO: A colaboração com as universidades é muito difícil tanto para as grandes quanto para as pequenas empresas. Você precisa conversar com muita gente, o que dificulta bastante. E as universidades não têm um modelo para dividir a propriedade intelectual resultante da parceria. Portanto, há muitas questões com as quais eles não sabem lidar. A boa notícia é que você não precisa restringir seu universo às fronteiras nacionais. Nós, na Samba Tech, temos uma parceria com o MIT desde 2007. Todos os anos, eles nos enviam quatro alunos de MBA para passar um tempo conosco. Este esquema é bom para os alunos, que ganham experiência internacional, e para nós, porque eles nos ajudam muito em diferentes áreas. IAPA: Perguntamos recentemente a executivos de economias desenvolvidas e emergentes como eles esperam levar seus negócios a novas áreas. Os brasileiros foram, de longe, os que mais disseram que preferem fazer isso com iniciativas internas, e estiveram entre os menos propensos a participar de alianças estratégicas e joint ventures. Como você vê isso? CAETANO: Essa cultura de construir as coisas inteiramente dentro de uma empresa cria uma série de dificuldades para as startups. Imagine que você é um empreendedor e mostra o seu produto a grandes empresas. Elas muitas vezes não têm nada parecido em seu portfólio, mas pensam que podem criá-lo. O que não entendem é que, muitas vezes, elas não têm as competências necessárias. 3 Instituto de Alta Performance da Accenture Copyright 2015 Accenture. Todos os direitos reservados.

O capital de risco brasileiro é conservador demais. IAPA: Você mencionou uma série de fatores que prejudicam a colaboração entre grandes empresas e start-ups. Quais são as principais dificuldades? CAETANO: A propriedade intelectual (PI) é um grande problema. As grandes empresas querem royalties para sua PI, é claro, mas elas precisam dividir esses royalties se desenvolverem algo em conjunto com uma start-up. E muitas vezes, elas querem ser as únicas detentoras dos direitos de propriedade intelectual. Outro aspecto fundamental é a confiança. Startup é sinônimo de risco. Ninguém sabe se uma start-up estará aqui no futuro próximo. Portanto, é compreensível que grandes empresas hesitem em se envolver com start-ups em projetos estratégicos. Além disso, a forma como grandes empresas e start-ups desenvolvem produtos é totalmente diferente. Grandes empresas tentam não falhar, e passam muito tempo trabalhando para desenvolver o melhor produto que puderem vender. Já as start-ups acreditam na ideia de falhar muitas vezes, porém de forma rápida e barata. É difícil construir confiança entre empresas tão diferentes. Porém, como eu disse, as coisas estão lentamente melhorando nesse aspecto. IAPA: Parece que uma questão central para as empresas estabelecidas e start-ups pode ser suas diferentes abordagens em relação ao risco. CAETANO: Com certeza. Para as grandes empresas, assumir riscos significa a possibilidade de perder muito dinheiro. Elas poderiam adotar uma abordagem de startup e dizer: Talvez possamos gastar menos dinheiro e, se tivermos de falhar em uma tentativa, que seja rápido. No entanto, em grandes empresas, se você falhar pode significar que você não é bom o suficiente, e você provavelmente será demitido. Nas startups, a resposta típica a uma iniciativa que deu errado é: Tudo bem, vamos fazer de novo e tentar melhorar. É, de fato, uma questão de cultura organizacional. IAPA: É possível diminuir esse abismo cultural? Caso seja, como fazê-lo? CAETANO: Possivelmente seja. Vou citar o exemplo do que fazemos na Samba Tech. Tentamos criar confiança por meio do depoimento de clientes existentes e da construção de nossa reputação. Em outras palavras, investimos muito em relações públicas, e usamos os depoimentos de clientes para vender nossos serviços aos que ainda não o são. Frequentemente, antes de as grandes empresas se tornarem nossos clientes, eu visito seus escritórios várias vezes. Seus executivos também nos visitam e veem como criamos produtos e gerimos nossos KPIs (indicadores-chave de desempenho). Converso com seus presidentes, explico a mentalidade das start-ups e falo sobre os benefícios, para eles, de dar passos em direção à nossa forma de trabalhar. Só então eles se tornam clientes. Ou seja, tentamos mudar as suas mentalidades. Antes de fazer uma venda, nós os ajudamos a repensar sua própria cultura. 4 Instituto de Alta Performance da Accenture Copyright 2015 Accenture. Todos os direitos reservados.

IAPA: As grandes empresas também te procuram quando identificam um problema? CAETANO: Muitas grandes empresas estão começando a perceber que precisam mudar, mas não sabem como. A velha maneira de pensar sobre inovação não funciona mais. Elas têm perdido talentos. Alguns de seus colaboradores estão saindo para trabalhar em start-ups ou para criar suas próprias start-ups. Porém, o que as faz mesmo perceber a necessidade de mudança é quando começam a perder parcela de mercado para empresas menores. IAPA: Claramente, cultura e mentalidade são cruciais. Você já observou também exemplos de sucesso nos quais as empresas implementaram processos, sistemas, hierarquias e outras estruturas mais formais que incentivaram a colaboração? CAETANO: Não temos muitas empresas no Brasil que se estruturam para isso. Geralmente, não é uma prioridade para os presidentes, porque eles vivem sob pressão para atingir metas de curto prazo. Enquanto isso, gerentes de nível médio querem começar uma revolução nesse sentido, porque sentem que a empresa não se mexe rápido o suficiente. Mas suas empresas não estão preparadas ou organizadas para essa revolução. IAPA: Como você vê o papel da comunidade de capital, incluindo capital de risco, no Brasil? CAETANO: O capital de risco no Brasil é conservador demais. Várias pessoas investem nos estágios que requerem capital semente ou investimento anjo. Mais adiante, no estágio da rodada A de investimento, você ainda consegue encontrar alguns investidores. Depois disso, as start-ups enfrentam uma barreira. É muito difícil encontrar investidores para as rodadas B, C e D. É por isso que não temos muitos IPOs ou aquisições de start-ups no Brasil. Essa situação cria um círculo vicioso. Os capitalistas de risco não investem mais no Brasil justamente porque há poucas saídas (IPOs ou aquisições por parte de grandes empresas). Nos EUA, você vê essas saídas o tempo todo. Nossos concorrentes em países como os EUA e Israel receberam investimentos da ordem de US$ 110 a 144 milhões; nós recebemos US$ 5 milhões. Mas, como eu disse, as grandes empresas no Brasil estão começando a mudar sua mentalidade. Estão percebendo que não é mais possível inovar muito internamente. Este pode ser o momento oportuno para que elas comecem a comprar start-ups. Talvez vejamos isso acontecer mais nos próximos anos. IAPA: Muito obrigado. Foi uma conversa muito interessante e útil. Gostaríamos de permanecer em contato com você e continuá-la. CAETANO: Seria um prazer. Obrigado. 5 Instituto de Alta Performance da Accenture Copyright 2015 Accenture. Todos os direitos reservados.

Como parte da missão do Instituto de Alta Performance da Accenture de desenvolver ideias e insights de ponta, seus pesquisadores conversam com frequência com líderes acadêmicos, executivos de empresas e analistas setoriais. A série Connections with Leading Thinkers inclui algumas dessas entrevistas, mostrando os bastidores das interações entre os pesquisadores e alguns dos experts mais renomados do mundo. www.accenture.com/institute Para mais informações, favor entrar em contato com: armen.ovanessoff@accenture.com e.plastino@accenture.com Sobre a Accenture A Accenture é uma empresa líder global em serviços profissionais, com ampla atuação e oferta de soluções em estratégia de negócios, consultoria, digital, tecnologia e operações. Combinando experiência ímpar e competências especializadas em mais de 40 indústrias e todas as funções corporativas - e fortalecida pela maior rede de prestação de serviços no mundo -, a Accenture trabalha na interseção de negócio e tecnologia para ajudar companhias a melhorar seu desempenho e criar valor sustentável para seus stakeholders. Com mais de 358.000 profissionais atendendo a clientes em mais de 120 países, a Accenture impulsiona a inovação para aprimorar a maneira como o mundo vive e trabalha. Visite www.accenture.com.br. Sobre o Instituto de Alta Performance da Accenture O Instituto de Alta Performance da Accenture desenvolve insights estratégicos acerca de questões essenciais de gestão e tendências macroeconômicas e políticas por meio de pesquisa e análise originais. Seus pesquisadores conjugam reputação global com a vasta experiência da Accenture em consultoria, tecnologia e outsourcing para produzir pesquisas e análises inovadoras sobre como as empresas alcançam e mantêm o alto desempenho. Visite-nos em www.accenture.com/institute Copyright 2015 Accenture Todos os direitos reservados. Accenture, seu logotipo e High Performance Delivered são marcas registradas da Accenture.