Maria da Conceição M. Ribeiro

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Transcrição:

Maria da Conceição M. Ribeiro

Segundo dados do IBGE, a hérnia de disco atinge 5,4 milhões de brasileiros. O problema é consequência do desgaste da estrutura entre as vértebras que, na prática, funcionam como amortecedores naturais do impacto entre elas. Dessa forma, a estrutura se desloca e comprime os nervos da região. Na herniação do disco intervertebral (ruptura do disco), o núcleo se encontra em protrusão para interior do anel, com subseqüente compreensão nervosa. Isto pode ocorrer devido a traumas, quedas, esforços, podendo desta forma a cartilagem de núcleo puposo.

Um disco herniado, acompanhado por dor pode ocorrer cm qualquer porção da espinha cervical, torácica (rasa) ou lombar. As manifestações clínicas dependem da localização, da rapidez do desenvolvimento e do efeito sobre as estruturas circunjacentes.

A maioria das herniações de discos lombares ocorre nos espaços L4-L5 ou 1,5-S1. O paciente queixa de dor na parte inferior do dorso, com espasmos musculares, acompanhadas por dor irradiante interna para um dos quadris e para a perna.

Ocorre nos interespaços C5-C6 c C6-C7. A degeneração do disco cervical pode causar lesões que danificam a medula espinhal e suas raízes. A dor e a rigidez podem ocorrer na nuca, no topo dos ombros e na região da escapula. Essa dor pode ser acompanhada por parestesia e dormência dos MMII.

Raios-X: simples de coluna permite evidenciar malformações associadas. Mielografia: serve para localizar a área de pressão e a heniação. TC: identifica pequenas protusões do disco. Sinal de Lasegue: com o paciente deitado levanta-se a perna afetada. Em presença de uma lesão aguda do disco, a perna só pode ser levantada até 30 graus ou 40 graus, em alguns casos até 10 graus, por causa da dor na região lombar ou na perna. Em paciente sem dor a perna é erguida a quase 90 graus.

1- Clínico o Medicamentoso: analgésicos, antiinflamatórios, relaxantes musculares. o Ortopédico: repouso absoluto em colchão firme. o Fisioterápico: aplicação de calor úmido para aliviar o espasmo muscular e a dor.

2- Cirúrgico o É realizado diante de um tratamento conservador não bem sucedido ou quando os déficits neurológicos aumentam (hiporreflexia, déficit de força muscular, hipotonia muscular).

Dissectomia: remoção dos fragmentos herniados ou expulsos do disco intervertebral. Laminectomia: remoção da lâmina para expor os elementos neurais do canal espinhal. Permite ao cirurgião inspecionar o canal espinhal, identificar e remover processos patológicos e aliviar a compressão medular e das raízes.

Cirurgia endoscópica percutânea o O procedimento é feito com anestesia local e, em alguns casos, o paciente recebe alta no mesmo dia. o Por meio de uma incisão de cerca de 0,7 centímetro na região lombar, é inserida uma cânula até a região que apresenta o desgaste. o Durante o procedimento, uma solução de soro e antibióticos é utilizada diretamente na vértebra atingida esse é um dos motivos que tornam a cirurgia mais segura. o A taxa de ocorrência de infecção pósoperatória não chega a 1%.

Dor relacionada ao procedimento cirúrgico. Mobilidade física comprometida relacionada ao esquema cirúrgico pós-cirúrgico pós-operatório. Déficit de conhecimento sobre a evolução pós-operatório e manejo do cuidado domiciliar. Distúrbio do padrão de sono relacionado à ruptura do estilo de vida.

Devemos tranqüilizar o paciente de que a cirurgia na debilitará a coluna. Qualquer queixa de dor, parestesia e espasmo muscular são relatados para oferecer parâmetros de comparação pós-cirúrgica. Deve-se incluir a evolução do movimento nos membros, bem como a função intestinal e vesical.

Recebimento do paciente na unidade de centro cirúrgico, proporcionando-lhe um ambiente calmo. O principal cuidado durante uma cirurgia dc hérnia de disco consiste no posicionamento adequado da cabeça, devendo esta estar lateralizada para que não seja feita rotação severa. Posição de decúbito ventral. Proteger no paciente suas proeminências ósseas c região torácica abdominal (para hiperventilar caixa torácica). É importante deixar o paciente cateterizado, já que este não poderá ir ao banheiro ou usar comadre. Após a cirurgia, retirar o paciente "em bloco".

Verificar sinais vitais. Inspecionar a ferida, visto que a lesão vascular (hemorragia) é uma complicação comum da cirurgia de hérnia dc disco. Avaliar a coloração, temperatura das pernas e sensibilidade. Atentar para retenção urinária, pois é um sinal de possível piora neurológica (se não estiver sondado). A força motora dos MMII deverá ser avaliada a intervalos específicos com o objetivo de detectar algum déficit neurológico devido a uma lesão da raiz nervosa. É desestimulado a sentar-se, exceto para a defecação. Orientar quanto à dieta para evitar constipação. Estimular deambulação precoce. O leito deve ser mantido na posição horizontal e um travesseiro deve ser colocado entre suas pernas quando o paciente for virar-se (em bloco).