FUNDAMENTOS DA ECONOMIA



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Transcrição:

Aula 4 FUNDAMENTOS DA ECONOMIA 1.2.3 Noção de custo de oportunidade e de análise marginal A escassez de recursos leva os produtores a efetuar escolhas para produção de bens. Em um mundo de recursos limitados, a oportunidade de produzir um bem significa deixar de produzir outro. A escolha envolve ganhos e perdas. Assim, na Figura 1.3 e Tabela 1.1, constata-se que a renúncia ou custo de oportunidade de se produzir uma unidade adicional de alimentos, em termos de manufaturas, é crescente. Em outras palavras, custo de oportunidade é o valor de uma alternativa de ganho abandonada, em favor de uma outra alternativa que se retém. A Tabela 1.1 mostra as diferentes combinações de produtos manufaturados e alimentos que podem ser obtidos sobre a curva de transformação da Figura 1.3. Inicialmente, a economia pode produzir a combinação (0; 10,7), ou seja, nenhuma unidade de alimentos e 10,7 unidades de manufaturados. Desejando produzir uma unidade de alimentos, é necessário renunciar 0,1 unidade de manufaturados: a taxa marginal de substituição técnica é 0,1. Para produzir duas unidades de alimentos, a quantidade abandonada de produtos manufaturados sobe para 0,4. Observe que, para produzir unidades adicionais de alimentos, as quantidades sacrificadas de produtos manufaturados aumentam; em outras palavras, o custo de oportunidade é crescente, ao se passar de uma combinação produtiva para outra. Tendo em vista que cada uma das combinações sobre a FPP é tecnicamente eficiente, a sociedade escolherá uma delas em função dos preços dos produtos e das quantidades desejadas de cada um deles. Do ponto de vista microeconômico, uma empresa enfrenta, em seu dia-a-dia, problemas semelhantes. Muitas vezes, ela precisa decidir quais produtos produzir e em que quantidades. Os preços e as quantidades do mercado darão a resposta, pois a suposição é de que o empresário age racionalmente, isto é, ele procura economizar os fatores escassos, com o fim de maximizar lucros. Assim, se durante um dia de trabalho a máquina pode produzir um conjunto de peças A valendo R$ 20 mil, ou outro conjunto de peças B no valor de R$ 15 mil, obviamente ele irá preferir o conjunto A. O custo de oportunidade da máquina será de R$ 15 mil. Muitas vezes, no entanto, a escolha não ocorre assim de modo tão radical; normalmente, a firma irá produzir um pouco de cada conjunto, preferindo sempre o que proporcionar maior lucro. A decisão do empresário dependerá da análise marginal que efetuar, a partir de sua equação fundamental, dada por: Lucro total = receita total - custo total A análise marginal estuda as repercussões sobre o lucro total, a partir dos efeitos sobre a receita total (preços x quantidades) e o custo total (custo médio x quantidades). Assim, tem-se que: Prof. Drd. Marcos Rambalducci 12

Variação do Lucro total = receita marginal - custo marginal A receita marginal é definida como a receita proporcionada pela venda de uma unidade adicional do produto. O custo marginal é o custo da produção de uma unidade adicional do produto. Com o preço de R$ 10 e o custo marginal igual a R$ 8, a variação do lucro total será R$ 2. Portanto, é vantajoso para a firma produzir e vender essa unidade adicional. A importância da análise marginal é intuitiva. A firma continuará a produzir unidades adicionais do produto até o ponto em que o custo marginal for igual ao preço. Este será o ponto de equilíbrio da produção da firma. Obviamente que, com mais de um produto, os cálculos ficam mais complicados, mas o princípio será o mesmo. 1.3 MODELO SIMPLIFICADO DO SISTEMA ECONÔMICO A economia decidirá o quê, quanto, como e para quem produzir em função da demanda dos consumidores, da disponibilidade de recursos e da dotação tecnológica. Nas economias de mercado, essas respostas são fornecidas pela concorrência e pelo sistema de preços. Nas economias centralmente planificadas, essas decisões competem ao órgão central de planificação, enquanto nas economias mistas, cabe tanto às empresas estatais e ao plano central indicativo, como às empresas privadas. 1.3.1 Fluxo circular de produto e renda em uma economia de mercado Em uma economia de mercado, é a livre concorrência entre os produtores e entre os consumidores que estabelece os preços pelos quais os produtos serão vendidos. Nessas economias, um grande número de produtores e de consumidores encontra-se no mercado, procurando vender e comprar bens e serviços a determinados preços. É mediante o sistema de preços, funcionando automaticamente, a partir das ações dos produtores e consumidores, que serão determinadas as quantidades de cada bem e serviço a serem produzidas e levadas ao mercado no período seguinte. Quando os consumidores procuram maiores quantidades de determinado bem, seu preço sobe, sinalizando ao produtor uma relativa escassez do mesmo. Então ele aumenta a produção, visando obter um lucro maior ao vender por um preço mais alto. Quando os consumidores reduzem as quantidades demandadas, restam estoques não vendidos do produto e seu preço cai. Isso indica a necessidade de reduzir sua produção. Se o preço cair muito, a produção do bem poderá anular-se. Em um sistema capitalista, produtos desaparecem todos os dias do mercado e outros surgem. A introdução de um novo produto no mercado é altamente compensadora, pois a novidade permite altos preços e grandes lucros. Após algum tempo, porém, com o surgimento de produtos similares concorrentes, seu preço reduz-se. Isso aconteceu com o microcomputador, com o videocassete e com a maioria dos produtos domésticos que hoje possuem uso generalizado. O sistema de preços é válido tanto para o mercado do produto, como para o mercado de fatores. Um torneiro mecânico, por exemplo, deseja empregar-se com o maior salário possível. Sendo escassa a oferta de torneiros, os produtores estarão dispostos a pagar Prof. Drd. Marcos Rambalducci 13

salários relativamente altos. Com bons salários, pessoas entram nessa profissão e os salários tendem a cair. Em dado momento, existirá um preço (ou salário) de equilfbrio no mercado, o que determinará uma quantidade demandada também de equilíbrio. Esse equilíbrio se estabelece por tentativa e erro, ou seja, por aumentos e reduções de quantidades ofertadas e demandadas. O funcionamento de um sistema econômico simplificado, em que foram excluídos, por razões didáticas, o Governo, o setor financeiro e o setor externo. Dois grandes agentes estão envolvidos: de um lado as empresas, englobando os três grandes setores da economia (primário, secundário e terciário, encarregados de reunir os recursos produtivos, a fim de produzir bens e serviços, mediante determinada tecnologia, para atender à demanda dos consumidores; de outro lado, encontram-se as famílias, o público em geral, cujos indivíduos são os proprietários dos fatores de produção (terra, trabalho, capital e capacidade empresarial). a) setor primário; abrange as atividades que se realizam próximas às bases dos recursos naturais, ex. atividade agrícola, pesqueira, pecuária, extrativismo. b) Setor secundário; inclui atividades industriais, mediante as quais são transformados os bens. c) Setor terciário ou de serviços; reúne as atividades direcionadas a satisfazer necessidades de serviços produtivos que não se transformam em material, ex. comércio, transportes, saúde, sistema financeiro, segurança, educação, lazer. Mercado é toda instituição na qual bens e serviços, assim como os fatores de produção são trocados livremente. são as unidades consumidoras e proprietárias dos fatores de produção e os oferece as unidade de produção compostas por. Firmas são as organizações que realizam a combinação dos fatores de produção e produzem bens e serviços. Com base na ação dos agentes econômicos, família e firma, formam-se dois mercados reais da Economia: a) mercado de fatores de produção compostos por terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial; b) mercado de bens e serviços finais que são todos os bens disponibilizados pelas firma. A integração desse dois mercados pelos agentes econômicos forma o fluxo real da Economia, com suas respectivas ofertas e demandas. Prof. Drd. Marcos Rambalducci 14

Fluxo real da Economia demanda Mercado de bens e serviços oferta oferta Mercado de fatores de produção demanda ofertam fatores de produção e demandam bens e serviços. Empresas demandas fatores de produção e ofertam bens e serviços. Para que haja fluxo real entre os dois mercados é preciso a presença da moeda que é utilizada para remunerar os fatores de produção e pagamento dos bens e serviços vis preço. Deste modo, paralelamente ao fluxo real da Economia temos o fluxo monetário. Fluxo monetário da Economia Pagam. de bens e serviços Remun. de fatores de produção Unindo os fluxos real e monetário da Economia temos o chamado fluxo circular de renda: Fluxo circular de renda Demanda de Bens e serviços Mercado de bens e serviços Oferta de bens e serviços O que e quando produzir Para quem produzir Oferta de serviços dos fatores de produção Mercado de fatores de produção Como produzir Demanda de serviços dos fatores de produção Prof. Drd. Marcos Rambalducci 15

Em cada um dos mercados atuam conjuntamente as forças da oferta e da demanda, determinando preço. Assim, no mercado de bens e serviços formam-se os preços dos bens e serviços, enquanto no mercado de fatores de produção são determinados os preços dos fatores de produção (salários, juros, alugueis, lucros, royalties, etc). Esse fluxo, também chamado de fluxo básico, é o que se estabelece entre famílias e empresas. O fluxo completo incorpora o setor público, adicionando-se o efeito dos impostos e dos gastos públicos ao fluxo anterior, bem como o setor externo, que inclui todas as transações com mercadorias, serviços e o movimento financeiro com o resto do mundo. Prof. Drd. Marcos Rambalducci 16