Principais temas para provas Gastroenterologia vol. 1 SIC CLÍNICA CIRÚRGICA
Autoria e colaboração José Américo Bacchi Hora Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em Cirurgia Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde foi preceptor da disciplina de Coloproctologia. Lúcia Cláudia Pereira Barcellos Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Especialista em Gastroenterologia e em Endoscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE-SP). Título de especialista em Gastroenterologia pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). Título de especialista em Endoscopia pela Sociedade Brasileira de Endoscopia (SOBED). Fabio Colagrossi Paes Barbosa Graduado em Medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Residente em Cirurgia Geral pela Santa Casa de Campo Grande e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (ISCMSP). Mestre e doutor em Cirurgia pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP). Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), do Colégio Brasileiro dos Cirurgiões (CBC) e do Capítulo Brasil da International Hepato-Pancreato-Biliary Association (IHPBA). Professor adjunto de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFMS e professor titular da Universidade Anhanguera-Uniderp. Coordenador da Residência Médica em Cirurgia Geral do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul. Rafael Izar Domingues da Costa Graduado em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE). Especialista no Programa Avançado de Cirurgia Geral pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Rodrigo Biscuola Garcia Graduado pela Faculdade de Ciência Médicas de Santos (FCMS). Especialista em Cirurgia Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo (HSPM-SP). Médico dos Hospitais São José e Sírio-Libanês. Eduardo Bertolli Graduado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Especialista em Cirurgia Geral pela PUC-SP. Título de especialista em Cirurgia Geral pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC). Especialista em Cirurgia Oncológica pelo Hospital do Câncer A. C. Camargo, onde atua como médico titular do Serviço de Emergência e do Núcleo de Câncer de Pele. Título de especialista em Cancerologia Cirúrgica pela Sociedade Brasileira de Cancerologia. Membro titular do CBC e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Instrutor de ATLS pelo Núcleo da Santa Casa de São Paulo. Fábio Carvalheiro Graduado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Especialista em Cirurgia Oncológica pelo Instituto do Câncer Dr. Arnaldo Vieira de Carvalho (IAVC) e em Cirurgia Geral pela Santa Casa de São Paulo. Allan Garms Marson Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Cirurgia Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo HC-FMUSP, onde foi preceptor em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia. Marcelo Simas de Lima Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Cirurgia Geral, em Cirurgia do Aparelho Digestivo e em Endoscopia Digestiva pelo HC-FMUSP. Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva. Rodrigo Ambar Pinto Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA). Especialista em Cirurgia Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde foi preceptor em Cirurgia do Aparelho Digestivo e Coloproctologia. Fellow em Coloproctologia e especialista em Fisiologia Anorretal pela Cleveland Clinic, Flórida. Rogério Bagietto Graduado pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Especialista em Cirurgia Geral pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Cirurgia Oncológica pelo Hospital do Câncer de São Paulo. Yeda Mayumi Kuboki Graduada pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP). Especialista em Cirurgia Geral pela Universidade de Santo Amaro (UNISA) e em Endoscopia Digestiva pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Médica da Emergência do Hospital do Câncer A. C. Camargo. Hélio A. Carneiro Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista em Cirurgia Oncológica pela Fundação Antônio Prudente (A.C.Camargo Cancer Center). Cirurgião geral e oncológico dos Hospitais Adventista, Paulistano e PREVENT.
Apresentação O ensino médico é desafiador por natureza, e o estudante que se decide pelos fascinantes caminhos da Medicina sabe disso. Fascínio advindo, em grande parte, justamente das inúmeras possibilidades e, até mesmo, obrigatoriedades que se abrem para esse aluno logo que ele ingressa no ensino superior, a ponto de ser quase impossível determiná-las ou mensurá-las. Dessa rotina faz parte, por exemplo, um inevitável período de aulas práticas e horas em plantões de vários blocos, não só o responsável por grande parte da experiência que determinará a trajetória profissional desse aluno, como também o antecedente imediato do seu ingresso em um programa de Residência Médica que seja referência, no mínimo, em todo o país o que exigirá dele um preparo minucioso e objetivo. Esse é o contexto em que toda a equipe de conteúdo da Medcel, formada por profissionais das áreas pedagógica e editorial e médicos das mais diferentes especialidades, preparou a Coleção SIC Principais Temas para Provas. O material didático destaca-se pela organização e pelo formato de seus capítulos, inteiramente voltado à interação, com recursos gráficos e dicas sobre quadros clínicos, diagnósticos, tratamentos, temas frequentes em provas, leituras recomendadas e outros destaques, sem os quais o aluno não deve prestar nenhum exame. Tudo isso somado às questões ao final, todas comentadas a partir de uma estrutura que lhe permite identificar o gabarito de imediato. Com tudo isso, nossa equipe reforça o ideal de oferecer ao candidato uma preparação completa e lhe assegura um excelente estudo.
Índice Capítulo 1 - Anatomia e fisiologia do esôfago... 15 1. Anatomia...16 2. Fisiologia... 22 Resumo... 26 Capítulo 2 - Doença do refluxo gastroesofágico...27 1. Introdução... 28 2. Definição... 28 3. Fisiopatologia... 28 4. Diagnóstico...32 5. Tratamento clínico... 39 6. Tratamento cirúrgico...41 7. Complicações da doença do refluxo gastroesofágico...44 Resumo...48 Capítulo 3 - Afecções motoras do esôfago...49 1. Acalasia idiopática e megaesôfago... 50 2. Síndrome de Boerhaave... 59 3. Espasmo difuso do esôfago e esôfago em quebra-nozes... 61 4. Esclerose sistêmica... 65 Resumo... 66 Capítulo 4 - Outras afecções do esôfago...67 1. Anéis esofágicos... 68 2. Membranas esofágicas... 69 3. Divertículos de esôfago... 70 4. Síndrome de Mallory-Weiss...73 5. Estenose cáustica...74 6. Esofagite eosinofílica... 78 Resumo...80 Capítulo 5 - Câncer de esôfago...81 1. Introdução... 82 2. Fatores etiológicos... 82 3. Anatomia patológica... 83 4. Quadro clínico e diagnóstico... 85 5. Estadiamento... 87 6. Tratamento...90 Resumo... 98 Capítulo 6 - Anatomia e fisiologia do estômago... 99 1. Anatomia...100 2. Fisiologia... 106 Resumo... 112 Capítulo 7 - Dispepsia e Helicobacter pylori...113 1. Definições...114 2. Epidemiologia...114 3. Classificação... 115 4. Fisiopatologia... 116 5. Diagnóstico...118 6. Tratamento... 120 7. Helicobacter pylori... 121 Resumo...126 Capítulo 8 - Doença ulcerosa péptica...127 1. Introdução... 128 2. Epidemiologia... 128 3. Etiologia... 128 4. Úlcera gástrica...129 5. Úlcera duodenal... 138 6. Úlceras atípicas... 141 7. Complicações das úlceras pépticas... 142 Resumo... 146 Capítulo 9 - Tratamento cirúrgico da obesidade mórbida...147 1. Introdução... 148 2. Definição e classificação... 148 3. Indicação... 149 4. Técnicas operatórias... 151 5. Vias de acesso...157 6. Complicações pós-operatórias...157 7. Resultados...159
8. Cirurgia metabólica... 160 Resumo... 160 Capítulo 10 - Síndromes pós-operações gástricas... 161 1. Introdução...162 2. Deiscências e fístulas...163 3. Úlceras recidivadas... 164 4. Gastroparesia...165 5. Síndrome de dumping...165 6. Gastrite alcalina...167 7. Síndrome da alça aferente... 168 8. Síndrome da alça eferente... 168 9. Alterações nutricionais...169 10. Conclusão...169 Resumo... 170 Capítulo 11 - Neoplasia gástrica benigna e maligna... 171 1. Neoplasia gástrica benigna...172 2. Adenocarcinoma gástrico...174 3. Linfoma gástrico...192 Resumo...193 Capítulo 12 - GIST...195 1. Introdução...196 2. Patologia...196 3. Quadro clínico e diagnóstico...197 4. Tratamento... 198 Resumo... 200
Fábio Carvalheiro Eduardo Bertolli Yeda Mayumi Kuboki Rodrigo Biscuola Garcia Lúcia Cláudia Pereira Barcellos Hélio A. Carneiro Neste capítulo, faremos uma revisão da anatomia e fisiologia do esôfago. O esôfago é um órgão tubulomuscular que transporta o alimento deglutido até o estômago por meio da peristalse coordenada e tem constrições anatômicas relevantes: o esfíncter cricofaríngeo, a constrição broncoaórtica e a constrição diafragmática, além de diferir dos demais órgãos do trato gastrintestinal por não apresentar a camada serosa, fato de extrema relevância para os procedimentos cirúrgicos adotados na região, principalmente com relação a suturas e anastomoses, devido à maior incidência de complicações, como fístulas e deiscências. O esôfago pode ser dividido em proximal, médio e distal, o que lhe confere irrigação e drenagem venosa/linfática por diferentes vasos que se relacionam a diferentes regiões. Difere do restante do tubo digestivo por não apresentar um sistema marca- -passo e ritmo elétrico básico. O estímulo natural que ativa a sua musculatura é primariamente a deglutição e, secundariamente, a distensão de suas paredes. Os esfíncteres esofágicos, superior e inferior, mantêm-se contraídos e relaxam em resposta a estímulos específicos, que são descritos ao longo do capítulo. Esses assuntos normalmente são dados no ciclo básico da faculdade, mas acabam caindo no esquecimento; ainda assim, são cobrados com frequência razoável nas provas, o que justifica revê-los. 1 Anatomia e fisiologia do esôfago
16 sic gastroenterologia 1. Anatomia O esôfago é um órgão tubulomuscular que mede de 25 a 35cm de comprimento, com início próximo à cartilagem cricoide, ao nível de C6, e término em T11. Tem posição mediana, porém se inclina levemente para a esquerda, já na região cervical. O ponto de referência utilizado para medir a distância de lesões esofágicas é a Arcada Dentária Superior (ADS), e não o início do órgão. Desse modo, a medida obtida por endoscópio em adultos demonstra que a transição esofagogástrica está a cerca de 40cm dos dentes incisivos. Existem 3 pontos anatômicos críticos de estreitamento: o músculo cricofaríngeo, a constrição broncoaórtica e a junção esofagogástrica, que também são os locais mais comuns de perfuração iatrogênica e mecânica. A parede esofágica apresenta 4 camadas: mucosa, submucosa, muscular e adventícia, sem a camada serosa. A - Mucosa O revestimento esofágico consiste em epitélio escamoso estratificado não queratinizado. Contém, ainda, um pequeno número de outras células, incluindo células endócrinas argirófilas, melanócitos, linfócitos, células de Langerhans (macrófagos) e eosinófilos. Neutrófilos não estão presentes no epitélio sadio. Abaixo do epitélio está a lâmina própria, uma frouxa rede de tecido conectivo onde existem vasos sanguíneos e raros linfócitos, macrófagos e plasmócitos. Ela se protrai, a alguns intervalos, no epitélio, formando cristas papilares que representam menos de 50% da espessura do epitélio. A parte muscular da mucosa é uma fina camada de tecido muscular liso que separa a lâmina própria acima da submucosa. A transição esofagogástrica pode ser reconhecida pela presença da linha Z branca irregular, demarcando a interface entre a luz do esôfago e a mucosa gástrica avermelhada (epitélio cilíndrico). Ocorre no nível dos 2 últimos centímetros do esôfago, em nível intra-abdominal. Figura 1 - Histologia da parede esofágica: (L) luz do órgão; (EEp) epitélio estratificado; (M) Mucosa; (MM) Muscular da Mucosa; (GE) Glândulas Esofágicas; (Sm) submucosa; (MCi) camada muscular circular interna; (ML) camada muscular longitudinal externa
Fábio Carvalheiro Eduardo Bertolli Allan Garms Marson Yeda Mayumi Kuboki Rodrigo Biscuola Garcia Lúcia Cláudia Pereira Barcellos Hélio A. Carneiro Neste capítulo, serão discutidas outras afecções do esôfago, como os anéis e as membranas esofágicas, os divertículos, a síndrome de Mallory-Weiss, a estenose cáustica e FGHa esofagite eosinofílica. Os anéis e as membranas esofágicas são frágeis e finas estruturas que comprometem a luz esofágica parcial ou completamente. Os anéis esofágicos são mais bem visualizados pela seriografia de Esôfago, Estômago e Duodeno (EED); quando sintomáticos, causam disfagia. As membranas localizadas no esôfago cervical são mais frequentes e fazem parte da síndrome de Plummer-Vinson ou Patterson Kelly, caracterizando-se pela presença de uma tríade composta por membrana esofágica, disfagia e anemia ferropriva. Os divertículos são dilatações da parede do esôfago e são classificados em verdadeiros, falsos ou intramurais, a depender de sua localização, com tratamentos e prognósticos específicos. A síndrome de Mallory-Weiss caracteriza-se por lacerações longitudinais da mucosa no esôfago distal e no estômago proximal, usualmente associada a náusea e vômitos. A Endoscopia Digestiva Alta (EDA) é utilizada para a investigação e o tratamento de sangramento ativo. A estenose cáustica relaciona-se mais frequentemente a acidentes com crianças e tentativas de suicídio. As lesões podem ser classificadas em superficiais e profundas, e o quadro é de sialorreia e odinofagia. O tratamento agudo é sistemático, e a EDA é de extrema importância quando o paciente tem estabilidade. Já a esofagite eosinofílica está relacionada à presença de eosinófilos no esôfago. Os critérios diagnósticos são embasados em história clínica (disfagia, impactação alimentar), achados endoscópicos (esôfago em traqueia ) e histologia ( 15 eosinófilos/campo de grande aumento). Todas essas situações são comumente cobradas em concursos médicos no que tange ao diagnóstico diferencial entre elas e, logo, as condutas adequadas em cada situação. 4 Outras afecções do esôfago
68 sic gastroenterologia 1. Anéis esofágicos Os anéis e as membranas esofágicos são frágeis e finas estruturas que comprometem a luz esofágica parcial ou completamente. Os anéis esofágicos são mais bem visualizados pelo exame de Esôfago-Estômago- -Duodeno (EED) e são divididos em anéis A e B. Dica O anel de Schatzki costuma ser sintomático quando o diâmetro interno do anel é inferior a 13mm. Os anéis A, também conhecidos como musculares, são raros, usualmente vistos em crianças, a 2cm da junção escamocolunar e caracterizados por musculatura hipertrófica no corpo esofágico (corresponde à região mais forte do esfíncter esofágico inferior). O calibre varia durante a peristalse, distinguindo-os das estenoses pépticas ou do anel mucoso. Já os anéis B foram descritos por Schatzki como estruturas mucosas na transição anatômica esofagogástrica e que são macias, finas (<4mm na extensão axial) e cobertas por mucosa escamosa acima e epitélio colunar abaixo. Acometem mais adultos e idosos, e a etiologia não está totalmente definida, mas a causa mais provável seria a agressão repetida que o epitélio sofre durante a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE). Também está presente em jovens usuários de drogas. Os anéis de Schatzki estão quase sempre associados à hérnia hiatal e também apresentam associação a esofagite eosinofílica. A - Quadro clínico Geralmente são assintomáticos, sendo o anel B o mais comum e achado de exames na investigação para disfagia. Diagnóstico Uma técnica adequada do exame EED detecta os anéis esofágicos em 100% dos casos (Figura 2). Pacientes com luz esofágica com menos de 13mm normalmente apresentam disfagia para sólidos, entretanto anéis entre 13 e 20mm podem produzir disfagia, especialmente quando associados à hérnia hiatal de deslizamento. A disfagia é um sintoma importante e pode variar de sólidos a líquidos, mas principalmente a sólidos. Dor em queimação é outra queixa devida à provável associação a DRGE, além da impactação de alimentos sólidos no local do anel. B - Patogênese A patogênese dos anéis é controversa; DRGE ou origem congênita têm sido propostas. Também é descrita associação a esofagite eosinofílica; nesta, apresenta-se com múltiplos anéis. C - Diagnóstico Os estudos radiológicos e endoscópicos (Figura 1) são preferenciais no esclarecimento do diagnóstico complementar dos anéis. Em muitos casos, a endoscopia pode não identificar o anel, devendo ser sempre solicitado o exame contrastado. Outra observação é que, eventualmente, o paciente refere melhora da disfagia após o exame endoscópico. Figura 1 - Anel de Schatzki suficientemente apertado para causar disfagia Fonte: UpToDate.
Principais temas para provas Gastroenterologia vol. 1 QUESTÕES E COMENTÁRIOS SIC CLÍNICA CIRÚRGICA
Questões Gastroenterologia Anatomia e fisiologia do esôfago 2017 - ALBERT EINSTEIN 1. Um homem de 22 anos encontra-se em avaliação no pronto-socorro por dor torácica retroesternal intensa que o acordou de madrugada. A dor piora ao ingerir líquidos. O paciente tem antecedente de diabetes tipo 1, em uso de insulina, sem sinais de descompensação, e também usa doxiciclina para acne. O exame físico é normal, com exceção de acne na face. Qual é o diagnóstico para o caso? a) esofagite por Candida b) espasmo esofágico c) ruptura esofágica d) síndrome de Mallory-Weiss e) esofagite induzida por medicação Tenho domínio do assunto Reler o comentário Refazer essa questão Encontrei dificuldade para responder 2016 - UNICAMP 2. Um homem de 72 anos, com disfagia progressiva há 6 meses, anorexia e emagrecimento, foi diagnosticado com câncer de terço médio do esôfago. No estadiamento, detectou-se disseminação local com invasão da aorta e brônquio-fonte esquerdo, metástases ganglionares mediastinais e fígado. Qual é a justificativa para o comportamento agressivo desse tipo de câncer? a) estar localizado no terço médio do esôfago b) o tipo histológico mais comum ser o adenocarcinoma c) estar relacionado com o esôfago de Barrett d) a ausência da camada serosa do esôfago Tenho domínio do assunto Reler o comentário Refazer essa questão Encontrei dificuldade para responder c) durante a fase esofágica, após a passagem do bolo pelo esfíncter esofágico superior, a faringe retorna à sua posição normal e o tônus muscular do esfíncter diminui, prevenindo a regurgitação do alimento e a aerofagia d) durante a fase faríngea, o palato mole desce para vedar a nasofaringe, e simultaneamente a língua e a parede faríngea realizam a propulsão do bolo no sentido caudal; a seguir, a laringe é abaixada e puxada anteriormente debaixo da base da língua e) a fase faríngea é, talvez, a principal etapa da deglutição, pois envolve parte da cavidade oral, os músculos mastigatórios e os músculos intrínsecos e extrínsecos da laringe, em adição às estruturas próprias da faringe Tenho domínio do assunto Reler o comentário Refazer essa questão Encontrei dificuldade para responder 2016 - UFPA 4. Com relação à perfuração do esôfago, a causa mais comum é: a) arma de fogo b) arma branca c) endoscopia d) corpo estranho e) cirurgia Tenho domínio do assunto Reler o comentário Refazer essa questão Encontrei dificuldade para responder 2015 - UFRJ 5. A revelação de posicionamento anatômico normalmente encontrado dos ramos do nervo vago em nível esofagogástrico é: a) ramo esquerdo anterior; ramo direito posterior b) ramo esquerdo posterior; ramo direito anterior c) ramo esquerdo anterior; ramo direito anterior d) ramo esquerdo posterior; ramo direito posterior Gastroenterologia Questões 2016 - SMS-PR 3. Sobre a fisiologia da deglutição, é correto afirmar que: a) durante a fase preparatória oral, a função cortical, especificamente o lobo parietal, é importante nesse estágio, coordenando os estímulos motores dos pares cranianos, em que a raiz mandibular do nervo facial controla os movimentos mandibulares b) na fase oral, ocorrem vários movimentos de controle voluntário e movimentos involuntários, sendo que o controle sensorial durante essa fase da deglutição, junto aos 2 terços anteriores da língua, fica sob a responsabilidade do ramo sensitivo do nervo trigêmeo Tenho domínio do assunto Reler o comentário Refazer essa questão Encontrei dificuldade para responder 2014 - UFRJ 6. A transição de epitélio escamoso para epitélio juncional colunar no esôfago ocorre no nível do(a): a) linha Z b) triângulo de Killian c) área de Laimea d) colar de Helvetius Tenho domínio do assunto Reler o comentário Refazer essa questão Encontrei dificuldade para responder
Comentários Gastroenterologia Anatomia e fisiologia do esôfago Questão 1. Analisando as alternativas: a) Incorreta. O achado típico de monilíase esofágica é odinofagia ou dor à deglutição. A dor costuma estar localizada na área retroesternal e é mais comum em pacientes HIV positivo e naqueles com malignidades hematológicas. b) Incorreta. Apesar de o sintoma de dor torácica não explicada ser atribuído ao espasmo esofágico difuso, essa desordem da motilidade é relativamente rara. c) Incorreta. Trata-se da síndrome descrita pelo médico holandês Boerhaave, que compreende a ruptura esofágica secundária a aumento súbito da pressão intraesofágica combinada com pressão intratorácica negativa. É geralmente desencadeada pelo esforço intenso do vômito. O sintoma típico é de dor torácica após vômitos violentos. Há história de alcoolismo ou ingestão alcoólica pesada em 40% dos casos. Dor ocorre em 83%, vômito em 79%, dispneia em 39% e choque, em 32%. d) Incorreta. A síndrome de Mallory-Weiss se caracteriza por lacerações longitudinais da mucosa no esôfago distal e estômago proximal, usualmente associada a ânsia de vômito forçada e vômito. Frequentemente há sangramento oriundo das artérias submucosas, sendo a sua prevalência de 5% na hemorragia digestiva alta. e) Correta. Medicações podem induzir a anormalidades esofágicas por efeito sistêmico e por injúria mucosa direta. Tetraciclina, doxiciclina e clindamicina estão associadas a esofagite por seu efeito irritativo direto. Usualmente os sintomas são dor retroesternal ou pirose, odinofagia e disfagia. Gabarito = E Questão 2. Analisando as alternativas: a) Incorreta. A localização mais comum do carcinoma espinocelular é o terço médio do esôfago. O adenocarcinoma localiza-se no terço distal. b) Incorreta. O carcinoma espinocelular (CEC) e o adenocarcinoma são responsáveis por mais de 95% dos casos de tumores esofágicos malignos. Até há algum tempo, o carcinoma epidermoide, também conhecido como carcinoma espinocelular, era considerado o tipo mais comum; entretanto, estudos americanos apontaram incidência semelhante entre ele e o adenocarcinoma, mas os estudos mais recentes apontam que este é responsável por mais de 60% dos casos de câncer esofágico. Em contraste, no restante do mundo predomina o espinocelular (96% dos casos no Brasil). c) Incorreta. Dois fatores vêm sendo relacionados ao aumento da incidência do adenocarcinoma de esôfago: a obesidade (por aumentar o risco de doença do refluxo) e a doença do refluxo gastroesofágico (a maioria se origina da região onde há Barrett). d) Correta. É notório o comportamento biológico agressivo do câncer de esôfago, ao infiltrar-se localmente e acometer gânglios linfáticos adjacentes ou se metastizar amplamente pela via hematogênica. A ausência de serosa favorece a disseminação local do tumor. Por contiguidade, ocorre a invasão da árvore traqueobrônquica, da aorta e do pericárdio (fatores de irressecabilidade). Gabarito = D Questão 3. Analisando as alternativas: a) Incorreta. A fase oral voluntária da deglutição ocorre através da ativação dos centros corticais frontais. Os neurônios motores envolvidos na sequência da deglutição são principalmente o trigêmeo, facial, núcleo hipoglosso, núcleo ambíguo do vago e núcleo motor dorsal do vago. Os movimentos mandibulares são controlados pelo ramo mandibular no nervo trigêmeo. b) Incorreta. Durante a fase oral da deglutição, o bolo alimentar é movido voluntariamente na faringe; após isso, o processo se torna involuntário. Os 2 terços anteriores da língua são inervados pelo ramo sensitivo do nervo trigêmeo (ramo lingual). c) Incorreta. Durante a fase esofágica, após a passagem do bolo pelo esfíncter esofágico superior, a faringe retorna à sua posição normal e o tônus muscular do esfíncter aumenta, prevenindo a regurgitação do alimento e a aerofagia. d) Incorreta. Na fase faríngea da deglutição, ocorre o velamento das cavidades nasais pela elevação do palato mole, com limitação no tamanho do volume ingerido devido à aproximação das pregas palatofaríngeas. Já a laringe é elevada e anteriorizada pela ação da musculatura cervical, bem como há uma aproximação das pregas vocais. Desta forma, a epiglote fecha a laringe, direcionando o conteúdo ao esôfago. O músculo cricofaríngeo volta a se contrair, tendo início, neste momento, a fase esofágica da deglutição. Gastroenterologia Comentários