PSICOTERAPIA INFANTIL



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Transcrição:

PSICOTERAPIA INFANTIL Claudia Ribeiro Boneberg 1 Demarcina K. Weinheimer 2 Ricardo Luis V. de Souza 3 Ramão Costa 4 Me. Luiz Felipe Bastos Duarte 5 1 TEMA Psicoterapia psicanalítica infantil 1.1 DELIMITAÇÃO DO TEMA As principais teorias sobre a psicoterapia psicanalítica infantil. 2 INTRODUÇÃO O presente trabalho é projeto de pesquisa do curso de Psicologia e se constituirá em uma revisão bibliográfica acerca das principais teorias sobre a psicoterapia infantil. Na natureza todas as estruturas em seu início de formação apresentam-se mais frágeis, sendo isto verdadeiro também para o ser humano. A infância é um dos períodos de muitas transformações. O indivíduo constantemente se percebe esbarrando em novas situações de vida. As descobertas acontecem tanto em relação às transformações do próprio corpo, que vai sofrendo várias modificações em diversos níveis como também em relação às situações de vida que se apresentam. No mundo contemporâneo, as crianças tem acesso a muitas informações que se inovam a cada dia e que são oferecidas constantemente e de várias formas e vê-se a necessidade de se adaptar a essa nova realidade que se mostra. As crianças são muito exigidas em função do mundo em que vivemos e devem sempre estarem ocupadas com atividades que 1 Autora do Trabalho 2 Autora do Trabalho 3 Autor do Trabalho 4 Autor do Trabalho 5 Orientador do Trabalho

precisam cumprir e nem sempre sobra tempo para brincar, jogar, não conseguem serem crianças e sobrecarregam-se para serem aceitas pelos outros, principalmente pelos pais. Tantas responsabilidades podem prejudicar o desenvolvimento sadio das crianças e se a criança encontra-se também em meio de algum conflito, entre os pais, ou dentro da escola ou em outra situação específica, na tentativa de sobreviver ao desencontro consigo mesma, acabam adoecendo na tentativa de informar que algo não vai bem. Desta forma existe a necessidade de um processo psicoterapêutico para ajudar e assegurar um desenvolvimento emocional normal, a psicoterapia funciona como um facilitador do desenvolvimento da criança e é muito importante os pais estarem envolvidos e a partir deste processo as crianças podem descobrir outras maneiras de ver a realidade e formas de viver mais satisfatórias. Na psicoterapia com crianças o psicoterapeuta e a criança juntos descobrem o que está dificultando o desenvolvimento normal e com essas descobertas procuram maneiras da criança se posicionar no mundo. São realizadas sessões com os pais, pois estes trazem informações valiosas sobre a criança e também são orientados sobre todo o tratamento. A psicoterapia infantil além de ser recomendada para o tratamento de problemas específicos como a hiperatividade, a depressão, a mania, também auxilia a criança na escolha de seu próprio caminho, uma vez que os outros não poderão escolher sempre por ela. Independente do diagnóstico, do rótulo que carrega, a criança pode se redescobrir e diferente das críticas e das avaliações externas,consiga resolver seus conflitos emocionais. O trabalho mais importante da psicoterapia infantil é descobrir o que já existe, prestar atenção como a criança funciona, como ela lida com os seus conflitos, antes de impor mudanças radicais e a partir desse ponto poder executar mudanças para o bem-estar da criança. Neste projeto será realizada uma pesquisa bibliográfica, tendo como base livros e artigos acadêmicos sobre as principais teorias sobre a psicoterapia infantil e como é a terapia de crianças. 3 JUSTIFICATIVA Justifica-se o presente trabalho pela importância da pesquisa para a psicologia, porque a pesquisa é o elemento básico de qualquer ciência, seja em seu desenvolvimento, seja para sua continuidade, o que não difere quando se trata da Psicologia, porque através da pesquisa podemos conhecer melhor o ser humano e elaborar propostas de auxílio e intervenções junto

às pessoas, neste caso específico, às crianças que apresentam problemas relacionados a conflitos de ordem emocional. 4 PROBLEMA DE PESQUISA Quais são as principais teorias sobre a psicoterapia psicanalítica infantil? 5 OBJETIVOS 5.1 Geral Realizar uma pesquisa bibliográfica acerca das principais teorias sobre a psicoterapia psicanalítica infantil. 5.2 Específicos Compreender como é realizada a psicoterapia psicanalítica com as crianças. Pesquisar as principais teorias de diversos autores sobre a psicoterapia psicanalítica com crianças. Pesquisar qual é a relação entre o brincar e a psicoterapia psicanalítica infantil. Compreender qual o papel dos pais e/ou cuidadores na psicoterapia psicanalítica infantil. 6 REVISÃO TEÓRICA A psicoterapia com crianças pode ser definida como uma intervenção que visa atender problemas diversos, que causam estresse emocional, interferem no dia-a-dia da criança, dificultam o desenvolvimento das habilidades adaptativas e/ou ameaçam o bem-estar da criança e dos outros à sua volta (DEAKIN; NUNES, 2008). A psicoterapia infantil visa auxiliar a crianças e os pais e/ou cuidadores, quando algo não está bem no desenvolvimento emocional ou social da criança. Entende-se assim, a necessidade de um ambiente que proporcione momentos à criança e os pais e/ou cuidadores para que pensem suas relações, suas escolhas, suas dificuldades, seus sonhos, suas possibilidades; em um espaço protegido, no qual o indivíduo possa se experimentar, se escutar, sentir. Através da utilização de algumas técnicas que tem embasamento na psicologia, a criança pode se experimentar sendo ela mesma e, no relacionamento estabelecido em

terapia, que é uma analogia à relação com os outros, pode organizar seus conflitos vivenciados internamente, aproveitando sua fase de desenvolvimento com mais tranqüilidade (GARCIA, 2005). O processo psicoterápico com crianças abrange a avaliação e as três etapas de tratamento (inicial, intermediária e final), sendo que essas etapas se caracterizam pela forma e pelos conteúdos pelos quais a psicoterapia transcorre (CASTRO, 2009). Uma peculiaridade do tratamento nessa faixa etária consiste no fato do trabalho criativo envolver não apenas o paciente e o terapeuta, mas também os pais e, em alguns casos, outros familiares, a escola e demais profissionais que, porventura, acompanham o caso, o que contribui para aumentar a complexidade do processo (CASTRO, 2009). A técnica psicoterápica indicada para a criança é determinada pelo referencial teórico do terapeuta. Em psicoterapia de orientação analítica de crianças, um referencial possível é o da teoria kleiniana. Isto implica, como visto, na aceitação do uso dos brinquedos como um equivalente da associação livre do adulto, na convicção de que a criança estabelece uma relação transferencial desde o primeiro momento (CORDIOLI, 1998). Os trabalhos originais de Freud surgiram durante a análise de adultos, mas a natureza do seu descobrimento o conduziu a investigar os anos de infância, pois lhe pareceu claro que as primeiras causas do transtorno mental tinham sua fonte em fatores que atuaram durante as primeiras fases do desenvolvimento. Compreendeu que a criança não brincava somente com o que lhe era prazenteiro, mas também jogava repetindo situações dolorosas, elaborando assim o que era excessivo para seu ego (ABERASTURY, 1992). Na análise de crianças nos encontramos com resistências tão marcadas como na análise de adultos; manifestam-se como crises de angústia, como interrupção ou mudança de jogo, aborrecimento, desconfiança, variando com os casos e com a idade. As crises de ansiedade e medo são mais freqüentes em crianças pequenas (ABERASTURY, 1992). Outro aspecto que assume características particulares na psicoterapia de crianças é a questão da neutralidade. Há uma experiência clínica extensa que aponta para a dificuldade da manutenção da neutralidade. O terapeuta deve manter a neutralidade no intuito de não assumir a paternidade de seus pacientes, visto que alguns pais, por angústia ou sentimentos de incompetência, podem estar desejando delegar-lhe essa função. Deve estar alerta também para os riscos de ora identificar-se com os pais, ora com a criança, pois constantemente tanto a criança quanto os pais buscam, inconscientemente, um depositário para suas ansiedades. A atenção aos seus sentimentos contratransferenciais poderá ser de grande valia durante a avaliação e, mais ainda, durante o processo terapêutico (EIZIRIK et al., 2005).

É característico do comportamento infantil o brincar, por isso a psicanálise infantil tem a proposta de deixar a criança livre para se expressar da maneira que lhe convém, e provavelmente a criança irá brincar. Mesmo que o consultório não tenha brinquedos, ela faz de tudo um brinquedo, dessa forma, começa a se expressar brincando, através do brincar a criança irá expressar suas fantasias reprimidas, seu inconsciente. E, quando o brincar se dá de forma bizarra ou ele não aparece é sinal de que há alguma psicopatologia grave (MELO; SILVA; 2012). Quando na década de 1920, Melanie Klein começou a analisar crianças, lançou nova luz sobre o desenvolvimento primitivo da criança. Como ocorre freqüentemente no desenvolvimento científico, novas descobertas se seguem ao uso de uma nova ferramenta, ainda que possam, por sua vez, conduzir ao aprimoramento da ferramenta. No caso da análise de crianças a nova ferramenta foi a técnica de brincar (play technique). Inspirando-se nas observações de Freud (1920) quanto ao brincar da criança com o carretel, Melanie Klein viu que o brincar da criança poderia representar simbolicamente suas ansiedades e fantasias. Visto que não se pode exigir a crianças pequenas que façam associação livre, ela tratou seu brincar na sala de recreio do mesmo modo como tratou suas expressões verbais, isto é, como expressão simbólica de seus conflitos inconscientes (SEGAL, 1975). Melanie Klein obteve acesso à compreensão da estrutura interna da criança seguindo a transferência e o simbolismo do brincar desta. Essa compreensão do brincar da criança como sendo a simbolização de suas fantasias levou-a a se dar conta de que não apenas o brincar, mas todas as atividades da criança mesmo as mais realisticamente orientada - simultaneamente com sua função de realidade, serviram para expressar, conter e canalizar a fantasia inconsciente da criança através de meios de simbolização. O papel fundamental desempenhado no desenvolvimento da criança pela fantasia inconsciente e por sua expressão simbólica levou-a a ampliar e a reformular o conceito de fantasia inconsciente (SEGAL, 1975). A natureza mais primitiva da mente da criança torna necessário encontrar uma técnica analítica especialmente adaptada a ela, e isso nós encontramos na análise através do brincar. Por meio da análise do brincar, ganhamos acesso às fixações e experiências mais profundamente reprimidas da criança e tornamo-nos assim capazes de exercer uma influência radical sobre o seu desenvolvimento. A diferença entre este método de análise e o método da análise de adultos é, contudo, exclusivamente uma diferença de técnica e não de princípio (KLEIN, 1997).

A psicoterapia com crianças é uma intervenção que auxilia a resolver vários problemas que causam dificuldades emocionais e interferem no desenvolvimento normal da criança, ameaçando seu próprio bem-estar e das outras pessoas à sua volta. A psicoterapia infantil auxilia crianças e pais quando o desenvolvimento emocional ou social da criança não está bem. Neste momento, a criança e os pais têm um espaço para poder pensar sobre suas relações e suas dificuldades e através de algumas técnicas e no relacionamento que estabelece com o terapeuta pode organizar seus conflitos internos e com isto aproveitar melhor a sua fase de desenvolvimento. No processo de psicoterapia com crianças se faz a avaliação e o tratamento tem três etapas que são a inicial, intermediária e a final e se caracterizam pela forma pela qual a psicoterapia transcorre. A psicoterapia infantil é um tratamento mais complexo porque não envolve só a criança e o terapeuta, mas os pais, a escola e outros profissionais que porventura acompanham a criança. Em psicoterapia de orientação analítica de crianças, uma técnica psicoterápica é a teoria kleiniana, que utiliza o brincar como o equivalente da associação livre do adulto e também que a criança desde o primeiro contato estabelece uma relação transferencial. Nos trabalhos de Freud com adultos ficou claro que as primeiras causas do transtorno mental tinham sua fonte em fatores que aconteceram na infância e também Freud compreendeu que a criança não brinca só por prazer, mas ela repete o jogo repetindo situações que são dolorosas e com isto elabora o que é difícil e excessivo para ela. Na análise de crianças encontramos resistências que se manifestam no brincar como interrupção ou mudança de jogo, desconfianças, que variam de acordo com o caso e com a idade. Nas crianças pequenas as crises de ansiedade e o medo são as que mais aparecem. Na psicoterapia com crianças o terapeuta deve ser neutro, não deve assumir a paternidade dos pacientes e não deve se identificar com os pais porque tanto as crianças como os pais buscam inconscientemente que o terapeuta seja um depositário das suas ansiedades. A psicanálise infantil tem a proposta de deixar a criança livre para se expressar e a criança se expressa brincando e é através do brinquedo que a criança expressa seus sentimentos reprimidos, seu inconsciente. E quando isto acontece de forma bizarra é sinal que existe alguma psicopatologia.

Melanie Klein descobriu uma nova ferramenta para atender crianças que é a técnica de brincar, porque não se pode exigir que uma criança pequena faça associações livres e com o brincar a criança expressa simbolicamente seus conflitos emocionais. Melanie Klein compreendia a estrutura interna da criança através da transferência e do brincar. Não apenas o brincar, mas todas as atividades da criança serviam para expressar as suas fantasias inconscientes. Na análise do brincar acessamos as experiências mais reprimidas da criança e com isto podemos exercer uma influência sobre o seu desenvolvimento. Existem várias situações que os pais podem identificar como sendo necessária a psicoterapia para as crianças, por exemplo crianças que sofrem muito para aceitar mudanças; como trocar de escola e fazer novas amizades, separação dos pais ou aceitar que os pais terão outro filho, se a criança demonstra através do comportamento e das reações as suas dificuldades, os adultos que estão ao redor percebem que algo está estranho e precisam buscar a intervenção de um psicólogo. Crianças que apresentam comportamentos de medo excessivo, choro freqüente e até uma certa agressividade demonstram que algo não está bem e que precisam de ajuda, na psicoterapia infantil o psicólogo vai propor jogos e brincadeiras que ajudam a criança comunicar que existem situações que estão causando preocupações, a criança vai se comunicar com o psicólogo através da forma como ela vai construindo suas brincadeiras, os encontros com o psicólogo duram em média cinqüenta minutos. Os pais e toda a família tem um papel central no tratamento psicológico da criança, em primeiro lugar são os pais que reconhecem quando algo não está bem, depois os pais procuram ajuda do profissional, na primeira consulta geralmente o psicólogo chama os pais da criança e é através dela que os pais contam o que está acontecendo de diferente com a criança, e é também através dos pais que o psicólogo fica sabendo das situações do dia-a-dia da criança e o que pode estar acontecendo que está causando problemas para a criança, os pais também são responsáveis em levar a criança semanalmente às sessões e de zelar que a criança compareça de forma pontual. Durante todo o tratamento os pais são chamados para informar o psicólogo como o tratamento tem progredido e para receber algumas orientações de como agir com a criança nos momentos críticos, o psicólogo não deve passar sermões nos pais mas fornecer auxílio para a melhora da criança. Os motivos que levam as crianças a fazerem um tratamento psicológico são os problemas emocionais que geram conflitos e impedem a criança a ter um desenvolvimento saudável, existem muitos fatores que ocasionam estes problemas emocionais e com o

tratamento psicológico a criança tem a possibilidade de ter uma infância mais tranqüila e se tornar um adolescente e depois um adulto emocionalmente mais seguro e satisfeito. A psicoterapia infantil objetiva auxiliar a criança a reconhecer e conseguir superar os seus problemas emocionais, ajudar a criança a desenvolver estratégias saudáveis para tolerar as suas limitações e também aprender a lidar com os seus deveres e com as suas faltas. Principais ideias dos autores pesquisados sobre a psicoterapia infantil: Quadro 1 Autores e Principais Ideias Autor Principais Ideias Castro, 2009 Peculiaridades do tratamento: Trabalho com as crianças envolve os pais, outros familiares, escola e demais profissionais aumentando a complexidade do processo terapêutico. Cordioli, 1998 Técnica psicoterápica indicada para a criança é determinada pelo referencial teórico do terapeuta. Aberastury, 1992 Na análise de crianças, as resistências manifestam-se como crises de angústia, crises de ansiedade e medo. Eizirik et al., 2005 Característica particular na psicoterapia de crianças: neutralidade. O terapeuta deve manter a neutralidade durante o processo terapêutico. Klein, 1997 Compreendeu a estrutura interna da criança seguindo a transferência e o simbolismo do brincar, o brincar da criança simboliza suas ansiedades e suas fantasias. Fonte: Elaborado pelos autores 7 METODOLOGIA 7.1 Tipo de Pesquisa Pesquisa Bibliográfica A Pesquisa Bibliográfica é a busca de informações bibliográficas, seleção de documentos que se relacionam com o problema de pesquisa (livros, artigos, trabalhos, teses, etc ) e o respectivo fichamento das referências para que sejam posteriormente utilizadas.

No sentido amplo, a pesquisa bibliográfica é entendida como o planejamento globalinicial de qualquer trabalho de pesquisa, o qual envolve uma série de procedimentos metodológicos, configurados em etapas de trabalho. A pesquisa bibliográfica tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre determinado tema. A pesquisa bibliográfica compreende oito fases distintas: escolha do tema, elaboração do plano de trabalho, identificação, localização, compilação, fichamento, análise e interpretação e redação. 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABERASTURY, A. Psicanálise da criança: teoria e técnica. Porto Alegre: Artmed, 1982 CASTRO, M. G. K. Crianças e adolescentes em psicoterapia: a abordagem psicanalítica. Porto Alegre: Artmed, 2009. CORDIOLI, A. Psicoterapias: abordagens atuais. Porto Alegre: Artmed, 1998. DEAKIN, E. K.; NUNES, M. L. T. Investigação em psicoterapia com crianças: uma revisão. Rev Psiquiatr RS [on-line], n. 30, v. 1 (supl.), 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rprs/v30n1s0/v30n1a03s0.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2012. EIZIRIK, C. L.; AGUIAR, R. W.; SCHESTATSKY, S. S. et al. Psicoterapia de orientação analítica: fundamentos teóricos e clínicos. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. GARCIA, T. P. A Psicoterapia como facilitadora do desenvolvimento infantil. Psicologia.pt [on-line], 2005. Disponível em: <http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=aop0057>. Acesso em: 10 jun. 2012. KLEIN, M. A psicanálise de crianças. Rio de Janeiro: Imago,1997. MELO P. O. C.; SILVA, A. M. C. A Psicanálise de Crianças o Brincar como Recurso Terapêutico. Psicologado Artigos [on-line], 2012. Disponível em: <http://artigos.psicologado.com/abordagens/psicanalise/a-psicanalise-de-criancas-o-brincarcomo-recurso-terapeutico>. Acesso em: 10 jun. 2012. SEGAL, H. Introdução à Obra de Melanie Klein. Rio de Janeiro: Imago,1975. SIGMUND FREUD: Beyond the Pleasure Principle (1920), Standart Edition, 18 ( Londres: Hogarth ).