Propedêutica Cardiovascular. Marcio Gianotto



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Transcrição:

Propedêutica Cardiovascular Marcio Gianotto

Diagnóstico??? Anamnese Exames Complementares Diagnóstico??? Exame Físico Hipóteses Dx

Principais sintomas associados a doenças cardiovasculares Dor torácica Dispnéia Fadiga Edema Palpitações Síncope

Lembrar... Fatores desencadeantes Fatores de piora Fatores de melhora Duração Intensidade Frequência Características (irradiação, tipo de dor) Sintomas associados

Exemplo: Dor Torácica 7 milhões/ano em P.S. nos EUA

Causas comuns Cardíaca Angina Pericardite Síndrome coronariana aguda Vascular Dissecção de aorta TEP Hipertensão pulmonar Pulmonar Pneumonia Pleurite Pneumotórax Traqueobronquite Gastrintestinal DRGE Úlcera péptica / dispepsia Doenças da vesícula biliar Pancreatite Musculoesquelética Costocondrite Hérnia de disco Trauma ou estiramento Infecciosa Herpes Zoster Psicológica Síndrome do pânico

Causas comuns Cardíaca Angina Pericardite Síndrome coronariana aguda Vascular Dissecção de aorta TEP Hipertensão pulmonar Pulmonar Pneumonia Pleurite Pneumotórax Traqueobronquite Gastrintestinal DRGE Úlcera péptica / dispepsia Doenças da vesícula biliar Pancreatite Musculoesquelética Costocondrite Hérnia de disco Trauma ou estiramento Infecciosa Herpes Zoster Psicológica Síndrome do pânico

Diferenciar Dor Cardíaca Não Cardíaca

Causas de Dor torácica 15-25% - Síndrome coronariana aguda <10% - Outras causas graves (TEP, dissecção aorta) Maioria Dor não cardíaca Ansiedade; Musculoesquelética; Gastrintestinal. 1/3 das SCA não apresentam dor torácica na chegada ao hospital. idosos, mulheres e diabéticos. Dispnéia Nauseas Vômitos Palpitações Síncope PCR

Causas não cardíacas de dor Vascular Dissecção de aorta TEP Hipertensão Pulmonar

Causas não cardíacas de dor Pulmonar Pneumonia Pleurite Pneumotórax Traqueobronquite

Causas não cardíacas de dor Gastrintestinal DRGE Úlcera péptica / dispepsia Doenças da vesícula biliar Pancreatite

Causas não cardíacas de dor Musculoesquelética Costocondrite Hérnia de disco Trauma ou estiramento

Causas não cardíacas de dor Infecciosa Herpes Zoster

Causas não cardíacas de dor Psicológica / Psiquíatrica Síndrome do pânico Ansiedade Depressão

Dor Cardíaca Pericardite

Dor Cardíaca Isquêmica

Exame Físico Inspeção Percussão Palpação Ausculta

Exame Físico Geral Aparência Geral Estado Geral Palidez Sudorese Padrão Respiratório Cianose Facies de dor Exame completo: Peso, IMC C. Abdominal C/P Pulmonar TGI Pele Membros Pulsos e sopros Dados vitais

Pressão Arterial 5 min. Repouso em ambiente calmo. 60-90 min. antes: evitar exercícios. 30 min. antes: evitar álcool, café, alimentos e cigarro. Evitar bexiga cheia. Pernas descruzadas, pés apoiados no chão, dorso recostado na cadeira e relaxado.

Pressão Arterial Remover roupas do braço no qual será colocado o manguito. Braço na altura do coração (4º EIC) e apoiado. Não falar durante a aferição. Manguito adequado (80-40% superfície do braço).

Tórax Cicatrizes Deformidades torácicas

Ictus Cordis 5º EIC LHC Esq. <2cm Impulsão Paraestrenal Esq. Sobracarga VD. Pulsação Paraesternal Dir. e Esternoclavicular. Doença aneurismática da aorta.

1ª Bulha (S1) Fechamento valvas A-V. (M1+T1) Hiperfonese: Fase inicial de estenose mitral reumática. Intervalo PR curto. Estados hipercinéticos. Hipofonese Fase tardia EM (com calcificação). Intervalo PR longo. DPOC, Obesidade. Uso de beta-bloq. Derrame pericárdico

2ª Bulha (S2) Fechamento da valvas Aórtica (A2) e Pulmonar (P2). Hipofonese: Estenose valvar. Hiperfonese: HAS (A2) Hipertensão Pulmonar (P2)

Desdobramento de S2 Fisiológico Paradoxal EAo ou BRE S1 A2+P2 S1 A2 P2 S1 P2 A2 S1 A2+P2 Expiração Inspiração Expiração Inspiração Fixo - CIA BRD S1 A2 P2 S1 A2 P2 S1 A2 P2 S1 A2 P2 Expiração Inspiração Expiração Inspiração

Focos de Ausculta

Sístole Diástole Sístole Diástole Sístole Sistólico Diastólico S3 S4 B3 Em área mitral, com campânula Mais palpável que audível Enchimento ventricular rápido Patológica sobretudo na ICC B4 Em área mitral, com campânula Sístole atrial Sempre patológica

Sopros Cardíacos Vibrações de duração mais prolongada, que ocorrem devido a presença de turbilhonamento do fluxo sanguíneo. Sangue flui sob a forma de corrente laminar

Mecanismos 1. Aumento de velocidade da corrente sanguínea Provoca turbulência Exercício, anemia, febre, hipertiroidismo 2. Diminuição da viscosidade viscosidade amortece a turbulência Tromboses 1. Zona estreitada Fluxo deixa de ser laminar Estenoses, insuficiência, Comunicação interventricular 2. Zona dilatada Turbilhonamento na área dilatada aneurismas

Sopros Cardíacos Holo Proto Meso Tele Sistólico Diastólico

Insuficiência Mitral

Insuficiência Mitral Holossistólico Regurgitativo Foco mitral Irradiação: Axila Se for intenso: todo o precórdio Aumenta na expiração e decúbito lateral esquerdo. E se for tricúspede?

Estenose Aórtica

Estenose Aórtica Mesossistólico. A2 hipofonética. Término: antes da 2ª bulha. Pulso Parvus e Tardus Localização: foco aórtico e aórtico acessório. Irradiação: Fúrcula Carótidas

Estenose Aórtica decúbito agachado. apnéia pós-expiratória. Mais nítido c/ paciente sentado e tórax fletido para diante e intensifica com apnéia pósexpiratória. Pode haver: B4. Desdobramento paradoxal da B2. E se for pulmonar?

Insuficiência Aórtica

Insuficiência Aórtica Protomesodiastólico. Iao grave Holodiastólico. Aspirativo. Localização: Foco aórtico e Ao acessório Melhor audível: Sentado c/ tórax inclinado para frente Expiração forçada

Estenose Mitral

Estenose Mitral Mesodiastólico Lesão + grave (maior gradiente) -> duração do sopro Reforço pré-sistólico. Estalido de abertura. Ruflar Foco mitral M1 hiperfonética, P2 hiperfonética. Melhor audível: Decúbito lateral esquerdo Em FC s mais lentas Na expiração

CIV Holossistólico Paraesternal E Irradiação p/ HT direito. CIV -> Sopro

PCA

PCA Sopro Contínuo ( Ruído de Maquinaria ). Inicia após B1, em crescendo até B2 e continua na diástole. Localização: 2 EICE. Irradiação: 1 EICE, região infra-clavicular esquerda ou pescoço. Se o fluxo pelo canal for volumoso, pode surgir B3.

Sopros Cardíacos - Intensidade Grau I (VI) Difícil de auscultar mesmo para examinadores mais experientes em ambiente adequado Grau II (VI) Audível com menos dificuldade Grau III (VI) Audível com grande facilidade, sem frêmitos Grau IV (VI) Audível com grande facilidade, com frêmitos Grau V (VI) Audível mesmo só com o uso de uma fração do estetoscópio Grau VI (VI) Audível mesmo com todo o estetoscópio separado da pele