Atividades educativas. As sementes
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- Eugénio Peixoto Klettenberg
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1 Atividades educativas As sementes w w w. s l o w f o o d f o u n d a t i o n. c o m
2 Preâmbulo Aqui encontram-se quatro propostas para actividades, subdivididas por faixas etárias, todas inerentes ao tema da semeadura e do manejo das sementes. Usem a criatividade para adaptá-las ao próprio contexto (ambiental, social, cultural). Actividade 1 Mãos às plantas! Destinatários Crianças de 5/6 anos de idade. Com uma abordagem baseada na estimulação da fantasia e no envolvimento activo das crianças, identificam-se os nomes e as funções de diversos objectos-personagens no âmbito da horta. Utilizando os objectos-personagens individualizados, as crianças dedicam-se à actividade de semear alguns produtos locais com a ajuda e sob a supervisão dos professores. Objectivos Utilizar uma abordagem lúdico para favorecer a observação, a exploração e o conhecimento directo do ambiente da horta e nomeadamente do processo inerente à semeadura e ao crescimento das plantas. Oferecer aos alunos um espaço no qual possam ser propositivos, experimentar a responsabilidade pessoal e a autonomia decisional. Estimular nas crianças a colaboração entre iguais, o trabalho de grupo, o respeito para com os outros e para com o meio ambiente que os circunda. Desenvolver uma atitude positiva para com a horta escolar através da transmissão de conhecimentos pertinentes à horticultura e à experiência concreta da semeadura. Professores, pais ou avós. Terra, pá, regador, ancinho, sementes, cartão, marcador. Desenvolvimento da actividade Primeira fase: preparam-se os personagens e o solo para o cultivo Os professores preparam os personagens que habitam a horta após terem transformado em seres animados os diversos utensílios aos quais terão aplicado retalhos de cartão com desenhados olhos e bocas. Cada utensílio deve ser decorado de tal forma a que represente os diversos membros de uma família imaginária, como por exemplo: mamãe-sacho, pai-regador, avó-pá, avô-ancinho. Delimita-se 2
3 uma pequena porção de terreno dentro da horta e prepara-se para a semeadura. Terceira fase: como semear? Nesta fase explica-se às crianças como preparar o solo e como semear. Quarta fase: tentemos semear A cada criança entrega-se sementes de um produto local. Após a semeadura, as crianças em turnos regam as próprias sementes. Segunda fase: preparam-se os personagens que habitam a horta Repartem-se as crianças em pequenos grupos de 6-7 elementos cada, buscando equilibrar a presença de meninos e meninas nos agrupamentos. Os professores devem tentar criar um ambiente imaginário, apresentando a horta como um espaço mágico povoado por personagens inusitados. Apresentam-se um a um os diversos membros da família de utensílios tornandoos animados: cada utensílio apresenta-se às crianças narrando-lhes algo divertido sobre si próprio e descrevendo-lhes quão importante é o trabalho que desempenha na horta. Quinta fase: reflexão final Esta actividade termina com um breve momento de reflexão colectiva no qual, juntamente com as crianças, faz-se a retrospectiva das actividades feitas e das lições aprendidas, deixando que as crianças possam falar e expressar livremente os próprios pensamentos respeitando contudo algumas regras fundamentais de comunicação (respeito daquilo que o outro diz, erguer a mão para pedir a palavra, etc...). A mensagem final a ser transmitida é que cada criança é responsável pelas plantas que semeia e que portanto cabe-lhe regá-las para que possam crescer bem. Aprofundamento Contactar Valentina Quaranta Tanzânia ([email protected]) para mais informações sobre as actividades. Actividade 2 Manejo das sementes Aprofunda-se a questão das sementes: o que é uma semente, quais os diversos tipos de sementes na natureza, quais as características das sementes produzidas pelos centros de reprodução, quais os métodos de protecção e conservação das sementes (selecção e protecção, banco de sementes e partilha de sementes). 3
4 Destinatários Crianças e jovens de 8 a 16 anos de idade. Esta actividade adapta-se também para secções de formação com produtores e comunidades de horticultores. Objectivos Estimular a aprendizagem mediante o conhecimento directo do ambiente da horta e nomeadamente aprofundando a questão das sementes. Ajudar aos participantes a conhecerem os diversos tipos de sementes existentes bem como sua classificação e reprodução. Aumentar a concientização quanto ao conceito de biodiversidade das sementes e da importância do papel por elas desempenhado na natureza. Favorecer a aprendizagem das técnicas e dos factores que devem ser considerados ao seleccionaremse as sementes assim como a forma de protecção e conservação das mesmas. Desenvolver, mediante a transmissão de conhecimentos no campo da horticultura, uma atitude positiva perante a horta escolar e em geral perante o meio ambiente que os rodeia. Professores de ciências. Cadernos e esferográficas, lousa escolar, folhas de papel, cola e tira adesiva, cinzas, recipientes, sementes. Desenvolvimento da actividade Primeira fase: introdução teórica e debate O facilitador (professor ou outro especialista convidado para esta actividade) abre um debate com os jovens sobre o significado de semente pedindo-lhes também que digam quais as sementes que conhecem. Prossegue-se abordando as diversas características qualitativas e funcionais das sementes, quais os factores a ter em conta nos processos de selecção das sementes e os diferentes métodos de protecção. Segunda fase: o reconhecimento Organiza-se uma breve actividade lúdica, como por exemplo um quiz, em que as pessoas alternam-se nas respostas. Num prato ou mesa colocam-se alguns punhados de sementes de diferentes espécies e qualidades, sem identificá-las. Repartem-se os jovens em equipas que dispõem-se em fila indiana. O professor aponta para um dos punhados de semente e, após o sinal de partida, o primeiro da fila deve correr até um sítio estabelecido. A ordem de chegada ao sítio estabelecido será a ordem com a qual os representantes das equipas darão a resposta identificando as sementes. Vence a equipa que identificar correctamente o maior número de sementes. Terceira fase: procede-se com a demonstração prática dos diversos métodos de conservação das sementes Cada jovem recebe um recipiente, enche-o pela metade com cinzas, incorpora-lhe as sementes (qualquer tipo) e as cobre com outras cinzas. Explica-se aos jovens o benefício das cinzas como meio de protecção contra parasitas e a importância de guardar as sementes assim protegidas num local fresco e seco. 4
5 Aprofundamento Contactar John Kariuki Mwangi Quénia para mais informações sobre a actividade. Actividade 3 Pertinho-pertinho Com uma abordagem baseada na estimulação da fantasia e no envolvimento activo das crianças aprende-se a perceber o funcionamento das consorciações. Destinatários Jovens a partir de 5 anos de idade (mínimo 15 crianças). Objectivo Memorizar a consorciação de algumas plantas. Professor, quer em ambiente amplo coberto, quer ao ar livre sobre a relva. Folhas de papel e marcadores Algumas folhas/flores ou frutos de uma planta, se for facilmente reconhecível Cordel ou fita adesiva Preparação Desenhar: o vento em dois pedaços de papel; as formigas em dois pedaços de papel; a chuva em dois pedaços de papel; um produto hortícola ou fruta ou flor nos pedaços de papel (em número correspondente àquele das crianças restantes) ou recolher amostras que possam ser facilmente reconhecidas. Desenvolvimento da actividade Primeira fase: disfarce Com o auxílio de um cordel ou fita adesiva, aplica-se a cada um dos participantes o pedaço de papel com o desenho que o identifica. Segunda fase: introdução O professor explica as regras do jogo: os animais e os factores atmosféricos agirão fielmente como se fossem as personagens que interpretam, enquanto aqueles que recebem o desenho ou a amostra de um vegetal devem desempenhar o papel da semente correspondente ao próprio vegetal (por exemplo, quem receber uma folha de manjericão desempenhará o papel da semente de manjericão). O contacto físico deve ocorrer somente com delicadeza, fazendo rolar os companheiros mas sem erguê-los nem sacudi-los. O professor explica os princípios e a importância das consorciações. 5
6 Terceira fase: interpretação O professor dispõe os participantes que representam as sementes dos vegetais em diversas fileiras simulando a semeadura, consoante a consorciação. Cada criança-semente deita-se no chão com os joelhos recolhidos. Os participantes que representam os factores atmosféricos e as formigas individualmente ou em pares fazem rolar as crianças-semente empurrando-as com as mãos, afastando-as umas das outras. As crianças tentam, ao rolar pelo chão, aproximar-se às sementes que permitem uma consorciação, ao mesmo tempo que evitam aproximar-se àquelas que não permitem a consorciação. Dado o sinal de paragem, o professor verifica as consorciações. Quarta fase: estimular a verbalização O professor pede às crianças que resumam as consorciações experimentadas e os obstáculos encontrados. Actividade 4 Bolas de argila e sementes Preparam-se algumas bolas com sementes e argila que serão úteis para o reflorestamento ou o repovoamento tanto de áreas abandonadas como de áreas com escassa vegetação. As sementes devem portanto proceder de árvores ou de arbustos resistentes. Destinatários Crianças e jovens de 8 a 15 anos de idade. Objectivos Utilizar uma abordagem lúdico para favorecer a observação, a exploração e o conhecimento directo do ambiente natural, nomeadamente do processo inerente a semeadura e ao crescimento das plantas. Oferecer aos alunos um espaço no qual serem propositivos, experimentar a responsabilidade pessoal e a autonomia decisional. Estimular nas crianças a colaboração entre iguais, o trabalho de grupo, o respeito para com ou outros e para com o meio ambiente que os rodeia. Desenvolver uma atitude positiva perante a horta escolar através da transmissão de conhecimentos inerentes a experiência concreta da semeadura. Professores de ciências e geografia. Sementes de arbustos e árvores, argila. 6
7 Desenvolvimento da actividade Primeira fase: introdução teórica e preparação dos materiais Os professores ilustram as qualidades das sementes seleccionadas (sazonalidade, adaptação, tradição, sementes não híbridas, etc..). Explicam também a importância da consorciação entre plantas diferentes. Segunda fase: fazem-se as bolas de argila Os estudantes incorporam as sementes seleccionadas à mistura de argila e formam as bolas. O papel da argila é fundamental pois esse material é resistente ao tempo (resiste por anos mesmo em áreas com escassa humidade) dissolvendo-se ao absorver uma quantidade suficiente de água capaz de fazer germinar as sementes. Terceira fase: semeadura e monitorização As crianças escolhem os pontos a partir dos quais arremessar as bolas, em diversas direcções, dentro da área delimitada. Se as sementes forem arremessadas numa área facilmente acessível ou ainda se forem semeadas variedades de crescimento rápido, o professor e as crianças poderão controlar periodicamente o progresso das sementes. As crianças podem realizar um diário / cartaz para monitorizar os progressos conforme as condições observadas (quais tipos de sementes desenvolveram-se, se esse desenvolvimento deveu-se às condições do terreno onde foram arremessadas as sementes). Aprofundamento Contactar Sara El Sayed Egipto ([email protected]) para mais informações sobre a actividade. Ajuda-nos a descobrir novos fotos! 7
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