CAPÍTULO 6 Métodos expeditos de projeto
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- Thalita Clementino Bernardes
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2 CAPÍTULO 6 Métodos expeditos de projeto 6. Introdução Neste capítulo serão introduzidos métodos diretos que permitem o projeto de controladores sem a necessidade de métodos mais sofisticados, a serem vistos nos capítulos seguintes. Para sistemas com dominância de primeira e segunda ordem o projeto pode ser feito de forma direta, como será mostrado neste capítulo. O método de Ziegler-Nichols também é um método direto para o projeto de controladores e será apresentado na parte final do capítulo. 6.2 Controle de Processos de a ou 2 a Ordem Nesta seção são considerados o projeto de controladores para sistemas de primeira e segunda ordem. O processo pode realmente ser de primeira ou segunda ordem ou uma aproximação de primeira ou segunda ordem de um processo de ordem mais elevada Controle de Processos de a Ordem Seja o processo mostrado na figura 6.. R(s) + Σ C(s) g + sτ Figura 6.: Processo de a ordem Neste caso, consideramos processos para os quais o ganho g e a constante de tempo τ podem ser determinados experimentalmente (pela resposta ao degrau, por exemplo) ou teoricamente, tendo eventualmente sido desprezada uma segunda constante de tempo, muito pequena com relação a τ. É necessário notar que a realidade é representada pelo modelo g/( + sτ), mas pode acontecer que esta seja apenas uma representação aproximada relativa a uma certa escala de amplitude e de tempo. Será necessário, por conseguinte, ao fixar um tempo de resposta desejado para o sistema
3 2 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto em malha fechada (MF), lembrar que este tempo de resposta (controlado) deve ser comparado com aquele do sistema não-controlado, e que suas escalas de tempo devem ser compatíveis com a precisão das medidas do modelo dinâmico em malha aberta. Por exemplo, se um processo fosse modelado por um ganho e uma constante de tempo de 2 seg, e se as condições experimentais para a determinação do modelo foram tais que uma segunda constante de tempo, 50 vezes menor que a primeira, tivesse sido desprezada, seria irreal pretender calcular a partir do modelo aproximado (τ = 2 seg) um sistema de malha fechada, cujo tempo de resposta fosse da ordem da constante de tempo desprezada; é claro que o modelo seria utilizado aqui, fora da escala de tempo com a qual ele foi estabelecido Controle Proporcional Usaremos inicialmente o controlador C(s) = K. Mostraremos que este controlador, mesmo sendo teoricamente satisfatório para um processo de a ordem, apresenta riscos de instabilidade na presença de pequenas constantes de tempo desprezadas. Isto acontecerá particularmente quando se deseja erros pequenos em regime permanente. Além disso, o seu uso implicará em controles transitórios muito maiores do que o controle em regime permanente, provocando assim um funcionamento em regime saturado que poderá ser extremamente incômodo. Considere o processo da figura 6.2. R(s) + E(s) U(s) g Σ K + sτ Figura 6.2: Processo de a ordem com C(s) = K A função de transferência de malha fechada é: F T MA = ( + ) + sτ Comportamento em regime permanente Vamos determinar inicalmente o comportamento em regime permanente. Para uma entrada do tipo degrau unitário, tem-se: e(s) = s ( + ) + sτ s que é regulável pelo ganho K. e rp = lim s 0 e(s)s = + Exemplo 6.2. Para um sistema tal que = 00 então o erro em regime é dado por e rp 0, 0.
4 EEL-DAS-UFSC 3 Resposta Transitória Vamos calcular analiticamente a resposta a um degrau unitário. e segue que = ( + ) + sτ R(s) [ ] = ( + ) + [τ/( + )]s s y(t) = ( + ) ( e (t/τa) ), τ a = τ + Portanto o sistema em malha fechada apresenta um ganho aparente /( + ) e uma τ constante de tempo aparente. Observe que existe uma relação fixa entre o ganho estático, + dado por /( + ) e a constante de tempo. Pode-se observar que, se um erro de % em regime permanente é desejado, o tempo de resposta do sistema controlado será 00 vezes menor que aquele da MA: existe portanto um risco certo de introdução no domínio das constantes de tempo eventualmente desprezadas. A forma da resposta é dada na Figura e( ) = tempo(seg) Figura 6.3: Forma de resposta do processo de a ordem com C(s) = K Esforço de controle u(t) Calculando-se a saída do controlador: u(t) = K e(t) = K [ P (t)] = K u(t) = K [ ] + ( e (t/τa) ) [ + + ] + e (t/τa)
5 4 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto u(t) u(0) saturação u( ) = K + t Os valores do esforço de controle são Figura 6.4: Forma do sinal de controle t = 0, 0 u(0) = K t u( ) = K + O esforço de controle é mostrados no gráfico da Figura 6.4 O controle em t = 0 é igual a ( + ) vezes o controle em regime. Para um erro de 0, 0 isto corresponde a um fator de 00 e para e rp = 0, 00 a uma relação de 000. Em geral os acionadores são limitados em amplitude (saturação), e portanto, à medida em que degraus muito elevados forem aplicados, haverá uma parte de controle que saturará. Este fenômeno de saturação pode ser muito incômodo, já que com muita freqüência os acionadores preservam um retardo a dessaturação. Por isso, exceção feita a sistemas de dessaturação rápida (puramente eletrônicos) deve-se evitar atingir regimes de saturação. Conclusão: O controle C(s) = K, teoricamente satisfatório no caso de um sistema de a ordem, apresenta o inconveniente de produzir controles muito fortes em transitórios quando se deseja obter alta precisão ( % a 0, %) e também a escalas de tempo de resposta onde o modelo usado deixará, em geral, de ser suficientemente preciso (quando o tempo de resposta obtido teoricamente a partir do modelo é da ordem de grandeza das constantes de tempo desprezadas para chegar ao referido modelo). Efeito de uma pequena constante de tempo desprezada Considere que o estudo teórico é baseado no modelo g/( + sτ) no sistema mostrado na Figura 6.2, para o qual a forma de resposta é mostrada na Figura 6.3. Considere também o sistema de segunda ordem mostrado na Figura 6.5. O objetivo aqui é determinar o efeito de uma pequena constante de tempo ɛτ, supondo que foi calculado a priori um ganho K trabalhando-se com um modelo de a ordem, quando na realidade o modelo é de 2 a ordem g/( + sτ)( + sɛτ). Para o sistema real, a função de transferência em malha fechada é R(s) = /( + sτ)( + sɛτ) + /( + sτ)( + sɛτ)
6 EEL-DAS-UFSC 5 R(s) + E(s) U(s) g Σ K ( + sτ)( + sɛτ) Figura 6.5: Processo de 2 a ordem com C(s) = K ou, em forma mais compacta, R(s) = + [ɛτ 2 /( + )]s 2 + [( + ɛ)τ/( + )]s + Se for elevado, o sistema de 2 a ordem pode ser oscilatório. Adota-se, portanto, a forma normalizada dos sistemas de 2 a ordem. R(s) = + (/ωn)s (2ζ/ω n )s + onde, desde que e = +, e e portanto, ω 2 n 2ζ ω n = ω n = τ = ɛτ 2 ( + ) = ɛe τ 2 ( + ɛ)τ + = ( + ɛ)e τ e ζ = ɛe 2 + ɛ e ɛ A expressão de ζ mostra que quando esperava-se uma resposta de a ordem obteve-se na realidade uma resposta de 2 a ordem cujo amortecimento é tanto menor quanto menor for o erro desejado em regime permanente (e ); além disso, este amortecimento é função da relação ɛ entre as constantes de tempo. Considerando que qualitativamente a resposta de um sistema de 2 a ordem assemelha-se a de a ordem quando ζ, 0, podemos considerar que o modelo de a ordem é qualitativamente bom se a resposta obtida é próxima daquela prevista no estudo teórico. ζ, 0 : 2 + ɛ ɛ e, 0 onde, admitindo-se ( + ɛ), 0 obtém-se e 2 ɛ : e 4ɛ, ou também ɛ e 4 A relação precedente mostra que quando se deseja usar um modelo de a ordem para se calcular um controle proporcional, tal que o erro e seja fixado e que a resposta do sistema controlado seja semelhante àquela prevista a partir do modelo, é necessário que as constantes de tempo desprezadas sejam suficientemente pequenas. Por exemplo, para e = 0% = 0, a constante de tempo que pode ser desprezada deve ser tal que ɛ (0, /4) = (/40); isto é, ela deve ser pelo menos 40 vezes menor do que a constante de tempo retida.
7 6 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto Para facilitar a regulagem para um controle de um processo de a ordem é desejável poder regular separadamente o erro e o tempo de resposta do sistema controlado. Conforme o que foi visto anteriormente, um controlador proporcional isolado (ação u(t) = Ke(t)) impõe uma relação entre o tempo de resposta e o erro. É necessário, portanto, usar um esquema de controle mais eleborado para obter a regulação separada de ambas variáveis. Dois tipos de controladores simples permitem obter essse resultado : o controlador de atraso de fase e o controlador proporcional integral (P I) Controlador de atraso de fase Considere o sistema mostrado na Figura 6.6 com o controlador dado por R(s) + E(s) Σ K + st U(s) g + sαt ( + sτ)( + sɛτ) Figura 6.6: Sistema com controlador de atraso de fase C(s) = K ( + sτ ) ( + sατ ) onde, K é um ganho regulável, T é uma constante de tempo regulável, e α é um ganho regulável com α >. Podemos realizar um estudo por lugar das raízes para escolher o projeto mais simples. A regulagem mais simples consiste em se fazer T = τ, o que permite simplificar o zero do controlador com o pólo da planta. Obtém-se, portanto, R(s) que é do tipo a ordem /( + sαt ) = + ( + sαt ) = + + s[ατ/( + )] P (s) R(s) = +, τ a = ατ + sτ a + O erro estático e rp é igual ao do caso precedente, ou seja e rp =, regulável por K. + A resposta ao degrau de referência será do tipo a ordem, com uma constante de tempo aparente τ a, tal que τ a = ατ + = αe rpτ regulável por K, para um e rp especificado. O tempo de resposta será t MF r 5% = 3τ a = 3ατe rp = αe rp t MA r5%
8 EEL-DAS-UFSC 7 onde t MF r 5% e t MA r 5% denotam os tempos de resposta a 5% em malha fechada e malha aberta, respectivamente. Este esquema permite obter uma boa precisão e rp e um tempo de resposta regulável. Em particular poder-se-á ter sistemas cuja gama de tempo de resposta sob controle seja compatível com aquela do tempo de resposta em malha aberta. Exemplo Para um erro e rp = tem-se um tempo de resposta a 5% t MF r = 0, t MA r com α = 0, 0 Na prática, o controlador é ajustado com um ganho K que assegura a precisão requerida; posteriormente, o ganho é ajustado para fornecer o tempo de resposta desejado. Isso com τ = τ. Quando α diminui muito, a resposta do sistema em MF deixa de se assemelhar a aquela de um de a ordem (o tempo de resposta desejado é da ordem da constante de tempo (ɛτ) eventualmente desprezada. A resposta será semelhante a de um de 2 a ordem quando α for muito pequeno, no caso em que se tenham desprezado constantes de tempo. Este ensaio pode ser usado para deduzir a constante de tempo desprezada ɛτ. A medida de ζ ou de ω n permite obter ɛτ O controlador Proporcional-Integral (PI) Este controlador permite obter um erro nulo à entrada degrau (e rp = 0), devido a uma integração, assim como um tempo de resposta regulável dando à resposta a forma de uma evolução exponencial. A função de transferência do controlador é [ C(s) = K + ] st I com o ganho K e a constante de tempo T I reguláveis. Regulagem dos Parâmetros do Controlador O sistema de a ordem com um controlador P I é mostrado na figura 6.7. R(s) + E(s) Σ K + st U(s) I g st I + sτ Figura 6.7: Sistema de a ordem - Controlador P I Deve-se determinar a posição do zero e o ganho do controlador. Novamente pode-se fazer uma análise pelo lugar das raízes para determinar a escolha mais simples para o projeto. Esta escolha é τ = T I. A função de transferência em malha fechada é dada por, R(s) = + s(τ/)
9 8 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto Constata-se que o sistema em malha fechada comporta-se como um sistema de primeira ordem, cuja constante de tempo aparente é τ a = τ/, regulável por K. Portanto este controlador permite obter um erro nulo (e = 0) para referências constantes, já que se tem um integrador na função de transferência em malha aberta. A forma de resposta é do tipo exponencial quando se seleciona T I = τ e o tempo de resposta a 5% é t r5% = 3τ a = 3τ, regulável por K Efeito de uma constante de tempo desprezada (ɛτ) Na prática T I = τ é selecionado, e após isto o sistema a ser controlado é testado variando-se o ganho K para assim obter o tempo de resposta desejado. Quando o tempo de resposta desejado é muito pequeno, existe o risco de que ele seja da ordem da constante de tempo eventualmente desprezada. O sistema é então de 2 a ordem, já que a função de transferência real do sistema é G(s) = g ( + sτ)( + sɛτ) Considerando que T I = τ, obtém-se a seguinte função de transferência em malha fechada: ou, em forma mais concisa, R(s) = /sτ( + sɛτ) + [/sτ( + ɛτs)] R(s) = + (τ/)s + (ɛτ 2 /)s 2 O sistema real em malha fechada se comportará como um de 2 a ordem que pode ser pouco amortecido quando for grande. A identificação dos coeficientes da equação acima com a forma normalizada de 2 a ordem fornece, 2ζ ω n = τ e ωn 2 = ɛτ 2 Se for possível realizar o ensaio do controlador sobre o processo, escolhendo T I = τ, a determinação experimental de ζ e ω n sobre a resposta obtida quando do aumento de K, é também possível determinar ɛ pelas equações anteriores. Dispõem-se assim de um modelo mais aprimorado, que permite, se necessário, obter um melhor controle usando técnicas próprias aos sistemas de 2 a ordem. Entrada degrau: a ultrapassagem + e ɛπ/ ζ 2 : determina-se ζ abcissa = π ω n ζ 2 : determina-se ω n
10 EEL-DAS-UFSC 9 R(s) + Σ K + st I T I s g ( + τ s)( + τ 2 s) Figura 6.8: Controle PI para um sistema de 2 a ordem 6.3 Controle de Processos de 2 a Ordem 6.3. O Controlador Proporcional-Integral (PI) Para um Sistema de 2 a ordem Seja o diagrama de blocos mostrado na figura 6.8 cuja função de transferência em malha aberta é dada por C(s)G(s) = K ( + st I) g st I ( + sτ )( + sτ 2 ) com τ 2 > τ. Regulagem dos Parâmetros do Controlador Pode-se novamente fazer uma análise pelo lugar das raízes para determinar uma solução de projeto que seja simples e atenda aos requisitos. Esta análise indica a melhor solução selecionando-se T I igual a maior das constantes de tempo (τ 2 ), tal que a função de transferência em malha aberta é dada por C(s)G(s) = sτ 2 ( + sτ ) A função de transferência em malha fechada é: R(s) = (τ τ 2 /)s 2 + (τ 2 /)s +, 0 O sistema em malha fechada é de 2 a ordem, para o qual dispõe-se apenas do parâmetro K para a regulagem. Um sistema de 2 a ordem caracteriza-se por seu amortecimento e sua pulsação natural ω n ; não podendo fixar-se os dois, utiliza-se K para obter um amortecimento satisfatório, = 0, 43, por exemplo, ou ainda = 0, 70. Comparando a última equação com a forma normalizada para um sistema de 2 a ordem, obtém-se ou, em outra forma, 2ζ ω n = τ 2 e ω 2 n = τ τ 2 ω n = (/τ τ 2 ) e ζ = 2 (τ2 /τ)(/) Para um valor de ζ especificado, o ganho K que assegura boa regulagem é, K = (2ζ esp ) 2 τ 2 τ g tal que a freqüência natural de oscilação é dada por, ω n = 2ζ esp τ (6.3.)
11 20 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto.2 y(t).0 20% e rp t Figura 6.9: Resposta de um sistema de 2 a ordem Para ζ = 0, 43, sabe-se que a resposta do sistema de 2 a ordem apresenta ultrapassagens iniciais de aproximadamente 20% e 5%, com t r = 2π/ω p e ω p = 0, 9ω n, com forma de resposta conforme a Figura 6.9. Conclusão: Um controlador PI regulado para um sistema de 2 a ordem conduz a escolher T I = τ 2 ; o valor do ganho K que fornece ζ esp é calculado com o auxílio da Equação (??) e o tempo de resposta a 5% é 2πτ. Isto explica porque a seleção T I = τ 2, já que se τ é eliminada pela seleção, o tempo de resposta teria sido 2πτ 2, maior do que 2πτ. Além disso, tem-se e rp = 0 para referências constantes. Esta regulagem é simples e para melhorá-la será necessário trabalhar com métodos freqüenciais O Controlador Proporcional-Integral-Derivativo (PID) O controlador P ID é dado por: C(s) = K ( + ) ( + st d ) st I Regulagem de um Controle PID Para um Processo de 2 a Ordem Considere o sistema mostrado na Figura 6.0 A função de transferência em malha aberta é: C(s)G(s) = K ( + st I)( + st d ) st I g ( + sτ )( + sτ 2 )
12 EEL-DAS-UFSC 2 R(s) + Σ K ( + st I)( + st D ) T I s g ( + sτ )( + sτ 2 ) Figura 6.0: Controle PID num sistema de 2 a ordem y(t) K aumenta t Figura 6.: Curva y(t) t parametrizadas por K Selecionando T d = τ e T I = τ 2, C(s)G(s) reduz-se à de forma que C(s)G(s) = sτ 2 R(s) = (/sτ 2) + (/sτ 2 ) = + sτ a onde τ a = (τ 2 /). O sistema em malha fechada se comportará como um sistema de a ordem, apresentando uma evolução do tipo exponencial, com uma constante de tempo aparente τ a, regulável por K. O tempo de resposta a 5% será, t MF r5% = 3τ a = 3τ 2 = tma r5% Se o tempo de resposta é demais reduzido, pode aparecer uma oscilação na resposta, devido a uma terceira constante de tempo desprezada (a resposta será de 2 a ordem). Esta resposta oscilatória, obtida desta forma permite, se necessário, calcular a terceira constante de tempo. (Ver figura 6.). Regulagem de um Controlador PID Para um Sistema de 3 a Ordem Seja o sistema, com τ 2 τ ɛτ e ɛ, 0. G(s) = g ( + sτ )( + sτ 2 )( + sɛτ )
13 22 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto U(s) K a 2 s 2 + a s + (a) Sistema inicial U (s) + Σ (b) Sistema modificado K a 2 s 2 + a s + λs Figura 6.2: Realimentação derivativa O controle mais simples é obtido selecionando-se T I = τ 2 e T d = τ ; o que resulta em P (s) R(s) = (ɛτ τ 2 /)s 2 + (τ 2 /)s + O sistema em malha fechada se comportará então como um sistema de 2 a ordem, para o qual pode-se regular o ganho K para atender a especificação do amortecimento. 6.4 Amortecimento Por Realimentação Derivada do Sinal de Saída O objetivo desta seção é mostrar que um processo de segunda ordem cujo amortecimento não seja adequado pode ser transformado num sistema a amortecimento regulável por realimentação da derivada da saída. Assim, considere os sistemas mostrados na figura 6.2. Para o sistema original, u(s) = K a 2 s 2 + a s + onde K representa o ganho estático, a 2 = /ω 2 n e a = 2ζ /ω n. Para o sistema com realimentação, u(s) = K a 2 s 2 + (a + λk)s + onde K é o ganho estático, a 2 = /ω 2 n, ω n = ω n e (a + λk) = 2ζ/ω n. O sistema modificado por realimentação da derivada possui o mesmo ganho estático e a mesma freqüência natural que o sistema original; somente o amortecimento foi modificado para ser regulável por λ. Das equações anteriores, ζ = ζ + λ K 2 a2 Portanto, se um sistema de segunda ordem não é amortecido convenientemente, ele pode ser transformado num sistema de amortecimento regulável através do estabelecimento de uma malha de realimentação usando as derivada do sinal de saída. Esse sinal derivado, quando disponível no sistema, deve ser usado. Se ele não estiver disponível, pode ser elaborado usando um derivador instalado sobre o sinal de saída. Este tipo de realimentação pode ser usada para estabilizar um sistema de controle e para amortecer um instrumento de medida.
14 EEL-DAS-UFSC 23 Realimentação Derivativa: Interpretação pelo Lugar das Raízes Do diagrama do sistema modificado mostrado na figura 6.2, com a 2 = a e a = b, a equação característica + GH(s) = 0 é dada por Ks + λ as 2 + bs + = 0 com raízes s,2 = b 2a ± j 4a b 2 2a O ponto de chegada ao eixo real é obtido tomando-se ( ) as 2 + bs + λ(s) = K s cuja a derivada é (a s 2 ) λ = K tal que λ = 0 fornece s,2 = ± a Portanto, o LGR fora do eixo real é um arco de círculo de raio / a, conforme mostrado na figura 6.3. jω x j 4a b 2 s ζ ω n = a θ 0 b 2a θ σ x j 4a b 2 Figura 6.3: Realimentação derivativa - LGR Ajuste de λ para um ζ especificado Para o sistema em malha aberta: Para ζ esp, as raízes (pólos) em MF estão em onde β = π θ e cosθ = ζ esp. ζ 0 = cosθ 0 e b = 2 a ζ 0 s ζ = a β
15 24 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto Da equação de λ(s) mostrada anteriormente, λ ζ = λ sζ = ( a a K β + ) a β + b Usando a equação de s ζ e simplificando Porém, cosβ = ζ esp ; logo λ ζ = 2 a K (cosβ + ζ 0) λ ζ = 2 a K (ζ esp ζ 0 ) Exemplo 6.4. Seja um sistema de segunda ordem com função de transferência G(s) = 0.6s s + A resposta desta função de transferência é mostrada pela linha cheia na Figura 6.4. A resposta é oscilatória, com baixo amortecimento. Para aumentar o amortecimento, vamos usar uma realimentação derivativa, com λ = 0.5. A resposta do sistema, com esta realimentação, é mostrada pela linha pontilhada na Figura 6.4. Observa-se que o sistema é agora bem amortecido. Se aumentarmos mais ainda λ, o amortecimento pode aumentar ainda mais, mas a resposta tenderá a ficar mais lenta Figura 6.4: Efeito da realimentação derivativa no amortecimento
16 EEL-DAS-UFSC 25 R(s) + Σ K osc P rocesso Figura 6.5: Compensação pelo método de Ziegler-Nichols 6.5 Método de Ziegler Nichols O método de Ziegler-Nichols foi desenvolvido a partir de simulação de resposta de processos típicos, e ajustando os parâmetros para obter respostas adequadas. Desenvolvido em torno de 943, o método ainda é muito usado e permite o projeto rápido de controladores. Dois métodos podem ser usados dependendo da resposta da planta Projeto baseado na resposta da planta Este método supõe que a resposta ao degrau da planta tem a forma dada na Figura O modelo é U(s) = ke tds τs + Define-se R = k τ e L = t d. Os parâmetros do controlador são ajustados para obter-se uma razão de decaimento de A razão de um quarto corresponde a ζ = 0.2. Ou seja, o transitório dominante decai um quarto do seu valor após um período de oscilação. Os valores propostos são dados na Tabela 6. Tabela 6.: Ajustes para o método de Ziegler-Nichols Tipo de Controle Ganhos ótimos Proporcional K = RL PI PID K = 0.9 RL T I = L 0.3 K =.2 RL T I = 2L T D = 0.5L Projeto baseado na resposta em malha fechada As regras de ajuste de parâmetros de controladores descritas nesta seção foram desenvolvidas à partir das experiências de Ziegler realizadas em diversos processos e também dos métodos de análise de Nichols. Os ajustes propostos são dados em termos do ganho de um controlador proporcional que leva o sistema ao limite de estabilidade, K osc, e do período de oscilação P osc. Assim, considere o processo mostrado na figura 6.5.
17 26 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto Tabela 6.2: Compensação por Ziegler-Nichols - ajustes propostos Tipo C(s) K c T I T T d P K c 0, 50K osc PI ) K c ( + T I s 0, 45K osc 0, 83P osc PID ) K c ( + T I s ds 0, 60K osc 0, 50P osc 0, 25P osc PD K c ( + T d s) 0, 60K osc 0, 25P osc C(s): FT do compensador K c : ganho estático T I : cte de tempo do termo integrador T d : cte de tempo do termo derivador Neste processo, P osc = 2π ω osc = 2π ω π Os ajustes propostos para a compensação por este método são mostrados na Tabela 6.2. Os ajustes de Ziegler-Nichols fornecem em geral uma maneira de se conseguir uma resposta rápida com um nível adequado de estabilidade. Contudo, eles são baseados em experiências com processos típicos e devem ser condiderados como primeiras alternativas. Exemplo 6.5. Considere o sistema mostrado na Figura 6.6. R(s) Σ K c ( + 2s)( + s)( + 0.5s) Figura 6.6: Compensação pelo método de Ziegler-Nichols - exemplo Calcule os ajustes de um controlador PID para este sistema.
18 EEL-DAS-UFSC 27 Cálculo de K osc e P osc. A função de transferência em malha fechada para o sistema da figura 6.6 é dada por onde K = 0, 5K c. G(s) = K s 3 + 3, 5s 2 + 3, 5s + ( K + ) A aplicação do critério de Routh-Hurwitz fornece { K, 25 K, 0 tal que K osc =, 25 e K osc = 22, 5. Da equação auxiliar, s,2 = ±j, 87, de forma que ω osc =, 87, e portanto P osc = 3, 36 seg. Cálculo do controlador K c = 0, 60 K osc = 3, 5 T I = 0, 50 P osc =, 68 T d = 0, 25 P osc = 0, 42 Portanto, a função de transferência do controlador é dada por ( C(s) = 3, 5 + ) + 0, 42s, 68s Os parâmetros K osc e P osc podem também ser determinados dos diagramas de Bode. Isto é mais conveniente se estes diagramas estiverem disponíveis.
19 28 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto. Dado o processo projete um controlador que assegure: Exercícios G(s) = Erro ao degrau nulo em regime permanente. (s + 2)(s + 5) Resposta tipo primeira ordem, com T r5% = seg.. 2. Dado o processo G(s) = 20 (s+2)(s+4) Erro ao degrau nulo em regime permanente. Resposta tipo segunda ordem, com amortecimento ζ = 0.7. projete um controlador que assegure, em malha fechada: 3. Seja a função de transferência de um processo, a ser controlado em malha fechada, dada por G(s) = (6.5.) s( + 0.s) Deseja-se projetar um controlador a estrutura G c (s) = K + τ s + τ 2 s (6.5.2) para o projeto dado, de modo que, em malha fechada, o sistema resultante apresente as seguintes características: Erro em regime nulo para entrada em degrau Resposta tipo segunda ordem, com razão de amortecimento ζ 0.5 tr 5% 0.3 s 4. Para o processo com função de transferência G(s) = 5 assegure em malha fechada: +0.5s projete um controlador que resposta tipo a ordem erro ao degrau em regime permanente de % tempo de resposta a 5% de 0. seg. 5. Supondo que o processo do Exercício 4 possua uma dinâmica não modelada, consistindo de um pólo em s = 20, ou seja, G(s) = 5 (+0.5s)(+0.05s) : determine o tempo de resposta do sistema em malha fechada, com o compensador projetado (sistema compensado) determine o erro em regime permanente do sistema compensado para uma entrada em degrau determine o amortecimento e a frequencia natural do sistema compensado
20 EEL-DAS-UFSC 29 esboce a resposta em malha fechada a uma entrada em degrau 6. Dado o processo com função de transferência G(s) = 4 (s + )(s + 3)(s + 4) projete um controlador que assegure erro zero ao degrau e uma resposta de segunda ordem, com tempo de resposta t 5% =.0 seg e amortecimento ζ = Para o sistema do Exercício 6, usando o método de Ziegler-Nichols, projete um controlador P I. A estrutura do controlador é: G c = K c ( + ) onde K T I s c = 0.45 K osc e T I = 0.83 P osc. 8. A função de transferência em malha aberta de um processo, levantada experimentalmente, é +0.5s. Um controlador proporcional é usado para o sistema em malha fechada. O operador especifica um erro estático ao degrau e seleciona o ganho correspondente. Observa-se então uma resposta oscilatória a uma entrada em degrau, com primeira ultrapassagem de 20% e freqüência de oscilação de.9 Hz, em desacordo com o modelo. Determine: o modelo real do processo o erro ao degrau esperado e o erro ao degrau observado o t r5% esperado e o t r5% observado 9. Um sistema de controle com realimentaçãoo negativa unitária tem um processo com a seguinte funçãoo de transferência 400 G(s) = s(s + 40) e deseja-se usar um controlador em cascata do tipo proporcional-integral G c (s) = K + K 2 s Determine valores adequados de K de tal maneira que a primeira ultrapassagem seja de aproximadamente 20% e o tempo de resposta a 2% seja de.5 segundos. Use as condições de pertinência ao lugar das raízes Dado o processo cuja função de transferência é G(s) = (5s + )(6s + ) Escolher o controlador e determinar seus parâmetros para que o sistema em MF cumpra as especificações: e( ) = 0 resposta tipo segunda ordem com ζ = 0, 43 Calcular os tempos de resposta em malha aberta e malha fechada.. Para o processo do Exercício 0, escolher um controlador e determinar os seus parâmetros para obter e( ) = 0 e resposta tipo primeira ordem com t r 5% MF =, 0 seg Se a função de transferência do processo do Exercíco 0, for G(s) = (5s + )(6s + )(0, 5s + ), e se aplicar o controlador calculado no Exercício,
21 30 Capítulo 6: Métodos expeditos de projeto Qual será o comportamento do sistema em MF? (Esboçar a resposta temporal ao degrau unitário). Qual o máximo valor do ganho do controlador compatível com uma resposta sem oscilações? 3. Seja o processo cuja função de transferência é G(s) = 3 ( + 0s)( + 0, 5s) Desprezando a constante de tempo igual a 0,5seg, determine o controlador para o qual a resposta em MF é caracterizada por e ( ) = 0 e t MF r5% = seg. Considere agora as duas constantes de tempo e o controlador obtido anteriormente. Determine ζ e ω n da resposta em MF, o t MF r 5% e o maior valor do ganho do controlador para que a resposta não seja oscilatória. 4. Usando os critérios de Ziegler-Nichols, determine os parâmetros de controladores P,PI e PID para os sistemas cujas funções de transferência são dadas abaixo: 0( + 5s) (a)g(s) = s( + 0, 5s) 3 (b)g(s) = ( + 2s)( + 2s + 3s 2 ) ( + s) (c)g(s) = (s )( + 2s) 2 K 5. Seja o processo cuja FT em malha aberta é G(s)H(s) = s( + 0, 2s) 2 suponha K=, calcule as margens de ganho e fase do sistema. Qual o valor de K que produzirá uma margem de ganho de 6 db? A partir dos resultados dos itens anteriores e dos ajustes de Ziegler-Nichols, determine os parâmetros de um controlador para o processo considerado.
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