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1 Universidade dos Açores Departamento de Economia e Gestão Mestrado em Ciências Empresariais Finanças Internacionais Ponta Delgada, Abril de 2009 Fernando José Rangel da Silva Melo

2 Sumário 1 Gestão Financeira Internacional 2 Mercados Financeiros Internacionais 3 Centros Financeiros Offshore 4 Gestor Financeiro Internacional 5 Custo Capital para o Investimento Internacional 6 Risco de Financiamento das Operações Internacionais 7 Formas Jurídicas Empresas Estrangeiras 8 Taxa Inflação 9 Impostos 10 Estratégia Hedging 11 Capital Budgeting 12 Global Cash Management 13 Contratos Multilaterais 14 O Futuro 15 Questões 2

3 1. Gestão Financeira Internacional 11Globalização 1.1 Anos 1990 surgimento de um grande Mercado Financeiro Global Liberalização do Comércio Diminuição das barreiras à exportação Aumento das transacções comerciais entre países 3

4 1. Gestão Financeira Internacional 1.2 Características Tratamento das finanças empresarias na dimensão mais ampla das relações económicas internacionais. Desregulamentação dos mercados financeiros. As transacções são efectuadas em mais de uma divisa. Cotação das acções em diferentes Bolsas. Introdução de novos instrumentos financeiros. Redução dos custos de informação. Redução dos custos de transacção. Empresas multinacionais inseridas num mercado financeiro globalizado têm acesso a aos mercados de capitais para financiar as suas operações actuais e futuras. 4

5 1. Gestão Financeira Internacional 1.3 Gestão Financeira Criar e manter valor, maximizando a riqueza do accionista, ou seja o valor de mercado da empresa. A Gestão Financeira têm como função a aquisição e alocação de recursos financeiros entre as actividades da empresa e os seus investimentos, ou seja os seus cash flows de curto prazo e de longo prazo. As empresas multinacionais têm acesso a nível local e global aos mercados de capitais para financiar os seus investimentos actuais e futuros. 5

6 2. Mercados Financeiros Internacionais 2.1 Mercado Cambial 2.2 Mercado Monetário 2.3 Mercado de Capitais 2.4 Mercado de Derivados 6

7 2. Mercados Financeiros Internacionais 2.1 Mercado Cambial Uma empresa que importe bens da Suíça pode ter de comprar euros para pagar a aquisição. Uma empresa americana que exporte paraasuíça pode receber euros que vende em troca de dólares. Ambas as empresas fazem uso do mercado cambial. Operações sem uma estrutura institucionalizada. Os vendedores e compradores são auxiliados pelos dados instantâneos fornecidos por entidades de informação financeira, como a Reuters, Bloomberg. Os principais participantes são os bancos centrais, bancos comerciais, bancos de investimento, importadores e exportadores, investidores em geral, fundos de hedge e instituições financeiras internacionais. 7

8 2. Mercados Financeiros Internacionais 2.2 Mercado Monetário Segmento do mercado financeiro a que se referem as operações de curto prazo, ou seja, aquisição e cedências de fundos por prazos que podem ir desde um dia (overnight) a uma ano. Possibilitam as transferências de fundos entre agentes temporariamente excedentários, por um lado, e deficitários, por outro, de forma a optimizar a utilização da liquidez disponível em cada momento. 8

9 2. Mercados Financeiros Internacionais 2.3 Mercado de Capitais Segmento do mercado financeiro das operações normalmente de médio e longo prazo. Com o processo de globalização financeira, o acesso aos mercados de capitais está facilitado. Hoje em dia, não só é mais fácil ao investidor estrangeiro aplicar os seus recursos nos países emergentes, como é também possível, ao empresário e governo dos países emergentes, acederem aos mercados de capitais mais desenvolvidos na procura de recursos. A Bolsa de Valores de Londres foi pioneira em negociar acções internacionais. 9

10 2. Mercados Financeiros Internacionais 2.4 Mercado de Derivados É o mais novo e dinâmico dos mercados financeiros internacionais, utilizado para fazer hedge de riscos financeiros. É composto por um conjunto de instrumentos financeiros: futuros, opções, swaps. Futuros: contratos que comprometem ambas as partes a transaccionar um instrumento financeiro numa data futura e a um preço pré-estabelecido. Opções: contratos que permitem ao seu detentor o direito de comprar ou vender um instrumento financeiro a um preço pré-estabelecido dentro de um período determinado. Swaps: são transacções onde duas partes trocam fluxos de pagamento. 10

11 3. Centros Financeiros Offshore 3.1 Características Centros financeiros onde os fundos em moeda estrangeira de não-residentes são depositados para depois serem canalizados, através de intermediários financeiros offshore, aos tomadores de empréstimo, também não-residentes. Têm como função fugir à regulamentação dos países de origem do investidor (individual ou institucional), sendo utilizados como locais para levantar e/ou acumular dinheiro com baixa ou nula tributação. Todas as operações financeiras são protegidas pelo sigilo e anonimato. 11

12 3. Centros Financeiros Offshore 3.2 Vantagens Domicílio de empresas internacionais (financeiras ou não) que criam holdings e subsidiárias em lugares onde existam benefícios fiscais e vantagens cambiais. Permite às empresas explorar com maior liberdade de acção do que no país de origem os mercados internacionais de capital. Paraísos fiscais para lucros e poupanças internacionais, além de serem fonte de liquidez para investidores internacionais num ambiente tributário neutro. 12

13 4. Gestor Financeiro Internacional 4.1 Características Executivo responsável pela aquisição dos recursos financeiros internacionais. Comprar activos que valem mais do que o seu custo, emitindo dívida que vale menos de que o capital angariado. Maximização da riqueza para o accionista seleccionando os projectos que representam boas oportunidades de investimento. Num ambiente global a sua actividade torna-se cada vez mais complexa devido ao risco cambial, riscos políticos e económicos. Tem de saber lidar com diferentes divisas, diferentes taxas de juro e de inflação. Deve estar familiarizado com uma variedade de mercados de capitais e de sistemas fiscais. 13

14 4. Gestor Financeiro Internacional 4.2 Estratégias de Gestão Internacional Para proteger os activos do investimento internacional o gestor deve: Definir emedir todos os tipos de exposição ao risco. Adoptar uma política centralizada de cobertura que atribui responsabilidade de forma a minimizar a exposição operacional e/ou estratégias financeiras de cobertura de risco. Organizar e implementar um sistema de informação para acompanhar a exposição cambial. O método mais seguro está numa posição equilibrada em que os activos expostos são iguais aos passivos igual expostas. 14

15 5. Custo de Capital para o Investimento Internacional A estrutura de capital corresponde à forma como as empresas utilizam o capital próprio e capital alheio para financiarem os seus activos. Decisões inadequadas de estrutura de capital podem resultar num elevado custo de capital. Boas decisões de investimento objectivam a diminuição do custo de capital da empresa, o que aumenta a riqueza dos accionistas. O custo de capital pode ser determinado pelo custo médio ponderado de capital que é obtido pelo custo de cada fonte de capital ponderado pela participação na estrutura de financiamento da empresa. O benefício fiscal proporcionado pelo endividamento levará a uma diminuição do custo médio ponderado de capital, aumentando o valor da empresa. A dependência excessiva de dívida de longo prazo aumenta risco financeiro e, portanto, exige um maior retorno. 15

16 5. Custo de Capital para o Investimento Internacional Existindo custos inerentes ao investimento no exterior, o custo de capital não é o mesmo em todos os países, pelo que teremos diferentes rendibilidade reais. Os gestores tendem a aumentar a rendibilidade exigida para o investimento estrangeiro com vista a cobrir o risco de expropriação, de restrições cambiais ou de alterações fiscais desfavoráveis. No entanto, é irrelevante a divisa usada. A principal dificuldade está na selecção da taxa de actualização correcta dos fluxos de tesouraria esperados no futuro. Num mercado financeiro livre, a taxa de actualização para o seu projecto é a rendibilidade que os accionistas esperam do investimento em títulos estrangeiros. 16

17 6. Riscos de Financiamento das Operações Internacionais 6.1 Risco Cambial 6.2 Risco Politico 6.3 Risco Taxas de Juro 17

18 6. Riscos de Financiamento das Operações Internacionais 6.1 Risco Cambial É a possibilidade de afectação negativa dos resultados das empresas resultante da flutuação imprevista das taxas de câmbio. Risco cambial existe pela: detenção de activos e existência i de responsabilidades d em moeda estrangeira e pela dependência externa da economia. Tipos de Risco Cambial Risco de transacção: resulta das transacções que se efectuem em moeda externa, quer comerciais, quer financeiras. Risco de conversão: resulta de investimentos de carácter duradouro noutros países, implicando alterações nos registos contabilísticos. Risco económico: resulta do modo como a economia responde aos movimentos das taxas de câmbio. 18

19 6. Riscos de Financiamento das Operações Internacionais 6.1 Risco Cambial Se os investidores anteciparem a variação da taxa de câmbio, as suas expectativas reflectir-se-ão no diferencial das taxas de juro, por isso perde em termos de rendimento de juros o que ganha com a conversão cambial. O investidor só pode ganhar dinheiro com a especulação cambial se puder prever que a taxa de câmbio se vai modificar para mais ou para menos relativamente ao diferencial da taxa de juro. O investidor terá de ser capaz de prever se a taxa de câmbio se vai modificar mais ou menos que o prémio ou desconto da cotação forward. 19

20 6. Riscos de Financiamento das Operações Internacionais 6.2 Risco Político Consiste na ameaça de um governo mudar as regras do jogo, ou seja, quebrar uma promessa ou um acordo, após ter sido feito o investimento. As empresas multinacionais, estruturam o seu negócio de forma a reduzir os riscos políticos, concebendo certos esquemas financeiros que ajudam a manter a honestidade dos governos estrangeiros. Por exemplo, uma empresa deverá financiar parte do projecto com um empréstimo do Banco Mundial, incluindo uma cláusula de incumprimento cruzado de tal modo que um incumprimento relativamente a qualquer credor imponha, automaticamente, o incumprimento relativo ao empréstimo do Banco Mundial. Poucos são os governos que se atrevem a desafiar o Banco Mundial. 20

21 6. Riscos de Financiamento das Operações Internacionais 6.3 Risco Taxa Juro Risco que resulta para um portfolio ou empresa, de uma variação desfavorável das taxas de juro. O risco de taxa de juro pode ser hedged (coberto) usando instrumentos de taxa fixa e swaps de taxa de juro, de forma a criar um perfil de reacção a variações de taxa de juro semelhante nos passivos e activos. De acordo com a teoria da paridade das taxas de juro, o diferencial de juros entre dois países deve ser igual à diferença entre as taxas de câmbio forward (mercado a termo) e à vista. Num mercado de capitais mundial integrado, as taxas de juro reais teriam de ser as mesmas. Na prática, a regulamentação governamental e os impostos podem causar diferenças nas taxas de juro reais. 21

22 7. Formas Jurídicas Empresas Estrangeiras 7.1 Sucursal estrangeira Extensão externa da empresa mãe onde os lucros ou perdas são directamente incluídos no rendimento tributável do país. É uma forma de representação permanente no estrangeiro, de uma sociedade, que não tem personalidade jurídica e exerce, no todo ou em parte, a actividade da empresa. A sucursal é obrigada a utilizar onomedaempresa estrangeira, na língua do país da sua sede. Terá de apresentar uma contabilidade diferente da contabilidade da empresa mãe, efectuada de acordo com a legislação do país estrangeiro. 22

23 7. Formas Jurídicas Empresas Estrangeiras 7.1 Filial estrangeira Entidade jurídica criada num país estrangeiro, de acordo com suas leis. Sociedade detida maioritariamente por outra que sobre ela exerce a sua gestão. Utilizada para estabelecer presença e avaliar as oportunidades, antes de realizar compromissos financeiros maiores necessários para estabelecer uma sucursal. Terá de apresentar uma contabilidade de acordo com as regras contabilísticas da empresa mãe. 23

24 8. Taxa de Inflação A lei do preço único afirma que um dólar deve ter o mesmo poder de compra em todos os países. Porém, tal lei não se ajusta bem à realidade, pois as diferenças nas taxas de inflação não estão perfeitamente relacionadas com as alterações nas taxas de câmbio. Isto significa que poderão existir riscos cambiais reais quando se fazem negócios no estrangeiro. A diferença entre as taxas de inflação pode estar tanto acima como abaixo da variação das taxas de câmbio. 24

25 9. Impostos No mercado internacional os impostos dependem: Localização das operações internacionais. Escolha da forma de funcionamento: comércio, licenciamento, IDE. Forma jurídica da empresa estrangeira: sucursal, filial. Métodos de financiamento: fontes externas, dívida, ou capital próprio. p 25

26 9. Impostos Cada empresa é tributada numa percentagem do valor acrescentado em cada etapa do processo de negócio. O objectivo principal do imposto está em evitar dupla tributação internacional, ou para fornecer soluções quando ela ocorre. A OCDE, o FMI e a UE trabalham para estreitar as diferenças fiscais sobre a transferência de dinheiro. 26

27 10. Estratégia Hedging Conceito Instrumento que visa proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações de preço de determinado activo. Uma estratégia de hedging consiste em realizar um determinado investimento com o objectivo específico de reduzir ou eliminar o risco de outro investimento ou transacção. 27

28 10. Estratégia Hedging 10.2 Estratégia Financeira Consiste em usar o mercado futuro para especificar as taxas de câmbio através de contratos forward, e estabelecer taxas de câmbio fixas para futuras operações utilizando moeda estrangeira a uma taxa fixa trocada por um determinado período de tempo. Se comprar hoje, no mercado de futuros um montante dessa moeda equivalente ao valor da factura, consegue isolar-se do risco de ocorrerem alterações da taxa de câmbio que tornem a transacção mais cara na sua moeda. 28

29 11. Capital Budgeting Processo pelo qual as empresas analisam os projectos em que os países vão receber fundos de investimento de capital. As empresas multinacionais determinam os fluxos de caixa livre com base em fluxo de caixa e em estimativas das taxas de imposto em diferentes países, bem como uma taxa de retorno exigida. O Capital Budgeting analisa em cada projecto: Período de recuperação: o número de anos necessário para recuperar o investimento inicial. Valor Actualizado Líquido: o valor presente líquido de um projecto futuro. Taxa Interna de Rentabilidade: taxa que equivale ao valor actual dos futuros fluxos de caixa com o valor actual do investimento inicial. 29

30 12. Global Cash Management O Global Cash Manegement (Gestão Global de Tesouraria) implica a gestão de diferentes taxas de inflação, as flutuações cambiais e as restrições de governo restrições sobre o fluxo de fundos Os dividendos são uma boa fonte de transferências, porém os governos frequentemente restringem a sua livre circulação. O dinheiro pode ser transaccionado pelo pagamento de juros, reembolsos de empréstimos concedidos, royalties pelo uso de marcas e patentes, comissões de gestão ou pagamentos de bens fornecidos. 30

31 13. Contratos Multilaterais Processo de coordenação de fluxos entre filiais de forma que só o dinheiro liquido seja transferido, minimizando, assim, custos de transacção. Por exemplo, nos Estados Unidos, se a subsidiária exercer actividade num país com elevadas taxas de impostos tendo um acordo de dupla tributação, os pagamentos dos dividendos não são sujeitos a impostos adicionais. Neste caso, poderá ser melhor a empresa mãe conceder um empréstimo à subsidiária. i A empresa mãe nos Estados Unidos, tem de pagar o imposto sobre os respectivos juros, mas a subsidiária no estrangeiro pode reduzir os juros antes de pagar o imposto local. Outra forma de transferir rendimentos de regiões com impostos elevados para outras, com impostos reduzidos, consiste em cobrar royalties ou comissões de gestão à subsidiária. Ou pode ser possível modificar os preços de transferência nas vendas de mercadoria no seio do grupo. 31

32 14. O Futuro O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), a maior associação de bancos do mundo, preveniu que a economia mundial irá registar uma contracção de 1,8% em O instituto pediu aos governos que apliquem medidas de estímulo à economia mundial que tenham um «efeito imediato» e sejam acompanhadas de planos transparentes de consolidação fiscal no médio prazo. A corrida desenfreada, a nível mundial, pela apropriação de riquezas através da "manipulação financeira" é a força por detrás da crise que se vive actualmente. «Para produzir um forte estímulo económico poderá ser necessário aplicar uma política monetária mais expansionista», justificou o IIF. 32

33 15. Questões 1. Qual a principal função da área das finanças numa empresa? A principal função relaciona-se com a aquisição e alocação de recursos financeiros entre as actividades da empresa e os seus investimentos, ou seja os seus cash flows de curto prazo e de longo prazo. 2. Como é que as empresas usam os centros financeiros offshore para gerar capital? Aplicam os lucros e poupanças internacionais num ambiente tributário neutro permitindo aos investidores obter benefícios fiscais e vantagens cambiais. 33

34 16. Questões 3. Os impostos dependem de que factores numa dimensão internacional? Localização das operações internacionais. Escolha da forma de funcionamento: comércio, licenciamento, IDE. Forma jurídica da empresa estrangeira: sucursal, filial. Métodos de financiamento: fontes externas, dívida, ou capital próprio. p 34

35 16. Questões 4. Quais as estratégias financeiras de cobertura de moeda estrangeira num contexto global? Consiste em usar o mercado futuro para especificar as taxas de câmbio através de contratos forward, e estabelecer taxas de câmbio fixas para futuras operações utilizando moeda estrangeira a uma taxa fixa trocada por um determinado período de tempo. 35

36 16. Questões 5. Num contexto global o que é o capital budgeting? Processo pelo qual as empresas analisam os projectos e que os países vão receber fundos de investimento de capital. 6. Qual a dimensão global do cash management? O global cash manegement (Gestão Global de Tesouraria) implica a gestão de diferentes taxas de inflação, as flutuações cambiais e as restrições de governo restrições sobre o fluxo de fundos. 36

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