1. INTRODUÇÃO Definição
|
|
|
- Oswaldo Paranhos Belo
- 8 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 1. INTRODUÇÃO 1.1. Definição Diabetes melito é uma doença endócrina comum em gatos. Atualmente, assume-se que aproximadamente 80% desses gatos sofrem de diabetes tipo 2, que se caracteriza pela combinação de resistência à insulina dos tecidos periféricos e do fígado com a insuficiência de células β. A hiperglicemia por si só tem efeitos negativos na função das células β e na sensibilidade à insulina, um fenômeno denominado glicotoxicidade. (AUGUST J.R. 2011) O diabetes melito, a segunda endocrinopatia mais comum em gatos, é uma doença causada pela destruição progressiva das células β pancreáticas ou pela resistência à insulina. O desenvolvimento geralmente é atribuído à deposição de polipeptideo amiloide nas ilhotas, uma proteína que se polimeriza com o amiloide. O resultado é uma capacidade prejudicada das células β em perceber os níveis de glicose sanguínea e responder com a liberação adequada de insulina. Pode ocorrer secundariamente a uma condição primaria subjacente (obesidade, síndrome de Cushing, acromegalia, administração de progestina, etc.) que provoque uma resistência à insulina. Ela também pode ocorrer simultaneamente com a pancreatite crônica, uma doença frequentemente não reconhecida nos gatos. Os sinais clínicos clássicos são poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso. Eles ocorrem como resultado da hiperglicemia persistente. (NORSWORTHY, G.D. et al. 2009) 1.2. Diagnóstico Nos felinos, geralmente o diabetes só é diagnosticado quando a concentração da glicose sanguínea fica acima do limiar renal, provocando perda obrigatória de água e, a partir de então, são observados poliúria e polidipsia. Isso geralmente esta associado a uma glicemia de 234 a 288 mg/dl ou maior. É provável que se os felinos forem classificados como diabéticos, com persistente concentração de glicose sanguínea em jejum de 180 mg/dl ou 7
2 mais, a maior parte dos felinos diabéticos também seria não-insulino-dependente, e uma proporção muito maior poderia ser controlada apenas com perda de peso e dieta. (AUGUST J.R. 2011) Sinais clínicos de poliúria, polidipsia, polifagia e perda de peso devem estar presentes, hiperglicemia e glicosúria persistentes distinguem de outras causas para estes sinais clínicos e da hiperglicemia de estresse. Como diagnóstico secundário temos a frutosamina sérica que determina o nível médio de glicose das últimas duas semanas, testes pancreáticos também devem ser feitos para diagnosticar uma pancreatite crônica simultânea. (NORSWORTHY, G.D. et al. 2009) 1.3. Tratamento e remissão Em felinos, o tratamento com glargina esta associado a um baixo risco de hipoglicemia, parece resultar em uma probabilidade mais alta de remissão e a insulinoterapia deve ser associada com dietas pobres em carboidratos para minimizar a demanda de produção de insulina pelas células β. (AUGUST J.R. 2011) A toxidez glicêmica é um fenômeno importante que deve ser compreendido, porque está relacionado aos objetivos do tratamento, da remissão e da escolha da insulina. A toxidez se refere à supressão da secreção de insulina pelas células beta em consequência da hiperglicemia prolongada. A toxidez da glicose é dose dependente, e ocorre menos supressão em concentrações mais baixas de glicose. Inicialmente, a intoxicação produz supressão reversível da secreção de insulina pelas células beta, mas, posteriormente, isso causa perda irreversível dessas células. Alcançar a resolução da toxidez glicêmica é extremamente importante para os objetivos de se alcançar a remissão diabética. (AUGUST J.R. 2011) O tratamento imediato pode reverter esses efeitos, no mínimo em parte, e o diabetes pode entrar em remissão. Normalmente, a remissão ocorre durante os 3 primeiros meses de terapia, no entanto ela pode levar até um ano ou mais. A possibilidade de remissão do diabetes é uma das razões pela qual é imperativa a supervisão próxima e a mensuração regular 8
3 da glicemia. Pode ocorrer hipoglicemia séria se a remissão não for observada e a administração de insulina não for interrompida. (AUGUST J.R. 2011) Acredita-se que a redução do tempo de exposição das células beta à hiperglicemia acentuada seja importante para a recuperação da função dessas células dos efeitos supressivos da toxicidade glicêmica. A recuperação das células beta é essencial para a subsequente remissão diabética. (AUGUST J.R. 2011) Para os felinos que iniciaram o controle intensivo da glicemia no intervalo de 6 meses a partir do diagnostico, a taxa de remissão foi de 84%, essa taxa diminui para 35% nos felinos que iniciaram o mesmo protocolo com mais de 6 meses após o diagnóstico logo, é extremamente importante obter-se um controle glicêmico efetivo precoce. Os felinos tratados com glicocorticóides nos 6 meses anteriores ao diagnóstico foram mais propensos a evoluir para remissão quando comparados aos felinos sem tratamento prévio. Como existe associação de resistência insulínica ao tratamento com glicocorticoides, esses pacientes dão início agudo de sinais, o que leva à procura médica e tratamento precoce da intoxicação por glicose. Os felinos que exibem postura plantígrada no diagnóstico ou sinais leves de neuropatia são menos propensos a evoluir para a remissão, provavelmente esses pacientes foram expostos à hiperglicemia descontrolada por mais tempo e assim perda de mais células β como consequência. A dose máxima de insulina necessária é mais baixa em felinos que se tornam não insulino-dependentes comparados com os que permaneceram insulino-dependentes. (AUGUST J.R. 2011) A base do tratamento é fornecer uma boa qualidade de vida, eliminando os sinais clínicos do diabetes e evitando complicações, como a hipoglicemia e a cetoacidose. Não é necessário atingir níveis normais de glicemia, porque a maioria dos gatos permanece bem quando a glicemia sanguínea se mantém entre 90 e 270 mg/dl. O tratamento bem sucedido, necessita que o proprietário esteja motivado e colabore com o veterinário, que deve seguir um protocolo preciso. (AUGUST J.R. 2011) Nos últimos anos, o principal objetivo no tratamento de diabetes melito em felinos evoluiu da melhora dos sinais clínicos para a obtenção do estado euglicêmico sem a necessidade de terapia insulínica, o que geralmente se chama de remissão diabética. A remissão ou a não insulino-dependência apresenta benefícios enormes para a saúde e para a 9
4 qualidade de vida dos pacientes diabéticos felinos, alem de benefícios de custo e estilo de vida para seus proprietários. Para os felinos que não revertem para o estado de não insulinodependência, os objetivos da terapia são os de resolver os sinais clínicos de poliúria, polidipsia e perda de peso e, ao mesmo tempo, evitar a hipoglicemia com o risco de morte. (AUGUST J.R. 2011) Não está claro se os felinos em remissão devem ser classificados como diabéticos ou como verdadeiramente estando em remissão diabética. É provável que alguns felinos previamente diabéticos sejam, verdadeiramente, diabéticos em remissão, outros apresentem tolerância prejudicada à glicose e alguns devem ser considerados diabéticos não insulinodependentes. (AUGUST J.R. 2011) Alcançar a remissão só é possível se houver células beta remanescentes funcionais. Assim, os felinos com outros tipos específicos de diabetes melito que destroem células beta ou felinos com diabetes melito crônica mal controlada, que leva ao dano crônico glicotóxico dessas células, dificilmente alcançarão remissão, e o objetivo da terapia será controlar os sinais clínicos. (AUGUST J.R. 2011) Na fase de redução da dose é melhor não reduzir rapidamente, isso provavelmente reduzirá a probabilidade de remissão devido a retirada da insulina antes de as células beta terem se recuperado da toxidez glicêmica. A cada dose reduzida asseguras-se de que o felino continua estável, com glicemia normal por pelo menos uma semana antes de reduzir mais a dose, caso haja um aumento da glicemia após diminuição da dose, deve-se aumentar a dose para a ultima dose efetiva imediatamente. Assim que o felino atingir uma dose de 0,25 UI BID e necessitar de redução, passar para SID, tentar continuar com a mínima dose possível antes de interromper a insulina completamente. (AUGUST J.R. 2011) Tão logo o felino em remissão, é importante continuar a alimentá-lo com uma dieta de níveis baixos de carboidratos. A administração de glicocorticóides deve ser evitada, se necessário, concomitante a terapia fazer glargina em doses baixas como 0,5 UI/kg SID. (AUGUST J.R. 2011) Para felinos em remissão a glicemia deve ser checada 1 vez por semana no primeiro mês e na urina diariamente. A mensuração do consumo de água também é útil para detectar felinos que não se encontram mais em remissão. Se ocorrer hiperglicemia a insulina deve ser 10
5 imediatamente reinstituída para evitar maiores danos às células beta, pode acontecer desse felinos alcançar uma segunda remissão. (AUGUST J.R. 2011) Insulina Glargina A remissão é a meta da terapia nos felinos, o protocolo deve proporcionar maior probabilidade de alcançar esse resultado. As insulinas de ação prolongada análogas a glargina (Lantus ) produzem taxas de remissão superiores, com base nisso, a insulina de primeira escolha em felinos diabéticos recentemente diagnosticados é a glargina. Projetada para ser administrada a cada 24h em humanos, a glargina é comercializada como uma insulina sem pico em relação ao seu efeito redutor de glicose, relacionado à taxa de utilização de glicose dessa insulina. (AUGUST J.R. 2011) A glargina apresenta uma duração de ação muito longa, e após a injeção ela forma microprecipitados no subcutâneo, os quais são metabolizados gradualmente. Essa liberação lenta para a circulação produz sua ação sustentada. É comercializada para uso humano com uma vida útil de 28 dias em temperatura ambiente após ser aberta, é um pouco frágil, mas quimicamente estável em solução por 6 meses sob refrigeração. Para uso veterinário, recomendamos que seja mantida em refrigeração e que seja utilizada em até 6 meses. Deve ser descartada imediatamente se for observada turvação ou descoloração. A duração média da ação após uma dose de 0,25 UI/kg foi de, no mínimo, 20 horas, mas pode ser mais curta em alguns felinos, cerca de 14 horas. (AUGUST J.R. 2011) Dieta Uma dieta restrita em carboidratos é essencial para o manejo dos pacientes diabéticos felinos e para alcançar e manter a remissão. Essas dietas reduzem a demanda por secreção de insulina pelas células beta. A dieta deve ser iniciada junto com a insulinoterapia e é importante que seja continuada durante a remissão. (AUGUST J.R. 2011) 11
6 A obesidade reduz a sensibilidade insulínica em 50% e requer maior secreção de insulina para manter a concentração de glicose na faixa normal, dessa forma, é extremamente importante que os felinos atinjam o peso corporal ideal para maior probabilidade de alcançar e manter a remissão. (AUGUST J.R. 2011) 1.4. Monitoramento O monitoramento caseiro da glicemia pelos proprietários é uma ferramenta adicional para melhorar o manejo a longo prazo do diabetes. No entanto, ele não substitui a reavaliação regular pelo veterinário. A reavaliação deve incluir a avaliação dos sinais clínicos, a determinação da frutosamina sérica e a glicemia. A avaliação dos sinais clínicos, tanto pelo proprietário quanto pelo clinico, é o parâmetro mais importante. Um gato bem regulado não tem ou demonstra apenas sinais clínicos bem discretos de diabetes. Em um gato sem sinais clínicos é crucial determinar se ocorreu a remissão do diabetes. Em gatos com sinais clínicos persistentes, a causa deve ser identificada e a terapia ajustada de acordo. A mensuração do consumo de água e da concentração de glicosúria é útil em felinos irascíveis, nos quais a glicemia não pode ser realizada sem sedação ou anestesia. No entanto, a glicemia fornecerá informações mais precisas para ajuste na dose e os proprietários devem ser encorajados a realizar o monitoramento domiciliar para maximizar a probabilidade de remissão. (AUGUST J.R. 2011) As curvas glicêmicas são necessárias para avaliar a eficácia da insulina, o nadir da glicemia, a duração do efeito da insulina, o grau de flutuação da glicemia e o efeito de Somogyi. Em geral, uma única mensuração da glicemia é considerada insuficiente para avaliar o controle metabólico. A avaliação da curva é de particular importância nas fases iniciais da regulação do diabetes e em gatos com persistência dos sinais clínicos. Para realizar uma curva no hospital preferimos que o proprietário alimente seu gato e aplique a insulina em casa, e então traga o gato ao hospital o mais cedo possível (dentro de 2 horas). Este esquema elimina o efeito da não ingestão de alimento nos níveis glicêmicos se o gato se recusa a comer na clínica, no mínimo naqueles gatos que somente são alimentados no momento da administração da insulina. Apenas quando se suspeita que os proprietários estejam com 12
7 dificuldade técnica pede-se para que eles tragam seu gato ao hospital antes da administração da insulina, e que eles realizem todo o procedimento de aplicação sob supervisão. (AUGUST J.R. 2011) Há alguns problemas associados com a mensuração seriada da glicemia em gatos hospitalizados. Consome tempo, assim em muitos pacientes ele pode não ser realizado tão frequentemente quanto indicado. Segundo, a glicemia pode ser influenciada marcantemente pelo estresse determinado pela manipulação do animal pelo veterinário em um ambiente não familiar. Consequentemente, a curva pode revelar um aumento contínuo da glicemia ou pode estar elevada desde o inicio. Na última situação não é possível diferenciar entre a hiperglicemia associada ao estresse, subdose de insulina e outras causas de resistência à insulina. Nos gatos levados ao hospital para realizar uma curva após alimentados ou nos gatos acostumados a beliscar o alimento durante o dia a recusa a se alimentar tem um impacto intenso na glicemia. Assim, é difícil decidir se a falta de ingestão de alimento ou a sobredose de insulina é a causa das baixas concentrações de glicose. (AUGUST J.R. 2011) A mensuração de frutosamina sérica não é um indicador sensível de hiperglicemia. O ensaio de frutosamina sérica é mais útil em situações nas quais existe muito pouca história clínica, e não se sabe se a hiperglicemia está associada ao estresse ou se é verdadeiramente persistente e associada ao diabetes melito. No entanto, isto poderia ser respondido de maneira mais simples, mais rápida e mais barata pela hospitalização do felino e pela medida de glicose depois de, pelo menos, 3 horas. Como o felino não se debate na segunda coleta, a concentração da glicose deve permanecer dentro da variação normal quando medida 3 a 6 horas após, se a hiperglicemia for causada pelo estresse associado à primeira coleta. Se a concentração de glicose ainda estiver levemente aumentada, deve-se então, medir sua concentração novamente na manhã seguinte, para esclarecer o diagnóstico. Se a concentração for maior que 270mg/dL, a terapia para diabetes deve ser instituída. (AUGUST J.R. 2011) A frutosamina é o produto de uma reação irreversível entre a glicose e o grupo amino de várias proteínas séricas, e sua concentração reflete a concentração média da glicemia de 1 a 2 semanas anteriores. Os limites de referência diferem ligeiramente entre os laboratórios, mas normalmente estão em torno de 200 a 360 µmol/l. Na maioria dos gatos com diabetes recém-diagnosticados os níveis de frutosamina são mais altos que 400 µmol/l, e podem chegar a µmol/l. Níveis normais de frutosamina podem ser observados em gatos 13
8 com diabetes de início bem recente e em gatos diabéticos hipertireoideos ou com hipoproteinemia concomitante. As concentrações de frutosamina aumentam quando piora o controle glicêmico e diminuem quando melhora. Normalmente a concentração de frutosamina não retornará ao valor normal, porque mesmo os gatos bem controlados apresentarão hiperglicemia discreta a moderada durante o dia. Consequentemente, a concentração normal de frutosamina deve levantar a suspeita de períodos prolongados de hipoglicemia (overdose de insulina ou remissão do diabetes). Em geral, o controle metabólico é considerado bom quando os níveis de frutosamina estão entre 350 e 450 µmol/l, moderado quando os valores estão entre 450 e 550 µmol/l, e pobre quando os níveis são mais altos que 550 a 600 µmol/l. No último caso, a frutosamina não é útil em caracterizar o problema, porque todas as possíveis razões para o controle pobre (isto é, subdose de insulina, efeito muito curto da ação da insulina, doenças que causam resistência à insulina, problemas na absorção da insulina, efeito Somogyi) têm o mesmo impacto na frutosamina. Em alguns gatos, os níveis de frutosamina permanecem altos, sugerindo pobre controle metabólico, embora os sinais clínicos e os níveis de glicemia estejam bem controlados. Na maioria dos gatos, a razão para essa discrepância permanece desconhecida. Assim, a avaliação dos sinais clínicos e a glicemia são os critérios mais importantes para a tomada de decisões sobre o tratamento. (AUGUST J.R. 2011) 1.5. Resistência insulínica A resistência insulínica é a característica da diabetes tipo 2. Em média, os felinos diabéticos são seis vezes menos sensíveis à insulina em relação aos felinos saudáveis. Os felinos com sensibilidade insulínica abaixo da média da população apresentam risco três vezes maior de desenvolver tolerância a glicose prejudicada com o ganho de peso. Em felinos, o ganho de peso de 44% em um período de 10 meses reduz a sensibilidade insulínica pela metade. Em seres humanos e em cães, a inatividade física leva à resistência insulínica, independente do peso, mas não há informações que isso ocorre em felinos. Os fármacos, especialmente os de uso crônico ou a administração repetida de glicocorticoides, induzem resistência à insulina e se constituem frequentemente em um fator precipitante dos sinais 14
9 clínicos de diabetes em felinos. A hiperglicemia também induz resistência à insulina e é reversível com a melhora do controle glicêmico. (AUGUST J.R. 2011) A perda de função das células beta é outra característica do diabetes tipo 2. Acredita-se que a principal causa da perda de células beta no diabetes tipo 2 seja a apoptose disparada pelo dano às células beta, e que este dano esteja associado à hiperfunção crônica que, por sua vez, ocorre de forma secundária à resistência crônica à insulina. Outras causas para a perda de células beta incluem pancreatite e depósito amiloide das ilhotas. Alguma perda de função é irreversível, como ocorre no início da intoxicação por glicose. A perda das células beta ocorre nos estágios tardios da intoxicação por glicose, resultando na perda irreversível da secreção das células beta. Logicamente, quanto maior a perda de células beta menor será a probabilidade de remissão em um felino. (AUGUST J.R. 2011) 2. RELATO DE CASO 2.1. O Paciente e sua queixa principal O paciente Biscoito, felino, doméstico de pelo longo, macho e castrado deu entrada no Centro Veterinário Piera no dia 14 de abril de 2014 com 6 anos e 4,6kg com sinais de letargia, poliúria, polidipsia, hiporexia e perda de peso progressiva há 2 meses, demais sintomas há cerca de 5 dias. Tinha histórico de obesidade e acúmulo de gordura abdominal e suspeita de início de esteatose hepática há 4 meses anteriormente aos sintomas. 15
10 2.2. Conduta médica imediata Realizamos uma glicemia no consultório e o resultado foi de 485mg/dL, o paciente foi encaminhado para a internação com suspeita diagnóstica de diabetes melito. Dia 15 de abril de 2014 a proprietária compareceu à visita da noite, foi orientada sobre a importância de passar animal por especialista, a mesma concordou e compareceu à consulta com endocrinologista, foi solicitado urinálise e frutosamina, proprietária autorizou realização dos mesmos. Animal estável durante todo período, glicemia variou bastante, se alimentou nos horários estabelecidos e ficou internado para estabilização e coleta de exames no dia seguinte de manhã Acompanhamento especializado Dia 17 de abril de 2014 passou em consulta com a endocrinologista, apresentava normorexia, poliúria, polidipsia, normoquesia, apatia, prostração e perda de peso (escore corporal 3), foram solicitados exames de curva glicêmica, hemograma, ureia, creatinina, GGT, fosfatase alcalina, urinálise e frutosamina, além de nova curva glicêmica em casa e frutosamina dentro de 1 mês. Iniciou-se a insulino terapia com insulina glargina (Lantus ) 2UI BID. Iniciada também dieta exclusiva com ração úmida. Passou-se a fazer acompanhamentos rotineiros e exames mensais como curva glicêmica e frutosamina. Além de exames adicionais como urinálise (vide tabela 2), ureia, creatinina e enzimas hepáticas. Animal acompanhado desde o início da insulino-terapia até 1 mês após parar sua administração (vide tabela 1). Em 3 meses de insulino-terapia com insulina glargina foi alcançada a remissão da diabetes. Fato percebido pela recuperação do comportamento normal do paciente, peso ideal atingido, e glicemia, frutosaminas e dose insulínicas diminuindo gradativamente. 16
11 Data Peso Glicemia Frutosamin Dose de insulina glargina (dd/mm/aaaa) (kg) (mg/dl) a (UI) (micromol/l ) 17/04/2014 4, BID 21/04/2014 4, BID 14/05/2014 5, BID 26/05/2014 5, SID 13/06/2014 5, ½ SID 21/06/2014 5,7 73 ½ SID 10/07/2014 5, ½ SID 31/07/2014 5,8 99 Sem insulina 01/08/2014 5, Sem insulina 20/08/ Sem insulina Tabela 1: Acompanhamento desde o inicio da insulino-terapia até 1 mês após a retirada da insulina. 17
12 Data (mm/aa) Densidade ph Proteínas Glicose Corpos cetônicos 04/ ,00 6 Negativo Superior a 500 mg/dl Negativo 06/ ,00 6,5 Negativo Normal Negativo Tabela 2: Acompanhamento da ausência rápida da glicosúria 2 meses após início da insulinoterapia. O paciente ainda é acompanhado na rotina a cada 3 a 6 meses e ainda come exclusivamente ração úmida. 3. CONCLUSÃO O paciente diabético diagnosticado e controlado precocemente tem mais chances de evoluir bem diminuindo os sinais clínicos e evitando as possíveis complicações. É importante associar a insulino-terapia com dieta adequada (menos carboidratos). Por fim, a combinação de tratamento médico bem instituído e o comprometimento do proprietário aumentam muito a possibilidade de remissão diabética que, além de oferecer uma boa qualidade de vida ao paciente, também é o principal objetivo do tratamento. 18
13 4. REFERENCIAS AUGUST J.R. Medicina Interna de Felinos. 6ª Ed. Elsevier Saunders Seção IV Doenças Endócrinas e Metabóicas. Capitulo 26 e 27 pg NORSWORTHY, G.D. et al. O paciente felino. 3ª Ed. Roca Seção I Medicina Interna. Capitulo pag
DIABETES - MONITORAR PARA CUIDAR BEM! FELINOS
DIABETES - MONITORAR PARA CUIDAR BEM! FELINOS INTRODUÇÃO A diabetes melito é uma dos distúrbios endócrinos mais comuns em gatos, provavelmente devido ao aumento da prática dos veterinários, mas também
DIABETES EM FELINOS MONITORAR PARA CUIDAR BEM!
DIABETES EM FELINOS MONITORAR PARA CUIDAR BEM! INRODUÇÃO A diabetes melito é considerada uma desordem metabólica comum em felinos, sendo a obesidade, inatividade física e aumento da longevidade um dos
Acompanhamento farmacoterapêutico do paciente portador de Diabetes mellitus tipo 2 em uso de insulina. Georgiane de Castro Oliveira
Acompanhamento farmacoterapêutico do paciente portador de Diabetes mellitus tipo 2 em uso de insulina Georgiane de Castro Oliveira Doença e evolução Diabetes Mellitus é um grupo de doenças caracterizado
FISIOTERAPIA PREVENTIVA
FISIOTERAPIA PREVENTIVA DIABETES MELLITUS APOSTILA 5 DEFINIÇÃO É um distúrbio crônico, caracterizado pelo comprometimento do metabolismo da glicose e de outras substâncias produtoras de energia, bem como
DIABETES MELLITUS. Jejum mínimo. de 8h. Tolerância à glicose diminuída 100 a a 199 -
DIABETES MELLITUS 3.3 - Diagnóstico Glicemias (mg/dl) Categorias Jejum mínimo de 8h 2hs após 75g de glicose Casual Normal 70 a 99 até 139 - Tolerância à glicose diminuída 100 a 125 140 a 199 - Diabetes
Insulinoterapia no Diabetes tipo 1. Profa. Fernanda Oliveira Magalhães
Insulinoterapia no Diabetes tipo 1 Profa. Fernanda Oliveira Magalhães Doença crônica caracterizada pela destruição parcial ou total das células beta das ilhotas de Langerhans pancreáticas, resultando na
Manejo do Diabetes Mellitus na Atenção Básica
Manejo do Diabetes Mellitus na Atenção Básica Daiani de Bem Borges Farmacêutica (NASF/PMF) Preceptora da Residência Multiprofissional em Saúde/UFSC/PMF Doutoranda - Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva/UFSC
Pâncreas O Pâncreas é um órgão do sistema digestivo e endócrino. Tem uma função exócrina (segregando suco pancreático que contém enzimas digestivas) e
Projecto Tutorial - Diabetes Trabalho realizado por: Carlos Bernardo 2 º Ano Bioquímica No âmbito da Cadeira de M.E.T. III Ano Lectivo: 2007/2008 Pâncreas O Pâncreas é um órgão do sistema digestivo e endócrino.
5) Hiperglicemia hospitalar
79 5) Hiperglicemia hospitalar Grupo de Hiperglicemia Hospitalar do HCFMUSP: Ana Claudia Latronico, Marcia Nery, Simão Lottenberg, Marcos Tadashi Kakitani Toyoshima, Sharon Nina Admoni, Priscilla Cukier.
Insulinoterapia no pré per e pós operatório. Profa. Fernanda Oliveira Magalhães
Insulinoterapia no pré per e pós operatório Profa. Fernanda Oliveira Magalhães Mais de 50% dos pacientes diabéticos têm chance de serem submetidos a alguma cirurgia pelo menos uma vez na vida. O diagnóstico
TPC Módulo 3 As respostas obtidas
TPC Módulo 3 As respostas obtidas TPC Módulo 2 As soluções 1) Relativamente aos tipos de insulina, assinale a afirmação verdadeira: a) A insulina detemir é uma insulina humana de ação prolongada. b) A
3) Complicações agudas do diabetes
73 3) Complicações agudas do diabetes Hiperglicemias As emergências hiperglicêmicas do diabetes melitus são classificadas em: cetoacidose diabética (CAD) e estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH), que
Controle Glicêmico Intra-Hospitalar. Introdução
Controle Glicêmico Intra-Hospitalar Introdução A hiperglicemia é comum em doenças agudas, sendo mais frequente ainda em pacientes internados. Cerca de 38% dos pacientes internados foram identificados como
Medicações usadas no tratamento do Diabetes Mellitus. Disciplina Farmacologia Profª Janaína Santos Valente
Medicações usadas no tratamento do Diabetes Mellitus Disciplina Farmacologia Profª Janaína Santos Valente Definição O Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela hiperglicemia, resultante de defeitos
TERAPIA INSULÍNICA E CONTROLE DA DIABETES MELLITUS CANINA: RELATO DE CASO RESUMO
7 TERAPIA INSULÍNICA E CONTROLE DA DIABETES MELLITUS CANINA: RELATO DE CASO Bruna de Pizzol Barroso 1 Marines de Castro 2 RESUMO A diabetes mellitus é uma doença endócrina que vêm se tornando cada vez
Aula 05 DIABETES MELLITUS (DM) Definição CLASSIFICAÇÃO DA DIABETES. Diabetes Mellitus Tipo I
Aula 05 DIABETES MELLITUS (DM) Definição O diabetes surge de um distúrbio na produção ou na utilização da insulina por isso é considerado um distúrbio endócrino provocado pela falta de produção ou de ação
Protocolo para controle glicêmico de paciente não crítico com diagnóstico prévio ou não de diabetes mellitus
Protocolo para controle glicêmico de paciente não crítico com diagnóstico prévio ou não de diabetes mellitus A) PACIENTES SEM DIAGNÓSTICO DE DIABETES MELLITUS PRÉVIO B) PACIENTES COM DIABETES MELLITUS
HIPERÊMESE GRAVÍDICA. Msc. Roberpaulo Anacleto
HIPERÊMESE GRAVÍDICA Msc. Roberpaulo Anacleto Introdução A ocorrência ocasional de náuseas e vômitos até 14 semanas de gestação, mais comum no período da manhã, é rotulada como êmese gravídica e pode ser
ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS. Diabetes Mellitus Parte 2. Profª. Tatiane da Silva Campos
ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS Diabetes Mellitus Parte 2 Profª. Tatiane da Silva Campos Tratamentos para DM: - Não medicamentoso Dieta Atividade física - Medicamentoso Oral Insulina Tratamentos
ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS. Diabetes Mellitus Parte 1. Profª. Tatiane da Silva Campos
ENFERMAGEM DOENÇAS CRONICAS NÃO TRANMISSIVEIS Diabetes Mellitus Parte 1 Profª. Tatiane da Silva Campos - Estima-se a população mundial com diabetes (DM): 382 milhões de pessoas; deverá atingir 471 milhões
Hidroclorotiazida. Diurético - tiazídico.
Hidroclorotiazida Diurético - tiazídico Índice 1. Definição 2. Indicação 3. Posologia 4. Contraindicação 5. Interação medicamentosa 1. Definição A Hidroclorotiazida age diretamente sobre os rins atuando
Diabetes Mellitus Tipo 1 Cetoacidose diabética
HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DO OESTE DO PARANÁ LIGA MÉDICO-ACADÊMICA DE PEDIATRIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ LIPED - UNIOESTE RESIDÊNCIA MÉDICA DE PEDIATRIA Diabetes Mellitus Tipo 1 Cetoacidose
BIOLOGIA 1ª QUESTÃO. a) Identifique o reino a que pertence o agente etiológico do cólera. b) Cite duas formas de proteção contra essa doença.
BIOLOGIA 1ª QUESTÃO SURTO DE CÓLERA ATINGE CENTENAS DE PESSOAS NA CIDADE PARANAENSE DE PARANAGUÁ. Num período de apenas 12 dias, entre 26 de março e 7 de abril, mais de 290 habitantes da cidade de Paranaguá,
Tratamento de hiperglicemia no paciente internado
Tratamento de hiperglicemia no paciente internado Dra. Roberta Frota Villas-Boas GruPAC DM Hiperglicemia x internação alta incidência pouco valorizada aumenta morbi-mortalidade e permanência hospitalar
[CUIDADOS COM OS ANIMAIS IDOSOS]
[CUIDADOS COM OS ANIMAIS IDOSOS] Geriatria é o ramo da Medicina que foca o estudo, a prevenção e o tratamento de doenças e da incapacidade em idosos. Seus objetivos maiores são: manutenção da saúde, impedir
LINHA DE CUIDADO GERAL EM DIABETE
LINHA DE CUIDADO GERAL EM DIABETE Nível de Atenção Ações em Saúde Ações e Procedimentos Específicos Promoção/Prevenção - Estímulo aos hábitos alimentares saudáveis, atividade física regular, redução do
REGULAÇÃO HORMONAL DO METABOLISMO DO GLICOGÊNIO E DE LIPÍDIOS
REGULAÇÃO HORMONAL DO METABOLISMO DO GLICOGÊNIO E DE LIPÍDIOS Tiroxina Epinefrina (adrenalina) Glucagon Insulina Hormônios esteroides: Cortisol (Suprarenal) Progesterona Testosterona Estradiol Aldosterona
Pâncreas Endócrino Controle da glicemia
Pâncreas Endócrino Controle da glicemia Curso de Odontologia da UEM Prof. Kellen Brunaldi Silverthorn (Cap. 22) Guyton (Cap. 78) O SNC é responsável por cerca de 50% da glicose diariamente consumida para
Introdução Descrição da condição
Introdução Descrição da condição Diabetes mellitus: desordem metabólica resultante de defeito na secreção e\ou ação do hormônio insulina. Consequência primária: hiperglicemia. Crônica: diagnóstico de diabetes.
Contagem de Carboidratos
Leticia Fuganti Campos Nutricionista da Nutropar Mestre pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Especialista em Nutrição Clínica pelo GANEP Pós-graduanda em Educação em Diabetes Treinamento
PANCREAS A eliminação do suco pancreático é regulada, principalmente, pelo sistema nervoso. Quando uma pessoa alimenta-se, vários fatores geram
PANCREAS O pâncreas, uma importante glândula do corpo humano, é responsável pela produção de hormônios e enzimas digestivas. Por apresentar essa dupla função, essa estrutura pode ser considerada um órgão
Bioquímica. Dosagem de Glicose no Sangue: 1 Alguns Conceitos Básicos:
Bioquímica Dosagem de Glicose no Sangue: 1 Alguns Conceitos Básicos: 1.1 Glicemia é a presença de glicose no sangue e quando o nível deste glicídio se eleva além do limite normal temos a hiperglicemia,
ASSISTÊNCIA MULTIDISCIPLINAR PARA O ATENDIMENTO AOS PACIENTES DIABÉTICOS INTERNADOS
ASSISTÊNCIA MULTIDISCIPLINAR PARA O ATENDIMENTO AOS PACIENTES DIABÉTICOS INTERNADOS DR. RUBENS ALDO SARGAÇO MEMBRO DO GRUPO DE DIABETES HOSPITALAR DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES FINALIDADE DO GRUPO
Sistema Endócrino. Prof. Mateus Grangeiro
Sistema Endócrino Prof. Mateus Grangeiro HORMÔNIOS Moléculas mediadoras, liberadas pelas glândulas endócrinas, capazes de conduzir determinada informação entre uma ou mais células. Natureza química variada
INDICADORES DE ESTRESSE EM GATOS 1
INDICADORES DE ESTRESSE EM GATOS 1 Os gatos são uma espécie muito reativa às adversidades do ambiente o que pode provocar estado de estresse. Esse estado pode desencadear várias manifestações sistêmicas
Avaliação nutricional do paciente
Avaliação nutricional do paciente Muito gordo ou muito magro? O que fazer com esta informação? Avaliação nutricional do paciente 1) Anamnese (inquérito alimentar) 2) Exame físico 3) Exames laboratoriais
PROBLEMAS NUTRICIONAIS EM CÃES E GATOS OBESIDADE VISÃO GERAL
PROBLEMAS NUTRICIONAIS EM CÃES E GATOS OBESIDADE VISÃO GERAL Prof. Roberto de Andrade Bordin DMV, M.Sc. Setor de Nutrição e Metabolismo Animal Medicina Veterinária Universidade Anhembi Morumbi São Paulo,
HIPERADRENOCORTICISMO CANINO ADRENAL- DEPENDENTE ASSOCIADO A DIABETES MELLITUS EM CÃO - RELATO DE CASO
1 HIPERADRENOCORTICISMO CANINO ADRENAL- DEPENDENTE ASSOCIADO A DIABETES MELLITUS EM CÃO - RELATO DE CASO ADRENAL-DEPENDENT HYPERADRENOCORTICISM ASSOCIATED WITH DIABETES MELLITUS IN DOG - CASE REPORT 1-
DIABETES MELLITUS: MONITORANDO O TRATAMENTO 1
DIABETES MELLITUS: MONITORANDO O TRATAMENTO 1 Introdução Diabetes mellitus é uma das endocrinopatias mais frequentes em cães e gatos, caracterizada por deficiência absoluta ou relativa de insulina. Pode
TRATAMENTO DIETÉTICO DO DIABETES MELLITUS. Profa. Dra. Maria Cristina Foss-Freitas
TRATAMENTO DIETÉTICO DO DIABETES MELLITUS Profa. Dra. Maria Cristina Foss-Freitas Como Avaliar o Sucesso do tratamento Alvos do controle clínico e metabólico Glicemia préprandial (mg/dl) Glicemia pósprandial
ÍNDICE. Introdução 4. O que é diabetes 5. Os diferentes tipos de diabetes 5. Fatores de risco do diabetes tipo 1 e tipo 2 6. Sintomas 7.
ÍNDICE Introdução 4 O que é diabetes 5 Os diferentes tipos de diabetes 5 Fatores de risco do diabetes tipo 1 e tipo 2 6 Sintomas 7 Diagnóstico 8 Tratamento 9 Atividades físicas 10 Medicamentos 11 O que
PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA PORTADORES DE DIABETES MELLITUS
PRESCRIÇÃO DE ATIVIDADE FÍSICA PARA PORTADORES DE DIABETES MELLITUS Acadêmica de medicina: Jéssica Stacciarini Liga de diabetes 15/04/2015 Benefícios do exercício físico em relação ao diabetes mellitus:
METABOLISMO ENERGÉTICO integração e regulação alimentado jejum catabólitos urinários. Bioquímica. Profa. Dra. Celene Fernandes Bernardes
METABOLISMO ENERGÉTICO integração e regulação alimentado jejum catabólitos urinários Bioquímica Profa. Dra. Celene Fernandes Bernardes REFERÊNCIA: Bioquímica Ilustrada - Champe ESTÁGIOS DO CATABOLISMO
[HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR]
[HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR] Animal apresenta quadro pruriginoso desde filhote e fez uso de corticoterapia de depósito IM a cada 3 meses por 4 anos e respondia absurdamente bem a essa terapia. Há 1 ano
A Diabetes É uma doença metabólica Caracteriza-se por um aumento dos níveis de açúcar no sangue hiperglicemia. Vários factores contribuem para o apare
Diabetes Mellitus Tipo I Licenciatura em Bioquímica 1º ano 2005/2006 Duarte Nuno Amorim dos Santos A Diabetes É uma doença metabólica Caracteriza-se por um aumento dos níveis de açúcar no sangue hiperglicemia.
O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE DOENÇA METABÓLICA
O QUE VOCÊ DEVE SABER SOBRE DOENÇA METABÓLICA ENTENDENDO a doença metabólica A doença metabólica, também chamada de síndrome metabólica ou ainda de plurimetabólica, em geral faz parte de um conjunto de
A insulinoterapia ao alcance de todos Curso Prático Televoter
2012 Norte 16 de Novembro 6ª feira A insulinoterapia ao alcance de todos Curso Prático Televoter António Pedro Machado Simões-Pereira Indicações para insulinoterapia na Diabetes tipo 2 Hiperglicémias em
GUIA DE ESTUDOS INSULINA E GLUCAGON
GUIA DE ESTUDOS INSULINA E GLUCAGON 1) O pâncreas é uma glândula mista, ou seja, possui função endócrina e exócrina. Na porção endócrina, o pâncreas produz dois hormônios: a insulina e o Esses hormônios
Gestação - Alterações Hormonais e Metabólicas Durante o Exercício
Gestação - Alterações Hormonais e Metabólicas Durante o Exercício Alterações Metabólicas Durante o Exercício na Gestação Durante a gestação as alterações são direcionadas para a manutenção da gestação
14/11/2016. Pâncreas exócrino. Pancreatite. Diagnóstico laboratorial. Diagnóstico laboratorial. Diagnóstico laboratorial. Diagnóstico laboratorial
Pâncreas exócrino Pancreatite Diagnóstico: Degradação enzimática de Carboidratos, lipídeos e proteínas Sinais clínicos Imagem (US/RX) Exames laboratoriais Amilase Lipase PLI Exames complementares http://www.justanswer.com/dog-health
Interpretação de Exames Laboratoriais para Doença Renal
Interpretação de Exames Laboratoriais Aplicados à Nutrição Clínica Interpretação de Exames Laboratoriais para Doença Renal Prof. Marina Prigol Investigação da função renal Funções do rim: Regulação do
MODY: QUANDO SUSPEITAR? COMO INVESTIGAR? YARA MEDEIROS CONGRESSO CATARINENSE DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA 2015
MODY: QUANDO SUSPEITAR? COMO INVESTIGAR? YARA MEDEIROS CONGRESSO CATARINENSE DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA 2015 MODY: QUANDO SUSPEITAR? QUANDO INVESTIGAR? IMPORTÂNCIA DO DIAGNÓSTICO: TRATAMENTO: escolha
Dra. Roberta Frota Villas-Boas. GruPAC9: Diabetes
Dra. Roberta Frota Villas-Boas GruPAC9: Diabetes Hiperglicemia X Internação alta incidência e prevalência (40%) aumento da morbi-mortalidade (infecções, complicações CV) Aumenta a duração da internação
INSULINOTERAPIA NO DIABETES TIPO 2. Alessandra Matheus (UERJ)
INSULINOTERAPIA NO DIABETES TIPO 2 Alessandra Matheus (UERJ) Nenhum conflito de interesses Agenda Tipos de insulina Quando e como iniciar a insulinoterapia? Qual esquema de insulina utilizar? Como intensificar?
Mecanismo de ação do cortisol Ação genômica
Mecanismo de ação do cortisol Ação genômica Efeitos metabólicos do cortisol Hormônio catabólico ou anti-anabólico Mobilização de combustível Ação direta ou permissiva Metabolização Transporte transcortina
Fisiologia do Sistema Endócrino. Pâncreas Endócrino. Anatomia Microscópica. Anatomia Microscópica
Fisiologia do Sistema Endócrino Pâncreas Endócrino Prof. Dr. Leonardo Rigoldi Bonjardim Profa. Adjunto do Depto. De Fisiologia-CCBS-UFS Material disponível em: http://www.fisiologiaufs.xpg.com.br 2006
Controle glicêmico no paciente hospitalizado. Profa. Dra. Juliana Nery de Souza- Talarico Depto. ENC Disciplina ENC 240
Controle glicêmico no paciente hospitalizado Profa. Dra. Juliana Nery de Souza- Talarico Depto. ENC Disciplina ENC 240 Controle glicêmico no paciente hospitalizado: por que? Diabetes mellitus Diabetes
DIABETES MELLITUS NA INFÂNCIA
DIABETES MELLITUS NA INFÂNCIA Síndrome de etiologia múltipla; Decorrência da falta de insulina e/ou incapacidade em exercer adequadamente suas ações; Alterações no metabolismo dos CHOs, PTN, LIP CLASSIFICAÇÃO:
[ERLICHIOSE CANINA]
[ERLICHIOSE CANINA] 2 Erlichiose Canina A Erlichiose Canina é uma hemoparasitose causada pela bactéria Erlichia sp. Essa bactéria parasita, geralmente, os glóbulos brancos (neste caso, Erlichia canis)
DIABETES MELLITUS. Em exercícios
1 Em exercícios O Que é? Classificação Como cai na Prova? Diabetes Mellitus é uma doença do metabolismo da glicose causada pela falta ou má absorção de insulina, hormônio produzido pelo pâncreas e cuja
Cetoacidose Diabética
Cetoacidose Diabética Introdução A Cetoacidose diabética (CAD) é a complicação aguda do Diabetes Mellitus mais clássica e, embora não seja a mais comum (perde para hipoglicemia), é de longe a mais cobrada
Problemas Endócrinos
Problemas Endócrinos Diabetes O que é Diabetes? É uma deficiência do organismo no aproveitamento do açucar. Isto ocorre devido a falha total ou parcial de um hormônio chamado insulina. DIABETES MELLITUS
A insulinoterapia ao alcance de todos Curso Prático Televoter
2011 3 de Maio 5º FEIRA A insulinoterapia ao alcance de todos Curso Prático Televoter Rosa Gallego Simões-Pereira % de contributo Contributo da glicémia em jejum e posprandial para a HbA1C em diabéticos
Uso Correto da Medicação. Oral e Insulina Parte 4. Denise Reis Franco Médica. Alessandra Gonçalves de Souza Nutricionista
Uso Correto da Medicação Denise Reis Franco Médica Alessandra Gonçalves de Souza Nutricionista Eliana M Wendland Doutora em Epidemiologia Oral e Insulina Parte 4 Perfil de ação das insulinas disponíveis
AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA NO IDOSO
C E N T R O U N I V E R S I T Á R I O C AT Ó L I C O S A L E S I A N O A U X I L I U M C U R S O D E N U T R I Ç Ã O - T U R M A 6 º T E R M O D I S C I P L I N A : N U T R I Ç Ã O E M G E R I AT R I A
Características Metabólicas dos Diferentes Tecidos Metabolismo de Estados Patológicos
Características Metabólicas dos Diferentes Tecidos Metabolismo de Estados Patológicos 1 Pâncreas - Função exócrina: Secreção de enzimas líticas - Função endócrina (ilhotas): secreção de insulina e glucagon
INSULINOTERAPIA NO TRATAMENTO DO DM TIPO 2
apresentam INSULINOTERAPIA NO TRATAMENTO DO DM TIPO 2 PAULO DE TARSO FREITAS CRM/SC 7564 RQE 3776 ENDOCRINOLOGISTA MÉDICO REG ULADOR DA G ECOR/SES TELECONSULTOR EM ENDOCRINOLOGIA/SES Introdução O diabetes
Alterações às secções relevantes do resumo das características do medicamento e do folheto informativo
Anexo III Alterações às secções relevantes do resumo das características do medicamento e do folheto informativo Nota: Estas alterações das secções relevantes do resumos das carcterísticas do medicamento
Consensus Statement on Management of Steroid Sensitive Nephrotic Syndrome
Consensus Statement on Management of Steroid Sensitive Nephrotic Syndrome Grupo Indiano de Nefrologia Pediátrica, Academia Indiana de Pediatria o Indian Pediatrics 2001; 38: 975-986 986 http://www.indianpediatrics.net/sept2001/sept-975
MANUAIS ISGH UTILIZAÇÃO DE INSULINA ENDOVENOSA
E L A B O R A Ç Ã O Kessy Vasconcelos de Aquino Médica Consultora ISGH Meton Soares de Alencar Médico UTI HRC Mozart Ney Rolim Teixeira Henderson Médico Consultor ISGH Nárya Maria Gonçalves de Brito Enfermeira
GUIA DE ESTUDOS INSULINA E GLUCAGON
GUIA DE ESTUDOS INSULINA E GLUCAGON 1) O pâncreas é uma glândula mista, ou seja, possui função endócrina e exócrina. Na porção endócrina, o pâncreas produz dois hormônios: a insulina e o Esses hormônios
PERFIL PANCREÁTICO. Pâncreas. Função Pancreática. Função Pancreática. Pancreatite aguda. Função Pancreática 22/08/2013
Pâncreas PERFIL PANCREÁTICO Prof. Bruno Alberto Fabris 2013 - Pâncreas importante órgão gastrointestinal (GI) acessório. - Pâncreas exócrino: produz e secreta amilase, lipase e tripsina; - Pâncreas endócrino
PLANO DE MANEJO DO DIABETES NA ESCOLA (PMDE)
PLANO DE MANEJO DO DIABETES NA ESCOLA (PMDE) Este plano deve ser preenchido pelos profissionais da saúde responsáveis pelo tratamento do aluno com diabetes juntamente com os pais ou responsáveis. O plano
EXAMES BIOQUÍMICOS. Profa Dra Sandra Zeitoun Aula 3
EXAMES BIOQUÍMICOS Profa Dra Sandra Zeitoun Aula 3 Íons/Eletrólitos do plasma No plasma existem diversos eletrólitos positivos: Na+, K+, Ca², Mg² E eletrólitos negativos: Cl-, HCO3-, fosfatos e proteínas.
AVALIAÇÃO DA TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR EM CÃES OBESOS RESUMO
AVALIAÇÃO DA TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR EM CÃES OBESOS Lidia Maria Melo (¹); Drª. Angela Akamatsu(²) ¹ Monitora do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Itajubá- FEPI, na área de Diagnóstico
EXAMES LABORATORIAIS PROF. DR. CARLOS CEZAR I. S. OVALLE
EXAMES LABORATORIAIS PROF. DR. CARLOS CEZAR I. S. OVALLE EXAMES LABORATORIAIS Coerências das solicitações; Associar a fisiopatologia; Correlacionar os diversos tipos de exames; A clínica é a observação
Exercite-se com seu diabetes
Texto de apoio ao curso de Especialização Atividade Física Adaptada e Saúde Prof. Dr. Luzimar Teixeira Exercite-se com seu diabetes Benefícios da atividade física Se você é diabético não tenha medo de
O &D OBESITY & DIABETIC
OBESITY & DIABETIC A OBESIDADE EM CÃES E GATOS ESTÁ EM ASCENSÃO, ASSIM COMO AS SUAS CONSEQUÊNCIAS A obesidade tem a segunda maior prevalência nas clínicas e hospitais veterinários. Em primeiro lugar está
Diabetes mellitus em felinos Ricardo Duarte www.hospitalveterinariopompeia.com.br
Diabetes mellitus em felinos Ricardo Duarte www.hospitalveterinariopompeia.com.br Síndrome que abrange uma série de doenças de etiologia diferente e clinicamente heterogêneas, que se caracterizam pela
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM. Fisiologia Endócrina. O Pâncreas. Prof. Wagner de Fátima Pereira
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri - UFVJM Fisiologia Endócrina O Pâncreas Prof. Wagner de Fátima Pereira Departamento de Ciências Básicas Faculdade de Ciências Biológica e da Saúde
Aluna: Laise Souza Mestranda em Alimentos e Nutrição
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ALIMENTOS E NUTRIÇÃO CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Aluna: Laise Souza Mestranda em Alimentos e Nutrição glicose
CADERNO DE QUESTÕES. Comentário: 2. (2015/CONSULPLAN/HOB). Acerca do Diabetes mellitus, assinale a alternativa correta.
0 CADERNO DE QUESTÕES 1. (2015/INSTITUTO AOCP/EBSERH). O diabetes mellitus é: a) uma alteração da produção de insulina, com deficiência da mesma. b) um grupo de distúrbios metabólicos resultantes de defeito
TÍTULO: PROBLEMAS ASSOCIADOS À OBESIDADE EM CÃES NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE ANHANGUERA
TÍTULO: PROBLEMAS ASSOCIADOS À OBESIDADE EM CÃES NO HOSPITAL VETERINÁRIO DA UNIVERSIDADE ANHANGUERA CATEGORIA: CONCLUÍDO ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE SUBÁREA: MEDICINA VETERINÁRIA INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE
DIFERENÇAS DO DIABETES MELLITUS TIPO I E TIPO II: BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DA ATIVIDADE FÍSICA
DIFERENÇAS DO DIABETES MELLITUS TIPO I E TIPO II: BENEFÍCIOS DA PRÁTICA DA ATIVIDADE FÍSICA CESAR GUILHERME VIANA COELHO 1 ANA VALQUIRIA DA FONTOURA CORNEL 2 CARLOS SANTINI MOREIRA 3 CATI RECKELBERG AZAMBUJA
DIABETES Cirurgia. Protocolo elaborado pela Unidade de Endocrinologia Pediátrica, Diabetes e Crescimento.
Objectivo: Divulgar normas de orientação sobre problemas específicos do doente diabético (manutenção do estado de hidratação e controlo glicémico) quando submetido a procedimentos com sedação ou anestesia
ENFERMAGEM ATENÇÃO BÁSICA E SAÚDE DA FAMÍLIA. Parte 27. Profª. Lívia Bahia
ENFERMAGEM ATENÇÃO BÁSICA E SAÚDE DA FAMÍLIA Parte 27 Profª. Lívia Bahia Estratégias para o cuidado ao paciente com doença crônica na atenção básica Diabetes O termo diabetes mellitus (DM) refere-se a
Educação. em Saúde VOL. 77 PUBLICAÇÃO AUTORIZADA. Glicogenose. Orientações para pacientes
Educação em Saúde VOL. 77 PUBLICAÇÃO AUTORIZADA Glicogenose Orientações para pacientes O que é glicogenose? É um grupo de doenças que alteram o metabolismo do glicogênio (uma forma de glicose que se acumula
Simulado ENADE GABARITO PROVA NOTURNO
Simulado ENADE 2018.1 GABARITO PROVA NOTURNO Curso de Nutrição QUESTÕES DISCUSSIVAS PADRÃO DE RESPOSTAS FORMAÇÃO GERAL QUESTÃO DISCUSSIVA 01 FORMAÇÃO GERAL Padrão de Resposta: Espera-se que o estudante
S U M Á R I O. 1 Obesidade em cães. 2 Dieta
ZOOTECNIA OBESIDADE EM CÃES POR ANDRESSA REIS S U M Á R I O 1 Obesidade em cães 2 Dieta Obesidade em cães A obesidade canina é definida como um acúmulo de gordura capaz de prejudicar as funções fisiológicas.
Produto: cotovelol Protocolo: XYZ123 Data: 10 de agosto de 2015 Página 1 de 5
Data: 10 de agosto de 2015 Página 1 de 5 Sinopse do Protocolo Título: Estudo Randomizado, Duplo-cego, Controlado por Placebo para Avaliar a Eficácia e Segurança do Uso de Cotovelol no Tratamento da Dor
MINISTÉRIO DA SAÚDE. O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso de suas atribuições legais, e
MINISTÉRIO DA SAÚDE PORTARIA nº 2.583 de 10 de outubro de 2007 Define elenco de medicamentos e insumos disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde, nos termos da Lei nº 11.347/2006, aos usuários portadores
Nefropatia Diabética. Caso clínico com estudo dirigido. Coordenadores: Márcio Dantas e Gustavo Frezza
Nefropatia Diabética Caso clínico com estudo dirigido Coordenadores: Márcio Dantas e Gustavo Frezza Neste texto está descrita a apresentação clínica e a evolução ao longo de 3 décadas de caso clínico de
