Caixas de Velocidades Automáticas
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- Herman Vieira Chagas
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1 INSTITUTO SUPERIOR DE ENGENHARIA DO PORTO Caixas de Velocidades Automáticas Apontamentos da Unidade Curricular Mecatrónica Automóvel
2 INDÍCE INTRODUÇÃO... 4 NECESSIDADE DA CAIXA DE VELOCIDADES... 4 EVOLUÇÃO DAS CAIXAS DE VELOCIDADES... 6 CLASSIFICAÇÃO DAS CAIXAS DE VELOCIDADES... 7 TIPOS DE CAIXAS DE VELOCIDADES AUTOMÁTICAS... 7 CLASSIFICAÇÃO DAS CAIXAS AUTOMÁTICAS COM CONJUNTOS DE ENGRENAGENS EPICICLOIDAIS PRINCIPAIS COMPONENTES EMBRAIAGEM E CONVERSOR DE BINÁRIO CONSTRUÇÃO BOMBA OU IMPULSOR TURBINA OU ELEMENTO IMPELIDO REATOR OU ESTATOR PRINCÍPIOS DA HIDRODINÂMICA CURVAS CARACTERÍSTICAS DE UM CONVERSOR DE BINÁRIO CONVERSOR DE BINÁRIO TIPO TRILOK FUNCIONAMENTO DA EMBRAIAGEM DE BLOQUEIO CONJUNTO DE ENGRENAGENS EPICICLOIDAIS ORIGEM DO NOME VANTAGENS DOS CONJUNTOS DE ENGRENAGENS EPICICLOIDAIS CONSTITUIÇÃO DE UM CONJUNTO DE ENGRENAGENS EPICICLOIDAIS DESMULTIPLICAÇÃO DO MOVIMENTO MULTIPLICAÇÃO DO MOVIMENTO INVERSÃO DO MOVIMENTO DIFERENTES FORMAS DE REPRESENTAÇÃO DE UM CONJUNTO DE ENGRENAGENS EPICICLOIDAIS TRAVÕES E EMBRAIAGENS TRAVÃO DE CINTA TRAVÃO DE DISCOS MÚLTIPLOS EMBRAIAGENS EMBRAIAGENS UNIDIRECIONAIS CADEIA CINEMÁTICA ª VELOCIDADE ª VELOCIDADE SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO D OU ª VELOCIDADE - SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO L ª VELOCIDADE ª VELOCIDADE SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO D ª VELOCIDADE - SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO ª VELOCIDADE ª VELOCIDADE SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO D MARCHA-ATRÁS - SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO R SELETOR DE VELOCIDADES NA POSIÇÃO P OU N OVERDRIVE OUTRAS CONFIGURAÇÕES CONJUNTO DE CONTROLO HIDRÁULICO BOMBA DE ÓLEO CORPO DE VÁLVULAS Página 2 de 91
3 VÁLVULA REGULADORA PRIMÁRIA VÁLVULA MANUAL VÁLVULAS DE COMUTAÇÃO ELECTROVÁLVULAS VÁLVULA DE POSIÇÃO DO ACELERADOR VÁLVULA DE BLOQUEIO DO CONVERSOR DE BINÁRIO VÁLVULA REGULADORA SECUNDÁRIA VÁLVULA LIMITADORA DE PRESSÃO VÁLVULA MODELADORA DA POSIÇÃO DO ACELERADOR ACUMULADORES REGULADOR CENTRÍFUGO COMUTAÇÃO DE VELOCIDADES ALAVANCA SELETORA CIRCUITO DE REFRIGERAÇÃO CÁLCULO DA RELAÇÃO DE TRANSMISSÃO EM TRENS EPICICLOIDAIS CÁLCULO BASEADO NAS VELOCIDADES ANGULARES CÁLCULO PELA EQUAÇÃO BÁSICA PARA CONJUNTOS EPICICLOIDAIS DETERMINAÇÃO GRÁFICA EXEMPLO 1: CÁLCULO DA RELAÇÃO DE TRANSMISSÃO EXEMPLO 2: CÁLCULO DA RELAÇÃO DE TRANSMISSÃO ESCALONAMENTO DAS VELOCIDADES DIAGNÓSTICO TESTE DE PARAGEM TESTE DE REAÇÃO TESTE À PRESSÃO HIDRÁULICA DA CAIXA DE VELOCIDADES TESTE DE ESTRADA CÓDIGOS DE AVARIAS INTERPRETAÇÃO DO CÓDIGO DE AVARIA CÓDIGO DE BARRAS - QR CODE Página 3 de 91
4 INTRODUÇÃO Necessidade da caixa de velocidades Todos os veículos automóveis necessitam de uma caixa de velocidades que permita converter o binário e a rotação do motor, de acordo com os requisitos do veículo, condições da estrada e legislação ambiental em vigor. Se o motor de combustão interna fosse ligado diretamente às rodas, com uma relação de transmissão fixa, verificar-se-ia que o binário por este disponibilizado seria manifestamente insuficiente para proceder ao arranque do veículo ou, então, que a velocidade máxima do veículo seria extremamente baixa. No arranque do veículo (1ª velocidade), o binário motor é multiplicado na caixa de velocidades, em média, de 3 a 5 vezes, sendo progressivamente desmultiplicado, à medida que se troca de velocidade, podendo atingir valores de 0,6 a 0,8 na velocidade mais longa. Por outro lado, para a mesma velocidade do veículo, variando a inclinação da estrada, verifica-se um incremento substancial da força necessária para fazer mover o veículo. No gráfico seguinte, construído com os dados do fabricante para o modelo Lexus LS460 está representada a força disponibilizada pelo motor (curvas F1 a F8), nas 8 relações de transmissão da caixa de velocidades e em função da velocidade do veículo. Estas curvas são obtidas através da expressão: em que: = Força disponibilizada pelo motor na relação de caixa i (N) = Binário motor máximo (N.m) = Relação de transmissão do diferencial = Relação da caixa de velocidade = Rendimento total da transmissão (%) = Raio dinâmico dos pneus (m) Analisando estas curvas, verifica-se que, quanto maior for a relação de transmissão, maior é a força disponível para movimentar o veículo e menor a sua velocidade máxima. Diminuindo a relação de transmissão, diminui-se à força de tração, mas em contrapartida, aumenta-se a velocidade máxima. Página 4 de 91
5 Gráfico 1- Força de tração vs. força disponibilizada F1 F2 F3 F4 F5 f6 F7 F8 0% 10% 20% 30% 40% FZA Neste mesmo gráfico, estão também representadas, as linhas correspondentes à força necessária para movimentar o veículo, em função da inclinação da estrada (%) e obtidas pela seguinte expressão: em que: = Força necessária para movimentar o veículo (N) = Massa do veículo (Kg) = Aceleração da gravidade (m/s 2 ) = Coeficiente de resistência ao rolamento (função do tipo de estrada) = Ângulo de inclinação da estrada (º) = Densidade do ar (Kg/m 3 ) = Coeficiente aerodinâmico = Área frontal do veículo (m 2 ) = Velocidade do veículo (km/h) A análise conjunta destes dois tipos de curvas anteriormente mencionadas, permite-nos verificar se a força disponibilizada numa determinada relação de caixa, é suficiente para subir uma estrada com uma inclinação conhecida. Verifica-se, por exemplo, que o binário produzido pelo motor é suficiente para o veículo subir uma estrada, com uma inclinação de 10% em 3ª velocidade independentemente da velocidade do veículo. As considerações aqui efetuadas, não tem em linha de conta, o efeito multiplicador de Página 5 de 91
6 binário, associado ao fato de, o veículo em estudo, utilizar uma caixa de velocidades automática com conversor de binário. Este tema será estudado mais adiante. Por último, a curva tangente de F1 a F8 (FZA) representa a curva da força de tração ideal e é obtida pela expressão: em que: = Força de tração ideal (KN) = Potência máxima disponibilizada pelo motor (KW) = Velocidade do veículo (m/s) = Rendimento do conjunto propulsor (caixa de velocidade e diferencial) Um maior número de relações de transmissão, permite um melhor ajuste da força disponibilizada pelo motor à curva da força de tração ideal, o que, na prática, se traduz por uma melhor aplicação da potência disponibilizada pelo motor, às necessidades efetivas da condução. Evolução das caixas de velocidades A evolução das caixas de velocidades acompanhou, desde a primeira hora, a evolução dos veículos automóvel. Na tabela 1, indicam-se alguns dos marcos mais importantes que possibilitaram o desenvolvimento dos veículos e respetivos sistemas de transmissão. Tabela 1 - Cronologia dos desenvolvimentos mais importantes 2000 AC Aparecimento da roda de água Egípcia 1926 Gregoire, junta homocinética que possibilita a produção em série de veículos de tração dianteira 1769 Cugnot, veículo a vapor 1930 GM e Reo Motors, desenvolvem em paralelo a 1ª caixa de velocidades semiautomática 1784 Watt, motor a vapor de duplo efeito 1935 Opel, projeto do 1º veículo de produção em série monobloco 1801 Artamonow, bicicleta com quadro metálico e pedaleira 1939 GM, 1ª caixa automática (Hydra- Matic) 1814 Stephenson, locomotiva a vapor 1948 Buik, utilização do conversor de binário 1845 Thompson, invenção do 1956 General Motors, caixa automática pneumático com posição PARK incluída 1866 Siemens, aparecimento do 1º dínamo 1877 Otto, motor a 4 tempos com compressão 1885 Benz, triciclo com motor de combustão (Jetaway Hydra-Matic) 1979 BMW, gestão eletrónica do motor 1989 Audi, injeção direta de combustível e turbocompressor em veículos Diesel de passageiros 1997 Aparecimento do sistema Commonrail em veículos diesel de passageiros 1888 Dunlop, pneumático de borracha 2002 BMW, modelo série 7 com caixa automática de 6 relações de Página 6 de 91
7 De engrenamento permanente Sincronizada De comando Semiautomatizado Totalmente Automatizada Com dupla embraiagem Com trem fixo Caixa automática convencional (AT) Em série Em paralelo Série / Paralelo Transmissão por polias Transmissão toroidal Transmissão hidrostática CAIXAS DE VELOCIDADES AUTOMÁTICAS 1897 Diesel, motor com ignição por compressão 1907 Ford, produção em série do modelo T transmissão 2003 Mercedes, caixa automática com 7 relações de transmissão 2007 Lexus, modelo LS 460 com caixa automática de 8 relações de transmissão Classificação das caixas de velocidades As caixas de velocidades para veículos automóveis podem ser definidas de acordo com a tabela 2. Tabela 2 - Classificação das caixas de velocidades para veículos automóveis ( adaptado de Automatic Transmission Editora Springer) Manual (MT) Tipos de caixa de velocidades Com um número fixo de velocidades (transmissão por engrenagens) Manual automatizada (AMT) Automática com o número de relações de transmissão fixo Híbrida com associação de motores elétricos De variação contínua da velocidade (CVT) Mecânica Hidráulica Com interrupção na transmissão de potência Com pedal de embraiagem Comutação manual de velocidades Sem interrupção na transmissão de potência Sem pedal de embraiagem Comutação automática das velocidades Tipos de caixas de velocidades automáticas Normalmente, quando se fala de caixas de velocidades automáticas, associa-se o tipo de caixa que utiliza diferentes conjuntos planetários para obtenção das diferentes relações de transmissão desejadas. Esta associação é feita, por ter sido este, o primeiro tipo de caixa a possibilitar a troca da relação de transmissão, sem intervenção direta do condutor. Atualmente, e conforme já indicado (ver tabela 2), existem outras conceções de caixas de velocidades, que permitem igualmente a troca automática de velocidades, das quais destacamos: Caixas de velocidades manuais com atuação elétrica, hidráulica ou pneumática do seletor de velocidades e embraiagem. Aparecem também designadas na Página 7 de 91
8 literatura técnica das marcas que as comercializam, por caixas robotizadas ou automatizadas; Caixas de variação contínua, também designadas por CVT (Continuousely Variable Transmission), baseadas na variação de diâmetro de dois tambores. Um destes tambores está ligado ao volante motor e, o outro, ao diferencial. A variação da relação de transmissão pode ser linear entre valores máximos e mínimos predefinidos ou, podem existir relações de transmissão fixas, prédefinidas; Caixas de variação contínua, associadas a veículos híbridos, e nas quais o movimento de saída para a rodas é o movimento composto pela rotação de um motor de combustão interna e dois motores elétricos. Figura 1 - Caixa automática de 8 velocidades utilizada no modelo Lexus LS 460 Figura 2 - Caixa de velocidades manual robotizada Página 8 de 91
9 Figura 3 - Atuador hidráulico de uma caixa de velocidades manual robotizada Figura 4 - Caixa de variação contínua por tambores de diâmetro variável Figura 5 - Conjunto híbrido com caixa de variação contínua por engrenagens epicicloidais Página 9 de 91
10 Classificação das caixas automáticas com conjuntos de engrenagens epicicloidais As classificações mais usuais para as caixas de velocidades automáticas são as seguintes: Por tipo de comando: Hidráulico Electro-hidráulico Pelo tipo de montagem: Viaturas tipo FF (motor dianteiro e tração dianteira) Viaturas tipo FR (motor dianteiro e tração traseira) Viaturas tipo MR (motor central e tração traseira) Pelo número de velocidades: Atualmente encontram-se no mercado caixas automáticas com quatro a nove velocidades. Página 10 de 91
11 PRINCIPAIS COMPONENTES Embraiagem e conversor de binário A embraiagem / conversor de binário permite adequar a rotação do motor à rotação da caixa de velocidades. Esta situação é crítica, nomeadamente, no momento de arranque do veículo, em que o motor está a trabalhar a uma velocidade sempre superior a 600 ~ 700 r.p.m. (regime de ralenti) e o veio primário da caixa de velocidade está imobilizado. O desenvolvimento inicial destes componentes (embraiagem / conversor de binário) deve-se ao Eng.º alemão Hermann Fottinger que, em 1905, enquanto trabalhava para os estaleiros navais da empresa Stettiner Vulkan, foi confrontado com a necessidade de fazer a ligação de uma turbina a vapor às hélices de um navio. A ligação destes dois elementos passava essencialmente pela adequação do binário e da velocidade de rotação da turbina ao veio das hélices, assim como, conseguir a inversão do seu movimento. Na figura 6 vemos o princípio de funcionamento da conversão hidrodinâmica de potência idealizada por Fotttinger. Uma bomba centrifuga ligada diretamente à turbina a vapor, gera um caudal pressurizado de fluido que impele uma turbina. As pás da bomba e da turbina, que nunca se tocam, estão alojadas num cárter fechado, o que facilita a passagem do fluido entre estes dois elementos. A transmissão de potência é efetuada simplesmente pela energia cinética do fluido. A variação da carga e da velocidade aplicada à turbina faz variar o deslizamento relativo entre a turbina e a bomba. Este elemento é designado por embraiagem hidrodinâmica ou coupling e, atualmente, não é utilizada como elemento de ligação entre o motor e a caixa de velocidades de um veículo, pelo fato de, o binário da turbina nunca ser superior ao binário da bomba. Figura 6 - Princípio da transmissão hidrodinâmica de potência (Voith) A evolução da embraiagem hidrodinâmica deu origem ao atual conversor de binário, utilizado como elemento de ligação entre o motor de combustão interna e a caixa de velocidades automáticas. Página 11 de 91
12 O conversor de binário tem as seguintes funções: Multiplicar o binário gerado pelo motor durante a fase de início do movimento do veículo, razão pela qual, é muitas vezes utilizado em veículos comerciais; Funcionar como embraiagem automática entre o motor e a caixa de velocidades; Absorver vibração resultante do desalinhamento entre a caixa de velocidades e o motor, bem como, as vibrações resultantes da variação de binário motor (componentes de 2ª ordem do funcionamento do motor); Acionar a bomba de óleo do sistema hidráulico de controlo da caixa de velocidades. Construção Elemento impelido ou turbina (1) Impulsor ou bomba (2) Reator ou estator (3) Veio do estator (4) Cárter (13) Mola de amortecimento (12) Material de fricção (11) Embraiagem de bloqueio (10) Pistão de bloqueio (9) Embraiagem unidirecional (8) Veio primário da caixa de velocidades (5) Centro da turbina (7) Bomba de óleo (6) Figura 7 - Principais componentes de um conversor de binário Os principais elementos de um conversor de binário (figura 7) são os seguintes: Elemento condutor designado por impulsor ou bomba (2) e que é acionado pelo volante motor; Elemento conduzido designado ou turbina (1), que está ligado ao veio primário (também designado por veio de entrada) da caixa de velocidades; Reator ou estator (3) que está fixo ao cárter da caixa de velocidades através de uma embraiagem unidirecional; Cárter do conversor de binário (13) que aloja todos os componentes mencionados anteriormente. Página 12 de 91
13 O conversor de binário está atestado com fluido próprio para as caixas de velocidades automáticas (ATF), proveniente da bomba de óleo da caixa de velocidades. Este fluido é projetado violentamente pela bomba (2) diretamente sobre a turbina (1), de forma a movimentar o veio primário da caixa de velocidades. Bomba ou impulsor A bomba está integrada no cárter do conversor de binário e é constituída por uma série de pás curvas radialmente montadas no interior do mesmo. Existe um anel guia instalado nas arestas interiores das palhetas, de modo a proporcionar uma passagem para suavizar o fluxo do fluido. O cárter do conversor de binário está ligado à cambota através do volante do motor. Volante motor Impulsor Cárter do motor Anel guia Pá Anel guia Figura 8 - Impulsor ou bomba Turbina ou elemento impelido Tal como acontece com a bomba, a turbina tem incorporada uma série de pás. O sentido da curvatura destas pás é oposto ao das pás da bomba. A turbina está ligada diretamente ao veio de entrada da caixa de velocidades, de modo a que as suas pás se oponham às da turbina impulsora e com uma folga muito pequena entre ambas. Página 13 de 91
14 Turbina Veio primário do motor Pá Anel guia Anel guia Figura 2 - Elemento impelido ou turbina Reator ou estator O reator está localizado entre a bomba e a turbina e é montado diretamente num eixo com o cárter da caixa de velocidades, por intermédio de uma embraiagem unidirecional. As pás do reator recebem o fluido proveniente da turbina e direcionam-no para a parte traseira das pás da bomba. A embraiagem unidirecional permite que o reator rode no mesmo sentido da cambota do motor. Contudo, se o reator tentar rodar no sentido inverso, a embraiagem unidirecional bloqueia o reator, impedindo que este rode. Por conseguinte, o reator roda ou permanece bloqueado, consoante o sentido em que o fluido choca contra as pás. Turbina Estator Veio do estator do motor Bomba Cárter cx. velocidades Embraiagem unidirecional Pá Para a parte traseira das pás da bomba da turbina Trajetória do fluido se não existisse o reator Figura 3 - Reator ou estator Página 14 de 91
15 O princípio de funcionamento de um conversor de binário pode ser facilmente percebido, fazendo a analogia com dois ventiladores, dispostos um em frente do outro, conforme mostrado na figura 11. Se colocarmos 2 ventiladores elétricos (A e B), virados um contra o outro e a uma distância de poucos centímetros, quando ligar o ventilador A, o ventilador B começará a rodar no mesmo sentido, embora se encontre desligada. Isto deve-se ao facto da rotação da ventilador A gerar um fluxo de ar entre os dois ventiladores, daí que, o ar soprado pelo ventilador A, atinja as pás do ventilador B, provocando a sua rotação. Por outras palavras, a transmissão de potência entre os ventiladores A e B é efetuada por intermédio da circulação de ar. O conversor de binário funciona da mesma forma, com a bomba desempenhando a função do ventilador A e a turbina a função do ventilador B. No caso de uma caixa automática, o elemento transmissor é o fluido ATF utilizado. A multiplicação do binário disponibilizado pelo motor é uma das características mais importantes de um conversor de binário. Esta multiplicação é conseguida pelo redireccionamento do fluxo de óleo, que saí da turbina através do estator e que é enviado para a parte posterior das pás da bomba (figura 12), multiplicando o binário disponibilizado pelo motor. Figura 4 - Princípio de funcionamento de um conversor de binário A direção do fluido que passa no reator vinda da turbina, depende da diferença de rotação entre a bomba e a turbina. Quando a diferença de rotação é grande, o fluido atinge a parte frontal das pás do reator, fazendo com que este rode em sentido oposto ao sentido de rotação da turbina. Contudo, como o reator não pode rodar neste sentido, devido à embraiagem unidirecional, a direção do fluido é alterada. Quando a diferença de rotação entre a bomba e a turbina é pequena, a maior parte do fluido proveniente da turbina, atinge a parte traseira das pás do reator. Nesta situação, a embraiagem unidirecional permite que o estator rode no mesmo sentido da turbina, não alterando a direção do fluido. A multiplicação de binário só acontece enquanto a velocidade da turbina é inferior à velocidade da bomba, pois é durante este período, que o reator projeta o fluído sobre a bomba, incrementando o binário da mesma. Página 15 de 91
16 Turbina Bomba Reator Figura 5 - Princípio de multiplicação de binário EMBRAIAGEM BLOQUEADA Pá do reator EMBRAIAGEM LIVRE Figura 6 - Funcionamento do reator Quando o reator não pode ser bloqueado por deficiência na embraiagem unidirecional, verifica-se que o veículo não acelera convenientemente, por falta do efeito de multiplicação de binário. Por outro lado, quando o reator não pode rodar livremente verifica-se que a velocidade do veículo não ultrapassa um determinado valor. Princípios da hidrodinâmica Pá do reator No século XVIII Daniel Bernoulli e Leonard Euler definiram as leis da hidrodinâmica que hoje conhecemos como equação da energia de Bernoulli = Y = Constante Página 16 de 91
17 e a equação de Euler para turbomáquinas A equação de Bernoulli traduz que num fluxo estacionário e sem atrito, a energia do fluido mantem-se constante. Nas componentes aqui analisados a componente gravimétrica ( ) e de pressão ( ) tem um peso desprezável quando comparado com a componente cinética do fluido (. Efetivamente, é a variação da velocidade (em módulo e em direção) do fluido na entrada e saída das pás que define o binário na entrada do veio primário da caixa de velocidades e, que pode ser traduzida, através da equação de Euler para turbinas Em função da equação anterior a potência transmitida pode ser determinada por: Em que Y representa a energia hidrodinâmica específica (Entalpia nas máquinas de fluxo) Figura 7 - Princípio ilustrativo da equação de Euler para turbinas Através do estabelecimento de relações de semelhança geométrica e de velocidade entre diferentes máquinas e apresentadas na tabela 3, é possível determinar a potência hidrodinâmica transmitida. Tabela 3 - Leis das semelhanças na transmissão hidrodinâmica de potência Parâmetro básico da transmissão hidrodinâmica de potência Designação Relação de semelhança Comprimento, raio, espessura l, r, s ~ D Superfície, corte na seção A ~ Volume, massa V, m ~ Velocidade C, u, w, v ~. D Página 17 de 91
18 Inserindo as relações de semelhança na equação de Euler para turbinas já anteriormente apresentada, resulta em que: : Velocidade angular da bomba Adicionando o fator de semelhança λ derivado da lei de semelhanças, obtém-se: A tabela 4 sumariza as principais relações adimensionais que caraterizam um conversor de binário. Tabela 4 - Características adimensionais dum conversor de binário Característica Relação Velocidades = 1 - s Escorregamento 1 Fator de multiplicação de binário Eficiência na transmissão de potência 1 O valor do escorregamento é normalmente dado em % Os valores máximos estão compreendidos entre 2% e 4% Curvas características de um conversor de binário Das possíveis curvas características de um conversor de binário vamos analisar as mais importantes e registadas nas duas figuras seguintes. A figura 15 permite analisar em função da velocidade de rotação da turbina o binário transmitido pela bomba e turbina. Considera-se na elaboração destas curvas uma potência constante aplicada à bomba. Página 18 de 91
19 Velocidade de rotação da turbina Figura 8 - Curvas características (adimensionais) dum conversor de binário Verifica-se que o binário transmitido pela turbina (T T ) decresce de forma parabólica, desde o ponto de paragem (S), para o qual o fator de multiplicação de binários é máximo, até ao ponto (F), para o qual, a eficiência na transmissão de potência é zero. O ponto (M) representa o valor máximo na eficiência da transmissão, também designado por ponto ótimo ou de design. No ponto (C) o binário da bomba iguala o binário da turbina, ou seja, o binário absorvido pelo reator é zero. Na figura 16 está representa, de uma forma adimensional, as curvas características do mesmo conversor de binário. Figura 9 Curvas características (adimensionais) de um conversor de binário Nesta representação, no eixo das abcissas é indicada a relação de velocidade ( ) entre a bomba e a turbina. Os valores máximos do fator de multiplicação de binário acontece para ( ) = 0 e, normalmente, estão compreendidos entre 1,9 e 2,5. Os valores de obtidos para alguns dos modelos das marcas Toyota e Lexus estão representados na tabela abaixo. Na prática, a determinação teórica do valor de, para um determinado veículo, depende de fatores tais como : binário motor a baixa rotação, relação de transmissão em Página 19 de 91
20 LEXUS TOYOTA CAIXAS DE VELOCIDADES AUTOMÁTICAS primeira velocidade, relação de transmissão do diferencial, dimensão dos pneumáticos e peso bruto do veículo. O valor de determinado teoricamente, pode ser corrigido durante a fase de ensaios dinâmicos com os protótipos do veículo. Tabela 5 - Valores de para modelos Toyota e Lexus Modelo Motorização (Gasolina / Diesel) Cilindrada (cc) Potência máx. ([email protected].) Binário máx. ([email protected].) Fator de multiplicação de binário 1FZ-FE (G) @ @ ,77 2UZ-FE (G) @ @ ,77 Land 1 HZ (D) @ @ ,77 Cruiser 1HD-FTE (D) @ @1.400~ ,84 1HD-T (D) @ @ ,84 Avensis 1AZ-FE (G) @ @ ,80 3ZR-FE (G) @ @ ,85 Optimo 1HZ (D) @ @ ,88 14B (D) @ @ ,00 GT 86 FA20 (G) @ @6.400~ ,00 Hilux 1KD-FTV (D) @ @1.400~ ,85 LS 460 2KD-FTV (D) @ @1.600~ ,90 1UR-FE (G) @ @ ,83 1UR-FSE (G) @ @ ,83 RX 350 1MZ-FE (G) @ @ ,75 IS-F 2UR-GSE (G) @ @ ,83 Conversor de binário tipo Trilok Neste tipo de conversor de binário é associada uma embraiagem de bloqueio que permite o acoplamento direto da turbina à bomba, quando a eficiência na transmissão de potência do conjunto baixa (figura 17). A sua simplicidade de construção e elevada eficiência fazem com que seja a solução utilizada atualmente nos veículos de passageiros. Página 20 de 91
21 Relação de binários Funcionamento como conversor Funcionamento como embraiagem Eficiência na transmissão (%) 3 Eficiência na transmissão Relação de binários ,2 0,4 0,6 0,8 1,0 Relação de velocidades Figura 10 - Curvas características de um conversor Trilok Funcionamento da embraiagem de bloqueio Quando o veículo circula a baixa velocidade, o fluido pressurizado dentro do conversor de binário passa pela face frontal da embraiagem de bloqueio. Por conseguinte, não existe diferença de pressão entre ambas as suas faces, pelo que, esta fica desativada. A passagem do fluido pressurizado para a face dianteira da embraiagem de bloqueio é controlada pela válvula de bloqueio representada na figura 18. Embraiagem de bloqueio Turbina Bomba Fluxo Cárter do conversor Fluido pressurizado Cambota Volante motor Cárter Bomba Turbina Para o permutador de calor Válvula de bloqueio Cubo da turbina Veio primário Figura 11 - Embraiagem de bloqueio desativada Página 21 de 91
22 Quando o veículo circula acima de uma determinada velocidade (normalmente acima dos 50 Km/h), o fluido pressurizado deixa de passar pela face frontal da embraiagem de bloqueio. Por conseguinte, esta é forçada contra o cárter do conversor, fazendo com que a bomba e turbina rodem à mesma velocidade (figura 19). Embraiagem de bloqueio Turbina Bomba Fluxo Cárter do conversor Fluído pressurizado Motor Volante motor Cárter do conversor Válvula de bloqueio Embraiagem Cubo da turbina Veio primário Figura 12 - Embraiagem de bloqueio ativada A ligação da turbina à bomba é efetuada através de uma banda de material de fricção, conforme se pode verificar na figura 20. Banda de fricção Figura 13 - Detalhe da banda de material de fricção da embraiagem de bloqueio Página 22 de 91
23 CONJUNTO DE ENGRENAGENS EPICICLOIDAIS Origem do nome O nome engrenagens epicicloidais deriva do nome da curva plana (epicicloide), produzida por um ponto de um círculo, que roda sem deslizar, em torno de um outro círculo fixo, conforme mostrado na figura 21. Figura 14- Geração de uma curva epicicloide (Wikipédia) As equações paramétricas que definem a epicicloide podem ser obtidas a partir da análise da figura 22 (Wikipédia). Figura 15 Obtenção das equações paramétricas de uma epicicloide Como o círculo exterior gira sem deslizar sobre o circulo interior, o arco descrito sobre os dois círculos é dado por: Página 23 de 91
24 mas e, donde se obtém a igualdade ou Com as igualdades acima determinadas, pode-se indicar que as equações paramétricas do ponto p do círculo externo são: Em alternativa e fazendo, obtém-se Se k for um número inteiro a epicicloide tem k lóbulos (cúspides) Se k for um número racional a epicicloide tem p lóbulos Se k for um número irracional a epicicloide nunca fecha A figura 23 apresenta diferentes formas da curva epicicloide em função da variação do parâmetro k. Figura 16 Exemplos da forma da epicicloide em função do valor de k (Wikipédia) Página 24 de 91
25 Vantagens dos conjuntos de engrenagens epicicloidais A utilização de engrenagens epicicloidais é conhecida desde a antiguidade. O mecanismo Antikythera que data do séc. I AC foi utilizado na Grécia e permitia fazer cálculos astronómicos com precisão, baseado num complexo sistema de engrenagens epicicloidais. As principais vantagens na utilização de conjuntos de engrenagens epicicloidais são: extremamente compactos, elevada capacidade de redução de velocidade, elevada fiabilidade, engrenamento permanente, baixos esforços nos apoios e elevada densidade de potência. Com as vantagens anteriormente mencionadas, os conjuntos epicicloidais são utilizados em aplicações tão diversas como turbinas eólicas, redutoras finais em camiões e tratores, redutores de velocidade entre o induzido e o bendix em motores de arranque, motoredutores de velocidade e em caixas de velocidades automáticas. Normalmente uma caixa de velocidades automática associa de dois a cinco conjuntos de engrenagens epicicloidais, que permitem uma gama de três a nove velocidades. Constituição de um conjunto de engrenagens epicicloidais Um conjunto de engrenagens epicicloidais (Figura 24) é constituído por três elementos distintos: Uma engrenagem central, também designada por carreto ou engrenagem sol; Várias engrenagens intermédias, normalmente designadas por satélites, que rodam livremente nos respetivos eixos e que são parte integrante do portasatélites; Uma coroa com dentes internos, também conhecido por carreto exterior ou engrenagem anelar; Para que num conjunto epicicloidal possa haver transmissão de movimento, é necessário que: Um dos três elementos do conjunto seja o mandante, que outro elemento esteja bloqueado e o terceiro elemento seja o elemento mandado; Ou, em alternativa, bloquear dois dos três elementos do conjunto. Quando isto é efetuado, a relação de transmissão do conjunto é de 1:1 A utilização de um conjunto epicicloidal permite redução, multiplicação e inversão de velocidade, além da relação de transmissão direta (1:1). Página 25 de 91
26 Conjunto porta-satélites e Carreto exterior respetivos satélites Tambor Porta-satélites Satélite Carreto sol Figura 17 - Elementos constituintes de um conjunto epicicloidal Desmultiplicação do movimento Quando o carreto exterior é o elemento mandante e o carreto sol está bloqueado, a saída do movimento faz-se através do porta-satélites e no mesmo sentido, mas com uma desmultiplicação de velocidade, conforme mostrado na figura 25. Entrada movim. Saída movim. Sentido rotação Carreto exterior (entrada) ENTRADA Porta-satélites (saída) Carreto sol (fixo) Satélite FIXO SAÍDA Figura 18 - Desmultiplicação do movimento Multiplicação do movimento Fazendo a entrada do movimento pelo porta-satélites e bloqueando o carreto sol, a saída do movimento é feita pelo carreto exterior no mesmo sentido, conforme mostrado na figura 26. Nesta situação obtêm-se uma multiplicação do movimento, ou seja, uma relação de transmissão inferior a 1:1. Página 26 de 91
27 Entrada movim. Saída movim. Sentido rotação Carreto exterior (saída) Porta-satélites (entrada) Carreto sol (fixo) Satélite ENTRADA FIXO SAÍDA Figura 19 - Multiplicação do movimento Inversão do movimento Bloqueando o porta-satélites, obtém-se sempre a inversão do movimento. Se o elemento mandante for o carreto sol, a inversão é desmultiplicada, como mostrado na figura 27. Se o elemento mandante for o carreto exterior, a inversão do movimento é obtida com multiplicação do movimento. Entrada movim. Saída movim. Sentido rotação Carreto exterior (saída) Porta-satélites (fixo) Carreto sol (entrada) Satélite FIXO ENTRADA SAÍDA Figura 20 - Inversão do movimento Na tabela 6 estão indicadas as possíveis combinações de transmissão de movimento em conjuntos epicicloidais, bem como, a indicação do sentido de rotação e gama de relações de transmissão mais usuais. Página 27 de 91
28 Tabela 6 Possíveis combinações de transmissão de movimento nos conjuntos epicicloidais Elemento fixo Carreto exterior Carreto sol Porta-satélites Entrada movimento Saída movimento Velocidade Inversão do sentido de rotação? Gama de relações de transmissão (i) mais usuais 2,5 i 5 Carreto sol Porta-satélites Desmultiplicada Não Porta-satélites Carreto sol Multiplicada 0,2 i 0,4 Carreto Porta-satélites Desmultiplicada 1,25 i 5 exterior Porta-satélites Carreto sol Carreto exterior Carreto exterior Carreto exterior Carreto sol Não Multiplicada 0,6 i 0,8 Desmultiplicada Multiplicada Sim -0,4 i -1,5-0,25 i - 0,67 Diferentes formas de representação de um conjunto de engrenagens epicicloidais Dada a complexidade dos conjuntos de engrenagens epicicloidais (CEE), é necessário existirem formas de representação dos mesmos, que possibilitem a sua definição e identificação. De acordo com o autor Danilo Amaral, as diferentes formas de representação, podem ser agrupadas nos seguintes três grupos: funcional, esquemática e por grafo, conforme figura 28. Representação de um CEE Figura 21 Formas de representação de um conjunto de engrenagens epicicloidais (Danilo Amaral) Nos manuais de reparação de caixas de velocidades automáticas são utilizadas os três tipos de representação do grupo funcional. Página 28 de 91
29 Representação funcional Das diferentes formas de representação possíveis para CEE, a representação funcional é a mais simples e a que permite uma paridade entre o modelo real e a representação. Dentro deste tipo de representação estão incluídas a representação convencional ou croqui, em corte e tridimensional. Pelo fato dos CEE serem simétricos, por vezes representa-se apenas metade do mecanismo, especialmente na representação convencional. a) Convencional b) Em corte c) Tridimensional Figura 22 Diferentes representações funcionais de um CEE (Danilo Amaral) Página 29 de 91
30 TRAVÕES E EMBRAIAGENS Um travão é por definição, um órgão que permite imobilizar o movimento de um determinado elemento de um conjunto epicicloidal em relação ao cárter da caixa de velocidades. Normalmente são utilizados dois tipos de travões nas caixas automáticas: Travão de cinta; Travão de discos múltiplos; Travão de cinta Neste tipo de travão (figura 30) a imobilização é efetuada por uma cinta de aço, com material de fricção vulcanizado na sua faixa interior e que fricciona contra um tambor solidário com o elemento do conjunto epicicloidal que se pretende imobilizar. Uma das extremidades da cinta é fixa ao cárter da caixa de velocidades por meio de uma cavilha, enquanto a outra extremidade está em contacto com a haste de um pequeno cilindro hidráulico Tambor Travão de cinta Mola exterior Haste Mola interior Cilindro Tampa Figura 30 Travão de cinta De acordo com a figura 31, quando é aplicada pressão hidráulica ao cilindro, este e a respetiva haste deslocam-se para a esquerda, comprimindo a mola exterior. O movimento linear da haste, empurra a extremidade livre do travão de cinta. Como a outra extremidade do travão de cinta está solidária com o cárter da caixa de velocidades, o diâmetro da cinta diminuí. Nesta altura, gera-se uma elevada força de atrito entre a cinta e o tambor, provocando a imobilização do tambor e consequentemente do elemento do conjunto epicicloidal solidário com este. Quando a pressão hidráulica deixa de ser exercida, o cilindro e respetiva haste são empurrados para trás devido à força da mola exterior, de modo a que o tambor seja destravado pela cinta do travão. Página 30 de 91
31 A mola interior possuiu duas funções: Absorver a força de reação proveniente do tambor; Reduzir o choque gerado aquando da imobilização da cinta sobre o tambor; Sentido de rotação do tambor Haste Cilindro Travão de cinta Cárter da caixa de velocidades Mola exterior Mola interior Travão de discos múltiplos Figura 23 - Atuação do travão de cinta Neste tipo de travão são normalmente montados, de forma alternada, pratos de pressão e discos conforme pode ser observado na figura 32.Os pratos de pressão não têm movimento de rotação e são solidários com o cárter da caixa de velocidades. Os discos são solidários com o elemento do conjunto epicicloidal que pretendemos imobilizar. A aplicação de diferentes motorizações, com diferentes binários à mesma caixa de velocidades, obriga a reformular o número de discos e pratos do conjunto de travões. Camisa Pistão Pratos de pressão Mola interior Carreto sol Porta satélites Embraiagem unidirecional Pista exterior Cubo Discos Satélite Pratos de pressão Flange Discos Flange Pistão Figura 24 - Travão de discos múltiplos Página 31 de 91
32 Quando não é exercida pressão hidráulica sobre o pistão, existe uma folga mínima entre pratos e discos, de modo que os discos podem rodar livremente. No momento em que é exercida pressão hidráulica sobre o pistão, o conjunto de discos e pratos de pressão é comprimido, fazendo com que os discos deixem de rodar, conforme pode ser verificado na figura nº 33. Cárter caixa velocidades Pratos Pistão Corpo pistão Pratos Pratos Discos Porta-satélites Mola de retorno ENGRENADO Cárter caixa velocidades Pratos Pistão Corpo do pistão Discos Porta-satélites Mola de retorno DESENGRENADO Figura 25 - Funcionamento travão de discos múltiplos Embraiagens Numa caixa de velocidades automática existem várias embraiagens, cuja função é ligar dois elementos dos trens epicicloidais, permitindo que rodem à mesma velocidade. Pela análise da figura 34, verifica-se que a embraiagem C1 tem como função fazer a ligação do veio primário da caixa de velocidades ao carreto sol, enquanto a embraiagem C2, quando ativada, faz a ligação do mesmo veio primário ao carreto exterior. Quando o fluido da caixa de velocidades é pressurizado através de um orifício existente no veio primário, diretamente para pistão da embraiagem C2, obriga a válvula de retenção a fechar, através do movimento da esfera contra o orifício de saída (figura 35). O movimento do pistão força o contacto entre os discos e os pratos, gerando uma força de fricção que obriga a que ambos (discos e pratos) rodem à mesma velocidade. Desta forma, o movimento do veio primário é transmitido diretamente ao carreto exterior do conjunto epicicloidal. Página 32 de 91
33 Tambor Pistão Pratos Flange Cárter da embraiagem Cubo de embraiagem Discos (embraiagem (C1) Pratos Veio primário Flange Pistão Carreto exterior Porta-satélites Tambor Tampa Discos (embraiagem C2) Carretos sol Figura 34 - Conjunto de embraiagens Válvula de retenção Esfera Pratos Pistão Discos Veio primário Carreto exterior Pressão hidráulica Mola de recuperação Figura 26 - Funcionamento da embraiagem C2 Página 33 de 91
34 Embraiagens unidirecionais Quando uma caixa de velocidades é projetada, é tido em consideração, o choque na comutação de velocidades, de forma a aumentar o prazer de condução e a longevidade dos seus componentes. É extremamente difícil sincronizar o momento em que a pressão hidráulica é aplicada aos travões com o momento em que a pressão hidráulica é aliviada das embraiagens. Uma das formas de reduzir substancialmente o choque consiste na aplicação de embraiagens unidirecionais. A embraiagem unidirecional nº 1 (figura 36) funciona através do travão B2, para evitar que os carretos sol possam rodar no sentido inverso. A pista exterior da embraiagem unidirecional nº 2 é solidária com o cárter da caixa de velocidades, evitando que o porta satélites rode no sentido inverso. Desta forma, através da utilização de embraiagens unidirecionais, a comutação de velocidades é feita aplicando ou retirando pressão hidráulica apenas a um elemento. Embraiagem unidirecional nº1 Carreto sol Embraiagem unidirecional nº2 Pista exterior Cubo embraiagem Porta-satélites Figura 36 - Embraiagens unidirecionais Uma embraiagem unidirecional assemelha-se a um rolamento de roletes, sendo a diferença principal, a substituição dos roletes por excêntricos, conforme se pode ver na figura 37. De acordo com o sentido em que o esforço é efetuado, assim o excêntrico imobiliza ou permite o movimento relativo, entre a pista exterior e a pista interior da embraiagem unidirecional. Página 34 de 91
35 Figura 37 - Funcionamento de uma embraiagem unidirecional Página 35 de 91
36 CADEIA CINEMÁTICA Para simplificar a perceção da cadeia cinemática de uma caixa de velocidades, é representada na figura 38 uma caixa de três velocidades com um conjunto de carretos tipo Simpson (utilização de dois trens epicicloidais dispostos no mesmo eixo) Na designação dos componentes dos dois conjuntos epicicloidais, considerou-se o conjunto dianteiro, lado de entrada do movimento com o índice (1) e o conjunto traseiro, lado de saída do movimento como índice (2). Nesta caixa, existem ainda duas embraiagens (C1 e C2), três travões (B1, B2 e B3) e duas embraiagens unidirecionais (F1 e F2). O carreto sol (1) e (2) são solidários, rodando à mesma velocidade. O porta-satélites (1), bem como o carreto exterior (2) estão ligados diretamente ao veio de saída da caixa de velocidades. Satélites (1) Porta-satélites (1) Carreto sol (1) & (2) C1 Carreto exterior (2) Porta-satélites (2) Veio primário C2 Carreto exterior (1) B1 F1 B2 F2 B3 Veio de saída Satélite (2) 1ª veloc. (Pos. D e 2) Travagem motor (Pos. L) 2º velocidade (Pos. D) Travagem motor (Pos. 2) 3ª velocidade Marcha-atrás C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 Em funcionamento Figura 27 - Representação de uma caixa de três velocidades tipo Simpson 1ª Velocidade Nesta velocidade, representada na figura 39 a embraiagem C1 transmite o movimento do veio primário ao carreto exterior (1), que por sua vez faz rodar o porta-satélites (1) e respetivos satélites no mesmo sentido da entrada do movimento. O movimento dos satélites (1) faz rodar o carreto sol (1) & (2) no sentido direto. O porta-satélites (2) é impedido de se movimentar através da embraiagem unidirecional (2) Página 36 de 91
37 C1 C2 Entrada do movim. Saída do movim. Sentido de rotação B1 F1 B2 F2 B3 1ª veloc. (Pos. D e 2) Travagem motor (Pos. L) 2º velocidade (Pos. D) Travagem motor (Pos. 2) 3ª velocidade Marcha-atrás C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 Em funcionamento Figura 39 - Cadeia cinemática para a 1ª velocidade Página 37 de 91
38 1ª Velocidade Seletor de velocidades na posição D ou 2 Veio Primário C1 Carreto Exterior (1) Porta-satélites (1) Carreto Sol (1) & (2) Satélites (2) Porta-satélites (1) Porta-satélites (2) F2 Carreto Exterior (2) Veio intermédio Saída do movimento para o diferencial Página 38 de 91
39 1ª Velocidade - Seletor de velocidades na posição L Veio primário Veio Intermédio Carreto Exterior (2) Porta-satélites (1) Porta-satélites (2) Porta-satélites (2) B3 Carreto sol (1) & (2) Satélites (1) Carreto exterior (1) F1 Saída do movimento para o diferencial Página 39 de 91
40 2ª Velocidade C1 C2 Entrada do movim. Saída do movim. Sentido de rotação B1 F1 B2 F2 B3 1ª veloc. (Pos. D e 2) Travagem motor (Pos. L) 2º velocidade (Pos. D) Travagem motor (Pos. 2) 3ª velocidade Marcha-atrás C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 Em funcionamento Figura 40 - Cadeia cinemática para a 2ª velocidade 2ª Velocidade Seletor de velocidades na posição D Veio Primário C1 Carreto Exterior (1) Porta-satélites (1) Porta-satélites (1) Veio intermédio Carreto sol (1) & (2) ) F1 B2 Saída do movimento para o diferencial Página 40 de 91
41 2ª Velocidade - Seletor de velocidades na posição 2 Veio primário Veio intermédio Porta-satélites (1) Satélites (1) Carreto sol (1) & (2) ) Carreto exterior (1) B2 C1 Saída para o diferencial Página 41 de 91
42 3ª Velocidade C1 C2 Entrada do movim. Saída do movim. Sentido de rotação B1 F1 B2 F2 B3 1ª veloc. (Pos. D e 2) Travagem motor (Pos. L) 2º velocidade (Pos. D) Travagem motor (Pos. 2) 3ª velocidade Marcha-atrás C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 Em funcionamento Figura 28 - Cadeia cinemática para a 3ª velocidade 3ª velocidade Seletor de velocidades na posição D Veio Primário C1 C2 Carreto exterior (1) Carreto sol (1) & (2) Satélites (1)) Porta-satélites (1) Veio intermédio Saída do movimento para o diferencial Página 42 de 91
43 Marcha-atrás - Seletor de velocidades na posição R C1 C2 Entrada do movim. Saída do movim. Sentido de rotação B1 F1 B2 F2 B3 1ª veloc. (Pos. D e 2) Travagem motor (Pos. L) 2º velocidade (Pos. D) Travagem motor (Pos. 2) 3ª velocidade Marcha-atrás C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 Em funcionamento Figura 42 - Cadeia cinemática para a marcha-atrás Veio Primário C2 Carreto sol (1) & (2) Satélites (2) Carreto exterior (2) Porta-satélites (2) Veio intermédio B3 C1 Saída do movimento para o diferencial Página 43 de 91
44 Seletor de velocidades na posição P ou N Quando a alavanca seletora é colocada na posição N ou na posição P, as embraiagens C1 e C2 ficam desativadas, pelo que o movimento do motor não é transmitido à caixa de velocidades. Ao deslocar a alavanca seletora para a posição P, o linguete de travamento, acionado por um excêntrico, bloqueia o veio de saída da caixa de velocidades, impedindo a sua rotação e consequentemente, imobilizando o veículo. Veio do pinhão de ataque do diferencial Coroa de bloqueio Carreto exterior Lingueta de travamento Cone de accionamento Veio de saída Lingueta de travamento Cone de accionamento Figura 43 - Imobilização do veículo com o seletor na posição P Overdrive No tipo de caixa de velocidades descrita anteriormente, pode ser acoplado mais um conjunto planetário, permitindo mais uma velocidade (4ª velocidade), normalmente designada por overdrive (O/D), em virtude da sua relação de transmissão ser inferior a 1:1 (aproximadamente 0,7 a 0,8). Este conjunto planetário tem associado um travão (B0), uma embraiagem (C0) e uma embraiagem unidirecional (F0). Quando o veículo é conduzido a uma velocidade superior a 40 km/h com a alavanca seletora na posição D, é possível acionar o overdrive por intermédio de um botão colocado na alavanca. Página 44 de 91
45 Conjunto de O/D Carreto saída movimento Embraiagem O/D Conjunto planetário 3 velocidades Travão (B0) Carreto exterior Porta-satélites Satélites Embraiagem F(0) Carreto sol Figura 44 - Vista em corte do conjunto de O/D Quando o O/D está desligado, a embraiagem C0 está ativa, fazendo com que o carreto sol e o carreto exterior rodem à mesma velocidade, ou seja, a relação de transmissão do conjunto de O/D é de 1:1. Entrada movim. Saída movim. Sentido rotação Conjunto planetário 3 velocidades C1 C0 F0 C2 B1 F1 B2 F2 B3 B0 Overdrive ligado Overdrive deslig. C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 C0 F0 B0 Em funcionamento Figura 45 - Cadeia cinemática com o O/D desligado Quando o O/D está ligado, o travão B0 está ativo, imobilizando o carreto sol relativamente ao cárter da caixa de velocidades. O movimento entra no conjunto de O/D pelo porta-satélites e saí pelo carreto exterior. Página 45 de 91
46 Outras configurações Figura 46- Cadeia cinemática com o O/D ligado Na figura 47, podemos ver a solução de caixa anteriormente estudada, que com três conjunto epicicloidais permite 4 velocidades para a frente, mais a marcha atrás, para veículos do tipo FF (tração e motor dianteiros). Na mesma figura, podemos analisar outro tipo de configuração de caixas de 4 velocidades, paro veículos do tipo FR (motor dianteiro e tração traseira). Nesta configuração, o conjunto de O/D é colocado na parte dianteira da caixa de velocidades. Nesta mesma caixa, combinando a ativação simultânea da 1ª velocidade e do O/D, consegue-se uma velocidade extra, pelo que, a caixa passa a dispor de 5 velocidades para a frente. 1.Caixa de 3 velocidades +O/D (veículos tipo FF) B1 B2 B3 F2 Porta-satélites de O/D B0 C1 F1 F0 C0 C2 Saída do movimento da cx. Entrada movimento no diferencial Carreto sol de O/D 1.Caixa de 3 velocidades + O/D (veículos tipo FR) Caixa de 3 velocidades x O/D (veículos do tipo FR) B0 B2 B3 F2 Veloc.. Relaç. Veloc.. Relaç. C0 F0 C1 F1 1ª 2,804 1ª 2ª (1ªxO/D) 2,804 1,978 2ª 1,531 3ª 1,531 C2 3ª 1,000 4ª 1,000 B2 O/D M.A. 0,705 2,393 O/D M.A. 0,705 2,393 Figura 47 Diferentes configurações para a cadeia cinemática (1) Página 46 de 91
47 Na figura 48 podem ser observadas 2 conceções, com vista à obtenção de uma caixa de 5 velocidades para umo veículo do tipo FR. A caixa com 3 conjuntos epicicloidais tem a particularidade de utilizar dois conjuntos de satélites no conjunto epicicloidal dianteiro. Figura 48 Diferentes configurações para a cadeia cinemática (2) Para as viaturas do tipo FF, as disposições mostradas na figura 40 são muito utilizadas hoje em dia, quando se pretende uma caixa de 4 velocidades. A caixa CR-CR, cujo nome deriva do anglicismo Carrier/Ring Carrier/Ring, ou seja, do facto dos portasatélites dianteiro e traseiro estarem ligados entre si e ao carreto sol, tem a particularidade de ser bastante compacta e facilmente adaptável a motores com montagem transversal no veículo. De construção mais complexa, mas ainda mais compacta que a caixa CR-CR é a caixa com conjuntos planetários do tipo Ravigneaux. Este tipo de caixa caracteriza-se por utilizar um conjunto planetário com dois conjuntos de satélites, conforme mostrado na figura 49. A utilização de caixas automáticas em viaturas dos segmentos B e C, onde o espaço no compartimento do motor é pequeno, associado a um design das viaturas em que as projeções dianteiras e traseiras (distância dos para-choques ao centro da roda), são cada vez mais pequenas, obrigou a utilizar caixas de velocidades com dois andares de engrenagens. A designação de U/D em vez de O/D como aparecia nas representações anteriores, indica que a velocidade mais longa tem uma relação de transmissão superior a um. Página 47 de 91
48 Figura 49 Diferentes configurações para a cadeia cinemática (3) Figura 50 Diferentes configurações para a cadeia cinemática (4) Página 48 de 91
49 Figura 51 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AB60F de 6 velocidades Figura 52 Cadeia cinemática da caixa de velocidades A7600F de 7 velocidades Figura 53 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E de 8 velocidades Página 49 de 91
50 Figura 54 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 1ª velocidade Figura 55 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 2ª velocidade Figura 56 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 3ª velocidade Página 50 de 91
51 Figura 57 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 4ª velocidade Figura 58 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 5ª velocidade Figura 59 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 6ª velocidade Página 51 de 91
52 Figura 60 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 7ª velocidade Figura 61 Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em 8ª velocidade Figura 62 - Cadeia cinemática da caixa de velocidades AA80E em M.A. Página 52 de 91
53 CONJUNTO DE CONTROLO HIDRÁULICO O conjunto de controlo hidráulico converte a carga do motor (ângulo de posição do acelerador) e a velocidade do veículo em várias pressões hidráulicas, as quais, por sua vez, determinam o ponto de comutação das velocidades. Este sistema é constituído por uma bomba de óleo, uma válvula reguladora de pressão e um corpo de válvulas. O carreto de comando da bomba de óleo está engrenada na turbina impulsora do conversor de binário, rodando à mesma velocidade que o motor. A válvula reguladora de pressão é comandada pelo pinhão de ataque do diferencial, convertendo a velocidade do veículo num sinal de pressão de óleo. O corpo de válvulas assemelha-se a um labirinto, contendo as diferentes galerias por onde passa o óleo para acionamento dos travões e das embraiagens. A figura 63 mostra a complexidade de um circuito hidráulico de comando de uma caixa automática de quatro velocidades. Ao contrário de umo veículo com caixa de velocidades manual, em que em caso de falha da bateria é possível proceder ao arranque do motor, empurrando o veículo, tal não é possível numo veículo com caixa de velocidades automática. A justificação prende-se com o facto de a pressão hidráulica ser gerada por intermédio de uma bomba de óleo acoplada ao conversor de binário. Como o movimento das rodas não é transmitido ao conversor de binário, a bomba não gera a pressão necessária para acionamento das embraiagens e travões. Página 53 de 91
54 Figura 63 - Circuito hidráulico de comando A bomba de óleo está concebida para enviar fluído ao conversor de binário, lubrificar o conjunto de trens epicicloidais e fornecer pressão de funcionamento ao sistema de controlo hidráulico. A unidade de controlo hidráulico, tem as seguintes funções: Geração da pressão hidráulica necessária ao funcionamento da caixa; Ajustar a pressão gerada pela bomba às diferentes necessidades; Garantir a correta comutação de velocidades; Página 54 de 91
55 Conversor binário B. óleo Pedal acelerador Válv. acelerador Sinais dos sensores Válv. regulad. primária Alteração pressão fluído Travões e embraiagens ECU do motor e caixa Electroválvulas Válvula manual Alavanca selectora Figura 64 - Representação esquemática do conjunto de controlo hidráulico Bomba de óleo A bomba de óleo é impulsionada pelo conversor de binário. Dado que quando umo veículo com caixa de velocidades automática é rebocada, a bomba de óleo não funciona, a lubrificação interna da caixa é deficiente e há o risco de danificar os componentes com movimento relativo. Por esta razão, os fabricantes recomendam o reboque de umo veículo com caixa automático, só quando estritamente necessário, e sempre a velocidade reduzida (inferior a 30 km/h) e por trajetos inferiores a 80Km/h. Preferencialmente o veículo deve ser rebocada com as rodas motrizes levantadas, ou com o veio de transmissão retirado (viaturas de tração traseira). Página 55 de 91
56 Tampa dianteira Engrenagem mandada Engrenagem mandante Tampa traseira Engrenagem mandante Engrenagem mandada Figura 65 - Bomba de óleo Corpo de válvulas O corpo de válvulas encontra-se alojado na parte inferior da caixa de velocidades e é constituído por dois ou mais andares, nos quais são colocadas as diferentes válvulas, das quais se destacam a válvula reguladora primária, válvulas de comutação de velocidade e a válvula manual. Quando a caixa é de comando eletrónico, as electroválvulas são também colocadas no corpo de válvulas. Andar superior Chapa de ligação Válvula Andar inferior Acumulador Junta Chapa de ligação Junta Electroválvula Tampa inferior Figura 66 - Vista explodida de um corpo de válvulas Página 56 de 91
57 Figura 67- Corpo de válvulas da caixa AB60F utilizada no modelo Toyota Land Cruiser 200 Válvula reguladora primária A válvula reguladora primária ajusta a pressão hidráulica a cada elemento em conformidade com a rotação do motor, de acordo com as necessidades. Quando a pressão hidráulica gerada pela bomba de óleo aumenta, a mola da válvula primária é comprimida, abrindo a passagem direta para o cárter, mantendo desta forma a pressão constante. Na mesma válvula atua também o sinal da válvula do acelerador, para que quando a aceleração do motor é aumentada, aumente também a pressão exercida nas embraiagens e travões, evitando o seu escorregamento. Dado o elevado binário (devido à relação de transmissão) em marcha atrás, quando é seleciona a posição R no seletor de velocidades a pressão na linha de saída da válvula reguladora primária aumenta para evitar o escorregamento dos travões e embraiagens. Para o cárter Da bomba de óleo Linha de pressão primária Para a válvula reguladora secundária Válvula reguladora primária Mola Da válvula manual na posição R Da válvula do acelerador Figura 68 - Válvula reguladora primária Página 57 de 91
58 Válvula manual A válvula manual está diretamente ligada á alavanca seletora por intermédio de cabos ou de tirantes. Comutando a posição da alavanca seletora, altera-se a passagem do fluido no interior desta válvula. Válvula manual Gama P, L e R B3 Gama R Gama 2 Bomba C2 Gama D, 2 e L B1 C1 Figura 69 - Válvula manual Válvulas de comutação A troca de velocidade numa caixa automática é efetuada por comutação da ativação dos travões e das embraiagens. As válvulas de comutação alteram o estado de pressão aplicado aos respetivos travões e embraiagens. Numa caixa de 4 velocidades, existem 3 válvulas de comutação, a saber; válvula de comutação 1-2, válvula de comutação 2-3 e válvula de comutação 3-4. Para uma melhor perceção do seu funcionamento, vamos ver como funciona a válvula de comutação 1-2. Quando a pressão hidráulica é aplicada no topo desta válvula, a caixa permanece em 1ª velocidade, porque a aplicação de pressão aos travões e embraiagens é interrompida. Contudo, quando a pressão hidráulica anteriormente aplicada ao topo da válvula é interrompida através do acionamento da electroválvula, a mola força a válvula a deslocar-se para cima, abrindo a passagem de pressão par ao travão B2. Desta forma, a caixa comuta de 1ª para a 2ª velocidade. Electroválvulas As electroválvulas são comandadas pela unidade de gestão do motor e caixa (Engine & ECT ECU), de forma a pilotarem as válvulas de comutação e regular a pressão hidráulica. Existem 2 tipos de electroválvulas utilizadas nas caixas de velocidades automáticas: Página 58 de 91
59 Electroválvulas do tipo on/off e electroválvulas lineares (SLT) nas quais, é possível comandar a posição pretendida do pistão, por intermédio da corrente enviada pela ECU. As electroválvulas do tipo on/off são utilizadas para comutação de velocidades, enquanto as válvulas lineares são utilizadas para controlo da pressão hidráulica. Da bomba de óleo Electroválvula Da bomba de óleo Da bomba de óleo Para o travão B2 Da válvula manual 1ª velocidade 2ª velocidade Figura 70 - Válvula de comutação 1ª 2ª Electroválvula do tipo on/off (ON) (OFF) Dreno Dreno Pistão Electroválvula do tipo linear Pistão Mola de retorno Linha de pressão Pistão de controlo Dreno Figura 71 - Electroválvulas Página 59 de 91
60 Válvula de posição do acelerador A válvula de posição do acelerador, produz uma pressão hidráulica que é função da posição do pedal do acelerador. Esta válvula é diretamente acionada pelo pedal do acelerador, por intermédio do cabo do acelerador e de um excêntrico alojado no corpo de válvulas. Em alguns modelos, a pressão do acelerador, é gerada por intermédio de uma electroválvula do tipo SLT, em função dos sinais recebidos pela ECU referentes à posição do pedal do acelerador. Da válvula de redução de pressão ECU Da bomba Para válvula modeladora do acelerador Orifício de passagem Para as válvulas de comutação Pressão de posição de acelerador Pistão de comutação para velocidade inferior Cabo do acelerador Excêntrico Da bomba Electroválvula linear (SLT) Figura 72 - Válvula de posição do acelerador Válvula de bloqueio do conversor de binário A função desta válvula é alterar o sentido do fluxo de ATF no interior do conversor de binário, de modo a ligar/desligar a embraiagem de bloqueio do conversor de binário. Quando o pistão desta válvula é puxado para baixo, o fluxo de ATF no interior do conversor de binário é tal que a força a embraiagem de bloqueio a ficar desligada. Página 60 de 91
61 VÁLVULA DE BLOQUEIO DESLIGADA Válvula de bloqueio Da bomba Pressão para o conversor de binário Mola de retorno Para a frente do conversor binário C2 Válvula de sinal de bloqueio Da bomba Para o permutador Da traseira do conversor binário Figura 73 - Válvula de bloqueio do conversor de binário desligada Da bomba Pressão para o conversor de binário Da traseira do conversor binário C2 Válvula de sinal de bloqueio Da bomba Para o permutador Para a frente do conversor binário Sinal de bloqueio Válvula de bloqueio Figura 74 - Válvula do bloqueio do conversor de binário ligada Válvula reguladora secundária Esta válvula regula a pressão de trabalho do conversor de binário e a pressão de lubrificação da caixa de velocidades. O ATF pressurizado para ser utilizado no conversor de binário é enviado para a válvula de bloqueio. Página 61 de 91
62 Para a válvula de bloqueio Pressão do conversor Pressão de lubrificação Mola de recuperação Válvula limitadora de pressão Figura 75 - Válvula reguladora secundária A válvula limitadora de pressão, atua na válvula de posição do acelerador, recebendo como sinal de entrada a pressão gerada na bomba. O propósito desta válvula é limitar a pressão de saída da válvula de posição do acelerador, evitando perdas de potência na bomba de óleo. Pressão regulada Da bomba de óleo Pressão para a válvula de posição do acelerador Válvula limitadora de pressão Figura 76 - Válvula limitadora de pressão Página 62 de 91
63 Válvula modeladora da posição do acelerador A válvula modeladora da posição do acelerador, gera uma pressão ligeiramente inferior à da válvula de posição do acelerador quando este está na sua abertura máxima. Desta forma, o sinal de pressão aplicado à válvula reguladora primária reproduz de uma forma mais fidedigna as performances do motor. elevada Pressão gerada pela bomba Pressão Pressão da posição do acelerador sem modelação Pressão do acelerador modelada baixa 0 Posição do pedal do acelerador (%) 100 Figura 77 - Válvula modeladora da posição do acelerador Acumuladores Os acumuladores têm como função, reduzir o choque hidráulico aplicado aos travões e embraiagens, durante a comutação de velocidade, de forma a aumentar o prazer de condução. A pressão da bomba que chega aos acumuladores via válvula manual age no topo do pistão, sendo que, do lado contrário atua a pressão de controlo bem como uma mola. O equilíbrio destas forças, faz com que o pistão se movimente de forma controlada, fazendo com que a pressão aplicada aos travões e embraiagens seja feita progressiva. Página 63 de 91
64 Retorno para o cárter Pistão Pressão de controlo Da válvula manual Lado da contra-pressão Para os travões e embraiagens Figura 78 - Acumulador Regulador centrífugo Nas caixas automáticas sem gestão eletrónica, é utilizado um regulador centrifugo para deteta a velocidade do veículo. Esta válvula está ligada por meio de um conjunto de engrenagens ao veio de saída da caixa de velocidades, pelo que a sua rotação e consequentemente a pressão gerada é função da velocidade do veículo. Carreto de ligação ao diferencial Regulador centrífugo Pinhão de ataque do diferencial Regulador centrífugo Pressão r.p.m veloc. do veículo (Km/h) Figura 79 - Regulador centrífugo Página 64 de 91
65 Comutação de velocidades Com recurso a uma representação esquemática das válvulas de comutação de velocidade e uma tabela auxiliar com as embraiagens e travões ativos em cada velocidade, vamos analisar o que acontece quando as diferentes velocidades são engrenadas. 1ª 2ª 3ª O/D Electroválvulas Nº1 Nº2 ON ON OFF ON OFF ON OFF OFF C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 C0 F0 B0 Activo Na gama L Na gama 2 Figura 80 Representação esquemática da comutação de velocidades 1ª Velocidade Quando se procede à comutação para 1ª velocidade, partindo com a alavanca seletora da posição N, a passagem para a embraiagem C1 é aberta através da válvula manual. Como a electroválvula nº 1 está ON e a electroválvula nº2 está OFF, a passagem para a embraiagem CO está aberta. Na gama D e 2, o efeito de travagem do motor não funciona, devido à ativação de F2. Na gama L a passagem para B3 é aberta e o efeito de travagem do motor é ativado. A passagem da pressão hidráulica para o conjunto de travões e embraiagens é a seguinte: C1 através da válvula manual C0 através da válvula de comutação 3-4 B3 através da válvula de comutação 2-3 Página 65 de 91
66 Electroválvula nº 1 (ON) Electroválvula nº 2 (OFF) Dreno Dreno Linha de pressão Linha de pressão Linha de pressão Linha de pressão (da válvula manual na gama L ) Linha de pressão Linha de pressão Para C0 Válvula de comutação 2-3 Válvula de comutação 1-2 Válvula de comutação 3-4 1ª 2ª 3ª O/D Electroválvulas Nº1 Nº2 ON OFF ON ON OFF OFF ON OFF C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 C0 F0 B0 Activo Na gama L Na gama 2 Figura 81 - Representação esquemática da comutação de velocidades (1ª) 2ª Velocidade Na comutação para 2ª velocidade, a ECU excita as electroválvulas nº1 e nº2. A pressão hidráulica aplicada no topo das válvulas de comutação 1-2 e 3-4 é descarregada para o cárter, enquanto, a válvula de comutação 1-2 é movimentada no sentido ascendente pela força da mola, abrindo a passagem para o travão B2. C1 e B2 forçam o engrenamento da 2ª velocidade. Na gama D, o efeito de travagem do motor não é aplicado, devido ao funcionamento de F1. Na gama 2, é aberta a passagem do fluido através de B1, obtendo-se desta forma, o efeito de travagem do motor. A passagem da pressão hidráulica para o conjunto de travões e embraiagens é a seguinte: C1 através da válvula manual C0 através da válvula de comutação 3-4 B2 através da válvula de comutação 1-2 B1 através da válvula de comutação 1-2 Página 66 de 91
67 Linha de pressão Linha de pressão Linha de pressão (da válvula manual na gama L ) Para B1 (gama 2) Linha de pressão Para B2 Linha de pressão Para C0 Válvula de comutação 2-3 Válvula de comutação 1-2 Válvula de comutação 3-4 1ª 2ª 3ª O/D Electroválvulas Nº1 Nº2 ON ON ON OFF OFF OFF OFF ON C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 C0 F0 B0 Na gama L Activo Na gama 2 Figura 82 - Representação esquemática da comutação de velocidades (2ª) 3ª Velocidade Quando a 3ª velocidade está engrenada, a electroválvula nº1 passa para OFF, mantendose e electroválvula nº2 em ON. A pressão hidráulica atua no topo da válvula de comutação 2-3, fazendo com que o seu pistão se desloque para baixo, abrindo a passagem para a embraiagem C2. C1 e C2 fazem com que a 3ª velocidade fique engrenada. A passagem da pressão hidráulica para o conjunto de travões e embraiagens é a seguinte: C1 através da válvula manual C0 através da válvula de comutação 3-4 B2 através da válvula de comutação 1-2 C2 através da válvula de comutação 2-3 Página 67 de 91
68 Electroválvula nº 1 (OFF) Electroválvula nº 2 (ON) Linha de pressão Linha de pressão Dreno Dreno Linha de pressão Linha de pressão Para B2 Linha de pressão Para C0 Válvula de comutação 2-3 Para C2 Válvula de comutação 1-2 Válvula de comutação 3-4 1ª 2ª 3ª O/D Electroválvulas Nº1 Nº2 C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 C0 F0 B0 ON ON ON Electroválvulas OFF OFF OFF OFF ON Na gama L Activo Na gama 2 Figura 83 - Representação esquemática da comutação de velocidades (3ª) O/D O engrenamento do O/D dá-se quando a electroválvula nº2 passa a OFF. A pressão da bomba é aplicada no topo das válvulas de comutação 1-2 e 3-4, fazendo deslocar para baixo o pistão da válvula de comutação 3-4. A pressão da bomba ao ser aplicada na parte inferior da válvula de comutação 1-2 não permite que esta se movimente. Se o interruptor de o/d existente na alavanca seletora estiver desligado, não é possível o engrenamento de O/D, porque a ECU não desliga a electroválvula nº2. A passagem da pressão hidráulica para o conjunto de travões e embraiagens é a seguinte: C1 através da válvula manual B0 através da válvula de comutação 3-4 B2 através da válvula de comutação 1-2 Página 68 de 91
69 Electroválvula nº 1 (OFF) Electroválvula nº 2 (OFF) Linha de pressão Linha de pressão Linha de pressão Para B2 Para B0 Linha de pressão Válvula de comutação 2-3 Válvula de comutação 3-4 Válvula de comutação 1-2 1ª 2ª 3ª O/D Electroválvulas Nº1 Nº2 ON ON ON OFF OFF OFF OFF ON C1 C2 B1 B2 F1 B3 F2 C0 F0 B0 Na gama L Activo Na gama 2 Figura 84 - Representação esquemática da comutação de velocidades (O/D) Alavanca seletora Numa caixa de velocidades automática, a alavanca seletora permite selecionar o modo de condução. Existem diferentes tipos de alavancas, dependendo do modelo e do segmento em que o veículo se enquadra: Linear Na coluna da direção Tipo porta Linear com modo E-shift (com ou sem patilhas de comutação no volante) Página 69 de 91
70 Interruptor de O/D Interruptor de O/D Patilhas de comutação de velocidades Figura 85 - Tipo de alavancas seletoras Página 70 de 91
71 CIRCUITO DE REFRIGERAÇÃO Normalmente, existe um permutador de calor, externo à caixa de velocidades, colocado na frente do veículo, permitindo regular a temperatura do fluido de lubrificação para que este nunca ultrapasse uma temperatura de cerca de 130º C. Em viaturas desportivas, em que a caixa de velocidades pode ser severamente solicitada, podem ser colocados dois permutadores de calor em série. Na figura 87 verifica-se a colocação de um permutador a ar, em série com um permutador a água, utilizados na caixa de velocidades automática do modelo Lexus IS-F. Figura 86 - Localização do permutador de calor para o ATF no modelo Toyota Land Cruiser 200 Figura 87- Utilização de 2 permutadores de calor para o ATF no modelo Lexus IS-F Para evitar o aumento de pressão interna, devido ao aumento de temperatura do ATF, existe uma ligação permanente à atmosfera do interior da caixa de velocidades (figura 88) para garantir que os vedantes não são danificados. Página 71 de 91
72 Figura 88 Tubo de respiro utilizado na caixa AA80E Página 72 de 91
73 CÁLCULO DA RELAÇÃO DE TRANSMISSÃO EM TRENS EPICICLOIDAIS Existem vários processos para o cálculo da relação de transmissão em trens epicicloidais. Neste trabalho serão abordados os seguintes processos: Cálculo baseado nas velocidades angulares Carreto exterior (5) Porta satellites (3) Carreto sol (2) Satélite(4) Figura 89 - Conjunto epicicloidal Com base na figura 89, que representa um conjunto epicicloidal composto por um carreto sol (2), porta satélites (3), satélites (4) e pelo carreto exterior (5,) pode-se dizer que a velocidade angular de (2) relativamente a (3) é dada por: ω 23 = ω 2 ω 3 Por outro lado, a velocidade de (5) relativamente a (3) é igual a ω 23 = ω 23 Dividindo a equação (a) pela equação (b) obtêm-se ω 53/ ω 23 =(ω 5 ω 3 )/( ω 2 ω 3 ) A equação (c) relaciona as velocidades angulares de (5) e de (2) em relação a (3) e que pode reescrita sobre a forma ω 53/ ω 23 = e = (ω s ω p )/( ω e ω p ) (Eq. 1) na qual ω e = velocidade de entrada no conjunto epicicloidal em rot / min ω s = velocidade de saída no conjunto epicicloidal em rot / min ω p = velocidade do porta satélites em rot / min e = relação de transmissão do conjunto Para melhor compreender este processo, vamos analisar um caso concreto. Página 73 de 91
74 No conjunto da figura 90, a engrenagem (2) gira a 250 r.p.m. no sentido horário. As engrenagens (4) e (5) são solidárias e podem girar livremente no eixo do braço (3). A engrenagem (6) é fixa. Pretende-se determinar a velocidade e sentido de rotação do braço (3) Uma vez que é dada a velocidade das engrenagens (2) e (6), podemos definir arbitrariamente a engrenagem (2) como entrada do movimento e a engrenagem (6) com a de saída. Desta forma: ω e = ω 2 = -250 r.p.m. e ω s = ω 6 = 0 r.p.m. e a relação de transmissão será e = (20/30) x (16/34) = 16/51 Substituindo estes valores na Eq.1 obtêm-se 16/51 = (0- ω p )/ (-250- ω p ) donde ω p = 114 r.p.m. Figura 90 -Trem epicicloidal com o carreto sol fixo Cálculo pela equação básica para conjuntos epicicloidais A determinação da relação de transmissão dum trem epicicloidal por este processo, resulta da aplicação direta da seguinte expressão: em que ns + (Ze/Zs) x ne (1+ Ze/Zs) x np = 0 (Eq. 2) Z e n representam respetivamente o nº de dentes e o nº de rotações por minuto e os índices e, s e p respetivamente o carreto exterior, carreto sol e porta satélites. Aplicando esta equação ao trem representado na figura 91 obtêm-se 0 + (42/18) x ne (1+ 42/18) x 1 ne = 1, 429 Página 74 de 91
75 Saída movimento Entrada movimento Sentido rotação Z5 = 42 Porta satélites( 3) Z2 = 18 Z4 = 12 Saída Fixo Entrada Figura 91 Determinação gráfica A determinação da relação de transmissão é obtida por recurso a um nomograma. Esta representação gráfica resulta das seguintes considerações: 1. Sob um eixo horizontal marcar os comprimentos a e b, sendo que a distância b = a * (Z e /Z s ). O comprimento a é arbitrado, por exemplo, um centímetro. Z e e Z s representam respetivamente, o nº de dentes do carreto exterior e do carreto sol 2. Traçar os eixos verticais n p, n s e n e na ordem relativa indicada na figura 83, e que representam as velocidades de rotação dos três componentes do conjunto epicicloidal. 3. Sabendo duas das velocidades e fazendo passar uma linha reta pelo ponto representativo destas nos respetivos eixos, determina-se a terceira velocidade, pela interceção da reta com o eixo da velocidade que constitui a incógnita. n s N p n e b a Figura 92 Determinação gráfica das velocidades Página 75 de 91
76 Exemplo 1: Cálculo da relação de transmissão Com recurso à equação básica para o cálculo da relação de transmissão em conjuntos epicicloidais, determinar as relações de transmissão da caixa de velocidades A540H, utilizada no modelo RAV4 SXA10 da marca Toyota. Dados da caixa de velocidades z s1 =39 z s2 =27 z s3 =22 z e1 =71 z e2 =62 z e3 =61 z p1 =16 z p2 =18 z p3 =18 em que os índices 1, 2 e 3 referem-se respetivamente aos conjuntos epicicloidais dianteiro, traseiro e de overdrive. Figura 93 - Representação esquemática da caixa de velocidades A540H Tabela 7 - Elementos ativos nas diferentes posições do seletor de velocidades da caixa A540H Posição do selector Velocidade C1 C2 C0 B1 B2 B3 B0 F1 F2 F0 P Parque O R M. A. O O N Neutro O D ou 2 1ª O O O O D 2ª O O O O O D 3ª O O O O O D O/D O O O O 2 2ª O O O O O O L 1ª O O O O O O = em funcionamento Página 76 de 91
77 Cálculo da relação de transmissão em 1ª velocidade Atendendo à figura 93 e à tabela 7, conclui-se que: n s1 = n s2 ; n p1 = n e2 ; n e1 =1(considera-se a entrada = 1 r.p.m.); n p2 = 0, donde n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 n s1 +(71/39)*1-(1+71/39)*n e2 = 0 n s2 +(62/27)*n e2 -(1+62/27)*0 = 0 n e2 =0,3558 i 1ª veloc. =n e1 /n e2 = 2,81 (O conjunto de O/D está bloqueado por C0, sendo a sua relação de transmissão = 1) Cálculo da relação de transmissão em 2ª velocidade n s1 = n s2 = 0; n p1 = n e2 ; n e1 = 1, pelo que n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 0+(71/39)*n e1 -(1+71/39)*1 = 0 n e1 =1,549 i 2ª veloc. =n e1 /n e2 =1,549 (O conjunto de O/D está bloqueado por C0, sendo a sua relação de transmissão = 1) Cálculo da relação de transmissão em 3ª velocidade n s1 =n s2 ; n e1 =n s1 ; n e1 =1;n p1 =n e2 n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 1+(71/39)*1-(1+71/39)*n p1 = 0 n p1 =1 i 3ª veloc. =n e1 /n e2 = 1 (O conjunto de O/D está bloqueado por C0, sendo a sua relação de transmissão = 1) Cálculo da relação de transmissão em Overdrive (O/D) n s1 = n s2 ; n e1 = n s1 ; n p3 = 1;n 3 = 0 n s3 +(z e3 /z s3 )*n e3 -(1+z e3 /z s3 )*n p3 = 0 0+(61/22)*n e3 -(1+61/22)*1 = 0 Página 77 de 91
78 n e3 = 0,735 i overdrive. = 0,735 Cálculo da relação de transmissão em marcha-atrás n s1 = n s2 ; n p1 = n e2 ; n e2 = 1;n p2 = 0 n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 n s2 +(62/27)*1-(1+62/27)*0 = 0 n s2 = -2,29 i marcha atrás. = -2,29 (O conjunto de O/D está bloqueado por C0, sendo a sua relação de transmissão = 1) Nota: O sinal negativo, indica que a saída do movimento é em sentido contrário ao indicado nas restantes velocidades. Determinação gráfica da relação de transmissão em 1ª velocidade Como para o conjunto de entrada temos duas incógnitas (apenas podemos atribuir a velocidade de entrada vinda do motor), a determinação da relação de transmissão faz-se, começando pela determinação da relação de transmissão do conjunto planetário de O/D. Como C0 e F0 estão ativados, os três constituintes do conjunto rodam à mesma velocidade, pelo que, admitindo a saída de velocidade =1 r.p.m., a construção do nomograma tem o seguinte aspeto, tomando por base as considerações: n s0 = n e0 ; n p0 = 1(considera-se a saída = 1 r.p.m.) z e0 /z s0 = 61/22 = 2,8 n s0 n p0 n e b = 2,8 a = 1 De seguida, determina-se a relação de transmissão do conjunto epicicloidal nº2. Página 78 de 91
79 n e2 = n p3 = 1; n p2 = 0, porque F2 está activada z e2 /z s2 = 62/27 = 2,3 a incógnita a determinar graficamente é, neste caso, n s2 n s2 n p2 n e ,3 b = 2,3 a = 1 Finalmente, determina-se a relação de transmissão do conjunto epicicloidal nº1 n s2 = n s1 = -2,3; n p1 = n e2 = 1 z e1 /z s1 = 71/39 = 1,8 a incógnita a determinar graficamente é, neste caso, n e1 n s1 n p1 n e1 1 2,8-2,3 b = 1,8 a = 1 Graficamente, determina-se que n e1 = 2,8, donde, i 1ª veloc. = n e1 /n e3 = 2,8/1 = 2,8 c.q.d. Os cálculos para as restantes velocidades são determinados da mesma forma, começando-se pelo conjunto epicicloidal de O/D ou o nº1, de acordo com o nº de incógnitas. Página 79 de 91
80 Exemplo 2: Cálculo da relação de transmissão Novamente e com recurso à equação básica para o cálculo da relação de transmissão em conjuntos epicicloidais, vamos determinar a relação de transmissão da caixa de velocidades U140F, utilizada no modelo RX300 da marca Lexus. Dados da caixa de velocidades z s1 =43 z s2 =31 z s3 =35 z e1 =77 z e2 =69 z e3 =91 z p1 =17 z p2 =19 z p3 =28 Z mandante = 52 ; Z mandada = 53 (engrenagens utilizadas na ligação dos 2 andares da caixa de velocidades) Os índices 1, 2 e 3 referem-se respectivamente aos conjuntos epicicloidais dianteiro, traseiro e de overdrive. Figura 94 - Representação esquemática da caixa de velocidades U140F Tabela 8 - Elementos ativos nas diferentes posições do seletor de velocidades da caixa U140F Posição do selector Velocidade C1 C2 C3 B1 B2 B3 F1 F2 P Parque O R M. A. O O O N Neutro O D 1ª O O O O D 2ª O O O O D 3ª O O O O D O/D O O O 2 1ª O O O O 2 2ª O O O L 1ª O O O O O O = em funcionamento Página 80 de 91
81 Cálculo da relação de transmissão em 1ª velocidade Atendendo à figura 94 e à tabela 8, conclui-se que: n p1 = n e2 ; n p2 = n e1 ; n s1 =1 (considera-se a entrada = 1 r.p.m.); n s3 = 0;52* n p1 = 53*n e3, donde n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s3 +(z e3 /z s3 )*n e3 -(1+z e3 /z s3 )*n p3 = 0 1+(77/43)*0-(1+77/43)*53/52*n e3 = 0 0+(91/35)*n e3 -(1+91/35)* n p3 = 0 n p3 =0,2539 i 1ª veloc. =ns 1 /n p3 = 3,938 Cálculo da relação de transmissão em 2ª velocidade n p1 = n e2 ; n p2 = n e1 ; n s1 =1; n s2 =0; n s3 = 0;52* n p1 = 53*n e3, pelo que n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 n s3 +(z e3 /z s3 )*n e3 -(1+z e3 /z s3 )*n p3 = 0 1+(77/43)*n p2 -(1+77/43)*53/52*ne3 = 0 0+(69/31)*53/52*n e3 -(1+69/31)*n p2 = 0 0+(91/35)*n e3 -(1+91/35)*n p3 = 0 n p3 = 0,4557 i 2ª veloc. = n s1 /n p3 = 2,194 Cálculo da relação de transmissão em 3ª velocidade n p1 = n e2 ; n p2 = n e1 ; n s1 =1; n s2 =1; n s3 = 0;52* n p1 = 53*n e3, pelo que n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 n s3 +(z e3 /z s3 )*n e3 -(1+z e3 /z s3 )*n p3 = 0 1+(77/43)*n p2 -(1+77/43)*53/52* n e3 = 0 1+(69/31)*53/52*n e3 -(1+69/31)*n p2 = 0 0+(91/35)*n e3 -(1+91/35)*n p3 = 0 n p3 =0,709 i 3ª veloc. =n s1 /n p3 = 1,411 Cálculo da relação de transmissão em Overdrive (O/D) n p1 = n e2 ; n p2 = n e1 ; n s1 =1; n s2 =1; n s3 = n p3 ;52* n p1 = 53*n e3, pelo que, Página 81 de 91
82 n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 n s3 +(z e3 /z s3 )*n e3 -(1+z e3 /z s3 )*n p3 = 0 1+(77/43)*n p2 -(1+77/43)*53/52ne3 = 0 1+(69/31)*53/52*n e3 -(1+69/31)*n p2 = 0 1+(91/35)*n e3 -(1+91/35)*n p3 = 0 n p3 = 0,9863 i O/D = n s1 /n p3 = 1,014 Cálculo da relação de transmissão em marcha-atrás n p1 = n e2 ; n p2 = n e1 =0;n s2 =1; n s3 = 0;52* n p1 = 53*n e3, pelo que, n s1 +(z e1 /z s1 )*n e1 -(1+z e1 /z s1 )*n p1 = 0 n s2 +(z e2 /z s2 )*n e2 -(1+z e2 /z s2 )*n p2 = 0 n s3 +(z e3 /z s3 )*n e3 -(1+z e3 /z s3 )*n p3 = 0 n s1 +(77/43)*0-(1+77/43)*53/52*n e3 = 0 1+(69/31)*53/52*n e3 -(1+69/31)*0 = 0 0+(91/35)*n e3 -(1+91/35)*n p3 = 0 n p3 = -0,3183 i m.a. = n s2 /n p3 = -3,141 Nota : O sinal negativo, indica que a saída do movimento é em sentido contrário ao indicado nas restantes velocidades Página 82 de 91
83 ESCALONAMENTO DAS VELOCIDADES O escalonamento das velocidades nas caixas analisadas, segue uma tendência de progressão geométrica, com valores ligeiramente mais elevados nas velocidades mais reduzidas, e valores ligeiramente inferiores à constante da progressão, para as velocidades mais longas. Verifica-se também, que a relação de transmissão mais reduzida (maior disponibilidade de binário) é a 1ª velocidade ao contrário do que normalmente acontece com as caixas de velocidades manuais em que a velocidade mais reduzida é a marcha-atrás. A explicação deve-se ao facto de o conversor de binário, tal como já foi explicado, poder, em determinadas circunstâncias multiplicar o binário disponibilizado pelo motor. Desta forma, mesmo que o veículo tenha necessidade de arrancar, carregada, de marcha-atrás numa subida íngreme, não necessita de uma relação de transmissão tão reduzida, comparativamente com umo veículo idêntica e com caixa de velocidade manual. Por outro lado, a 1ª velocidade ao ser bastante reduzida, permite que o veículo tenha uma resposta imediata ao acelerador. Tabela 9 - Relação de transmissão para diferentes caixas de velocidades Tipo de Caixa AA80E (Lexus ISF) A760E (Lexus IS 350) A960E (Lexus IS250) Relação transmissão Progressão Relação transmissão Progressão Relação transmissão Progressão 1ª 4,596 3,520 3,538 2ª 2,724 1,687 2,042 1,724 2,060 1,717 3ª 1,863 1,462 1,400 1,459 1,404 1,467 4ª 1,464 1,273 1,000 1,400 1,000 1,404 5ª 1,231 1,189 0,716 1,397 0,713 1,403 6ª 1,000 1,231 0,586 1,222 0,582 1,225 7ª 0,824 1,214 8ª 0,685 1,203 M.A. 2,176 3,244 3,168 Com base no escalonamento de uma caixa e com os dados referentes à relação de redução do diferencial e dimensões dos pneus, é possível construir um gráfico como o seguinte. Neste tipo de gráfico, é possível determinar a velocidade do veículo, em função da velocidade engrenada e da rotação do motor. Página 83 de 91
84 Figura 95 - Velocidade do veículo, função da rotação do motor e velocidade engrenada Página 84 de 91
85 DIAGNÓSTICO Quando uma caixa de velocidades automática não funciona corretamente, devem-se fazer os quatro testes abaixo indicados, de forma a localizar a possível área de avaria. Os testes de seguida descritos, têm como base a verificação da caixa de velocidades A131L utilizada no modelo Toyota Corolla. Teste de paragem Este teste tem como objetivo verificar o desempenho total da caixa de velocidades. A sua execução deve ser feita com o fluido à temperatura normal de funcionamento (50 a 80ºC) e não deve ser prolongado por um período superior a 5 segundos. Procedimento para a execução do teste: Imobilizar o veículo com calços, travão de mão e travão de pé; Colocar o motor em movimento; Acelerar a fundo depois de ter colocado o seletor da caixa na posição D; Registar a rotação máxima que o motor atinge; Repetir o mesmo procedimento com o seletor na posição R; Avaliação do teste Se o regime de paragem for idêntico em ambas as gamas, mas inferior ao valor especificado: A potência do motor poderá ser insuficiente; A embraiagem unidirecional do estator pode estar danificada; Se o regime de paragem na gama D for superior ao especificado: A pressão da bomba pode ser baixa; A embraiagem C1 pode estar a patinar; A embraiagem unidirecional nº2 pode estar a patinar; A embraiagem unidirecional do OD pode não estar a funcionar corretamente; Se o regime de paragem em ambas as gamas (R e D) for superior ao especificado; Página 85 de 91
86 A pressão debitada pela bomba pode ser inferior ao especificado; A embraiagem de OD pode não estar a funcionar corretamente; Figura 96 - Realização do teste de paragem Teste de reação Este teste permite verificar o funcionamento dos travões e embraiagens que funcionam em 1ª e em M.A. Com o veículo imobilizada e o fluido da caixa à temperatura normal de funcionamento, mede-se o tempo entre a comutação do selector da caixa de velocidades de N para R e de N para D ao regime de ralenti até se sentir o choque proveniente das embraiagens e travões estarem em carga. Este tempo de reacção, varia de modelo para modelo, mas podemos considerar como valor médio 1,5 segundos. Avaliação do teste: Se o tempo de reação for superior ao especificado na mudança de N para D A pressão na linha principal pode ser baixa; A embraiagem C1 pode ter problemas; A embraiagem de OD pode ter problemas; Se o tempo de reação for superior ao especificado na mudança de N para R; A pressão na linha principal pode ser baixa; A embraiagem C2 pode não estar a funcionar corretamente; A embraiagem de OD pode não estar a funcionar corretamente; Página 86 de 91
87 Figura 97 - Realização do teste de reação Teste à pressão hidráulica da caixa de velocidades Com este teste pretende-se verificar: A pressão máxima na linha principal na posição D e na posição R; A pressão do regulador centrífugo em função da velocidade do veículo (caixas sem comando eletrónico); Figura 98 - Realização do teste de verificação das pressões hidráulicas Teste de estrada Este teste é realizado em estrada e de uma forma geral, pretende-se analisar a correta comutação de velocidade. Página 87 de 91
88 Códigos de avarias De forma a facilitar o diagnóstico nos sistemas com gestão eletrónica utilizados em viaturas automóveis, sempre que é detetada uma falha, esta é registada na ECU do sistema, e por norma, acende a luz do sistema em questão. Estes códigos de avarias são também conhecidos por DTC Diagnostic Trouble Code e podem ser de dois tipos: genéricos ou específicos do fabricante. Os códigos genéricos são definidos pela SAE Society for Automotive Engineers e utilizados por todos os fabricantes automóveis. Estes códigos podem ser lidos através de equipamento adequado, ligado à ficha de diagnóstico DLC3. Figura nº 99 Posição da ficha de diagnóstico no modelo Lexus LS460 Figura nº 100 Equipamento de diagnóstico utilizado nas marcas Toyota, Lexus e Hino Página 88 de 91
89 Interpretação do código de avaria Os códigos de avaria são compostos por cinco alfanuméricos e cumprem com a norma SAE J2012. A lógica subjacente à utilização dos cinco alfanuméricos é explicada com base no código P0300. O 1º dígito identifica o subsistema do veículo: P Conjunto propulsor (Powertrain) C Chassis B Carroçaria (Body) U Sistemas de comunicação (Network) O 2º dígito identifica o tipo de código: 0 e 2 Códigos genéricos da SAE 1- Código específico do fabricante 3 Código genérico ou específico Exemplo: P300-P3399 código específico do fabricante P3400 P3499 Código genérico P0300 O 3º dígito identifica o sistema específico do veículo: 0 Sistema de combustível, medição do ar de admissão e controlos auxiliares de emissões 1- Sistemas de combustível e medição do ar de admissão 2- Sistemas de combustível e medição do ar de admissão 3- Sistema de ignição 4- Controlos auxiliares de emissões 5- Velocidade do veículo, controlo do regime de ralenti e entradas auxiliares 6- Entradas auxiliares e unidades de gestão eletrónica 7- Transmissão 8- Transmissão 9- Transmissão A Propulsão híbrida B a F Reservados pela SAE para uso futuro O 4º e 5º dígito identificam a falha específica no sistema Página 89 de 91
90 A título de exemplo, os códigos de avaria para a caixa automática AA80E do modelo Lexus LS460 são apresentados na tabela 10. Tabela 10 - Códigos de avarias para a caixa de velocidades automática AA80E Automatic Transmission System P0500 P0502 P0503 P0560 P0617 P0705 P0711 P0712 P0713 P0715 P0717 P0724 P0741 P0746 P0748 P0771 P0776 P0778 P0796 P0798 P0872 P0873 P0985 P0986 P2714 P2716 P2757 P2759 P2765 P2767 P2769 P2770 P2808 P2810 DTC Code Detection Item Vehicle Speed Sensor "A" Vehicle Speed Sensor "A" Circuit Low Vehicle Speed Sensor "A" Intermittent / Erratic / High System Voltage Starter Relay Circuit High Transmission Range Sensor Circuit Malfunction (PRNDL Input) Transmission Fluid Temperature Sensor "A" Performance Transmission Fluid Temperature Sensor "A" Circuit Low Input Transmission Fluid Temperature Sensor "A" Circuit High Input Input / Turbine Speed Sensor Circuit Malfunction Input Speed Sensor Circuit No Signal Brake Switch "B" Circuit High Torque Converter Clutch Solenoid Performance (Shift Solenoid Valve SL) Pressure Control Solenoid "A" Performance (Shift Solenoid Valve SL1) Pressure Control Solenoid "A" Electrical (Shift Solenoid Valve SL1) Shift Solenoid "E" Performance (Shift Solenoid Valve SR) Pressure Control Solenoid "B" Performance (Shift Solenoid Valve SL2) Pressure Control Solenoid "B" Electrical (Shift Solenoid Valve SL2) Pressure Control Solenoid "C" Performance (Shift Solenoid Valve SL3) Pressure Control Solenoid "C" Electrical (Shift Solenoid Valve SL3) Transmission Fluid Pressure Sensor / Switch "C" Circuit Low Transmission Fluid Pressure Sensor / Switch "C" Circuit High Shift Solenoid "E" Control Circuit Low (Shift Solenoid Valve SR) Shift Solenoid "E" Control Circuit High (Shift Solenoid Valve SR) Pressure Control Solenoid "D" Performance (Shift Solenoid Valve SLT) Pressure Control Solenoid "D" Electrical (Shift Solenoid Valve SLT) Torque Converter Clutch Pressure Control Solenoid Performance (Shift Solenoid Valve SLU) Torque Converter Clutch Pressure Control Solenoid Control Circuit Electrical (Shift Solenoid Valve SLU) Input / Turbine Speed Sensor "B" Circuit Input / Turbine Speed Sensor "B" Circuit No Signal Short in Torque Converter Clutch Solenoid Circuit (Shift Solenoid Valve SL) Open in Torque Converter Clutch Solenoid Circuit (Shift Solenoid Valve SL) Pressure Control Solenoid "G" Performance (Shift Solenoid Valve SL4) Pressure Control Solenoid "G" Electrical (Shift Solenoid Valve SL4) Página 90 de 91
91 P2817 P2819 U0100 Pressure Control Solenoid "H" Performance or Stuck OFF (Shift Solenoid Valve SL5) Pressure Control Solenoid "H" Electrical (Shift Solenoid Valve SL5) Lost Communication with ECM / PCM "A" Código de barras - QR Code O código de barras em 2D (QR Code Quick Response Code) começa também a ser utilizado nas caixas de velocidades automáticas. Sempre que uma caixa com este tipo de informação é substituída, devem ser registos na memória da sua ECU os respetivos dados. Desta forma, garante-se uma maior suavidade no funcionamento da caixa, nomeadamente, na troca de velocidades. Entre outros dados, é registada a pressão da bomba em função da rotação e tempo de resposta das diferentes electroválvulas. Figura nº Utilização do QR Code na caixa AA80E Página 91 de 91
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