Relatório Geral PROJETO. Registro Civil QUILOMBOLA E INDÍGENA. é direitos humanos. Realização RECIVIL

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1 Relatório Geral PROJETO Registro Civil QUILOMBOLA E INDÍGENA é direitos humanos Realização RECIVIL SEDESE SUBSECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS - GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS

2 APRESENTAÇÃO O projeto Registro Civil Quilombola e Indígena é Direitos Humanos é uma parceria do Recivil e da Sedese (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social), a partir da Subsecretaria de Direitos Humanos, e tem como objetivo executar mutirões de registro civil nas comunidades tradicionais, quilombos e reservas indígenas, como forma de acabar com o sub-registro existente nestas localidades. O projeto ainda conta com o apoio do Núcleo de Estudos do Trabalho Humano (NESTH) da UFMG (Universidade Federal do Estado de Minas Gerais), que forneceu o mapeamento dos quilombos existentes em Minas auxiliando no agendamento dos locais que receberão a equipe do Recivil. Durante os mutirões, o Recivil contou com a ajuda e a participação do representante da Sedese, Clever Alves Machado; do professor Carlos Roberto Horta, coordenador do NESTH (Núcleo de Estudos sobre o Trabalho Humano) da UFMG; do historiador da UFMG, Daniel Handan Triginelli, que participou da viagem para realizar um levantamento de dados das comunidades quilombolas; da presidente da Federação dos Quilombolas de Minas Gerais, Sandra Maria da Silva; do diretor de Etnodesenvolvimento da Federação, Valter Vitor da Silva; da diretora e do representante da entidade Maria Cruz Silva e Vinícius Aparecido Souza; das prefeituras municipais e dos diversos líderes de comunidades.

3 1ª ETAPA: REGIÃO DE SANTA MARIA DE ITABIRA, ITABIRA, ANTÔNIO DIAS E BOM JESUS DO AMPARO CONSIDERAÇÕES GERAIS Durante os dias 20 a 31 de janeiro, a equipe de projetos sociais do Recivil esteve nas cidades de Itabira, Santa Maria de Itabira, Antônio Dias e Bom Jesus do Amparo realizando a 1ª etapa do projeto. Durante 10 dias, a equipe do Sindicato bateu de porta em porta para oferecer aos moradores as segundas vias de certidões e demais serviços de registro civil, e pôde ver de perto as tradições e costumes africanos que ainda são bastante fortes nestas comunidades. Ao todo foram quase 500 atendimentos, sendo 407 pedidos de segundas vias de certidões de, 75 de e dois registros de, conforme mostram as tabelas abaixo. Comunidade Data Santa Maria de Itabira óbito Habilitação Boa Vista 21/jan São Pedro 22/jan Chaves 23/jan Barro Preto 25/jan Itabira Comunidade Data Habilitação óbito Gatos 27/jan São Jorge 27/jan Engenho 28/jan Capoeirão 28/jan Morro Sto 31/jan Antônio Antônio Dias Comunidade Data Habilitação óbito Baú 22/jan Indaiá 22/jan Bom Jesus do Amparo Comunidade Data Registros de

4 óbito Felipes 30/jan REUNIÃO DE PREPARAÇÃO COM AUTORIDADES LOCAIS O primeiro dia do projeto foi reservado para a visita à Prefeitura Municipal de Santa Maria de Itabira, que atendeu as solicitações do Sindicato para a realização dos mutirões. A equipe do Recivil teve contato com o prefeito, Geraldo Noé, com o chefe de gabinete, com a vereadora Maria do Rosário Torres Guerra e com os funcionários da prefeitura, Joanes Romualdo da Cruz e Norberto Ferreira da Cruz. TRABALHO NOS QUILOMBOS Os atendimentos tiveram início na pequena comunidade de Boa Vista, em Santa Maria de Itabira, no dia 21 de janeiro. O Recivil contou com o apoio da vereadora Maria do Rosário Torres Guerra, e dos funcionários da prefeitura, Joanes Romualdo da Cruz e Norberto Ferreira da Cruz. O quilombo não possui certificação de comunidade quilombola reconhecido pela Fundação Palmares, mas teve o pedido de certificação de reconhecimento encaminhado para a Fundação, a partir da ajuda do historiador da UFMG, Daniel Handan Triginelli. A equipe do Recivil percorreu todas as casas a pé, batendo de porta em porta, para receber os pedidos de documentação de registro civil que eram necessários. As crianças se divertem com a chegada do RECIVIL Atendimento nas casas quilombolas Atendimento em forma de mutirão volante

5 Esta comunidade estava sem reconhecimento da Fundação Palmares, porém ela tem Associação Comunitária, e o pedido de reconhecimento foi realizado através dela. O local é muito isolado e as casas bem afastadas, por isso foi preciso dividir a equipe para alcançar todas as casas da comunidade. No dia 22, a equipe do Recivil realizou uma reunião na casa da liderança quilombola, Anely, na comunidade Bau, que também contou com a presença do representante da

6 Sedese, Clever Alves Machado; do historiador da UFMG, e do diretor de Etnodesenvolvimento da Federação dos Quilombolas de Minas Gerais, Valter Vitor da Silva, que instruíram as pessoas sobre a criação de uma Associação Quilombola e a certificação da Comunidade na Fundação Palmares. A documentação de registro civil foi realizada em paralelo com a reunião, na casa da liderança quilombola. Em seguida, o Recivil percorreu as casas da comunidade para se certificar que todos haviam sido atendidos. No mesmo dia, a equipe do Recivil esteve nas comunidades Indaiá e São Pedro. O Recivil e os representantes da Sedese, UFMG e Federação dos Quilombolas de Minas Gerais visitaram as casas dos moradores, realizaram os pedidos de documentação das pessoas, e ainda fizeram o levantamento de dados para pedir a certificação na Fundação Palmares.

7 O mutirão realizado na comunidade Chaves, a pedido da UFMG, no dia 31, contou com a presença do presidente da Associação Comunitária, Chiquinho, acompanhou toda a equipe pelo local. A princípio esta era considerada apenas uma comunidade carente, no entanto, após a visita da equipe do projeto foi verificado através das características da comunidade de que ela se trata de uma comunidade quilombola. Foram feitas várias entrevistas e levantamento de dados para o reconhecimento da comunidade Chaves como Quilombola. O Recivil ainda teve contato com o vereador Daniel Moreno, morador da Comunidade e descendente de escravos.

8 EVENTO DA MICRO ARENA E MUTIRÃO DE DOCUMENTAÇÃO NO QUILOMBO DO BARRO PRETO O mutirão de documentação aconteceu na escola do quilombo Barro Preto, no dia 25, e contou com a colaboração da diretora da Federação dos Quilombolas do Estado e funcionária da prefeitura de Itabira, Maria Cruz Silva. Com um carro e um mega fone na mão, os funcionários do Recivil chamaram os moradores para participarem do mutirão e da micro arena, evento político-social promovido pelo NESTH (Núcleo de Estudos sobre o Trabalho Humano) da UFMG que gerou debates entre líderes quilombolas, prefeitos, secretários e toda a comunidade. REUNIÃO NA PREFEITURA DE ITABIRA No dia 26 de janeiro, o Recivil esteve na sede da prefeitura de Itabira e foi recebido pelos integrantes da Federação dos Quilombolas de Minas Gerais, Maria Cruz Silva e Vinícius Aparecido Souza, que apresentaram uma lista com outras comunidades quilombolas além das que estavam programadas. As novas comunidades foram adaptadas ao roteiro inicialmente traçado pelo Sindicato. A equipe ainda se reuniu com o secretário de Governo, Oldeni José Santos, que conheceu o trabalho a ser feito nas comunidades quilombolas de Itabira.

9 TRABALHO NOS QUILOMBOS No dia seguinte, o Recivil realizou os atendimentos nas comunidades Gatos e Mata Dois batendo de porta em porta. Além disso, o Sindicato ainda realizou uma reunião com a presidente da Associação Comunitária de Gatos e com alguns moradores. A

10 equipe do projeto ainda fez o pedido de reconhecimento como comunidade quilombola para a Fundação Palmares. No dia 28, o Recivil visitou as comunidades Engenho e Capoeirão de Itabira. O Sindicato contou com o apoio da presidente da Associação Comunitária de Engenho, Anícia. Assim com na comunidade do Barro Preto, com um carro e um mega fone na mão, os funcionários do Recivil chamaram os moradores para participarem do mutirão. Muitos atendimentos também foram feitos de porta em porta.

11 Na comunidade Felipes, os atendimentos ocorrerão no dia 29, na sede da Associação. O mutirão foi muito bem divulgado pelas lideranças locais, como o vereador João.

12 VISITA AOS CARTÓRIOS DA REGIÃO O dia 30 de janeiro foi destinado para a visita aos cartórios da região, que receberam os pedidos de segundas vias de certidões e outros serviços, que foram recebidos durante os dias de atendimentos nas comunidades. Os cartórios de Registro Civil de Nova Era, Antônio Dias, Hematita, Santa Maria de Itabira, Itabira e Bom Jesus do Amparo receberam a equipe do Recivil. A Oficiala de Nova Era, Maria das Graças Martins da Costa, recebeu 17 pedidos de segundas vias de certidões e elogiou a iniciativa do Sindicato. É muito importante esta iniciativa, porque sem certidão de a pessoas não é ninguém, falou. Para Maria Aparecida Ferreira Alves, Oficiala de Hematita, distrito com cerca de dois mil habitantes, os mutirões realizados pelo Recivil foram importantes para as pessoas mais carentes. É uma iniciativa muito boa, porque tem gente que fica com a certidão velha porque não tem condições de tirar uma segunda via, disse Maria Aparecida. Eu achei interessantíssimo o trabalho e a iniciativa, comentei sobre o projeto inclusive com o juiz que realizou a correição aqui no cartório. Fiquei sabendo que o Recivil também vai fazer o projeto com os ciganos. Acho a iniciativa louvável, contou a Oficiala de Santa Maria de Itabira, Kirley Cardoso Ferreira, que recebeu mais de 130 pedidos de segundas vias de certidões. A Oficiala ainda mostrou um livro de escrituras de escravos, com termo de compra e venda, do ano de 1853.

13 MUTIRÃO E MICRO ARENA EM MORRO DE SANTO ANTÔNIO O último dia de mutirão aconteceu no dia 31 na sede da Associação Comunitária de Morro de Santo Antônio, na cidade de Itabira. O trabalho de divulgação também aconteceu percorrendo a pé a comunidade e com o mega fone chamando as pessoas para participarem do mutirão e da micro arena, que também ocorreu no local. A ação contou com o apoio do prefeito de Itabira, João Izael; da presidente da Federação dos Quilombolas de Minas Gerais, Sandra Maria da Silva e do professor Carlos Roberto Horta, coordenador do NESTH (Núcleo de Estudos sobre o Trabalho Humano) da UFMG. Os representantes e moradores das comunidades quilombolas das regiões participaram do encontro e encaminharam diversas demandas para as autoridades presentes e ainda realizaram demonstrações culturais, através da dança e da música.

14 2ª ETAPA: CHAPADA DO NORTE E MINAS NOVAS CONSIDERAÇÕES GERAIS O projeto foi realizado no período de 12 a 19 de fevereiro pela equipe de Projetos Sociais do Recivil, que visitou comunidades quilombolas localizadas nas cidades de Chapada do Norte e Minas Novas para oferecer a documentação civil básica aos moradores. Durante oito dias, a equipe de Projetos Sociais do Recivil visitou 14 comunidades quilombolas localizadas na região: Misericórdia, Córrego do Rocha, Poções, Porto Alves, Cubas, Água Suja, Faceira, Gravatá, Ferreiras, Moça Santa, Samambaia, Buracão, Vargem do Setubal e Mata Dois. Neste trabalho o Recivil teve o apoio do diretor de Etnodesenvolvimento da Federação dos Quilombolas de Minas Gerais, Valter Vitor Silva, e do historiador e mestrando da UFMG, Daniel Handan. Ambos acompanharam a equipe do Recivil à pedido da Sedese para fazer o trabalho de organização dos quilombolas com relação à sua oficialização junto ao Governo Federal. Assim como na 1ª etapa do projeto, o Sindicato também bateu de porta em porta e ofereceu a documentação civil básica aos moradores. Foram feitos mais de 400 atendimentos, sendo 408 pedidos de segundas vias de certidões, cinco pedidos de conversão de união estável em e 12 registros de, conforme mostram as tabelas abaixo. Comunidade Data Chapada do Norte óbito Registro de Registro de óbito Retificação de dados Conversão de União Estável em Misericórdia 12/fev Córrego do 12/fev Rocha Porto Alves 13/fev Poções 13/fev Cubas 14/fev Água Suja 15/fev Faceira 15/fev Gravatá 15/fev Ferreiras 16/fev Moça Santa 17/fev Samambaia 18/fev Buracão 18/fev Vargem do 19/fev Setubal

15 Comunidade Data Minas Novas óbito Registro de Registro de óbito Retificação de dados Conversão de União Estável em Mata Dois 14/fev REUNIÃO DE PREPARAÇÃO COM AUTORIDADES LOCAIS O primeiro contato da equipe foi com o Oficial do cartório de Registro Civil de Chapada do Norte, Anísio Reis, que relatou à equipe a situação das comunidades quilombolas da região, já que conhece esta realidade, pois já participou de muitos movimentos sociais e culturais da cidade. Sendo muito atuante, o Oficial conhece bem as lideranças quilombolas e já havia mobilizado muitos para o projeto. Junto com a Néia, líder de uma das comunidades, os dois deram o apoio fundamental para a equipe ter acesso às comunidades quilombolas. No mesmo dia, a equipe se reuniu com assessores da Prefeitura e das Secretarias de Educação e Cultura, e contou com a participação da assessora da Secretaria de Cultura, Fabiana, que acompanhou com o Recivil as primeiras abordagens no quilombo de Misericórdia e Córrego do Rocha.

16 Quilombolas ouvindo atentamente instruções sobre documentação e o processo de autoreconhecimento TRABALHO NOS QUILOMBOS Durante o primeiro dia de atendimento (12.02), o Recivil visitou as comunidades de Misericórdia e Córrego do Rocha, e contou com a ajuda da moradora do quilombo de Misericórdia, Eva, que auxiliou a equipe nos caminhos pelo quilombo, que apresenta poucas casas afastadas uma das outras. A equipe se dividiu em três, sendo que duas foram de casa em casa oferecendo os serviços de registro civil aos moradores e a outra ficou fixa, e se reuniu com as lideranças da comunidade para orientações a respeito do auto-reconhecimento de comunidades quilombolas pela Fundação Palmares. Em Córrego do Rocha, os atendimentos aos moradores da comunidade acontecerão na escola municipal, onde, posteriormente, o Recivil se reuniu com os moradores e lideranças da comunidade para falar sobre o projeto. Na ocasião, o Sindicato também falou sobre a importância da comunidade ser reconhecida pelo Governo Federal como comunidade quilombola, para, desta fora, adquirir direito aos benefícios do programa Brasil Quilombola. No dia 13, foi a vez dos moradores de Poços e Porto Alves serem atendidos pela equipe do Recivil. Em Poços o Sindicato atendeu os moradores sob a sombra de uma árvore, e contou com a presença de muitos moradores, que compareceram para obter

17 os documentos e serviços de registro civil. Em Porto Alves, o mutirão aconteceu na escola da comunidade, local que recebeu também pessoas de outras localidades. Crianças quilombolas No quarto dia de projeto, o Recivil compareceu à comunidade Mata Dois, na cidade de Minas Novas; e também esteve na comunidade de Cubas, em Chapada do Norte, local de difícil acesso. A equipe do Recivil caminhou por cerca de 50 minutos para chegar até a comunidade e realizar os atendimentos à população.

18 Oficial de Chapada do Norte, Anísio Reis Lemos Soares (centro), acompanhou o Recivil nos atendimentos nas comunidades quilombolas

19 3ª ETAPA: PAI PEDRO, JANAÚBA, MONTE AZUL, JAÍBA E CATUTI CONSIDERAÇÕES GERAIS Entre os dias 2 a 12 de junho, a equipe de Projetos Sociais do Recivil realizou a 3ª etapa do projeto Registro Civil Indígena e Quilombola é Direitos Humanos, em comunidades quilombolas das cidades de Pai Pedro, Monte Azul, Jaíba, Janaúba e Catuti. Assim como nas outras etapas, o Sindicato contou com a participação dos cartórios na realização dos registros de, na emissão das segundas vias de certidões e demais serviços do registro civil. Ao todo foram realizados 943 atendimentos nos 10 dias de projeto. A região dos Gorutubanos, como é conhecida as comunidades quilombolas, é uma grande área, já reconhecida pela Fundação Palmares, nos municípios desta etapa. Comunidade Pai Pedro óbito Registro de Retificação de dados Conversão de União Estável em Califórnia Picada Monte Azul Comunidade óbito Registro de Retificação de dados Tira Barro Socó Velho Boqueirão Pacuí I Pacuí II Comunidade Jaíba óbito Registro de Retificação de dados Gorutuba

20 Janaúba Comunidade óbito Registro de Retificação de dados Reconhecimento de paternidade Poções Jacaré Grande Vila Nova dos Poções Comunidade Catuti óbito Registro de Retificação de dados Conversão de União Estável em Vila União Maravilha Malhada Grande TRABALHO NOS QUILOMBOS No município de Pai Pedro, o Recivil realizou os atendimentos na comunidade de Taperinha, e esteve nas outras comunidades da região, Califórnia e Picada convidando os moradores para participarem do mutirão. Na ocasião, o cartório de Registro Civil da cidade, por meio da Oficiala Maria Carlúcia dos Santos recebeu diversos pedidos de segundas vias de certidões e realizou, no próprio local, dois registros de. Oficiala do Cartório de Registro Civil de Pai Pedro, Maria Carlúcia dos Santos

21 Os moradores das comunidades de Boqueirão, Pacuí, Socó Velho e Tira Barro localizadas no município de Monte Azul, também foram atendidos pela equipe do Recivil. Na ocasião, 124 atos foram realizados. O Oficial substituto Alisson de Freitas Neves falou sobre o projeto. Eu acho que é muito importante, mesmo se não houver casos de registro ou outro serviço pelo menos uma orientação às pessoas é importante, e além disso, este tipo de projeto eleva o nome do cartório, e promove a integração do cartório, do Recivil e das pessoas. O mutirão ainda contou com o acompanhamento do psicólogo e diretor do Creas (Centro de Referência e Assistência Social de Monte Azul), José Carlos Xavier. Atendimento em Socó Velho Na comunidade de Gorutuba, localizada na cidade de Jaíba, o Recivil realizou 131 atendimentos, e contou com a participação da diretora do Cras, Euilca Maria Filha.

22 Atendimento em Jaíba A cidade de Janaúba também participou do projeto, que atendeu os moradores das comunidades quilombolas de Poções, Jacaré Grande e Vila Nova dos Poções. Segundo o Oficial Fernando Kassio Santos falou sobre o projeto. Eu acho muito importante, porque até hoje muitas pessoas não são registradas e o projeto acaba ajudando estas pessoas, contou Santos. Em Catuti, o Recivil contou com o apoio da oficiala Ana de Fátima e da Secretaria de Assistência Social, por meio da psicóloga Ellen.

23 4ª ETAPA: SÃO JOÃO DAS MISSÕES, CORONEL MURTA, SANTA HELENA DE MINAS, BERTÓPOLIS E CARMÉSIA CONSIDERAÇÕES GERAIS A etapa ocorreu entre os dias 30 de junho e 9 de julho. A equipe percorreu oito aldeias indígenas pertencentes a quatro tribos diferentes e se emocionou com o aprendizado e com a cultura dos povos indígenas. Durante o projeto, equipe percorreu as tribos Maxakali, Pataxó, Pankararu e Xacriabá, todas localizadas no norte e nordeste de Minas Gerais. Ao todo foram realizados 546 atendimentos. Para obter acesso às tribos, a equipe do Recivil contou com o apoio de agentes da Funai (Fundação Nacional do Índio). Nas aldeias Maxakali, por exemplo, a população indígena não fala português, e foi preciso a presença de um professor da tribo para traduzir as necessidades da população indígena. São João das Missões Comunidade Data óbito Registro de Retificação de dados Certidão negativa de Aldeia Brejo Mata Fome - XACRIABÁ 30/jun Coronel Murta Comunidade Data óbito Registro de Retificação de dados Certidão negativa de Aldeia Apukaré - PANKARARU 2/jul Santa Helena de Minas Comunidade Data óbito Registro de Retificação de dados Certidão negativa de Aldeia Água Boa - MAXAKALI 4/jul Bertópolis Comunidade Data óbito Registro de Retificação de dados Certidão negativa de Aldeia Pradinho - MAXAKALI 5/jul

24 Topázio Comunidade Data óbito Registro de Retificação de dados Certidão negativa de Aldeia Cachoeirinha - MAXAKALI 7/jul Carmésia Comunidade Data óbito Registro de Retificação de dados Certidão negativa de Aldeia Guarani - 9/jul PATAXÓ Aldeia Retirinho - 9/jul PATAXÓ Aldeia Imbiruçu - 9/jul PATAXÓ TRABALHO NAS ALDEIAS INDÍGENAS A primeira tribo a receber o mutirão do Recivil foi a Xacriabá, localizada na cidade de São João das Missões. A aldeia Xacriabá foi palco dos mutirões realizados pelo Recivil por três vezes. O primeiro mutirão realizado na aldeia aconteceu em Em todos os eventos os moradores da aldeia receberam os integrantes do Recivil de braços abertos. Pela terceira vez Evelin Aoki participa dos mutirões realizados pelo Recivil

25 Quem participou do evento in loco, foi a Oficiala de São João das Missões, Evelin Eide Aoki Cogo. "Este foi o terceiro mutirão que realizamos com os Xacriabás. São 29 aldeias distribuídas aqui. O resultado das ações anteriores e de mais esta foi muito satisfatório, grande parte da população indígena está documentada. No entanto, aquelas aldeias mais distantes e com o acesso mais difícil, ainda necessitam de mais etapas como esta", explicou. A segunda parada do projeto foi na aldeia dos Pankararu, localizada na cidade de Coronel Murta. A população atual dos Pankararu é de aproximadamente 4 mil pessoas, muitas delas sem nenhum tipo de documento. No entanto a aldeia apresenta traços de crescimento com ajuntamento considerável e desordenado de moradias, o que sugere, nesta comunidade rural, o início de um processo de urbanização onde aparecem, como pontos de referência, a igreja do santo padroeiro, o cemitério e o Posto da Funai. Oficial de Coronel Murta, Robson Rocha Botelho (esq.) ao lado da equipe do Recivil O Oficial de Coronel Murta, Robson Rocha Botelho acompanhou a equipe dos projetos sociais. "Ë uma oportunidade, leva cidadania para os povos tradicionais. Gostei de ter participado", disse. Em seguida a equipe seguiu para as aldeias Água Boa, Pradinho e Cachoeirinha. Todas fazem parte da tribo dos Maxakali e estão localizadas nos municípios de Santa Helena de Minas e Bertópolis. A tribo Maxakali é a única em Minas Gerais que conserva a tradição intacta. Língua, vestimentas e cultura dos Maxakali são preservadas até os dias de hoje. Um exemplo disso, é que a população não fala português e se comunicou com a equipe através de intérpretes.

26 As Oficialas de Santa Helena de Minas, Maria Vanúsia Carijó de Sousa, e de Topázio, Sebastiana Trega Rihs, participaram do evento em parceria com o Sindicato. "No começo tive um certo receio e até medo de entrar na tribo, depois fiz meu trabalho com muita satisfação e gostei muito. Foi um trabalho bom e válido. Documentados esses índios poderão agora dar continuidade à vida deles na sociedade civil", comentou Sebastiana. Oficiala de Santa Helena de Minas, Maria Vanúsia Carijó de Sousa, participou dos mutirões Ao todo foram realizados 356 atos, só na aldeia Pradinho foram registrados 145 índios. A última etapa do projeto aconteceu na tribo Pataxó, mais especificamente nas aldeias Guarani, Retirinho e Inbiruçu, localizadas no município de Carmésia. A tribo Pataxó é uma das mais tradicionais etnias indígenas do País, apesar de falarem o português, muitas aldeias conservam as raízes da língua indígena ensinando-a aos mais novos. Nesta etapa do projeto foram realizados aproximadamente 30 atos de registro civil. A equipe visitou as aldeias com a ajuda da Oficiala de Carmésia, Maria Aparecida Duarte. "Foi ótimo este projeto. Através dele tive a oportunidade de ir até os índios e de propiciar a eles a documentação civil básica. Fomos muito bem aceitos pela tribo. Ganhamos até um almoço típico na casa de um deles. Pelo que pude perceber, alcançamos boa parte da aldeia. Valeu a pena ter participado", comentou.

27 CONCLUSÃO A partir da análise dos dados coletados e pela percepção dos membros da equipe é importante destacar a ação conjunta da esfera pública e privada que vem priorizando ações em municípios de difícil acesso, contribuindo assim para o resgate de parte da dívida social provocada pelas intensas desigualdades existentes. Essas ações estão ultrapassando o âmbito das atuações emergenciais, superando adversidades e buscando mecanismos de ação onde os resultados ocorram de forma permanente no cotidiano dessas comunidades. A Caravana avança levando documentação civil básica à população garantindo um direito e auxiliando assim o acesso dessas pessoas a políticas públicas, resgatando não só o direito, como também iniciando mudanças que vão atribuir maior dignidade a vida dessas pessoas. Apesar dos esforços realizados e das dificuldades enfrentadas pela equipe, vale ressaltar que a formação do cidadão não é uma tarefa fácil, porém, o Recivil em parceria com a SEDESE vem desenvolvendo seu papel de forma exemplar, e garantindo o primeiro passo para esse processo.

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