TIPOS DE TRATAMENTOS ONCOLÓGICOS CIRURGIA QUIMIOTERAPIA SISTÊMICA

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1 TIPOS DE TRATAMENTOS ONCOLÓGICOS Prof a Dra. Nise H. Yamaguchi Prof a Dra Enf a Lucia Marta Giunta da Silva Profª. Dra. Enf a Maria Tereza C. Laganá A abordagem moderna do tratamento oncológico busca mobilizar diferentes recursos no combate à doenças, tais como a combinação de diferentes modalidades de tratamentos, combinação de medicamentos e terapias adjuvantes. Seguem abaixo um breve descritivo de cada uma dessas terapias. CIRURGIA Sempre que possível e clinicamente recomendável, a cirurgia é a primeira escolha terapêutica, pois remove o tumor. Cirurgia oncológica segue técnicas próprias e é realizada por cirurgiões especializados em cirurgia oncológica, pois requer cuidados especiais na remoção de tumores e outras lesões a eles associadas, tais como nódulos linfáticos, quando necessário. QUIMIOTERAPIA SISTÊMICA É um tratamento que utiliza medicamentos (remédios) que eliminam as células de câncer que formam os tumores e metástases. Quando o tumor é muito grande e se encontra em uma região do corpo que não permite sua extração por cirurgia ou permite apenas a retirada de parte do tumor, a radioterapia pode ser utilizada em combinação com a quimioterapia ou uma e depois a outra, dependendo do que seu médico decidir ser mais recomendável. A quimioterapia e/ou a radioterapia podem inclusive servir para diminuir o tumor e permitir que ele seja, então, extraído através de cirurgia. Existem muitos tipos de medicamentos quimioterápicos e aqueles que cada paciente irá receber, bem como a duração do tratamento, serão estabelecidos pelo médico oncologista em função do seu caso particular.

2 A quimioterapia consiste na utilização de agentes químicos (remédios), isolados ou em combinação com outros medicamentos ou outras modalidades de tratamento (cirurgia, radioterapia, ou terapias de alvo molecular), com o objetivo de combater o câncer. Os aspectos particulares do seu quadro clínico (doença e estado geral) deverão ser esclarecidos com o médico oncologista responsável. Os medicamentos são preparados e aplicados por uma equipe de enfermagem treinada e podem ser administrados por várias vias de acesso (locais ou regiões do corpo), dependendo do tipo de medicamento oncológico, tais como: Via Endovenosa (na veia): administração de medicamentos através de uma veia periférica (mãos ou braços), ou por um catéter. Via Intramuscular (dentro do músculo): nos braços, pernas ou nádegas. Via Subcutânea (na região acima do músculo e abaixo da pele): nádegas, barriga, braços ou pernas (coxas). Via oral: comprimidos, cápsulas ou líquidos administrados pela boca. As medicações devem ser tomadas em horários definidos pelo médico, para facilitar a sua absorção. Por exemplo, 1 hora antes ou 1 hora e 30 minutos após a refeição. É importante observar rigorosamente a orientação do médico e não interromper a medicação sem informá-lo. Seu médico o informará sobre os medicamentos que irá receber, os possíveis efeitos colaterais que podem acompanhar o tratamento e como agir caso estes ocorram. Qualquer que seja a via de administração, alguns medicamentos e tratamentos oncológicos precisam ser administrados a intervalos específicos (1 vez por semana ou a cada 21, 28 dias, etc.) para que o objetivo do tratamento seja alcançado. Portanto, não falte às sessões de tratamento que foram agendadas. É importante seguir corretamente as orientações do seu médico oncologista. Se alguma coisa não ficou clara, não fique constrangido(a) em fazer perguntas. Seu médico, os demais médicos da equipe oncológica e a equipe de enfermagem, ficarão satisfeitos em respondê-las da forma mais adequada possível.

3 RADIOTERAPIA Prof a Dra Enf a Lucia Marta Giunta da Silva Radioterapia é um tratamento que busca destruir as células do tumor através da irradiação de ondas de alta energia, originadas de material radioativo (ou seja, material que emite essas ondas), como por exemplo, o Raio X, o cobalto, o iodo radioativo, etc. Esses raios são invisíveis, não têm cheiro e você não sente dor durante a aplicação. O tratamento radioterápico é geralmente feito no Serviço de Radioterapia de um ambulatório equipado para isto ou de um hospital, mas não exige que você seja internado especificamente para este procedimento. O seu médico poderá indicar a radioterapia, quando for necessário, encaminhando-o a um médico especializado neste tipo de tratamento. Antes do início das sessões de radioterapia o médico radioterapeuta e a enfermagem especializada em radioterapia irão examiná-lo(a) e orientálo(a), esclarecendo as dúvidas que você tiver. Serão feitas várias radiografias da região de seu corpo em que as aplicações serão feitas. Em seguida, será marcada uma sessão de simulação ( ensaio ), para estudar a posição em que você deve permanecer durante a aplicação, estabelecer o local exato da aplicação, a dose e o tipo de radiação e o número de aplicações necessárias. Durante a simulação não é feita nenhuma aplicação, porque a simulação tem como objetivo ajudar no correto planejamento de seu tratamento. Uma vez que o seu tratamento esteja devidamente planejado, as sessões de aplicação serão agendadas. Após o término do tratamento, haverá um período de acompanhamento, em que o médico responsável pela radioterapia fará um exame periódico do(a) paciente para avaliar possíveis efeitos tardios da radiação e estabelecer tratamento adequado para eles. O médico e a enfermagem irão recomendar algumas medidas de autocuidado que devem ser seguidas pelos pacientes durante e após o tratamento, para evitar complicações desnecessárias. Durante o período de tratamento radioterápico, o médico radioterapeuta agendará consultas regulares de avaliação do paciente.

4 TERAPIAS MOLECULARES Nos últimos 20 anos, diversas moléculas terapêuticas para o tratamento específico de certos tipos de câncer foram pesquisadas e desenvolvidas. Diferentemente da quimioterapia sistêmica, esses medicamentos atuam apenas sobre estruturas presentes nas células cancerosas e interferem apenas com o crescimento dessas células. Para alguns tipos de câncer, tais como algumas formas de leucemia, a descoberta de um medicamento de alvo molecular específico em 1999 representou um grande avanço no controle e mesmo cura de milhares de pacientes em todo o mundo, prolongando, por décadas, vidas de pacientes de todas as idades. Geralmente, os medicamentos oncológicos de alvo molecular específico são administrados por via oral (comprimidos) e podem ser prescritos em combinação com outros tratamentos oncológicos ou em sequência a eles, de acordo com os protocolos estabelecidos em estudos científicos e a critério do médico para cada caso em particular. TERAPIAS IMUNOMODULADORAS Terapias imunomoduladoras utilizam moléculas que auxiliam o sistema imunitário a reconhecer as células cancerosas e atacá-las. Muitas vezes, porém o sistema imunitário reconhece o câncer, mas não consegue realizar uma ataque completo. Anticorpos monoclonais e vacinas oncológicas são tratamentos oncológicos adjuvantes (auxiliares) que aumentam a capacidade das defesas imunes do organismo de realizar uma ataque mais completo aos tumores. Anticorpos Monoclonais - Anticorpos monoclonares são moléculas desenvolvidas para tornar células tumorais facilmente reconhecíveis pelo sistema imunitário. Existem hoje diversos tipos diferentes de anticorpos monoclonais que possuem afinidade específica com certos tipos de câncer, tais como, câncer de mama, gastrointestinal, pulmão, próstata, etc. Como e quando utilizar esses medicamentos será decidido pelo médico oncologista responsável por seu tratamento. Vacinas Oncológicas - Vacinas oncológicas são ferramentas úteis no tratamento adjuvante (i.e., auxiliar) de alguns tumores, tais como tumores

5 renais, melanomas e até mesmo alguns tipos de tumores pulmonares. O Brasil foi pioneiro no desenvolvimento de vacinas oncológicas, já tendo aprovado pela ANVISA em 2003 vacinas adjuvantes para o tratamento de tumores renais de células claras. Além das vacinas oncológicas para tratamento adjuvante do câncer, existem hoje vacinas que visam a prevenção de cânceres originados de infecção viral, como o papiloma vírus (câncer de colo de útero e de pênis), e as hepatites causadas por vírus (que causam câncer de fígado). Vacinas oncológicas são feitas utilizando-se células do sistema imunitário do próprio paciente e são preparadas especialmente para aquele indivíduo. São utilizadas em combinação com outros tratamentos, ajudando o sistema imunitário do paciente a reconhecer e combater de forma mais eficaz as células cancerosas. HORMONIOTERAPIA Alguns tumores (de próstata no homem e de mama ou do endométrio uterino na mulher) podem depender de hormônios para crescer. Portanto, pode fazer parte do tratamento oncológico o bloqueio da produção de certos hormônios pelo corpo ou o uso de hormônios que antagonizem aquele hormônio que estimula o crescimento do tumor. Esse bloqueio hormonal pode ser realizado com medicações orais e, quando esta é a via de administração, é importante que o paciente não pule dias, nem interrompa a medicação sem ordem médica. Outros hormonioterápicos são injetáveis por via intramuscular ou subcutânea e sua aplicação obedece uma estratégia definida pelo médico que deve ser seguida à risca. Efeitos colaterais da hormonioterapia - Podem surgir sinais de menopausa ou andropausa precoces, disfunções sexuais, ressecamento vaginal, ondas de calor. Comunique a seu médico quaisquer desses sintomas e siga sua orientação. Apesar desses inconvenientes, a hormonioterapia pode ser um tratamento muito eficaz, valendo a pena suportar seus efeitos colaterais, frente a seus benefícios potenciais, quando bem indicada. TRATAMENTO ONCOLÓGICO ADJUVANTE Tratamento adjuvante é uma estratégia terapêutica na qual a quimioterapia e/ou a radioterapia ou ainda a hormonioterapia ou um medicamento de alvo molecular ou uma vacina é utilizada como tratamento

6 oncológico auxiliar (i.e., adjuvante) no combate às células tumorais, seja para aumentar a eficiência do tratamento principal ou para evitar a formação de novos tumores, a partir de células tumorais que tenham migrado para outras regiões. TERAPIAS EPIGENÉTICAS Uma nova classe moléculas está sendo desenvolvida, com algumas delas já aprovadas para o tratamento adjuvante do câncer de mama, leucemias e linfomas. Todas essas moléculas têm em comum o fato de agirem sobre as enzimas (proteínas catalisadoras) que controlam a ativação e desativação da atividade dos genes nos cromossomas. Conhecidas como Inibidores de Desacetilases de Histonas, essas medicações buscam ativar genes que o câncer desativou nas células tumorais e/ou inibir genes que não estariam normalmente ativos, nas células daquele órgão. Podem, ainda, reverter a resistência de tumores contra alguns medicamentos de alvo molecular.

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