Palavras-Chave: Didática. Ensino Superior. Plano de Curso.

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1 A DIDÁTICA E SUA RELAÇÃO COM A FORMAÇÃO E PRÁTICA DOCENTE NO ENSINO SUPERIOR Léia Soares da Silva Universidade Federal do Piauí-UFPI Francisco das Chagas Alves Rodrigues Universidade Federal Piauí-UFPI RESUMO Este artigo é resultado de uma pesquisa em andamento desenvolvida na disciplina Didática do Ensino Superior, do Programa de Pós-graduação em Educação no âmbito do Mestrado Acadêmico (PPGEd), da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Partindo da seguinte problemática: Qual a relação da Didática com a formação e prática docente no ensino Superior? Tem como referência a observação de uma aula deste nível de ensino. A disciplina selecionada para análise Prática de Ensino de Educação Artística I faz parte do Curso de Licenciatura em Educação Artística com a habilitação em Desenho, Artes Plásticas e Música, do Centro de Ciências da Educação da UFPI, Campus Ministro Petrônio Portella, situado na cidade de Teresina, no Estado do Piauí. Para tanto foi realizada a análise documental do Plano de Curso e observação de uma aula da Disciplina, tendo como referênciao Projeto Curricular do Curso de Educação Artística (1996) e as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos Superiores de Graduação (2010), referente ao curso de Artes. Esta pesquisa é qualitativa do tipo descritiva, que priorizou a observação como técnica para coleta das informações. Fundamenta-se nos estudos de Freire (2011), Melo e Urbanetez (2008), Cordeiro (2007), Melchior (2005), Zabalza (2004) e entre outros. Os resultados parciais apontam que o professor, em situação didática, conseguiu manter a presença do diálogo e da problematização do conteúdo, alcançando um bom desempenho da turma, sobretudo no alcance dos objetivos propostos. Conclui-se que a aula observada esteve articulada com a proposta do Plano de Curso, em uma integração dinâmica de seus elementos básicos. Palavras-Chave: Didática. Ensino Superior. Plano de Curso. INTRODUÇÃO Este estudo apresenta uma investigação do trabalho pedagógico desenvolvido em uma turma de graduação, com base na reflexão e análise críticados elementos constitutivos da ação didática. Partindo da seguinte problemática: em que medida o plano de curso é concretizado na prática docente do ensino superior? Objetiva refletir a Didática e sua relação com a formação do professor da Educação Superior, tendo como referência a observação de uma aula deste nível de ensino. Para tanto, realiza análise documental do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e o Plano de Curso da DisciplinaPrática de Ensino de Educação Artística I, do Departamento de Métodos e Técnicas de Ensino (DMTE) da Universidade Federal do Piauí (UFPI)

2 2 Assim, faz-se necessário a análise crítica e reflexiva do momento pré-ativo do processo educativo, no que diz respeito ao planejamento do trabalho pedagógico, bem como na transposição didática do plano de curso para efetivação da aula no ensino superior. Obteve-se como resultados a relevância do diálogo e da problematização do conteúdo, pelo professor, articulada com a proposta do Plano de Curso, em uma integração dinâmica de seus elementos básicos. ENTRE O IDEAL E O REAL: CONTEXTUALIZANDO O CURSO DE ARTES NA UFPI O Curso de Educação Artística da Universidade Federal do Piauí foi criado no ano de 1977, pela Resolução nº 01/77 do Conselho Universitário (CONSUN) da UFPI, como parte da expansão da Educação Artística em diversas universidades brasileiras, bem como pela obrigatoriedade dessa disciplina nos currículos da Escola Básicapor meio da Lei 5.692/71. Esse Curso propõe formar profissionais para o exercício do magistério da educação básica, capazes de pensar e agir de forma crítica acerca dos problemas da educação em artes e de relacionar tais requisitos ao contexto histórico social no qual está inserido (UFPI, 1996). Verifica-se, de acordo com o PPC, queo profissional graduado em Educação Artística está apto a desenvolver atividades de pesquisa e ministrar disciplinas relacionadas com Artes, na Educação Básica. Também está apto a desenvolver empreendimentos artísticos nas diversas áreas do conhecimento, tais como: música, artes plásticas e desenho. No entanto, as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) propõe a superação da polivalência desse profissional nas diversas linguagens artísticas preconizada pela Lei nº 5.692/71 e propõe a formação de acordo com as especificidades (música, dança, teatro e design). Além dessa atividade o professor de artes pode ampliar sua atuação em editoras e em órgãos públicos e privados (BRASIL, 2010). O Curso de Licenciatura em Educação Artística no currículo em vigor, que se encontra em processo de reformulação no âmbito da UFPI, concorre para uma formação inicial através das disciplinas pedagógicas, em caráter de polivalência. Pelo caráter multidisciplinar das três habilitações (Música, Artes Visuais e Artes Plásticas) oferecidas pelo Curso, essa proposta sugere o desenvolvimento em sala de aula de seminários, aulas práticas, além de exposições, visitas a acervos e museus, participação em concertos, recitais e entre outros eventos, estimulando os graduandos ao acesso à informação da produção artístico-cultural

3 3 De acordo com o Fluxograma do Curso, a disciplina Prática de Ensino de Educação Artística I, constitui uma disciplina do 7º bloco, de caráter obrigatório, contendo créditos teóricos e práticos, totalizando 150 horas aulas. O público alvo são alunos de graduação de Artes Visuais e de Música. Ela possibilita a formação do professor de Artes (Arte Educador) para atuar do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental e também no ensino médio. TRANSPOSIÇÃO DO PLANO DE CURSO NA EFETIVAÇÃO DA AULA: REFLEXÃO SOBRE A DIDÁTICA NO ENSINO SUPERIOR Este estudo é resultado de uma pesquisa do tipo qualitativa e descritiva, porque trabalha os fenômenos humanos colhidos no empírico, como parte da realidade social, averiguando fatos passíveis de serem descritos, aprofundados em suas particularidades (CHIZZOTTI, 2010). Na busca de responder a questão: em que medida o plano de curso é concretizado na prática docente do ensino superior? Utiliza a técnica de observação direta, sem intervenção no contexto investigado, a sala de aula. A aula observada da disciplina Prática de Ensino de Educação Artística I, faz parte da turma do VII bloco do Curso de Artes visuais, do DEA/UFPI. Segundo Jaime Cordeiro (2007) a didática na perspectiva de relação pedagógica mobiliza as questões de ensino, de maneira contextualizada e complexa, em suas três dimensões: linguística, pessoal e cognitiva. A linguística compreende o diálogo em sala de aula, as relações interpessoais e com o próprio conhecimento. Nela está implícita também a dimensão pessoal, representada nos vínculos estabelecidos. A dimensão cognitiva está relacionada com o saber, os conhecimentos obtidos na interação professor e aluno em sala de aula, em que nenhum é detentor exclusivo deste saber, embora o professor seja mais experiente (FREIRE, 2011). A turma estava composta por alunos formandosdas áreas de Artes Visuais, Artes Plástica e Música. De acordo com o Plano de Curso, elaborado pelo professor da disciplina observada, verificou-se que ele trabalhou naquela aula os conteúdos: Estruturação do plano de curso e do plano de aula: Objetivos, conteúdos, metodologias, recursos, avaliação; [...] (PLANO DE CURSO DE PRÁTICA DE ENSINO DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA I). Assim, a aula iniciou com a explicação da dinâmica que compreendeu a exposição dialogada do conteúdo Planejamento e plano de ensino com apresentação em Power point, bem como da importância do conteúdo para a prática pedagógica dos 00228

4 4 futuros professores de Artes e de Música. O professor realizou uma sondagem dos conhecimentos prévios dos alunos, realizando uma avaliação diagnóstica (MELCHIOR, 2005), tendo como estratégia a revisão do conteúdo da aula anterior avaliação em suas diversas linguagens. No desenvolvimento da aula, observou-se ainda que, os alunos conseguiram interagir dialogicamente com o professor e entre si, com respeito e cordialidade, que foi mantido em todo aquele processo educativo. A relação pedagógica entre professor e aluno ocorreu de modo horizontal, visto que no espaço educativo essa relação adquire sentido, mediada pelo conhecimento. Assim, a relação professor-aluno-conhecimento revela as concepções, as intenções dos alunos e do educador, Ou seja, significa entender que essa relação se constitui e é constituída enquanto um elemento fundamental da ação didática, pois ela articula em si todos os outros elementos. É nessa relação que se manifestam os objetivos, as finalidades e as perspectivas educacionais como um todo (MELO; URBANETEZ, 2008, p. 96). Pela observação, os alunos foram capazes de relacionar o assunto com suas realidades e vivências docentes, no caso daqueles que já atuam na área. Do mesmo modo, aqueles que ainda estavam em estágios reagiram positivamente na abordagem do conteúdo. Considera-se que isso justificou e motivou a discussão proveitosa daquele conteúdo, através de levantamento de questões pertinentes, possibilitando a criticidade dos alunos e a valorização dos seus saberes e seus conhecimentos, ou seja, eles se assumiram epistemologicamente curiosos, conforme afirma Freire (2011, p. 83) o fundamental é que professor e alunos saibam que a postura deles, do professor e dos alunos, é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve (grifo do autor). Ainda com relação à abordagem e discussão do conteúdo em sala de aula, o professor estabeleceu a conexão do conteúdo com a realidade da docência, sobretudo do educador de Artes, no qual os alunos estão sendo formados, revelando assim, um compromisso com a formação de professores autônomos, críticos e reflexivos.portanto, conforme Zabalza (2004) o professor compreendeu que a formação dos alunos universitários é iniciada antes da chegada deles em cursos superiores, e é desenvolvida dentro e fora da sala de aula e continuamente, mesmo depois de receberem o título, ou seja, o diploma. O que revela o caráter inconcluso das aprendizagens também no âmbito acadêmico

5 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A vivência dessa situação didática e a elaboração desse artigo ofereceu a oportunidade para reflexão crítica, quanto ao processo educativo do planejamento do trabalho pedagógico no espaço universitário, que permitiu o aprofundamento da didática, sua relação com a prática pedagógica e a formação do docente do ensino superior. Assim, a didática nos cursos de formação de professores deve superar o que Veiga (1989) chama de redução apenas do processo de transmissão-assimilação de conhecimentos didáticos, levando o aluno a experienciar a dimensão técnica, política da prática pedagógica. Neste estudo ficou evidente que os elementos constitutivos da didática (objetivos, conteúdo, metodologia, recursos didáticos, avaliação e referência) estão permanentemente articulados ao planejamento, caracterizado pela intencionalidade, constituindo-se num referencial indispensável para efetivação da aula, embora possam ocorrer situações imprevistas, que tornam o planejamento flexível. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos Superiores. MEC, 2010, p.13. CORDEIRO, Jaime. Didática. São Paulo: Contexto, CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Petrópolis, RJ: Vozes, FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática docente. São Paulo: Paz e Terra, MELCHIOR, Maria Celina. Da avaliação dos saberes à construção de competências. Porto Alegre: Premier Editora, MELO, Alessandro de; URBANETEZ, Sandra Teresinha. Fundamentos de didática. Curitiba: Ibpex, UFPI. Projeto Curricular do Curso de Educação Artística.DEA/UFPI, VEIGA, Ilma P. Alencastro. A prática pedagógica do professor de Didática. Campinas: Papirus, ZABALZA, Miguel A. O ensino universitário: seu cenário e seus protagonistas. Porto alegre: Artmed,

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