Perfil dos nascidos vivos de mães residentes na área programática 2.2 no Município do Rio de Janeiro

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1 Perfil dos nascidos vivos de mães residentes na área programática 2.2 no Município do Rio de Janeiro Ana Lucia A. de Toledo Carla R. Fernandes 1 Ana Claudia S. Amaral -NESC/UFRJ-SMS/RJ) Vania da S. Cardoso (SMS/RJ) Maria do Carmo E. da Costa (SMS/RJ) Introdução O SINASC (Sistema Nacional de Informação sobre Nascidos Vivos) é um importante instrumento na avaliação das condições de nascimento e parto. O SINASC foi implantado no Município do Rio de Janeiro em 1992 sendo a cobertura considerada adequada à realidade do município a partir de 1993.i (SMS, 1997). O SINASC surge como uma fonte de dados ágil e de fácil manuseio para a construção de indicadores de mortalidade infantil e taxa de fecundidade, entre outros. Este sistema de informações representa uma alternativa ao uso dos dados do registro civil nas estatísticas de saúde, que apresentavam problemas de subregistro e fidedignidade das informações sobre os nascimentos (SMS, 1997). A partir do sistema pode-se avaliar as condições de saúde da população materno infantil, parte essencial em um diagnóstico de saúde, permitindo a construção de diferentes indicadores que auxiliem na estruturação de propostas adequadas à situação encontrada. Conhecer as estatísticas de nascimento influencia diretamente na qualidade de atendimento às gestantes e em fatores relacionados ao recém-nascido. Objetivo O estudo foi realizado para identificar o perfil dos nascidos vivos, filhos de residentes na Área Programática 2.II (bairros Alto da Boa Vista, Tijuca, Praça da Bandeira, Grajaú, Vila Isabel, Andaraí e Maracanã), no Município do Rio de Janeiro. Adicionalmente, a análise objetivou identificar o perfil sócio-demográfico das mães e avaliar a associação entre as variáveis baixo peso e asfixia. Método O desenho utilizado foi o estudo transversal e a população de estudo foi constituída por todos os nascimentos de filhos de residentes na AP 2.II, no Município do Rio de Janeiro ocorridos em 2000 (N=4537). 1

2 A fonte de informações foi o SINASC, em meio magnético e analisadas variáveis relacionadas à gestação, parto, condições maternas sócio-demográficas e vínculo de atendimento. Para a análise utilizou-se o Epi-Info 6,0; foram determinadas proporções e médias e na comparação entre os grupos utilizou-se o teste ². A medida de associação foi a razão de prevalência (RPC), com 95% de confiança. Resultado No estudo observou-se um predomínio do sexo masculino (52%). A cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde) foi de 54% sendo observadas diferenças significativas entre os bairros (p=0,00) (Gráfico 1). A Tijuca, apesar de apresentar maior proporção de nascimentos (Gráfico 2), foi o bairro com a menor proporção de partos através do SUS. Do total de nascimentos, 36% ocorreram em unidades da AP 2.II sendo 76% através do SUS (Tabela 1). A média de peso foi de 3176,4 g (desvio padrão=555,9), mediana 3210 g e intervalo interquartil de 2900 g a 3520 g. A proporção de baixo peso foi de 8,5%, sendo aproximadamente metade representada por recém-natos a termo (N=166). O baixo peso predominou em unidades conveniadas ao SUS (60%), em comparação ao setor privado (p=0,05). No SUS, 53% tiveram peso adequado. Os resultados mostraram 7,6% de prematuridade. Pelo índice de Apgar no primeiro minuto 3,9% (N=176) dos recém-natos apresentaram asfixia severa e 6,9% asfixia moderada (N=314). A evolução do Apgar dos recém-natos do primeiro minuto para o quinto minuto é mostrada no Gráfico 3. Entre os recém-natos a termo, 8,8% tiveram algum grau de asfixia, sendo 2,6% severa e 6,2% moderada. Asfixia foi observada em 14,5% dos recém-natos a termo com baixo peso, contra 8,6% em recém-natos a termo com peso adequado (p=0,00). A chance de ter algum grau de asfixia foi quase três vezes maior para os recém-natos de baixo peso, quando ajustada por idade gestacional (RPC=2,8, IC 95% 2,0 3,8). Para as crianças a termo, a chance de asfixia foi 80% maior em situações de baixo peso (RPC=1,80, IC 95% 1,12-2,88). A proporção de partos cirúrgico ou vaginal segundo atendimento pelo SUS ou privado é mostrada no Gráfico 4. A proporção de cesáreas nas unidades do SUS ainda é considerada alta. Entre crianças a termo, 72% das mães tiveram sete ou mais consultas de prénatal; esta concentração de consultas ocorreu predominantemente em unidades privadas (63%). Para 2,1% não houve acompanhamento e 3,9% uma a três consultas.

3 Das crianças com baixo peso (N=375), 23% realizaram menos de quatro consultas, contra 4% dos recém-natos com peso adequado. Gestantes adolescentes predominaram no grupo com menos de sete consultas de pré-natal. O perfil de idade materna pode ser observado no Gráfico 5. A distribuição de escolaridade das mães é descrita no Gráfico 6. Discussão Os resultados mostram que as gestantes residentes na AP2.2 procuraram atendimento para parto predominantemente em unidades de saúde de outras áreas do Município do Rio de Janeiro. Este fato parece ser consequência da distribuição geográfica dos leitos de maternidade no município (públicos e privados), que não respeita a distribuição da população de gestantes. Em relação ao gênero, a predominância do sexo masculino acompanha a tendência encontrada no Município do Rio de Janeiro (SMS-RJ, 1997). A cobertura através do SUS foi diferenciada entre bairros, provavelmente pelas diferenças do nível sócio-econômico dessas populações. Os níveis mais baixos de cobertura foram na Tijuca e Grajaú, com níveis de renda mais elevados: renda média é superior a 10 salários mínimos e cerca de 65% dos chefes de domicílios têm 11 ou mais anos de escolaridade (IplanRio, 1998); por apresentarem melhor nível de renda, mais da metade dos nascimentos ocorreram no setor privado. O baixo peso foi observado em maior proporção nos atendimentos feitos através do SUS, em relação ao atendimento privado, e pode estar relacionado à qualidade da assistência. Ressaltamos que, no SUS, existem unidades cujo atendimento é voltado prioritariamente para gestações consideradas de risco elevado (materno e para o recém-nato) e que alguns fatores de risco podem ser evitados com acompanhamento pré-natal satisfatório. A manutenção de algum grau de asfixia (Apgar quinto minuto) observada em quase 40% dos recém-natos indica problemas na atenção pediátrica, e podem ser conseqüência de situações de risco perinatal. Entretanto, os dados de Apgar disponíveis na DN são restritos ao quinto minuto e limitam avaliações em relação aos prognósticos decorrentes de asfixia. A maior chance de ter algum grau de asfixia para os recém-natos de baixo peso reforça a necessidade de cuidados com este grupo de crianças. A proporção de cesáreas na área é considerada elevada e acompanha o padrão observado no Município (SMS-RJ, 1997). Este tipo de parto foi mais freqüente nas unidades privadas, fato que mostra a influência do fator sócio-econômico na escolha do tipo de parto.

4 Considerando unidades da AP2.2, o número de consultas de pré-natal foi observado em maior proporção no atendimento privado provavelmente pela maior oferta de atendimento em comparação com o SUS. O número de consultas de pré-natal tem apresentado correlação significativa com o peso ao nascer em diversos estudos (texto 8, texto da internet) e, na área, mães de recém-natos com baixo peso realizaram menor número de consultas. A procura por atendimento pré-natal é relacionada ao nascimento de bebês com baixo peso ao nascer. Conclusão As unidades de saúde do SUS não captam a demanda de gestantes da área, seja no momento do parto ou no atendimento pré-natal, mostrando grande proporção de gestantes realizando poucas consultas na rede. O planejamento da necessidade de leitos e vagas para atendimento é um fato primário para facilitar o acesso aos serviços públicos. É primordial o esclarecimento das mulheres atendidas através do SUS sobre a importância de um pré-natal adequado. Esta parcela da população demanda um esforço adicional dos serviços de saúde na realização de ações educativas. É necessário tanto o aconselhamento sobre as vantagens do parto normal, durante a assistência à gestante no pré-natal, quanto a avaliação melhor da sua indicação a cada caso, para diminuição da proporção do parto cesáreo A grande proporção de gravidez em adolescentes mostra a necessidade de intervenções específicas relacionadas a orientação sexual e contracepção, através de trabalho educacional. Para assegurar qualidade de assistência ao pré-natal e parto deve-se ter garantia de atendimento e acompanhamento das gestantes durante todo o pré-natal, com o treinamento de profissionais que avaliem o estado geral da mulher para que sua gravidez possa evoluir de forma segura e equilibrada. Bibliografia 1. SMS Relatório de trabalho nº 2 Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos SINASC 1993/1996. Gerência de Informação Epidemiológica, Secretaria Municipal de Saúde, MAIA, Maria A. C. Caracterização dos nascidos vivos hospitalares no primeiro ano de implantação do Subsistema de Informação sobre Nascidos Vivos, em município de Minas Gerais. Brasil Minas Gerais. Rev. Saúde Pública, 31(6):581-5, D ORSI, Eleonora; CARVALHO, Marília S. Perfil de nascimentos no Município

5 do Rio de Janeiro: uma análise espacial. Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública, 14(2): , abr-jun, RODRIGUES, Celeste S. et al. Perfil dos nascidos vivos no Município de Belo Horizonte, Rio de Janeiro. Cad. Saúde Pública, 13(1)53-57, jan-mar, ANEXOS Tabela 1. Distribuição de recém-nascidos vivos segundo a Área Programática de nascimento e o vínculo de atendimento (com ou sem AIH), filhos de residentes na AP 2.2, em 2000 (N=4537) ÁREA DE PLANEJAMENTO VÍNCULO DE ATENDIMENTO SUS % %% PRIVADO % TOTAL

6 Gráfico 1. Distribuição de recém-nascidos vivos segundo o bairro de residência materna, filhos de residentes na AP 2.2, em 2000 (N=4537). 21% 3% 9% 12% 4% 2% 49% Alto da Boa Vista Andaraí Grajaú Maracanã Praça da Bandeira Tijuca Vila Isabel Gráfico 2. Distribuição de recém-nascidos vivos segundo atendimento pelo SUS e bairro de residência materna, filhos de residentes na AP 2.II, em 2000 (N=4537) ,0% P. Bandeira 70,5% 70,0% 64,2% A. Boa Vista 49,3% 47,6% Grajaú 31,6% Maracanã

7 Gráfico 3. Proporção de Apgar 1º e 5º minutos, em recém-nascidos filhos de residentes na AP 2.II, em 2000 (N=4537) Gráfico 4. Proporção de partos cirúrgicos e não cirúrgicos, segundo unidades conveniadas ao SUS e privadas, partos de recém-nascidos vivos, filhos de residentes na AP 2.II, em 2000 (p=0,00) (N=4537)

8 Gráfico 5. Distribuição da idade de mães residentes na AP 2.II, em 2000 (N=4537) 3,1% 15,3% 34,6% 47,0% Até 19 anos 20 a 29 anos 30 a 39 anos 40 anos e mais Gráfico 6. Distribuição da Escolaridade de mães residentes na AP 2.II, em 2000 (N=4537) 35% 1% 7% 26% 31% Nenhum 1 a 3 anos 4 a 7 anos 8 a 11 anos 12 ou mais

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