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1 Debate Parlamentar sobre o Sistema de Segurança Social em Cabo Verde - Praia, 25 de Janeiro de Quando em 2001 assumimos a governação do país, comprometemo-nos perante a Nação cabo-verdiana governar com forte sentido de justiça social, o que para nós significa governar para as pessoas, promover a solidariedade, a inclusão e a igualdade, para que todos os cabo-verdianos possam beneficiar dos progressos que o país vem realizando. Vimos ao longo dos últimos anos adoptando importantes políticas activas de solidariedade para que todos os cabo-verdianos possam ter uma vida decente. Uma das componentes essenciais da política social deste governo é a protecção social dos cabo-verdianos. Com a adopção, em 2001, da Lei de Bases da Segurança Social encetamos um leque importante de reformas para estruturar, pela primeira vez, um verdadeiro sistema de Segurança Social em Cabo Verde, com um objectivo bem claro, um objectivo audacioso: universalizar o sistema de segurança social, ou seja, dar progressivamente a todos os cabo-verdianos uma cobertura em termos de protecção social. Consagramos um sistema que tem duas valências principais: o sistema contributivo e o sistema não contributivo para melhor cobrir o espectro da população cabo-verdiana, os que trabalham e os mais carenciados da nossa sociedade. E estamos decididamente a caminhar nessa direcção. Hoje, já criamos condições para a integração de todos os grupos profissionais, isto é, para que todos os que trabalham possam estar cobertos por um regime de segurança social. Flexibilizamos o regime de trabalhadores por conta própria. Actualmente, todas as categorias de trabalhadores independentes podem inscrever-se no sistema de previdência social: um advogado, um consultor, um taxista, um camionista, uma rabidante, uma peixeira, uma vendedeira ambulante, um carpinteiro ou um electricista, etc, todos podem beneficiar de uma cobertura de saúde, de prestações diversas e de uma pensão quando atingirem a idade de reforma. As condições estão criadas para que os trabalhadores de serviços domésticos, as empregadas domésticas que constituem um contingente enorme de trabalhadores possam integrar-se na segurança social e

2 2 beneficiarem, assim como os seus familiares de uma protecção social. De igual modo para os guardas, jardineiros e outras categorias de trabalhadores domésticos. São pessoas que até agora não dispunham de qualquer cobertura e que para elas chegar ao fim da vida profissional significava mergulhar na precariedade e na miséria porque não podiam contar com nenhuma garantia de futuro. É isso que queremos mudar em nome da inclusão e da justiça social. Integramos mais de funcionários públicos no INPS. Satisfizemos assim uma reivindicação antiga dos funcionários públicos que passaram a dispor de mais benefícios nomeadamente em termos de saúde. Assim é que, de apenas um regime em 2001 passamos a ter hoje cinco regimes, procurando-se dar uma cobertura integral do universo dos trabalhadores cabo-verdianos. As medidas de reforma adoptadas em 2004 contribuíram grandemente para a melhoria das prestações, como o abono de família que cresceu quase 70%, o subsídio de aleitação que mais do que duplicou, o subsídio de deficiência que também foi alargado a crianças ou ainda o subsídio de funeral que triplicou. As medidas adoptadas nesse âmbito também contribuíram para corrigir a situação cronicamente deficitária do ramo da doença e maternidade, o que não obstou que também nessa área se registasse uma melhoria das prestações. Um dos passos mais importantes e audaciosos tem a ver com a criação do Sistema não Contributivo, gerido pela Central de Pensões, que hoje permite que mais de cabo-verdianos carenciados, de entre os mais pobres da nossa sociedade, tenham acesso a uma pensão social mínima que lhes garante um mínimo de rendimentos, assistência médica e medicamentosa, assistência funerária e outras prestações, através do Fundo Mutualista. Repare-se no alcance dessa medida que vem corrigir uma profunda injustiça na nossa sociedade. Trata-se de garantir condições de vida decente a cabo-verdianas e cabo-verdianos que contribuíram com o seu trabalho para a construção do país e que chegados à idade de reforma se encontram completamente desprevenidos e que de outro modo estavam condenados à miséria. Trata-se, também, de dar protecção a uma categoria da população que deve merecer o devido reconhecimento da sociedade, os portadores de deficiência.

3 3 Temos vindo a aumentar continuadamente o valor da pensão social que de escudos em 2000, está hoje em escudos, devendo passar para escudos ainda este ano, isto é um aumento em 4 vezes. Isto já representa um esforço grande do Tesouro com uma alocação de cerca de 1 milhão e 100 mil contos por ano. Mesmo assim, é nossa intenção continuar a melhorar progressivamente o valor da prestação para alinhar com o salário mínimo que vier a ser estabelecido. Senhoras e senhores Deputados, Hoje, o sistema de protecção social cobre cerca de cabo-verdianos, sendo 140 mil no sistema contributivo e no sistema não contributivo. Isto quer dizer que um terço da população é beneficiária do sistema. Comparemos isso com a cobertura média de 10% nos países africanos! Mas há ainda os beneficiários por conta de sistemas de segurança social estrangeiros no âmbito de convenções estabelecidas com o INPS em número de , o que eleva a percentagem de cobertura real do Sistema de Segurança Social. Mais, temos cumprido com as recomendações das instâncias internacionais competentes, como a OIT ou a Associação Internacional de Segurança Social, como essas organizações aliás reconhecem. Estamos pois a construir em Cabo Verde uma sociedade mais solidária. De um regime de trabalhadores por conta de outrem, temos hoje cinco regimes abrangendo uma diversidade alargada de situações. Continuaremos neste caminho e é por isso que encaramos a possibilidade de virmos a ter um regime especial de previdência social para os trabalhadores das micro e pequenas empresas. Senhor Presidente, Todos os passos que temos dado na reforma do Sistema de Segurança Social têm como pressuposto fundamental a garantia da sustentabilidade do sistema. Temos pautado a nossa acção por uma gestão prudente e criteriosa, com muito sentido de responsabilidade em relação aos segurados e, em especial, em relação às gerações mais jovens, para que as prestações diferidas tenham a necessária cobertura financeira no futuro. Por isso, as relações do Tesouro com o INPS são regidas pelos melhores critérios de transparência e de respeito pela instituição. O INPS nunca

4 4 funcionou como caixa paralela do Governo. Manda a verdade dizer que este Governo nunca, mesmo nunca, foi buscar fundos no INPS. Pelo contrário, em 2001 herdamos uma dívida do Tesouro para com o INPS de 3 milhões de contos resultantes, nomeadamente de saques feitos nos anos noventa. Saldamos essa dívida e, portanto, não só este Governo não tem recorrido ao INPS como tem contribuído para a sua viabilização financeira. Periodicamente são realizados estudos actuariais para avaliar o sistema e permitir uma pilotagem segura com a introdução, quando necessário, de medidas correctivas em tempo oportuno. A gestão do INPS tem sido transparente, sendo prática corrente a prestação de contas. O INPS tem implementado uma política criteriosa de investimento, orientada para a rentabilização dos recursos. As reservas acumuladas pelo INPS totalizaram, até Dezembro de 2008, cerca de 20 milhões 863 mil contos. Os retornos dos investimentos feitos pelo INPS contribuíram com cerca de 40% desse montante, ou seja 8 milhões 166 mil contos, que constituem, como já disse, os retornos dos investimentos feitos pelo INPS, demonstrando de forma inequívoca a justeza da política de investimentos. Só em 2008, os investimentos renderam aos cofres do INPS 1 milhão 335 mil contos. A carteira de investimentos do INPS estava avaliada em 18 milhões 442 mil contos em Neste domínio os investimentos têm sido feitos consoante as oportunidades do mercado local, porque recorda-se, que o INPS não pode investir no estrangeiro, privilegiando sectores como a Banca e os seguros, as telecomunicações, a indústria e, mais recentemente, a energia, sector que em Cabo Verde, como no mundo inteiro apresenta perspectivas encorajadoras. Justo será dizer que a gestão dos investimentos do INPS está a rentabilizar os recursos que lhe são confiados, contribuindo poderosamente para reforçar a sustentabilidade do INPS, garantindo assim, o cumprimento das suas responsabilidades futuras. As reservas do INPS são de facto confortáveis, e não inspiram outros cuidados, tendo em atenção a boa gestão que se vem fazendo do sistema de segurança social. O INPS goza de boa saúde como também comprovam os resultados líquidos. Senão vejamos, em 2007: 3 milhões e 29 mil contos, em 2008: 3 milhões 847 mil contos.

5 5 Não há pois nenhum motivo para alarmes que só criam stress desnecessário na sociedade, Deus sabe para que fins, mas que não serão certamente em defesa dos interesses dos trabalhadores e do país. Hoje, o INPS entrou numa era de modernização, afirmando-se como uma organização sólida e uma instituição de referência ao serviço de todos. Uma modernização em linha com o princípio fundamental da universalização da Segurança Social, com o objectivo estratégico de ter uma protecção social para todos. Dizemos mesmo para todos, independentemente do sector de actividade e da condição económica do cidadão. Independentemente do local de residência, pois o INPS está a preparar-se para dar resposta imediata e em tempo real às solicitações vindas de qualquer ponto do território nacional, mesmo dos lugares mais recônditos. Isto é um ganho importante num país de ilhas, encurtando as distâncias e aproximando-se das pessoas. Uma modernização também orientada para uma maior eficácia para prestar aos utentes um serviço de melhor qualidade, do mesmo passo que se consolidam as estruturas e as capacidades organizacionais, bem como os instrumentos de gestão para que se caminhe com segurança na garantia da sustentabilidade do sistema contributivo. A modernização assenta em tecnologias de informação e comunicação, aposta no desenvolvimento de novas aplicações e novos instrumentos de gestão. Já no início de 2010, serão lançados novos produtos, com destaque para a plataforma informática unificada que permitirá uma gestão integrada de todo o sistema de previdência social. Terão assistido, com certeza, o lançamento desses produtos, ainda há dias no Palácio do Governo. A criação de um data-center e a unificação das três bases de dados (Sal, S.Vicente e Praia) numa única, com ligação em rede a todos os municípios vai permitir acessar directamente as informação dos utentes em tempo real. Assim, o cidadão não precisa de se deslocar aos principais centros urbanos para satisfação da sua demanda. Enfim, teremos um mesmo nível de serviço em todos os municípios. O pagamento das prestações pecuniárias passará a ser feito directamente ao beneficiário, podendo ser levantado em qualquer cartão ATM ou nos balcões do INPS via cartão de segurado. Através do e-fos (Folha de Ordenados e Salários) será garantido ao segurado a possibilidade do seu direito de estar activo e disponível na hora,

6 6 logo após o processamento do salário, a partir de qualquer concelho do país. Enfim, a desmaterialização automática de todo e qualquer papel que entra em qualquer balcão do INPS permite o seu tratamento imediato. Pode ser por exemplo capturado na Brava entrando logo no sistema, podendo ser tratado imediatamente por um operador na praia, S. Vicente, S. Antão ou outro. Outrossim, o INPS está a investir fortemente na adequação dos seus recursos institucionais, humanos e organizacionais, introduzindo novos mecanismos de gestão, novas estruturas e mecanismos de comunicação. É assim que o INPS está a transformar-se numa instituição de referência no país. Uma instituição que também a nível internacional vem merecendo menções elogiosas e cuja experiência de sucesso tem sido fonte de inspiração para outros, como por exemplo Timor Leste, por recomendação da OIT. Estamos pois a assistir a uma profunda transformação do INPS numa instituição mais sólida, mais eficiente, mais próxima dos utentes. Uma instituição capaz de prestar um leque de serviços diversificados para melhor garantir a protecção social dos cabo-verdianos. Senhoras e senhores Deputados, com a conjugação dos sistemas contributivos e não contributivos, com os grandes avanços conseguidos cremos poder afirmar que demos passos largos no sentido da materialização do nosso compromisso da universalização progressiva da Segurança Social a todas as cabo-verdianas e a todos os cabo-verdianos. Muito obrigado.

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