CARTA DE PRINCÍPIOS ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DO CONCELHO DE OEIRAS 2012/2013

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1 CARTA DE PRINCÍPIOS ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DO CONCELHO DE OEIRAS 2012/2013 Preâmbulo A Câmara Municipal de Oeiras pretende com a implementação do Orçamento Participativo (OP), contribuir para um modelo de governança mais dinâmico, assegurando a participação, a abertura e a igualdade. O OP é um mecanismo de democracia participativa, voluntária, no âmbito do qual os cidadãos podem dar o seu contributo para a definição das políticas da Câmara Municipal de Oeiras e respetiva adequação orçamental. O cidadão não limita a sua participação ao ato de votar para eleger o poder executivo, pois passa a envolver-se no processo de decisão sobre o investimento municipal, garantindo que corresponda às necessidades e expectativas da população. A implementação do OP no Concelho de Oeiras é uma consequência de uma gestão participada e informada, nos termos dos princípios e compromissos organizacionais consagrados no artigo 5.º do Regulamento Orgânico do Município de Oeiras, relacionados com a aproximação da administração ao cidadão, e, naturalmente, com os valores da democracia participativa, constantes no artigo 2.º da Constituição da República Portuguesa, suportado pela alínea d) do nº 7 do artigo 64º da Lei das Autarquias Locais, aprovada pela Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, na redação da Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro. Artigo 1.º Âmbito 1 - O Orçamento Participativo é um processo que assenta na consulta direta aos cidadãos, com vista à definição de prioridades de investimento municipal, uma vez que lhes é dada oportunidade de identificarem, debaterem e atribuírem prioridades a projetos de interesse para o Concelho. 2 - Tratando-se de um processo participativo, o OP será implementado em estreita articulação com a Agenda 21 Local Oeiras 21+. Artigo 2.º Objetivos O processo do Orçamento Participativo tem os seguintes objetivos: a) Contribuir para uma participação ativa, informada e responsável dos cidadãos nos processos de decisão do Município de Oeiras;

2 2 / 5 b) Aproximar os cidadãos da autarquia, aumentando a transparência da atividade governativa; c) Adequar as políticas municipais às necessidades e expectativas dos cidadãos, promovendo uma gestão sustentável e melhorando a qualidade de vida do Município. Artigo 3.º Tipo de Processo O Orçamento Participativo coaduna-se com um processo de carácter consultivo onde se apela à participação dos cidadãos, concretamente, na apresentação e priorização, através de votação, de propostas/projetos que visem o desenvolvimento sustentável do Município, cujos investimentos são passíveis de ser integradas no Plano de Atividades e Orçamento Municipal. Artigo 4.º Participação 1 - O Orçamento Participativo terá uma participação de base individual, na qual cada cidadão tem um voto. 2 - Podem participar no OP todos os cidadãos maiores de 18 anos. 3 Serão utilizados instrumentos de participação com base nas novas tecnologias e também mecanismos de participação presenciais sob a forma de Assembleias Participativas (AP), de modo a assegurar a comunicação com diferentes grupos sócio-económicos e faixas etárias, assim como para garantir a representatividade dos cidadãos. Artigo 5.º Fases do processo O Orçamento Participativo de Oeiras envolve um ciclo bianual que contempla 6 fases: 1ª Fase: Divulgação do processo; 2ª Fase: Apresentação e seleção das propostas; 3.ª Fase: Análise da viabilidade técnica das propostas apresentadas; 4.ª Fase: Votação para priorização das propostas; 5.ª Fase: Apresentação dos resultados da votação e ponderação da inclusão dos projetos mais votados em sede de plano de Grandes Opções do Plano (GOP) e orçamento pelo Executivo Municipal. 6.ª Fase: Divulgação das propostas consideradas nas GOP e Orçamento, implementação, acompanhamento e monitorização do processo.

3 3 / 5 Artigo 6.º Apresentação e seleção das propostas 1 As propostas podem ser apresentadas através da internet no endereço ou presencialmente nas Assembleias Participativas. 2 As propostas submetidas através da internet são votadas até à data da última AP, e serão levadas à fase da análise de viabilidade técnica as cinco propostas mais votadas. 3 As Assembleias Participativas, num total de cinco sessões, realizar-se-ão nos locais definidos e divulgados pela Câmara Municipal de Oeiras nos diversos materiais de divulgação. 4 Nas Assembleias Participativas podem participar todos os cidadãos previamente inscritos, através de correio eletrónico ou na própria Assembleia antes do início dos trabalhos, desde que a lotação da sala o permita A ordem de trabalhos é composta do seguinte modo: a) Abertura por um membro do Executivo Municipal; b) Apresentação, aos participantes, do processo de OP e da metodologia e objetivos da Assembleia Participativa; c) Organização dos participantes em grupos de trabalho, com apresentação de propostas individuais; d) Votação, por cada grupo de trabalho, das suas propostas, sendo selecionadas as duas mais votadas; e) Integração das propostas mais votadas num painel, sendo apresentadas pelos respetivos proponentes; f) Votação individual das propostas que integram o painel mencionado na alínea anterior, selecionando-se as cinco propostas mais votadas Cada participante tem direito a três pontos, a colocar numa única proposta ou em várias. 5 - As propostas devem referir o local de implementação. Sempre que tal não ocorra, é da responsabilidade municipal essa decisão. Artigo 7.º Análise da viabilidade técnica das propostas 1 A análise da viabilidade técnica das propostas é efetuada por uma equipa de avaliação multidisciplinar da Câmara Municipal de Oeiras. 2 São excluídas as propostas: a) Já contempladas nos planos de atividades do Município; b) Cuja intervenção não seja da competência municipal;

4 4 / 5 c) Consideradas incompatíveis com o Plano de Desenvolvimento Estratégico, com o programa político do Executivo Municipal ou com outros projetos municipais já aprovados; d) Que beneficiem interesses privados em detrimento da comunidade local; e) Consideradas não exequíveis tecnicamente; f) Cujos custos de manutenção ultrapassem os valores admissíveis em projetos semelhantes já existentes. Artigo 8.º Recursos financeiros 1. O processo de OP poderá ter implicações ao nível das GOP e Orçamento do Município de Oeiras, na sua globalidade, não sendo fixado, no entanto, um limite ao montante financeiro para o processo. 2. As propostas consideradas viáveis tecnicamente e que serão votadas, posteriormente, para priorização, poderão ser consideradas pelo executivo municipal, aquando da elaboração das GOP e Orçamento para o ano de Artigo 9.º Calendarização 1 - O ciclo do OP tem uma periodicidade bianual envolvendo, no ano de 2012, o processo participativo e a ponderação dos resultados na tomada de decisão, e, no ano de 2013, o início da execução dos projetos, respetivo acompanhamento e avaliação. 2 O calendário do processo participativo será divulgado oportunamente, através de todos os meios previstos. Artigo 10.º Informação aos Cidadãos A Câmara Municipal de Oeiras compromete-se a informar os cidadãos sobre: a) As razões de exclusão das propostas; b) Todas as fases de análise dos processos de Orçamento Participativo, através da elaboração bianual do Relatório de Avaliação do OP; c) A execução dos projetos do OP selecionados.

5 5 / 5 Artigo 11.º Monitorização Os resultados de todas as etapas do processo do Orçamento Participativo serão avaliados bianualmente, com o objetivo de um contínuo aperfeiçoamento do processo. Artigo 12.º Revisão da Carta de Princípios 1 - Com base na avaliação bianual devem ser introduzidas as alterações da Carta de Princípios entendidas pertinentes, que visem o progressivo alargamento e aperfeiçoamento do processo. 2 - O Executivo Municipal delibera bianualmente sobre a Carta de Princípios que regem o funcionamento do OP. Artigo 13º Entrada em vigor A presente Carta de Princípios entra em vigor no dia seguinte à sua aprovação.

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