EUROBARÓMETRO 65 OPINIÃO PÚBLICA NA UNIÃO EUROPEIA PRIMAVERA

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1 Standard Eurobarometer European Commission EUROBARÓMETRO 65 OPINIÃO PÚBLICA NA UNIÃO EUROPEIA PRIMAVERA 2006 RELATÓRIO NACIONAL Standard Eurobarometer 65 / Spring 2006 TNS Opinion & Social SUMÁRIO EXECUTIVO PORTUGAL A sondagem foi encomendada e coordenada pela Direcção-Geral da Comunicação. Este relatório foi produzido para a Representação da Comissão Europeia em Portugal. Este documento não reflecte as opiniões da Comissão Europeia. Quaisquer interpretações ou opiniões expressas neste relatório são apenas dos seus autores. 1

2 1. Portugal: o actual clima da opinião pública Os Eurobarómetros anteriores revelaram que os portugueses tendem a ter uma atitude negativa face à sua vida. Este é ainda o padrão que encontramos actualmente: depois dos húngaros, os portugueses são os cidadãos da UE menos satisfeitos com a sua vida em geral. No entanto, 51 por cento acredita que esta vai melhorar nos próximos cinco anos. Este valor que se distancia em cerca de dez pontos percentuais da média da UE marca um aumento em relação aos 44 por cento registados no Eurobarómetro anterior, efectuado no Outono de Tendo em conta o clima de crise económica prolongada que se vive em Portugal, o aumento desde 2001 das expectativas mais pessimistas face ao desenrolar da situação económica e do emprego no país revelam algum realismo. Neste momento, cerca de 60 por cento dos cidadãos prevê que os aspectos mencionados piorem nos próximos 12 meses. Apesar de indiscutivelmente alto, este valor representa uma ligeira diminuição das taxas de pessimismo em relação a Eurobarómetros anteriores. A preocupação dos cidadãos face à conjuntura económica portuguesa é novamente visível nos temas que assinalam como prioritários. Desemprego, situação económica e inflação são os três tópicos mais citados, concentrando-se no primeiro a maior percentagem de respostas (64 por cento). Para além dos temas de cariz económico, destacam-se também o crime e o sistema de saúde, referidos por 14 por cento dos portugueses. A saliência das preocupações económicas é visível na generalidade dos países da UE, embora Portugal apresente invariavelmente valores mais acentuados de concentração nesses temas do que a média europeia. As prioridades nacionais aproximam-se mais das dos cidadãos dos dez novos Estados-membros do que das da UE-15, partilhando com os primeiros uma maior preocupação com o desemprego e uma relativa despreocupação com a imigração e o terrorismo. Os cidadãos da UE tendem a confiar mais nas instituições europeias do que nas nacionais. De facto, denota-se um cepticismo generalizado face às instituições nacionais por toda a Europa. Relativamente ao caso português, a diferença entre o nível de confiança nas instituições europeias e nacionais é mais saliente do que na média da UE. Isto parece ser explicável pelos níveis mais altos de confiança nas instituições europeias dos portugueses, e não devido a níveis mais baixos de 2

3 confiança nas instituições nacionais. Com efeito, tal como Eurobarómetros anteriores tinham demonstrado, os portugueses confiam mais nas instituições europeias do que a média da UE. 2. O significado da União Europeia em Portugal, vinte anos após a adesão A imagem da UE em Portugal permanece positiva (45 por cento) apesar de estar abaixo da média europeia (50 por cento). Contudo, pela primeira vez em dez anos, o número de portugueses que acreditam que pertencer à UE é positivo desceu para abaixo dos 50 por cento (47 por cento), comparado com a média europeia de 55 por cento. Tal constitui uma queda de onze pontos percentuais desde o semestre anterior. Dito isto, a maioria das pessoas em Portugal ainda considera que pertencer à UE traz mais vantagens do que desvantagens. Para os portugueses, a principal dimensão política da UE é a possibilidade de viajar, estudar e trabalhar em qualquer país da União, com 40 por cento dos inquiridos a referir isto como sendo o referencial político da UE. Parece haver uma baixa identificação da UE com a paz e democracia em Portugal. Na mesma linha, a estabilidade política não é identificada pelos portugueses como sendo um resultado da UE. A percepção de uma maior segurança enquanto uma consequência da integração também parece ser diminuta em Portugal. Ao mesmo tempo, os portugueses tendem a não associar a UE com burocracia, ao contrário da média europeia. A UE é relacionada em Portugal com o desemprego por 29 por cento dos inquiridos. Isto coloca Portugal entre os países que mais identificam a União com o aumento do desemprego, sendo apenas superado pela Áustria (43 por cento), Grécia (35 por cento) e Alemanha (34 por cento). A estabilidade económica também não é associada com a UE. Em termos da sua situação económica e financeira, os portugueses consideram que a UE teve um papel negativo por valores muito elevados (entre 80 e 90 por cento nas várias categorias). Quando lhes é pedido que comparem a sua situação geral com a da economia europeia, os portugueses sentem que a sua situação é consideravelmente pior do que a dos seus congéneres europeus. 3. Que Europa? O futuro da União Europeia para os portugueses Em Portugal, a maioria dos cidadãos deseja que o futuro traga um aumento da importância do papel da União Europeia na sua vida quotidiana. No entanto, a 3

4 percentagem de portugueses que expressa este desejo (60 por cento) é superior à daqueles que consideram que este incremento irá de facto ocorrer (42 por cento), o que significa que as perspectivas sobre o aprofundamento da acção da União ficam, no caso português, bastante longe do que seria ideal na óptica dos cidadãos. A acção futura da União Europeia deverá, na opinião dos portugueses, centrar-se na luta contra o desemprego, a pobreza e a exclusão social. Estas duas áreas são claramente prioritárias, sendo mencionadas por mais de metade dos inquiridos, enquanto que a terceira prioridade referida (a manutenção da paz e da segurança nos países europeus) foi mencionada por menos de um quarto dos portugueses. As questões económicas são consideradas como as mais problemáticas no país, bem como aquelas onde a acção da União Europeia é avaliada de forma menos positiva. Este fenómeno não pode ser dissociado da prioridade que o combate à pobreza e ao desemprego assumem na agenda futura da União Europeia para os portugueses. É ainda de salientar que a luta contra o desemprego, a pobreza e a exclusão social são principalmente prioritárias para os cidadãos residentes em áreas urbanas. Ao nível da evolução interna da União Europeia no futuro, em termos das suas instituições e procedimentos, destaca-se o facto de que os portugueses apoiam mais abertamente acções conducentes ao aprofundamento generalizado da União (como sejam a Constituição, a criação do cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, e a criação de uma política comum de imigração), do que um aprofundamento a duas velocidades e um alargamento a novos países. Por fim, os principais receios gerados pela perspectiva de evolução futura da União Europeia são de natureza económica em específico, a transferência de empregos para outros países, o aumento das dificuldades dos agricultores e a crise económica. A preocupação com potenciais efeitos nefastos da evolução da União Europeia na economia é sobretudo evidente nos portugueses que têm atitudes pouco positivas face à União Europeia, bem como dos mais velhos, dos menos escolarizados, dos desempregados e das domésticas. 4. Os portugueses conhecem a União Europeia? Níveis de informação e conhecimento Em relação ao conhecimento dos portugueses sobre as instituições europeias e o seu funcionamento, encontramos neste inquérito que Portugal continua a permanecer 4

5 entre os países cujos cidadãos acreditam saber menos sobre a UE (3.8 numa escala 1-10), juntamente com a Espanha (3.7) e a Hungria (3.8), enquanto a média europeia é de 4.5. Analisando questões específicas, os portugueses estão entre os cidadãos da UE que esmagadoramente mais afirmam ter ouvido falar das principais instituições europeias (sempre entre 80 e 90 por cento de respostas positivas) ultrapassando largamente a média da UE em todos os casos. Contudo, quando directamente questionados sobre a sua compreensão do funcionamento das instituições da UE, 51 por cento dos portugueses afirmam não compreender como a UE funciona. Embora seja uma melhoria de 12 pontos percentuais face ao inquérito anterior (onde este valor era de 63 por cento), ainda coloca Portugal entre os Estados-membros cujos cidadãos menos sentem saber sobre o funcionamento da UE. Quando nos viramos para o conhecimento concreto da UE, testado através de um questionário sobre certos aspectos do processo de integração, concluímos que os portugueses têm na realidade um conhecimento mediano da UE, algo superior à média europeia, mas ainda atrás de dez outros Estados-membros. Em relação aos media, a televisão permanece o meio dominante de comunicação social para os portugueses, com as rádios e os jornais a serem consideravelmente menos utilizados do que noutros países europeus. Em relação à informação dos media sobre a UE, os portugueses acreditam que uma maior cobertura noticiosa devia ser dada ao processo europeu, com apenas 39 por cento a defender que os media falam o suficiente sobre a União. Ao mesmo tempo, 50 por cento dos inquiridos também acreditam que os media falam objectivamente sobre a UE, com a televisão a ser percepcionada como mais objectiva, por comparação com os jornais e as rádios. 5

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