NA MINHA CIDADE NÃO ACONTECE NADA LISBOA NO CINEMA (ANOS VINTE-CINEMA NOVO) 1 Tiago Baptista 2

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "NA MINHA CIDADE NÃO ACONTECE NADA LISBOA NO CINEMA (ANOS VINTE-CINEMA NOVO) 1 Tiago Baptista 2"

Transcrição

1 NA MINHA CIDADE NÃO ACONTECE NADA LISBOA NO CINEMA (ANOS VINTE-CINEMA NOVO) 1 Tiago Baptista 2 1.Introdução O principal aspecto da representação cinematográfica de Lisboa destacado texto será, paradoxo apenas aparente, o da invisibilidade da capital entre o cinema mudo e o início do cinema novo 3. Com efeito, o argumento deste texto sugere que (1), até ao cinema dos anos sessenta e salvo raríssimas excepções, Lisboa quase não surgiu nos filmes portugueses e que (2) as suas escassas representações retrataram menos uma realidade arquitectónica e urbanística concreta e reconhecível do que uma determinada ideia de cidade, dita moderna mas não necessariamente modernista porque correspondia, acima de tudo, a um muito depreciado espaço moral e social caracterizado por um ideal de mundaneidade e de cosmopolitismo. Representada em oposição a um mundo rural idealizado (no cinema mudo) ou reduzida ao que de rural podia encontrar-se num ambiente urbano (nas comédias à portuguesa), Lisboa foi representada metonimicamente pelas suas partes mais censuráveis (o clube nocturno) ou mais amáveis (o pátio e os interiores domésticos), mas evitando sempre o espaço impessoal da rua e todas as sociabilidades urbanas consideradas mais turbulentas. Uma e outras, se bem que presentes, por exemplo, na fabulosa excepção que foi Lisboa, Crónica Anedótica (1930), apenas se estrearam verdadeiramente no cinema português com os primeiros filmes do cinema novo que, como obras de resistência política e de crítica social que também foram, recorreram justamente aos espaços públicos e às sociabilidades lisboetas mais conflituosas para metaforizar a claustrofobia política e social que se vivia então no país. 2.Cinema mudo O cinema ficcional mudo português arranca por volta de 1918 e, por ter sido feito em grande medida por realizadores franceses, é frequente dizer-se dele que foi um cinema português feito por estrangeiros 4. Muitos destes filmes eram adaptações literárias de autores naturalistas do século XIX, como Júlio Diniz ou Camilo Castelo Branco 5 e contaram com a participação dos actores de teatro mais famosos do seu tempo 6. 1 Este texto desenvolve uma conferência com o mesmo título apresentada no dia 26 de Novembro de 2004, em Lisboa, no âmbito do Encontro Internacional Os Itinerários dos Indivíduos e dos grupos nos espaços urbanos, organizado pelo Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa do ISCTE. 2 Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema (Lisboa). 3 E que não é uma especificidade da capital, já que o mesmo se poderia dizer a propósito de Coimbra e do Porto, as duas cidades mais filmadas depois de Lisboa. 4 Sobre o cinema ficcional mudo e a relevância dos seus realizadores estrangeiros cf. «Franceses tipicamente portugueses. Roger Lion, Maurice Mariaud e Georges Pallu: da norma ao modo de produção do cinema mudo em Portugal», Tiago Baptista, in Lion, Mariaud, Pallu: Franceses tipicamente portugueses, Tiago Baptista (org.) (Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 2003), 37-96; e ainda Tipicamente português. O cinema ficcional mudo em Portugal no início dos anos vinte, Tiago Baptista (Lisboa: 2003), policopiado, dissertação de mestrado apresentada à FCSH/UNL. 5 Complementarmente, devem ser citados os nomes dos autores epigonais deste naturalismo ou, em certos casos, romantismo tardio: autores como Júlio Dantas, Manuel Maria Rodrigues, Abel Botelho, Bento Mântua, Francisco Lage e João Correia de Oliveira, Manuel Pinheiro Chagas e mesmo Virgínia de Castro e Almeida. É impossível citar os autores canónicos oitocentistas adaptados ao cinema (Camilo e Júlis Dinis, as grandes produções da Invicta e da Caldevilla Film: Os Fidalgos da Casa Mourisca (1920), Amor de Perdição (1921) e As Pupilas do Senhor Reitor (1922)) sem notar a ausência de Eça de Queirós. Foi adaptado apenas uma vez, com O Primo Basílio (1923), uma Ler História, 48, 2005,

2 Os argumentos destes filmes situavam a acção em comunidades rurais idealizadas, participando desse modo num processo de construção nacionalista que passou pela fixação de um conjunto de estereótipos do país como uma nação eminentemente rural e dos seus habitantes como um povo de camponeses, processo esse que foi transversal a várias outras formas de expressão artística e também aos sucessivos regimes políticos de final do século XIX e início do século XX (da monarquia constitucional à democracia liberal republicana e desta ao autoritarismo salazarista) 7. Não surpreende, por isso, que na esmagadora maioria do cinema ficcional mudo português ( ), as duas principais cidades do país (Lisboa e Porto) raramente tenham sido representadas. Na economia narrativa destes filmes, a cidade é menos importante e menos referida como realidade arquitectónica e urbanística concreta do que como lugar de origem de personagens cuja chegada ao campo e consequente desequilíbrio de uma ordem social que lhes é estranha constitui, quase sempre, o motor narrativo destes filmes. Procurando estilizar uma linha narrativa muito recorrente nestes filmes, depois de exposta a ordem social pacífica natural de um meio preferencialmente rural, a acção desencadeia-se pela chegada de um elemento estranho, as mais das vezes oriundo da cidade. Esta perturbação materializa-se frequentemente pela corrupção sentimental de uma jovem, caracterizada como ingénua, que acredita na honestidade das intenções do citadino ou do estranho, por sua vez caracterizado como leviano. A consequência imediata dos galanteios é a ocorrência de uma tragédia, ou a quase ocorrência de uma, provocada por um terceiro elemento oriundo da aldeia e que, ele sim, nutria sentimentos verdadeiramente nobres e honrados pela rapariga. A violência da tragédia que se abate sobre o estranho e restaura a ordem inicial demonstra a imoralidade, a impossibilidade e, muito eloquentemente, os verdadeiros perigos que pode acarretar qualquer tentativa de alteração daquela ordem social e moral 8. A quase inteira invisibilidade do espaço urbano corresponde, por isso, durante quase toda a década de vinte, a uma espécie de fora de campo moral continuamente adaptação cuidadosamente expurgada de cenas eventualmente chocantes mas, mesmo assim, denunciado na imprensa especializada como exploração pouco escrupulosa de temas imorais. Usadas à revelia da obra original, a denúnica e a ironia social do romance realista foram transformadas em veículo de pura e crua acusação conservadora. 6 Sobre as adaptações cinematográficas de romances dinisianos e camilianos cf. «Ler romances nos filmes», de Helena Buescu, in Tiago Baptista (org.), op. cit, Sobre a participação de actores de teatro nos filmes mudos portugueses cf. «O pequeno teatro do mudo», de Francisco Frazão, in Tiago Baptista (org.), op. cit., As adaptações cinematográficas de romances naturalistas e os filmes organizados em torno da oposição campo-cidade não esgotam o universo do cinema mudo português mas constituem a materialização de uma influente norma de produção cinematográfica que moldou estruturas de produção e de recepção crítica no sentido de uma maior predisposição em relação a estas obras (alvo dos maiores investimentos financeiros pelas produtoras do período e dos maiores encómios pela crítica da época). Sobre este assunto e para um maior enquadramento cultural desta norma cf. «Franceses tipicamente portugueses. Roger Lion, Maurice Mariaud e Georges Pallu: da norma ao modo de produção do cinema mudo em Portugal», op.cit. e ainda «Cinema e nação: os primeiros trinta anos de filmes tipicamente portugueses», Tiago Baptista, in Actas do Colóquio Transformações estruturais do campo cultural português, (Coimbra: CEIS20/UC, 2005) (no prelo). 8 São exemplos deste tipo de organização narrativa os filmes A Rosa do Adro (1919), Mulheres da Beira (1922), A Sereia de Pedra (1922), Os Olhos da Alma (1922) e As Pupilas do Senhor Reitor (1922). Ler História, 48, 2005,

3 contraposto à moral posta em cena das comunidades rurais representadas e as poucas referências explícitas à cidade apresentam-na como um espaço de moral dissoluta marcado por todos os vícios e todos os crimes como o jogo, o álcool e a infidelidade e ainda por roubos, homicídios e fraudes financeiras 9. O clube nocturno sintetizava todos estes duvidosos atributos urbanos e a sua representação adquire, nos filmes mudos portugueses, uma qualidade metonímica de todo o espaço urbano ao mesmo tempo que reforça a secundarização da representação de Lisboa como um espaço urbano e arquitectónico concreto e reconhecível em detrimento da representação de um espaço indeterminado, mais importante como espaço moral e como ideia de sociabilidade urbana. É o caso, paradigmático, de Fátima Milagrosa (Rino Lupo, 1927) cuja carga moralizadora da sequência do clube nocturno é potenciada pela sua montagem paralela com a procissão das velas em Fátima ( Nas cidades, à mesma hora, há luz e ruído nos dancings ) e por uma sucessão de intertítulos demolidores em relação ao ambiente festivo vivido no Monumental Club : Champagne, Histerismo, Fumo, Alma do Jazz Band, Bohemia, Inconsciência, Vício, Perversão. A legenda de uma fotografia promocional do filme descrevia esta sequência, aliás, como a tentação de Antero (o protagonista) pelos sete pecados capitais, cada um deles representado por uma das sete actrizes que o acompanhava à mesa do clube e que cada intertítulo se encarregava de designar. Enquanto Antero se perdia em Lisboa, a sua bem-amada Helena rezava por ele em Fátima, em plena procissão das velas, esperando que um milagre o regenerasse. As preces de Helena são escutadas e, ao mesmo tempo que uma personagem secundária recupera milagrosamente de uma paralisia diante do andor da Virgem, um segundo milagre desperta a consciência de Antero e leva-o a abandonar o clube e a cidade para ir ao encontro de Helena, na milagrosa Fátima. 3.Lisboa, Crónica Anedótica No final dos anos vinte, o paradigma ruralista e literário do cinema mudo português é posto em causa por uma nova geração de realizadores, muitos dos quais iniciavam aqui carreiras que seriam preponderantes na história do cinema português até quase final dos anos cinquenta 10. Exercendo em muitos casos uma carreira paralela como críticos de cinema, realizadores como António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Leitão de Barros ou Manoel de Oliveira, desempenharam um papel importante na defesa das vanguardas cinematográficas europeias e na actualização do cinema português enquanto forma de expressão artística, opondo-se por isso combativamente ao cinema dito comercial das adaptações literárias do tempo do cinema português feito por estrangeiros. 9 Exemplo disso os filmes O Amor Fatal (Georges Pallu, 1920), Barbanegra (Georges Pallu, 1920), Cláudia (Georges Pallu, 1923), Lucros Ilícitos (Georges Pallu, 1923), Tragédia de Amor (António Pinheiro, 1923). Não por acaso, vários destes filmes correspondem a obras da chamada produção intercalar da Invicta Film, isto é, filmes de menos investimento financeiro que eram realizados nas pausas entre grandes produções as adaptações literárias de ambiente ruralista. 10 Esta nova geração de realizadores foi analisada como um todo por Luís de Pina em História do Cinema Português (Lisboa: Publicações Europa-América, 1986) e Panorama do cinema português (Lisboa: Terra Livre, 1978), esp. p.18ss, num capítulo significativamente intitulado «A geração de 30 dura vinte anos»; e ainda por João Bénard da Costa em Histórias do Cinema (Lisboa: INCM, 1991) Ler História, 48, 2005,

4 Resultaram daqui curtas e médias metragens de grande inventividade formal como A Dança dos Paroxismos (Jorge Brum do Canto, 1928), dedicado pelo realizador a Marcel L Herbier, ícone da vanguarda cinematográfica francesa dos anos vinte, ou ainda os primeiros filmes de António Lopes Ribeiro (Bailando ao Sol, 1928) e de Chianca de Garcia (Ver e Amar, 1930). À experimentação formal destes filmes acrescentava-se ainda um interesse crescente pela vida quotidiana nas cidades afinal, o habitat natural dos seus realizadores, surgindo então os primeiros filmes que davam protagonismo às cidades do Porto e de Lisboa. Datam deste período o primeiro filme de Manoel de Oliveira, o célebre documentário sobre a zona ribeirinha do Porto intitulado Douro, Faina Fluvial (1931), ou ainda Lisboa, Crónica Anedótica (1930), de Leitão de Barros, organizado como uma sucessão de sketches humorísticos e sociológicos sobre alguns bairros e tipos sociais da capital e interpretado tanto por actores de teatro célebres como pelos próprios transeuntes lisboetas. Neste sentido, o filme de Leitão de Barros é especialmente importante ao dar pela primeira vez a uma cidade o estatuto de personagem central num filme português: nisso, o filme era uma obra do seu tempo já que, para lá do tema, a sua organização interna procurando mostrar um dia na vida da cidade ao mesmo tempo que mostrava como podia ser a vida inteira dos lisboetas, desde que nasciam até que morriam 11 era semelhante a outros filmes estrangeiros contemporâneos como Berlim, A Sinfonia de uma Capital (realizado por Walter Ruttmann em 1927 e estreado em Lisboa nesse mesmo ano) ou até mesmo O Homem do Aparelho de Filmar (realizado por Dziga Vertov em 1929), para citar apenas dois títulos das várias sinfonias urbanas que constituíram por esses anos um verdadeiro subgénero documental que marcou decisivamente a história do documentário europeu 12. Tendo beneficiado de uma mais ampla distribuição do que o filme de Oliveira, Lisboa gerou também uma enorme polémica que se centrou, justamente, no modo como o filme representava a cidade. Segundo as vozes mais críticas, da opção salutar de filmar a Lisboa-típica, Leitão de Barros tinha deslizado para a tentação já mais censurável de mostrar a Lisboa-suja, a Lisboa-vigarista, a Lisboa-cano-de-esgoto dos bairros típicos, mas pobres, como Alfama, cheios de crianças de pé descalço e de gatos vadios 13. Igualmente indesejáveis, os vários planos que mostravam o comportamento desajustado dos saloios em Lisboa, como na sequência do manequim no Chiado, bem como os contos do vigário em que os mesmos caíam (e até muitos lisboetas, como na sequência da bilha quebrada). Estes planos foram considerados tão indesejáveis pelos críticos da época que levaram mesmo um deles a considerar a necessidade de se criar um género específico de filmes documentários de exportação, sublinhando assim a grande importância dada à construção da imagem cinematográfica da capital (vista enquanto símbolo do país) no estrangeiro Como indicava o próprio subtítulo do filme: como se nasce como se vive como se morre em Lisboa. 12 No caso da primeira obra de Manoel de Oliveira Douro podemos ir mais longe e afirmar que em Portugal se fez um dos mais belos exemplos de um dos sub-géneros europeus que marcaram essa gestação [do documentário] (as sinfonias urbanas que, mais ou menos directamente, foram realizadas por Ruttmann, Vertov, Cavalcanti, Ivens ou Vigo, e que foram também uma óbvia inspiração para a [Lisboa] Crónica de [Leitão de] Barros., José Manuel Costa, «Questões do documentário», Amore di Perdizione Storie di cinema portoghese, (dir. Roberto Turigliato e Simona Fina) (Turim: Edições Lindau, 1999). 13 Crítica de Alberto Armando Pereira em Invicta Cine, a.viii, nº73, 3/5/ Pode ser muito típico e muito característico o saloio ou qualquer outro tipo do folcklore nacional; pode haver estrangeiros interessados em questões etnográficas, que apreciem uma capa de honras Ler História, 48, 2005,

5 Em relação ao que seria desejável mostrar de Lisboa, Alberto Armando Pereira, um dos mais influentes críticos da época, apontava o esquecimento indesculpável que Leitão de Barros fizera da Lisboa-Moderna e da Lisboa-monumental, da Lisboaanúncio luminoso, da Lisboa-António Ferro, da Lisboa-Avenidas Novas, da Lisboa que eu adoro, da Lisboa que só tem de mau certos lisboetas 15. Por moderna entendia-se, não necessariamente as primeiras manifestações da arquitectura modernista daqueles mesmos anos, mas sim a Lisboa actual, a Lisboa limpa, arejada, a Lisboa Quirino da Fonseca 16, isto é, a cidade boulevardiana (ou que o citado vereador da edilidade tentara continuar a boulevardizar em passo acelerado) da Avenida da Liberdade, das Avenidas Novas e dos sucessivos projectos de ordenamento do Parque Eduardo VII, bem como a cidade empreendedora do Porto Marítimo e ainda a cidade da vida boémia e cosmopolita dos anúncios luminosos, dos cafés e dos clubes nocturnos do Chiado e dos Restauradores (aspectos de Lisboa poucos anos antes tão reprovados em Fátima Milagrosa). Confirmando que a cidade moderna era tanto um espaço urbanístico como um ideal de mundaneidade, a actriz Heloísa Clara não hesitou em incluir os cosmopolitas Estoris na lista de espaços lisboetas que deviam ter sido mostrados no filme: [Lisboa ] agradou-me plenamente, mas como tudo, pecou num pormenor importante. Decerto que se lembra da apresentação [promoção] de Lisboa como cidade moderna?! O que nos mostra Leitão não é a nossa Lisboa civilisada. Aí é que ele caiu Olhe, Leitão, poder-nos-ia apresentar magníficas vistas do Campo Grande, Estoris, as belas vivendas que aí existem, dos magníficos prédios que por lá abundam, um pouco da vida boémia da Capital e não esquecendo o movimento do nosso porto, que é um espectáculo sempre novo e sempre interessante., Girassol, nº2, 23/12/1930 (sublinhados meus). Cedendo às pressões dos críticos e dos distribuidores, Leitão de Barros aceitou fazer uma segunda versão do filme, verdadeiro filme documentário de exportação destinado ao mercado brasileiro, do qual foram excluídas as cenas consideradas menos edificantes para a imagem da cidade, substituídas por planos com alguns dos aspectos modernos/monumentais acima referidos 17. Entre as sequências mais mirandesas, ou uma carroça do Minho. Todavia para a massa popular, normalmente pouco instruída e muito menos civilizada, quaisquer destes tipos são motivos para uma galhofa pegada, para uma risota permanente. E assim, aquilo que nós admiramos, cairá no ridículo. Claro está, que se houver da parte do realizador, um savoir faire que o leve a seleccionar o modo de apresentar esses tipos, sem os tornar boçais e estúpidos, poder-se-há conseguir qualquer coisa de novo, sem ser ridículo, nem estapafúrdio ( ) Daqui a necessidade de criar o filme documentário de exportação, que escondendo todas as nossas misérias ou rotineirismos, nos vá glorificar e elevar nos países estranhos., «O documentário nacional» editorial do nº104 (a.viii) de 31/1/1931 da revista Invicta Cine (sublinhado meu). 15 Alberto Armando Pereira, op. cit. 16 Declarações de Aníbal Contreiras sobre o seu filme A Vida do Soldado (1930), documentário ficcionalizado sobre a vida militar que, segundo o realizador, fora feito para mostrar a toda a gente a Lisboa actual, a Lisboa limpa, arejada, a Lisboa Quirino da Fonseca, que Leitão de Barros se esqueceu de nos apresentar no seu documentário Lisboa, Jornal de Cinema, a.iii, nº5, 30/3/ Cf. M. Félix Ribeiro, na altura crítico de cinema, relatou o visionamento de imprensa da versão brasileira em Filmes, figuras e factos do cinema português, (Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 1983), 263: ( ) foi feita uma versão para o Brasil, sendo extraídos alguns momentos que poderiam, virtualmente, naquele País, ser vistos de forma desprestigiante ou menos própria. Em sua substituição foram introduzidos imagens focando aspectos documentais da cidade ( ) Dentro dos propósitos havidos, saíram o sketch do conto do vigário no Terreiro do Paço, a sequência da bilha quebrada ( ) e mais alguns momentos, substituídos por vistas da Avenida da Liberdade, Basílica da Estrela, etc. A revista Kino informa que os novos planos e os cortes dos planos indesejáveis foram executados por Salazar Dinis e António Lopes Ribeiro que recusaram, porém, que os seus nomes fossem creditados no genérico da versão para o Brasil (Kino, nº12, 17/7/1930 e nº13, 24/7/1930). Ler História, 48, 2005,

6 criticadas e por isso cortadas da versão brasileira encontram-se a encenação de um conto do vigário a um saloio recém-desembarcado no Terreiro do Paço; outro conto do vigário pelo qual uma velha e uma criança exploravam a compaixão dos transeuntes face a uma criança chorando por ter supostamente quebrado uma bilha e temendo a sova do pai quando chegasse a casa; um grupo de saloios evitando a custo o trânsito automóvel frente no Rossio (citação clara de um plano equivalente do Aurora de Murnau (1927), filme-arquétipo da oposição campo-cidade e sinal de que a mesma era uma tendência internacional e de modo algum uma particularidade do cinema português); outro saloio apalpando um manequim numa modista do Chiado; o episódio do homem fatal pelo qual se apaixonam todas as mulheres que o vêem passar ao volante do seu automóvel; os célebres gatos vadios e os garotos de pé descalço em Alfama; os rebanhos de carneiros nas Avenidas Novas e os bandos de ardinas no Chiado; o mendigo na Baixa; ou ainda as peixeiras no Cais do Sodré e os seus filhos nus convivendo com gatos e restos de sardinhas nas canastras fazendo de berços improvisados 18 No final de 1930, as reacções à distribuição do filme nas colónias portuguesas em África confirmaram os piores receios em relação à desadequação do filme a públicos estrangeiros ou, neste caso, e o que era ainda mais grave, em relação à projecção colonial de Lisboa como metrópole imperial. A revista Girassol (dirigida pelo actor Erico Braga, o homem fatal de Lisboa...) publicou o seguinte relato do projeccionista responsável pela exibição do filme em África : Você não imagina. A primeira vez, foi um escândalo. Ninguém esperava por aquilo. Os brancos esperavam monumentos, museus, o Tejo, os Jerónimos, a Torre de Belém. Os pretos esses, esperavam verdadeiros contos de fadas. E, afinal, não viam senão gatos vadios Os governadores telegrafaram logo uns aos outros. Que o filme era perigoso, que prejudicava o prestígio nacional, o diabo Reclamei, mas disseram-me assim: Os pretos fazem de Lisboa uma ideia grandiosa. Disso depende a força do nosso império colonial. Revelar uma Lisboa fadista e pitoresca é arruinar esse castelo de cartas. 19 Por tudo isto, poder-se-á dizer com justiça que o maior mérito de Lisboa, Crónica Anedótica (mérito que na época da estreia não podia ter-lhe sido reconhecido e que, na verdade, muito contribuiu para a má recepção do filme) foi o da centralidade da representação da vida nas ruas de Lisboa aspecto tanto mais importante quanto, no cinema português das décadas seguintes, a rua seria um espaço sistematicamente elidido das representações da capital. No filme de Leitão de Barros, o destaque dado à rua lisboeta permitiu mesmo uma das raras representações dramáticas do mundo do trabalho no cinema português: a sequência do acidente sofrido por um operário do Arsenal (actor Alves da Cunha) e, logo depois, do almoço dos operários com as suas famílias sentados no passeio, frente às oficinas 20. Apesar da sua atribulada vida comercial e discutível fortuna crítica (à época), é inegável que Lisboa, Crónica Anedótica inaugurou um período de representação continuada do espaço urbano nas décadas seguintes do cinema português e muito 18 Nem a caução literária da citação de versos de Cesário Verde sobre as varinas lisboetas nos intertítulos ( embalam nas canastas os filhos que depois naufragam nas tormentas ) valeram a estas sequências. 19 «Em Africa os pretos não gostaram do filme Lisboa», por A.B., Girassol, nº2, 23/12/ Luís de Pina foi ao ponto de consider esta cena como um «pedaço do melhor cinema social que se fez entre nós», Panorama do cinema português (Lisboa: Terra Livre, 1978). Ler História, 48, 2005,

7 particularmente num conjunto de filmes que alcançou então grande sucesso junto do público: as comédias à portuguesa dos anos trinta e quarenta. Mas a continuidade da representação de Lisboa no cinema não implicou necessariamente uma continuidade no modo como essa representação foi feita. É verdade que, por um lado, e tal como o filme de Leitão de Barros, as comédias à portuguesa continuaram a elidir quaisquer traços da Lisboa moderna, entendida como realidade urbanística e como conjunto de vivências mundanas e boémias. Mas por outro lado, e ao contrário de Lisboa, Crónica Anedótica, as comédias à portuguesa não mais voltariam a mostrar-nos as ruas lisboetas em toda a sua dureza. 4.Comédias à portuguesa Com efeito, ao longo dos anos trinta e quarenta, apesar de se continuarem a filmar várias adaptações literárias e outros filmes organizados em torno da oposição campocidade 21 vão surgir também várias comédias em ambiente urbano, quase sempre em Lisboa as chamadas comédias à portuguesa, de que são exemplos A Canção de Lisboa (Cottinelli Telmo, 1933), O Pai Tirano (António Lopes Ribeiro, 1941), O Pátio das Cantigas (Francisco Ribeiro, 1942), O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio (1944), O Leão da Estrela (1947) e O Grande Elias (1950, de Arthur Duarte, como os três últimos). O motor narrativo destas comédias é normalmente o desejo de ascensão social das personagens, que pertencem à pequena e média burguesia urbana e cujos esforços de mobilidade social resultam sempre frustrados apesar disso, daí não resultam especiais motivos de revolta, mas antes uma confirmação fatalista das hierarquias sociais pré-existentes 22. Apesar de se desenrolarem quase exclusivamente em Lisboa, é muito interessante notar que as comédias à portuguesa dos anos trinta e quarenta quase não contêm cenas cuja acção se passa na rua 23. Espaço das relações impessoais por excelência, a rua é substituída pelo pátio, pelo interior do bairro, pela loja e pelo interior doméstico espaços onde todos se conhecem e onde todas as relações pessoais eram mediadas e constrangidas pelos omnipresentes vizinhos e familiares. Nestes filmes, a rua é então representada como um espaço de insegurança e de instabilidade, como o demonstra a sua escolha para cenário de assaltos e desacatos (como, por exemplo, em A Canção de Lisboa: é no meio da multidão da Estação do Rossio que as tias de Vasco são roubadas), ou ainda n O Pai Tirano (é na rua que Chico e Artur lutam por causa de Tatão) 24. Pode por isso dizer-se que destas comédias urbanas resulta a recuperação da oposição campo-cidade já patente no cinema mudo, transferida agora para um espaço urbano que se assemelha, contudo, ao mundo rural, sobretudo pelo seu fechamento espacial e social e pela reiteração enfática dos inconvenientes de toda e qualquer forma de mobilidade social e dos vícios das formas de sociabilidade urbana. 5.A Revolução de Maio 21 Como, novamente, As Pupilas do Senhor Reitor (Leitão de Barros, 1935) e A Rosa do Adro (Chianca de Garcia, 1938), mas também Aldeia da Roupa Branca (Cottinelli Telmo, 1938) ou Maria Papoila (Leitão de Barros, 1937). 22 Nesta secção, apoio-me na análise das comédias à portuguesa feita por Paulo Granja em «A comédia à portuguesa, ou o máquina de sonhos a preto e branco do Estado Novo», in O cinema sob o olhar de Salazar (coord. Luís Reis Torgal) (Mem Martins: Círculo de Leitores, 2000), A rua, onde os indivíduos estranhos se encontram e desencontram, perdendo-se na multidão anónima da cidade, raramente se vê. E quando se vê ou a ela se faz alusão é para dar dela uma imagem negativa, Granja, op. cit., Retomo os exemplos avançados por Granja, op. cit., Ler História, 48, 2005,

8 Esta nova e paradoxal invisibilidade da cidade de Lisboa em filmes cuja acção nela se desenrola estende-se aos grandes projectos arquitectónicos e urbanísticos especificamente modernistas que se desenvolveram na capital naqueles mesmos anos e de que seriam exemplo o cinema Capitólio projectado por Cristino da Silva em 1926 (inaug.1931), o Pavilhão do Rádio do Instituto de Oncologia de Carlos Ramos (inaug. 1933) ou ainda o novo Éden-Teatro de Cassiano Branco (inaug. 1937) e os projectos da Casa da Moeda por Jorge Segurado (inaug. 1936) e da Igreja de Nossa Senhora de Fátima por Pardal Monteiro (inaug. 1938) 25. A única excepção é a grande intervenção do Instituto Superior Técnico e área envolvente (incluindo o Instituto Nacional de Estatística (inaug.1935) e o bairro social do Arco de Cego), uma das primeiras instrumentalizações em larga escala da arquitectura modernista pelo regime salazarista. O IST e o INE surgem numa sequência decisiva do filme A Revolução de Maio de António Lopes Ribeiro (1937), não por acaso uma das duas únicas produções cinematográficas (de ficção) financiadas directamente pelo Estado Novo 26. O filme conta a história de um conspirador que acaba por se convencer dos benefícios do regime depois de ver o Bairro Social do Arco do Cego e de consultar os dados sobre as realizações do Estado Novo no Instituto Nacional de Estatística. Nesta obra de propaganda, e na sequência fulcral da visita ao INE em particular, é notória a eficácia monumental dos edifícios (exemplo claro da interpretação monumental da arquitectura modernista pelo regime), cuja visita e experiência sensorial pelo protagonista correspondem ao exacto momento da sua conversão ao regime. 6.Cinema novo Relação muito diferente com a arquitectura e os espaços públicos da cidade têm os filmes (ou as personagens dos filmes) Os Verdes Anos (Paulo Rocha, 1963) e Belarmino (Fernando Lopes, 1964), frequentemente apontados como obras de arranque do movimento de renovação do cinema português que, à semelhança de várias outras cinematografias europeias contemporâneas, ficou conhecido como cinema novo 27. Definível como movimento de resistência não apenas cinematográfica, mas também político-social ao regime autoritário, as obras do cinema novo deram-nos uma nova imagem da cidade e dos lisboetas, não só porque 25 Podem encontrar-se pistas para a história urbanística da cidade, e em especial da Lisboa modernista, em Lisboa: Urbanismo e arquitectura (Lisboa: Livros Horizonte, ªed. revista e actualizada) e O modernismo na arte portuguesa (Lisboa: ICLP, ª ed.), de José-Augusto França; e também em «Arquitectura portuguesa do século XX», Ana Tostões, in História da Arte Portuguesa (dir. Paulo Pereira) (Lisboa: Temas e Debates, 1995), vol.3, e «Arquitectura Moderna Portuguesa: os Três Modos», da mesma autora, in Arquitectura Moderna Portuguesa, (Lisboa: IPPAR, 2004), (bem como outros artigos nesta mesma obra, incluindo a cronologia estabelecida por João Paulo Martins, e as fichas de obras descritas por Ana Tostões, Sandra Vaz Costa, Rute Figueiredo e Deolinda Folgado, ). 26 A outra seria O Feitiço do Império (António Lopes Ribeiro, 1940). 27 Movimento que também ficou associado à actividade do produtor António da Cunha Telles, responsável pela produção dos dois filmes referidos no texto, as suas duas primeiras produções, seguidas de Catembe (Faria de Almeida, 1964), Domingo à Tarde (António de Macedo, 1965), Mudar de Vida (Paulo Rocha, 1966) e O Cerco (primeira experiência de realização do próprio Cunha Telles, 1969). Em 1967,a produção de 7 Balas para Selma (António de Macedo), marcaria, porém, uma ruptura conflituosa com os realizadores do cinema novo e o final (temporário) da actividade de Cunha Telles como produtor. Sobre o cinema novo, cf. «Cinema Novo Português: Revolta ou Revolução», de João Bénard da Costa, in Cinema Novo Português, 1960/1974, AAVV (Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 1985), 14-44; «Cinema novo português: crise e consagração», de Miguel Cardoso, História, (Lisboa: a.xxvi (III série), nº47, Julho/Agosto de 2002), 38-45; e ainda «Uma margem no centro: a arte e o poder do novo cinema», de Paulo Filipe Monteiro, in O cinema sob o olhar de Salazar, Luís Reis Torgal (coord.) (Mem Martins: Círculo de Leitores, 2000), Ler História, 48, 2005,

9 filmaram bairros novos como Alvalade, Av. Roma e Av. Estados Unidos da América, mas também, e sobretudo, porque regressaram à rua e problematizaram relações sociais a partir destes novos espaços urbanos o que nos leva a sugerir que a actualização da imagem da cidade e das relações sociais urbanas patentes nestes filmes constituem mesmo um dos principais aspectos definidores da sua actualização cinematográfica internacional 28. Sobre o filme de Fernando Lopes, escreveu Nuno de Bragança que, para obter a expressão fiel de um Belarmino apertado pela vida, [o realizador] decidiu apertar com ele 29, o que se torna óbvio não apenas no cerco que a cidade e o mundo do boxe lhe fazem (com tantos planos que literalmente engaiolam o pugilista), como no próprio dispositivo cénico da entrevista de Baptista Bastos, na qual Belarmino surge não apenas acossado pela agressividade das perguntas do entrevistador, mas também verdadeiramente enclausurado pelo aparato técnico do filme e pela própria equipa de cinema que Fernando Lopes, muito significativamente, faz questão de não esconder durante a sequência da entrevista. Também das personagens de Os Verdes Anos se poderia dizer que foram apertadas por Paulo Rocha (e por Nuno de Bragança, autor dos diálogos do filme), para que dos apertos das suas vidas tivéssemos uma imagem mais vívida. Este modo opressivo de encenar a cidade é uma novidade cinematográfica absoluta no cinema português, como notou João Bénard da Costa: «a visão de Portugal, ou de Lisboa, como espaço claustrofóbico, sem saídas, onde tudo se frustra e tudo agoniza (numa morte branda) é pela primeira vez dada no filme de Rocha, visto desse ângulo retrato mais político dum país que nos mata longamente do que qualquer visão sumária dum regime que mais sabiamente do que qualquer outro com esse país se identificou.» 30 Neste contexto, a sequência da Cidade Universitária tem especial importância, não apenas na economia narrativa de Os Verdes Anos, mas também como ponto de confluência da relação simbólica dos protagonistas com a cidade e com o próprio regime, aqui representado noutra grande interpretação monumental da arquitectura modernista. Mas esta sequência em particular demonstra uma relação com este tipo de arquitectura de regime absolutamente nos antípodas da sequência d A Revolução de Maio atrás referida: em vez de funcionarem como catalizadores da integração no regime (como a acrópole do Técnico), os edifícios da Cidade Universitária de Os Verdes Anos acabam por funcionar, isso sim, como metáfora da opressão e da exclusão social das personagens, que são atraídas para junto dos edifícios mas que, muito significativamente, não podem neles entrar e parecem reduzidas a vê-los apenas a partir do exterior Contornando as dificuldades de relacionar cinematograficamente o cinema novo português e a Nouvelle Vague francesa, por exemplo, é no entanto difícil deixar de comprovar uma vontade de sair à rua comum a ambos os movimentos, justificável, senão ideológica ou artisticamente, pelo menos pelas novas possibilidades logísticas trazidas por novos equipamentos portáteis (imagem, som e iluminação). «À semelhança do que havia sido ensaiado pela nouvelle vague francesa, Cunha Telles contorna as regras do jogo e, aliando uma vontade de renovação estética à necessidade de baixar os custos, decide sair com a câmara à rua e investir em técnicos e actores jovens, ainda sem provas dadas ( )», Miguel Cardoso, op. cit., 41 (a propósito justamente da rodagem de Os Verdes Anos). 29 «Acerca de Belarmino», de Nuno Bragança, Vértice, Janeiro de 1965 (republ. in José Navarro de Andrade (coord.), op. cit., ). 30 João Bénard da Costa, op.cit, «Eles vão passear para ali porque é um sítio vazio ao Domingo, e onde os namorados têm portanto espaço de sobra para discutirem os seus problemas. É natural que eles, diante de desenhos tão estranhos [decorações de Almada Negreiros na fachada da Faculdade de Direito], se esqueçam aos poucos da Ler História, 48, 2005,

10 O estatuto das personagens como dominados é reforçado, ainda nesta sequência, não apenas pela sua mise-en-scène (um constante campo-contra-campo entre os actores e as figuras de magistrados representadas nos painéis de Almada), mas também pela passagem da «Epístola de S. Paulo aos Romanos» (XIII:1-3) que chama a atenção do protagonista (e a nossa), mas que o mesmo, sintomaticamente, não consegue ler: «(1) Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. (2) Por isso, quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. (3) Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás o louvor dela». 32 A importância da cidade de Lisboa como, simultaneamente, agente e contexto da subordinação social e da humilhação pessoal das personagens do cinema novo tem um desenvolvimento exemplar no filme Belarmino, de Fernando Lopes. Filmado como uma espécie de fotojornalismo de rua 33, o filme de Fernando Lopes segue o pugilista Belarmino Fragoso numa Lisboa que apenas lhe concede sobreviver e que, como ele, como todo o cinema novo, vai revelando uma triste verdade a cada nova mentira: eu fome, fome, não tenho; tenho às vezes é vontade de comer. Belarmino é, pois, um filme cuja personagem (para mais, verídica) trava um combate com um décor, essa portentosa Lisboa que só pode levá-lo ao K.O. 34, mas que nunca leva Belarmino, um sobrevivente nato, definitivamente ao tapete «Esperam de 1 a 10 que a gente, oxalá, não se levante/ e a gente levanta-se, pois pudera, sempre.» (Alexandre O Neill, poema Belarmino ). Metáfora da prisão social da vida lisboeta, ou de algumas classes sociais lisboetas (portuguesas), Belarmino contrasta os cafés onde o pugilista revela a sua solidão e as fachadas da Mouraria diante das quais distribui piropos às mulheres que vêm das lojas na Baixa, com os planos das outras pessoas que se divertem no Hot-Clube, cujo ambiente sofisticado e desafogado é sublinhado pela música, pelos pares dançantes e pela longa panorâmica de uma fachada moderna (no logradouro do Hot-Clube). Conhecendo a influência confessa da poesia de Mário Cesariny em Belarmino, é tentador ver esta sequência do filme como uma variação de discussão para olharem para eles. Isso por um lado. Por outro, a sequência tem um certo valor, digamos, simbólico, porque é aquele o local onde os jovens portugueses aprendem. Há uma certa relação entre o saber e a juventude, de que ele, por exemplo, está privado. Ele nunca pôde estudar, não é verdade? Por outro lado, e é muito complexo, todos aqueles senhores, dos desenhos do Almada, têm um certo ar hierático de deuses. Eles estão muito atrapalhados, têm problemas extremamente mesquinhos, de um quarto, da mãe dela, e não sei quê. Estão a falar de coisas muito mesquinhas, e há aquela gente toda ao mesmo tempo ali. Eu pergunto a mim mesmo, faço esta pergunta que é uma espécie de exclamação dentro do filme: como é que havendo tanta gente com tanta ciência estes pobres diabos estão aqui sem saber nada? Porque é que não se ajudam? Há uma situação em que os deuses estão calados, em que a Pátria portuguesa importante está calada, enquanto aqueles dois pobres diabos estão ali a debater.», Paulo Rocha, «Como quem atira uma bomba» (entrevista), in Paulo Rocha. O rio do ouro, Jorge Silva Melo (org.) (Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 1996), Várias outras sequências apontam igualmente para esta exterioridade dos protagonistas em relação à cidade como, por exemplo, o passeio nos arrabaldes rurais da Av. Estados Unidos da América e da Av. Roma que termina com uma discussão junto a um charco, com a silhueta apalaçada da Praça do Areeiro como pano de fundo. 32 Trad. João Ferreira de Almeida. 33 Fernando Lopes sobre a fotografia de Augusto Cabrita para Belarmino, declaração tomada de «Entrever Fernando Lopes» (entrevista), in Fernando Lopes por cá, José Navarro de Andrade (coord.) (Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 1996), João Bénard da Costa, op. cit., 27. Ler História, 48, 2005,

11 poemas como Louvor e simplificação de Álvaro de Campos (fragmento), referido expressamente por Fernando Lopes a propósito da representação de Lisboa neste filme: «Penso que a questão é esta: a gente certa gente sai para a rua,/cansa-se, morre todas as manhãs sem proveito nem glória/e há gatos brancos à janela de prédios bastante altos!/contudo e já agora penso/que os gatos são os únicos burgueses/com quem ainda é possível pactuar /vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!» (Mário Cesariny, Nobilíssima Visão) Conclusão Nos anos vinte, os filmes organizados em torno da oposição moral campo-cidade transformam esta última num espaço ausente ou então referido metonimicamente pela sua parte mais imoral: o clube nocturno. As comédias à portuguesa dos anos trinta e quarenta, por seu lado, se transformaram, é certo, o espaço urbano (lisboeta) no seu principal espaço cénico, filtraram porém a sua representação através de ambientes domésticos e de comunidades de vizinhança que reduzem a cidade a um aglomerado de aldeias onde vigora a mesma moral conservadora e o mesmo imobilismo social das comunidades rurais idealizadas do cinema mudo. Entre estes dois períodos, contudo, deve assinalar-se a existência de um pequeno conjunto de documentários sobre cidades, em fase com um movimento internacional idêntico, de que é exemplo paradigmático o filme Lisboa, Crónica Anedótica, importante momento de suspensão da invisibilidade da capital no cinema português e primeira vez que uma cidade assume estatuto não só de personagem, mas também de protagonista de um filme português. A incompreensão dos costumes citadinos pelos saloios, bem como a exibição da pobreza e de outros tantos desajustes em relação à representação de um então desejado ideal de mundaneidade e de grandiosidade de uma capital imperial garantiram a depreciação crítica do filme de Leitão de Barros, mas constituíram também um fabuloso, embora efémero, exemplo de uma representação urbana única, assente na rua e em determinados tipos sociais e sociabilidades urbanas como não voltaríamos a ver até ao advento do cinema novo. Deve, contudo, fazer-se uma importante ressalva a esta conclusão e que diz respeito ao cinema não-ficcional, excluído do universo de análise deste texto apenas pela economia narrativa do mesmo. Seria, aliás, muito interessante ter em conta o corpus de não-ficção (documentários e jornais de actualidades) entre os anos vinte e sessenta e ver até que ponto o mesmo funcionaria como uma espécie de corrector das reflexões aqui sugeridas sobre a invisibilidade da cidade de Lisboa. Referindo-se em grande medida à vida pública da cidade (documentando paradas, procissões, manifestações, revoltas, Entrudos e outros festejos), a não-ficção centra-se na rua e na multidão, ambos os elementos ausentes do cinema ficcional contemporâneo (e, consequentemente, deste texto) excepção feita, novamente, ao filme Lisboa, Crónica Anedótica Para lá de Alexandre O Neill, Fernando Lopes confessa a influência decisiva de Mário Cesariny no modo como Lisboa é retratada em Belarmino: «E o Mário Cesariny foi vital para Belarmino; o filme deve-lhe muito na maneira como olha Lisboa. E nunca teria filmado a cidade como filmei se não tivesse lido o Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos. Coisas como a história dos Pombos sobre Lisboa ou do Rato do Parque Eduardo VII [ A um rato morto encontrado num parque ], marcaram muito o filme», Fernando Lopes, entrevista cit., Seria também muito interessante verificar como a transição para o Estado Novo se reflectiu numa maior organização das cerimónias públicas filmadas: as multidões transbordantes da I República transformam-se em multidões orquestradas e arregimentadas que contribuem para a militarização da Ler História, 48, 2005,

12 Belarmino e Os Verdes Anos fazem o cinema português regressar a Lisboa e às suas ruas e a uma cidade agora não apenas moderna mas inevitavelmente modernista: como nos novos bairros residenciais da zona oriental da cidade ou nos projectos de regime como a Cidade Universitária. No entanto, e ao contrário dos raros assomos da cidade moderna/modernista nos filmes portugueses das décadas anteriores, a modernidade social e arquitectónico-urbanística da cidade é encenada (por realizadores como Paulo Rocha e Fernando Lopes) como palco de um conflito social que se exprime cinematograficamente pela segregação ostensiva dos protagonistas dos espaços e das vivências da cidade burguesa. No princípio do fim da sua longa invisibilidade cinematográfica, Lisboa era uma cidade-metáfora da claustrofobia socio-política da sociedade portuguesa no início dos anos sessenta onde, tal como nas aldeias do cinema mudo e nos pátios das comédias à portuguesa, e como escrevia então Ruy Belo a propósito de todo o país, não acontece nada. cidade na não-ficção salazarista. A importância desta questão foi-me apontada pela minha colega Joana Pimentel. Ler História, 48, 2005,

LUÍS REIS TORGAL. SUB Hamburg A/522454 ESTADO NOVO. Ensaios de História Política e Cultural [ 2. IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

LUÍS REIS TORGAL. SUB Hamburg A/522454 ESTADO NOVO. Ensaios de História Política e Cultural [ 2. IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA LUÍS REIS TORGAL SUB Hamburg A/522454 ESTADOS NOVOS ESTADO NOVO Ensaios de História Política e Cultural [ 2. a E D I Ç Ã O R E V I S T A ] I u IMPRENSA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA 2 0 0 9 ' C O I M B R

Leia mais

Concurso Literário. O amor

Concurso Literário. O amor Concurso Literário O Amor foi o tema do Concurso Literário da Escola Nova do segundo semestre. Durante o período do Concurso, o tema foi discutido em sala e trabalhado principalmente nas aulas de Língua

Leia mais

DEZ lugares para reviver Os Maias em Lisboa Clique aqui para ver a notícia no site

DEZ lugares para reviver Os Maias em Lisboa Clique aqui para ver a notícia no site Editora Zahar Veículo: Sites Data: 27/06/2014 Tópico: Institucional Página: 00:00:00 Editoria: Saraiva Conteúdo 1 / 1 DEZ lugares para reviver Os Maias em Lisboa Clique aqui para ver a notícia no site

Leia mais

CINE TEXTOS A OUTRA MARGEM

CINE TEXTOS A OUTRA MARGEM 1 CINE TEXTOS ```````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````````` Informação reunida e trabalhada para apoio à exibição

Leia mais

Desenvolvimento. e Mudança Social Portugal nos últimos dois séculos. Homenagem a Míriam Halpem Pereira

Desenvolvimento. e Mudança Social Portugal nos últimos dois séculos. Homenagem a Míriam Halpem Pereira Desenvolvimento e Mudança Social Portugal nos últimos dois séculos Homenagem a Míriam Halpem Pereira José Vicente Serrão Magda de Avelar Pinheiro Maria de Fátima Sá e Melo Ferreira (organizadores) Imprensa

Leia mais

1. A TRADIÇÃO REALISTA

1. A TRADIÇÃO REALISTA 1. A TRADIÇÃO REALISTA Se você alguma vez passou os olhos por um livro chamado Raízes do Brasil (1936)*, talvez tenha lido uma passagem famosa, que refere uma característica portuguesa que Sérgio Buarque

Leia mais

JÓ Lição 05. 1. Objetivos: Jô dependeu de Deus com fé; as dificuldades dele o deu força e o ajudou a ficar mais perto de Deus.

JÓ Lição 05. 1. Objetivos: Jô dependeu de Deus com fé; as dificuldades dele o deu força e o ajudou a ficar mais perto de Deus. JÓ Lição 05 1 1. Objetivos: Jô dependeu de Deus com fé; as dificuldades dele o deu força e o ajudou a ficar mais perto de Deus. 2. Lição Bíblica: Jô 1 a 42 (Base bíblica para a história e o professor)

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 37 Discurso na cerimónia de retomada

Leia mais

O legado de AGOSTINHO DA SILVA 15 anos após a sua morte i

O legado de AGOSTINHO DA SILVA 15 anos após a sua morte i O legado de AGOSTINHO DA SILVA 15 anos após a sua morte i LUÍS CARLOS SANTOS luis.santos@ese.ips.pt Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal 1- Agostinho da Silva, um adepto da Educação

Leia mais

É verdade que só começo um livro quando descubro uma pluma branca. Isso é um ritual que me impus apesar se só escrever uma vez cada dois anos.

É verdade que só começo um livro quando descubro uma pluma branca. Isso é um ritual que me impus apesar se só escrever uma vez cada dois anos. 1) Como está sendo a expectativa do escritor no lançamento do livro Ser como um rio que flui? Ele foi lançado em 2006 mas ainda não tinha sido publicado na língua portuguesa, a espera do livro pelos fãs

Leia mais

Os romancistas da Abolição: discurso abolicionista e representação do escravo nas obras de Bernardo Guimarães e Joaquim Manuel de Macedo

Os romancistas da Abolição: discurso abolicionista e representação do escravo nas obras de Bernardo Guimarães e Joaquim Manuel de Macedo Os romancistas da Abolição: discurso abolicionista e representação do escravo nas obras de Bernardo Guimarães e Joaquim Manuel de Macedo Mestrando Marcos Francisco ALVES Orientadora Dra. Maria Amélia Garcia

Leia mais

REALISMO NATURALISMO EM PORTUGAL

REALISMO NATURALISMO EM PORTUGAL AULA 13 LITERATURA PROFª Edna Prado REALISMO NATURALISMO EM PORTUGAL Na aula de hoje falaremos sobre o Realismo português. Mas para começarmos é importante que você saiba o que é realismo. Veja: REAL+ISMO

Leia mais

O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR

O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR O CHÃO DA PALAVRA: CINEMA E LITERATURA NO BRASIL: A CULTURA CINEMATOGRÁFICA E LITERÁRIA BRASILEIRAS SOB O OLHAR DE JOSÉ CARLOS AVELLAR Matheus Oliveira Knychala Biasi* Universidade Federal de Uberlândia

Leia mais

A indústria da editoria pode exercer-se,

A indústria da editoria pode exercer-se, Fernando Pessoa A indústria da editoria pode exercer-se, A indústria da editoria pode exercer-se, e efectivamente se exerce, de duas maneiras: ou isoladamente, ou em conjunção com o comércio de livraria.

Leia mais

R I T A FERRO RODRIGUES

R I T A FERRO RODRIGUES E N T R E V I S T A A R I T A FERRO RODRIGUES O talento e a vontade de surpreender em cada projecto deixou-me confiante no meu sexto sentido, que viu nela uma das pivôs mais simpáticas da SIC NOTÍCIAS.

Leia mais

CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA DIRECÇÃO MUNICIPAL DE CULTURA GRUPO DE TRABALHO PARA AS COMEMORAÇÕES MUNICIPAIS DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA PLANO DE ACTIVIDADES (2010) Lisboa, Dezembro de 2009 1 Comemorações

Leia mais

ORIENTAÇÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS DO JORNAL REPORTAGEM RESENHA CRÍTICA TEXTO DE OPINIÃO CARTA DE LEITOR EDITORIAL

ORIENTAÇÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS DO JORNAL REPORTAGEM RESENHA CRÍTICA TEXTO DE OPINIÃO CARTA DE LEITOR EDITORIAL ORIENTAÇÕES PARA PRODUÇÃO DE TEXTOS DO JORNAL REPORTAGEM RESENHA CRÍTICA TEXTO DE OPINIÃO CARTA DE LEITOR EDITORIAL ORIENTAÇÕES PARA OS GRUPOS QUE ESTÃO PRODUZINDO UMA: REPORTAGEM Tipos de Textos Características

Leia mais

Carnaval 2014. A Sociedade Rosas de Ouro orgulhosamente apresenta o enredo: Inesquecível

Carnaval 2014. A Sociedade Rosas de Ouro orgulhosamente apresenta o enredo: Inesquecível Carnaval 2014 A Sociedade Rosas de Ouro orgulhosamente apresenta o enredo: Inesquecível Nesta noite vamos fazer uma viagem! Vamos voltar a um tempo que nos fez e ainda nos faz feliz, porque afinal como

Leia mais

Senhor Ministro da Defesa Nacional, Professor Azeredo Lopes, Senhora Vice-Presidente da Assembleia da República, Dra.

Senhor Ministro da Defesa Nacional, Professor Azeredo Lopes, Senhora Vice-Presidente da Assembleia da República, Dra. Senhor Representante de Sua Excelência o Presidente da República, General Rocha Viera, Senhor Ministro da Defesa Nacional, Professor Azeredo Lopes, Senhora Vice-Presidente da Assembleia da República, Dra.

Leia mais

ROMANTISMO EM PORTUGAL E NO BRASIL

ROMANTISMO EM PORTUGAL E NO BRASIL AULA 10 LITERATURA PROFª Edna Prado ROMANTISMO EM PORTUGAL E NO BRASIL I - CONTEXTO HISTÓRICO Na aula passada nós estudamos as principais características do Romantismo e vimos que a liberdade era a mola

Leia mais

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar MELHORES MOMENTOS Expressão de Louvor Acordar bem cedo e ver o dia a nascer e o mato, molhado, anunciando o cuidado. Sob o brilho intenso como espelho a reluzir. Desvendando o mais profundo abismo, minha

Leia mais

FOLHA INFORMATIVA Nº15-2013

FOLHA INFORMATIVA Nº15-2013 Editor: Instituto Politécnico de Santarém Coordenação: Gabinete coordenador do projecto Ano 6; N.º 240; Periodicidade média semanal; ISSN:2182-5297; [N.66] FOLHA INFORMATIVA Nº15-2013 A Varina não era

Leia mais

OS MEMBROS DA MINHA FAMÍLIA

OS MEMBROS DA MINHA FAMÍLIA NOME OS MEMBROS DA MINHA FAMÍLIA ESTABELEÇO RELAÇÕES DE PARENTESCO : avós, pais, irmãos, tios, sobrinhos Quem pertence à nossa família? Observa as seguintes imagens. Como podes observar, nas imagens estão

Leia mais

Dificilmente se encontraria também melhor temática para nos debruçarmos sobre o futuro jurídico da União, neste período de perplexidades várias.

Dificilmente se encontraria também melhor temática para nos debruçarmos sobre o futuro jurídico da União, neste período de perplexidades várias. É com enorme satisfação que iniciamos hoje, no salão nobre do Supremo Tribunal de Justiça (S.T.J.) de Portugal, este debate sobre o futuro da justiça europeia. Dificilmente se encontraria local mais adequado:

Leia mais

9.ª EDIÇÃO 24 Fevereiro a 02 Março ORGANIZAÇÃO SINDICATO DOS JOGADORES PROFISSIONAIS DE FUTEBOL PRODUÇÃO RM PREMIUM EVENTS

9.ª EDIÇÃO 24 Fevereiro a 02 Março ORGANIZAÇÃO SINDICATO DOS JOGADORES PROFISSIONAIS DE FUTEBOL PRODUÇÃO RM PREMIUM EVENTS 9.ª EDIÇÃO 24 Fevereiro a 02 Março ORGANIZAÇÃO SINDICATO DOS JOGADORES PROFISSIONAIS DE FUTEBOL PRODUÇÃO RM PREMIUM EVENTS conceito O futebol, fonte de paixão e emoção, continua a potenciar extremismos

Leia mais

Do Jornalismo aos Media

Do Jornalismo aos Media Do Jornalismo aos Media Estudos sobre a realidade portuguesa Rogério Santos Universidade Católica Editora Índice Introdução 7 Parte I Elementos para a história dos media em Portugal Jornalismo português

Leia mais

Prova Escrita de História A

Prova Escrita de História A Exame Nacional do Ensino Secundário Decreto-Lei n.º 74/2004, de 26 de Março Prova Escrita de História A 12.º Ano de Escolaridade Prova 623/Época Especial 8 Páginas Duração da Prova: 120 minutos. Tolerância:

Leia mais

UNIVERSIDADE DE VARSÓVIA

UNIVERSIDADE DE VARSÓVIA UNIVERSIDADE DE VARSÓVIA INSTITUTO DE ESTUDOS IBÉRICOS E IBERO-AMERICANOS DEPARTAMENTO DE ESTUDOS LUSO-BRASILEIROS Ano lectivo: 2008/2009-2º semestre Profa. Dra. Anna Kalewska Dr. José Carlos Dias LITERATURA

Leia mais

500 anos: O Brasil Colônia na TV

500 anos: O Brasil Colônia na TV 500 anos: O Brasil Colônia na TV Episódio 5: A Conquista da terra e da gente Resumo O episódio 5, A Conquista da terra e da gente, parte da série 500 anos: O Brasil Colônia na TV, apresenta o processo

Leia mais

Como utilizar este caderno

Como utilizar este caderno INTRODUÇÃO O objetivo deste livreto é de ajudar os grupos da Pastoral de Jovens do Meio Popular da cidade e do campo a definir a sua identidade. A consciência de classe, ou seja, a consciência de "quem

Leia mais

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES Introdução ao tema A importância da mitologia grega para a civilização ocidental é tão grande que, mesmo depois de séculos, ela continua presente no nosso imaginário. Muitas

Leia mais

Gostava de redacções, como gostava! Dos seis filhos da família Santos apenas ele e a Nazaré (que andava no 9. ano) gostavam de escrever; de resto

Gostava de redacções, como gostava! Dos seis filhos da família Santos apenas ele e a Nazaré (que andava no 9. ano) gostavam de escrever; de resto 1 Gostava de redacções, como gostava! Dos seis filhos da família Santos apenas ele e a Nazaré (que andava no 9. ano) gostavam de escrever; de resto eram também os únicos que passavam horas a ler, nos tempos

Leia mais

Arcoverde: Páginas que Ninguém Leu 1. Aline de Souza Silva SIQUEIRA 2 Adriana Xavier Dória MATOS 3 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE

Arcoverde: Páginas que Ninguém Leu 1. Aline de Souza Silva SIQUEIRA 2 Adriana Xavier Dória MATOS 3 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE Arcoverde: Páginas que Ninguém Leu 1 Aline de Souza Silva SIQUEIRA 2 Adriana avier Dória MATOS 3 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE RESUMO Este trabalho se propõe uma jornada Arcoverde adentro

Leia mais

PORTUGAL PROGRAMA I Co-financiamento Co-financiamento www.rdtours.com

PORTUGAL PROGRAMA I Co-financiamento Co-financiamento www.rdtours.com Co-financiamento DIA 1 - LISBOA Chegada ao Aeroporto de Lisboa e translado para o hotel. Tempo livre para os primeiros contatos com esta maravilhosa Capital Europeia, conhecida pela sua luminosidade única

Leia mais

NOS@EUROPE. O Desafio da Recuperação Económica e Financeira. Prova de Texto. 2+2 Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas

NOS@EUROPE. O Desafio da Recuperação Económica e Financeira. Prova de Texto. 2+2 Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas NOS@EUROPE O Desafio da Recuperação Económica e Financeira Prova de Texto 2+2 Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas Anita Santos Diogo Gautier Helena Santos Eurico Alves Dezembro de 2011 1 A Crise Atual:

Leia mais

Duas faces, uma só Pessoa

Duas faces, uma só Pessoa P á g i n a 3 Duas faces, uma só Pessoa ANA LUÍSA RIBEIRO DOS SANTOS Ana Santos P á g i n a 4 FICHA TÉCNICA EDIÇÃO: Ana Santos TITULO: Duas faces, uma só pessoa AUTORA: Ana Santos IMAGEM DA CAPA: Capa:

Leia mais

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

Leia mais

A DÉCADA CINEMATOGRÁFICA DE 1970 EM PORTUGAL Jorge Luiz Cruz 1

A DÉCADA CINEMATOGRÁFICA DE 1970 EM PORTUGAL Jorge Luiz Cruz 1 A DÉCADA CINEMATOGRÁFICA DE 1970 EM PORTUGAL Jorge Luiz Cruz 1 Resumo: Reflexão sobre a década cinematográfica portuguesa de 1970, principalmente através da consolidação do modo de produção, que vinha

Leia mais

Cidade, itinerários intangíveis

Cidade, itinerários intangíveis Cidade, itinerários intangíveis Apoio: Maria Luísa Abreu da Costa Designer Doutoranda em design - Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa [a cidade de Lisboa] [cidades e globalização]

Leia mais

1. COMPLETE OS QUADROS COM OS VERBOS IRREGULARES NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E DEPOIS COMPLETE AS FRASES:

1. COMPLETE OS QUADROS COM OS VERBOS IRREGULARES NO PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO E DEPOIS COMPLETE AS FRASES: Atividades gerais: Verbos irregulares no - ver na página 33 as conjugações dos verbos e completar os quadros com os verbos - fazer o exercício 1 Entrega via e-mail: quarta-feira 8 de julho Verbos irregulares

Leia mais

Chantilly, 17 de outubro de 2020.

Chantilly, 17 de outubro de 2020. Chantilly, 17 de outubro de 2020. Capítulo 1. Há algo de errado acontecendo nos arredores dessa pequena cidade francesa. Avilly foi completamente afetada. É estranho descrever a situação, pois não encontro

Leia mais

Mais informações e marcações Elisa Aragão servicoeducativo@zeroemcomportamento.org 213 160 057 www.zeroemcomportamento.org

Mais informações e marcações Elisa Aragão servicoeducativo@zeroemcomportamento.org 213 160 057 www.zeroemcomportamento.org Apresentamos de seguida várias sessões temáticas compostas por curtas-metragens de animação, às quais chamamos de Filminhos Infantis. Estas propostas são complementadas com uma oficina com uma duração

Leia mais

www.jyotimaflak.com Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak

www.jyotimaflak.com Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak www.jyotimaflak.com Glücks- Akademie mit JyotiMa Flak Academia da felizidade com JyotiMa Flak Entrevista com Ezequiel Quem é você? Meu nome é Ezequiel, sou natural do Rio de Janeiro, tenho 38 anos, fui

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação

Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Presidência da República Casa Civil Secretaria de Administração Diretoria de Gestão de Pessoas Coordenação Geral de Documentação e Informação Coordenação de Biblioteca 56 Discurso na cerimónia de inauguração

Leia mais

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 10 de Junho de 2010

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 10 de Junho de 2010 INTERVENÇÃO DO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE OEIRAS Dr. Isaltino Afonso Morais Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas 10 de Junho de 2010 LOCAL: Figueirinha, Oeiras REALIZADO

Leia mais

1. Frei Luís de Sousa Almeida Garrett

1. Frei Luís de Sousa Almeida Garrett 1. Frei Luís de Sousa Almeida Garrett De entre as alternativas a seguir apresentadas, escolhe a que te parecer mais correcta, assinalando com um círculo. 1.1. O autor da obra Frei Luís de Sousa é A. Camões.

Leia mais

LITERATURA PORTUGUESA II AULA 04: A PROSA REALISTA TÓPICO 02: A PROSA DE EÇA DE QUEIRÓS Fonte [1] Eça de Queirós em 1882. José Maria de Eça de Queirós (Póvoa de Varzim, 1845 Neuilly-sur- Seine, 1900) estudou

Leia mais

DRAMATURGIA ATORAL: ENTREVISTA AO DRAMATURGO ESPANHOL JOSÉ SANCHIS SINISTERRA

DRAMATURGIA ATORAL: ENTREVISTA AO DRAMATURGO ESPANHOL JOSÉ SANCHIS SINISTERRA 1 DRAMATURGIA ATORAL: ENTREVISTA AO DRAMATURGO ESPANHOL JOSÉ SANCHIS SINISTERRA Mariana Muniz 1 Sanchis Sinisterra é um ícone da dramaturgia espanhola contemporânea. Sua peça de maior repercusão foi Ay

Leia mais

JORGE BORGES DE MACEDO (1921-1996) Por Álvaro Costa de Matos 1. 1. Bibliografia activa essencial

JORGE BORGES DE MACEDO (1921-1996) Por Álvaro Costa de Matos 1. 1. Bibliografia activa essencial JORGE BORGES DE MACEDO (1921-1996) Por Álvaro Costa de Matos 1 1. Bibliografia activa essencial É vastíssima a obra de Jorge Borges de Macedo. Ao todo engloba aproximadamente 400 títulos, ou talvez mais

Leia mais

coleção Conversas #10 - junho 2014 - Respostas que podem estar sendo feitas para algumas perguntas Garoto de Programa por um.

coleção Conversas #10 - junho 2014 - Respostas que podem estar sendo feitas para algumas perguntas Garoto de Programa por um. coleção Conversas #10 - junho 2014 - Eu sou Estou garoto num de programa. caminho errado? Respostas para algumas perguntas que podem estar sendo feitas Garoto de Programa por um. A Coleção CONVERSAS da

Leia mais

REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA - SALÃO NOBRE

REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA - SALÃO NOBRE REITORIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA - SALÃO NOBRE 23, 24 E 25 DE ABRIL. 18h30 Entrada livre PROGRAMA 23 ABRIL 18h 30 - Quem é Ricardo de José Barahona 19h 15 48 de Susana Sousa Dias 24 ABRIL 18h 30 - Antes

Leia mais

Trabalhando a convivência a partir da transversalidade

Trabalhando a convivência a partir da transversalidade PROGRAMA ÉTICA E CIDADANIA construindo valores na escola e na sociedade Trabalhando a convivência a partir da transversalidade Cristina Satiê de Oliveira Pátaro 1 Ricardo Fernandes Pátaro 2 Já há alguns

Leia mais

Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório Exmos. Srs. Conselheiros Exmos. Srs. Professores Exmos. Srs. Funcionários Caros amigos e amigas

Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório Exmos. Srs. Conselheiros Exmos. Srs. Professores Exmos. Srs. Funcionários Caros amigos e amigas Exma. Sra. Presidente do Conselho Geral Transitório Exmos. Srs. Conselheiros Exmos. Srs. Professores Exmos. Srs. Funcionários Caros amigos e amigas Em primeiro lugar gostaria de expressar o meu agradecimento

Leia mais

Fotografia e Escola. Marcelo Valle 1

Fotografia e Escola. Marcelo Valle 1 Fotografia e Escola Marcelo Valle 1 Desde 1839, ano do registro da invenção da fotografia na França, quase tudo vem sendo fotografado, não há atualmente quase nenhuma atividade humana que não passe, direta

Leia mais

Vós sois deuses, pois brilhe a vossa a luz! Jesus

Vós sois deuses, pois brilhe a vossa a luz! Jesus CURSO DE DESENVOLVIMENTO HUMANO E ESPIRITUAL DESCUBRA A ASSINATURA DE SUAS FORÇAS ESPIRITUAIS Test Viacharacter AVE CRISTO BIRIGUI-SP Jul 2015 Vós sois deuses, pois brilhe a vossa a luz! Jesus I SABER

Leia mais

Fantasmas da noite. Uma peça de Hayaldo Copque

Fantasmas da noite. Uma peça de Hayaldo Copque Fantasmas da noite Uma peça de Hayaldo Copque Peça encenada dentro de um automóvel na Praça Roosevelt, em São Paulo-SP, nos dias 11 e 12 de novembro de 2011, no projeto AutoPeças, das Satyrianas. Direção:

Leia mais

Meu pai disse-me, à porta do Ateneu, que eu ia encontrar ( que eu encontraria ) o mundo e que (eu) tivesse coragem para a luta.

Meu pai disse-me, à porta do Ateneu, que eu ia encontrar ( que eu encontraria ) o mundo e que (eu) tivesse coragem para a luta. Tipos de Discurso (exercícios para fixação de conteúdo, bem como material de consulta e estudo). 1. Transforme a fala abaixo em um discurso indireto. Para tal, imagine que há, na cena, um narrador que

Leia mais

6 Estimular a Criatividade

6 Estimular a Criatividade OZARFAXINARS N.2 DEZEMBRO 2005 121 6 Estimular a Criatividade Como aspecto menos valorizado pela Escola, a criatividade pode estimular novas formas de o jovem se relacionar com o mundo, desenvolvendo atitudes

Leia mais

RELENDO A HISTÓRIA AO LER HISTÓRIAS

RELENDO A HISTÓRIA AO LER HISTÓRIAS RELENDO A HISTÓRIA AO LER HISTÓRIAS BRASÍLIA ECHARDT VIEIRA (CENTRO DE ATIVIDADES COMUNITÁRIAS DE SÃO JOÃO DE MERITI - CAC). Resumo Na Baixada Fluminense, uma professora que não está atuando no magistério,

Leia mais

A SÁTIRA NA POESIA PORTUGUESA

A SÁTIRA NA POESIA PORTUGUESA SUB Hamburg B/110843 A SÁTIRA NA POESIA PORTUGUESA e a Poesia Satírica de Nicolau Tolentino, Guerra Junqueiro e Alexandre O'Neill CARLOS NOGUEIRA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN FUNDAÇÃO PARA A CIÊNCIA E

Leia mais

NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA

NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA NÃO SE ENCONTRA O QUE SE PROCURA Do Autor: ficção Não te deixarei morrer, David Crockett (Contos e Crónicas), 2001 Equador (Romance), 2003 Premio Grinzane Cavour Narrativa Straniera (Itália) Rio das Flores

Leia mais

Para a grande maioria das. fazer o que desejo fazer, ou o que eu tenho vontade, sem sentir nenhum tipo de peso ou condenação por aquilo.

Para a grande maioria das. fazer o que desejo fazer, ou o que eu tenho vontade, sem sentir nenhum tipo de peso ou condenação por aquilo. Sonhos Pessoas Para a grande maioria das pessoas, LIBERDADE é poder fazer o que desejo fazer, ou o que eu tenho vontade, sem sentir nenhum tipo de peso ou condenação por aquilo. Trecho da música: Ilegal,

Leia mais

Externato Arco-Íris. As salas de aula vestidas de flores. 1.º Ano. 2.º Ano. 3.º Ano. 4.º Ano

Externato Arco-Íris. As salas de aula vestidas de flores. 1.º Ano. 2.º Ano. 3.º Ano. 4.º Ano Externato Arco-Íris a/verão015 r e v a m i r p s n age m i e junho de 2 e io d a m o l, ã ri ç b a e l Co As salas de aula vestidas de flores 1.º Ano 2.º Ano 3.º Ano 4.º Ano Inspiração: obra O Livro da

Leia mais

QUESTÃO 04 QUESTÃO 05

QUESTÃO 04 QUESTÃO 05 QUESTÃO 01 Arte abstrata é uma arte: a) que tem a intenção de representar figuras geométricas. b) que não pretende representar figuras ou objetos como realmente são. c) sequencial, como, por exemplo, a

Leia mais

O líder convida um membro para ler em voz alta o objetivo da sessão:

O líder convida um membro para ler em voz alta o objetivo da sessão: SESSÃO 3 'Eis a tua mãe' Ambiente Em uma mesa pequena, coloque uma Bíblia, abriu para a passagem do Evangelho leia nesta sessão. Também coloca na mesa uma pequena estátua ou uma imagem de Maria e uma vela

Leia mais

Colégio SOTER - Caderno de Atividades - 6º Ano - Língua Portuguesa - 2º Bimestre

Colégio SOTER - Caderno de Atividades - 6º Ano - Língua Portuguesa - 2º Bimestre O CASO DA CALÇADA DO JASMIM UM CRIME? Terça-feira, seis de Maio. São catorze horas. A D. Odete não é vista no seu bairro desde hoje de manhã. As janelas da sua casa estão abertas, mas o correio de hoje

Leia mais

SINOPSE CURTA SINOPSE

SINOPSE CURTA SINOPSE SINOPSE CURTA No início dos anos 1940, os irmãos Orlando, Cláudio e Leonardo Villas-Boas desistem do conforto da vida na cidade e alistam-se na expedição Roncador Xingu para descobrir e explorar as terras

Leia mais

Da rua ao centro comercial

Da rua ao centro comercial Herculano Cachinho cachinho@fl.ul.pt O espaço o públicop Da rua ao centro comercial Mobilidade e Espaço Público, Odivelas, 11 de Maio 2006 Quatro questões Espaço público: conceito moribundo ou em expansão?

Leia mais

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa.

A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Encontro com a Palavra Agosto/2011 Mês de setembro, mês da Bíblia 1 encontro Nosso Deus se revela Leitura Bíblica: Gn. 12, 1-4 A Bíblia seja colocada em lugar de destaque, ao lado de uma vela acesa. Boas

Leia mais

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Resultados da 2ª Fase do Concurso Nacional de Acesso de 2011

Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Resultados da 2ª Fase do Concurso Nacional de Acesso de 2011 14320023 ALEXANDRE VAZ MARQUES VASCONCELOS Colocado em 1105 Universidade do Porto - Faculdade de Engenharia 9897 Ciências de Engenharia - Engenharia de Minas e Geoambiente 13840715 ANA CLÁUDIA DIAS MARTINS

Leia mais

A CRIANÇA NA PUBLICIDADE

A CRIANÇA NA PUBLICIDADE A CRIANÇA NA PUBLICIDADE Entrevista com Fábio Basso Montanari Ele estuda na ECA/USP e deu uma entrevista para e seu grupo de colegas para a disciplina Psicologia da Comunicação, sobre sua história de vida

Leia mais

Olhar de Novo. Espetáculo de Teatro Fórum sobre bullying. Dirigido ao ensino secundário. 35.ª produção Baal17 Companhia de teatro

Olhar de Novo. Espetáculo de Teatro Fórum sobre bullying. Dirigido ao ensino secundário. 35.ª produção Baal17 Companhia de teatro Olhar de Novo Espetáculo de Teatro Fórum sobre bullying Dirigido ao ensino secundário 35.ª produção Baal17 Companhia de teatro Olhar de Novo - Sinopse e ficha técnica Na vida, como no Facebook, os gostos

Leia mais

Viagem a Dornes e Sertã

Viagem a Dornes e Sertã Viagem a Dornes e Sertã (19 e 20 de Março de 2011) Por: RuckFules 1 No fim de semana, aproveitando os belos dias de Sol com que a chegada da Primavera nos presenteou, decidi dar uma volta pelo interior,

Leia mais

[Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo]

[Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo] [Visionamento das fotos] [Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo] E- Então o que é que achaste das fotos? E7- Boas. Tá fixe. E- Faz-te lembrar coisas boas ou más? E7-

Leia mais

Pequena História do meu Estágio de Português orientado pelo Senhor Dr. Virgílio Couto na Escola Comercial de Veiga Beirão

Pequena História do meu Estágio de Português orientado pelo Senhor Dr. Virgílio Couto na Escola Comercial de Veiga Beirão Pequena História do meu Estágio de Português orientado pelo Senhor Dr. Virgílio Couto na Escola Comercial de Veiga Beirão Ano Primeiro (1948-1949) Janeiro, 11 Para começar, falou connosco durante uma hora

Leia mais

ENTREVISTA CONCEDIDA AO ESCRITOR FLÁVIO IZHAKI Realizada em 21.VII.08 A PROPÓSITO DE RETRATO DESNATURAL (diários 2004 a 2007) Evando Nascimento

ENTREVISTA CONCEDIDA AO ESCRITOR FLÁVIO IZHAKI Realizada em 21.VII.08 A PROPÓSITO DE RETRATO DESNATURAL (diários 2004 a 2007) Evando Nascimento ENTREVISTA CONCEDIDA AO ESCRITOR FLÁVIO IZHAKI Realizada em 21.VII.08 A PROPÓSITO DE RETRATO DESNATURAL (diários 2004 a 2007) Evando Nascimento Renomado professor universitário, autor de títulos de não

Leia mais

O DIREITO ÀS MEMÓRIAS NEGRAS E A OUTRAS HISTÓRIAS : AS COLEÇÕES DO JORNAL O EXEMPLO. Maria Angélica Zubaran

O DIREITO ÀS MEMÓRIAS NEGRAS E A OUTRAS HISTÓRIAS : AS COLEÇÕES DO JORNAL O EXEMPLO. Maria Angélica Zubaran O DIREITO ÀS MEMÓRIAS NEGRAS E A OUTRAS HISTÓRIAS : AS COLEÇÕES DO JORNAL O EXEMPLO Maria Angélica Zubaran Sabemos que, no âmbito das ciências humanas, a memória está relacionada aos processos da lembrança

Leia mais

É a pior forma de despotismo: Eu não te faço mal, mas, se quisesse, fazia

É a pior forma de despotismo: Eu não te faço mal, mas, se quisesse, fazia Entrevista a Carlos Amaral Dias É a pior forma de despotismo: Eu não te faço mal, mas, se quisesse, fazia Andreia Sanches 04/05/2014 O politicamente correcto implica pensar que a praxe é uma coisa horrível.

Leia mais

Gravidez na adolescência: narrativas da paternidade

Gravidez na adolescência: narrativas da paternidade Gravidez na adolescência: narrativas da paternidade ANTÓNIO MANUEL MARQUES IV CONGRESSO INTERNACIONAL DE SAÚDE, CULTURA E SOCIEDADE Portalegre, Julho 2008 Tópicos Gravidez na adolescência e paternidade

Leia mais

Genialidade, Fernando Pessoa

Genialidade, Fernando Pessoa Um homem de génio é produzido por um conjunto complexo de circunstâncias, começando pelas hereditárias, passando pelas do ambiente e acabando em episódios mínimos de sorte. Genialidade, Fernando Pessoa

Leia mais

Direitos Humanos - Ensino Fundamental e Ensino Médio

Direitos Humanos - Ensino Fundamental e Ensino Médio Direitos Humanos - Ensino Fundamental e Ensino Médio Um projeto para discutir Direitos Humanos necessariamente tem que desafiar à criatividade, a reflexão, a crítica, pesquisando, discutindo e analisando

Leia mais

Ociosidade Física no Prédio Legislativo X A falta de espaços para Cultura e Lazer que Compromete o futuro dos nossos jovens.

Ociosidade Física no Prédio Legislativo X A falta de espaços para Cultura e Lazer que Compromete o futuro dos nossos jovens. Ociosidade Física no Prédio Legislativo X A falta de espaços para Cultura e Lazer que Compromete o futuro dos nossos jovens....pois desse lado do muro o jogo é tão duro, meu Pai, que só ter piedade de

Leia mais

Catequese nº 13 (4º Catecismo) Jesus presente no irmão. Jorge Esteves

Catequese nº 13 (4º Catecismo) Jesus presente no irmão. Jorge Esteves Catequese nº 13 (4º Catecismo) Jesus presente no irmão Jorge Esteves Objectivos 1. Reconhecer que Jesus se identifica com os irmãos, sobretudo com os mais necessitados (interpretação e embora menos no

Leia mais

Clube de Teatro Escola EB - 2,3 de Perafita

Clube de Teatro Escola EB - 2,3 de Perafita 1 Clube de Teatro Escola EB - 2,3 de Perafita Ana Moreira, Coordenadora O Clube de Teatro da Escola E.B. 2,3 de Perafita apresentou-se em cena nos dias 21 e 24 de Maio, com o seu mais recente trabalho

Leia mais

JANELA SOBRE O SONHO

JANELA SOBRE O SONHO JANELA SOBRE O SONHO um roteiro de Rodrigo Robleño Copyright by Rodrigo Robleño Todos os direitos reservados E-mail: rodrigo@robleno.eu PERSONAGENS (Por ordem de aparição) Alice (já idosa). Alice menina(com

Leia mais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO Código Entrevista: 2 Data: 18/10/2010 Hora: 16h00 Duração: 23:43 Local: Casa de Santa Isabel DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS Idade

Leia mais

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO BÁSICA

SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO BÁSICA SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO BÁSICA MOVIMENTO PARANÁ SEM CORRUPÇÃO Primeiro voto: o papel do jovem eleitor em relação ao combate à corrupção ROTEIRO

Leia mais

Mosteiro dos Jerónimos

Mosteiro dos Jerónimos Mosteiro dos Jerónimos Guia de visita dos 6 aos 12 anos Serviço Educativo do Mosteiro dos Jerónimos/ Torre de Belém Bem-vindo ao Mosteiro dos Jerónimos A tua visita de estudo começa logo no Exterior do

Leia mais

Oficina de Roteiro - Onda Cidadã

Oficina de Roteiro - Onda Cidadã Oficina de Roteiro - Onda Cidadã ---Pesquisa Todo vídeo necessita de pesquisa para ser produzido. Isto ajuda a organizar as ideias e facilita a produção. Faça a sua própria pesquisa (...) você deve fazer

Leia mais

Ciclo Obra Aberta * Visitas guiadas a obras da autoria do arquitecto José Marques da Silva

Ciclo Obra Aberta * Visitas guiadas a obras da autoria do arquitecto José Marques da Silva Ciclo Obra Aberta * Visitas guiadas a obras da autoria do arquitecto José Marques da Silva 17 de Outubro Sábado 10h30 - Estação de S. Bento (1896-1916), por Nuno Tasso de Sousa - Teatro Nacional S. João

Leia mais

PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS

PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS PROFESSOR: EQUIPE DE PORTUGUÊS BANCO DE QUESTÕES - PORTUGUÊS - 8º ANO - ENSINO FUNDAMENTAL ============================================================================================== BRINCADEIRA Começou

Leia mais

Ivo Poças Martins, Fevereiro 2007. Texto da proposta seleccionada do concurso Intervenções na Cidade Trienal de Arquitectura de Lisboa

Ivo Poças Martins, Fevereiro 2007. Texto da proposta seleccionada do concurso Intervenções na Cidade Trienal de Arquitectura de Lisboa Ivo Poças Martins, Fevereiro 2007 Texto da proposta seleccionada do concurso Intervenções na Cidade Trienal de Arquitectura de Lisboa Praça de Espanha www.pocasmartins-seabra.com ( 1 ) ( 2 ) Com a União

Leia mais

A ILUSTRAÇÃO NO LIVRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL: UM PROJETO EM ANDAMENTO

A ILUSTRAÇÃO NO LIVRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL: UM PROJETO EM ANDAMENTO A ILUSTRAÇÃO NO LIVRO DE LITERATURA INFANTO-JUVENIL: UM PROJETO EM ANDAMENTO Maria da Graça Cassano 1 1 Dos fatores determinantes para a pesquisa O trabalho com a literatura infanto-juvenil desenvolvido

Leia mais

UMA POÉTICA DOS ESPELHOS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS CONTOS O ESPELHO, DE MACHADO DE ASSIS E GUIMARÃES ROSA

UMA POÉTICA DOS ESPELHOS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS CONTOS O ESPELHO, DE MACHADO DE ASSIS E GUIMARÃES ROSA UMA POÉTICA DOS ESPELHOS: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE OS CONTOS O ESPELHO, DE MACHADO DE ASSIS E GUIMARÃES ROSA Glenda Duarte 1 glenda_idilios@hotmail.com O principal objetivo deste ensaio é a realização

Leia mais

Ano 14 N.º 22 Sector de Educação Junho de 2010. Jornal da Pediatria. Centro Hospitalar Barreiro Montijo, E.P.E.

Ano 14 N.º 22 Sector de Educação Junho de 2010. Jornal da Pediatria. Centro Hospitalar Barreiro Montijo, E.P.E. Ano 14 N.º 22 Sector de Educação Junho de 2010 Jornal da Pediatria Centro Hospitalar Barreiro Montijo, E.P.E. Serviço de Pediatria do Hospital Nossa Senhora do Rosário Olá amiguinhos. 2010 tem sido um

Leia mais

Você sabia que... Alguns fatos sobre o meu país

Você sabia que... Alguns fatos sobre o meu país Brasil Você sabia que... A pobreza e a desigualdade causam a fome e a malnutrição. Os alimentos e outros bens e serviços básicos que afetam a segurança dos alimentos, a saúde e a nutrição água potável,

Leia mais

DUAS RUAS. Maria Ferreira, 12º D3

DUAS RUAS. Maria Ferreira, 12º D3 DUAS RUAS Maria Ferreira, 12º D3 Trabalho elaborado para a disciplina de Projecto e Tecnologias Vídeo, leccionada pelo prof. Roberto Esteves RESUMO: Apresentação descritiva de todo o processo de pré-produção,

Leia mais

Sinopse I. Idosos Institucionalizados

Sinopse I. Idosos Institucionalizados II 1 Indicadores Entrevistados Sinopse I. Idosos Institucionalizados Privação Até agora temos vivido, a partir de agora não sei Inclui médico, enfermeiro, e tudo o que for preciso de higiene somos nós

Leia mais

Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar.

Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Lc 18.1-8 Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Ele disse: "Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava

Leia mais

O ALICERCE DA ESPERANÇA

O ALICERCE DA ESPERANÇA O ALICERCE DA ESPERANÇA ADRIANO MOREIRA Presidente da Academia das Ciências de Lisboa Presidente do Conselho Geral da Universidade Técnica de Lisboa Não é numa data de alegria descuidada, nem sequer da

Leia mais