A nova Formação à Distância

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1 III Série - nº8 - Director: Maria do Carmo Cafede Sub-directores: José Falcão Tavares, Antónia Lavinha Editor: Miguel Múrias Mauritti Redacção: Vitor Frias, Nuno Bessone, Paulo Pereira Coutinho Propriedade e Administração: INFORSALUS Apartado Tomar Codex Redacção: Estrada de Benfica, 719-1º Esq Lisboa Publicação mensal de informação geral e médica Registo ICS: ; Depósito Legal: 84639/94 - ISSN X Preço: 200$00-1 (IVA incluído) Crónica Mário Moura Isto é um escândalo! Pág. 38 Opinião António Branco A Regra é a excepção Pág. 15 Posição JP Santos Gonçalves Carta aberta à Ministra da Saúde Actualidade Tema em destaque Pág. 18 Enfermeiros trocam hospitais por Centros de Saúde Pág. 22 Proposta para uma nova definição de Medicina Geral e Familiar Pág. 23 5º Congresso MF Alfredo Pequito denuncia: O Presidente da República, três Ministros da Administração Interna, duas da Saúde, Secretários de Estado da Saúde e Deputados, o Procurador Geral da República, dois Directores da Polícia Judiciária, coadjuvados por Inspectores, Graduados, Cabos e simples Agentes, o SIS, Bastonários da Ordem dos Médicos e dos Farmacêuticos, os Presidentes do INFARMED, da ANF e o da Apifarma, grande número de Directores Gerais de companhias Farmacêuticas e de Delegados de Informação Médica, milhares de médicos, enfermeiros, maqueiros e outro pessoal auxiliar, entre muitas outras pessoas, nacionais e estrangeiras, estão envolvidos no caso Pequito. Em maior ou menor grau, todos intervieram ou intervêm activamente no processo do ex-delegado de Informação Médica da Bayer Portugal Pág. 8 Políticos exigem medidas de segurança idênticas às dispensadas a Bill Clinton PEQUITOGATE Pág. 39 Centro de Saúde de S. João Pág. 3 Tubo de Ensaio em risco de fechar: já há salários em atraso

2 Editorial Número 8 2 No recente Congresso da Associação Mundial de Médicos de Família, em Viena, fui mais uma vez questionado por vários colegas, Alemães e Italianos, que procuravam saber o segredo da enorme representação Portuguesa, a contrastar com a reduzida participação de outros Países. A pergunta não era, obviamente, nem inocente nem desinteressada, pois como confessaram, nos seus Países, ao contrário das outras especialidades, os Médicos de Família não se podem deslocar a acções de formação ao estrangeiro financiados pela Industria Farmacêutica. O que queriam saber é como é que nós conseguimos. Lá vou explicando como posso a conjuntura favorável e o facto de em Portugal termos uma situação ímpar a nível europeu, pois temos o reconhecimento do Ministério da Saúde da importância da formação contínua, com a concessão de dispensa gratuita de serviço de 15 dias anuais para esse efeito, e termos a Industria Farmacêutica disposta a financiar essa formação. Temos, pois, algo muito importante que é tempo e dinheiro. Falta-nos a organização. A nova Formação à Distância Luís Pisco Presidente da APMCG Esta aposta levar-nos-á a que um dia destes uma qualquer Comissão Organizadora nacional ou internacional se recuse a compactuar com a situação e não emita os Certificados de Presença. A médio prazo, é de recear que um dia possamos vir a estar na mesma situação dos nossos colegas Italianos e Alemães. Não viajar a expensas da Indústria O Desenvolvimento Profissional Contínuo deve ser gerido e não pode ser deixado ao acaso ou a iniciativas individuais. Não estou a falar de desenvolver novas maneiras de aprender, mas sim da criação de um processo de gestão que suporte o Desenvolvimento Profissional Contínuo e que o torne evidente e relevante, não só para todos os profissionais de saúde, mas também para o Centro de Saúde como um todo. A Educação Contínua tem que ter reflexos no Centro de Saúde, influenciando a Qualidade dos Cuidados prestados aos doentes, assim como a própria organização da prestação desses cuidados. Devem ser avaliadas as necessidades formativas individuais e organizacionais de molde a poder preparar planos de formação individuais e institucionais, que devem ser geridos localmente. Estamos, pois, a desperdiçar uma oportunidade e uma conjuntura favoráveis para implantar no nosso País um sistema de desenvolvimento profissional contínuo credível, prestigiante e útil para todos os profissionais dos cuidados de saúde primários, com reflexos positivos nos cuidados prestados aos cidadãos. Tempo e dinheiro parecem não faltar. O caminho parece, contudo, não ser esse e receio que se continue a apostar numa nova forma de Educação à distância que se efectua o mais distante possível do País e o mais distante possível do local das sessões, tão em voga no nosso meio médico e não só na Medicina Geral e Familiar. Esta aposta levar-nos-á a que um dia destes uma qualquer Comissão Organizadora nacional ou internacional se recuse a compactuar com a situação e não emita os Certificados de Presença. A médio prazo, é de recear que um dia possamos vir a estar na mesma situação dos nossos colegas Italianos e Alemães. Não viajar a expensas da Indústria. Crónica Humanização II Acalmem- se os mais atentos porque não me aconteceu nada e não visitei nenhum recanto perdido do nosso 'SNS' Apenas voltei ao tema devido à coincidência de três razões. A primeira, porque ao recordar a frase (que celebrizou o meu professor de físico-química do 9º ano de escolaridade), "o calor não dilata os corpos", antes os diminui em densidade e concentração, apercebi-me que também a humanização se afastou dos locais onde era mais necessária. O calor, o número reduzido de profissionais por sector, a ansiedade perante as férias (por gozar ou já gozadas, tanto faz), a maior quantidade de trabalho, tudo contribui para o esquecimento de algumas regras básicas, de educação, ou como é politicamente correcto dizer, de cidadania. Os mais desprotegidos (os doentes, os socialmente excluídos, os idosos, etc.) são os que mais sofrem. Talvez não seja difícil, a nível local, tomar consciência do problema e passar a implementar algumas medidas práticas. E para slogan de campanha, Verão rima com humanização A segunda razão chama-se "HUMANA" e é uma publicação periódica da Sociedade Espanhola de Medicina Familiar e Comunitária dedicada, como se pode deduzir, às questões da humanização. Já não me lembro de como a conheci, mas foi uma boa surpresa e passo a partilhar alguns temas do Vol. 3, n.º 4 de Outubro de 1999: divisão familiar das tarefas domésticas; a minha mulher tem Alzheimer; as necessidades formativas podem ter origem nas emoções?; ética de bem morrer. Interessantes? O seu desenvolvimento não desapontou e, de um modo científico, são apresentados trabalhos que abordam a humanização das actividades diárias, sejam elas praticadas por médicos ou não. São quatro números por ano, a não perder. Por último, a questão da humanização durante a formação. O último n.º da publicação "Medical Education" (Agosto 2000), apresenta três artigos sobre o desenvolvimento de qualidades humanísticas nos estudantes de medicina. Ao considerar a medicina como 'a ciência mais humana e a mais científica das humanidades', os textos abordam as questões da comunicação com os pacientes e as qualidades humanistas da maioria dos tutores. Mas o artigo que cativou a minha atenção revela um estudo exploratório sobre os hábitos de leitura (não médica) dos estudantes de medicina, as suas atitudes perante a literatura e a introdução de humanidades no currículo formativo. Algumas das conclusões são interessantes: todos os estudantes liam mais antes de entrarem para a faculdade, e a falta de tempo não é o único factor, a perda de um ambiente facilitador, a família, foi referido como importante; um dos efeitos da leitura era permitir um melhor conhecimento da vida, para lá da Directora Maria do Carmo Cafede do próprio estudante ; por outro lado estimulava a inspiração e a introspecção; os livros podiam evocar respostas emocionais, como o medo, humor e contentamento; o livro mais citado foi 'A Bíblia' e o segundo 'Os Cisnes Selvagens'; George Orwell e Jane Austen são dois dos autores referidos como importantes para os próprios e como sugestões para outros estudantes. Este estudo fez-me pensar se não estaremos presentes perante um caso de 'ovo ou galinha', ou seja, o que surge primeiro, a paixão pela leitura e logo o gosto pelas humanidades e uma capacidade diferente de olhar o mundo, ou a humanidade é uma qualidade intrínseca e a leitura é uma consequência? Se assim fosse não valeria a pena o investimento em novas formas de ensino e aprendizagem, porque tudo se aprende, treina e melhora. E fico cheia de inveja se as escolas médicas introduzirem nos currículos aulas de literatura!

3 Investigação Número 8 3 Médicos com salários em atraso Tubo de Ensaio corre risco de encerrar O Centro de Saúde de S. João, no Porto, carinhosamente baptizado de Tubo de Ensaio pelos subscritores do projecto inovador que ali se desenvolve, corre o risco de encerrar. Tudo porque o Departamento de Clínica Geral (DCG) da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) já esgotou os recursos próprios que até aqui têm permitido cobrir o déficit que se regista ao nível das receitas, cujo acumulado ascende já a cerca de trinta mil contos. A situação é de tal modo crítica que os médicos ali destacados gozaram férias sem terem posto olho no respectivo subsídio e no final do mês, tudo o indica, não haverá dinheiro para pagar, por inteiro, os salários a clínicos, enfermeiros e administrativos. Cumprindo o que já constitui imagem de marca do seu mandato, Manuela Arcanjo, a Ministra, logo que informada, despachou sinais de que este problema era mesmo para resolver. Só não disse quando, nem por quem. Conclusão: a promessa feita aos clínicos do Porto - como a maioria das que tem feito - ainda está por cumprir

4 Número 8 4 Investigação Em Setembro de 1998, a ARS Norte e a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto assinaram um acordo de cooperação - que Maria de Belém homologaria no mês seguinte - através do qual as duas instituições estabeleceram os termos em que se iria desenvolver o projecto "Tubo de Ensaio", cujo objectivo genérico era o da criação de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) ligada funcionalmente ao Departamento de Clínica Geral da Faculdade de Medicina, englobada na rede de centros de saúde do SNS. Uma USF que, no compromisso assumido pela FMP se deveria constituir como centro de excelência e modelo de boa prática. De modo a garantir a realização do objectivo proposto, ficou assente que o Tubo de Ensaio teria de adoptar, como referência obrigatória, a Declaração de Alma-Ata, de que define a área dos cuidados de saúde primários como alicerce fundamental de qualquer sistema de saúde. Ora, como os princípios e valores devem traduzir-se em realizações efectivas, a equipa coordenadora do projecto comprometeu-se, entre muitos outros objectivos, a promover a inovação, a criatividade e a experimentação no quotidiano das estruturas prestadoras de cuidados de saúde primários e dos profissionais que aí exercem actividade; a possibilitar o "ensaio" de novos modelos e novas práticas; a possibilitar a criação de um modelo tão eficaz que pudesse servir de referência e tão real que fosse comparável; a constituir um espaço de formação pré e pós-graduada, destinado aos profissionais dos CSP, que permitisse o desenvolvimento, não só dos conhecimentos e capacidades, como também das atitudes que devem possuir estes profissionais. Um negócio da China... Nos termos do protocolo, a ARS Norte disponibilizou as instalações necessárias à implementação do projecto, adaptadas e equipa- de salários. Porém, ao atingir os 1500 utentes por médico - um número que corresponde à carga de trabalho existente no SNS - o déficit estabiliza-se em cerca de contos mensais a que é necessário acrescentar os 13º e 14º meses. O déficit acumulado nos primeiros 6 meses de actividade ultrapassa já os 17 mil contos, a que se junta o investimento inicial feito pelo Departamento, no montante de um pouco mais de 5 mil contos. O esforço financeiro do Departamento atinge já contos e não será possível estendê-lo mais. A Universidade do Porto e a Faculdade de Medidas de acordo com as necessidades descritas pelo grupo coordenador, ficando a administração, organização e funcionamento a cargo do Departamento de Clínica Geral da FMUP. A autonomia financeira do "Tubo de Ensaio" foi também fixada no acordo homologado por Maria de Belém: "pelo serviço prestado pagará a ARS à FMP a retribuição prevista (...) no n.º 2 do Despacho de S. Exa. A Ministra da Saúde n.º 3181/97", ou seja, 400 escudos por utente inscrito (380 escudos pelos serviços médicos e 20 pelos de enfermagem). Com esta verba, o Departamento de Clínica Geral asseguraria o pagamento de água, luz, telefone e... dos salários devidos a médicos, enfermeiros e pessoal administrativo e auxiliar. O negócio não poderia ser melhor para o Ministério. Isto porque o custo médio por utente nos demais centros de saúde da Região Norte ultrapassa os mil e trezentos escudos. Por outras palavras: o Ministério da Saúde passaria a pagar, por um pacote de serviços que incluía, entre outros, um atendimento mais eficaz dos utentes, consultoria científica e de gestão e formação médica especializada, menos de um terço do que paga pelo mais comum dos serviços que os centros de saúde prestam aos utentes do SNS. Maria de Belém não hesitou e a 7 de Julho de 1999 a nova unidade abriu as portas. No final desse mesmo ano, já tinha inscritos os 15 mil utentes previstos no acordo. Contar com o ovo... Diz o povo que quando a esmola é grande o Santo desconfia. No caso em apreço, não duvidou. E os problemas financeiros não tardaram a surgir. Contas feitas, a verba transferida pela ARS Norte não cobria as despesas com salários. Enquanto aguardavam resposta a uma exposição entregue na ARS e no Gabinete da Ministra, Por outras palavras: o Ministério da Saúde passaria a pagar, por um pacote de serviços que incluía, entre outros, um atendimento mais eficaz dos utentes, consultoria científica e de gestão e formação médica especializada, menos de um terço do que paga pelo mais comum dos serviços que os centros de saúde prestam aos utentes do SNS alertando para o problema, os responsáveis do projecto decidiram avançar com verbas provenientes do orçamento do DCG. Ao todo, a Universidade do Porto adiantou cerca de trinta mil contos, sem os quais não teria sido possível pagar, por inteiro, o salário a médicos, enfermeiros e administrativos. Na exposição enviada à tutela, a 20 de Fevereiro deste ano os responsáveis do Tubo fazem o relato dos altos e baixos financeiros vividos na instituição: "os déficites mensais vieram a diminuir à medida que as inscrições iam aumentando, com excepção do mês de Dezembro, devido ao 13º mês

5 Número 8 5 Investigação A manterem-se as actuais circunstâncias, é de prever o encerramento deste Projecto antes de completado um ano do seu funcionamento". Sete meses após ter recebido a carta, Manuela Arcanjo ainda não encontrou tempo - ou vontade - para lhe dar uma qualquer resposta cina não têm recursos passíveis de afectação a este efeito, ainda menos num ano em que o Governo obriga estas instituições a uma refracção das despesas orçamentadas. A manterem-se as actuais circunstâncias, é de prever o encerramento deste Projecto antes de completado um ano do seu funcionamento". Sete meses após ter recebido a carta, Manuela Arcanjo ainda não encontrou tempo - ou vontade - para lhe dar uma qualquer resposta. Contas mal feitas Para os críticos do projecto - que sempre suspeitaram da insuficiência do financiamento - o Ministério da Saúde não deveria ter fechado negócio: "a Ministra sabia que a importância paga por utente não era suficiente para fazer face às despesas previstas, pelo que deveria ter "chumbado" o acordo", explicou ao nosso jornal um responsável do Ministério. Por outro lado, acusa a mesma fonte, "o Professor Sousa Pinto (Presidente da Comissão Directiva do Centro de Saúde de S. João - Tubo de Ensaio e Director do DCG da A Ministra sabia que a importância paga não era suficiente para fazer face às despesas, pelo que deveria ter "chumbado" o acordo". Por outro lado "o Prof. Sousa Pinto também sabia que a verba era insuficiente. Assinou o acordo porque contava que a Ministra actualizaria o Despacho que fixa a retribuição a pagar por utente até ao final de Só que não contou com a hipótese de uma mudança ministerial e com a possibilidade da nova responsável não se mostrar interessada em resolver a situação. Agora, tem a criança nos braços e não sabe o que lhe há-de fazer" FMUP) também sabia que a verba era insuficiente. Assinou o acordo porque contava que a Ministra actualizaria o Despacho que fixa a retribuição a pagar por utente até ao final de Só que não contou com a hipótese de uma mudança ministerial - como veio a acontecer - e com a possibilidade da nova responsável não se mostrar interessada em resolver a situação. Agora, tem a criança nos braços e não sabe o que lhe há-de fazer". Contactado pelo Médico de Família, Sousa Pinto reconheceu ter assinado o acordo porque recebera da anterior inquilina da João Crisóstomo a promessa de uma actualização rápida do valor atribuído por utente. "Aliás - explicou-nos - essa promessa também tinha sido feita aos dois ou três centros de saúde que estão a funcionar em regime de convenção". Telefonei-lhe todos os dias Confrontado com as alterações na equipa ministerial, Alexandre Sousa Pinto decidiu informar o Gabinete de Manuela Arcanjo da precária situação financeira do "Tubo": "em Janeiro deste ano, o Departamento de Clínica Geral e a Comissão Directiva expuseram a situação à ARS e ao Ministério da Saúde, advertindo que não seria possível pagar o mês de férias, o que levaria ao seu encerramento em Julho. Nessa exposição, sugeriam-se diferentes soluções, chamando a atenção para as consequências que resultariam de cada uma delas para o normal funcionamento do Centro de Saúde". Paralelamente, Sousa Pinto tentou, em vão, encontrar-se com Manuela Arcanjo: "logo que a Ministra tomou posse, tentei marcar uma audiência. Telefonei todos os dias para o Gabinete, sem sucesso. Disseram-me que ligariam marcando a data. Não ligaram e a certa altura desisti de tentar!" Quanto é preciso? Para evitar o eminente fim do "Tubo de Ensaio", Sousa Pinto aponta a necessidade de se "alterar o quantitativo do Despacho para, pelo menos, 580 escudos pelos cuidados médicos mais 55 pelos de enfermagem, com efeitos retroactivos a partir de 1 de Janeiro deste ano". Segundo este responsável, a alteração proposta "obrigaria a um aumento da despesa da ARS de apenas contos por mês, valor muito aquém do que teria de pagar se o centro de saúde funcionasse nos moldes em que funcionam todos os outros centros da Região". Já no que respeita ao montante a pagar em retroactivos, "o valor apurado é de 24 mil e seiscentos contos, quantia muito aquém dos cerca de 30 mil de déficit que o Departamento de Clínica Geral acumulou com despesas de administração do centro, pagas com receitas próprias provenientes dos mestrados que realiza, verbas essas que terão de ser repostas", explicou ao nosso jornal aquele responsável. Prognósticos Descrito o caso, uma das questões que de imediato se coloca é a de saber o que acontecerá se a situação não for resolvida. Recorde-se que o Centro de Saúde de S. João assiste uma população de cerca de 15 mil utentes, inseridos nas listas de 10 médicos. De acordo com responsáveis contactados pelo Médico de Família, é pouco provável, se não mesmo impossível, o encerramento da unidade, por todas as razões políticas, assistenciais e económicas. No memorandum enviado a Manuela Arcanjo, Sousa Pinto adianta algumas hipóteses de solução, que a seguir se transcrevem: Hipótese A Aguardar a actualização "A solução ideal é, obviamente, a de continuar a esperar a actualização anunciada do quantitativo do Despacho 3181 / 97, visto que um dos objectivos do Projecto Tubo de Ensaio é o de permitir analisar em pormenor o que se passa no regime da convenção e não há nenhum interesse em criar para este Projecto um ambiente de excepção. Porém, aguarda-se já há anos essa actualização e não parece que o actual ambiente de polémica em tormo deste assunto apresse a decisão. Se essa actualização não for despachada antes do fim do mês de Março, será necessário, antes dessa data, atribuir ao Projecto um subsídio extraordinário que lhe permita continuar à espera mais outro ano.

6 Número 8 6 Investigação Esse subsídio terá de ser suficiente para cobrir o déficit acumulado, isto é, cerca de 22 mil contos. Hipótese B Subsídios extraordinários "Mais barato e, certamente, tentador, seria atribuir subsídios extraordinários de cerca de contos mensais, para cobrir o déficit futuro. Tal solução criará um ambiente de incerteza e ansiedade no pessoal e será seguramente uma forma de destruir o ambiente de trabalho e a motivação do pessoal que é indispensável para conseguir ganhos de eficiência e produtividade. Seria, seguramente, a forma de conseguir instalar no Centro de Saúde de S. João o ambiente prevalecente noutros centros de saúde e baixar a sua produtividade para os mesmos níveis, o que aumentaria os custos e, a curto prazo, o déficit. Não nos parece uma solução aceitável, e apenas a poderíamos aceitar por poucos meses, e apenas para que ficassem demonstradas, para quem não quiser ver, as suas nefastas consequências aqui previstas". Hipótese C Reduzir as despesas "Menos realista e menos conveniente nos parece a tentativa de reduzir as despesas. (...) As contas "mostram uma estrutura de despesas que não permite reduções significativas sem alterações importantes da quantidade e qualidade dos serviços, isto é, sem reduzir os serviços, e a sua disponibilidade. Das despesas, 90,96% são com pessoal e, destas, 90,9% são os vencimentos dos médicos e do pessoal administrativo, insusceptíveis de redução, visto serem tabelados e constituírem direitos adquiridos. Uma redução das despesas correntes mesmo que fosse possível para metade, não atingiria mais de 400 contos mensais. A supressão dos serviços de enfermagem e dos serviços domiciliários atingiria 600 contos mensais, mas seria muito ressentida pelos utentes e reflectir-se-ia muito negativamente na qualidade dos serviços prestados. Seria, na verdade, uma outra forma de destruir este Projecto". Hipótese Alargar as listas de utentes "Igualmente irrealista e condenada ao fracasso seria a tentativa de esperar que o aumento das inscrições venha a cobrir o déficit. Seria necessário esperar mais inscrições o que ao actual ritmo de crescimento de cerca de 500 mensais demorará 9 a 10 meses, acumulando-se, nesse espaço de tempo, mais 15 mil contos de prejuízo que o Departamento de Clínica Geral não está em condições de suportar. E, para isso, seria necessário impor aos médicos listas de utentes sem qualquer compensação ou esperança dela, o que seria uma outra forma de destruir o ambiente de trabalho e de efectivamente destruir este Projecto. Recorda-se que os médicos têm o direito de regressar ao seu lugar de origem e não temos dúvidas de que o farão se as condições de remuneração se tomarem inferiores às que tinham nesses seus lugares. A opinião dos analistas Na opinião de analistas contactados pelo Médico de Família, caso a situação não seja resolvida rapidamente e o Departamento de Clínica Geral da FMUP decida denunciar o acordo, a ARS Norte assumirá o controlo do Centro, evitando as consequências negativas que um encerramento certamente traria. Se assim acontecer, o Tubo não será mais de Ensaio passando a funcionar de acordo Uma redução das despesas correntes mesmo que fosse possível para metade, não atingiria mais de 400 contos mensais. A supressão dos serviços de enfermagem e dos serviços domiciliários atingiria 600 contos mensais, mas seria muito ressentida pelos utentes e reflectir-se-ia muito negativamente na qualidade dos serviços prestados. Seria, na verdade, uma outra forma de destruir este Projecto" com o modelo adoptado para os restantes centros da Região. Os médicos seriam pagos pela ARS e o restante pessoal - com vínculo ao DCG - contratado ou dispensado de acordo com as necessidades detectadas. A ARS passaria a gastar, por utente, 1340 escudos, ascendendo a despesa mensal a cerca de vinte mil contos. Uma outra hipótese adiantada foi a do Ministério propor aos clínicos envolvidos a adesão ao Regime Remuneratório Experimental. Nesta hipótese, os médicos seriam pagos pela ARS, podendo o "Estamos a trabalhar para a saúde dos portugueses; sacrificamos muitas horas que deveriam ser de descanso, tentando encontrar modelos que permitam melhorar as condições de atendimento dos utentes. Não ganhamos mais um centavo por isso, pelo contrário. Um ano depois, com ordenados em atraso e o risco de chegar ao fim do mês e não receber nada, é natural que nos questionemos sobre se valeu mesmo a pena... DCG decidir pela manutenção do acordo (alterado) ou pelo abandono do projecto. Certo, certo, é o péssimo ambiente que se vive no Tubo, com médicos, enfermeiros e administrativos a deitarem contas à vida, confrontados com a iminente suspensão do pagamento dos salários... Que no caso dos médicos já estão em atraso. Certa, também, é a desilusão que nos confessaram: "estamos a trabalhar para a saúde dos portugueses; sacrificamos muitas horas que deveriam ser de descanso, tentando encontrar modelos que permitam melhorar a prática, as condições de atendimento dos utentes e trabalho dos profissionais; cumprimos todos os compromissos a que nos obrigámos quando assinámos o acordo. Não ganhamos mais um centavo por isso, pelo contrário. Um ano depois, com ordenados em atraso e o risco de chegar ao fim do mês e não receber nada, é natural que nos questionemos sobre se valeu mesmo a pena... Se vale a pena fazer alguma coisa quando o prémio por se fazer é o que recebemos". Miguel Múrias Mauritti

7 Número 8 8 Primeira página Pequitogate a história de um atentado A rapidez com que o leitor veio saber pormenores do título da primeira página, dá-me a certeza de que a história é importante e merece ser contada. É verdade! O Presidente da República, três Ministros da Administração Interna (o anterior ao ex, o ex e o actual) duas da Saúde (a ex e a reconduzida), um número indeterminado de Secretários de Estado da Saúde e de Deputados à Assembleia da República, o Procurador Geral da República, os dois Directores que a Polícia Judiciária teve desde 1997, coadjuvados por Inspectores, Graduados, Cabos e simples Agentes, o SIS (o número de colaboradores envolvido é secreto), alguns Bastonários da Ordem dos Advogados, da dos Médicos e o da Ordem dos Farmacêuticos, os Presidentes do INFARMED, da ANF e o da Apifarma, um número ainda não apurado de Directores Gerais de companhias Farmacêuticas e de Delegados de Informação Médica, alguns milhares de médicos (a fazer fé nas duas listas de alegados subornos, mais de cinco mil), enfermeiros, maqueiros e outro pessoal auxiliar, cidadãos anónimos de diferentes idades, sexos, filiações partidárias, graus académicos, credos e preferências sexuais, entre muitas outras pessoas, nacionais e estrangeiras, estão envolvidas no caso Pequito. Em maior ou menor grau, todas intervieram ou intervêm activamente, quase todas contra o ex-delegado de Informação Médica, que processou e foi processado pela Bayer Portugal

8 Número 8 9 Primeira página Alegadamente, algumas delas levaram o desagra do pela denúncia de ligações perigosas entre médicos e indústria farmacêutica a extremos de coacção: perseguiram-no de carro - e a Garcia Pereira, o abnegado causídico que o aceitou defender; ameaçaram-no na via pública e na da PT. No limite, houve mesmo quem alegadamente o tivesse agredido, por duas vezes, com uma arma branca, causandolhe ferimentos na cara, na parede torácica, no braço e flanco direitos com extensões até 15 centímetros e uma profundidade máxima de três milímetros, garantem os médicos que o assistiram e a polícia que o acompanhou. Depois de ter resistido três anos à tentação de abordar em letra de imprensa o muito mediático Bayergate, decidi quebrar o jejum e levar ao prelo, preto no branco, toda a História do Delegado cujo relato, iniciado pelo Diário de Notícias e pela SIC, em 4 de Setembro de 1997, não mais deixou de marcar presença nas primeiras páginas dos jornais e na abertura dos noticiários das TV`s. Mas contá-la toda, sem omitir os pormenores com que o principal actor, Alfredo Pequito, a enriquece quando a conta aos jornalistas e que estes invariavelmente omitem. A versão integral de uma entrevista a Pequito é no mínimo bombástica e todos os meus queridos camaradas de profissão que tiveram a felicidade de o contactar o sabem. Só que, divulgados por grosso, os horrores que se denunciam, pela sua dimensão obscena, ou lançariam no descrédito toda estrutura social ou levariam as almas menos crentes à tentação de não acreditar: a julgarem o texto fruto da mente alucinada de um redactor. O respeito que me merecem os leitores e a fé que deposito na sua capacidade crítica, obrigam-me a nada sonegar. Neste primeiro fascículo que entendi apodar de Pequitogate, divulgo alguns dados recolhidos de fontes que conheceram de perto o nosso herói e uma entrevista telefónica que este amavelmente concedeu ao nosso jornal e que foi gravada em simultâneo, garantiunos, pelos serviços da Procuradoria Geral da República, Polícia Judiciária, SIS e muito possivelmente por muitas outras pessoas ao serviço de outras tantas sinistras instituições. O percurso de um DIM Antes de ingressar na Bayer, em 1992, Alfredo Pequito passou por outros laboratórios. Entre 1986 e 1989 foi DIM da Schering-Plough, de onde se trasladou para a já extinta Farmofer, para a área hospitalar. A selecção de Alfredo para a casa da Aspirina esteve a cargo de Teixeira da Cruz, à altura director de marketing e vendas, hoje trabalhador independente, que acompanharia todo o seu percurso na companhia. Com Pequito, entraram nessa leva cerca de 40 novos DIM, no que constituiu a maior contratação que a Bayer efectuara até então. Contactado pelo Médico de Família, um antigo chefe de Alfredo Pequito explicou os critérios que conduziram à contratação: "era muita gente ao mesmo tempo e a selecção foi feita com menos segurança do que era habitual. O Pequito foi beneficiado pelo facto de ser filho de uma médica do Hospital de Santa Maria, professora catedrática e parente próximo dois outros clínicos". Deram-lhe carro e depois de uma estadia em Lisboa, enviaram-no para Évora a visitar médicos. Com o tempo, viria a constatar-se que Alfredo era senhor de um feitio especial: "era uma pessoa muito conflituosa, dada a provocar barulho. Quando se lhe metia uma ideia na cabeça ai de quem o contestasse". Os infractores, garante o ex-chefe, eram brindados com intenções de "porrada", que sempre procuravam evitar. Alegadamente, ele mesmo terá sido vítima de um desses avanços emotivos que quase sempre se antecediam com característicos "o que é queres, hamm!? O que é que foi, hamm!?" acompanhados de movimentos coordenados dos membros superiores e agressões a gravatas e colarinhos. "Não respeitava os chefes"... desabafou ao nosso jornal este ex-responsável. Ao feitio belicoso, juntava-se uma fraca produtividade: "chegava a passar um mês sem enviar para a sede os relatórios semanais de visita. E depois, havia relatórios de visitas falsas... Houve mesmo um médico de Elvas, da lista do Pequito, que me veio pedir informações, dizendo que não era visitado por ele". Os chefes directos de Pequito queixaram-se a Teixeira da Cruz, pedindo uma intervenção que este sempre recusou. E porquê? O exchefe e um ex-colega explicam: "é preciso perceber como é que naquele tempo as coisas funcionavam na Bayer. Era o Dr. Teixeira da Cruz quem seleccionava os delegados e por isso era-lhe difícil reconhecer que se tinha enganado a respeito de um. Era corrente ouvir o Dr. Teixeira da cruz dizer que os delegado eram bestiais "porque fui eu que os escolhi". Era assim...! Nunca quis dar o braço a torcer. Quando nos queixávamos, a sua resposta era sempre a mesma: vocês é que o acompanham por isso ensinem-no, expliquemlhe como é que as coisas são...ponham o gajo na ordem... E não saía disto. Houve mesmo o caso de um delegado, que toda a "(Jorge Sampaio) sabe que corro risco de vida. Deve estar à espera de receber em audiência a viúva" Alfredo Pequito, 24 Horas, 29/02/00 Maria de Belém telefonava para conversar comigo (...) era uma pessoa muito afável. Sabia de tudo mas tinhas as mãos atadas Alfredo Pequito, Médico de Família Pequito acusa Manuela Arcanjo de nada fazer, António Guterres de não o receber e Cunha Rodrigues de omissão. Alfredo Pequito, 24 Horas, 29/02/00 Pequito denuncia: Médicos prescrevem a troco de prendas da Bayer. DN, 4/9/97 Pressões e ameaças da Ordem dos Médicos. CM, 22/9/98 Pequito: "farmacêuticos ajudaram a Bayer a corromper médicos". Euronotícias, 5/11/99 Algumas acusações e denúncias de Pequito "Há uma recompensa de 500 mil contos para quem me matar" Alfredo Pequito, 24 Horas, 29/02/00 "(Jorge Sampaio) sabe que corro risco de vida. Deve estar à espera de receber em audiência a viúva" Ibidem DN (4/9/97) 1ª acusação - Médicos prescrevem a troco de prendas da Bayer. Público (18/9/97) - Denúncia: destruição de documentos por parte das multinacionais. Ministério Público não actua. Capital (16/10/97) - Denúncia: as farmácias também colaboram com a indústria, ao fornecerem aos DIM informações sobre venda de medicamentos prescritos pelos médicos. Independente (29/5/98) - Ameaça de morte e carro abalroado. Independente (21/8/98) - Denúncia: Inspecção Geral da Saúde não trabalha bem. Público (22/9/98) - "despedimento da Bayer foi injusto". DN (4/9/98) - "Estou a ser perseguido". Público (4/09/98) - Pequito acusa partidos políticos e deputados de silêncio ensurdecedor sobre o seu caso. CM (22/9/98) - Denuncia: pressões e ameaças da Ordem dos Médicos. Capital (25/11/98) - Denuncia pressões do Governo alemão sobre o Governo português. E diz: "a minha cabeça vale meio milhão de contos"; "as autoridades sabem quanto vale darem-me um tiro". DN (26/11/98) - "Estado tem dívida moral para comigo" 24H (1/2/99) - "Quem manda em Portugal? A Bayer ou o Estado português?" 24H (10/3/99 - Pequito acusa hospitais de Santa Maria, S. José, Santa Marta e Capuchos de realizarem ensaios clínicos com ciproxina, também em crianças. Euronotícias (16/6/99) - "Pequito vai requerer a abolição do segredo de justiça. A partir de então, pode ser que se saibam algumas coisas incómodas para muitos intervenientes no processo, ameaça" Euronotícias (9/7/99) - "Pequito volta ao ataque" - "o ex-delegado

9 Número 8 10 Primeira página Nelson Baltazar, deputado do PS e coordenador da área da Saúde, não adiantou para já qualquer acção dizendo apenas que "iria estudar o dossier" Existem no mercado português "500 medicamentos que não têm eficácia terapêutica ou são perigosos, pelo devem ser descomparticipados" pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), afirmou Alfredo Pequito gente sabia que era problemático, que só foi corrido depois de quinze anos de serviço. Tudo porque tinha sido o primeiro DIM que o Dr. Teixeira da Cruz seleccionou. Costumava dizer, com orgulho: este foi o meu primeiro! O Dr. era um bom homem... Só que não tinha coragem para tomar uma atitude. E depois, a Bayer nunca despedia ninguém...por isso deixámos as coisas andar... Até que aconteceu o que aconteceu". O que é que levou a que o despedissem? O ex-chefe e dois ex-colegas explicaram-nos: "as coisas já tinham ido longe de mais e a de 2 de Fevereiro de 1996 o Dr. Teixeira da Cruz mais o Dr. Pratas, que era o responsável pelos recursos humanos, encostaram-no à parede: você anda a fazer visitas falsas, não cumpre, não manda relatórios... O único protesto que Pequito formulou então foi o de que não era nenhum Zatopeck [campeão mundial dos 5 e 10 mil metros em 1952]. Reconheceu que tinha sido apanhado "numa situação de facto", pediu que lhe fizessem as contas e fez-se à vida. Levou consigo menos de mil e quinhentos contos. Não foi despedido, saiu de livre vontade. Toda a gente lá dentro sabe que esta é que é a verdade". A saída do delegado ocorreria 4 dias mais tarde, a 7 de Fevereiro de Na entrevista que concedeu ao nosso jornal, Alfredo desmentiu que as coisas se tenham passado assim: "chamaram-me ao gabinete do chefe de pessoal e disseramme que eu não servia, porque não entrava nos "esquemas"". Como é que Alfredo sobreviveu no laboratório alemão tanto tempo, sem compactuar com os tais "esquemas"? Como é que se manteve quatro anos sem "fazer o que lhe mandavam"? O ex-delegado explica: "eles visitavam os médicos [da sua lista] nas minhas costas e tratavam dos "esquemas" sem eu saber de nada". Quanto à sua saída "amigável", Alfredo afirma: "não foi nada pacífica". Mas não explica porque razão aceitou os mil e quinhentos contos de indemnização e, também, porque esperou mais de um ano e meio para divulgar os "esquemas" e processar a companhia... Já no que respeita aos documentos que alegadamente comprovam as visitas falsas, Pequito desmente a sua existência. No entanto, Médico de Família sabe que no julgamento que corre no Tribunal do Trabalho foi apresentado pela Bayer, como prova, um programa de visitas, alegadamente falsas, alegadamente escritas pelo punho de Pequito, que a empresa juntou como prova. Recorde-se que o processo que o ex-delegado moveu contra a multinacional alemã foi adiado quando se encontrava já na recta final. Em causa, uma queixa que Alfredo enviou ao Tribunal da Relação, onde se acusam duas das Juízas do colectivo de parcialidade. De acordo com fontes próximas do processo, esta manobra de Garcia Pereira, o advogado, teve como objectivo adiar um caso cujo desfecho, tudo o fazia supor, seria desfavorável a Alfredo. A continuação do processo aguarda, pois, melhor decisão do tribunal superior. Em busca de um novo emprego Depois de sair da multinacional alemã, Alfredo concorreu a vários laboratórios. "Um deles foi a Pfizer" - revelaram ao nosso jornal os ex-colegas - "só que mandou um currículo tão vasto e tão elaborado que os tipos acharam que era de mais e riram-se, dizendo que aquilo era um currículo para Chefe... Repare que quando um delegado sai de uma companhia, toda a gente da indústria sabe se foi a bem ou a mal. Foi o que aconteceu com o Pequito!" E como explicam os ex-colegas a denúncia feita aos jornais algum tempo após o despedimento? "É simples: como viu que não arranjava lugar em sítio nenhum, resolveu chantagear a Bayer. Escreveu umas cartas para a sede, na Alemanha e ameaçou dar aos jornais os papéis que tinha. É claro que na Alemanha não lhe ligaram nenhuma e mandaram as cartas de volta para Portugal". Fizeram mal! A 4 de Setembro de 1997, sete meses após a saída de Alfredo da Bayer, o Diário de Notícias dava à estampa a história dos delegados que subornavam médicos. Queixa à Alemanha Nas cartas que enviou para Alemanha, dirigidas ao Presidente da Bayer "Mundo", Pequito avisa que se não houver uma solução para o caso, ver-se-á obrigado a denunciar a situação à imprensa e a recorrer a "instâncias" nacionais e internacionais. Em declarações ao Médico de Família, o ex-delegado confirma o envio das missivas e a ameaça de recorrer às "instâncias internacionais" recusando, todavia, a acusação de chantagem: "pensava que a Bayer mundial não tinha conhecimento destes "esquemas". Vim a saber, depois, que afinal sabiam de tudo". Numa outra carta, Pequito pediria aos ex-patrões que não boicotassem a sua tentativa de arranjar trabalho. Mas nem só de instâncias e de trabalho se fala nas cartas: "também falei de financiamento de partidos, da Procuradoria Geral da República e de muitas outras coisas...". Pequito afirma possuir cópias das diz ter informação relativa à realização de ensaios ilegais por parte da Bayer em quatro centros de saúde". DN (10/7/99) - Pequito acusa hospitais de Santa Maria, S. José, Santa Marta e Capuchos de realizarem ensaios clínicos com Ciproxina. Há crianças a servirem de cobaias. DN (28/10/99) - Pequito vai processar criminalmente Belil Creixel [Director da Bayer para a Península Ibérica] por difamação. Euronotícias (29/10/99) - Pequito acusa médicos de corrupção. Público (3/11/99) - Pequito acusa o Procurador Geral da República (PGR), Cunha Rodrigues, de negligência. Euronotícias (5/11/99) - Pequito: "farmacêuticos ajudaram a Bayer a corromper médicos". 24H (29/2/00) - Pequito acusa Manuela Arcanjo de nada fazer; Jorge Sampaio de não o receber; António Guterres do mesmo; Cunha Rodrigues e Germano de Sousa de omissão. Tal e Qual (10/3/00) - Pequito denuncia: PGR agiu de forma displicente, ao mesmo tempo que acusa Lobo Antunes de estar a ser utilizado pela Bayer e levanta suspeitas sobre a imparcialidade do Presidente da República, Jorge Sampaio, o ex-ministro da Justiça, Vera Jardim, o da Defesa, Castro Caldas e o da Justiça, António Costa. Em causa, a sociedade de advogados de que estes são sócios. 24H (3/5/00) - Pequito acusa indústria Farmacêutica de estar por detrás do ataque de que foi alvo (golpe na face). Diário Digital (3/5/00) - "Julgamento adiado. O ex-delegado de propaganda médica, que em 1997 denunciou alegados casos de corrupção praticados pela Bayer, terá sido atacado por um desconhecido às 20h30 de quinta-feira no jardim de casa dos seus pais, em Lisboa. Ferido no rosto por um objecto cortante, Pequito foi assistido nas urgências do hospital de São José. "Toma. Agora vai-te limpar", foi o recado do agressor, segundo Pequito. Curiosamente, a agressão teve lugar na véspera de uma audiência de julgamento do segundo processo contra a Bayer, em que Alfredo Pequito é testemunha, o que leva alguns elementos ligados à investigação a admitir a hipótese de autoflagelação". Expresso (3/6/00) - a Direcção Nacional da PSP emitiu um comunicado a esclarecer que

10 Número 8 11 Primeira página Do Hospital de Curry Cabral, em Lisboa, Pequito denuncia: puseram benzodiazepinas no soro para que fossem detectadas cartas enviadas para a Alemanha - que a Bayer entregou à Polícia Judiciária, como prova. Quisemos vê-las. Recusou, explicando: "divulgá-las-ei quando muito bem entender. Tenho os meus timing`s... Percebe? Ainda assim, ofereceu apoio ao nosso jornal: "se quiser, dou-lhe o número de telefone do gabinete do Presidente da Bayer Mundo e você telefona-lhe a perguntar. Tenho os contactos todos" Alguns incidentes de percurso Durante o tempo que esteve na Bayer, Alfredo sofreu alguns sobressaltos, a que na altura os colegas não atribuíram grande importância. Um deles diz respeito à viatura de serviço que lhe tinha sido entregue. No Verão de 1995, ao regressar de casa de um colega, aonde se deslocara para recolher equipamento audiovisual destinado a apresentações médicas, Pequito deu de caras com o seu Opel completamente carbonizado. Possível causa: uma faísca no depósito de combustível. Para os excolegas, que reconheceram não ter atribuído, então, grande importância ao caso, o incidente revestia-se de alguma singularidade. "Era a primeira vez, na história da companhia, que um Opel se incendiava. Toda a frota era Opel e só o carro daquele gajo é que pegou fogo? E depois o carro estava parado e eu nunca ouvi falar de carros que se incendiassem sozinhos, depois de estarem parados horas a fio", questiona o antigo chefe de Alfredo Pequito. Facadas em Évora Os alegados crimes de sangue de que Alfredo Pequito terá sido vítima nos últimos meses não constituem novidade para o ex-delegado da Bayer. De facto, não é de hoje que Alfredo Pequito é agredido por estranhos. Em Setembro de 1995, quando participava, em Évora, na reunião preparatória das II Jornadas de Diabetologia do Sul e Ilhas - hoje Jornadas de Diabetologia do Sul e Regiões Autónomas, Alfredo Pequito deu entrada no Hospital de Elvas, cerca da uma hora da manhã, vítima de agressão por parte de desconhecidos. Afirmou, então, ter sido alvo de uma tentativa de assalto, numa zona er ma, desabitada, para lá do aqueduto da cidade. As agressões: duas "facadas" no baixo ventre, superficiais, pelo que receberia alta nesse mesmo dia. Contactado pelo nosso jornal, Alfredo confirmou ter sido vítima desta agressão. O pós escândalo Depois de ter entregue à comunicação social as listas que alegadamente comprovavam ligações perigosas entre médicos e companhias farmacêuticas, a que juntou dados de outras empresas, Pequito não mais deixou de ser tema de primeira página dos jornais, abrindo com pompa e circunstância os noticiários das TV`s. O seu caso serviu para tudo: denunciar alegadas práticas de corrupção, prescrição em função de prémios, erros políticos da tutela, crime organizado... Aos poucos, quase todos os responsáveis políticos portugueses foram sendo envolvidos na trama, do Presidente ao Deputado do líder ao militante. Os recortes de imprensa não deixam margens para dúvidas: a ser verdade tudo o que Alfredo afirma, estamos perante a maior conspiração de que há memória, em Portugal e além fronteiras. Nestas páginas, recordamos algumas (ver caixa). Comunicado do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado Sobre a selvagem agressão de que foi vítima Alfredo Pequito A respeito da selvagem e cobarde agressão de ontem à noite, cometida sobre Alfredo Pequito, constituinte do camarada Garcia Pereira, o Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses tem a dizer o seguinte: 1.O ignóbil ataque que conduziu Alfredo Pequito ao hospital comprova inequivocamente que a mafia organizada constituída pelas grandes multinacionais da indústria farmacêutica, para além de estar disposta a tudo para cumprir as múltiplas ameaças de morte que há muito vem proferindo contra Alfredo Pequito e Garcia Pereira, bem como as suas respectivas famílias, se encontra também em total desespero de causa face ao processo judicial em curso que, muito claramente, põe a nú os seus processos de actuação tentaculares e criminosos, os quais até aqui têm contado com a complacência total do Estado burguês que temos. 2.Se vivemos, como incansavelmente propagandeiam os seus epígonos, num "Estado de direito democrático", o povo português tem agora que perguntar de novo que "direito democrático" é este que permite que um qualquer energúmeno a soldo daquelas multinacionais actue contra a integridade física daqueles que, corajosamente, ousam pôr a nú os seus métodos corruptos e criminosos... 3.O PCTP, em consonância, responsabiliza os diversos órgãos do aparelho de Estado pelo sucedido, exigindo uma completa mudança de atitude por parte dos mesmos, a qual passe efectivamente a garantir a integridade física de Alfredo Pequito, de Garcia Pereira, das suas respectivas famílias, bem como de todas as testemunhas envolvidas no processo em curso. 4.A não se verificar tal, o PCTP considera inteiramente justa a posição já expressa pelo camarada Garcia Pereira de se recusar a comparecer em tribunal nas actuais condições de intimidação que pesam sobre todos quantos estão firmemente dispostos a apurar a verdade dos factos, lembrando ademais que Garcia Pereira é candidato, publicamente assumido, à Presidência da República. 5.O referido "Estado de direito democrático" não tem, a este respeito, que fazer mais nem menos do que fez com o chefe-de-fila do imperialismo norte-americano, Bill Clinton, ao facultar-lhe uma segurança de centenas e centenas de policiais no decurso da sua visita provocatória a Portugal (devidamente enquadrados, aliás, por centenas de agentes da CIA... ) e que custou milhares e milhares de contos ao erário público. Lisboa, 2 de Junho de Alfredo Pequito tem segurança pessoal a cargo do Corpo de Segurança Pessoal da PSP "que o tem acompanhado, e continuará a acompanhar em permanência, sempre que se encontre fora da sua residência". Avança que na passada quinta-feira, pelas 17h30, esta equipa deixou Pequito na sua residência, tendo o antigo delegado de propaganda médica dispensado os seus serviços, "solicitando-lhes que a mesma fosse retomada na sexta-feira, pelas 8h45. "Pequito afirma ter provas de que a Bayer realizara ensaios clínicos ilegais com crianças em, pelo menos, quatro hospitais públicos" "Garcia Pereira, advogado de Alfredo Pequito, o ex-delegado de informação da Bayer (...) que foi ontem esfaqueado, atribui responsabilidades ao Estado e às autoridades portuguesas pelo acto contra o seu cliente". TSF (2/6/00) - Garcia Pereira mostrou-se revoltado com os acontecimentos e avisou: "Eu exigo explicações da parte dos órgãos responsáveis do Estado e assaco, desde já, formalmente, ao Estado português, ao Governo, ao senhor procurador-geral da República, ao director da Judiciária e ao director nacional da PSP as responsabilidades por este e por quaisquer outros actos que eventualmente se venham a verificar, não só contra o meu constituinte e os seus familiares como contra testemunhas" Público (3/6/00) - Pequito acusa indústria Farmacêutica de tentativa de assassinato. Visão (6/7/00) - Pequito faz queixa de 2 juízas do tribunal do trabalho, acusando-as de parcialidade. Capital (4/9/00) - Pequito apresenta nova lista de médicos, alegadamente aliciados pela Bayer. DN (4/9/00) - Pequito acusa o PGR de actuação negligente. Lusa (12/9/00) - Pequito "foi ferido nas costas, no peito e no braço direito, informou o próprio à Lusa. Pequito foi assitido no local por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e foi posteriormente transportado para o Hospital Curry Cabral, em Lisboa, encontrando-se fora de perigo." Público (13/9/00 - Pequito revela: - Recebeu ameaças telefónicas de morte - Apontaram-lhe uma arma à cabeça, que disparou 4 vezes em seco

11 Primeira página Número 8 12 Alfredo Pequito acusa em entrevista ao nosso jornal Conspiração hospitalar "Puseram benzodiazepinas no soro" Aqui há dias, Pequito foi vítima de um novo atentado, amplamente divulgado pela comunicação social. Logo depois surgiram rumores, também na imprensa, de que tudo não teria passado, afinal, de um caso de automutilação, hipótese avançada pela Polícia Judiciária e pelos médicos que o assistiram. Os golpes: ferida incisa no tórax, com 15 cm; ferida incisa no flanco direito, com aproximadamente 7 cm e ferida incisa no braço direito, com 15 cm. Em aditamento, a nota: "superficiais". De acordo com fontes do hospital, a profundidade máxima das lesões não ultrapassaria os 3 milímetros Areforçar a suspeita da po lícia de que se terá trata do de uma "manobra de diversão", destinada a imprimir novo fôlego à imagem de vítima que tem sido difundida pela comunicação social, alguns dados, curiosos. Primeiro, não há registo, nos anais da Judiciária, de um caso semelhante. Atacado, Pequito não apresenta mais do que uma incisão nos membros superiores, como seria de esperar num indivíduo que é atacado e que, por instinto, tentaria defender a cara e o tronco. Depois, o tipo de golpe de que alegadamente foi vítima: não tentaram perfurar o corpo, como seria de esperar. Por fim, o inusitado movimento de jornalistas que rodeou toda a operação: quando a ambulância chegou ao hospital, já havia câmaras de televisão à espera. Quisemos saber da boca de Pequito as peripécias que, segundo ele, marcaram a agressão de que alegadamente terá sido ví- - A sua mulher foi perseguida de carro - Ele também foi perseguido de carro - teve ameaça de bomba no automóvel - Carro da mãe foi incendiado na véspera do seu julgamento 24H (13/9/00) - Garcia Pereira anuncia que vai pôr em tribunal o Presidente da República, o Primeiro Ministro, o Ministro da Administração Interna e o PGR porque o Estado não assegurou protecção a Pequito. Público (15/9/00) - Pequito acusa PJ de "manobras de diversão" Diário Digital (15/9/00) - "Alfredo Pequito, o ex-delegado de informação médica (DIM) da Bayer, recusa liminarmente a tese de que se automutilou na segunda-feira nas costas, toráx e braço direito. A hipótese, avançada pela PJ à TVI, não é porém afastada pelo relatório dos peritos do Instituto de Medicina Legal, que anteontem examinaram os ferimentos provocados por uma arma branca (...) Pequito considera, mais uma vez, que a tese de automutilação é "manobra de diversão" da PJ para desviar as atenções das investigações aos casos de corrupção entre médicos e laboratórios, que denunciou em 1997". TVI (15/9/00) - "A PJ não terá encontrado na camisa que Alfredo Pequito vestia na altura do alegado ataque vestígios de uma segunda pessoa. "Não houve confronto físico, eu apenas me defendi", alega Pequito. Público (15/9/00) - "um portavoz do gabinete do secretário de Estado da Administração Interna, Luis Patrão, declarou que "Alfredo Pequito tem medidas de segurança em tudo semelhantes à dos quatro ministros que têm segurança. Só o Primeiro-Ministro e o Presidente da República possuem mais segurança do que Alfredo Pequito" "O PÚBLICO sabe que os peritos do Instituto de Medicina Legal fizeram uma análise aos ferimentos que não pôe de parte a possibilidade de ter ocorrido uma autoflagelação. Os ferimentos são superficiais e em nenhum terá ocorrido uma perfuração com objecto cortante". "Os dois ataques contêm vários elementos de perplexidade: ocorreram no mesmo local [junto ao muro exterior e no interior do

12 Número 8 13 Primeira página tima. Em entrevista ao nosso jornal, Alfredo conta a sua versão dos acontecimentos. Falou de conspirações no hospital de Curry Cabral envolvendo médicos e Polícia Judiciária e de como lhe puseram benzodia-zepinas no soro para que fossem detectadas nas análises. Falou, também de quem suspeita... Foi ferido, pela segunda vez, no espaço de dois meses. Agora, surge a informação de que se terá tratado de automutilação; de que as feridas eram superficiais... É também isso que vem no seu relatório médico... Essa informação foi dada pela TVI. Só que a palavra "superficiais" foi acrescentada. Porquê, não sei! A Polícia Judiciária apareceu com essa tese à velocidade da luz. É preciso ver o que é que vai sair daqui. No relatório médico diz-se que o Pequito entrou sonolento, desorientado... Foi assim? É uma perfeita mentira! Senti-me apenas maldisposto e por insistência dos senhores do INEM sentei-me numa maca. Mais nada! O relatório diz que lhe foram detectadas benzodiazepinas no sangue... A tontura terá vindo daí? Não consumo benzodiazepinas. Eles detectaram o que quiseram detectar. Se você está a soro e lhe puserem outro medicamento qualquer - que eu não sei qual foi - detecta-se o que se quiser... E o que é que isso quer dizer? Quer dizer que eu não sei se me puseram alguma coisa no soro. Coloca, então, a hipótese de lhe terem colocado as benzodiazepinas no soro? Claro que sim! Tudo isto é estranhíssimo. O que é que o leva a pensar desse modo? Porque é que a Polícia Judiciária esteve reunida com o chefe de equipa durante uma hora? Porque é que entraram pela porta de trás e não pela da frente? Para não serem vistos. Como é que soube que eles lá estavam? Foi um segurança do hospital que informou o Dr. Garcia Pereira de que eles lá estavam. E só depois dele regressar [o chefe de equipa] é que resolveram fazer a análise ao sangue. Não percebo a propósito de quê quiseram fazer-me uma análise. Se fosse o caso de um acidente de automóvel, ainda compreendia. Diz-se que recusou fazer a contra análise. É verdade? A minha mãe foi Directora do Serviço de Hematologia do HSM e tem vários laboratórios de análises. Portanto, se há uma coisa que ela percebe é de análises. Ora, um hemograma demora, no máximo, cinco minutos a fazer. Eu estive duas horas e meia à espera dos resultados. Percebe...? Porque é que andam à procura de opiácios e de barbitúricos? É que essa é a tese que foi espalhada pela indústria farmacêutica: que eu era toxicodependente. Percebe...? É por isso que eu não tenho grandes dúvidas de que a Polícia Judiciária aproveitou essa oportunidade para ver se me apanhava com alguma coisa. Está a ver...? Aliás, a indústria faz reuniões periódicas para delinear este tipo de A agressão teve lugar na véspera de uma audiência de julgamento do segundo processo contra a Bayer, em que Alfredo Pequito é testemunha, o que leva alguns elementos ligados à investigação a admitir a hipótese de autoflagelação". estratégias. A última foi na Roche! Como é que explica estas tentativas de agressões? De quem é que suspeita? Indústria farmacêutica, empresas congéneres e outras entidades. E por outras entidades, entenda mesmo isso: outras entidades. Percebe...? Não. Olhe, este telefonema está a ser ouvido! Está a ser ouvido? Por quem? De certeza que o telefone está sob escuta! Mas não tenha problemas, que eu também não tenho. "Pequito afirma ter provas de que a Bayer realizara ensaios clínicos ilegais com crianças em, pelo menos, quatro hospitais públicos" Garcia Pereira Diário Digital, 3/5/00 Porque é pensa que o telefone está sob escuta? Não penso, sei que está! Isso foi pedido ao senhor Ministro da Justiça pelo Dr. Garcia Pereira. A meu pedido! Tanto o meu como o dele estão sob escuta. Voltando à autoria das agressões. Acha que é a gente da Bayer que está por detrás de tudo? Podem ser eles como podem ser outras entidades. E por outras entidades, entenda mesmo isso: outras entidades. Percebe...? Veja bem, a Bayer não é virgem nestas coisas. Se você ler a revista Fortune, vê que eles têm um corpo de operações. Está a compreender...? Ó Pequito, para uma companhia que tem uma força dessas não seria mais fácil "limpá-lo"? Eventualmente seria. Mas isso era assumir publicamente que eu tenho razão. Está a ver...? Quando se arranjam estes fait`divers é para desviar a atenção daquilo que devia acontecer e não acontece. Deixe-me fazer de "advogado do Diabo". A primeira agressão foi para o calarem, para lhe meterem medo numa lógica de "se falas...". Ora, você não se calou. Porque é que a Bayer não "resolveu" o problema, já que tem a tal força de operações? Para você ter uma noção do que é a Bayer, posso-lhe dizer que o presidente da companhia ameaçou o Chanceler Alemão de que se não aceitasse algumas das suas imposições, ele retiraria todas as fábricas da Bayer da Alemanha. Se ele faz isto em relação ao Estado Alemão, imagine o que faz ao Estado Português. Percebe...? Deixe-me explicar-lhe o seguinte: a Bayer tem dois processos complicadíssimos, um com a Eva Kor - que há-de cá vir a Portugal dar umas conferências para explicar o que é que é exactamente a Bayer. Lembre-se [não me lembro de nada] que só para que ela não colocasse um processo, a Bayer ofereceu-lhe quatrocentos milhões de contos. O outro caso sou eu! Percebe...? quintal], ao final da tarde e sem testemunhas, apesar do jardim ser visível do exterior e da mãe de Pequito se encontrar no interior da residência, e deixaram ferimentos pouco profundos, embora extensos". "fonte governamental declarou ao PÚBLICO que a segurança pessoal concedida "nunca registou qualquer movimento ou incidente suspeito de pessoas ou viaturas ao longo dos anos que acompanha Alfredo Pequito que justificasse o reforço do corpo de vigilância". "A segurança de Alfredo Pequito acompanha-o em todas as deslocações pelo país e apenas não está presente quando ele se encontra na sua residência. Quando chega a casa, Alfredo Pequito combina com os homens da sua segurança "as horas a que o apanham no dia seguinte", um procedimento habitual com todas as entidades do estado que possuem seguraça pessoal. "Tudo o que aconteceu a Pequito foi sempre dentro da sua residência [da mãe], local onde nunca solicitou a presença dos agentes" Diz Pequito: "Isto é muito cómodo para a PJ. "Sabe o quão doente psiquicamente está uma pessoa para se auto-mutilar? Há um grupo musical cujo vocalista se auto-mutila em palco nos concertos. Eu não sou o vocalista dos Marilyn Manson. Estou na posse das minhas faculdades mentais" Existem no mercado português "500 medicamentos que não têm eficácia terapêutica ou são perigosos, pelo devem ser descomparticipados" pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), afirmou Alfredo Pequito Todos os deputados que receberam Alfredo Pequito mostraram-se "surpreendidos e prontos a estudar" o documento, revelou o ex-delegado de informação médica. Depois de ter estudado atentamente o grosso volume, Alfredo Pequito considerou que devia revelar o caso e alega que, se nada for discutido no Orçamento de Estado, vai voltar "à carga para que não esqueçam esta matéria". Nelson Baltazar, deputado do PS e coordenador da área da Saúde, não adiantou para já qualquer acção dizendo apenas que "iria estudar o dossier".

13 Número 8 14 Primeira página Pequito levanta suspeitas sobre a imparcialidade do Presidente da República, Jorge Sampaio, o ex-ministro da Justiça, Vera Jardim, o da Defesa, Castro Caldas e o da Justiça, António Costa. Em causa, a sociedade de advogados de que estes são sócios. Tal & Qual, 10/3/00 Pensa que a Bayer pressionou o Estado Português no sentido de "abafar" o caso? Não tenho qualquer dúvida, com certeza que sim! Repare uma coisa: o Estado Português está refém da Bayer e da indústria farmacêutica. Qual é a dívida do Ministério da Saúde às farmacêuticas? 72 milhões de contos. Não se esqueça das ameaças que a Apifarma fez, ainda no tempo da Maria de Belém, de que podia vender a dívida do Ministério a um banco europeu e no dia seguinte o banco poderia exigir o pagamento. Ora, a dívida aumentou cerca de 40 milhões de contos... Acha que a indústria não faz pressão tendo esse dinheiro a haver? Se eles têm esse poder todo, porque é que não dão cabo de si? Não era mais fácil? Afinal, você é incómodo, um estorvo... Sou um estorvo, sou! E sou uma pessoa determinada. Não são estas coisas que me vão fazer desistir. Se pensam que me vou calar, estão muito enganados. Sinceramente, você acha que a Bayer seria capaz de mandar alguém com um canivete atrás de si para o cortar? Claro que sim! Se ler o artigo da Fortune, vê lá escrito que a máfia tem um dedinho lá dentro. Mais uma razão para darem cabo de si. Se, como diz, o presidente da Bayer é um mafioso que vive com o receio do que irá surgir amanhã nos jornais... Até era fácil, já que pela teoria que tem sido apresentada, você tem problemas de dívidas de jogo e muitos inimigos... Eu não digo que é só a Bayer que tem interesse em calar-me... Há outras entidades interessadas. E por outras entidades, entenda mesmo isso... Outras entidades. Percebe...? Não percebo, não. Mas também não cabe ao jornalista perceber estas coisas. Porque é que se publicam... Ainda assim, sem perceber bem porquê, enquanto escrevia este fascículo e meditava no próximo: nas revelações bombásticas que se adiantam, veio-me à memória um excerto do texto do tradutor de Tizangara, do romance "O último Voo do Flamingo", de Mia Couto. "Agora, pergunto: explodiram na intei- ra realidade? Diz-se, em falta de verbo. Porque de uma explosão sempre resta alguma sobra de substância. No caso, nem resto, nem fatia. Em feito e desfeito, nunca restou nada do seu original formato". E como ele, pergunto: O nosso herói morreu? Foi morto? Encontrarão a resposta no próximo fascículo de Pequitogate. Por lá, Alfredo fala dos telefonemas que Maria de Belém lhe fazia a buscar conselho, do mau feitio de Manuela Arcanjo, do papel do Presidente da República e do Primeiro Ministro em toda esta história e de muitos outros personagens, que têm contribuído de forma decisiva para o estrondoso sucesso da novela. É preciso investigar, doa a quem doer... Separar o trigo do joio. Mas será que esta é a melhor forma de o fazer? Não estarão Pequito e o seu tutor, mesmo sem o saberem, a contribuir para que a verdade nunca venha a ser apurada? Será que Pequito pode ser responsabilizado pelo que diz? Será que é Alfredo quem mais beneficia com a cobertura mediática que se dá ao caso? Beneficia mesmo? Do quê? Miguel Múrias Mauritti Reflexos "A Trajectória do Amor" Comentado por um leigo em medicina Olivro de Mário Moura, testemunho de coragem ao apresentar a visão bio-psico-social ainda no auge da medicina tecnológica, e quando se começa a tentar retroceder nos conceitos e perfis da medicina de família, tem despertado alguma curiosidade mesmo nos meios não médicos, em pessoas com uma visão holística do homem. Transcrevemos hoje, com a devida vénia, uma critica publicada no "Sem Mais Jornal", semanário publicado no distrito de Setúbal, feita pelo professor da Universidade de Lisboa, doutor Viriato Soromenho Marques, que já foi presidente da "Quercus". O Princípio do Amor Nova obra de Moura Mário da Silva Moura é um médico e um cidadão que provavelmente não necessita de uma longa apresentação perante os leitores deste jornal, que, aliás, honra com a sua assídua e informada colaboração. No seu vasto percurso sobressaem as suas múltiplas facetas de médicos, jornalista, membro de numerosas associações cívicas, científicas e culturais, cristão empenhado, e cidadão sempre envolvido nas causas onde se jogue a dignidade das pessoas, e a possibilidade de minorar sofrimentos ou combater injustiças. Contudo, embora a vida de Mário da Silva Moura seja plural como são os seus interesses e a generosidade do seu carácter, a verdade é que uma faceta existe onde todas as características do seu labor e da sua "visão do mundo" se concentram, permitindo uma leitura do sentido global do seu trabalho, e de seu entendimento da vida como uma missão permanente. Estou a referenciar-me à sua faceta de escritor, que ficou mais uma vez confirmada com a recente publicação de uma obra com o título de: A Trajectória do Amor, Ensaio Sobre a Medicina Familiar. Sendo embora um livro onde se reflecte em cada página a vasta e competente experiência de uma vida dedicada à Medicina Geral e Familiar, o livro de Mário da Silva Moura não é uma obra que afaste os leitores por se fechar numa linguagem tecnicamente hermética. Como é próprio do seu estilo de escrita, também neste livro Mário da Silva Moura conjuga rigor com clareza. A medicina que se revela neste livro é uma medicina envolvida no tempo, na história e na cultura. Sobretudo, uma medicina inseparável dos grandes desafios e contradições da condição humana. Com uma notável coragem intelectual, Mário da Silva Moura apresenta-nos uma medicina entretecida nas forças, pulsões e relações fundamentais da pessoa humana, de onde sobressai o amor como princípio vital e ontológico, isto é, estruturante do ser de cada um e da própria humanidade. Com uma confiança desarmante no destino da aventura humana, o autor fala-nos de uma medicina que, embora sem desprezar os enormes avanços da tecnologia, não esquece que a diferença entre a saúde e a doença diz sobretudo respeito a estilos de vida, a valores e comportamentos. Numa cultura, como a ocidental, onde sempre nos faltaram as palavras para expressar a importância do amor, este livro de Mário da Silva Moura merece ser saudado pelo refrescante e estimulante suplemento de inteligência e bondade que constitui. Viriato Soromenho Marques

14 Opinião Número 8 15 A regra é a excepção Quando se pretende resolver um problema, procuram-se soluções; quando não se quer resolver coisa alguma, Énotável que se tenda a atribuir a culpa ao "cliente" por um pretenso "hiperconsumo" de tudo o que o SNS lhe oferece: consultas, medicamentos, MCDT, urgências. Numa lógica de mercado o SNS é de sangue, diabéticos, grávidas, crianças, etc.. Por tal motivo estes foram isentados de taxas. Instalou- -se, ao longo dos anos, uma colecção enorme de circunstâncias em que o cidadão é dispensado da taxa dita moderadora: a médio pra- blemas da área social. São, entretanto, cada vez mais as excepções nos descontos concedidos nos medicamentos comparticipados pela doença do paciente e, mais recentemente, até pela especialidade do médico que prescreve. procura-se um culpado. Um dos problemas mais comuns que afecta os médicos de família (aliás, todo o sistema de saúde) é um pretenso "hiperconsumismo" de cuidados. Aqui já se descobriu há um culpado: o cidadão. As medidas para resolver este problema, se é que ele existe mesmo, constituem uma curiosa colecção de regras e um labirinto de excepções cuja coerência é cada vez mais obscura Subsídio de fixação O subsídio de fixação dos médicos de clínica geral foi apresentado como um mecanismo que incentivaria a fixação na periferia. O país foi dividido, por concelhos, em 4 categorias: A, B, C e D, por pretensa ordem decrescente de inospitalidade. No entanto, o grupo D inclui Lisboa, Porto e Coimbra, o que parece não "casar" muito bem com um subsídio de fixação na periferia. As condições concretas de vida em cada local de colocação (que devia ser a freguesia e não o concelho, já que esta dimensão cria injustiças relativas enormes) deveriam inspirar os critérios para valoração dos subsídios se se pretende que eles incentivem, realmente, a colocação à periferia e compensem, de algum modo, a "inospitalidade". Mais do que uma classificação estática, publicada em 1982, sem indicação explícita dos critérios utilizados, os vários escalões do referido subsídio deveriam depender de indicadores objectivos e, como tal, com a possibilidade de evoluir no tempo: as acessibilidades, os serviços disponíveis no local, o custo relativo da habitação, a existência de escolas para os filhos, etc, não são realidades imutáveis no tempo. verdadeiramente uma história de sucesso: oferece muitos serviços de urgência e eles estão sempre cheios, contempla milhares de medicamentos e eles são fortemente consumidos. Vigora, entretanto, um instrumento cujo nome de baptismo pressupõe que visaria moderar o uso dos serviços públicos de saúde, ou não fossem chamadas TAXAS MODERADORAS. O valor irrisório de algumas destas taxas e a panóplia das isenções das mesmas talvez expliquem a aparente inutilidade total na sua finalidade: nunca houve qualquer evidência de que o tal consumo de cuidados fosse por elas "moderado". É notório que todos os cidadãos são culpados pelo "hiperconsumo", mas foram encontradas "atenuantes" para alguns: dadores zo o número de cidadãos isentos tenderá a constituir a totalidade da população. A capacidade reivindicativa das diversas associações de doentes e amigos dos doentes (entre estes amigos assume particular importância a generosidade de algumas companhias farmacêuticas) tem sido o factor mais decisivo para a criação de cada vez mais excepções aos preceitos da taxa e até ao preço dos medicamentos. Por outro lado, o SNS entrou, há muitos anos, em competição directa com o sistema de segurança social. O rendimento das famílias é considerado quer para as isenções de taxas moderadoras quer para a criação de tabelas especiais nos descontos concedidos no preço dos medicamentos, funcionando o SNS como uma enorme almofada para pro- Há necessidade de reflectir de forma aprofundada sobre a natureza, finalidades e justeza dos vários mecanismos de regulação em taxas e comparticipações: a coerência do próprio sistema de saúde a isso deveria obrigar. Com mecanismos reguladores que têm gerado tantas excepções, é de colocar a dúvida legítima sobre a utilidade da regra. António Branco Médico de Família

15 Número 8 18 Posição Carta Aberta a Sua Ex.a a Ministra da Saúde Há cerca de um ano, iniciámos em Samora Correia o RRE, que no fundo constituiu uma evolução do Projecto Alfa que teve início em 01/10/1996. Este projecto englobava apenas cerca de 60% da população de Samora Correia mas devido aos bons resultados alcançados foi decidido alargá-lo a toda a freguesia, passando a abranger uma extensão - o Porto Alto. Como, entretanto, surgiu o Decreto-Lei que criou o RRE, procurámos integrar estes novos aspectos no projecto inicial de forma a podermos candidatar-nos. Surgiu, assim, o 1º RRE a nível Nacional. Um ano volvido e muitas dificuldades ultrapassadas, surge agora uma fase de, digamos, estagnação!... Queremos avançar, sabemos o que queremos mas, faltam "Orientações Superiores" que indiquem claramente o caminho que pretendem seguir e os respectivos "meios" para podermos realizar no terreno as tarefas pretendidas. Reflectindo sobre este ano que passou e tentando encontrar soluções para o futuro, surgiu-me subitamente este Provérbio esquecido há algum tempo: " O Homem que não pode cometer um erro, não pode fazer nada". De facto, se analisarmos todo este processo encontramos duas fases distintas: 1. O lançamento do Projecto Alfa 2. O Regime Remuneratório Experimental Queremos avançar, sabemos o que queremos mas, faltam "Orientações Superiores" que indiquem claramente o caminho que pretendem seguir e os respectivos "meios" para podermos realizar no terreno as tarefas pretendidas Qualquer destes projectos fazem parte de um mais vasto e que se "reclama" há vários anos - A Reforma do Sistema de Saúde e, em particular dos Cuidados de Saúde Primários. No caso do projecto Alfa foi lançada uma ideia e, procurou-se dar a palavra aos profissionais de saúde integrando-os no processo de reforma. Verificar, com experiências no terreno, qual o melhor caminho a seguir e, tirar as respectivas conclusões para o futuro dos CSP. Foi necessário decidir e arriscar um possível fracasso ou sucesso. Mas, quem o fez não teve medo de errar. Penso que, se a ideia não tivesse resultado, seria capaz de tirar as conclusões necessárias e, procurar outro caminho. No fundo é assumir que, em todas as decisões existe uma margem de erro, maior ou menor, mas que na realidade existe. E, assumindo que se pode errar, penso que se deu um passo muito importante no caminho da reforma dos CSP. Foram poucos os grupos aderentes mas, foram em número suficiente para que se fizesse uma avaliação e se pudessem tirar algumas conclusões sobre o caminho a seguir. Também foi ultrapassada a desconfiança dos profissionais e, nomeadamente dos médicos, sobre as possíveis mudanças criando-se mesmo a sensação de que alguma coisa estava realmente a mudar! Esta mudança consubstanciou-se com o surgimento de 2 diplomas : 1. A criação do RRE; 2. A criação dos Centros de Saúde com Personalidade Jurídica (3ª Geração). Nesta fase, já com um suporte legal mais claro e atractivo, surgiram diversas candidaturas (muito mais do que se estaria à espera!). Penso que a fase do projecto Alfa foi importante, pois conseguiu mobilizar não só a vontade de mudança dos médicos que integraram os grupos (talvez os mais irrequietos e inconformados) mas também despertou noutros colegas essa mesma vontade, talvez mais ador mecida ou receosa se seria mais uma pedrada no charco, sem consequências práticas! Talvez por isso, terão optado por esperar mais um pouco, para ver os resultados e, para tentar perceber se a Administração seria capaz de mudar! Os receios de que nada mudaria esbateram-se com a saída dos referidos DecretoLei. Sentiu-se essa mudança no ar! E, naturalmente as candidaturas foram aparecendo. Os profissionais responderam positivamente a mais um desafio para a melhoria da qualidade do seu trabalho e do serviço que prestam aos utentes que os procuram. É evidente que existe aqui um componente remuneratório mas, quantos grupos estão a receber correctamente? Há grupos a trabalhar há mais de 6 meses, fazendo mais horas do que anteriormente e a receber o mesmo vencimento!!! Quando se fala com colegas destes grupos ninguém pensa em desistir!!!!!!!! Porém, se repararmos na distribuição nacional dos grupos é estranho que eles surjam só na ARS Norte e na ARS Lisboa e Vale do Tejo (sem esquecer o caso isolado de Beja). Penso que isto se deve a um facto importante: nestas Regiões os dirigentes não tiveram medo de errar. Deram suporte aos grupos, dialogaram, procuraram resolver os problemas surgidos com as mudanças que o RRE implicava, etc. Numa palavra: arriscaram cumprir a Lei embora não tivessem, eles próprios, muitas vezes, o suporte do Ministério da Saúde para a execução das tarefas que lhes competiriam naquele âmbito (do RRE). Nas outras Regiões, nomeadamente na ARS do Centro e na do Algarve, o espírito que transparece é o de não fazer nada pois, isto pode correr mal e... Não foi por falta de profissionais que não surgiram grupos nestas Regiões! Têm surgido candidaturas ou tentativas de as efectuar que são bloqueadas de imediato com os mais diversos e disparatados argumentos!!! No fundo é melhor não fazer nada! Há uma Lei? Será que existe mesmo? E... É para cumprir? E, se resulta mal? É o que diz o Provérbio : "Quem não pode errar, nunca fará grandes coisas" Mas o mais grave, é que não deixa os outros fazerem o que quer que seja! E se estas pessoas estão em lugares de responsabilidade o seu "medo de errar" bloqueia tudo e todos. Sr.ª Ministra, precisamos urgentemente de sair deste impasse! O entusiasmo esvai-se e dentro em pouco não será possível cumprir os objectivos estabelecidos. Com o maior respeito que tenho pelo trabalho de cada pessoa e em particular por quem tem de tomar decisões de fundo que implicam mudanças fundamentais nos CSP, atrevo-me a alertar V.Ex.a para a urgente necessidade de reformular o RRE. Dar-lhe um suporte informático

16 Número 8 19 Posição (...) É evidente que existe aqui um componente remuneratório mas, quantos grupos estão a receber correctamente? Há grupos a trabalhar há mais de 6 meses, fazendo mais horas do que anteriormente e a receber o mesmo vencimento!!! Quando se fala com colegas destes grupos ninguém pensa em desistir!!!!!!!! que permita aos profissionais e à Administração cumprir os objectivos traçados nos seus planos de trabalho, nomeadamente, no aspecto da avaliação, que é fundamental em qualquer processo deste género, para que o mesmo possa progredir saudavelmente. Existe um relatório da Comissão de Acompanhamento, criada por V.Ex.a, que analisa os 2 anos de RRE, as dificuldades detectadas e propõe algumas soluções possíveis. Existe um relatório do Grupo REMO da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral (APMCG) onde se apontam algumas das dificuldades encontradas e se fazem sugestões para o melhoramento do RRE. Este relatório baseia-se em reuniões que o grupo REMO manteve com os grupos que se candidataram e respectivas Regiões e Sub-Regiões (ou com aquelas que nos quiseram receber para uma conversa franca e aberta). V.Ex.a conhece as potencialidades e limitações actuais do SINUS II, que lhe foi formalmente apresentado em Samora Correia. Uma das limitações importantes era a impressão do receituário que está programada para o novo modelo de receitas criado pelo Ministério da Saúde e que, nós não temos autorização de utilizar (e aqueles que têm autorização não as usam preferindo mantê-las nos "seus" armazéns). Mostrámos disponibilidade para, mais uma vez, contribuirmos para o desenvolvimento deste processo e, não entendemos o porquê de não nos ser dada a respectiva autorização. Parece-nos que temos todas as condições para o implementarmos para além de considerarmos este um aspecto importante para a avaliação qualitativa do trabalho desenvolvido pelo grupo. Concordará certamente V.Ex.a, que este ou qualquer outro suporte informático será da maior importância para o futuro, não só do RRE como, também, para os Centros de Saúde de 3ª Geração e sua articulação com a Rede Hospitalar. Penso que será preciso, na reformulação do diploma do RRE, introduzir as alterações necessárias à sua boa articulação com o Decreto-Lei sobre os Centros de Saúde com Autonomia Jurídica (3ª Geração). Mas é importante e Urgente avançar! Estamos bloqueados por aqueles que nada fazem e que têm medo de errar (ou decidir). Não pertencendo V.Ex.a a este grupo, espero que compreenda a Urgência das decisões a tomar a fim de relançar todo este processo que acompanha desde inicio e que já fez saber que é prioridade do seu Ministério. Sentimos que este é um projecto válido, com boas perspectivas de evolução e com muitos profissionais seriamente empenhados em contribuir para uma melhoria global dos CSP. Será pena perder-se esta oportunidade e entusiasmo!... Estarei disponível para ajudar, positivamente e dentro das minhas limitações, no desenvolvimento do RRE e dos Centros de Saúde com Personalidade Jurídica, caso V.Ex.a assim o entenda. José Paulo Santos Gonçalves Chefe de Serviço de Clínica Geral Centro de Saúde de Benavente (USSC)

17 Opinião Número 8 20 À atenção de António Guterres Vai sendo prática corrente ninguém se satisfazer com explicações dos Ministros da tutela e pedir respostas e explicações ao Primeiro Ministro, como se só ele fosse o Governo inteiro e não a cabeça duma equipa. Todos os dias as oposições exigem que o Eng. Guterres vá à Assembleia da República por causa de problemas surgidos no país, seja com os transportes, com a segurança, com a educação, com a saúde, como se os repectivos Ministros fossem uns irresponsáveis. Embora me pareça um autêntico atestado de incompetência, passado aos vários governantes, com o que não estou de acordo, vou na onda, e perante a gravidade do estado da saúde em Portugal, resolvi também apelar ao nosso Primeiro - não se declarou ele apaixonado pela Saúde?? E o apelo que lhe dirijo é que leia o último número do jornal "Médico de Família", pois ficará com uma noção completa dos antecedentes, da situação actual, dos problemas e até das soluções para remediar o descalabro no nosso serviço nacional de saúde, em alerta vermelho como dissemos no último número. Os professores Sakellarides e Cipriano Justo fazem de maneira magistral o exame da situação, indo buscar os seus antecedentes e apontando razões de fundo da inoperacionalidade, do fracasso e até da saída de Maria de Belém. O valor teórico do edifício que construiu com a sua equipa, encaminhava a reforma do sistema para Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral CONVOCATÓRIA Nos termos dos artigos 26º, 27º, 28º e 29º dos Estatutos da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, convoco a Assembleia Geral a reunir em sessão ordinária no dia 11 de Novembro de 2000, pelas 15 horas, na Sede da Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, sita na Estrada de Benfica, 719-1º Esq., em Lisboa, com a seguinte Ordem de Trabalhos: 1 - Informações. 2 - Apresentação, discussão e aprovação do Plano de Actividades e do Orçamento para Se na hora marcada não estiverem presentes metade dos sócios, a Assembleia reúne em segunda convocatória uma hora depois. Lisboa, 8 de Setembro de 2000 Pelo Presidente da Assembleia Geral Drª Ana Maria Pisco (Secretária da Mesa da Assembleia Geral) o reforço do serviço de saúde, para a descentralização, para a contratualização, para a responsabilização dos agentes do processo, afrontava determinados Lobbys, e fugia, declaradamente, aos neoliberalismos encobertos por rótulos como "terceiras vias" - sem dúvida, a chamada esquerda perdeu a batalha! Se, como disse Sakellarides, não foi possível transformar o sistema de saúde português em algo mais do que "uma burocracia como outra qualquer", e isso nos ameaça de que ele se transforme num "negócio como outro qualquer", então a chamada esquerda perdeu mesmo uma batalha! O Prof. Daniel Serrão, para além de diagnosticar com o rigor dum patologista a escloreose do serviço de saúde, põe a tónica na necessidade urgente de dar a primazia de toda a mudança aos médicos de família, (o que todos nós que nos preocupamos com este problema andamos dizendo há quase uma década) e adianta dez medidas donde destaco a declaração fundamental: decidir que a refundação dos hospitais deve ser secundária à refundação da clínica geral. Alguns outros artigos e opiniões expressas no mesmo número do António Branco, na luta pela clínica geral e pelos cuidados de saúde primários desde a primeira hora, e vivendo "por dentro" muitos dos sintomas da "esclerose" diagnosticada, põe genialmente e sinteticamente em confronto uma atitude positiva de Blair e tudo o que é negativo na equipa (melhor nas equipas) dos nossos governos, igualmente socialistas e igualmente defensores da tal "terceira via". Lemos nos jornais que Tony Blair estava a perder popularidade, bem como o seu governo trabalhista, tal como está a acontecer em Portugal com António Guterres. E o que faz Blair? Investe em Saúde! Reforma o National Health Service "Médico de Família", mostram o seu desconforto com a tendência internacional para desvirtuar a medicina de família, mas António Branco, comentando recentes decisões de Tony Blair, é quem lança o verdadeiro apelo a António Guterres, ao pôr em relevo todo o enorme investimento do Governo britânico no seu serviço nacional de saúde de "referência" - o NHS. António Branco, na luta pela clínica geral e pelos cuidados de saúde primários desde a primeira hora, e vivendo "por dentro" muitos dos sintomas da "esclerose" diagnosticada, põe genialmente e sinteticamente em confronto uma atitude positiva de Blair e tudo o que é negativo na equipa (melhor nas equipas) dos nossos governos, igualmente socialistas e igualmente defensores da tal "terceira via". Lemos nos jornais que Tony Blair estava a perder popularidade, bem como o seu governo trabalhista, tal como está a acontecer em Portugal com António Guterres. E o que faz Blair? Investe em Saúde! Reforma o National Health Service. E o que levou Clinton à sua primeira vitória? Promessas de investimento em Saúde! E o que pode salvar um qualquer Governo em crise, como o nosso, que se diz de esquerda? Investir em Saúde de maneira decidida e em força, investir em criatividade, em competência, em qualidade, investir em responsabilização por contratualização, investir em cuidados primários em vez de hospitais, investir em clinica geral e não em muitas outras especialidades que são superabundantes, investir em remunerações capazes que premeiem a excelência, resolver a acessibilidade, etc.,etc. e não apenas no rendimento mínimo nacional como símbolo das preocupações sociais. Daqui o nosso apelo a António Guterres, sem exageros, se quer ganhar as próximas eleições, ponha os olhos no nosso Serviço Nacional de Saúde e...reforme-o com vontade política verdadeira e sem olhar a compadrios e Lobbys! Mário da Silva Moura Médico de Família

18 Apontamentos Número 8 20 hostratamentos desumanos" (Sournia, 1995, p. 277). Também entre nós, com o triunfo das ideias liberais, surgem as primeiras denúncias da condição infra-humana em que viviam os doentes mentais ("doidos, lunáticos, alienados", como eram então rotulados). De entre os médicos que se debruçam e se preocupam com esse problema, destaca-se o nome de Clemente Bizarro ( ) que, em 1836, em sessão da Sociedade das Ciências Médicas, chama a atenção para "os insalubres, os pavorosos, e os acanhados recintos onde confusamente estão misturados e em contacto mais de duzentos alienados de manias tão opostas e que por isso exigem cuidados tão diversos" (cit. por Mira, 1947, p. 420). Bizarro referia-se mais concretamente à Enfermaria de S. João de Deus do Hospital de S. José onde se amontoavam sobretudo doentes do sexo feminino: "Doidas nuas e desgrenhadas, entregues a todos os seus desvarios, gritando e gesticulando, encerradas às vezes num cubículo escuro e infecto onde mal podem obter um feixe de palha em que possam revolver-se; um local de todo apertadíssimo, com escassa luz, imprópria ventilação, e nele jazendo perto de 150 infelizes alienados com o diminuto número de três empregadas, que tantas são as destinadas ao seus serviço" (citado por Costa, 1986). Em 1837, Bizarro pedia a criação de um hospício orientado especificamente para o acolhimento e tratamento de doentes mentais. O que veio a acontecer, dez anos mais tarde: De facto, graças ao legado de um benemérito, é criada em 14 de Novembro de 1848, o primeiro estabelecimento para alienados. Alguns anos depois, o manicómio de Rilhafolhes alberga já mais de meio milhar de doentes. Mais tarde, será seu director o médico Miguel Bombarda ( ), o qual além de ampliar e modernizar o estabelecimento, lutou vigorosamente contra os métodos repressivos então ainda em uso (o "babeiro de cola", a "coleira", o "berço-prisão", o "colete de forças", etc.). Em 1948, passou a chamar-se Hospital Psiquiátrico Miguel Bombarda. Em 1883, entra em funcionamento o Hospital de Conde de Ferreira, pertencente à Misericórdia do Porto, e que foi construído com o remanescente da herança de J.F. Ferreira ( ). Este último, depois de enriquecer no Brasil e em África, iria tornar-se um dos grandes filantropos do reinado de D.Maria II. O Conde de Ferreira, para o qual transitaram os doentes mentais, até então encerrados como animais nos porões do Hospital de Santo António - igualmente sob administração da Misericórdia -, irá tornar-se a escola dos grandes alienistas do nosso Séc. XIX: A. M. Sena, Urbano Peixoto, Magalhães de Lemos e Júlio de Matos, entre outros (Mira, 1947). É a época do desenvolvimento da neurologia e psiquiatria (ou melhor, da neuropsiquiatria), o qual decorre, em grande parte, dos progressos realizados em disciplinas fundamentais como a anatomia, a fisiologia e a patologia. As funções do cérebro e do sistema nervoso e o seu papel na saúde/doença começam a ser largamente objecto de investigação por homens como os franceses G. Duchenne ( ), J.M. Charcot ( ), J. Déjerine ( ) e sua mulher, P. Marie ( ) (uma das primeiras mulheres médicas), J. Babinsky ( ), e o inglês J. H.Jackson ( ) (Rosen, 1990; Sournia, 1995). A fundação da neuropsiquiatria é atribuída ao francês J. M. Charcot, com a publicação em 1873 do seu Curso sobre as doenças do sistema nervoso. Posteriormente, o alemão E. Kraeppelin ( ) vai classificar as doenças mentais. Voltando à França e ao fim do Ancien Régime, não admira a grande desconfiança (se não mesmo a suspeição e o repúdio) com que a instituição hospitalar será tratada no período revolucionário, já que ela é sinónimo da caridade mais abjecta. Como dirá Barère, no relatório feito em nome do Comité de Salut Publique: "Quanto mais esmolas, mais hospitais. Tal é o objectivo para o qual a Convenção deve caminhar sem cessar, porque estas duas palavras devem ser riscadas do vocabulário republicano " (cit. por Rochaix, 1995, p. 59). Em contrapartida, em Portugal será o Estado Novo, em pleno Séc. XX, a recuperar a ideologia do acto misericordioso e a sobrepor a caridade individual à solidariedade social (Caixa 1). 5. Contestação da Iatrogénese, da Medicina Defensiva e do Encarniçamento Terapêutico No pós-25 de Abril, numa leitura algo imediatista e datada, recusava-se a ideia de que a grande maioria destes provérbios fosse de origem popular, dada a sua "função de ocultação ideológica" (Gomes, 1974). Na melhor tradição jacobina e anticlerical, via-se aí a língua viperina da padralhada, dos frades e dos jesuítas, já que o povo não podia ser intrinsecamente "reaccionário". Populares ou não, os provérbios e outros lugares comuns da língua portuguesa não deixam de reflectir uma experiência amarga da população, vítima não só de um ciclo infernal de epidemias que durou mais de 400 anos ("Da peste, da fome, da guerra - e do bispo da nossa terra, Libera nos, Domine!") como do uso e abuso, por parte dos praticantes de artes médicas até meados do Séc. XIX, de técnicas terapêuticas agressivas, invasivas e de duvidosa eficácia como era o caso da purga e da sangria. Nesta perspectiva, alguns provérbios podem ser vistos como formas de contestação avant la lettre do encarniçamento terapêutico de que é hoje acusada a medicina defensiva: "Se não morre do mal, morre da cura". Em meados do Séc. XVII, o uso da sangria, praticada por cirurgiões e barbeiros-sangradores (uma profissão só extinta entre nós em 1875) tal como a purga ou o clister (administrada pelos cristaleiros e cristaleiras), generalizara-se de tal modo que dera motivo ao adágio popular: "Em Lisboa não há sangria má nem purga boa". De facto, "havia médicos que numa mesma doença sangravam trinta e quarenta vezes" (Lemos, 1991,Vol. II, p. 37). Outros provérbios terão uma origem semelhante (Quadro XII): "Arrenego da tijelinha de ouro em que hei-de cuspir sangue" "Como é o braço assim é a sangria" "Dia de purga, dia de amargura"; "O que faz mal ao corpo é o sangue" "Sangrai-o e purgai-o e, se morrer, enterrai-o"; "Sangrar de saúde". Além da prática da sangria, o barbeiro também era chamado para tratar dos dentes: "A quem dói o dente vai à casa do barbeiro". E em quase todas as vilas e aldeias deste país, até aos anos 60, ele era para todos os efeitos um verdadeiro praticante da arte médica a quem se recorria para tratar de um abcesso, dar uma injecção ou fazer um penso. Luís Graça Sociólogo (ENSP/UNL) (a) Conjunto de cinco artigos que começou a ser publicado pelo

19 Actualidade Número 8 22 Sub-Região de Saúde de Lisboa Enfermeiros trocam hospitais por centros de saúde A crise está instalada nas unidades de saúde da região de Lisboa. O número de enfermeiros formados pelas escolas é insuficiente e os que já estão no mercado de trabalho trocam os hospitais pelos centros de saúde. Apesar de haver vagas para estes profissionais não existe quem as ocupe São Francisco Xavier, um dos hospitais em crise Há falta de enfermeiros nos hospitais e centros de saúde portugueses. Na base desta situação, está a escassez de novos licenciados em virtude de a formação ter passado para quatro anos e as escolas superiores de Enfermagem não fornecerem o número suficiente para as necessidades. Para tentar minorar o problema, só nos últimos quatro anos foram contratados cerca de 250 novos profissionais para o preenchimento de vagas na área de Lisboa, número que ficou muito aquém das necessidades. Contactada pelo jornal Médico de Família, Margaret Bensusan, da Direcção de Enfermagem da Sub- Região de Saúde de Lisboa, falou sobre este problema: "até 1994 houve uma estagnação no que respeita à entrada de novos enfermeiros na área dos Cuidados de Saúde Primários ao nível do distrito de Lisboa, dada a não abertura de concursos - por esta altura a média de idades dos enfer- meiros era de cerca de 55 anos. Com as profundas alterações estratégicas organizacionais iniciadas com a regionalização dos serviços de saúde foi nomeada uma nova Direcção de Enfermagem que, no seu plano de acção, definiu como objectivos a médio prazo renovar e aumentar o número de enfermeiros a prestarem serviço nos Centros de Saúde. Segundo esta responsável, "outra das grandes preocupações desta nova Direcção tem sido a de não desperdiçar a entrada de novos profissionais através da utilização das vagas de descongelamento (concurso externo) anualmente atribuídas e ainda a abertura de concursos internos que facilitam O cansaço do trabalho por turnos é a principal razão apresentada pelos enfermeiros que justifica a troca de local trabalho. Para estes profissionais o trabalho nos centros de saúde não é tão exigente em termos de carga horária. A falta de enfermeiros nas unidades de saúde tem sido vantajosa para os enfermeiros espanhóis, que têm vindo a ocupar as vagas deixadas pelos portugueses nos hospitais a mobilidade dos profissionais entre as diferentes instituições". "Todavia - acrescenta - é evidente que, desde 1994, muitos enfermeiros têm saído dos nossos serviços para a situação de aposentados. No entanto, o saldo é positivo visto que muitos têm entrado pelos concursos atrás referidos. Por esta razão, a média de idades dos enfermeiros tem vindo a baixar, situando-se, em 1999, em 46.6 anos". As "queixas" dos Hospitais Os hospitais queixam-se, não só do número de pessoal formado ser insuficiente - este ano não saíram enfermeiros para o mercado de trabalho devido à passagem do curso a licenciatura - mas também de que os enfermeiros estão a trocar de local de trabalho: os hospitais pelos centros de saúde. O cansaço do trabalho por turnos é a principal razão apresentada pelos enfermeiros que justifica a troca de local trabalho. Para estes profissionais o trabalho nos centros de saúde não é tão exigente em termos de carga horária. A falta de enfermeiros nas unidades de saúde tem sido vantajosa para os enfermeiros espanhóis, que têm vindo a ocupar as vagas deixadas pelos portugueses nos hospitais. Os Hospitais em crise Alguns hospitais da Região de Lisboa atravessam já uma verdadeira crise, derivada da escassez de enfermeiros, agravada pela sangria causada pelos concursos para centros de saúde. É o caso do Hospital de Santa Maria, S. Francisco Xavier, Hospital de Cascais, Vila Franca de Xira e o Hospital de Torres Vedras. Pelo contrário, de alguns hospitais os enfermeiros não mostram vontade de sair. É o caso da Maternidade Alfredo da Costa, do Hospital de D. Estefânia e do Hospital de São José, onde as baixas são significativamente menores. O ambiente de trabalho que se regista nestas unidades estará na origem da debandada.

20 Número 8 23 Tema em destaque Proposta para uma nova definição de Medicina Geral e Familiar Sugestão para uma definição de Medicina Geral e Familiar O médico de família é um especialista preparado para trabalhar na primeira linha do sistema de saúde e dar os passos iniciais na prestação de cuidados para qualquer problema de saúde que os pacientes possam ter. O médico de família presta cuidados a indivíduos inseridos numa sociedade, independentemente do tipo de doença ou outras características pessoais ou sociais, e organiza os recursos disponíveis no sistema de saúde no melhor interesse dos pacientes. O médico de família compromete- se com indivíduos autónomos através dos campos da prevenção, diagnóstico, cura, cuidados e tratamentos paliativos, através da utilização e integração das ciências biomédicas, psicologia e sociologia clínicas Nesta nova coluna do Médico de Família, procuraremos levar a debate temas que se revelem importantes para os leitores, introduzindo opiniões de especialistas. Neste número, continuaremos a explorar o tema iniciado na última edição, a proposta de definição de MGF, apresentada para discussão por Frede Olesen, Jim Dickinson e Per Hjortdahl no Congresso da WONCA que teve lugar em Viena. A tradução é da responsabilidade de André Rosa Biscaia, e o conteúdo não reflecte uma posição oficial da APMCG. Tem apenas como objectivo abrir a discussão sobre os novos enquadramentos e desafios da Medicina Geral e Familiar enquanto especialidade médica, disciplina académica, campo de ensino e de investigação Suggested new definition of general practice "The general practitioner is a specialist trained to work in the front line of a healthcare system and to take the initial steps to provide care for any health problem(s) that patients may have. The general practitioner takes care of individuals in a society, irrespective of the patient's type of disease or other personal and social characteristics, and organises the resources available in the healthcare system to the best advantage of the patients. The general practitioner engages with autonomous individuals across the fields of prevention, diagnosis, cure, care, and palliation, using and integrating the sciences of biomedicine, medical psychology, and medical sociology."

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