POR UM ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA CONTEXTUALIZADO

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1 1 POR UM ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA CONTEXTUALIZADO SOUSA, Grazielle de Jesus Leal de 1 RESUMO O ensino de língua portuguesa ainda é visto por muitas pessoas como um ensino mecânico, cheio de regras e normas. No entanto, com o passar da evolução da sociedade, as escolas passaram a adotar um ensino que prioriza a formação cidadã como forma de interação o ponto de partida para toda e qualquer atividade seja ela voltada para a leitura, oralidade, escrita ou gramática, não prestigiando ou estigmatizando uma ou outra como melhor, apenas adequando o ensino à realidade dos discentes de forma a capacitá-los comunicativamente no mundo social e educacional pelo qual fazem parte defendida na ideia dos PNC quando afirmam sobre a importância do domínio das modalidades, oral e escrita, para um bom desempenho social às diferentes situações comunicativas. Palavras-chave: leitura; interação; sociedade; ensino. 1. INTRODUÇÃO Quando se pensa e se fala sobre a linguagem mesma, realiza-se uma atividade de natureza reflexiva, uma atividade de análise linguística. Essa reflexão é fundamental para a expansão da capacidade de produzir e interpretar textos. É uma entre as muitas ações que alguém considerado letrado é capaz de realizar com a língua. A partir disso, algumas competências devem ser desenvolvidas para que o sujeito interaja com seu meio social podendo assim fazer uso da linguagem de forma significativa. Nesse sentido, a escola não pode negligenciar o desenvolvimento do aluno, por esse motivo, os professores da Educação Básica precisam conscientizar-se da importância de um ensino contextualizado e que mobilize o processo ensino-aprendizagem no sentido de redirecionar as práticas de ensino de português. 2. Habilidades para o ensino de Língua Portuguesa 1 Profª. Graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa) UVA/ Especialista em Língua Portuguesa e Literaturas UFPA/ Concluindo Especialização em Ética, Teologia e Educação EST/ Mestranda em Ética e Gestão EST/

2 2 Com o passar da evolução da sociedade, o ensino deixou de ser visto como uma sucessão de etapas, passando a ser um processo contínuo de inserção de saberes. A partir disso, o aluno precisa desenvolver suas competências e habilidades a fim de aprimorar suas dificuldades no que diz respeito ao ensino e uso da Língua Portuguesa. Isso de fato só terá resultado a partir da tomada de consciência de alguns professores quanto a inserção de alguns elementos tais como: escrita, leitura, oralidade e gramática no contexto de sala de aula. Se os alunos tiverem desenvolvido as quatro habilidades básicas: falar, ouvir, ler e escrever, certamente esses erros desaparecerão gradativamente. Só com muita prática, com o uso efetivo da língua em situações que se aproximam da realidade e que têm significado para os alunos é que se estará de fato promovendo um ensino capaz de contribuir para a construção de um cidadão atuante em sua comunidade. E a gramática normativa passará a ser apenas um dos instrumentos nesse processo, não o eixo principal. E os alunos talvez não insistam mais na ideia de que não sabem o português ou de que ele é muito difícil. Segundo os PCN 2, O domínio da língua, oral e escrita, é fundamental para a participação social efetiva, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Por isso, ao ensiná-la, a escola tem a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes linguísticos, necessários para o exercício da cidadania, direito inalienável de todos. Ou seja, a linguagem é uma forma de ação interindividual orientada por uma finalidade específica, um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes nos diferentes grupos de uma sociedade, nos distintos momentos da sua história, o que é necessário é apenas adequação dos interlocutores no momento da utilização uma vez que produzir linguagem significa produzir discursos, pois segundo os PCN s 3 A questão não é falar certo ou errado, mas saber qual forma de fala utilizar, considerando as características do contexto de comunicação, ou seja, saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo, considerando a quem e por que se diz determinada coisa. É saber, portanto, quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em função da intenção comunicativa, do contexto e dos interlocutores a quem texto se 2 Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: 1997, p PCN, p. 26

3 3 dirige. A questão não é de correção da forma, mas de sua adequação às circunstâncias de uso, ou seja, de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar adequadamente, é produzir o efeito pretendido. O que se espera a partir disso, é que os professores conscientizem-se de que há a necessidade de algumas modificações no que diz respeito ao ensino da língua vernácula, e que para todo esse processo a palavra chave é adequação, ou seja, o sujeito que sabe fazer uso da língua é aquele que sabe adequar sua linguagem de acordo com o ambiente. Como deve a escola agir para ampliar as competências comunicativas de seus alunos, tanto no uso oral como no uso escrito, apresentando-os à norma padrão do português, sem continuar a excluílos, expulsá-los, estigmatizá-los? A escola, muitas vezes, prestigia uma determinada forma de falar as línguas cultas, eleitas pela sociedade como padrão. As demais formas de falar, o que não corresponde à eleita, acabam sendo desprivilegiado, o que pode bloquear o aprendizado do aluno se se continuar numa prática de ensino da linguagem que priorize apenas a norma culta. À proporção que o professor for permitindo ao aluno dizer a sua palavra, este se sentirá fortalecido, favorecendo o trabalho do professor que irá paulatinamente ampliando o desempenho linguístico do aluno, levando-o a expressar-se, a colocar diante do mundo. A partir desse contato o aluno será capaz de interagir com diferentes pessoas em circunstâncias diversas, percebendo a adequação da sua linguagem à situação de uso. Para tanto, o domínio da língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação social, pois é por meio dela que o homem se comunica, tem acesso à informação, expressa e defende pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, produz conhecimento. Dessa forma, a participação de toda a comunidade escolar na elaboração de um projeto educativo comprometido com a democratização social e cultural atribui à escola a função e a responsabilidade de garantir a todos os seus alunos o acesso aos saberes linguísticos necessários para o exercício da cidadania. No entanto, tal tarefa dar-se-ia nos primeiros anos da disciplina cuja deveria garantir a aprendizagem da escrita, considerada um código de transcrição da fala. No entanto, dois tipos de método de alfabetização reinaram por anos: os sintéticos e os analíticos. Segundo Barbosa 4, o caminho sintético é o mais antigo de todos, tem mais de 2000 anos. Considera a língua escrita objeto de conhecimento externo ao aprendiz e, a partir daí, realiza uma análise puramente racional de seus elementos. Ou seja, é nesse processo inicial de aprendizado que a criança passa a ter conhecimento da língua de forma sistemática, num 4 BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, 2008, p

4 4 processo cumulativo: os primeiros começavam da parte e iam para o todo, mostrando pequenas partes das palavras, como as letras e as sílabas, para, então, formar sentenças. Compõem o grupo os métodos alfabético e silábico. Esse aprendizado era feito de forma repetitiva, no entanto, tinha a leitura como parte do processo para desenvolvimento do exercício de articulação e com isso eliminar alguns defeitos já que as situações didáticas essenciais para o Ensino Fundamental passaram a ser: ler e ouvir a leitura do docente, escrever, produzir textos oralmente bem como fazer atividades para desenvolver a linguagem oral, bem como as características e normas para uso adequado da língua. Todo esse processo volta-se para o ensino da língua materna, cujo objetivo é o desenvolvimento da competência comunicativa de forma crítica e socializadora. No entanto, por muito tempo, a linguagem era tida como uma expressão do pensamento, ou seja, ler e escrever bem eram uma consequência do pensar e as propostas dos professores se baseavam na discussão sobre as características descritivas e normativas da língua, cujo objeto de ensino não precisava ser a linguagem. Sentiu-se então a necessidade de outras formas de desenvolver o processo ensinoaprendizagem. Foi então que surgiu o analítico, método este que propunha começar no sentido oposto ao sintético, o que garantiria ao discente uma visão mais ampliada sobre aquilo que estava no papel, facilitando o seu entendimento. Iniciava-se o processo de ensino das frases e palavras, decompostas em sílabas ou letras. É válido ressaltar o importante papel que o educador desempenha nesse processo de formação, uma vez ser este uma ferramenta do saber do aluno. Se ele for capaz de encantar, o educando poderá talvez perceber que existe algo pelo qual alguém de fato se interessou e que talvez possa valer a pena seguir o mesmo caminho. Mas se essa não foi a realidade vivida pelo professor, se ele apenas transmitir aquilo que leu nas gramáticas, o aluno perceberá e levará aquele conhecimento como apenas algo que deve ser cumprido, porque eles são capazes de fazer leituras profundas dos detalhes aparentemente insignificante tem o grande poder de semear profundo significado. Se o objetivo maior do ensino da língua portuguesa é desenvolver a competência comunicativa dos seus usuários, por meio de textos (produção e compreensão) nas mais variadas situações de comunicação, o interlocutor desenvolve sua atividade construtora de significados e de papéis sociais visto que a leitura não pode ser dissociada desse contexto, ao contrário, deverá se relacionar a todas as situações pela qual o texto foi construído bem como sua intencionalidade e todos os signos linguísticos que deram sentido ao mesmo.

5 5 Vale enfatizar que, em todo processo de aprendizado, não existe língua fácil ou difícil, como afirma Possenti 5, Qualquer um poderia objetar que todos falam, mas errado. Por ora, diria que a definição de erro é um problema complexo, e não apenas uma questão de norma gramatical da língua escrita. [...] os erros que condenamos só são erros se o critério de avaliação for externo à língua ou ao dialeto, ou seja, se o critério for social. Isso significa dizer que saber falar significa saber uma língua e que o conhecimento desta implica o conhecimento de uma gramatica internalizada que a partir do momento que o indivíduo frequenta um espaço letrado, passa a adquirir conhecimentos e desenvolver os já adquiridos de forma significativa para assim poder usufruir de um bem inato e fundamental para seu desenvolvimento social, cultural e cognitivo. Pretende-se então com o ensino de língua portuguesa criar situações que possibilitem ao aluno a compreensão dos mecanismos de funcionamento da língua para que desenvolva sua competência comunicativa, discursiva, sua capacidade de utilizar a língua de modo variado e adequado ao contexto, às diferentes situações e práticas sociais a fim de interagir e intervir sobre sua prática em sala de aula buscando formas alternativas e procedimentos didáticos que auxilie e favoreça as potencialidades de cada aluno no contexto social e escolar pelo qual está inserido podendo assim posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Entre os muitos problemas que afligem o processo de ensino-aprendizagem da língua materna no Brasil está certamente relacionado com o aumento e a diversificação da clientela que acorre às escolas. Tratar desse importante tema na escola e na sociedade em geral ainda deixa muito a desejar pela falta de credibilidade de muitos a cerca do tema o que dificulta o reconhecimento dos docentes sobre os fundamentos necessários para sua atuação e formação de forma a contribuir para a construção de uma democracia linguística no país. Nesse sentido, a língua é servidora de muitos patrões, e certamente não presta os mesmos serviços para cada um deles, nem aparece como igual a si mesma para a comunidade 5 POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1996, p. 30

6 6 linguística como um todo. No entanto, convém dizer que o que caracteriza o uso linguístico como acontecimento é o fato de ele não se reduzir a simples ocorrência de uma lei geral. Se fixarmos a devida atenção ao uso da língua por seus falantes, o sistema de regras torna possível que o ato de fala não desaparecerá. Sabe-se, portanto que no ensino de português a linguagem é encarada como algo social e coletiva, uma interação humana sujeita à transformações para que o aluno se torne também um criador, e não apenas um reprodutor do conhecimento já que todas as sociedades, ricas ou pobres, oralizadas ou letradas, todas elas reconhecem o valor educacional, cultural e psicológica e cabe às escola, um trabalho centrado na formação de seres capazes de dominar ambas as modalidades de uso da língua a fim de inseri-los significativamente na sociedade pela qual fazem parte. REFERÊNCIAS BARBOSA, José Juvêncio. Alfabetização e leitura. São Paulo: Cortez, BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas, SP: Mercado de Letras: Associação de Leitura do Brasil, 1996.

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