Resenha de livro. Por Camila Munerato 1 Camila Rodrigues dos Santos 2 Eunice Pereira Cardoso 3

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1 Resenha de livro Por Camila Munerato 1 Camila Rodrigues dos Santos 2 Eunice Pereira Cardoso 3 A presente resenha do livro de Moretto, (2007) em sua 2 edição tem o intuito de mostrar que a avaliação é um processo que nos faz refletir sobre o instrumento mais utilizado no contexto educacional que é a prova. O autor traz um novo significado para a avaliação, discute que ela deve ser inserida de uma forma diferente, em que predomine a clareza nos objetivos e nas formas de se avaliar, de modo que seja mais justa permitindo que o aluno aprenda de uma forma mais significativa. Nessa obra o autor traz vários exemplos de como estruturar uma avaliação que corresponda a: faixa etária do aluno, ao contexto social em que o aluno está inserido e ao modo correto de se avaliar este aluno respeitando o processo que o aluno faz para construir seu próprio conhecimento. Além de nos mostrar que é possível avaliar bem a aprendizagem mantendo a cultura da aplicação de provas, desde que o processo seja ressignificado e contextualizado. De acordo com Philippe Perrenoud (1999): competência é a capacidade de mobilizar recursos (cognitivos) visando abordar uma situação complexa. Esse conceito relaciona três aspectos importantes. O primeiro é entender a competência como uma capacidade do indivíduo. O segundo está ligado a mobilizar (com força interior movimentar). O terceiro está ligado a recurso (é preciso mais do que os recursos da cognição). Portanto, competência está ligada a sua finalidade: abordar (e resolver) situações complexas. O sujeito precisa desenvolver na abordagem de uma situação complexa cinco recursos e eles são: conteúdos específicos, habilidades e procedimentos, linguagens, valores culturais e administração das emoções. 1 Camila Munerato é graduada em Letras e graduanda no curso de Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Nossa Senhora Aparecida (Semar/Unicastelo) de Sertãozinho. Leciona no Ensino Fundamental II e no Ensino Médio. 2 Camila Rodrigues dos Santos é graduanda no curso de Pedagogia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Nossa Senhora Aparecida (Semar/Unicastelo) de Sertãozinho. 3 Eunice Pereira Cardoso é graduanda no curso de Pedagogia na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras Nossa Senhora Aparecida (Semar/Unicastelo) de Sertãozinho.

2 Moretto (2000) traz a perspectiva construtivista sociointeracionista em que o aluno se torna agente ativo no processo de ensino-aprendizagem e o professor é o mediador do processo. Este por sua vez utiliza vários recursos capazes de criar condições para que o aluno construa seu próprio conhecimento. Esta nova perspectiva vê o conhecimento como uma representação que o sujeito faz do mundo que o rodeia, neste caso o aluno se apropria do conhecimento. Não diminuindo o uso da memorização utilizada pelas escolas tradicionais (que pensam no ensino como acumulação de informações), ou seja, o aluno interioriza algumas informações que ficam isoladas e sem significado para o sujeito, fazendo-o repetir a informação a integra (decoreba). O tipo de atividade proposta pela perspectiva tradicional é necessário, mas não é suficiente, pois o aluno tem que trabalhar atividades complexas também, para estimular o raciocínio e dar significado ao que está aprendendo. Não podemos ter em vista um processo de repetição como da escola tradicional em que o aluno reproduz o mundo da forma que o professor quer ou o que ele denomina de pseudo-sucesso, típico de um ensino bancário e que não garante o sucesso no ensino. Na realidade não é isto que a escola busca, mas sim formar alunos críticos, responsáveis, autônomos, que construa seu próprio modo de ver o mundo, e vemos isto na perspectiva construtivista. Mesmo porque a realidade da clientela atual é bem diferente e diversificada e cabe ao professor como mediador utilizar meios que facilitem o processo de aprendizagem e cabe ao aluno apropriar-se do conhecimento, dando significado a ele dentro de seu próprio contexto. Desta forma o aluno aprende e não esquece, é a aprendizagem por desenvolvimento. O objetivo desta nova perspectiva é desenvolver a capacidade do sujeito para abordar situações complexas e transformar o momento da avaliação em construção de conhecimento, momento de estudo. O professor competente precisa desenvolver a arte do saber perguntar, ou seja, a função fundamental da linguagem é ligar contextos (do professor e do aluno), pois ambos têm vivências bem distintas e linguagens próprias construídas por cada um deles e precisam manter uma interação com o objeto de conhecimento. Sendo assim, o professor precisa conhecer melhor seu aluno e todo o processo que envolve o ensino e para que a aprendizagem aconteça com sucesso é necessário que ele tenha uma visão bem definida, estando de acordo com a perspectiva construtivista sociointeracionista. O autor traz algumas maneiras que o mediador pode agir dentro do seu contexto. Ele deve conhecer o seu grupo de alunos psicologicamente e cognitivamente e saber qual o

3 contexto em que eles estão inseridos, assim poderá trabalhar valores, conceitos, linguagens e atitudes, deixando bem claros os seus objetivos de ensino e de avaliação da aprendizagem e compartilhando-os com seus alunos. O professor deve criar estratégias no momento de ensinar, ele deve se conhecer,saber qual a sua característica e também dos seus alunos e ter respeito no momento de ensinar saber perguntar para receber boas respostas para que se tenha condições para um ensino eficaz e eficiente,as repostas devem ser analisadas dentro do contexto do desenvolvimento cognitivo e social do aluno. Moreto (2007) afirma que a construção do conhecimento se processa essencialmente pelo meio da linguagem, portanto a linguagem liga o contexto do professor com o do aluno, na comunicação pode ocorrer falhas o professor pode dizer algo e ser interpretado pelo aluno de outra maneira que será dentro do contexto do aluno e não do professor. Essa interação na perspectiva construtivista se apóia no processo dialético e nesse processo o método dialético tem um papel fundamental. O autor traz da seguinte forma o aluno tem um conhecimento de algo isso seria a sua tese, o professor apresenta novos conhecimentos isso seria a antítese e depois os dois juntos num processo de diálogo chegam a uma síntese que é a conclusão, gerando um novo conhecimento. A escola tem a função de socialização, de preparar pessoas que possam transformar a sociedade. Essa socialização acontece em duas etapas que se chama socialização primária e socialização secundária. A escola de hoje tem um papel diferente de alguns anos atrás, em que a escola tradicional, o foco estava na acumulação de dados e depois isso era cobrado em provas. A memorização deve existir, mas deve se significativa. Moretto traz a reflexão sobre o conceito de erro, que está presente na vida escolar, mas nem sempre se busca a razão do erro. Ele é visto como algo a ser eliminado, isto deve ser revisto, pois o erro se faz necessário durante a aprendizagem, pois ele é o ponto de partida para a busca do acerto. Cabe ao professor mostrar aos alunos que a correção de um erro de linguagem deve ser feita obedecendo ao contexto em que ela está inserida, ou seja, quando me comunico em certos lugares como em casa ou ambientes mais informais posso utilizar a linguagem coloquial (internet, cartas para pessoas mais íntimas) e no contexto escolar, por exemplo, em atividades escritas a linguagem formal (redação, ofício, provas). Moretto (2007) traz o termo conteúdos dentro do contexto escolar com dois lados distintos: primeiro a escola conteudista que dá ênfase a decoreba e em contrapartida a escola que prioriza o fazer. Surge então uma nova perspectiva: o construtivismo, no caso

4 esta última. O objetivo desta nova proposta não é deixar de lado os conteúdos, mas tornar a relação aluno/ professor e vice-versa mais (ativa), desenvolvendo a capacidade do sujeito para abordar situações complexas. Com base nisto, o ensino de conteúdos e o desenvolvimento de habilidades ou competências precisam caminhar lado a lado para que a aprendizagem aconteça. De acordo com Moretto (2007), há alguns autores que falam sobre conteúdos curriculares, como: Coll, 1996; Zabala, 1998, além dos PCN s (Parâmetros Curriculares Nacionais). Estes autores visam dar aos conteúdos o lugar e o significado que devem ter no processo da aprendizagem, sendo assim, abordam três tipos de conteúdos: Conceituais/ factuais, que são fatos descritivos, porém construídos socialmente e passam a constituir o contexto para uma situação complexa. Depois vêm os conteúdos conceituais em que conceito é uma representação relativa sobre um determinado objeto de conhecimento. Relativa porque depende de nossa disponibilidade para os estudos, de nossa prática, de nosso contexto cultural, que são bem diversificados. Moretto (2007) critica professores que fazem uso do termo defina durante a elaboração das avaliações ou atividades. Considera uma sentença fechada sobre determinado conhecimento, pois não se faz uso de outros elementos para a compreensão e para o autor a construção de conhecimento se dá a partir do momento em que o aluno constrói uma linguagem clara e significativa. Outro conteúdo apresentado pelos autores que deve ser trabalhado durante o processo de aprendizagem são os conteúdos procedimentais. No entanto por serem atividades repetitivas destinadas a fixação, para Moretto deve nos ater a duas condições antes de utilizálas como instrumento avaliativo. Em primeiro lugar o aluno tem que ter um conceito correto dos objetivos de conhecimento e saber os procedimentos pelos qual o leva a situações complexas. Nestes conteúdos por sua vez é levado em conta o saber fazer, o raciocínio, ou seja, o professor dá relevância ao caminho (percurso) pelo qual o aluno fez para chegar a determinado resultado. O último dos conteúdos apresentados por eles são os conteúdos atitudinais, que têm por objetivo a formação para os valores, como o respeito, a responsabilidade, a honestidade, a formação das atitudes. Os conteúdos atitudinais são trabalhados no contexto dos outros conteúdos no processo de ensino. Para Moretto (2007) a avaliação precisa ser analisada sob novos parâmetros, pois antes era vista como um processo em que o aluno deveria devolver ao professor o que dele recebeu denominada por Paulo Freire, como citado pelo autor por educação bancária. Na verdade

5 não é isso que a escola busca, mas sim formar alunos críticos e autônomos, por isso este último autor dá tanta importância à perspectiva construtivista sociointeracionista, pois propõe o aluno como próprio construtor do conhecimento e o professor como mediador deste processo que indica caminhos. O autor do livro propõe que a avaliação da aprendizagem precisa ser feita de diversas formas, estando sempre de acordo com a maneira de ensinar. Ser um processo de interiorização realizado pelo aluno ao qual o professor deve estimular exemplos voltados para a realidade do aluno e a partir deste ponto fazer com que o aluno estabeleça relações com o conhecimento científico. Sempre levar em conta o processo pelo qual o aluno fez para construir seu conhecimento. E finalizando seu pensamento, é preciso que o professor enxergue a prova como um momento privilegiado de estudo e não um acerto de contas. Para Moretto (2007) o professor deve pensar no momento da elaboração das provas em uma avaliação eficaz (que traz resultados satisfatórios) e ao mesmo tempo eficiente. Neste último tanto o objetivo quanto o processo são levados em conta e o aluno faz uso do seu raciocínio para responder as atividades dando significado ao que lê e produz. Para ele, ao formular perguntas é preciso adotar um parâmetro, um ponto de partida deixando a pergunta clara, objetiva e contextualizada. E além de tudo o professor precisa estar atento para que não faça do texto um pretexto, em que no momento da prova é apresentado ao aluno um texto que comparado à pergunta ou comanda está fora de contexto, não tendo utilidade alguma. Moretto expõe a taxionomia de Bloom (significa classificação). Já foi citado que a pessoa que avalia precisa de critérios para efetuá-la, no caso de Bloom (1971), de acordo com Moretto, seu critério é a complexidade das operações mentais necessárias para alcançar determinados objetivos, visa à construção do conhecimento. Vê-se bem que Bloom abordou questões relativas à perspectiva construtivista, apresentaram tanto questões operatórias (operações mais complexas, estabelecendo relações significativas), quantas questões transitórias (uma simples transcrição de informações, muitas vezes aprendidas de cor, sem muito significado para o aluno). Porém o estudo visa provocar a construção de uma representação operatória sobre o assunto. Com base na leitura de Charlot (2000), Cesar Coll (1996), Perrenoud (1999), Vasconcelos (1995) e Zabala (1998), o autor (Moretto), nos apresenta vários tópicos para que o professor reflita sobre sua forma de atuar, sua postura, como atingir resultados satisfatórios, fazendo uso de uma avaliação que não reprima, mas que seja considerada como momento de estudo. Ele traz uma nova visão, em que o aluno não enxergue mais a prova somente como

6 busca de sucesso (nota), mas que seja mais um momento de construção de conhecimento, dando oportunidade para que o aluno leia, reflita, relacione, opere, demonstrando capacidades e habilidades para solucionar uma situação complexa. Uma avaliação bem diversificada, mas com objetivos e critérios para correção, para que o professor faça uma avaliação objetiva e clara. Uma avaliação que considere o erro como algo que contribua para a aprendizagem, no sentido de ser o ponto de partida para o acerto. Moretto também apresenta na taxionomia as duas perspectivas (tradicional e construtivista) como forma de critica ao sentido que alguns professores deram e dão ao ensino e a aprendizagem, para que reflitam sobre a melhor forma de se avaliar. Sendo assim este livro é de grande relevância para estudantes de licenciatura, mostrando a como avaliar da forma mais correta e justa, não deixando de lado o uso dos conteúdos, mas dando um novo significado a avaliação. O mesmo vale para os professores, porém como cada um tem seu modo de atuar, este livro vem com a intenção de fazer o professor refletir sobre sua postura e até mesmo métodos que utiliza em sala de aula, planejando suas aulas da melhor forma possível. É importante também que alunos saibam o objetivo do livro e possam reivindicar por melhores aulas e expor sua opinião sobre a clareza de determinada questão. Os pais também deveriam ler este livro, com o intuito de conhecerem melhor o processo da avaliação e junto com o professor de seus filhos discutirem as dificuldades dos alunos e ir propondo novos caminhos para a melhoria no ensino. BIBLIOGRAFIA MORETTO, Vasco Pedro. Prova: Um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. 2 edição. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.

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