DISCUSSÃO CONCEITUAL SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL E DOMÍNIO PÚBLICO

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1 ORGANIZAÇÃO SETE DE SETEMBRO DE CULTURA E ENSINO LTDA FACULDADE SETE DE SETEMBRO - FASETE CURSO DE BACHACELADO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO MANOEL MARCELO MONTEIRO DE CARVALHO MENDES DISCUSSÃO CONCEITUAL SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL E DOMÍNIO PÚBLICO PAULO AFONSO BA JUNHO 2009

2 MANOEL MARCELO MONTEIRO DE CARVALHO MENDES DISCUSSÃO CONCEITUAL SOBRE PROPRIEDADE INTELECTUAL E DOMÍNIO PÚBLICO Projeto apresentado no curso de Bacharelado em Sistemas de Informação para cumprimento da disciplina Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, sob orientação do professor Igor Medeiros Vanderlei. PAULO AFONSO BA JUNHO 2009

3 Dedico este trabalho ao meu filho Davi que está por vim e que é a principal razão dos meus esforços e pensamentos e que vai viver este mundo que a evolução tecnológica será sem dúvida ainda mais rápida que os pais dele viveram.

4 AGRADECIMENTOS A Deus por ter me concedido saúde e calma, para que este estudo fosse desenvolvido. Aos meus pais, Paulo e Laís, minha irmã Priscila, e minha esposa Alice por terem compreendido meus momentos de isolamento. Ao meu orientador, professor Igor Medeiros, pela dedicação e paciência durante todo o processo de criação deste trabalho. E a todos que, de alguma maneira, ajudaram na realização desta produção.

5 7 MENDES, Manoel Marcelo. Discussão Conceitual sobre Propriedade Privada e Domínio Público. 2009, 33 f. Monografia. (Bacharelado em Sistemas de Informação). Faculdade Sete de Setembro, Paulo Afonso-BA. Este trabalho tem como objetivo analisar as questões pertinentes à propriedade intelectual e domínio público sob a ótica da tecnologia da informação e comunicação (TIC), observando a legislação existente no Brasil, assim com as leis existentes no EUA e União Européia. Este trabalho partiu do propósito de mostrar como é frágil a linha que separa o que é domínio público do que não é, e de como isso interfere fortemente nas relações econômicas, culturais, políticas, ambientais e sociais. Para a realização desse estudo, foi feita uma análise das leis existentes, sites sobre o tema e também em artigos sobre a propriedade intelectual e domínio público. Com a análise, verificou-se que principalmente com a chegada de novas ferramentas de comunicação, aliada à tecnologia, em especial a internet, a digitalização está transformando a troca de informações em algo rápido e de baixo custo. No mundo atual, onde a carência de informações sempre aumentou as disparidades sociais entre os países, a luta pelo conhecimento e os interesses econômicos muitas vezes estão em claro confronto e então se faz necessário fazer uma caracterização do conceito de uso razoável e domínio público. Palavras-chave: Propriedade Privada, Domínio Público, Legislação, Tecnologia, Informação, Comunicação.

6 8 ABSTRACT This work main purpose is to analyze questions concerning intellectual property and public domain through the information technology and communication point of view. Watching closely the Brazilian legislation about the theme, as well as the American and European. This work came from the objective of showing how frail is the line that separates matters belonging to public domain from those which are not and how this can interfere strongly into economic, cultural, political, environmental and social relations. To accomplish this study, existent laws were analyzed, websites about the theme and also articles about intellectual property and public domain. With the analysis, it was verified the creation of new communication tools that associated with technology, especially the internet, digitalization is turning the exchange of communication into something faster and cheaper. Nowadays where the lack of information has always increased social disparity, the struggle for knowledge and economical interests are most of the times confronting each other, it is indispensable to recognize the concept of reasonable use and public domain. KEY WORDS: Private property, Public domain, Legislation, Information Technology, Communication.

7 9 SUMÁRIO INTRODUÇÃO A PROPRIEDADE INTELECTUAL ORIGEM CONCEITO LEI BRASILEIRA LEIS E TRATADOS INTERNACIONAIS ORGANIZAÇÃO DO MUNDO EM DEFESA DA PROPRIEDADE INTELECTUAL O DOMINIO PUBLICO CONCEITO DOMÍNIO PÚBLICO: DA ORIGEM ATÉ OS DIAS ATUAIS ENTIDADES DE APOIO A BUSCA PELO EQUILÍBRIO...30 CONSIDERAÇÕES FINAIS...34 REFERÊNCIAS...34

8 10 INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento das novas tecnologias, tais como: a internet, a criação de softwares para editar vídeos e músicas, gravadores digitais, etc, abriu-se espaço para o crescimento exponencial da criatividade e liberdade de formas e pensamentos. Tarefas que anteriormente só poderiam ser realizadas por grandes estúdios e gravadoras, como a edição de vídeos e músicas, hoje em dia podem ser realizadas em computadores relativamente baratos, e com uma qualidade razoável, a partir da utilização de softwares específicos. Da mesma forma que a tecnologia tem facilitado a criação de obras, também possibilita o aproveitamento de obras já existentes e, tendo a internet como um repositório global de conteúdo, interligando todo o mundo de maneira on-line, ficou muito fácil apropriar-se de material alheio ou distribuir de maneira pirata produtos pertencentes a outras pessoas, sem preocupação com o direito autoral. Quando bem utilizada, as ferramentas da tecnologia da informação e comunicação (TIC) podem contribuir para o desenvolvimento da criatividade, permitindo que se construam materiais das mais diversas mídias de boa qualidade e que esta obra seja distribuída no mundo inteiro quase sem custo. Também pode ser utilizada por professores em sala de aula para estimular o aluno, com apresentações mais dinâmicas e divertidas, utilizando as várias formas de representação da informação(áudio, vídeo, imagem, texto) para estimular os diversos sentidos dos alunos, com maiores chances de prender a sua atenção e melhorar o seu aprendizado. A criação no mundo da tecnologia se alimenta da liberdade de criação, da questão de que se é possível fazer determinada coisa por qual motivo não fazê-la? A evolução da tecnologia da informação e também da comunicação está criando um verdadeiro sobressalto no mundo moderno. É o que estão chamando de Quarta Onda, que se caracteriza principalmente pela valorização da informação, onde os bens intangíveis apresentam um valor enorme frente a sistemas como o econômico, cultural, político, ambiental e social, e estes bens dependem do equilíbrio da linha tênue que define o que é Domínio Público do que não é. Com a evolução e barateamento dos sistemas de hardware e software, houve uma aceleração no processo de digitalização da informação, no qual quase todo tipo de informação pode ser representado e armazenado em mídias digitais. Isto, aliado ao desenvolvimento dos

9 11 meios de comunicação, principalmente a internet, fez com que houvesse um grande avanço na propagação da informação e do conhecimento a custos baixíssimos. Neste contexto é que estão inserido as questões relativas à Propriedade Intelectual na era da informação digital e que levam a necessidade de caracterização do conceito de uso razoável e de Domínio Público. Ambos os incentivos dados pela propriedade intelectual e pelo domínio público são importantes para manter este equilíbrio em perfeita harmonia. No entanto, na atualidade, as maiorias das atenções estão sendo voltadas para a proteção da propriedade intelectual. Com isso, este trabalho almeja fazer um estudo sobre como a questão da Propriedade Intelectual e do Domínio Público interfere fortemente nas relações socioeconômicas atuais e de que forma este assunto está sendo tratado atualmente pela justiça brasileira. Para isso será feito um estudo sobre as leis brasileiras existentes que são pertinentes a tecnologia da informação, como também procurar leis existentes em outros paises, em especial nos Estados Unidos da América e na União Européia. OBJETIVO GERAL Realizar um estudo sobre como a questão da propriedade intelectual e domínio público interferem fortemente nas relações socioeconômicas atuais e de que forma este assunto do ponto de vista da legislação está sendo tratado atualmente. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Realizar um estudo para verificar a existência de leis no Brasil sobre domínio público e propriedade intelectual. Analisar se tais leis são adequadas ao ciberespaço. Procurar informações sobre como o assunto está sendo tratado em outros países mais desenvolvidos do ponto de vista de legislação. Identificar falhas no sistema jurídico atual sobre o domínio público e propriedade intelectual no mundo digital. METODOLOGIA DE PESQUISA

10 12 A metodologia a ser utilizada foi uma análise bibliográficas nas legislações existentes, em especial no Brasil, EUA e União Européia a respeito do tema, bem como em sites que contenham esta matéria. JUSTIFICATIVA Atualmente, com a intensificação da tecnologia da informação se evidenciou o quanto é delicada a linha que separa o domínio público da propriedade intelectual. Se anteriormente a era digital era complicado se fazer cópias de livros, por exemplo, hoje em dia pode até ser um pouco trabalhoso digitalizar um livro, mas após este primeiro trabalho se torna fácil fazer cópias assim como disponibiliza-las na internet. Uma vez transformado qualquer arquivo em um formato digital uma pessoa pode modificá-lo e copiá-lo de diversas formas, isto está transformando a sociedade, afetando principalmente as empresas de entretenimento que estão tendo que repensar o seu modelo de negócios. A velocidade que está ocorrendo a evolução tecnológica e de comunicação é superior a capacidade que os países tem para elaborar leis a respeito deste tema. É algo novo e que analogias feitas com propriedades intelectuais já existentes estão se mostrando ineficientes e incorretas. A necessidade de se fazer uma caracterização sobre a propriedade intelectual e domínio público está em como estas questões interferem fortemente nas relações socioeconômicas atuais. Somando este tema com o estudo sobre as legislações existentes no Brasil e nos países mais desenvolvidos é que está inserido a justificativa deste trabalho. ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Este trabalho é composto por três capítulos intitulados: A Propriedade privada, O Domínio Público e A busca pelo Equilíbrio. No primeiro capítulo é feita uma apresentação da propriedade privada mostrando sua origem, seu conceito, lei brasileira, leis e tratados internacionais e organização do mundo em defesa da propriedade intelectual. No segundo capítulo será mostrado o que é domínio público, seu conceito, domínio público: da origem até

11 13 os dias atuais e entidades de apóio. No terceiro e último capítulo é mostrado os benefícios e a importância da propriedade privada e do domínio público.

12 14 1. PROPRIEDADE INTELECTUAL A fim de proporcionar um melhor conhecimento sobre a Propriedade Intelectual e facilitar o entendimento deste trabalho, neste capítulo serão apresentados os conceitos de propriedade Intelectual, bem como sua origem, legislações relacionadas e entidades governamentais ou não que atuam na defesa do direito de Propriedade Intelectual. 1.1 ORIGEM Antes de definir o termo Propriedade Intelectual, faz-se necessário compreender a origem e evolução do termo propriedade. A idéia de propriedade existe desde a pré-história, no período paleolítico, onde o ser humano vivia em pequenos grupos nômades, fabricava seus instrumentos de caça e pesca, e habitava cavernas. Nesta época, a propriedade era coletiva e consistia dos instrumentos de caça e pesca. Com o desenvolvimento da agricultura e a habilidade de criar animais, os grupos humanos passaram a se fixar em uma terra, que neste momento passou a ser a propriedade mais importante do grupo. Na chamada era dos metais, com o domínio de técnicas de drenagem e irrigação, ocorre um grande impulso na agricultura, que passa a produzir mais do que o necessário para o grupo consumir, o que dá origem à troca de mercadorias, o escambo. Desta forma, as pequenas aldeias agrícolas passam a formar centros urbanos. Vão surgindo as cidades-estado e por fim os pequenos reinos. Com o desenvolvimento das novas armas, os pequenos estados passam a dominar os outros mais fracos, dando início aos primeiros impérios. A venda de propriedades já existia na Suméria a 4000 a.c. Textos anteriores ao código de Hamurabi já previa penalidades para roubos. O conceito de propriedade está inclusive implícito no sétimo mandamento: não furtarás. Foram os romanos que criaram as bases para a propriedade privada como é conhecida hoje. O direito a propriedade privada estabelecida nas leis nasceu no século XVII com as mudanças institucionais implantadas na Europa e rapidamente se espalharam por todo o planeta. Neste momento os governantes perderam o poder de confiscar bens ou de limitar seu uso legitimo. Um judiciário independente e eficiente adquiriu o poder de preservar este direito.

13 15 A propriedade foi motivo de discussão de diversos filósofos ao longo de toda a historia. A lista inclui Platão, Aristóteles, São Tomás de Aquino, Hegel, Hobbes, Locke, Hume, Kant, Marx e Mill. Com o desenvolvimento da sociedade se percebeu que algo valioso não limitava-se apenas a bens concretos, os bens abstratos como idéias, invenções, livros, conhecimentos, também eram importantes Estes bens precisavam também ser protegidos e, dentro deste contexto, que foi criada a propriedade intelectual. Logo verificou-se que as mesmas regras aplicadas aos bens concretos não poderiam ser simplesmente utilizadas para proteger os bens abstratos. 1.2 CONCEITO A propriedade intelectual é um dos tipos de propriedade, mas apesar de existir leis sobre a mesma nenhuma se refere diretamente e satisfatoriamente sobre a propriedade intelectual na tecnologia da informação. O significado de direitos autorais fica consolidado na Lei n no art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro. Na descrição dentro desta lei sobre obras intelectuais, fica claro o sentido de protegêlas, não importando em que meio são expressas, como também com qual finalidade serão usadas, importando somente nesta lei a sua proteção global deste direito. Segundo Walter Brasil Mujalli no livro Sistema de Propriedade Industrial no Direito Brasileiro sobre propriedade Intelectual: Esta corresponde ao produto do pensamento e da inteligência humana, que também tornou-se com o passar dos tempos, objeto da propriedade industrial. A propriedade intelectual é o esforço dispendido pelo ser humano, voltado a realização de obras literárias, artísticas e cientificas, como também, é o direito autoral.(1997, p. 20) Neste conceito fica claro a intenção do autor em defender o esforço, o trabalho para se realizar as suas obras, com também, a clara semelhança, segundo o autor, da propriedade intelectual e do direito autoral. De acordo com o magistério de Luiz Otavio Pimentel no livro Sistema de Propriedade Industrial no Direito Brasileiro, As diversas produções da inteligência humana e alguns institutos afins são denominadas genericamente de propriedade imaterial ou intelectual, dividida em dois grandes grupos, no domínio das artes e das ciências: a propriedade literária, cientifica e artística, abrangendo os direitos relativos as produções intelectuais na

14 16 literatura, ciência e artes; e no campo da industria: a propriedade industrial, abrangendo os direitos que tem por objeto as invenções e os desenhos e modelos industriais, pertencentes ao campo industrial.(2005,p. 126) Neste conceito, o autor faz uma caracterização restrita da propriedade intelectual e deixa de lado uma área efervescente da propriedade intelectual que é este tipo de propriedade na tecnologia da informação e comunicação. Na grande maioria dos intelectuais do direito brasileiro não é feita a clara atenção a propriedade intelectual na TIC. Este bem não possui uma estética, existe somente dados, e por isso não cabe em nenhuma das descrições relatadas pela legislação. Esta atenção ainda é bastante tímida no Brasil, refletindo neste, apenas decisões antigas dos países que estão na definida vanguarda deste assunto. No entendimento da OMPI(Organização Mundial da Propriedade Intelectual) propriedade intelectual é assim definida, Propriedade Intelectual é a soma dos direitos relativos às obras literárias, artísticas e cientificas, às interpretações dos artistas intérpretes e às execuções dos artistas executantes, aos fonogramas e às emissões de radiodifusão, às invenções em todos os domínios da atividade humana, ás descobertas cientificas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, comerciais e de serviço, bem como às firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial, científico, literários e artístico.(2009) Para a OMPI a dimensão da propriedade intelectual é enorme e abrange todos os tipos de invenções humanas e projetos feito pelo homem. Por se tratar de uma organização criada com o intuito de zelar pela proteção dos direitos dos criadores e titulares no âmbito mundial foi feita uma descrição detalhada e completo da propriedade intelectual. Cabe salientar que a OMPI é uma organização intergovernamental com sede em Genebra na Suiça e é uma das agências especializadas da ONU(Organização das Nações Unidas). É composta por 180 países membros e é responsável pela proteção a propriedade privada como também pela administração de diversos tratados multilaterais legisla sobre aspectos legais e administrativos da propriedade intelectual. O assunto da propriedade intelectual já é novo comparado a outros tipos de direitos(a OMPI entrou em vigor em 26 de abril de 1970), quando se observa a propriedade intelectual com foco na tecnologia da informação e na comunicação o tema fica ainda mais jovem e imaturo. A própria tecnologia da informação, juntamente com a sua grande capacidade de inovação, produz novos produtos e ferramentas com uma capacidade jamais vista. O próprio programa de computador, apesar de já existir a certo tempo, ainda está passando por uma caracterização no direito brasileiro.

15 17 Conforme a INPI- Instituto Nacional de Propriedade Intelectual diferentemente das demais proteções conferidas pelo instituto que são afetas a propriedade intelectual, o registro de programa de computador e afeto ao direito autoral. A INPI apresenta-se como defensora da idéia de que o programa de computador é um esforço privado, e seus direitos estão mais semelhantes ao direito autoral do que a própria propriedade intelectual. Os programas usados nos computadores necessitavam de uma legislação que os definissem no Brasil, pois a sua comercialização no país, assim como em todo o mundo, estava em crescimento exponencial. Para suprir essas necessidades foi criada no Brasil em 19 de fevereiro de 1998 a lei n que dispõe sobre o programa de computador, sua comercialização no país e dá outras providências. Nas disposições preliminares da referida lei diz que: Programa de computador é a expressão de um conjunto organizado de instruções em linguagem natural ou codificada, contida em suporte físico de qualquer natureza, de emprego necessário em máquinas automáticas de tratamento da informação, dispositivos, instrumentos ou equipamentos periféricos, baseados em técnica digital ou análoga, para fazê-los funcionar de modo e para fins determinados.(1998) Nesta lei o direito brasileiro faz um conceito moderno e atual sobre o que é o programa de computador, seguindo o mesmo conceito de países mais desenvolvidos, como EUA e países da Europa. Segundo o autor Luiz Augusto Azevedo Sette no livro Direito Eletrônico sobre obra intelectual: é aquela derivada da criação ou espírito humanos, capaz de ser percebida pelos sentidos. Para Carlos Alberto Bittar, direitos intelectuais são assim definidos: Aqueles referentes a relações entre pessoa e as coisas (bens) imateriais que cria e traz à lume, vale dizer, entre os homens os produtos do seu intelecto, expressos sob determinadas formas, a respeitos dos quais detêm verdadeiro monopólio.(1992, p. 22) Para o autor o direito intelectual é definido com a combinação de pessoa com um bem imateriais e que essas pessoas possuem o monopólio do seu uso. Para Robert M. Sherwood no livro Propriedade Intelectual e Desenvolvimento Econômico a propriedade intelectual é assim defendida: A criatividade humana é o grande recurso natural de qualquer país. Como o ouro nas montanhas, permanecerá enterrado sem estímulo à extração. A proteção à propriedade intelectual é a ferramenta que traz à tona aquele recurso.(1993, p. 22) Para o autor o maior recurso natural de qualquer país é a criatividade humana, essência da propriedade intelectual, que transforma esse recurso natural em algo vistoso e valioso.

16 LEI BRASILEIRA O artigo do código civil brasileiro tem em seu objeto de atenção a propriedade em geral e diz em suas disposições preliminares que O proprietário tem a faculdade de usar, gozar, e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Em 19 de fevereiro de 1998 foi sancionada pelo então presidente da república Fernando Henrique Cardoso o projeto de lei que faz a atualização da legislação sobre o software no Brasil(lei n 9.609) e no mesmo dia publicou a lei n que tem como foco a legislação sobre direitos autorais, incluindo a proteção ao programa de computador. Nesta lei, alguns pontos importantes são: 1. Aplicação de uma pena de seis meses a dois anos de detenção e multa para violação de Direitos do Autor do programa(multa de até 2 mil vezes o valor de cada cópia pirateada). Caso a cópia pirata esteja sendo usada para fins comerciais a pena passa a ser de um a quatro anos de detenção e a multa pode chegar a 3 vezes o valor de cada cópia pirateada. 2. Quem estiver usando uma cópia pirata poderá ser processado por crime de sonegação fiscal. A Receita Federal poderá fiscalizar a empresa para confirmar a procedência do software. 3. O produtor do software terá o direito sobre o mesmo com duração de 50 anos e não dependerá de nenhum registro prévio em qualquer órgão do governo. 4. Ficam excluídos os Direitos Morais. Desta forma o software pode ser modificado para se adequar às necessidades do usuário. 5. As empresas não poderão alugar o software sem prévia autorização do autor, desde que o software não faça parte da máquina alugada. 6. O empregador terá direito exclusivo sobre o programa desenvolvido pelo empregado durante a vigência do contrato. 7. Estão eliminados os cadastros e demais burocracias para a comercialização de software no Brasil. Nesta lei, as bases teóricas usada por países mais desenvolvidos foram transcritos nesta lei brasileira, porém se esqueceu de observar um fato novo que este assunto trás a tona, que é a questão da facilidade em fazer cópias piratas e de como este produto final pirata tem vantagens ao consumidor, por trazer qualidade muitas vezes semelhante e preço muito inferior ao original, o que transforma sua solução em algo difícil de resolver e de combater, já que é

17 19 visto com bons olhos pelo consumidor em geral. Além deste problema é difícil se caracterizar um produto pirata, pois é preciso analisar se a obra (escrita, musicais e audiovisuais) está sendo usada sem a autorização do detentor dos direitos autorais e o uso dessa obra pode se dar de diversas maneiras como: vendas e compras de CDs, download de arquivos pela internet, uso de músicas como toque de celular, etc. 1.4 LEIS E TRATADOS INTERNACIONAIS Diversos países elaboraram leis para proteger os direitos autorais e propriedade privada, apesar desta proteção, se percebia problemas quando o objeto da proteção ultrapassava as fronteiras do país de origem, dificultando sobremaneira a aplicação das leis nacionais. No sentido de resolver este problema, foram redigidas leis e tratados internacionais para não só facilitar a aplicação das leis, como também unificar leis semelhantes. O objetivo de se elaborar tratados que tenham abrangência internacional com o sentido de preservar os direitos teve como inicio a Convenção Internacional para Proteção da Propriedade Industrial de Paris em 1967, que teve como tema especifico a questão de patentes e é complementada por diversos tratados, como é o caso da União de Paris. A União de Paris é um tratado internacional, assinado em 1883, porém, apesar de ter sido emendado diversas vezes manteve dois princípios fundamentais: o direito de prioridade e o principio do tratamento nacional. Pelo principio do tratamento nacional, os países membros estenderia a proteção aos cidadãos dos demais países signatários assim como sua população. Esta foi a principal contribuição deste tratado, pois esteve presente nele o desejo de que uma determinação esteja presente em diversos países. Além desta convenção teve também destaque a Convenção de Berna, elaborada em 1886 e reformulada em 1971 que assegura os direitos do autor sobre obras intelectuais, literárias e congêneres. Essa convenção tem conseguido firmar princípios e orientações que foram seguidas pelos países interessados, conseguindo de certa forma uma uniformização legislativa. A convenção de Berna e de Paris possuía secretariados que foram reunidos em 1893 sob a denominação de Bureaux Internacionaux Reunis pour la Protection de la Proprieté Intellectuelle(BIRPI).

18 20 Em 1967, os BIRPI forma substituídos pela organização Mundial de Propriedade Intelectual, cuja sigla é OMPI. Nos países de língua inglesa, é denominada oficialmente World Intellectual Property Organization, com a sigla WIPO. A OMPI tem sede em Genebra, na Suíça. Existe desde 26 de abril de 1970 e o Brasil faz parte como membro efetivo desde 20 de março de O objetivo de estudo da OMPI é a proteção a propriedade intelectual em todas as suas vertentes, e em 1970 foi criado um grupo consultivo de técnicos encarregados de elaborar estudos sobre a proteção jurídica do programa de computador e oferecer um parecer ao Bureau Internacional da OMPI. Este parecer foi solicitado pela ONU e serviu de base para uma possível aplicação em acordos internacionais. O grupo consultivo abordou as seguintes questões: 1. No plano nacional, qual a forma mais satisfatória de proteção jurídica para os programas de computadores, tanto do ponto de vista de países em desenvolvimento como de países produtores de computer software? 2. Que providências internacionais novas, que modificações ou reforços de medidas existentes devem ser previstos? Em 1977, o grupo se reuniu na sua sede e depois de analisar detalhadamente o documento preparado pela Bureau Internacional da OMPI, contendo as disposições-tipo sobre a proteção do software, aprovou sua publicação, que foi feita na revista Le Droit d Auteur, exemplar de janeiro de Com esta publicação a OMPI admitia um novo direito intelectual, com características sui generis(único em seu gênero). A estrutura das disposições-tipo é a seguinte: - O art. 1 define o objeto da proteção: programa do computador, descrição do programa, documentação auxiliar e software; - O art. 2 determina quem é o proprietário e o detentor dos direitos relativos ao software, quando este for criado por um empregado. Esse artigo regulamenta, também, a transferência e a devolução dos direitos relativos aos programas; - O art. 3 define a originalidade; -O art. 4 especifica que os direitos pela presente lei não se estendem as noções nas quais o programa é fundado ; - O art. 5 enumera os direitos do proprietário contra aquele que promover divulgação não autorizada, acesso não autorizado, cópia, utilização e venda não autorizada do software;

19 21 -O art. 6 trata da violação dos direitos do proprietário. Prevê dois casos que não são considerados violação: a criação independente e a situação particular dos navios e dos veículos estrangeiros em geral(inclusive espaciais ou aéreos) que atravessarem o território de um país, utilizando software criado em outro país; - O art. 7 trata da duração dos direitos conferidos pela lei(20 a 25 anos a partir da sua criação); -O art. 8 define as sanções civis cabíveis em caso de infração; -O art. 9 cuida da aplicação de outras leis. A OMPI não exclui, no que concerne a proteção do programa, a aplicação de princípios gerais de direito ou de outras leis, como a lei das Patentes, a dos Direitos Autorais ou sobre concorrência desleal. Esta publicação faz uma descrição detalhada do que é o software, não se atendo somente ao produto final como também a sua descrição e documentação. É uma descoberta deste novo direito intelectual e como deve ser regulamentado este novo direito. A França é um país que está se destacando no combate a pirataria no continente europeu. Foi aprovada no dia uma lei sobre a internet que estabelece a suspensão de acesso a internet para usuários que façam downloads ilegais. O governo irá enviar uma carta de advertência para cada usuário que desrespeitar a lei. Após a segunda carta de advertência o usuário tem o seu acesso a internet suspenso por até um ano. O usuário fica também obrigado a continuar o pagamento ao provedor enquanto a suspensão estiver valendo. Com esta lei a França se torna um dos países mais rígidos no combate a pirataria na internet. Esta lei foi embasada por mais de 10 mil assinaturas de artistas,cineastas, músicos e pessoas ligadas a cultura em geral. Apesar da lei ser bem severa no combate a pirataria, a sua eficiência é contestada até mesmo para pessoas do próprio governo, como a ministra de cultura francesa Christine Albanel que disse que esta lei tem um pequena chance de erradicar com o o fenômeno mundial que é a pirataria de produtos culturais. Uma lei com o mesmo molde da lei francesa foi introduzida no parlamento europeu que desconsiderou a lei, alertando do perigo de prejudicar usuários inocentes. O parlamento considerou que um usuário desavisado poderia fazer uma troca de arquivos de entretenimento sem saber que estaria violando alguma lei, e mesmo assim, ser punido com o bloqueio de seu acesso a internet. 1.5 ORGANIZAÇÃO DO MUNDO EM DEFESA DA PROPRIEDADE INTELECTUAL

20 22 A Propriedade Intelectual se tornou um bem muito valioso na sociedade moderna. Não só para as pessoas de maneira geral, como também para empresas e governos. As pessoas são incentivadas a produzir mais e melhor quando são reconhecidas e remuneradas por isso. Este pensamento é o que rege o sistema capitalista que se mostrou mais eficiente que o socialismo defendido por Marx. A propriedade Intelectual está presente não somente nas pessoas como também nas empresas e este bem valioso tem que ser protegidos, independente da evolução tecnológica. Nenhuma empresa ira investir em um determinado projeto que seja de tecnologia da informação e comunicação (TIC) sem ter a certeza que terá o retorno de seus investimentos garantido. Diversas empresas estão diminuindo seus investimentos ou até mesmo falindo graças à revolução tecnológica irresponsável. Uma pesquisa realizada pela Business Software Alliance (BSA), apoiada pela Associação Brasileira das empresas de Software (Abes) e conduzida pela International Data Corporation (IDC) mostra que a indústria brasileira de tecnologia da informação pode perder 2,9 bilhões de dólares em quatro anos por conta da pirataria. A pesquisa mostra também que com a redução da pirataria poderia ser agregados até 11,5 mil empregos e 389 milhões de dólares em impostos até Este estudo baseia-se na geração de capital do mercado de TIC e sua contribuição para o Produto Interno Bruto(PIB). As conclusões mostram que, em 2007, o Brasil investiu cerca de US$ 20 bilhões em tecnologia, incluindo hardware, software e serviços. Este valor corresponde a 1,8% do PIB. Este valor é composto por mais de 22,5 mil empresas e 372 mil colaboradores, e a TIC arrecada US$ 7,1 bilhões em impostos relacionados. As pessoas possuem em suas mãos ferramentas capazes de copiar, multiplicar arquivos ou dados que deram muito trabalho e custaram caro para seus idealizadores. Essas cópias depois que estão prontas tem custo de reprodução baixíssimo e a qualidade é a mesma, de forma que o investimento para a produção do arquivo original é perdido ou diminuído fortemente graças a este problema. Esta é uma guerra injusta, pois enquanto as empresas buscam ferramentas de como proteger seus negócios, a inovação tecnológica é tão forte que acaba produzindo mil maneiras de se burlar aquela ferramenta criada pela empresa. As pessoas, em especial as jovens, foram criadas em um mundo onde não existe limite para a sua criatividade e que a agilidade na troca das informações é a regra número um. Esses jovens foram apresentados a este mundo sem que alguém os mostre o que é legal e o que não é. Se é cobrado um dinheiro por um determinado produto e ele encontra na internet uma

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