CONTABILIDADE DE CUSTO
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- Lorenzo Belém Jardim
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1 CONTABILIDADE DE CUSTO Até a Revolução Industrial (século XVIII), só existia a Contabilidade Financeira (ou Geral), que desenvolvida na Era Mercantilista, estava bem estruturada para servir as empresas comerciais dá época. Com o desenvolvimento do Mercado de Capitais nos EUA e em alguns países europeus, fazendo com que milhares de pessoas se tornassem acionistas de grandes empresas, interessadas agora na análise de seus balanços e resultados, e também com aumento da complexidade do sistema bancário e distanciamento do banqueiro com relação à pessoa do proprietário ou administrador da companhia necessitada do crédito, surgiu a figura da Auditoria Independente. E esta, no desempenho de seu papel, acabou por firmar e às vezes criar princípios básicos de Contabilidade de tal modo que pudesse ter critérios relativamente homogêneos para comparar as demonstrações contábeis de empresas diferentes (além de comparar os da mesma empresa, feitos em datas diferentes). Ao deparar a Auditoria Independente (ou Externa). Essa consagração por parte dos Auditores Externos foi a responsável, então, pela manutenção dos princípios básicos da Contabilidade de Custos até hoje, no que diz respeito a sua finalidade de avaliação de estoques. Devido ao crescimento das empresas, com o conseqüente aumento da distância entre administrados e ativos e pessoas administradas, passou a Contabilidade de Custos a ser encarada como uma eficiente forma de auxílio no desempenho dessa nova missão, a gerencial. A contabilidade de Custos tem duas funções relevantes: no auxílio ao controle e na ajuda às tomadas de decisões. No que diz respeito ao Controle, sua mais importante missão é fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão e, num estágio imediatamente seguinte, acompanhar o efetivamente acontecido para comparação com os valores anteriormente definidos. No que tange a Decisão, seu papel reveste-se de suma importância, pois consiste na alimentação de informações sobre valores relevantes que dizem respeito às conseqüências de curto e longo prazo sobre medidas de corte de produtos, fixação de preços de venda, opção de compra ou fabricação etc. Resumindo, a Contabilidade de Custos acabou por passar, nessas últimas décadas, de mera auxiliar na avaliação de estoques e lucros globais para importante arma de controle e decisão gerenciais. Com o significativo aumento de competitividade que vem ocorrendo na maioria dos mercados, sejam industriais, comerciais ou de serviços, os custos tornam-se altamente relevantes quanto da tomada de decisões em uma empresa. Isto ocorre, pois, devido à alta competição existente, as empresas já não podem mais definir seus preços de acordo com os custos incorridos, e sim com base nos preços praticados no mercado em que atuam. TERMINOLOGIA DE Despesas com Matéria-prima ou Custos de Matéria-prima? Gastos ou Despesas de Fabricação? Gastos ou Custos de Materiais Diretos? Despesas ou Gastos com Imobilização? Custos ou Despesas de Depreciação? 1
2 Gastos, Custos e Despesas são três palavras sinônimas ou dizem respeito a conceitos diferentes? Confundem-se com Desembolso? E Investimentos tem alguma similaridade com elas? Perda se confunde com algum desses grupos? Gasto: Sacrifício financeiro com que a entidade arca para obtenção de um produto ou serviço qualquer, sacrifício esse representado por entrega ou promessa de entrega de ativos (normalmente dinheiro). Conceito extremamente amplo e que se aplica a todos os bens e serviços recebidos; assim, temos Gastos com a compra de matérias-primas, Gastos com mão-deobra, tanto na produção como na distribuição, Gastos com honorários da diretoria, Gastos na compra de um imobilizado etc. Só existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa do bem ou serviço, ou seja, no momento em que existe o reconhecimento contábil da dívida assumida ou da redução do ativo dado em pagamento. Investimento: Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos. Todos os sacrifícios havidos pela aquisição de bens ou serviços (gastos) que são estocados nos Ativos da empresa para baixa quando de sua venda, de seu consumo, de seu desaparecimento ou de sua desvalorização são especificamente chamados de investimentos. Custo: Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. O Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço. Despesas: Bem ou serviço consumidos direta ou indiretamente para obtenção de receitas. A comissão do vendedor por exemplo, é um gasto que se torna imediatamente uma despesa. Desembolso: Pagamento resultante da aquisição do bem ou serviço. Pode ocorrer antes, durante ou após a entrada da utilidade comprada, portanto defasada ou não do gasto. Perda: Bem ou serviço consumidos de forma anormal e involuntária. Não se confunde com a despesa (muito menos com o custo), exatamente por sua característica de anormalidade e involuntariedade; não é um sacrifício feito com intenção de obtenção de receita. Exemplo: Perdas com incêndio, obsoletismo de estoque. CLASSIFICAÇÃO DOS EM DIRETOS E INDIRETOS Custos Diretos: Esses custos são assim denominados porque seus valores e quantidades em relação ao produto são de fácil identificação. Assim, todos os gastos que recaem diretamente na fabricação do produto são considerados Custos Diretos. Tomemos, por exemplo, uma indústria de móveis de madeira que fábrica vários produtos. Para fabricar uma mesa, essa indústria tem como Custos Diretos: 2
3 Matéria-prima: Madeira Materiais Secundários: Dobradiças, pregos, cola, verniz e lixa; Mão-de-obra: Salários e encargos do pessoal que trabalha diretamente na produção. Custos Indiretos: Compreendem os gastos com materiais, mão-de-obra e gastos gerais de fabricação aplicados indiretamente no produto. Esses gastos são assim denominados por ser impossível uma segura identificação de seus valores e quantidades em relação ao produto. A dificuldade de identificação desses gastos em relação ao produto ocorre porque os referidos gastos são utilizados na fabricação de vários produtos ao mesmo tempo. Alguns exemplos: Energia Elétrica: Quando não houver medidor em cada máquina, possibilitando identificar o consumo de energia em relação a cada produto fabricado, o valor consumido por toda a fábrica num determinado período deverá ser rateado entre todos os produtos fabricados no referido período. Aluguel da Fábrica: Esse gasto é impossível de ser identificado em relação a cada produto. Classificação do custo de produção em relação ao volume de produção Custos Fixos: São aqueles que independem do volume de produção do período, isto é, qualquer que seja a quantidade produzida, esses custos não se alteram. Assim, tanto faz a empresa produzir uma ou dez unidades de um ou mais produtos em um mês, por exemplo, pois os Custos Fixos serão os mesmos nesse mês. Exemplo: Aluguel da fábrica, depreciação das máquinas, salários e encargos da supervisão da fábrica, etc. Os Custos Fixos estão relacionados com os Custos Indiretos de Fabricação, por não guardarem proporção com as quantidades dos produtos fabricados. Custos Variáveis: São aqueles que variam em função das quantidades produzidas, como ocorre, por exemplo, com a matéria-prima. Se na fabricação de uma mesa de madeira são gastos 5 metros de madeira, para se fabricarem 10 mesas serão precisos 50 metros de madeira. Quanto maior for a quantidade fabricada, maior será o consumo de matéria-prima. Custos Semifixos: São os Custos Fixos que possuem uma parcela variável. Exemplo: a energia Elétrica. A parcela fixa da energia elétrica é aquela que independe da produção do período, a qual é definida geralmente em função do potencial do consumo instalado; a parte variável é aquela aplicada diretamente na produção, variando de acordo com o volume produzido. Isso, evidentemente, só ocorre quando é possível medir a parte variável. ESQUEMA BÁSICO DA CONTABILIDADE DE 1º Passo Separar Custos e Despesas: Suponhamos que estes sejam os gastos de determinado período da Empresa Sapatos 100 Chulé Ltda: Comissões de Vendedores Salários da Fábrica
4 Matéria prima Consumida Salários da Administração Depreciação na Fábrica Seguros da Fábrica Despesas Financeiras Honorários da Diretoria Materiais Diversos Fábrica Energia Elétrica Fábrica Manutenção Fábrica Despesas de Entrega Correio Material de Consumo Escritório Total do Período A primeira tarefa é a separação dos Custos de Produção. Teremos então a seguinte distribuição dos gastos: Custos de Produção Salários da Fábrica Matéria prima Consumida Depreciação na Fábrica Seguros da Fábrica Materiais Diversos Fábrica Energia Elétrica Fábrica Manutenção Fábrica Total do Período Despesas Administrativas Salários da Administração Honorários da Diretoria Correio Material de Consumo Escritório Total do Período Despesas Administrativas Comissões de Vendedores Despesas de Entrega Total do Período Despesas Financeiras Despesas Financeiras Total do Período Total das Despesas º Passo Apropriação dois Custos Diretos Digamos que essa empresa elabore três modelos diferentes de sapatos, chamados Scarpan, Bota e Sandália. O passo seguinte é o de distribuírem os custos diretos de produção aos três itens. Suponhamos ainda que nessa empresa, além da Matéria-prima, sejam também custos diretos parte da Mão-de-Obra e parte da Energia Elétrica. 4
5 O problema agora é saber quanto da Matéria-prima total utilizada, de , quanto de Mão-de-Obra Direta e quanto da Energia Elétrica direta foi aplicado no Scarpan, na Bota e na Sandália. Para o Consumo de Matéria-prima, a empresa mantém um sistema de requisições de tal forma a saber sempre para qual produto foi utilizado o material retirado do Almoxarifado. E, a partir desse dado, conhece-se a seguinte distribuição: Matéria-prima: Scarpan Bota Sandália Total Para a Mão-de-obra, a situação é um pouco mais complexa, já que é necessário verificar do total de quanto diz respeito à Mão de Obra Direta e quanto é pertencente à Mão de Obra Indireta. A empresa, para poder conhecer bem esse detalhe, mantém um apontamento (verificação) de quais foram os operários que trabalham em cada produto do mês por quanto tempo. Conhecidos tais detalhes calculados os valores, conclui: Mão de Obra: Indireta Direta Scarpan Bota Sandália Total Logo, os serão atribuídos diretamente aos produtos, enquanto os serão adicionados ao rol dos custos indiretos. A verificação da Energia Elétrica evidencia que, após anotado o consumo da fabricação dos produtos durante o mês, são diretamente atribuíveis e só alocáveis por critérios de rateio, já que existem medidores apenas em algumas máquinas. Energia Elétrica: Indireta Direta Scarpan Bota Sandália Total
6 Diretos Scarpan Bota Sandália Indiretos Total Matéria-prima Mão-de-Obra Energia Elétrica Depreciação Seguros Materiais Diversos Manutenção Total Do total de Custos de Produção, são diretos e já estão alocados e precisam ainda ser alocados. 3º Passo Apropriação dois Custos Indiretos Vamos agora analisar a forma ou as formas de alocar os custos indiretos que totalizam, neste exemplo Uma alternativa simplista seria a locação aos produtos proporcionalmente ao que cada um já recebeu de custos diretos. Esse critério é relativamente usado quando os custos diretos são grande porção dos custos totais, e não há outra maneira mais objetiva de visualização de quanto dos indiretos poderia, de forma menos arbitrária, ser alocado ao Scarpan, Bota e Sandália. Teríamos então: Custos Diretos Custos Indiretos % % Total Scarpan , , Bota , , Sandália , , Total , , A última coluna fornece então os custos total de cada produto, e a penúltima parte que lhes foi imputada dos custos indiretos. Suponhamos, entretanto, que a empresa resolva fazer outro tipo de alocação. Conhecendo o tempo de fabricação de cada um, pretende fazer a distribuição dos custos indiretos proporcionalmente a ele, e faz uso dos próprios valores em reais de Mão-de- Obra Direta, por ter sido esta calculado com base nesse mesmo tempo. Teríamos, dessa maneira: Mão-de-obra Direta Custos Indiretos % % Scarpan , ,44 Bota , ,22 Sandália , ,23 Total , ,00 O custo total de cada produto seria: Custo Direto Custo Indireto Total Scarpan Bota Sandália Total
7 Esses valores de custos indiretos diferentes e conseqüentes custos totais também diferentes para cada produto podem não só provocar análises distorcidas, como também diminuir o grau de credibilidade com relação às informações de Custos. Não há, entretanto, forma perfeita de se fazer essa distribuição; podemos, no máximo, procurar entre as diferentes alternativas a que traz consigo menor grau de arbitrariedade. Exercícios : A- A empresa Industrial Santa ABC Ltda fabrica armários e deseja saber o valor dos seus custos fixos, variáveis, despesas fixas, variáveis e receitas após 30 dias de trabalho, considerando-se que ela fabrica e vende em média 10 armários por dia. Dados: Descrição Produção R Administração R Imobilizado depreciável vida útil 10 anos uso em , ,00 turnos Aluguel mensal 1.000,00 200,00 Seguro anual 1.800,00 300,00 Consumo de Matéria Prima Mensal (1.200 un. a 15,00 a unidade) Consumo de Material Secundário (R26,00 por armário produzido) Valor mensal da manutenção industrial 5.000,00 Valor mensal da Mão de Obra Direta 8.000,00 Valor mensal da Mão de Obra 3.000,00 Consumo Mensal de combustíveis 1.000,00 Consumo Mensal de Energia Elétrica com máquinas e equipamentos 4.000,00 Valor mensal da energia elétrica (iluminação) 200,00 300,00 Valor mensal com propaganda 1.200,00 Salário mensal dos vendedores (fixo) (1.200,00) Comissões sobre vendas R1.000,00 Juros sobre empréstimos R900,00 Consumo mensal de telefone 1.200, ,00 Receita por armário vendido R 130,00 Exercício de rateio de custos indiretos: A Empresa Atlas Ltda. apresenta os seguintes dados de produção para os produtos A B C D: Nº Descrição Valor R 1 Matéria Prima ,00 2 Mão- de Obra Produção ,00 3 Depreciação Móveis Administração 1.500,00 4 Comissões sobre vendas 1.550,00 5 Retirada da diretoria 3.500,00 6 Depreciação Máquinas da Produção 4.500,00 7 Material de Expediente Setor de Vendas 300,00 8 Energia Elétrica da Produção 6.500,00 9 Manutenção do Setor de Produção 1.500,00 10 Salário do Supervisor de Produção 3.000,00 11 Seguro do Setor de Produção 1.800,00 12 Consertos e Reparos Máquinas Produção 1.200,00 13 Custo do Almoxarifado Industrial 1.600,00 7
8 14 Combustíveis e Lubrificantes Produção 1.500,00 15 Serviços e Material de Limpeza Produção 1.500,00 Dados Complementares Matéria Prima R Mão de Obra R Energia Elétrica R Custos Diretos Custos Diretos Custos Diretos A 3.000, , ,00 B 2.900, , ,00 C 2.800, , ,00 D 2.700, , ,00 Indiretos Indiretos Indiretos 600,00 800,00 900,00 Materiais Diversos Ociosidade Máquinas Comuns Pede-se: a)fazer a separação dos custos e despesas segundo os critérios do custeio por absorção; b)elaborar a apropriação dos custos indiretos segundo as taxas de absorção abaixo: 1-MPD 2-MOD 3-EED 4-MPD + MOD 5- ÁREA A 406 M2 B 510 M2 C 480 M2 D 494 M2 Quadro Resumo de Custos Discriminação Custos Diretos A B C D Custos Indiretos Custos Totais Totais 8
9 Quadro Resumo de Despesas Discriminação Valor R Totais Desenvolvimento das Taxas de Absorção e do Rateio BASE A INDIRETOS DIRETOS TOTAIS B C D TOTAIS ////////////////////// / ////////////////////// / BASE A INDIRETOS DIRETOS TOTAIS B C D TOTAIS ////////////////////// / ////////////////////// / 9
10 10 BASE INDIRETOS DIRETOS TOTAIS A B C D TOTAIS ////////////////////// / ////////////////////// / BASE INDIRETOS DIRETOS TOTAIS A B C D TOTAIS ////////////////////// / ////////////////////// / BASE INDIRETOS DIRETOS TOTAIS A B C D TOTAIS ////////////////////// / ////////////////////// /
11 REGISTRO DE MATERIAIS Os materiais compreendem os bens utilizados no processo de fabricação podendo ou não integrar o produto fabricado, o principal material utilizado na fabricação é a matéria-prima, pois entra em maior quantidade na produção de outros bens. FATOS QUE ALTERAM O VALOR DE COMPRAS Os valores das compras efetuadas pelas empresas industriais, a serem registrados nas contas de estoques, nem sempre correspondem somente aos valores constantes nas Notas Fiscais. Eles sofrem influências das despesas acessórias, dos descontos ou abatimentos incondicionais e dos impostos e taxas incidentes sobre as compras, desde que não sejam recuperáveis pela empresa como ICMS, IPI. DESPESAS ACESSÓRIAS Como despesas acessórias, entendemos os valores dos fretes e dos seguros, quando correm do destinatário (comprador). Exemplo: A indústria de Utensílios de Alumínio Monteiro Lobato S.A. comprou da empresa Industrial Caçapava S/A, cabos, rebites, limas e lixas para aplicar na produção, conforme Nota Fiscal nº 5.321, no valor de R 2.000, a prazo. No corpo da Nota Fiscal, correndo por conta do destinatário, constaram despesas com fretes e seguros, no valor de R 300, perfazendo o total de R O custo dos materiais adquiridos foi de R 2.300, correspondendo ao valor dos materiais acrescido das despesas acessórias de fretes e seguros. Nesse caso, essas despesas constaram do corpo da NF. Porém, se o transporte fosse feito por uma empresa transportadora, por exemplo, tais despesas constariam de documentos apartados, emitidos pela transportadora, e seriam adicionadas normalmente ao valor dos materiais para o registros do custo da compra. IMPOSTOS INCIDENTES SOBRE AS COMPRAS Devem ser excluídos dos valores dos materiais adquiridos os valores dos impostos que forem recuperáveis por ocasião da venda dos produtos fabricados com esses materiais. Por outro lado, devem integrar o custo de aquisição os valores dos impostos e taxas que incidirem sobre as compras dos materiais cujos impostos e taxas não sejam recuperáveis no momento da venda dos produtos com eles fabricados. ICMS O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), é um imposto de competência estadual incidente sobre a circulação de mercadorias e prestação de alguns serviços. O ICMS é calculado mediante aplicação de uma alíquota (porcentagem) sobre o valor das mercadorias e dos serviços. Essa porcentagem pode variar de acordo com o tipo de mercadoria ou do serviço, sua origem de destinação. Com relação a esse imposto, poderemos considerar duas situações: a) Quando a indústria compra materiais para utilizar na produção de outros bens, os quais, ao serem vendidos pela empresa, não sofrerão a incidência do referido imposto, o valor desse imposto incidente nas compras deve integrar o custo de aquisição. 11
12 b) Quando as empresas industriais adquirem materiais para aplicar na produção de outros bens, os quais, ao serem vendidos, sofrerão a incidência do referido imposto, o valor desse imposto pago nas compras deve ser excluído do custo de aquisição. IPI O IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) é um imposto de competência federal exigido principalmente das empresas industriais. O IPI não incide sobre todos os produtos e é, também, considerado imposto nãocumulativo: o valor do imposto pago na compra de matérias-prima ou de outros materiais aplicados na produção é compensado do imposto a pagar das operações subseqüentes de vendas de materiais ou de produtos. CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO DOS ESTOQUES O custo dos materiais estocados é determinado com base no valor de aquisição constante das Notas Fiscais de compra, acrescido das despesas acessórias e dos impostos e taxas que não forem recuperados pela empresa industrial no momento da venda de seus produtos, conforme estudamos no item anterior. Tendo em vista que a empresa industrial poderá adquirir um mesmo tipo de material em datas diferentes, pagando por ele preços variados, para determinar o custo desses materiais estocados, bem como o custo dos materiais que forem transferidos para a produção, precisamos adotar algum critério. Os critérios mais conhecidos para a avaliação dos estoques são: PEPS, UEPS e Custo Médio. Exemplo de compra e vendas de mercadorias que serão usados para melhor explicar os três critérios de avaliação de estoque: 1) No dia 01/06 compra de 10 unidade de um determinado produto a R 10,00 cada totalizado R 100,00 2) No dia 03/06 mais uma compra do mesmo produto, só que dessa vez foram comprados 5 unidades a R 20,00, totalizando R 100,00 3) No dia 05/06 venda de 12 unidades. PEPS (Primeiro a entrar, primeiro a sair) Vendem-se primeiro as unidades que foram adquiridas primeiro. Com isto, o custo das mercadorias, retrata o valor dos produtos adquiridos há mais tempo e o que resta, o Estoque Final, retrata o valor do custo das mercadorias que foram compradas mais recentemente. Ex: Data Entradas Saídas Saldos Histórico Qtd Unit Total Qtd Unit Total Qtd Unit Total 01 Compra Compra Venda Total UEPS (Último a entrar, primeiro a sair) As unidades que por último foram adquiridas, são as primeiras a serem vendidas. Com isso, o custo das mercadorias obtido pelo UEPS reflete o valor dos produtos 12
13 comprados mais recentemente e o Estoque Final retrata o valor das mercadorias compradas mais antigamente. Ex: Data Histórico Entradas Saídas Saldos Qtd Unit Total Qtd Unit Total Qtd Unit Total 01 Compra Compra Venda Total Custo Médio Por meio desse método, há uma fusão das quantidades monetárias decorrentes de novas compras com o custo total do que existia em estoque antes da compra. O novo custo unitário passa, então a ser obtido pela divisão desse valor global pelo total de unidades existentes. Cada nova compra, se for feita por um custo unitário. Influem nesse novo custo unitário tanto as quantidades (existentes e compradas) como o custo unitário (existente e da nova compra). Ex: Data Histórico Entradas Saídas Saldos Qtd Unit Total Qtd Unit Total Qtd Unit Total 01 Compra Compra , Venda 12 13,33 159, ,33 40,00 Total ,96 13
14 Exercício: Efetuar a avaliação dos Estoques de Matérias-Primas de uma empresa comercial que não tem incidência de IPI e tem incidência de ICMS em suas vendas de mercadorias segundo os métodos abaixo: DATA Data Operação Quant Preço Total Sem IPI Frete ICMS INCLUSO Valor do 01/03/2008 Compra ,00 192,00 672,00 08/03/2008 Compra ,00 129,00 700,80 10/03/2008 Venda /03/2008 Compra ,00 162,00 732,00 20/03/2008 Venda 100 Custo Médio HISTÓRICO QTE R Estoque ENTRADAS SAÍDAS SALDOS UNIT TOTAL QTE UNIT TOTAL QT E R UNIT TOTAL Somas 14
15 PEPS DATA HISTÓRICO QTE ENTRADAS SAÍDAS SALDOS UNIT TOTAL QTE UNIT TOTAL QT E UNIT TOTAL Somas 15
16 UEPS DATA HISTÓRICO QTE ENTRADAS SAÍDAS SALDOS UNIT TOTAL QTE UNIT TOTAL QT E UNIT TOTAL Somas Análise comparativa do lucro segundo os métodos de avaliação de estoques CUSTO MÉDIO PEPS R R UEPS R Receita Líquida de Vendas Custo das Mercadorias Vendidas Lucro Bruto 16
17 Efetuar a avaliação dos Estoques de Matérias-Primas de uma empresa comercial que não tem incidência de IPI e tem incidência de ICMS em suas vendas de mercadorias segundo os métodos abaixo: Data Operação Qdt Preço Total Sem IPI Frete ICMS INCLUSO Valor do 01/03/2008 Compra ,00 190,00 552,00 08/03/2008 Compra ,00 200,00 624,00 10/03/2008 Venda /03/2008 Compra ,00 300,00 660,00 20/03/2008 Venda 150 R Estoque R Custo Médio DATA HISTÓRICO QTE ENTRADAS SAÍDAS SALDOS UNIT TOTAL QTE UNIT TOTAL QT E UNIT TOTAL Somas 17
18 PEPS DATA HISTÓRICO QTE ENTRADAS SAÍDAS SALDOS UNIT TOTAL QTE UNIT TOTAL QT E UNIT TOTAL Somas 18
19 UEPS DATA HISTÓRICO QTE ENTRADAS SAÍDAS SALDOS UNIT TOTAL QTE UNIT TOTAL QT E UNIT TOTAL Somas Análise comparativa do lucro segundo os métodos de avaliação de estoques CUSTO MÉDIO PEPS R R UEPS R Receita Líquida de Vendas Custo das Mercadorias Vendidas Lucro Bruto 19
20 ANÁLISE DE CUSTO, VOLUME E LUCRO MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO Margem de contribuição é um conceito de extrema importância para o custeio variável e para a tomada de decisões gerenciais. Em termos de produto, a margem de contribuição é a diferença entre o preço de venda e a soma dos custos e despesas variáveis. Suponha-se um produto X cujo preço de venda unitário seja 15,00 e cujos custos variáveis sejam 3,00 de matéria-prima e 4,00 de mão de obra direta. Além desses custos variáveis, a empresa, por ocasião de venda, incorre no pagamento de comissões aos vendedores, à base de 5% do preço de vendas e impostos, à base de 15% do preço de venda. A margem de contribuição unitária é dada pela fórmula: MC= PV (CV +DV) Onde: MC= Margem de Contribuição; PV= Preço de Venda; CV= Soma de Custos Variáveis; DV= soma das despesas variáveis. Nesse exemplo, aplicando-se a fórmula, tem-se a margem de contribuição de 5,00, como segue: MC = 15 (3,00 + 4,00) (2,25 + 0,75) = 5,00 Pode-se entender margem de contribuição como a parcela do preço de venda que ultrapassa os custos e despesas variáveis e que contribuirá, daí seu nome, para a absorção dos custos fixos, e, ainda, para a formação do lucro. Continuando com o exemplo, verificou-se que a MC unitária é de 5,00. Isso quer dizer que cada unidade vendida contribui com 5,00 para absorver os gastos fixos e gerar lucros. Se a empresa estiver produzindo e vendendo 300 unidades por período, a margem de contribuição total desse produto será igual a 1.500,00 (300 x 5,00), ou seja, o produto contribui com 1.500,00 para absorção dos gastos fixos e para a formação do lucro. PONTO DE EQUILÍBRIO A expressão ponto de equilíbrio, tradução do termo em inglês break-even point, refere-se ao nível de venda e que não há lucro nem prejuízo, ou seja, no qual os gastos totais (custos totais + despesas totais) são iguais as receitas totais. 20
21 Até o ponto de equilíbrio, a empresa está tendo mais Custos e Despesas do que Receitas, encontrando-se, por isso, na faixa do Prejuízo; acima, entra na faixa do Lucro. Esse ponto é definido tanto em unidades (volume) quanto em reais Símbolos: PEQ = ponto de equilíbrio na quantidade PE = ponto de equilíbrio em reais RT = receita total CDF = custos/despesas fixos CDVT = custos/despesas variáveis total Q = quantidade PVU = preço de venda unitário CDVU = custos/despesas variáveis unitário MCU = margem de contribuição unitária MCT = margem de contribuição total Fórmulas: PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL Ponto de equilíbrio na quantidade. PEQ = CDF / (PVU CDVU) Ponto de equilíbrio em reais. PE = CDF / [1 (CDVU / PVU)] PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO Ponto de equilíbrio na quantidade. PEQ = (CDF + LUCRO) / (PVU CDVU) Ponto de equilíbrio em reais. PE = (CDF + LUCRO) / [1 (CDVU / PVU)] 21
22 PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO Ponto de equilíbrio na quantidade. PEQ = (CDF DEPRECIAÇÃO) / (PVU CDVU) Ponto de equilíbrio em reais. PE = (CDF DEPRECIAÇÃO) / [1 (CDVU / PVU)] MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO MCU = PVU ( - ) CDVU MCT = RT ( - ) CDVT EXERCÍCIOS: 1) DADOS DA EMPRESA ABC PARA O PRODUTO X: /DESPESAS FIXOS (POR ANO) Depreciação de equipamentos R ,00 Mão-de-obra indireta R ,00 Impostos da fábrica R ,00 Despesas comerciais R ,00 /DESPESAS VARIÁVEIS Materiais diretos R 250,00/unidade Mão-de-obra direta R 50,00/unidade Embalagem R 70,00/unidade Comissões R 20,00/unidade Outros R 10,00/unidade PREÇO DE VENDA: R 2.000,00/unidade P e d e s e: 1. Quantas unidades devem ser produzidas e vendidas por ano para se atingir o Ponto de Equilíbrio Contábil? 2. Qual o valor da receita nesse Ponto de Equilíbrio Contábil? 3. Se a empresa desejar um lucro de R ,00, quantas unidades deverá produzir e vender durante o ano? 4. Para a empresa alcançar o Ponto de Equilíbrio financeiro, quantas unidades terá que produzir e vender por ano? 22
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