AVALIAÇÃO DA INDÚSTRIA CERÂMICA DE BLOCOS E TELHAS DO RS E SC E SEUS IMPACTOS NA ECONOMIA DO RS

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1 LABORATÓRIO DE MATERIAIS CERÂMICOS ESCOLA DE ENGENHARIA DEPARTAMENTO DE MATERIAIS UFRGS AVALIAÇÃO DA INDÚSTRIA CERÂMICA DE BLOCOS E TELHAS DO RS E SC E SEUS IMPACTOS NA ECONOMIA DO RS Ao: Sindicato das Indústrias de Olaria e de Cerâmica para Construção no Estado do Rio Grande do Sul - SINDICER/RS. Coordenação: C.P. Bergmann Porto Alegre, Março de 2013.

2 SUMÁRIO INDICE DE FIGURAS... III INDICE DE TABELAS... IV OBJETIVO... VIII 1 O SETOR CERÂMICA VERMELHA O SETOR DE CERÂMICA VERMELHA NO CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL NACIONAL PRODUÇÃO DE BLOCOS E TELHAS NO BRASIL, RS E SC PRODUÇÃO RESERVAS DE MATÉRIAS-PRIMAS 8 3 ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA DE BLOCOS E TELHAS: RS E SC IMPACTO DAS INDÚSTRIAS DE BLOCOS E TELHAS DOS ESTADOS DO RS E SC NA ECONOMIA DO ESTADO DO RS PÓLOS CERÂMICOS DE SANTA CATARINA IMPACTO NA ECONOMIA DO ESTADO DO RS EXPORTAÇÕES DE TELHAS E TIJOLOS DO BRASIL E DOS ESTADOS DO RS E SC PANORAMA DO MERCADO DE TIJOLOS E TELHAS E DOS ESTADOS DE SC E RS CONCLUSÕES 33 5 BLOCO ESTRUTURAL: PRODUÇÃO E MERCADO NO RS CARACTERÍSTICAS DO MERCADO DE BLOCOS ESTRUTURAIS NO RS ESTIMATIVA DA PRODUÇÃO DE BLOCOS ESTRUTURAIS BIBLIOGRAFIA ANEXO ANEXO ANEXO ANEXO II

3 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 3.1: Mapa do Estado de Santa Catarina com divisões regionais de fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda. 13 Figura 4.1: Pólos cerâmicos de Canelinha, Rio Negrinho e Morro do Fumaça, no Estado de Santa Catarina. 19 Figura 4.2: Evolução da arrecadação do ICMS dos Estados do RS e SC, valores corrigidos pelo IGP-DI. 21 Figura 4.3: Evolução da arrecadação do ICMS de telhas nos Estados do RS e de SC, valores corrigidos pelo IGP- DI 22 Figura 4.4: Impacto na arrecadação de ICMS sobre telhas nos Estados do RS e de SC. 23 Figura 4.5: Evolução da arrecadação do ICMS de blocos nos Estados do RS e SC, valores corrigidos pelo IGP-DI. 23 Figura 4.6: Impacto na arrecadação de ICMS sobre blocos nos Estados do RS e de SC. 24 Figura 4.7: Evolução da arrecadação do ICMS de Telhas + Blocos nos Estados do RS e de SC, valores corrigidos pelo IGP-DI. 25 Figura 4.8: Impacto na arrecadação de ICMS sobre telhas e blocos nos Estados do RS e de SC. 25 Figura 4.9 Evolução da exportação de telhas do Brasil e dos Estados do RS e de SC no período Figura 4.10 Peso liquido de telhas exportadas do Brasil e dos Estados do RS e de SC no período Figura 4.11 Número de telhas exportadas do Brasil e dos Estados do RS e de SC no período Figura Evolução da exportação de tijolos do Brasil e dos Estados do RS e de SC no período Figura 4.13 Peso liquido de tijolos exportados do Brasil e dos Estados do RS e de SC no período III

4 Figura 4.14 Número de tijolos exportados do Brasil e dos Estados do RS e de SC no período Figura 5.1: Localização das empresas pesquisadas no Rio Grande do Sul. 28 Figura 5.2: Diversidade de tipos de peças produzidas por cada fabricante conforme largura. 30 Figura 5.3: Resistência à compressão declarada dos blocos por fabricante 31 Figura 5.4: Produção média mensal de unidades por fabricante. 32 Figura 5.5: Participação de cada fabricante na produção total. 32 IV

5 ÍNDICE DE TABELAS Tabela 1.1: Dados gerais das unidades locais industriais de empresas com 5 ou mais pessoas ocupadas, por unidade da federação, segundo as divisões e os grupos de atividades (CNAE 2.0) - Brasil, Sul Sudeste (exceto Espírito Santo). 3 Tabela 1.2: Número de empresas cerâmica vermelha (CNAE 2342-/02) no RS e SC. 3 Tabela 1.3: Déficit habitacional e inadequação habitacional. 5 Tabela 2.1: Produção de blocos/tijolos no Brasil. 5 Tabela 2.2: Números do Segmento de Cerâmica Vermelha. 5 Tabela 2.3: Produção de cerâmica vermelha no ano de Tabela 2.4: Produção relativa de cerâmica vermelha no ano de Tabela 2.5: Reservas das substâncias minerais. 8 Tabela 3.1: Levantamento de preços produtos cerâmicos 2010, por município na região de Tubarão e Criciúma. 10 Tabela 3.2: Preços praticados no RS em telhas e tijolos/blocos, valores em 13 R$. Tabela 3.3: Arrecadação de ICMS no segmento cerâmica vermelha no estado de Santa Catarina. 16 Tabela 3.4: Arrecadação de ICMS no segmento cerâmica vermelha no estado do Rio Grande do Sul. 17 Tabela 3.5: Valores de ICMS dos estados do RS e SC, nos anos de 2008 a Tabela 3.6: Arrecadação de ICMS no Segmento de Cerâmica Vermelha nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. 18 Tabela 3.7: Arrecadação de ICMS no Segmento de Cerâmica Vermelha nos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, corrigida pelo IGP-DI de 01/11/ Tabela 4.1: Números das Indústrias de telhas e blocos do Morro da Fumaça. 19 Tabela 4.2: Produção de Cerâmica Vermelha no ano de V

6 Tabela 4.3- Quantidade mensal de tijolos de SC que abastecem o RS. 30 Tabela 4.4- Quantidade mensal de telhas de SC que abastecem o RS. 32 Tabela 5.1: Resistências à compressão (em MPa) declaradas pelos fabricantes Blocos estruturais de 11,5cm de largura. 29 Tabela 5.2: Resistências à compressão (em MPa) declaradas pelos fabricantes Blocos estruturais de 14cm de largura. 29 Tabela 5.3: Resistências à compressão (em MPa) declaradas pelos fabricantes Blocos estruturais de 19cm de largura. 30 Tabela 5.4: Estimativa da produção de cada fabricante para o período referente ao mês de junho de Tabela 5.5: Dados referentes à produção de blocos de vedação e estrutural no RS. 34 VI

7 OBJETIVO O objetivo deste trabalho é realizar um levantamento do potencial das empresas do setor ceramista - telhas, blocos de vedação e blocos estruturais, excluídos pisos e azulejos - dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina e os seus impactos na economia de cada Unidade Federativa. VII

8 1. O SETOR CERÂMICA VERMELHA Os produtos de cerâmica vermelha abordados neste relatório são descritos segundo normas técnicas brasileiras no ANEXO 1. A cerâmica vermelha, também conhecida como cerâmica estrutural, integra o setor dos minerais não-metálicos da Indústria da Transformação Mineral, fazendo parte do conjunto de cadeias produtivas que compõem o Complexo da Construção Civil. Os produtos da cerâmica vermelha são caracterizados pela cor vermelha, representados por blocos de vedação e estruturais, telhas, tijolos maciços, lajotas e tubos, abrangendo 90% das alvenarias e coberturas utilizadas no país, além de outros produtos como objetos ornamentais e utensílios domésticos. O segmento utiliza basicamente a argila comum como principal fonte de matéria-prima. No Brasil, a argila destaca-se como a 4ª maior produção da mineração, posicionando-se abaixo da produção de agregados (631 Mt - areia 379 Mt e brita 282 Mt) e minério de ferro 372 Mt (Anuário Estatístico, 2011 Setor de Transformação de Não- Metálicos Ministério de Minas e Energia). O segmento apresenta-se com uma estrutura empresarial bastante diversificada, prevalecendo pequenos empreendimentos familiares (olarias, em grande parte não incorporadas às estatísticas oficiais), cerâmicas de pequeno e médio porte, com deficiências de mecanização e gestão, e empreendimentos de médio a grande porte (em escala de produção) de tecnologia moderna (Anuário Estatístico, 2011 Setor de Transformação de Não-Metálicos Ministério de Minas e Energia). Existem muitas divergências de dados referentes ao setor cerâmico. De acordo com informações obtidas no Anuário Estatístico 2011 (p. 43), o qual citou como fonte a ANICER, o Brasil possui em torno de 7400 empresas de cerâmica vermelha. Entretanto, de acordo com dados do site da ANICER, o mesmo apresenta 6903 empresas, gerando 293 mil empregos diretos e perto de 900 mil indiretos. Apresenta um faturamento anual da ordem de R$ 18 bilhões, o qual representa 4,8% do faturamento da Indústria da Construção Civil. Destaca-se, no entanto que estas informações referem-se ao ano de (http://www.anicer.com.br, acesso em 18/12/2012). 2

9 Estas divergências em termos de dados da indústria de cerâmica vermelha também ocorrem em relação às unidades federativas RS e SC. De acordo com informações do Instituto Nacional de Tecnologia de junho de 2012, SC possui 625 empresas de cerâmica vermelha e o RS 795. Entretanto, em pesquisa ao site do IBGE, tendo como base o Ano de 2010, encontram-se outros números, como pode ser visto na Tabela 1.1. Tabela 1.1: Dados gerais das unidades locais industriais de empresas com 5 ou mais pessoas ocupadas, por unidade da federação, segundo as divisões e os grupos de atividades (CNAE 2.0) - Brasil, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Variável Número de unidades locais (unidades) Classificação nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0) = 23.4 Fabricação de Produtos Cerâmicos em 2010 no Brasil e Estados Brasil 5075 Santa Catarina 578 Rio Grande do Sul 349 A diferença é bem significativa, entretanto, é razoável que os números do IBGE sejam inferiores, pois foi tomado como base empresas com 5 ou mais pessoas e neste ramo, as pequenas empresas familiares são em grande número. Em função destas divergências quanto ao número de empresas, buscou-se informações junto ao Ministério do Trabalho, que possui um cadastro de empresas registradas, com o respectivo número de empregados, os quais são apresentados na Tabela 1.2. A distribuição das empresas por município dos estados de RS e SC encontra-se, respectivamente no ANEXO 2. Comparando-se as Tabelas 1.1 e 1.2, constata-se mais uma divergência de dados do setor. Tabela 1.2: Número de empresas cerâmica vermelha (CNAE 2342-/02) no RS e SC. Empresas RS SC Mais de 5 empregados a 5 empregados Não possui empregados Total Fonte: Ministério do Trabalho, dados extraídos da RAIS

10 Dados publicados em SEBRAE (2008), tomando como base o ano de 2006, mostram considerável diferença em relação aos números atuais. Na época, o segmento de cerâmica estrutural congregava no Estado RS cerca de 1470 empresas, envolvendo centenas de olarias com pequenas capacidades de produção, tipificando microempresas de pequeno porte de consumo térmico, precariedade e baixo nível tecnológico dos equipamentos envolvidos e pela reduzida capacidade de investimento. O Estado de Santa Catarina aparece na mesma pesquisa com 1116 empresas. Embora os dados encontrados sobre os produtos de cerâmica vermelha apresentem discrepâncias entre as fontes, nota-se que este segmento gera um grande número de empregos com considerável produção e faturamento. 1.1 O SETOR DE CERÂMICA VERMELHA NO CONTEXTO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL NACIONAL O segmento de Cerâmica Vermelha tem indiscutível importância dentro do próprio Setor Cerâmico e em toda cadeia do Macro Complexo da Construção Civil. São milhares de empresas espalhadas por todo o País, produzindo, principalmente, blocos de vedação, telhas e componentes de lajes, além de blocos utilizados em alvenaria estrutural, pisos extrudados, manilhas e elementos vazados. Para destacar a importância deste segmento no contexto de desenvolvimento social nacional, cita-se a problemática do déficit habitacional no Brasil. O enfrentamento desta questão social passa pela necessariamente pela disponibilidade de produtos das indústrias de cerâmica vermelha. Assim, qualquer solução para diminuir o déficit habitacional certamente demandaria um forte crescimento da indústria de cerâmica vermelha. O déficit habitacional é estudado amplamente pelo Observatório de Políticas Urbanas e Gestão Municipal que lança oficialmente os resultados do déficit e da inadequação habitacional para as regiões metropolitanas, capitais, estados e grandes regiões, com base nos dados do Censo IBGE, dentro do trabalho intitulado "Necessidades Habitacionais". O déficit habitacional corresponde à necessidade de reposição total de unidades precárias e ao atendimento à demanda não solvável nas condições dadas 4

11 de mercado. A inadequação habitacional aponta para a necessidade de melhoria de unidades habitacionais com determinados tipos de precarização. Como podem ser vistos nas Tabelas 1.3, o déficit habitacional e a inadequação habitacional proporcionarão demanda de cerâmica estrutural vermelha com uma melhoria da situação econômica do país e com intensos programas habitacionais. Tabela 1.3: Déficit habitacional e Inadequação habitacional. Inadequação Habitacional Déficit Habitacional Absoluto Relativo Brasil ,30% Rio Grande do Sul ,40% Santa Catarina ,70% Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2009 (PNAD) IBGE 5

12 2. PRODUÇÃO DE BLOCOS E TELHAS NO BRASIL, RS E SC 2.1 PRODUÇÃO A Tabela 2.1 apresenta dados referentes à produção de blocos/tijolos e telhas no Brasil em Tabela 2.1: Produção de blocos/tijolos no Brasil. Nº Empresas Aproximado Participação no setor (%) Prod./mês (Nº de Peças) Consumo-ton/mês (Matéria-prima: argila) Blocos/Tijolos Telhas Tubos 10 0,10 325,5Km* - (Fonte: IBGE 2008 para Seção C, Divisão 23, Grupo 234, Classe , Fabricação de Produtos Cerâmicos Não-Refratários para Uso Estrutural na Construção, excluídas as palavras pisos e azulejos da razão social apud em ANICER acesso em 18/12/2012). *Produção apontada pela Associação Latino-Americana de Fabricantes de Tubos Cerâmicos (Acertubos), considerando o número de 10 empresas, responsáveis pela fabricação de 3.906km/ano Em 2010, baseando-se no crescimento de 11,6% do PIB da construção civil, estimou-se a produção de cerâmica vermelha em 84,8 bilhões de peças/ano. Os blocos e tijolos representaram 70% (59,4 bilhões) do segmento e telhas 30% (25,4 bilhões). A partir da produção estimada de 84,8 bilhões de peças cerâmicas, em 2010, considerando-se a massa média de 2,0 kg/peça, pode-se estimar a utilização de 170 Mt de argila (Anuário Estatístico, 2011 Setor de Transformação de Não- Metálicos Ministério de Minas e Energia), estes dados estão sintetizados na Tabela 2.2. A partir destes dados, pode-se extrair a produção mês de cerâmica vermelha no Brasil referente ao ano de 2010, conforme ilustrado na Tabela 2.3. Tabela 2.2: Números do segmento de cerâmica vermelha no Brasil. Número de unidades produtoras (empresas) 7400 Número de peças/ano (bloco) Número de peças/ano (telhas) Matéria-prima (argilas) 59,4 bilhões 25,4 bilhões 170 Mt Produtividade (Mil peças/operário/mês) 24,1 Faturamento (R$ bilhões) 18 Empregos diretos Fonte: ANICER apud Anuário Estatístico, 2011 Setor de Transformação de Não-Metálicos Ministério de Minas e Energia-Projeção para

13 Em relação às unidades federativas RS e SC, face à divergência de dados em relação ao número de empresas, optou-se por usar os dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Tecnologia de junho de 2012, por serem os dados mais recentes (utilizando inclusive dados do SINDICER), no tocante ao RS. Quanto à produção de cerâmica vermelha, em cada unidade federativa, calculou-se em cima do percentual de empresas em relação ao número de empresas nacionais (RS 10,74% empresas em relação ao número de empresas nacionais, logo corresponde a este percentual de produção; SC 8,44% - portanto, 8,44% da produção nacional). Para calcular os percentuais de blocos e telhas, levou-se em consideração informações do setor em que do total de cerâmica produzida no RS (70% blocos e 30% telhas) e SC (80% blocos e 20% telhas). Tabela 2.3: Produção de cerâmica vermelha no ano de Nº de Empresas Blocos/Tijolos/ mês Telhas/mês Matéria-prima (ton/mês) Empregos diretos BR RS* SC* Fonte: 1) BR - Anuário Estatístico, 2011 Setor de Transformação de Não-Metálicos Ministério de Minas e Energia-Projeção para *valores calculados de acordo com informações do setor. Pode-se constatar através da Tabela 2.4, confrontando-se a população de cada Estado e a produção de cerâmica vermelha, que tanto no RS quanto SC têm uma produção de telhas-mês da ordem de 2 vezes mais que a média brasileira. Quanto à quantidade produzida de blocos por mês em relação aos dados populacionais, é visivelmente superior para SC da ordem de 3 vezes mais que a média nacional e para o RS, 2 vezes mais que a média nacional. O ANEXO 3 apresenta dados populacionais e econômicos de ambos os estados federativos. Tabela 2.4: Produção relativa de cerâmica vermelha no ano de População Blocos-mês/pessoa Telhas mês/pessoa BR ,93 11,35 RS ,69 21,29 SC ,41 19,10 Fonte: Dados Populacionais: IBGE- Censo Demográfico, Demais dados: Calculados a partir da Tabela 2.2 (Produção mês/população). 7

14 2.2 RESERVAS DE MATÉRIAS-PRIMAS O Estado de SC apresenta argilas em reservas medidas, inferidas e estimadas muito superiores ao RS, como pode ser visto na Tabela 2.2. Como o Estado do RS apresenta uma extensão territorial superior ao de Santa Catarina, esperar-se-ia maior quantidade de reservas medidas, inferidas e estimadas no RS. No entanto, pelo fato do Estado de SC possuir forte presença de indústrias de revestimentos cerâmicos, as quais também utilizam argilas, há uma maior demanda por esta matéria-prima e consequentemente um maior estudo geológico em regiões no entorno do pólo cerâmico de Criciúma. Assim, o interesse por reservas em SC explica a maior quantidade de áreas medidas, inferidas e estimadas naquele Estado e não uma suposta escassez de argilas no Estado do RS. Tabela 2.5: Reservas das substâncias minerais no Brasil, RS e SC. Medida* (ton) Indicada** (ton) Inferida*** (ton) BR RS SC Argilas Comuns Argilas Plásticas Argilas Comuns Argilas Plásticas Argilas Comuns Argilas Plásticas Fonte: DNPM - Anuário Mineral Brasileiro *Reserva Medida: A tonelagem de minério é computada a partir das dimensões das ocorrências, sendo o teor determinado pelos resultados de amostragem. A tonelagem e o teor devem ser rigorosamente determinados dentro dos limites estabelecidos, os quais não devem apresentar variação superior ou inferior a 20% (vinte por cento) da quantidade verdadeira. **Reserva Indicada: A tonelagem e o teor do minério são computados parcialmente de medidas e amostras específicas, ou de dados da produção, e parcialmente por extrapolação até distância razoável, com base em evidências geológicas. As reservas computadas são apenas aquelas aprovadas pelo DNPM em Relatórios de Pesquisa e Relatórios Anuais (ou reavaliação de jazidas). ***Reserva Inferida: Estimativa feita com base no conhecimento da geologia do depósito mineral, havendo pouco ou nenhum trabalho de pesquisa. 8

15 3. ARRECADAÇÃO TRIBUTÁRIA DE BLOCOS E TELHAS: RS E SC Um dos principais tributos incididos no segmento de cerâmica vermelha é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o qual no RS e SC têm redução da alíquota deste tributo conforme previsto em suas legislações tributárias, como segue: Em Santa Catarina, as alíquotas aplicáveis nas operações internas para telhas, tijolos, tubos e manilhas são de 7%, conforme regra o art. 7, III, b do Anexo 2 do RICMS-SC, exposto a seguir: DA REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO SANTA CATARINA DECRETO N 2.870, de 27 de agosto de (Resumido). Seção das Operações com Mercadorias Art. 7º Nas seguintes operações internas a base de cálculo do imposto será reduzida: III - em 58,823% (cinquenta e oito inteiros e oitocentos e vinte e três milésimos por cento) nas saídas de tijolo, telha, tubo e manilha, nas seguintes condições (Lei nº /96, art. 43): a) o benefício só se aplica ao produto cuja matéria-prima predominante seja argila ou barro; b) fica facultado aplicar diretamente o percentual de 7% (sete por cento) sobre a base de cálculo integral, desde que o sujeito passivo aponha, no documento fiscal, a seguinte observação: Base de cálculo reduzida: RICMS-SC/01 - Anexo 2, art. 7, III. PARANÁ As alíquotas aplicáveis às telhas e tijolos são de 12% conforme estampa o RICMS-PR, aprovado pelo decreto n de 21/12/2007, art. 14, II, m, 2, 3 e 5, ad litteram: Artigo 14. II Alíquota de doze por cento nas prestações de serviço de transporte intermunicipal e nas operações com os seguintes bens e mercadorias: destinados à construção civil: 2) tijolo, telha, tubo e manilha de argila ou barro: telhas e lajes planas pré-fabricadas, painéis de lajes, pré-lajes e pré-moldados de cimento, de concreto, ou de pedra artificial, mesmo armadas. Blocos e tijolos ( ) 9

16 No Rio Grande do Sul, o decreto Nº , de 9 de julho de 1998 (DOE DE ), prevê, resumidamente: Art. 1º - Com fundamento no disposto no art. 58 da Lei nº 8820, de , e alterações, e considerando que o Estado do Paraná faz concessão semelhante, fica introduzida a seguinte alteração no Livro I do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 37699, de , numerada em sequência às introduzidas pelo Decreto nº 38667, de a) tijolos e telhas, cuja matéria-prima predominante seja a argila ou o barro, excluídos os refratários: 1-53,847% (cinquenta e três inteiros e oitocentos e quarenta e sete milésimos por cento), quando a alíquota aplicável for 13% (treze por cento); 2-58,333% (cinquenta e oito inteiros e trezentos e trinta e três milésimos por cento), quando a alíquota aplicável for 12% (doze por cento). Assim, para o Estado do Rio Grande do Sul, existem casos específicos: a) Para os blocos e tijolos de concreto para construção possui uma redução da base de calculo de 41,176%, conforme diz o art. 23, XXIV: Art A base de cálculo do imposto nas operações com mercadorias, apurada, terá seu valor reduzido para: XXIV - 41,176% (quarenta e um inteiros e cento e setenta e seis milésimos por cento), a partir de 1 de janeiro de 1999, nas saídas internas de blocos e tijolos de concreto para construção, classificados no código da NBM/SH - NCM; b) Quanto às telhas, cuja matéria-prima predominante seja argila ou barro, excluídas as refratárias, a redução da base de cálculo é de 58,333%, quando a alíquota aplicável for 12%, o que resulta na alíquota liquida de 7% (art. 23, XVIII, a, item 2): c) Quanto às telhas de concreto classificadas na subposição da NBM/SH-NCM, a alíquota foi reduzida de 17% para 12% nas saídas internas ocorridas a partir de 11/08/2010, mas vigorará apenas até o dia 31/01/2011, conforme diz o art. 27, VI, letra f (Redação dada pelo art. 1º (Alteração do Decreto , de 10/08/10. DOE 11/08/2010). 10

17 Portanto, a tributação do ICMS dos produtos cerâmicos, conforme a legislação atual, varia conforme cada produto em particular. Os tijolos de cerâmica, excluídos os refratários, classificados no código da NBM/SH-NCM, gozam de isenção do ICMS nas saídas internas, conforme preceitua o art. 55 da Lei Estadual Nº de 27/12/2005. As telhas e cumeeiras, por sua vez, têm suas saídas internas tributadas pela alíquota de 12%, entretanto, por força da renovação do Convênio ICMS 50/93, de 30 de abril de 1993, levada a efeito pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ) em 20 de janeiro de 2010, foi permitida a redução de sua base de cálculo até 31 de dezembro de Desta forma, a base de cálculo do imposto das telhas e cumeeiras foi reduzida para 58,333% conforme o Livro I, título V, capítulo II, art. 23, inciso XVIII, alínea a, item 2 do Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (RICMS), resultando numa tributação equivalente a 7%. Esta redução da alíquota resulta em um ICMS de 7% sobre blocos e telhas em ambos os estados (RS e SC). Outro dado concernente ao ICMS é a pauta de preços mínimos sobre os produtos do segmento de cerâmica vermelha na Região Litoral Sul do Estado de Santa Catarina (regiões de Tubarão e Criciúma), enquanto que o restante do Estado de SC e também o RS não possuem pauta de preços mínimos sobre estes produtos. Segundo esta pauta, são designados valores mínimos para produtos de cerâmica vermelha, conforme apresentado na Tabela 3.1. É importante frisar que esta Pauta de Preços Mínimos apresenta valores bem abaixo dos praticados no mercado como pode ser visto na Tabela 3.1. Tabela 3.1: Levantamento de preços produtos cerâmicos 2010, por município na região de Tubarão e Criciúma. PREÇO PREÇO MÉDIO PRODUTO TIPO QTD ENTRADA SAÍDA PAUTA DIFERENÇA% Telha Americana Branca MI 530,00 752,50 310,00 242,74 11

18 Telha Americana Branca mesclada MI 573,33 861,66 310,00 277,95 Telha Americana Natural MI 586,25 821,25 370,00 221,96 Telha Americana Pêssego MI 310,00 Telha Americana Trincada MI 800, ,00 150,00 8,00 Telha Americana Vermelha MI 616,00 924,40 300,00 308,13 Telha Calha Comum Natural MI 342,30 537,69 227,00 236,87 Telha Calha Grande - Telhão Esmaltada MI 310,00 Telha Calha Grande - Telhão Natural MI 512,00 906,00 280,00 323,57 Telha Chata ou Germânica Esmaltada MI 495,00 Telha Chata ou Germânica Natural MI 200,00 305,00 445,00 68,54 Telha Colonial (Capa Canal) Esmaltada MI 560,00 Telha Colonial (Capa Cana) Natural MI 440,00 678,75 495,00 Telha Francesa e outras Natural MI 456,66 668,33 240,00 278,47 Telha Francesa de 1ª Natural MI 655,00 877,50 310,00 283,06 Telha Francesa de 2ª Natural MI 295,00 Telha Germânica Natural MI 200,00 300,00 195,00 153,85 Telha Germânica 1ª Esmaltada MI 200,00 300,00 660,00 45,45 Telha Germânica 2ª Esmaltada MI 390,00 Telha Germânica 3ª Esmaltada MI 95,00 Telha Goiva (Calha ou Cumeeira) Telha Goiva (Calha ou Cumeeira) Esmaltada MI 2250, ,00 485,00 618,56 Natural MI 802, ,25 500,00 241,25 Telha Holandesa Natural MI 530,00 752,50 250,00 301,00 Telha Holandesa 1ª Esmaltada MI 600,00 Telha Holandesa 2ª Esmaltada MI 380,00 Telha Italiana Esmaltada MI 1090,00 Telha Italiana Natural MI 500,00 700,00 550,00 127,27 Telha Plan Esmaltada MI 630,00 900,00 495,00 181,82 Telha Plan Natural MI 405,71 605,00 175,00 345,71 Telha Plan trincada MI 68,00 Telha Portuguesa Branca MI 464,00 724,00 265,00 273,21 Telha Portuguesa Branca mesclada MI 480,00 711,42 255,00 278,89 Telha Portuguesa Natural MI 461,25 662,50 260,00 254,81 Telha Portuguesa pêssego MI 500,00 690,00 250,00 276,00 Telha Portuguesa trincada MI 95,00 Telha Portuguesa vermelha MI 445,71 675,71 245,00 275,80 Telha Portuguesa 1ª esmaltada MI 961, ,83 725,00 187,42 Telha Portuguesa 2ª esmaltada MI 475,00 Telha Portuguesa 3ª esmaltada MI 95,00 12

19 Telha Romana branca MI 550,00 750,00 250,00 300,00 Telha Romana branca mesclada MI 550,00 750,00 250,00 300,00 Telha Romana natural MI 450,00 625,00 315,00 198,41 Telha Romana pêssego MI 550,00 750,00 250,00 300,00 Telha Romana trincada MI 95,00 Telha Romana vermelha MI 590,00 776,66 245,00 317,00 Telha Romana 1ª esmaltada MI 546, ,00 660,00 166,67 Telha Romana 2ª esmaltada MI 385,00 Telha Romana 3ª esmaltada MI 95,00 Telha Uruguaia natural MI 200,00 310,00 210,00 147,62 Telha Uruguaia 1ª esmaltada MI 660,00 Tijolo - 2 Furos MI 125,00 Tijolo - 4 Furos MI 158,00 Tijolo -6 Furos 10x15x20 MI 206,25 302,50 238,00 127,10 Tijolo - 6 Furos 10x15x30 MI 270,00 410,00 255,00 160,78 Tijolo - 6 Furos 12x18x25 MI 377,50 539,50 255,00 211,57 Tijolo - 6 Furos 8,5x13,5x1 8 MI 207,33 155,00 262,58 Tijolo - 8 Furos MI 362,00 526,00 170,00 309,41 Tijolo Laje Premoldada MI 360,00 561,60 175,00 320,91 Tijolo Maciço MI 375,50 552,50 170,00 325,00 Tijolo Vista - 2 Furos MI 335,00 520,00 245,00 212,24 Tijolo Vista - 4 Furos MI 385,00 452,75 280,00 161,70 Tijolo Vista - 6 Furos MI 502,25 732,50 370,00 197,97 Fonte: Secretaria de Estado da Fazenda SC(-Pesquisa efetuada na região Sul do Estado no 1º semestre/2010 (Tubarão e Criciúma); - Ato DIAT 76/2009, atualizado até o Ato DIAT 24, de (não houve outra alteração até ); -Fonte: auditoria fiscal da Receita Estadual. Dados obtidos em 13 empresas, com pesquisas feitas a campo. Regiões com Pauta de Preços Mínimos Figura 3.1: Mapa do Estado de Santa Catarina com divisões regionais de fiscalização da Secretaria de Estado da Fazenda. Fonte: Secretaria de Estado da Fazenda SC. 13

20 A Tabela 3.2 apresenta os preços praticados no RS para telhas e tijolos/blocos. As informações foram obtidas em consultas às empresas. A lista das empresas que forneceram dados encontra-se no ANEXO 4. Tabela 3.2 Preços praticados no RS em telhas e tijolos/blocos. Valores em R$. Telha - - Bagé Tijolo 6 furos 9x14x19 350,00 Bloco estrutural - - Telha Portuguesa ,00 Bom Princípio Tijolo 6 furos 9x14x19 420,00 Bloco estrutural 14x19x24 900,00 Telha - - Campo Bom Tijolo 6 furos 9x14x19 270,00 Bloco estrutural 9x19x29 520,00 Cachoeira do Sul Tijolo 6 furos 9x14x19 400,00 Telha francesa - 960,00 Telha - - Candelária Tijolo 6 furos 9x14x19 330,00 Bloco estrutural 14x19x ,00 Tijolo 6 furos 9x14x19 350,00 Feliz Bloco vedação - - Bloco estrutural - - Tijolo 6 furos 9x14x19 412,50 Gravataí Bloco vedação 9x14x24 460,00 Bloco estrutural - - Tijolo 6 furos 9x14x19 280,00 Pareci Novo Bloco de vedação 9x14x24 350,00 Bloco estrutural

21 Tijolo 6 furos 9x14x19 290,00 Pelotas Bloco vedação 11,5x14x19 820,00 Bloco estrutural 14x19x ,00 Tijolo 6 furos 9x14x19 370,00 Restinga Seca Bloco vedação maciço 9x14x19 360,00 Bloco estrutural 11,5x14x24 590,00 Santa Maria Tijolo 6 furos 9x14x24 720,00 Bloco estrutural 14x19x ,00 Tijolo 6 furos 9x14x19 400,00 Santa Rosa Bloco vedação - - Bloco estrutural 11,5x19x24 900,00 São Leopoldo Tijolo 6 furos liso 9x14x19 340,00 Tijolo 6 furos comum 9x14x19 585,00 Tijolo 6 furos 9x14x19 300,00 Bloco vedação - - Venâncio Aires Bloco estrutural - - Telha Francesa - 400,00 (3ª q) 600,00 (2ªq) 900,00 (1ªq) Tijolo 6 furos 9x14x29 520,00 Vila Flores Bloco vedação - - Fonte: Consulta aos produtores em janeiro de Bloco estrutural - - A Tabela 3.3 apresenta os dados da arrecadação de ICMS no segmento cerâmica vermelha no Estado de Santa Catarina, obtidos junto à Secretaria da Fazenda do Estado de SC. 15

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