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1 PUBLICADO NO DIÁRIO DA JUSTIÇA de 13 \l..íá2l-= 1p ^ TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL ACÓRDÃO N ( ) MANDADO DE SEGURANÇA N CLASSE 14 a - DISTRITO FEDERAL (Brasília). Relator: Ministro Fernando Neves. Impetrante: Coligação Lula Presidente (PT/PL/PC do B/PCB/PMN). Advogado: Dr. Márcio Luiz Silva e outros. Autoridade coatora: Juiz da Coordenação de Fiscalização da Propaganda Eleitoral/MG. Mandado de segurança - Propaganda eleitoral - Carro de som - Caminhada ou passeata - Carreata. 1. A permissão para propaganda eleitoral por meio de alto-falantes ou amplificadores de som até a véspera do dia da votação não se limita aos equipamentos imóveis, abrangendo também os móveis, ou seja, os que estejam instalados em veículos. 2. Possibilidade de carro de som transitar pela cidade divulgando jingfes ou mensagens de candidatos, desde que os microfones não sejam usados para transformar o ato em comício. 3. Caminhada ou passeata não se equiparam a reuniões públicas. 4. O art. 39, 5, I, da Lei n 9.504/97 tipifica como crime a 2 e realização de carreata apenas no dia da eleição. Vistos, etc, Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por unanimidade, em conceder em parte a segurança, nos termos das notas taquigráficas, que ficam fazendo parte integrante desta decisão. Sala de Sessões do Tribunal Superior Eleitoral. Brasília, 25 de outubro de Minist/o NELSON JOBIM, presidente

2 MS n DF. 2 RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO FERNANDO NEVES: Sr. Presidente, a Coligação Lula Presidente impetra mandado de segurança contra ato do Juiz da Coordenação de Fiscalização da Propaganda Eleitoral do egrégio Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, Ofício n 5865/CFPE, com o seguinte teor (fl. 9): 9 'Tendo em vista a constatação de faixas afixadas em vários locais da cidade, convocando as pessoas para participar de uma manifestação pública em favor do candidato à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 25/10/2002, lembro a V. Sa. os termos do art. 3,'da Resolução n /2002: a 2 'Art É vedada, desde quarenta e oito horas antes até vinte e quatro horas depois da eleição, qualquer propaganda política mediante rádio, televisão, comícios ou reuniões públicas, inclusive a realização de debates, ainda que pela Internet (Código eleitoral, art. 240, parágrafo único)'. Desta forma, a propaganda eleitoral mediante reuniões públicas só é permitida até o dia 24 de outubro, pelo que determino que V. Sa. adote providências necessárias para que não ocorra nenhum ato público que configure tais vedações". São as seguintes as razões da impetração: d, 1. Ontem à noite, quinta feira, , chegou ao suposto representante da Coligação Lula Presidente, Geraldo Magela Arcorverde, o Ofício 5865/CPFE, cópia anexa, se revelando demonstrativo dos atos ilegais e lesivos ao direito líquido e certo do impetrante que se avizinham. Preliminarmente diz-se que o representante é suposto porque não há em Minas Gerais preposto da Coligação "LULA PRESIDENTE" com poderes para receber o exibido documento. A despeito de nulo, o "aviso" é demonstrativo da pretensão de coibir ato de campanha, licitamente marcado pelo autor.

3 MS n DF O evento público a que se refere o documento em questão nada mais é do que a realização de caminhada, com a distribuição de panfletos, marcada pelo impetrante para hoje, Sexta Feira, às 17:00h. A previsão legal para realizar tal evento está na interpretação da legislação eleitoral e claramente assinalada no Calendário Eleitoral, segundo Resolução dessa Corte, que consigna amanhã, sábado, , como último dia para utilização de alto falantes e panfletagem. 4. Caminhada, esmiuça Aurélio Buarque de Holanda Ferreira em seu Dicionário, é '1. Ação de caminhar. 2. Passeio a pé. 3. Grande extensão de caminho percorrido ou por percorrer...' {3- reimpressão, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro: 1999, p. 380). 5. Ora, pelo ato próprio de pôr-se em movimento, caminhada não é o mesmo que reunião pública. Esta prevê evento fixo, com aglomeração de pessoas em ponto determinado, seguida de manifestações orais. O ato atacado convocado pelo impetrante não é reunião pública vedada pelo art. 3 2 da Resolução / Ademais, seria esdrúxulo admitir-se a realização da propaganda eleitoral na televisão e a transmissão de debate pela Rede Globo, nítidos atos de campanha de massa, e vedar que se realizasse caminhada. Que é inteiramente permitida pela legislação eleitoral, repita-se à exaustão. Recebi os autos minutos atrás e apresento a questão ao Tribunal tendo em vista a urgência apontada pelo impetrante. É o relatório.

4 MS n DF. 4 VOTO O SENHOR MINISTRO FERNANDO NEVES (relator): Sr. Presidente, a competência do Tribunal, penso, estabelece-se por estarmos aqui cuidando de um ato da campanha presidencial, um ato de candidato à presidência da República. Poderíamos até examinar o pedido como representação. Porém, não vejo ilegalidade no ato atacado, que se limitou a dar conhecimento a eventuais interessados de artigo de Resolução deste Tribunal, que reproduz norma legal - art. 3 da Res/TSE n , S 2 art. 240, parágrafo único, do Código Eleitoral. A alegação de que, no caso, o ato que nesse momento se realiza em Belo Horizonte/MG não caracteriza nenhuma das hipóteses descritas na regra em destaque, é matéria que não pode ser resolvida neste momento, pela necessidade de exame do fato. De qualquer forma, atento à função administrativa da Justiça Eleitoral, ou seja, à sua obrigação de orientar candidatos, simpatizantes e eleitores, penso ser oportuno fixar algumas diretrizes. De acordo com o nosso calendário eleitoral, no último dia antes da votação é possível: "(...) pro paganda eleitoral m ed iante alto-falantes e amplificadores de som e para distribuição de material de propaganda política, inclusive volantes e outros impressos (Lei n* 9.504/97, art. 39, 5 a, I e II)." Ora, a meu ver, a permissão para propaganda eleitoral por meio de alto-falantes ou amplificadores de som até a véspera do dia da votação não se limita aos equipamentos imóveis, abrangendo também os móveis, ou seja, os que estejam instalados em veículos.

5 MS n DF. 5 Por isso, não vejo irregularidade em "carro de som" que transite pela cidade divulgando jingles ou mensagens de candidatos, desde que os microfones não sejam usados para transformar o ato em comício. Por outro lado, entendo que caminhada ou passeata não se equiparam a reuniões públicas, pois enquanto aquelas induzem movimento, estas pressupõem imobilidade ou, então, permanência em determinado local, geralmente com a intenção de discutir determinado tema ou apresentar propostas sobre algum assunto. Lembro, por fim, que o art. 39, 5, I, da Lei n 9.504/97, 2 9 tipifica como crime carreata no dia da eleição, mas não me recordo de norma que a proíba no dia anterior às eleições. Portanto, embora não veja ilegalidade no ofício apontado, creio ser conveniente conceder a segurança em parte, para, com base nas considerações expostas neste voto, autorizar a caminhada com distribuição de panfletos, programada pela Coligação Lula Presidente, a se realizar em Belo Horizonte/MG nesta data.

6 MS n DF. 6 EXTRATO DA ATA MS n DF. Relator: Ministro Fernando Neves. Impetrante: Coligação Lula Presidente (PT/PL/PC do B/PCB/PMN) (Adv.: Dr. Márcio Luiz Silva e outros). Autoridade coatora: Juiz da Coordenação de Fiscalização da Propaganda Eleitoral/MG. Usou da palavra, pelo impetrante, o Dr. Márcio Luiz Silva. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, concedeu, em parte, a segurança para, nos termos do voto do ministro relator, autorizar a caminhada com distribuição de panfletos, programada pela Coligação Lula Presidente, para se realizar em Belo Horizonte, nesta data. Presidência do Exmo. Sr. Ministro Nelson Jobim. Presentes os Srs. Ministros Sepúlveda Pertence, Ellen Gracie, Sálvio de Figueiredo, Barros Monteiro, Fernando Neves, Caputo Bastos e o Dr. Flávio Giron, subprocurador-geral eleitoral. SESSÃO DE

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