Segundo dia Internacional da Democracia CEBRI-RJ

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1 Rua do Russel, 270 / 2 o Andar, Glória CEP Rio de Janeiro RJ Brasil tel.: , Fax ÍNDICE Segundo dia Internacional da Democracia CEBRI-RJ...1 Embaixador: Caças qualificam Brasil como potência...3 Globalização made in Brazil...6 Barreiras a vencer no comércio internacional...10 Ontem e hoje...10 Embaixador brasileiro faz críticas a Zelaya e EUA...11 Mesa redonda no CEBRI discute Colômbia, Honduras e Venezuela...13 Falta incentivo para exportação de serviços, dizem especialistas...14 Faltam 5 dias para o 8º Congresso Brasileiro de Agribusiness...15 Dilemas externos...16 Continuidades estratégicas...19 Brasil precisa assumir suas responsabilidades climáticas...21 Geopolítica complexa: Brasil e Venezuela...22 Crise põe em destaque ação de grupos regionais...28 Segundo dia Internacional da Democracia CEBRI-RJ Mundorama 10/09/2009

2 A Organização das Nações Unidas declarou o dia 15 de setembro como o Dia Internacional da Democracia, em referência ao 20º Aniversário da Primeira Conferência sobre Democracias Novas ou Restauradas. A Fundação Konrad Adenauer (KAS), o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e o escritório Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira convidam para o 2º dia Internacional da Democracia (15 de setembro de 2009). O evento tem a seguinte programação: Programação 18:00 Credenciamento 18:30 Abertura Peter Fischer-Bollin Representante, Fundação Konrad Adenauer no Brasil Marcos de Azambuja Embaixador, Vice-Presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais CEBRI Peter Dirk Siemsen Sócio, Escritório Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira 19:00 Conferência do 2º Dia Internacional da Democracia Brasil: 120 anos da Proclamação da República Antônio Anastásia Vice-Governador, Estado de Minas Gerais Hélio Jaguaribe de Mattos Cientista Político e Membro da Academia Brasileira de Letras 200 anos de Independência dos países latino-americanos Federico Merke Professor, Universidad del Salvador (Argentina) Democracia na Europa: Estevão Rezende Martins Professor, Universidade de Brasília (UnB) Futuro da Democracia Miriam Saraiva Professora, Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) 20:30 Debate 21:00 Coquetel e lançamento e divulgação dos livros Brasil União Européia América do Sul: anos Caderno Adenauer nº1/2009 Migração e Política Local Local: Escritório Dannemann, Siemsen, Bigler & Ipanema Moreira. Rua Marquês de Olinda, 70 Botafogo Rio de Janeiro RJ (Próximo à estação Botafogo de metrô)- não há estacionamento.

3 Inscrição: pelo site do CEBRI ou enviando nome, instituição, cargo, endereço, telefone, fax, para: Informação: (21) ou Embaixador: Caças qualificam Brasil como potência Embaixador+Cacas+qualificam+Brasil+como+potencia.html Terra Magazine 08/09/2009 Os 36 caças Rafale que o Brasil vai comprar da França, além de helicópteros, cargueiros, submarinos convencionais e tecnologia para fabricação de modelo nuclear, não é gasto excessivo, diz o exembaixador do Brasil na França, Marcos Azambuja. É, completa, o necessário para que o poder militar nacional seja compatível com o tipo de país que o Brasil já é e quer ser: uma potência mundial. "O Brasil não se faz ameaçador, ele apenas não se torna mais um país militarmente inexistente", considera o ex-embaixador, que além de Paris, atuou na Argentina. Tornando-se a maior potência bélica da América Latina, com a aquisição dos novos equipamentos, o país não dispara uma corrida armamentista no continente, analisa Azambuja na entrevista que se segue. Azambuja é membro da Comissão de Armas de Destruição em Massa, integra o Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI). É Presidente da Fundação Casa França-Brasil. Foi Secretário-Geral do Itamaraty de 1990 a 1992, entre outros. Terra Magazine - Compra dos caças franceses pelo Brasil é uma estratégia de aproximação dos dois países? Marcos Azambuja - Ajuda, facilita, reforça o que já existe. Na verdade, o Brasil já comprou equipamento militar francês várias vezes. Os Mirage tão aí, os porta-aviões estão aí. É um reforço de uma relação que já é densa. A relação tem se intensificado desde quando? A França tem sido um parceiro que busca, primeiro, negócios com o Brasil que tem tecnologia a vender e depois, a trocar. De modo que tem vantagens importantes.

4 Vantagens para a própria França? Para a própria França e para o Brasil. Vantagens competitivas. A França tem uma tradição de fornecer ao Brasil equipamento militar. Você sabe que nós temos uma fábrica de helicópteros que é essencialmente associada à França, à Eurocopter, a Helibras. Há toda uma tradição já que nessa hora se reforça. Quais seriam as vantagens para o Brasil? Primeiro, um grande país, que o Brasil é, tem que ter uma capacidade militar com credibilidade. Em outras palavras, não é um excesso, não é uma demasia, não é comprar o que não precisa, não é nada contra ninguém. Mas um grande país tem que ter uma capacidade militar crível. Em outras palavras, que tenha credibilidade, que imponha uma medida de respeito. O Brasil está, hoje, com um equipamento militar muito datado. Os nossos aviões de caça estão com 20 anos, 25 anos, 30 anos. Tudo em nós ficou muito envelhecido, de modo que é momento de fazer uma renovação e uma adaptação. Certo... O Brasil tem três ou quatro interesses. Primeiro cada vez mais com o petróleo offshore, não só o pré-sal, é uma grande reserva, um grande patrimônio a ser preservado. Tem todo problema amazônico, com a imensa extensão que aquilo tem. Teria a sua qualificação hoje para ser um membro do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) um país que quer jogar no primeiro time, e para jogar no primeiro time, tem que ter uma certa qualificação militar. Por tanto, essas compras nos dão isso. O presidente Lula diz que a França tem disposição em transferir tecnologia para a fabricação de aviões passar a ocorrer em território nacional. Por que a França teria essa disposição? O que presidente quer dizer com isso? A transferência de tecnologia tem que ver nos termos específicos do acordo para ver o que é que nós receberemos. O que eu entendo é que nós compramos uma quantidade de aviões Rafale, que é um avião competitivo com os rivais, que eram suecos, russos e americanos. Entendo que vão comprar uma série de cargueiros que a Embraer vai desenvolver agora, o K-390, que é para substituir o velho C-130, um avião que já viveu sua vida-útil. O objetivo é criar entre nós e a França uma relação de ida e volta. Quer dizer, eles (franceses) vão comprar também aviões nossos, que nós vamos desenvolver agora. E tudo isso é bom. É bom? O Brasil não está gastando demais. O Brasil está se equipando para ter um poder militar compatível com o tipo de país que ele já é. O Brasil cada vez

5 mais busca ser visto como uma potência de presença regional e mundial e isso vem acompanhado de certa necessidade de equipamento. Em relação aos outros países da América Latina, o Brasil vai se tornar a maior potência bélica. Isso é natural. Nós somos a maior potência demográfica, a maior potência territorial, a maior potência econômica, a maior potência tecnológica. Então é natural que haja uma simetria e, também na área militar, o Brasil tenha uma capacitação compatível com sua estatura em outras dimensões. E por tanto o Brasil não será um anão armado, será um gigante com armas adequadas à sua defesa. Uma coisa que é importante que se diga: o Brasil não se capacita contra ninguém. A qualificação militar é para o Brasil ter condições gerais de tranquilidade e de segurança. Pode-se dizer que está havendo uma corrida armamentista na América Latina? Eu não qualificaria como corrida armamentista. A Venezuela fez investimentos grandes, importantes, esses sim muito superiores ao que a Venezuela é em termos de potência regional. O que eu queria acentuar é isso: a Venezuela gastou proporcionalmente muito mais do que o Brasil está gastando. O Brasil está apenas renovando aquilo que envelheceu, não criando novas categorias de armas. Os aviões Mirage, F-5 que nós temos, tem 25, 30 anos, esgotou-se sua vida útil. Nós temos de renová-los. A corrida armamentista é quando você amplia uma capacitação, passa a ter mais. Nós estamos apenas substituindo o velho pelo novo. O Brasil pretende também ter um submarino com propulsão nuclear, e através dessa compra, ele renova sua frota de submarinos e aprende a fazer os submarinos que terão a propulsão nuclear. A despeito da proporcionalidade a que o senhor se refere, a empreitada do Brasil não pode reforçar a visão de que o país seja imperialista? O imperialista tem que ter objetivos, focos. O Brasil, você sabe, não tem objetivos territoriais, não tem objetivos estratégicos. O Brasil não procura obter nem o carvão de um, nem o petróleo de outro. O Brasil apenas está se dotando de uma capacitação militar crível. Você não pode ter um poder militar tão leve, tão gasto, tão ultrapassado que não seja objeto de uma consideração respeitosa pelos demais. O Brasil não se faz ameaçador, ele apenas não se torna mais um país militarmente inexistente. A nossa capacitação não se volta contra ninguém, nem tem objetivo agressivo com relação a ninguém. Isso é apenas para que um país que ocupa mais de metade de um continente, que é uma grande potência mundial, que já um dos Bric tenha um poder militar mínimo - é mínimo para a região, são trinta e poucos aviões - não é nada fora de proporção com a nossa escala.

6 Não há risco de interpretação equivocada de países do continente? Você não pode garantir, a interpretação dos outros é direito dos outros. É improvável que seja assim. O Brasil não fez compras tão importantes que sugira que ele queira agredir. Nós compramos não serve para invadir ninguém. Não é uma força militar ameaçadora, nem voltada contra ninguém, apenas gera maior respeito pelo Brasil e uma percepção de que o país não pode ser um gigante econômico, um gigante agropecuário, um gigante de minerais e ser um anão militar. Isso não existe. A Argentina não verá isso como uma ameaça a ela, nem é. Ninguém mais. A própria Venezuela eu creio que verá que o presidente está comprando equipamento em escala muito menor, dado o tamanho da nossa economia, que o que ela fez ao país. No caso da Venezuela, há compras que vão bem além do que o que seria normal para um país daquele porte. No nosso caso, não. O Brasil continuará um país com gastos muito reduzidos. Não pensa que com isso nós viramos um gigante militar. Apenas passa a ser um país com algum tipo de equipamento que permita falar com autoridade. O presidente Lula e o presidente Nicolas Sarkozy intensificaram relações, como o senhor diz. Eles têm uma empatia que pode explicar? Têm. Uma empatia herdada também. Porque você sabe que havia uma relação muito boa também entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e o presidente (Jacques) Chirac, o que criou entre o presidente Sarkozy e o Lula. Entre Brasil e França, há uma relação naturalmente próxima. Pelas raízes comuns de latinidade, de convergência de ideias políticas - nós somos dois países social-democratas. Há uma aproximação que deriva um pouco da história - houve missão militar francesa no Brasil nos anos Há uma bela e boa tradição de entendimento. Então quando é para o Brasil comprar alguma coisa, o Brasil olha para a França com uma certa naturalidade. Globalização made in Brazil O Estado de S. Paulo 25/08/2009 Novo status do país e ofensiva internacional de empresas brasileiras exigem profissionais com visão global

7 Elida Oliveira - Especial para O Estado de S. Paulo SÃO PAULO - Duas décadas depois de abrir mercados, o País já encara a globalização como aliada. Antes vilã por fechar empresas e provocar desemprego, hoje ela remete aos emergentes do Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e às multinacionais brasileiras. Na nova etapa da globalização, a posição defensiva dos anos 90 deu lugar à ambição. Mais de 800 corporações nacionais atuam no exterior, com investimento superior a US$ 100 bilhões só em 2008 foram US$ 20 bilhões. Não são só as empresas do País que estão em alta. Apesar de a quantidade de profissionais com perfil global no Brasil ainda ser pequena, eles são muito valorizados lá fora, diz Marcelo de Lucca, gerente da empresa de recrutamento Michael Page. O executivo daqui teve de se adaptar a um cenário volátil. Pelas crises econômicas, tem facilidade de se relacionar e é mais ocidentalizado do que outros do Brics. A reação à crise financeira reforçou projeções do Brasil como potência econômica em Mas, para chegar lá, o País precisa de profissionais de visão global, preparados para competir e liderar. Quem pensa que só a faculdade é suficiente estará em desvantagem. É preciso ter perspectiva global, diz Rodolfo Eschenbach, líder da área de organização e talentos da consultoria Accenture. Precisamos de profissionais que analisem, entendam e interfiram no mundo, afirma Matias Spektor, coordenador do Centro de Estudos Internacionais da FGV. Malas prontas Aos 33 anos, Vivian Broge, gerente de Recursos Humanos da Natura, está de malas prontas para, como diz Spektor, interferir no mundo. Em alguns dias, ela vai se mudar para a Cidade do México, de onde vai comandar as áreas de RH e Marketing de Relacionamento da empresa presente em sete países. Cada vez mais as equipes são multiculturais e precisamos de pessoas que tenham uma visão de mundo diferente e complementar. Isso é viver a globalização. Filha de alemão com portuguesa, Vivian sempre transitou bem por outras culturas, mas essa será sua primeira experiência como expatriada (funcionária deslocada para um posto no exterior). Ainda que eu volte para o mesmo cargo, valerá a pena. Para preparar pessoas como Vivian para assumir postos de comando em outros países, boa parte das empresas aposta em treinamentos caseiros.

8 Buscamos profissionais que já estejam um pouco preparados para a globalização. A formação técnica, a gente dá aqui dentro, diz o gerente de Desenvolvimento de Gente da Ambev, Thiago Porto. Diretor de Tecnologia da Informação e Serviços Compartilhados da Ambev, Renato Nahas, de 42 anos, entrou na empresa em 1996, aos 29. Três anos depois, fez um MBA in company, montado pela própria empresa, com direito a um módulo em Nova York. Em 2004 já estava na Bélgica, participando do Comitê de Convergência, que preparou a unificação da cultura empresarial entre a companhia brasileira e a belga Interbrew. O choque foi ver como brasileiros e europeus pensam de forma diferente. Nós preferimos velocidade a perfeição, que, para eles, é o primordial, diz Porto. A pressa brasileira, no entanto, fez a diferença no processo de fusão. Quando montamos o plano com prazo de um ano, eles acharam impossível de executar. Mas nós assumimos a imperfeição e acertamos os pontos dissonantes depois, diz Nahas. Havia diferenças mais, digamos, pitorescas. Após o almoço, só dava brasileiro escovando os dentes no banheiro. Os belgas achavam estranhíssimo, eles não têm costume de fazer isso fora de casa, diz Nahas, que hoje trabalha em São Paulo, coordenando 900 pessoas. Tive sorte de entrar numa empresa que sempre aspirou ser um player global. Pioneira No caso da Odebrecht, essa ambição global teve início lá atrás, em 1979, quando a construtora começou a buscar mercados na América Latina. Quinta colocada em 2008 no ranking de transnacionais brasileiras da Fundação Dom Cabral, com ativos de R$ 8,1 bilhões no exterior, a Odebrecht está presente nas três Américas, na África, no Oriente Médio e na Europa. Ao decidir por novas geografias, já tínhamos incorporado a percepção de quais competências seriam necessárias para enfrentar os desafios, diz André Amaro, vice-presidente de Planejamento e Desenvolvimento. Há 21 anos na Odebrecht, Amaro também foi um expatriado. No início dos anos 90, morou quatro anos na Alemanha. Trabalhou também na Argentina e em Portugal. É um desafio largamente compensado pela adrenalina de vencer. Vizinho alemão Vencer inclui sucesso nos negócios e nas relações pessoais algo que não se ensina em faculdades. Na Alemanha, Amaro tinha um vizinho que chamava a polícia sempre que a rotina da casa mudava. No aniversário

9 do meu filho, a polícia chegou às 8 da noite. Eu convidei o vizinho para um jantar, para estreitarmos os laços. Éramos cinco casais e ele foi o primeiro a sair, às 10 da noite. Mas chegou em casa e ligou para a polícia, reclamando do barulho, lembra, rindo. O responsável financeiro da vice-presidência da América Latina e Angola da Odebrecht, Fábio Freitas, de 33 anos, teve o primeiro cargo fora do Brasil aos 23 anos. Sempre quis a experiência internacional, fosse qual fosse o país, diz Freitas. Ele foi expatriado para Angola e para a Amazônia peruana, onde ficou de 2005 a Agora, já casado, preferiu ficar em São Paulo para criar o filho de dois anos, mas não deixou a ponte aérea. Viajo todo mês. Freitas se enquadra no perfil do novo profissional que as empresas procuram, segundo Roberto Carlos Bernardes, doutor em Sociologia da Inovação pela USP e especialista em estratégia empresarial e gestão da inovação do Centro Universitário FEI. É alguém que desenvolve projetos e, ao mesmo tempo, opera redes de gestão dispersas no mundo. Preparação Atingir esse nível de sofisticação na formação pessoal, para Bernardes e outros analistas, passa por um fator: educação. Tudo tem como base a melhoria da educação, afirma o ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, hoje consultor de negócios. Para o Brasil crescer e ser líder internacional, temos de ganhar competitividade em inovações tecnológicas, pesquisa termos vagos, que todos repetem, mas difíceis de concretizar. Vamos precisar de muitos engenheiros para obras de infraestrutura, de profissionais de Direito Internacional e de Relações Internacionais para assessorar empresas, diz Denise Gregory, diretora-executiva do Centro de Estudos Brasileiros de Relações Internacionais (Cebri) e analista de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento. E precisaremos de pessoas fluentes em mandarim. Leva-se em média oito anos para aprender o idioma. Os jovens de hoje devem correr. Depois da universidade, a única coisa que precisei estudar mesmo foram línguas estrangeiras. O resto eu aprendi no dia a dia do trabalho, diz Frederico Laguna, de 36 anos, atualmente coordenador da equipe de modelagem numérica da PSA Peugeot-Citroën em São Paulo ele e seus comandados são responsáveis por transformar os desenhos dos designers em protótipos digitais de alta fidelidade, que vão orientar a produção industrial dos carros.

10 Formado em Engenharia Mecânica pela Unesp, Laguna morou um ano nos Estados Unidos, três meses no México e quatro anos na Alemanha, sempre trabalhando na indústria automobilística. Na Peugeot-Citröen incorporou o francês ao seu arsenal linguístico. Língua é nota de corte para conseguir emprego, diz. Para Caio Moraes, de 34 anos, a língua não foi nota de corte, mas é um fator diário de preocupação. Típico executivo global, o engenheiro químico formado pela USP trabalhou ou comandou equipes em dezenas de países como funcionário da Rhodia e do grupo Ultra. A experiência internacional lhe valeu, há três anos, o convite para ser diretor administrativo-financeiro da Valeo (fabricante de autopeças francesa) na Coreia do Sul. Hoje estou bem integrado à cultura da Ásia, mas a gente leva muito mais tempo para se comunicar de maneira razoável, diz. Como sabem que os ocidentais jamais dominarão completamente a língua e os dialetos, muitos coreanos se aproveitam. Já fiz pronunciamentos em inglês que foram distorcidos na tradução em alguns casos, de propósito. Barreiras a vencer no comércio internacional Jornal Zero Hora 20/08/2009 Uma das atividades mais afetadas pela crise global foi a de exportação e importação. O comércio internacional caiu drasticamente por efeito da contração do crédito decorrente do agravamento da turbulência financeira e da redução da demanda, quando a recessão abateu os maiores compradores do planeta. Em Porto Alegre para participar de um seminário sobre as perspectivas da União Europeia (UE) e do Mercosul, especialistas em relações internacionais avaliam os perspectivas da recuperação sobre comércio e movimentos de integração. O seminário é organizado por Fundação Konrad Adenauer, Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e UFRGS, com apoio da delegação da Comissão Europeia no Brasil. Jornal Zero Hora 20/08/2009 Ontem e hoje

11 INTEGRAÇÃO Em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Fundação Konrad Adenauer promove hoje e amanhã, no Hotel Embaixador, na Capital, o seminário para jornalistas União Europeia e Mercosul Experiências e Perspectivas. A abertura será hoje, às 18h15mim, com Peter Fischer-Bollin, da Fundação Konrad Adenauer, e José Botafogo Gonçalves, presidente do Conselho Curador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais. O evento segue amanhã a partir das 9h. Embaixador brasileiro faz críticas a Zelaya e EUA Folha de S. Paulo 19/08/2009 Chefe da missão em Tegucigalpa diz que deposto é pouco crítico em relação a Chávez Para diplomata, Obama tem a chave da restituição: é "só acenar com a retirada das preferências tarifárias" às exportações hondurenhas O embaixador do Brasil em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, criticou a relação do presidente deposto Manuel Zelaya com o aliado Hugo Chávez e a ingerência do presidente venezuelano no país. Como exemplo, citou o fato de o embaixador da Venezuela em Honduras, Armando Laguna, ter tentado acompanhar Zelaya na audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, na semana passada. "Foi preciso dizer que ele não poderia participar." Neele -que estava em férias quando houve o golpe, há 52 dias, e foi mantido fora de Tegucigalpa como parte das sanções- também deixou claro que considera ambígua a posição americana no caso. "Os EUA não querem que Zelaya volte, mas veem a necessidade de ele voltar." Para Neele, se o presidente Barack Obama quisesse apressar o retorno ao poder do deposto, como exige resolução da OEA (Organização dos Estados Americanos), era "só acenar com a retirada das preferências tarifárias" às exportações hondurenhas, 70% destinadas aos EUA. Neele assumiu a embaixada no início de 2008, perdeu a mulher pouco depois em acidente aéreo em Tegucigalpa e já teve sua transferência

12 aprovada para inaugurar a embaixada em Antígua e Barbuda, no Caribe. Ele falou mais como analista do que como diplomata em debate promovido pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), no Rio. Suas avaliações por vezes divergiram das que têm sido feitas por outras autoridades. Ele acha, por exemplo, que Zelaya "tirou da algibeira" o relato de que o avião em que os golpistas o expulsaram para a Costa Rica fez escala na base de Palmerola, administrada por militares americanos e hondurenhos. "Ninguém tinha ouvido falar disso até o encontro com o presidente Lula." O assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, havia dito à Folha que considerou a revelação "inquietante e inacreditável". Neele fez elogios a Zelaya - "é a figura moderna de Honduras, num certo sentido". Mas afirmou que o deposto "se perdeu quando quis prorrogar seu mandato à revelia da Carta [que proíbe a reeleição]" e adotou posição "pouco crítica" a Chávez, acompanhado pela chanceler Patricia Rodas, "chavista incondicional". Para o embaixador, Zelaya "caiu na mão" da Alba (Aliança Bolivariana para as Américas) quando a alta do petróleo, em 2007, obrigou o país a comprometer 60% de sua receita com o produto. O governo americano negou então ajuda financeira. "Para meu espanto, os EUA abdicaram de Honduras." No início de 2008, Zelaya aderiu à Alba e à Petrocaribe, pela qual a Venezuela vende petróleo em condições mais favoráveis que as de mercado. O diplomata considerou "extraordinário" o fato de nenhum país ter reconhecido o governo de Roberto Micheletti, mas disse que o Peru "rompeu a unidade latino-americana" ao manter embaixador em Tegucigalpa. Ele contou que foi dito a Zelaya que o Brasil quer sua volta "para legitimar a sucessão [há eleição presidencial marcada para novembro] e deslegitimar sua derrocada à força". Embora o hondurenho declare que não insistirá em buscar a reeleição, Neele disse temer o "fator Chávez". "Ele não pode perder Honduras, único país da América Central que entrou na Alba por conta própria [o presidente nicaraguense Daniel Ortega já era próximo de Chávez antes de voltar ao poder]. O Brasil tenta contrabalançar, mas não tem dinheiro fácil para colocar."

13 No debate, tanto o professor Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, quanto o embaixador Marcos de Azambuja bateram nessa tecla: mais do que ser "generoso", o Brasil precisará gastar para consolidar liderança regional. "Somos hoje os terapeutas da América do Sul. É sábio, mas não sei se é eficaz. É preciso pôr dinheiro atrás da nossa retórica", disse Azambuja. Mesa redonda no CEBRI discute Colômbia, Honduras e Venezuela Instituto Millenium 15/08/2009 O Centro Brasileiro de Relações Internacionais CEBRI tem a satisfação de convidar para a Mesa-Redonda: Colômbia, Honduras e Venezuela: implicações para a segurança regional. Embaixador Michael Neele Brian Michael Fraser Neele é Embaixador do Brasil em Honduras. Possui pósgraduação em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Estudos Sociais em Haia. Foi Chefe da Divisão de Informação Comercial e Chefe do Escritório de Representação do MRE no Rio de Janeiro (ERERIO). Michael Neele exerceu atividade diplomáticas em La Paz, Londres, Genebra, Lagos, Beirute, Âncara, Baku e Roma. Recebeu Medalha de Pacificador do Exército brasileiro. DEBATEDORES: Alfredo Valladão e Embaixador Marcos de Azambuja IDIOMA: Português DATA: 18 de agosto de 2009, terça-feira. HORÁRIO: 10h00. LOCAL: CEBRI, Rua do Russel, 270/ 2º andar Glória, RJ. Incrições através do site: INFORMAÇÕES: (21) Walquiria Felizardo ou Maria Julia Torres

14 Falta incentivo para exportação de serviços, dizem especialistas O Estado de S. Paulo 05/08/2009 O Brasil é o maior exportador de serviços na América Latina, mas, apesar da importância desse nicho de mercado, ainda falta uma política pública de incentivo para impulsionar ainda mais as vendas externas de serviços voltados para os setores financeiros, empresariais e de telecomunicações, entre outros. Essa foi a avaliação do seminário "A emergência do Brasil como líder regional na exportação de serviços", realizado nesta quartafeira, 5, pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no bairro da Glória, zona sul do Rio. De acordo com Nanno Mulder, da divisão de Comércio Internacional e Integração da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal), o Brasil responde atualmente por cerca de 40% da exportação de "outros serviços" - mais ligados a setores empresariais como o de telecomunicações e finanças - sendo que em meados de 1985 essa participação era de 15%. De acordo com ele, o País ultrapassou o México, que tinha 27% das exportações de serviços em 1985 e, atualmente, essa parcela caiu para 17%. "O Brasil está fazendo as coisas bastante bem, mas precisa fazer um esforço ainda maior para melhorar a competitividade, mas deveria haver uma maior cooperação entre o governo federal e estadual e os setores público e privado", afirmou Mulder. De acordo com ele, munido com os dados mais recentes sobre esse setor colhidos pelos bancos centrais dos países da América Latina, o Brasil, em 2006, exportou US$ 11 bilhões em serviços. No México, o segundo maior mercado latino-americano, o volume foi de US$ 2,3 bilhões. Entre todos os países do mundo, o Brasil respondeu, em 2008, por 0,9% da exportação de serviços. Em 1990, essa participação era de 0,4%. "Cerca de 60% do PIB brasileiro é serviços. O IBGE agora está detalhando um pouco mais essa categoria. Pelos dados da área de produtividade, na maioria dos setores de serviços do Brasil a produtividade é extremamente baixa. Os únicos que despontaram foram serviços financeiros e telecomunicações", afirmou a coordenadora do Centro de Comércio exterior do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, Lia Valls.

15 De acordo com ela, se a categoria de serviços precisa ter dinamismo e cada vez mais importância no comércio mundial, é preciso entender melhor o que são as exportações de serviços, com a melhora na coleta de dados e informações sobre esse setor, por exemplo. "É uma área que não se consegue ainda captar com clareza o que é esse comércio de serviços", afirmou Lia. Faltam 5 dias para o 8º Congresso Brasileiro de Agribusiness tôsabendo.com 05/08/2009 Acontece na próxima semana, nos dias 10 e 11, em São Paulo, o 8º Congresso Brasileiro de Agribusiness, promovido pela Associação Brasileira de Agribusiness ABAG. Esta edição, que terá como tema a crise financeira e a sustentabilidade no agronegócio, inova e chega à era da web 2.0. Pela primeira vez, o Congresso terá transmissão on line, ao vivo, pelo Twitter. Já há alguns anos gostaríamos de tornar nosso Congresso mais interativo, onde uma parcela maior da população pudesse acompanhar, mesmo de longe, os debates propostos pela ABAG (Associação Brasileira de Agribusiness). Porém não sabíamos como fazer isso. Neste ano, com a popularização do Twitter em todo o Brasil, percebemos ter a ferramenta ideal para a interação de pessoas de qualquer parte do mundo que queira saber o que acontece, naquele exato momento, no Congresso, afirma Carlo Lovatelli, Presidente da ABAG. 8º CBA Em tempos de crise a necessidade de se reinventar é cada vez mais presente. Para debater este assunto tão presente na vida do produtor mundial, o 8º Congresso Brasileiro de Agribusiness reúne grandes nomes do mercado. No primeiro dia do evento, Luis Carlos Guedes Pinto, Vicepresidente de Agronegócios do Banco do Brasil e Armínio Fraga, Sócio da Gávea Investimentos e expresidente do Banco Central farão o painel Lições da Crise e Visão Mundial, seguido por uma mesa-redonda composta por Márcio Lopes de Freitas, Presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Katia Abreu, Presidente da Confederação

16 da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Armando Monteiro, Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Alexandre Figliolino, Diretor do Banco Itaú BBA. Sustentabilidade A sustentabilidade estará em pauta no segundo dia. O painel Mercado e Soluções, será moderado por Cristiano Walter Simon, Vice-presidente da ABAG e contará com a palestra de Josué Christiano Gomes da Silva, Presidente da Companhia de Tecidos Norte de Minas Coteminas. Depois haverá uma mesa-redonda, onde Marcos de Azambuja, Vice-presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) irá debater o Bilateralismo e Multilateralismo. Outro participante será o Governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi, que discutirá A Sustentabilidade como Oportunidade de Negócio e por fim o Ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Roberto Mangabeira Unger, comentará Sustentabilidade: Contexto Estratégico de uma Nação. No mesmo dia, pela manhã, será apresentado o painel Questões-chave para o Agronegócio Brasileiro, com a presença de Paulo Del Caro S. Canabrava, Consultor de Negócios do Abastecimento da Petrobras e do Ex-ministro da Economia Delfim Netto. Ainda haverá uma mesa-redonda sobre o assunto com a presença de Luiz Carlos Corrêa Carvalho - Vicepresidente da ABAG, Ricardo Guimarães - Presidente da Thymus Branding, Denis Lerrer Rosenfield - Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Roberto Rodrigues - Coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Agricultura. Dilemas externos a Folha de S. Paulo 26/07/2009 Pesquisa mapeia divisões ideológicas no Itamaraty e entre formadores de opinião em temas diplomáticos; cresce posição crítica à ampliação da integração no Mercosul O grau de aprofundamento da integração sul-americana e o futuro formato do Mercosul são hoje os temas que provocam maior divergência no debate público sobre a política externa brasileira.

17 Há uma divisão sobre o caráter menos ou mais institucionalizado das relações regionais que corresponde, grosso modo, às posições de correntes influentes no comando da diplomacia respectivamente nos governos de Fernando Henrique Cardoso [ ] e Luiz Inácio Lula da Silva. O mapeamento dessas posições é o aspecto mais interessante do recémlançado livro "A Agenda Internacional do Brasil - A Política Externa Brasileira de FHC a Lula" [ed. Campus/Elsevier, 216 págs., R$ 49], do cientista político Amaury de Souza. Souza, sócio da consultoria MCM, é integrante do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), criado há 11 anos no Rio de Janeiro por especialistas em sua maioria egressos do governo FHC e que hoje inclui em seu conselho o assessor internacional do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia. O livro parte dos resultados de pesquisas qualitativas feitas em 2001 e em 2008 com a "comunidade brasileira de política externa", a última com foco na integração regional. Foram ouvidas autoridades no Itamaraty e nos ministérios, membros do Congresso, acadêmicos e dirigentes empresariais, sindicais e de ONGs. As pesquisas ajudam a sistematizar um debate cada vez mais intenso, que corresponde ao aumento de centros de estudo da área e de setores afetados por acordos internacionais negociados pelo país. Tanto em 2001 quanto em 2008, elas apuraram alta adesão (99% e 97%) à ideia de que o Brasil deve "participar ativamente" das questões globais. O levantamento de 2008 mostra que a abertura econômica, que sofreu resistência nos anos 90, hoje tem seus resultados amplamente aprovados (88%) e revela um quadro de opiniões em transição sobre qual é o melhor caminho para a inserção econômica do Brasil. Entre Sul e Norte Embora 26% acreditem que o país deve privilegiar negociações comerciais com os países desenvolvidos, e 31% com a América do Sul e nações em desenvolvimento, o maior grupo (41%) é o que defende a concomitância das duas estratégias. Para Souza, é um resultado que corresponde à perda de nitidez da polarização clássica entre países ricos e emergentes. O próprio comércio

18 brasileiro é hoje quase igualmente distribuído entre América do Sul, EUA, Europa e Ásia. Esse fenômeno explica também o aparecimento de uma linha de opinião, definida por ele como "regionalista", que defende tanto negociações globais -a Organização Mundial do Comércio é o fórum mais citadoquanto a integração institucional da América do Sul. Os "regionalistas" são 38% dos entrevistados, a meio caminho entre os "globalistas" (27%), favoráveis à integração regional focada no aspecto econômico, e os "pós-liberais" (29%), que dão prioridade às relações Sul-Sul. Souza vê nos "globalistas" os herdeiros da tradição liberal de política externa, dominante sob FHC, e nos "regionalistas" e "pós-liberais" subdivisões da corrente conhecida como "autonomista", mais forte no atual governo (veja quadro abaixo). Uma das características da minoria "globalista" é o ceticismo em relação a instituições como o Parlamento do Mercosul, o Banco do Sul e a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), criada em 2008 sob auspícios do Brasil para coordenar políticas energéticas, de defesa, sociais e culturais. Souza, um "globalista", classifica a Unasul como "improvável", pelas diferenças históricas entre o Brasil e os vizinhos hispânicos, mas é um apoiador entusiasmado das iniciativas de integração energética e física, como o financiamento brasileiro a obras de infraestrutura na região. O papel do Mercosul O outro ponto de divisão é o Mercosul -cujas metas, estabelecidas no Tratado de Assunção (1991), têm sido comprometidas pela falta de sintonia entre as políticas econômicas de Brasil e Argentina, redundando no recente aumento das restrições argentinas a exportações brasileiras. Entre 2001 e 2008, passaram de 4% para 21% os que acreditam que o bloco -que inclui ainda Paraguai e Uruguai- deve retroceder para uma área de livre comércio, embora a maioria ainda defenda o objetivo de se chegar a um mercado comum, nos moldes europeus. O aumento dos defensores de um Mercosul minimalista coincide com forte redução, de 72% para 38%, dos que acham que o Brasil precisa do peso do bloco para negociar em outros fóruns comerciais. Numa área de livre comércio, o governo dispensaria a consulta aos sócios regionais.

19 Folha de S. Paulo 26/07/2009 Continuidades estratégicas Embora as pesquisas coordenadas por Amaury de Souza indiquem polarização política sobre os rumos da política externa, o quadro não é tão preto no branco. O próprio Souza, na conclusão do livro, enfatiza que, nos últimos 15 anos, houve mais continuidade do que rupturas nas grandes linhas da diplomacia, entre elas a defesa de uma ordem multipolar e os projetos de integração física da América do Sul. Em muitos pontos, borram-se as fronteiras entre "regionalistas" e "globalistas". A ideia de que o Mercosul deve abandonar a Tarifa Externa Comum e ser apenas uma área de livre comércio, por exemplo, já foi defendida por assessores da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que atuaram no governo FHC, como Roberto Giannetti da Fonseca, exsecretário-geral da Camex (Câmara de Comércio Exterior). Mas é contestada pelo ex-embaixador em Buenos Aires José Botafogo Gonçalves, que foi ministro da Indústria e Comércio em Para ele, "os que defendem o retrocesso são os que mais vão perder". Botafogo, presidente do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), argumenta que a união aduaneira, mesmo com buracos, significa preferência para produtos brasileiros. Além disso, diz, a almejada liberação para acordos fora da região esbarrará nas mesmas cláusulas extracomércio (investimentos, compras governamentais) que afundaram negociações anteriores. Por outro lado, o embaixador vê com descrença a ampliação do Mercosul - a adesão plena da Venezuela está pendente de aprovação pelos Congressos brasileiro e paraguaio - e afirma que o Brasil deve investir no aprofundamento do bloco original. "É verdade que a Argentina mudou, mas o Brasil tem enorme instrumental dentro do Mercosul para resolver esse problema. Falta foco", critica.

20 Assim como Souza, Botafogo aponta na Unasul uma "fuga adiante" da diplomacia, diante do que considera um fosso entre o discurso integracionista e a "prática desagregadora" de líderes regionais. Resposta pragmática Deles diverge Maria Regina Soares de Lima, coordenadora do Observatório Político Sul-Americano, do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), que tem posição mais próxima à do Itamaraty. Para a pesquisadora, a Unasul foi a resposta pragmática do Brasil ao desafio de construir uma política sul-americana que pudesse conviver com diferentes regimes comerciais, num contexto regional mais heterogêneo do que o da década de 1990, quando vigia o Consenso de Washington. Soares de Lima afirma que a assimetria entre o Brasil e os vizinhos impõe essa abordagem multilateral, que "elimina o peso negativo da hegemonia". É a habilidade do governo brasileiro de manter relações regionais "coordenadas, sem polarizações e confronto", diz ela, que favorece a sua atual capacidade de interlocução com os Estados Unidos. "A alternativa ao multilateralismo é bilateralizar as relações, com o risco de que o temor dos vizinhos fique muito mais forte", ressalta. Outro ponto em que a polarização enfraquece diante da realidade diz respeito às alianças Sul-Sul. No prefácio de "A Agenda Internacional do Brasil", o ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia ( ) ataca o governo Lula por supostamente priorizar essas parcerias. Já Botafogo diz que essa prioridade corresponde mais à retórica do que à prática: "A política para o Norte é até mais eficaz". Do seu lado, Soares de Lima avalia que o governo Lula inovou nessas parcerias, mas não as privilegia. Ela cita intercâmbios técnicos que "vieram para ficar", em áreas como saúde e agricultura, e qualifica de mito a ideia de que seja preciso escolher entre emergentes ou ricos. "O Brasil está em vários tabuleiros, como é nossa tradição diplomática." A professora vê com naturalidade a presença da política externa entre os temas de disputa político-partidária: "É um fenômeno habitual nas democracias".

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