Profile of oncology patients who sought Emergency Department of a Hospital for Blumenau for the period 01 april 2011 to 31 october 2011

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1 130 Artigo Original Perfil dos pacientes oncológicos que procuraram o departamento de emergência de um hospital de blumenau no período de 01 abril de 2011 a Profile of oncology patients who sought Emergency Department of a Hospital for Blumenau for the period 01 april 2011 to 31 october 2011 Giuliano Borges 1, Rodrigo Kraft Rovere 2, Karyn Albrecht Siqueira de Maman 3, Mayra Clara Jatobá Zabel 4, Carini Dagnoni, Carla Eunice Gomes Corrêa, Eduardo Dias de Oliveira, Fernanda Christóforo Figueira, Jaqueline Sapelli, Thais Marques, Gustavo de Souza Custódio, Priscila Thais dos Anjos, Bruna Rodrigues de Senna, Juliana Hasse 5, Taimara Zimath 6 e Thais Batista Rodrigues Barbosa 7 1 CRM CRM COREN/SC COREN/SC (47) R. Otávio Cesário Pereira, 11, São Vicente, Itajai SC. 6 (47) R. Corifeu de Azevedo Marques, 383, apto 4, São Judas, Itajai SC. 7 (47) R. Augusto Schlutter, 350, Jardim Pomerânia, Pomerode SC. Departamento de Oncologia, Hospital Santo Antônio, Blumenau (SC) Centro de Novos Tratamentos Itajaí / Clínica de Neoplasias Litoral, Itajaí (SC) Palavras-chave Pacientes oncológicos, serviço de emergência, perfil epidemiológico Resumo O número de pacientes com câncer que procuram o serviço de emergência para avaliação e tratamento aumentou. Pacientes com câncer apresentam um desafio para a equipe de emergência, porque eles podem ter sintomas agudos de malignidade não diagnosticada, sintomas vagos relacionados com a doença ou de complicações do tratamento do câncer. O Hospital onde o estudo foi feito é uma instituição privada localizada na cidade de Blumenau (SC), que atua como referência no atendimento de pacientes com câncer na região do médio vale do Itajaí. O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil epidemiológico da população oncológica que procurou o departamento de emergência do hospital no periodo de 01 de abril de 2011 a, identificando os casos de cancer de mama entre outros. Houveram avaliações oncológicas durante este período. A idade variou de 19 a 89 anos. A maior demanda por cuidado foi tomado por doentes com câncer de mama, urológico, pulmonar, trato gastrointestinal superior e inferior. As três principais queixas das consultas foram dor, sintomas respiratórios e gastrointestinais. As visitas ocorreram principalmente durante o dia, e a maioria na segunda-feira e terça-feira. A melhoria dos serviços de cuidados primários e de eficiência de clínicas de oncologia em atender à alta demanda de consultas é extremamente importante, para evitar visitas dispensáveis para o serviço de emergência. Enviado: 26/02/2013 Aprovado: 24/07/2013

2 Perfil dos pacientes oncológicos que procuraram o departamento de emergência de um hospital de blumenau no período de 01 abril de 2011 a 131 Keywords Oncology patients, emergency service, epidemiological profile Abstract The number of cancer patients seeking emergency department for evaluation and treatment increased. Cancer patients present a challenge for emergency responders, because they may have acute symptoms of undiagnosed malignancy, vague symptoms related to the disease or complications of cancer treatment. The hospital where the study was done is a private institution located in the city of Blumenau (SC), which acts as a reference in caring for patients with cancer in the average of the Itajai valley. The aim of this study was to describe the epidemiological profile of the population cancer who sought emergency department of the hospital in the period from April 1, 2011 to October 31, 2011, identifying cases of breast cancer among others. There oncological 1051 reviews during this period. The age ranged from 19 to 89 years. The increased demand for care has been taken by patients with breast cancer, urological, pulmonary, upper and lower gastrointestinal tract. The three main complaints of the consultations were pain, gastrointestinal and respiratory symptoms. The visits occurred mainly during the day, and most of Monday and Tuesday. Improving primary care services and efficiency of oncology clinics to meet the high demand for appointments is extremely important to avoid dispensable visits to the emergency department. Introdução O número de pacientes com câncer que procuram o serviço de emergência para avaliação e tratamento aumentou. Há várias razões possíveis para este fato. Com o envelhecimento da população, a prevalência de câncer aumentou. Além disso, aumentou dramaticamente a sobrevivência de pacientes com câncer, principalmente devido a novas estratégias de tratamento.1-4.outro fator é que as terapias pode ser mais agressivas, o que corresponderia a mais pacientes com efeitos colaterais relacionados ao tratamento. 5,6 Pacientes com câncer representam um desafio para a equipe de emergência, porque eles podem ter sintomas agudos de malignidade não diagnosticada, sintomas vagos relacionados com a doença ou de complicações do tratamento do câncer. Embora o câncer seja uma doença crônica, problemas graves como dor, náuseas, vômitos, febre, leucopenia e distúrbios de eletrólitos podem necessitar de consulta emergencial.7 Muitas emergências oncológicas que estão relacionadas com o próprio processo da doença, como a compressão da medula espinhal, sangramento gastrointestinal e obstrução das vias aéreas são, geralmente, atendidas no setor de emergência1,6,3 O Hospital onde o estudo foi realizado é uma instituição privada localizada na cidade de Blumenau (SC), que atua como uma referência pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no cuidado de pacientes com câncer para a região do Médio Vale do Itajaí. O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfil epidemiológico da população oncológica, que procura o departamento de emergência do hospital. Materiais e Métodos Esta pesquisa foi realizada em um hospital referência em atendimento a pacientes oncológicos do SUS, localizado na cidade de Blumenau (SC), usando as informações do Serviço de Estatística e Arquivo Médico (SAME). Para coleta de dados, fez-se um levantamento por prontuario eletronico dos pacientes registrados no ambulatório de oncologia do hospital, que procuraram o pronto- -socorro do mesmo hospital durante o período de 01 de abril de 2011 a 31 Outubro de Os registos foram analisados pelo sistema eletrônico Tasy. A população estudada foi a de pacientes com diagnóstico de neoplasia maligna primária, que foram atendidos no serviço de emergência do hospital, no período descrito acima. Pacientes sem o diagnóstico prévio de doenças malignas, foram excluídos. Pacientes com idade igual ou superior a 16 anos, foram incluídos, desde de que estivesssem sob os cuidados de um adulto. Investigou-se no estudo as variáveis sociodemográficas, baseadas em informações dos prontuários: sexo, idade, motivo da consulta, tipo de câncer, dia da semana da consulta, o horário, e se a avaliação resultou em internação ou não. A informação sobre o sexo foram registrados como masculino e feminino. As idades foram agrupadas em quatro grupos etários: anos, anos, anos e acima de 80 anos. O motivo da visita foi agrupado em: dor, febre, lesões, reação alérgica, procedimentos e cuidados, sintomas constitucionais, genito-urinários, respiratórios, neurológicos, gastrointestinais, dermatológicos, cardiovasculares, outros (Tabela 1). Os tipos de câncer foram separados em categorias: cabeça e pescoço (boca, faringe e laringe), ginecológico (endométrio, colo do útero e câncer de ovário), mama, pulmão, urológico (próstata, testículos, rins e bexiga), do trato gastrointestinal (cólon, cólon sigmóide, reto, canal anal), do trato gastrointestinal superior (esôfago, estômago, pâncreas e fígado), hematológicos (leucemia e linfoma), pele (melanoma e não-melanoma) e outros (cérebro, sarcoma de local desconhecido, e outros). Revista Brasileira de Oncologia Clínica Vol. 9, n o 34 outubro / novembro / dezembro 2013

3 132 Borges et al. Tabela 1. Principais Queixas por categorias Categorias Dor Febre Lesões Sintomas constitucionais Genitourinário Respiratório Neurológico Gastrointestinal Cardiovascular Pele Reação alérgica Procedimentos e cuidados Outros Reclamações Cervical, torácica, lombar, dorsal, abdominal, epigástrica, suprapúbica, inguinal, anal, nádegas, quadris, orelhas, cabeça, membros, peito, garganta, ossos, articulações, pênis, difusa Queda, trauma, fratura, corte, re-corte, feridas, entorses, acidentes por animais peçonhentos Astenia, caquexia, perda de peso, anorexia, inapetência, mal-estar Disúria, estrangúria, hematúria, fecaluria, sangramento vaginal, alterações de freqüência urinária, anúria, obstrução urinária, insuficiência renal, leucorréia, desconforto vulvar Dispnéia, tosse, dor respiratória dependente, secreção infecção pleural infecciosa, hemoptise, fístula pulmonar Parestesia, paralisia, tontura, convulsões, síncope, confusão, depressão, tentativas de suicídio, diminuição do nível de consciência, estupor, abstinência alcoólica Vômitos, diarréia, icterícia, náuseas, hematêmese, ascite, constipação, disfagia, hematoquezia, sangramento retal, melena, fístulaabdominal Hipertensão, palpitações, parada cardíaca, infarto agudo do miocárdio Erisipela, lesões herpetiformes, eritema, pápulas eritematosas, eczema Alergias, urticária, prurido, irritação nos olhos Procedimentos cirúrgicos, remoção de cateter urinário, remoção de dreno de mama, retirada de pontos, substituição de cateter urinário, raio-x, troca de tubo de traqueostomia, troca de bolsa de colostomia, reavaliação de gastrostomia, transfusão, quimioterapia, fazer a gastrostomia, deiscência de sutura, secreção / sangramento ferida Anasarca, epistaxe, hiperglicemia, gengivite, linfadenopatia cervical, hemorragia, edema de membros inferiores Este estudo garante total privacidade dos dados coletados dos prontuários dos pacientes. Resultados Entre o período de 01 de abril de 2011 a 31 de outubro de 2011, houveram avaliações no departamento de emergência do hospital de pacientes ligados à oncologia clínica. Destas avaliação, foram em pacientes que já tinham diagnostico de câncer e, portanto, incluídos no estudo. De todos os pacientes incluídos, 283 eram do sexo feminino e 269 do sexo masculino. Assim, a média de consultas foi de 1,9 por paciente. A idade variou de 19 anos a 89 anos. A maioria das mulheres (48,76%) tinham entre anos e a maioria dos homens (48,33%) estavam da faixa dos anos (Figura 1). Figura 1. Grupos de idade de acordo com o sexo Os tipos mais freqüentes de câncer nos pacientes avaliados no departamento de emergência durante o período analisado, foram urológico com 14% (n=148), mama com 13,9% (n=146 visitas), seguido de câncer no trato gastrointestinal superior com 13,8% (n=145) (Figura 2). Como sítio isolado o câncer de mama foi o predominante. Figura 2. Prevalência de câncer por categoria Os dias da semana variaram de segunda a domingo. O horário foi dividido em dois grandes grupos: manhã (7:00-18:59 horas) ou noite (19:00-06:59 horas). Foram definidas as visitas que resultaram em internação ou não. O protocolo do estudo foi revisto e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Fundação Hospitalar de Blumenau. As consultas desses pacientes no departamento de emergência foram categorizados por horário (dia e noite) e dia da semana. A maioria dos atendimento ocorreram

4 Perfil dos pacientes oncológicos que procuraram o departamento de emergência de um hospital de blumenau no período de 01 abril de 2011 a 133 nas segundas-feira (173 visitas - 16,5%) e terças-feira (168 atendimentos - 16%), ambos com maior prevalência durante o dia. Domingo foi o dia com menor número de visitas (110 visitas - 10,5%) (Figura 3). Figura 3. Número de pacientes oncológicos atendidos no serviço de emergência de acordo com dia da semana e horário Quanto às queixas, a dor foi o sintoma que levou mais pacientes oncológicos ao departamento de emergência, totalizando 39,2%, seguida de sintomas respiratórios (13,42%), gastrointestinais (11,7%) e constitucionais (9%) (Figura 4). Figura 4. Frequência das principais queixas que resultaram em procura ao departamento de emergência por pacientes com câncer Relacionando os sintomas com o tipo de tumor, dor foi a queixa mais comum nos tumores de cabeça e pescoço, mama, ginecológico, urológico, trato gastrointestinal alto e baixo, pele, hematológicos e outros. Os sintomas respiratórios predominaram em cânceres de pulmão. Apenas um terço das avaliações resultaram em hospitalização (30,54%). A maioria das consultas (69,46%), terminaram com liberação do paciente. Discussão Este estudo examinou a população oncológica que procurou o serviço de emergência do hospital, durante um período de seis meses, sendo executado em 01 de abril de 2011 a visitas de pacientes oncológicos foram analisadas no departamento de emergência durante este período, sendo que muitos pacientes procuraram assistência mais de uma vez, resultando em uma média de 1,9 visitas por paciente. Um fenômeno semelhante foi demonstrada no estudo de Mayer et al.7, onde a média era de 1,4 consultas por paciente, em sua maioria, mulheres. A idade variou de 19 a 89 anos. A faixa etária mais prevalente entre as mulheres foi de 41 a 60 anos, enquanto entre os homens foi entre 61 a 80 anos. No estudo de Yates e Barrett2, bem como em Mayer et al7, a idade média era de 65 anos. Na publicação de Swenson et al1 este valor foi de 68,9 anos e em Porta e cols.8 era 67,7 anos. Estes dados refletem o envelhecimento da população devido ao maior número e melhores possibilidades terapêuticas oferecidas. A maior demanda por cuidados foram tomados em ordem decrescente, para pacientes câncer urológico, mama, trato gastrointestinal superior e inferior e pulmonar, com quase dois terços dos pacientes, porém o câncer de mama como sítio primário foi o de maior número. Este perfil foi similar ao apresentado na pesquisa de Mayer et al7, onde os tumores mais comuns foram pulmão, coloretal, mama e próstata, bem como em Yates e Barrett2 onde prevaleceu o cancêr de pulmão, cólon, mama, próstata e esófago. Além disso, Bozdemir et al4 também teve o câncer de pulmão, gastrointestinal e da mama como mais prevalentes. As três principais queixas das consultas foram em ordem decrescente: dor, sintomas respiratórios e gastrointestinais, como previsto na publicação de Bozdemir e cols.4 e Mayer et al7. No estudo de Swenson et et al.1 os pacientes admitidos no serviço de emergência tiveram sintomas relacionados à doença terminal ou com a sua própria quimioterapia, tais como dor, sintomas gastrointestinais, astenia e dispnéia. As consultas incluídas neste estudo ocorreram principalmente durante o dia, e a maioria nas segundas e terças-feiras. Da mesma forma, a maioria dos pacientes atendidos no setor de emergência no estudo de Yates e Barrett2 e Mayer et al7 foram durante o dia. Mais de dois terços das visitas foram concluídas com a liberação do paciente, ao contrário do que ocorreu no estudos de Mayer et al7. Esta evidência, vista em nosso estudos, faz-nos questinar se esses pacientes que procuram os serviços de emergência pacientes poderiam resolver os seus problemas em consulta de rotina ou oncologia Programa Saúde da Família (PSF) de sua unidade de referência. Acredita-se que muitos pacientes procuraram emergência em vez de ambulatórios para facilitar o acesso imediato ou até mesmo por não receberem o cuidado adequado em serviços de cuidados primários porque os médicos temem atender pacientes com câncer. Muitas das visitas ao departamento de emergência estavam relacionados a sintomas que foram mal conduzidos em Revista Brasileira de Oncologia Clínica Vol. 9, n o 34 outubro / novembro / dezembro 2013

5 134 Borges et al. unidades de cuidado de primário, tais como dor, sintomas respiratórios, gastrointestinais e constitucional, muitos deles inerentes à história natural da doença. Mesmo outras razões, como ferimentos e procedimentos e cuidados, que fizeram os pacientes procurarem o setor de emergência, poderiam ser resolvidos no ambulatório e, assim, reduzir a sobrecarga de consultas desnecessárias na sala de emergência, melhorando a sua qualidade de assistência. As limitações deste estudo são inerentes à seleção de pacientes, muitos dos quais podem ter obtido o seu primeiro diagnóstico de câncer no departamento de emergência e, portanto, não foram incluídos no estudo porque não foram registrados no serviço de oncologia. Além disso, os registros com preenchimentos falhos, restringem as informações coletadas nesta pesquisa, uma vez que é um estudo retrospectivo. Devido à crescente prevalência e incidência de pacientes com câncer, hoje em dia, é fundamental para compreender a gestão de pacientes com câncer por médicos da emergência, especialmente em um hospital de referência para esses pacientes. É extremamente importante, também, a melhoria dos serviços de cuidados primários e de eficiência das clínicas de oncologia para atender a alta demanda por consultas, impedindo visitas dispensáveis para o serviço de emergência. Referências 1. Swenson, KK et al. Recognition and evaluation of oncology-related symptoms in the emergency department. Annals of emergency medicine 1995, 26: Yattes, M; Barrett, A. Oncology emergency admissions to the Norfolk and Norwich University Hospital: an audit of current arrangements and patient satisfaction. Clinical Oncology 2009; 21: Halfdanarson, TR; Hogan, WJ; Moynihan TJ. Oncologic emergencies: diagnosis and treatment. Mayo Clin Proc 2006; 81: BOZDEMIR, N et al. Demographics, clinical presentations and outcome of cancer patients admitted to the emergency department. Turk J Med Sci 2009; 39: Christman K et al. Chemotherapy of metastatic breast cancer in the elderly. JAMA 1992; 268: Morris, JC; Holland, JF. Oncologic emergencies, in Holland-Frei Cancer Medicine. BC Decker Mayer, DK et al. Why do patients with cancer visit emergency departments? Results of a 2008 population study in North Carolina. Journal of Clinical Oncology 2011; 29: Porta, M et al. Emergency admission for cancer: a matter of survival? British Journal of Cancer 1998; 77:

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