1ª Série do Ensino Médio/ 2 Trimestre SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES

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1 Sem limite para crescer! Resumo das aulas de Filosofia 1ª Série do Ensino Médio/ 2 Trimestre SÓCRATES, PLATÃO E ARISTÓTELES Esses três filósofos foram os inauguradores da filosofia ocidental como a que concebemos ainda hoje em muitos aspectos. O período em que Sócrates, Platão e Aristóteles despontaram é considerado como o período áureo da Filosofia, dada a imensa contribuição deles para o avanço do pensamento filosófico. Antes de se falar de Sócrates, Platão e Aristóteles, é imprescindível, também, abordar sobre os sofistas que foram pensadores contemporâneos a Sócrates e juntamente com ele, foram os primeiros falar sobre as questões morais dentro do âmbito filosófico. Os sofistas eram pensadores que realizavam viagens de cidade em cidade e, através de discursos públicos, atraíam jovens discípulos, os quais pagavam taxas por essa educação recebida. Apesar de serem pessoas muito refutadas por outros filósofos como Aristóteles, por exemplo, os sofistas exerceram um grande papel para a evolução histórica da Filosofia. As obras de Sócrates, Platão e Aristóteles, serviram de base para toda a Filosofia na Idade Média, Renascentista, Idade Moderna e Contemporânea. Grandes filósofos, de várias épocas da história, têm suas bases nesses três pais da filosofia ocidental; homens como Gregório, Tertuliano, Santo Agostinho, São Tomaz de Aquino, no período entre a Filosofia Medieval e início da Renascença. Outros, como os iluministas Rousseau, Diderot, Voltaire e Descartes e alguns mais recentes como Auguste Comte, Emanuel Kant, David Hume, Friedrich Nietzsche, Michel Foucault, etc. Só sei que nada sei... SÓCRATES Ateniense, viveu entre 469 e 399 a.c. Foi um dos mais importantes precursores da Filosofia ocidental. Inspirado em boa parte de seu pensamento pelas teorias do pré-socrático Parmênides. Sobre Sócrates, o que temos de registros são os escritos e os relatos de seus principais discípulos, que foram Platão, Xenofonte e Aristófanes. Há, ainda, uma teoria que defende que Sócrates era nada mais que uma criação de Platão, ou seja, um personagem utilizado para ilustrar pontos de sua obra; porém, sem comprovações determinantes para tal constatação. As três fontes mais relevantes sobre a vida de Sócrates são as peças de Xenofonte, e os diálogos observados em quase cem por cento dos escritos de Platão. Nos relatos dos diálogos de Aristófanes, Sócrates é travestido de um personagem cômico, não sendo de alta 1

2 relevância a sua retratação, uma vez que, nem sempre nesse caso, é a expressão da realidade, partindo do princípio de que Sócrates tenha de fato existido, o que é a versão amplamente aceita, apesar de não haver obras de sua própria autoria encontradas por historiadores e pesquisadores. Sócrates é identificado pelos discursos de Platão como um homem de uma mente concisa e rigorosa, que tinha o objetivo de fazer seus compatriotas e concidadão chegarem ao pensamento racional, com o intuito de se alcançar a verdade interior de cada um ( Conhece-te a ti mesmo. ). Para tal, ele desenvolveu um método que acabou por identificar o que era a maiêutica, que significa parto de ideias. A maiêutica socrática consistia em se realizar perguntas às pessoas com que ele se deparava a dialogar, perguntas essas que, tinham dois estágios. No primeiro deles, Sócrates fazia perguntas simples sobre assuntos que o indivíduo julgava conhecer bem. No segundo, essas perguntas continuavam sendo feitas, de maneira simples e contextualizadas, mas dessa vez, levando o indivíduo a questionar sua própria certeza, gerando, assim, uma nova visão sobre um mesmo tema. Daí chamar-se parto, pois consistia em literalmente dar à luz a novas ideias sobre assuntos até então esclarecidos. Esse efeito de se interpelar a respeito de suas próprias convicções era visto em Sócrates através de suas mais célebres frases, quando nos mostra que o conhecimento humano era limitado por sua própria ignorância, tais como: Só sei que nada sei. Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância. Inteligente é aquele que sabe que não sabe nada. Sócrates morreu em Atenas, em 399 a.c., condenado sob a acusação de corromper a juventude ateniense e tentar introduzir novos deuses naquele lugar. Sócrates, apesar de ser inocente, segundo Aristóteles, não tentou fugir nem se livrar de sua condenação, apenas argumentando convincentemente em sua defesa as razões de sua inocência. Ainda assim, foi condenado a uma pena de morte por envenenamento, ingerindo uma substância chamada cicuta. PLATÃO Uma vida não questionada não merece ser vivida. Também de Atenas, era filósofo e matemático, fundador da Academia de Atenas, que foi a primeira instituição de ensino superior do ocidente. Seu mentor, como relatado em suas obras, era Sócrates e seu sucessor e pupilo era Aristóteles. Platão nasceu entre 428 e 427 a.c. e viveu até 348 ou 347 a.c. É tido por muitos estudiosos como o maior dos filósofos da antiguidade. Inicialmente, Platão teve sua introdução nos pensamentos filosóficos por Crátilo, que era um discípulo do présocrático Heráclito; porém, aos 20 anos, conheceu Sócrates e se tornou seu discípulo até a morte do mesmo. Para Platão, o homem estava inserido em dois tipos de 2

3 realidades diferentes, que eram chamados por ele de realidade inteligível e a sensível. A primeira reflete aquilo que podemos distinguir e expressar a outrem. É a realidade imutável das coisas. A segunda, como o nome sugere, é aquela que afeta os nossos sentidos, que são dependentes e modificáveis. Essa divisão das realidades em que o ser humano está em contato é a famosa teoria das ideias de Platão. Na concepção do filósofo, esse mundo da realidade sensorial seria uma reprodução opaca e limitada do mundo inteligível, que é o das ideias. O filósofo escreveu em sua obra O Simpósio, também conhecida como O banquete uma experiência de Sócrates com a sacerdotisa Diotima de Mantinea, que o teria iniciado na genealogia dos conhecimentos sobre o amor, de onde surgiram as ideias do que conhecemos como amor platônico. Platão, diferentemente da maioria dos pré-socráticos, não buscava a essência da forma física das coisas, ele buscava sim, a verdade essencial dessas coisas. Platão entendia que a essência do conhecimento não estava nas coisas, que são corruptíveis e mutáveis. Como filósofo, ele buscava a essência nas realidades imutáveis, nos fatos. Como bom cidadão ateniense e admirador das formas de organização do estado, Platão teve boa parte de sua vida dedicada à política e à busca de uma conclusão a respeito de como seria a melhor forma de governo para uma sociedade. Em sua obra A República, que também era um diálogo socrático, ele cita os diversos tipos de governos existentes, focalizando a obra no tema central, que era a justiça. Sócrates expõe, nesse diálogo, que a melhor forma de governo seria exercida por um regime formado por filósofos. Além de tratar também sobre questões metafísicas, como a imortalidade da alma e o julgamento dos mortos. Falando-se em questões imateriais, Platão acreditava que o homem era dividido em corpo e alma. O primeiro era de caráter material e mutável e corruptível. Já a alma, seria a porção divina do ser, a parte imutável e perfeita. Platão, por sua imensa sabedoria, chamou a atenção de Dionísio I, rei da Sicília, que o levou para sua terra. No entanto, ao confrontar Dionísio em suas limitações, esse se sentiu ofendido e veio a vender Platão como escravo. Outros filósofos souberam da notícia e se juntaram para comprá-lo de volta, e realizar o regresso à Grécia. Aconselharam-no, então, de que os sábios não deveriam se unir aos tiranos. Em seu retorno à Atenas, fundou a Academia, instituição de ensino que foi ganhando imenso prestígio, procurada por jovens de todas as partes em busca de conhecimento e também por homens nobres e reconhecidos para debaterem ideias. Com a morte de Dionísio I em 367 a.c., Platão retorna à Siracusa, na Sicília, a fim de introduzir sua filosofia naquela sociedade; porém, o sucessor de Dionísio II, o sucessor da corte, mais uma vez, impediu Platão em seus intentos. Uma terceira tentativa, em 361 a.c., de levar uma mentalidade de conhecimento à Siracusa também foi frustrada. Contudo, em Atenas, a Academia se consolidava cada vez mais. Platão permaneceu na direção dessa instituição de ensino até sua morte, em 347 a.c., numa época em que Felipe da Macedônia expandia seu domínio, chegando à Atenas. Uma das versões para a morte de Platão seria a de que numa festa do povo, em comemoração ao seu 81º aniversário, ele se afasta sozinho para um canto e ali teria expirado. Porém, as causas reais da morte de Platão são desconhecidas. 3

4 ARISTÓTELES Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura... Aristóteles nasceu em Estagira, uma colônia grega, em 384 a.c. Era filósofo, médico do rei Amintas III, da Macedônia, era discípulo de Platão e tutor educacional de Alexandre, o Grande. Junto a Platão, seu mentor, e Sócrates, mentor de Platão, Aristóteles é tido como um dos maiores filósofos da antiguidade e precursor da filosofia ocidental. Suas obras tratam dos mais abrangentes e variados assuntos, dando ênfase no método da retórica e fala desde a metafísica até música, governo, física e poesia. Devido a essa versatilidade e polivalência de conhecimentos, Aristóteles é alvo de admiração dos seus conseguintes pensadores. O seu foco nas ciências físicas influenciou fundamentalmente a cena intelectual na Idade Medieval, cujos princípios e ideias estiveram presentes nas influências dos principais renascentistas. No campo da metafísica, os pensamentos e teorias aristotélicas tiveram muita influência na cultura e na teologia e nas tradições judaico-islâmicas da Idade Média, continuando a ter influência no cristianismo. Foi considerado por Auguste Comte como o príncipe eterno dos filósofos e por Platão como o maior leitor do mundo. O filho de Nicômaco, por volta de 16 ou 17 anos de idade parte para Atenas, como a maioria dos jovens abastados da época, a fim de dar prosseguimento em seus estudos. Ali, entra para a Academia platônica, onde sobre a tutela de seu mentor intelectual permaneceu 20 anos, até a morte de Platão. Apesar de intelectualmente ser o mais apto para assumir a direção da Academia, Aristóteles, por não ser grego, não assume o posto, partindo para Assos com alguns alunos que compartilhavam da mesma linha filosófica de Aristóteles. Em Assos, Aristóteles funda um círculo filosófico, com o apoio de Hérmias, que era o tirano da época na região. Aristóteles, dentre a sua vastidão intelectual, se destacou nas áreas exatas da lógica, física e biologia. Ele considerava a lógica, através do silogismo, como uma base para o pensamento científico. O conceito de física para Aristóteles tem a premissa no movimento. O filósofo ainda tinha uma teoria fundamental em sua concepção, em que muitos pais da psicologia se inspiraram e se basearam. O conceito de psique e intelecto partir da teoria aristotélica. É indispensável citar as inúmeras contribuições e avanços dos estudos de Aristóteles na Metafísica, na Física, na Biologia, na Psicologia, ética e em outras tantas áreas de conhecimento. As obras de Aristóteles são divididas pelos historiadores e pesquisadores em duas distintas classes: as Esotéricas, que seriam obras técnicas com fins acadêmicos, e as Exotéricas, destinadas ao público geral. Porém, há uma hipótese de que todas as suas obras de caráter popular, ou seja, exotéricas, tenham se perdido, uma vez que, o que se tem conservado, são obras tipicamente dotadas de jargões e de uma linguagem técnica que somente acadêmicos das escolas platônicas e aristotélicas da época poderiam discernir. Com a morte prematura de Alexandre, o Grande, que era seu pupilo, em 323 a.c., Aristóteles vê-se obrigado a sair de Atenas, para evitar sua morte, visto que o pensamento antimacedônico, que era o que mantinha o reinado de Alexandre, havia sido extinto e 4

5 perseguido por Demóstenes, que reimplantou em Atenas o partido nacionalista. No ano seguinte, isolado em uma habitação sua, em Cálcis, faleceu aos 62 anos, em 322 a.c. 5

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